Sagrado Coração de Jesus

15 de Junho de 2007

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Sagrado Coração de Jesus Redentor, F. Silva, NRMS 93

Salmo 32, 11.19

Antífona de entrada: Os pensamentos do seu coração permanecem por todas as gerações para libertar da morte as almas dos seus fiéis, para os alimentar no tempo da fome.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O coração é símbolo do amor. A Festa do Coração de Jesus quer a todos lembrar o Amor infinito que Deus nos tem. Acordar para este Amor é experimentar as alegrias, riquezas e segurança que só Deus nos pode dar.

 

Oração colecta: Concedei, Deus todo-poderoso, que ao celebrar a solenidade do Coração do vosso amado Filho, recordemos com alegria as maravilhas do vosso amor e mereçamos receber desta fonte divina a abundância dos vossos dons. Por Nosso Senhor...

 

ou

 

Deus de bondade, que no Coração do vosso Filho, ferido pelos nossos pecados, nos abristes os tesouros infinitos do vosso amor, fazei que, prestando-Lhe a homenagem fervorosa da nossa piedade, cumpramos também o dever de uma digna reparação.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Movido pelos sentimentos do Seu «Coração», Deus experimenta pelo homem as emoções, alegrias, anseios e preocupações que um pastor sente pelas suas ovelhas.

O povo de Israel, derrotado e humilhado, sentindo-se como ovelhas perdidas no exílio da Babilónia, encontra grande conforto nestas palavras, que Ezequiel, em nome de Deus lhes dirige.

 

Ezequiel 34, 11-16

11Eis o que diz o Senhor Deus: «Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las. 12Como o pastor que vigia o rebanho, quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, assim Eu cuidarei das minhas ovelhas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas. 13Arrancá-las-ei de entre os povos e as reunirei dos vários países, para as reconduzir à sua própria terra. 14Apascentá-las-ei nos montes de Israel, nas ribeiras e em todos os lugares habitados do país. Eu as apascentarei em boas pastagens e terão as suas devesas nos altos montes de Israel. Descansarão em férteis devesas e encontrarão pasto suculento sobre as montanhas de Israel. 15Eu apascentarei o meu rebanho, Eu o farei repousar, diz o Senhor Deus. 16Hei-de procurar a ovelha que anda perdida e reconduzir a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa. Hei-de apascentar com justiça».

 

O texto é tirado da 3ª e última parte do livro de Ezequiel (Ez 33 – 48), um conjunto de oráculos de esperança e de renovação após a destruição de Jerusalém em 587. Depois de ter censurado os maus pastores – os dirigentes de Israel, reis e sacerdotes – que tinham levado o povo à ruína e ao desterro (vv. 1-10), o profeta anuncia que agora vai ser o próprio Deus a dirigir o seu povo, sem mais intermediários. Esta profecia tem o seu pleno sentido em Jesus Cristo. Ele é Deus que vem cuidar de cada uma das suas ovelhas (cf. Jo 10, 1-16): «Eu apascentarei o meu rebanho» (v.15). «Hei-de procurar a ovelha que anda perdida» (v. 16; cf. Lc 15, 4-7 no Evangelho de hoje).

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-6 (R. 1)

 

Monição: O salmista vê em Deus o Pastor que o leva a descansar em verdes prados, o conduz às águas refrescantes, o guia por caminhos direitos e o protege de todos os males.

 

Refrão:         O Senhor é meu pastor:

nada me faltará.

 

O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo

me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O comportamento de Deus é surpreendente. Ele ama não só os amigos, mas também os inimigos. A «esperança não engana». Ele nunca nos abandona. Concluirá a sua obra-prima, que somos nós, infundindo o Seu Espírito no nosso coração.

 

Romanos 5, 5b-11

Irmãos: 5O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. 8Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 9E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito maior razão seremos por Ele salvos da ira divina. 10Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito maior razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 11Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação.

 

São Paulo pretende fazer ver que o amor de Deus garante ao homem justificado a firmeza da esperança da salvação eterna. Esta esperança é certa, não ilusória. Eis é o raciocínio do Apóstolo: se «quando éramos ainda pecadores» (v.8) e «inimigos» de Deus (v. 10) – antes da conversão –, recebemos a graça da justificação, como é que não havemos de estar seguros «agora que fomos justificados» (v. 9) e «reconciliados» v. 10)? «Com muito maior razão» (vv. 9 e 10) «seremos por Ele salvos da ira divina» – à hora do juízo –, quando os pecadores forem condenados. «Seremos salvos pela Sua vida» (v. 10), isto é, em virtude da vida de Cristo ressuscitado, ao aparecermos diante dele como santos, reconciliados e redimidos por Ele.

5 Ver nota da 2ª Leitura da festa da SS. Trindade deste ano C (supra).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 11, 29ab

 

Monição: Deus alegra-se com a ressurreição dos ímpios.

Assim, como o pastor, deixará noventa e nove ovelhas para procurar uma que ande tresmalhada, também o Senhor procurará alguém que ande perdido. Como é importante estar atento a tanta ternura do nosso Deus!

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Tomai o meu jugo sobre vós, diz o Senhor,

e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 15, 3-7

Naquele tempo, 3disse Jesus aos fariseus e aos escribas a seguinte parábola: 4«Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? 5Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros 6e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. 7Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento».

 

A parábola da ovelha perdida manifesta graficamente o desejo que Deus tem da salvação de todos os pecadores, expresso naquele ir à procura da ovelha perdida, deixando «as noventa e nove no deserto» (v. 4), e na festa com os amigos e vizinhos para celebrar o regresso (v. 6). A realidade, porém, supera incomensuravelmente a parábola, pois não deixava de haver interesse e vantagem pessoal para o pastor que recupera um bem perdido, ao passo que Deus se regozija por puro amor gratuito e desinteressado; mais ainda, a busca da ovelha perdida – do pecador – custou a Jesus Cristo a máxima humilhação e dor, os tormentos indescritíveis da sua Paixão e Morte!

7 «Haverá mais alegria no Céu». Isto não significa que Deus subestime a perseverança dos justos. De modo nenhum! Mas Jesus apenas quer pôr em evidência como Deus aprecia a conversão de um pecador e como Ele nos quer aliciar ao arrependimento e à confiança mais absoluta na misericórdia do seu Coração, que perdoa sempre, por maiores e mais numerosos que possam ser os nossos pesados. E Ele não se limita a esperar o nosso regresso, mas adianta-se, e anda à nossa procura.

 

Sugestões para a homilia

 

O Senhor é meu Pastor, nada me faltará.

Ele amou-nos e ama-nos até ao fim.

Importância de acordar para o Amor de Deus.

1. O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

O Senhor é meu Pastor nada me faltará. Assim afirmámos há momentos. Sabemos que este Pastor a que nos referimos é Deus omnipotente e infinitamente misericordioso. Pode tudo e ama sempre, sempre. Como pois é importante estar com Ele, aceitar pertencer ao Seu «rebanho».

Se há no mundo tantas lágrimas, guerras, ódios e carências de todas as espécies é porque existem também homens que teimam procurar a felicidade e segurança da vida onde ela não se encontra. Só o Senhor pode garantir a paz, alegria, progresso e felicidade que o coração humano deseja e para a qual foi criado.

2. Ele amou-nos e ama-nos até ao fim.

Além de nos ter chamado à vida e, pelo Baptismo, nos ter integrado na Sua Família divina, o Senhor prova o Seu Amor por nós incarnando no Ventre Puríssimo da Virgem Santa Maria para ter um Corpo para sacrificar por nós na Cruz, depois de se ter sujeitado às mais tremendas humilhações e vexames. E, não contente com morrer por cada um de nós, permitiu que o Seu Coração, símbolo do Amor, fosse trespassado por uma lança e quis ficar connosco realmente presente na Santíssima Eucaristia. Verdadeiramente, como nos diz S. João, amou-nos e ama-nos até ao fim.

3. Importância de acordar para o Amor de Deus.

A felicidade tão desejada por todos será uma realidade na medida em que cada um acordar para este Amor infinito de Deus sendo coerente com ele. Esta coerência deverá traduzir-se em amá-lO com todas as forças e amar todos os homens, que são filhos do mesmo Deus.

As revelações privadas a santa Margarida Maria Alacoque (1673-1675) chamaram particularmente a atenção para o mistério do amor de Jesus Cristo tão pouco compreendido e correspondido e mesmo desprezado pelos homens. O Papa Pio VI reconheceu o culto à humanidade de Cristo e ao Seu Coração em 1694.

Vários Papas chamaram particularmente a atenção para a importância desta devoção. Grandes Encíclicas sobre a devoção ao Coração de Jesus foram publicadas: Pio XI em 1928 (Miserantíssimus Redemptoris), Pio XII em 1956 (Haurietis Aquas) e Paulo VI em 1965 (Investigabiles divitias). O Papa João Paulo II instituiu o Domingo da Misericórdia Divina tendo presente revelações particulares a Santa Faustina.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é pois actual e urgente.

A devoção das primeiras Sextas-Feiras em desagravo do Coração de Jesus são caminho maravilhoso para a conversão ao Amor infinito de Deus.

4. Conclusão

Que a Festa que o Senhor hoje nos permitiu viver, contribua para uma conversão constante de nossas vidas ao Amor nunca assaz correspondido por nós e repare as ingratidões de todos os que ainda O não conhecem e desprezam.

Sabemos que o Seu Amor, sempre gratuito triunfará.

Que todas as «ovelhas» perdidas O descubram para poderem dizer com convicção e verdade «o Senhor é meu Pastor, nada me faltará».

 

Fala o Santo Padre

 

«Através do Coração de Jesus manifestou-se de modo sublime o Amor de Deus pela humanidade.»

Hoje […] celebramos o Sagrado Coração de Jesus, data que une felizmente a devoção popular com a profundidade teológica. Era tradicional e nalguns Países ainda o é a consagração das famílias ao Sagrado Coração, que conservavam uma imagem dele na sua casa. As raízes desta devoção aprofundam-se no mistério da Encarnação; foi precisamente através do Coração de Jesus que se manifestou de modo sublime o Amor de Deus pela humanidade. Por isso, o culto autêntico do Sagrado Coração conserva o seu valor e atrai sobretudo as almas sequiosas da misericórdia de Deus, que nele encontram a fonte inexaurível da qual haurir a água da Vida, capaz de irrigar os desertos da alma e fazer florescer a esperança. A solenidade do Sagrado Coração de Jesus é também a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes: aproveito a ocasião para convidar todos vós, queridos irmãos e irmãs, a rezar sempre pelos sacerdotes, para que possam ser testemunhas autênticas do amor de Cristo.

 

Bento XVI, Angelus, 25 de Junho de 2006

 

Oração Universal

 

Por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo

Sempre vivo a interceder por nós

Oremos, a Deus Nosso Pai, dizendo

 

Ouvi-nos Senhor.

 

1.  Pelo Santo Padre o Papa Bento XVI

para que os seus apelos à civilização do Amor

sejam escutados por todos os homens

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos nossos governantes

para que, mediante leis justas e dignas,

ajudem a estabelecer o reinado de Cristo na Sociedade portuguesa

oremos, irmãos.

 

3.  Para que todas as famílias aceitem o reinado de Cristo

cumprindo com fidelidade e generosidade as leis santas do Matrimónio

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos nós aqui presentes

para que correspondendo ao Amor infinito de Deus

O amemos com todas as nossas forças

e O manifestemos no amor aos outros

oremos, irmãos.

 

5.  Para que as benditas Almas do Purgatório

possam usufruir quanto antes as doçuras

do Amor infinito do Coração de Jesus no reino dos céus.

oremos, irmãos

 

 

Senhor, atendei os pedidos, que com fé, esperança e humildade Vos acabamos de fazer.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, Que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do Teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para o inefável amor do Coração do vosso Filho e fazei que a nossa oferenda Vos seja agradável e sirva de reparação pelos nossos pecados. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O Coração de Cristo, fonte de salvação

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo, nosso Senhor.

Elevado sobre a cruz, com admirável amor deu a sua vida por nós e do seu lado trespassado fez brotar sangue e água, donde nasceram os sacramentos da Igreja, para que todos os homens, atraídos ao Coração aberto do Salvador, pudessem beber com alegria nas fontes da salvação.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

O Coração de Jesus dá-se totalmente a cada um de nós na sagrada Comunhão. É assim o Seu Amor!

Vamos recebê-lO com muita fé, amor e desagravo de tantas ofensas e ingratidões dos homens.

 

Cântico da Comunhão: Saboreai como é bom, M. Carneiro, NRMS 93

Jo 7, 37-38

Antífona da comunhão: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba, diz o Senhor. Se alguém acredita em Mim, do seu coração brotará uma fonte de água viva.

 

Ou

Jo 19, 34

Um dos soldados abriu o seu lado com uma lança e dele brotou sangue e água.

 

Cântico de acção de graças: Vossos corações exultem, Az. Oliveira, NRMS 90-91

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que este sacramento do vosso amor nos una sempre mais a Jesus Cristo, vosso Filho, de modo que, inflamados na caridade, saibamos reconhecê-l'O nos nossos irmãos.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O mundo tão carenciado em que vivemos precisa descobrir Quem o pode e quer saciar. O Senhor conta connosco para esta divulgação tão urgente.

O «Amor não é amado»! Vamos amá-lO e seremos instrumentos para que outros o façam também e então, de facto, nada lhes faltará.

 

Cântico final: Em coro altíssimo, M. Faria, NRMS 14

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:              Alves Moreno

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha


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