Solenidade da Santíssima Trindade

3 de Junho de 2007

 

Domingo depois do Pentecostes

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aleluia! Glória a Deus, Az. Oliveira, NRMS 107

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa da Santíssima Trindade. O nosso Deus, uno e trino, é uma comunidade de vida e de amor: Três Pessoas divinas na unidade de uma só natureza.

A nossa mãe, a Santa Igreja, convida-nos a celebrar hoje este mistério, para nos lembrar que a Santíssima Trindade é a meta do nosso caminhar na terra. Fomos chamados à vida e à Igreja, sem mérito algum da nossa parte. Quer o Senhor que participemos da felicidade do próprio Deus, cantando eternamente no Céu as glórias do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

Que influência prática tem na nossa vida de cristãos o mistério da Santíssima Trindade?

Preparemo-nos para aceitar as exigências do Senhor.

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na Sabedoria de que nos fala o trecho que vai se proclamado vêem os Santos Padres o Verbo de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. E porque as Suas delícias eram viver com os filhos dos homens, fez-Se um de nós por amor. Testemunhemos, reconhecidos, a Jesus Cristo o Seu amor por nós.

 

Provérbios 8, 22-31

Eis o que diz a Sabedoria de Deus: 22«O Senhor me criou como primícias da sua actividade, antes das suas obras mais antigas. 23Desde a eternidade fui formada, desde o princípio, antes das origens da terra. 24Antes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das águas, já eu tinha sido concebida. 25Antes de se implantarem as montanhas e as colinas, já eu tinha nascido; 26ainda o Senhor não tinha feito a terra e os campos, nem os primeiros elementos do mundo. 27Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; quando traçava sobre o abismo a linha do horizonte, 28quando condensava as nuvens nas alturas, quando fortalecia as fontes dos abismos, 29quando impunha ao mar os seus limites para que as águas não ultrapassassem o seu termo, quando lançava os fundamentos da terra, 30eu estava a seu lado como arquitecto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença. 31Deleitava-me sobre a face da terra e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens».

 

A sabedoria divina aparece aqui poeticamente personificada. É ela que se apresenta a si mesma, como um «arquitecto» (v. 30) ao lado de Deus, que Lhe fornece o projecto da maravilhosa obra da criação do universo. Este belo artifício literário parece insinuar um mistério que transcende o próprio hagiógrafo: os Padres da Igreja, baseados na apresentação que o Novo Testamento faz de Cristo como Sabedoria de Deus (Mt 11, 19; Lc 11, 49; cf. Col 1, 16-17; Jo 1, 1-3; 6, 35, etc.), vêem nesta passagem uma alusão à Segunda Pessoa da SS. Trindade, o Verbo de Deus. De facto, a Sabedoria é apresentada como uma pessoa distinta, mas sem que seja uma criatura, pois existe desde sempre, antes da criação (vv. 24-26) e intervém na obra da criação (vv. 27-31); ela, não sendo criada, foi concebida, gerada desde toda a eternidade. A revelação do N. T. faz-nos supor que esta passagem já conteria um sentido divino mais pleno do que aquele que se podia vislumbrar antes de Cristo. Recorde-se que o v. 22 – «o Senhor me criou» – foi aproveitado por Ario, para tentar demonstrar que o Verbo não era Deus, mas apenas a sua primeira criatura, partindo da tradução grega dos LXX, seguida pela Vetus Latina, a que inexplicavelmente se atém a nossa tradução litúrgica; mas a verdade é que o texto hebraico tem: «o Senhor possuiu-me» («qanáni»), seguido pela Vulgata e pela Neovulgata, que é a referência para as traduções litúrgicas.

Aqui, como em tantas outras passagens da Escritura, fala-se do Mundo de acordo com as ideias cosmológicas da época: os Céus (v. 27) seriam uma abóbada firme (firmamento) que cobria a Terra, a qual era uma enorme ilha plana limitada por um círculo (v. 27) que, à maneira de dique (v. 29), a separava do oceano sem limites («o abismo», v. 27); por seu turno, a Terra, apesar de ser ilha flutuante no abismo, tinha estabilidade e estava fixa devido a uns alicerces ou «fundamentos da Terra» (v. 29), à maneira de colunas em que se apoiava; as fontes são chamadas «as fontes do abismo» (v. 28), pois brotavam do próprio abismo, isto é, o mar em que a Terra sobrenadava, e, através dos rios, as águas das fontes regressavam à sua origem. (A chuva procedia da abertura de grandes reservatórios de água situados acima do firmamento – as «águas superiores» de Gn 1, 7 – e que comunicavam com o oceano). É evidente que, ao falar assim, a Sagrada Escritura não quer dar uma lição de Cosmologia, fala como então se falava.

 

Salmo Responsorial    Sl 8, 4-9 (R. 2a)

 

Monição: Toda a Criação nos fala da grandeza de Deus. Cantemos a Sua glória.

 

Refrão:         Como sois grande em toda a terra,

Senhor, nosso Deus!

 

Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos,

a lua e as estrelas que lá colocastes,

que é o homem para que Vos lembreis dele,

o filho do homem para dele Vos ocupardes?

 

Fizestes dele quase um ser divino,

de honra e glória o coroastes;

destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos,

tudo submetestes a seus pés:

 

Ovelhas e bois, todos os rebanhos,

e até os animais selvagens,

as aves do céu e os peixes do mar,

tudo o que se move nos oceanos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo recorda-nos que foi Jesus Cristo, com a Sua Paixão e morte, Quem nos Introduziu na vida íntima de Deus, restituindo-nos a filiação divina que o pecado nos tinha roubado.

Façamos propósitos de aproveitar melhor tão grande riqueza, vivendo como verdadeiros filhos de Deus.

 

Romanos 5, 1-5

Irmãos: 1Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, 2pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. 3Mais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz a constância, 4a constância a virtude sólida, a virtude sólida a esperança. 5Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

 

O texto com que se inicia o capítulo 5 de Romanos introduz um tema central da carta, o do «amor de Deus» (a ser desenvolvido no capítulo 8), paralelo ao tema da «justiça de Deus» (anunciado em 1, 17 e desenvolvido em 3, 21-31).

2 «Esta graça em que permanecemos»: é a graça, que a Teologia chama santificante, a graça da justificação, que nos torna santos, justos, amigos de Deus e em paz com Ele.

5 «A esperança não engana», não nos deixa confundidos. A teologia católica insiste numa qualidade da virtude teologal da esperança: a certeza, que procede da virtude da fé e que se baseia na fidelidade de Deus às suas promessas, na sua misericórdia e omnipotência. Esta firmeza da esperança não obsta a uma certa desconfiança de si próprio, pelo mau uso que se possa vir a fazer da liberdade: daqui a recomendação de S. Paulo: «trabalhai com temor e tremor na vossa salvação» (Filp 2, 12). «O amor de Deus foi derramado em nossos corações»; aqui está a garantia de que a nossa esperança não é ilusória, mas firme. Este amor não é apenas algo que se situa fora de nós próprios, uma mera atitude de benevolência divina extrínseca, mas é um dom que se encontra derramado em nossos corações «pelo Espírito Santo que nos foi dado». Fala-se neste texto dum dom e dum doador; daqui que a Teologia explicite que esse dom é a virtude infusa da caridade, inseparável da graça santificante (cf. DzS 800-821), isto é, um «hábito» permanente, bem expresso pelo particípio perfeito passivo do original grego («que permanece derramado»); o doador é o Espírito Santo que, por sua vez, também «nos foi dado» (Ele é a graça incriada: assim se dá a inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ap 1, 8

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São João 16, 12-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12«Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. 13Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir. 14Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».

 

A leitura é um pequeno trecho do chamado discurso do adeus (Jo 13 – 17), de grande alcance na revelação do mistério da SS. Trindade.

13 «Dirá tudo o que tiver ouvido». O Espírito Santo, directamente ou através dos seus carismas, jamais trará uma «nova» revelação, nova, tanto no sentido de contraditória, como no sentido de uma revelação que possa deixar «ultrapassada» a revelação de Cristo. Não obstante, vai ser o Espírito Santo quem possibilitará a plena compreensão da Revelação na vida da Igreja e que a completará com a pregação dos Apóstolos (cf. Dei Verbum, 4). O Espírito Santo não é autónomo; por isso a sua acção está em perfeita coerência e continuidade com a obra de Jesus. «Anunciará o que está para vir» não significa uma previsão dos acontecimentos futuros, mas antes o sentido do futuro e a nova ordem das coisas resultante da obra redentora de Jesus.

14-15 Temos aqui o texto bíblico mais claro a falar simultaneamente de unidade da natureza divina e da distinção real das Pessoas da Santíssima Trindade, concretamente, sobre a procedência, por parte do Espírito Santo, do Pai e do Filho. O Espírito Santo não é autónomo; por isso a sua acção está em perfeita coerência e continuidade com a obra de Jesus. «Tudo o que o Pai tem é Meu», portanto, também a natureza, que em Deus não se distingue da sua ciência. Por isso mesmo, quando Cristo diz que o Espírito Santo «receberá do que é meu», indica, como bem o exprime Santo Agostinho, a procedência da Terceira Pessoa do Pai e do Filho: «Ele não é de Si mesmo, mas é d’Aquele de quem procede. Donde Lhe vêm a essência, também Lhe vem a ciência: d’Ele Lhe vem a audição que não é mais do que a ciência» (In Jo. tract. 99).

 

Sugestões para a homilia

 

1. O Mistério da Santíssima Trindade

2. Exigências na vida deste Mistério

1. O Mistério da Santíssima Trindade

Todo aquele que se quiser salvar, antes de tudo é preciso que professe a fé católica Esta é a fé católica: que veneremos um só Deus na Trindade, e a Trindade na unidade. Assim começa um dos mais antigos símbolos – resumos doutrinais – da Igreja Católica: o Símbolo Atanasiano, que ao longo de quarenta proposições, nos fala do mistério da Santíssima Trindade.

O mistério de Três Pessoas distintas e um só Deus verdadeiro encontra-se claramente revelado no Novo Testamento.

 

a) Anunciação. Quando o Arcanjo Gabriel apresenta a Nossa Senhora a mensagem do Céu a anunciar-lhe que Ela tinha sido escolhida para Mãe de Deus, fala claramente das Três Pessoas:

Jesus Cristo, a Segunda Pessoa encarnada, é Filho do Altíssimo, do Pai, e será concebido por obra e graça do Divino Espírito Santo (cf. Lc. 1,31-35).

 

b) Quando Jesus se apresenta nas margens do Jordão para ser baptizado pelo Precursor de novo se manifesta este mistério: o Filho submete-se ao rito do Baptismo; o Pai faz ouvir a Sua voz: Este é o Meu Filho amado em Quem tenho a Minhas complacências; o Espírito Santo desce sobre Jesus na forma duma pomba (cf. Mt. 3,16-17; Mc. 1,9-11; Lc. 3,21-22; J0. 1,31-34).

 

c) E ao fazer aos Apóstolos as últimas recomendações antes de subir ao céu manda-os baptizar em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28,19).

A nossa pequenez não logra compreender tão profundo mistério: Três Pessoas distintas e um só Deus verdadeiro, O nosso Deus não é alguém distante, impessoal. Ë uma Família divina; é uma Comunidade de Vida e de Amor.

E o que é mais maravilhoso para nós é que Deus quis fazer-nos participantes da Sua própria vida e felicidade. A graça torna-nos filhos de Deus. E somos chamados a contemplá-l'O face a face eternamente no Céu.

Toda a vida cristã decorre em união com a Santíssima Trindade: o Pai criou-nos e colocou ao nosso dispor toda a criação; o Filho resgatou-nos do pecado; o Divino Espírito Santo habita em nossos corações como num templo (cf. Lumen Gentium, 9), para nos ensinar a viver como filhos de Deus.

Desde a nossa entrada na Igreja ao sermos baptizados, até à nossa partida deste mundo, depois de exalarmos o último suspiro, fazemo-lo em nome das Três Divinas Pessoas.

2. Exigências na vida deste Mistério

O mistério da Santíssima Trindade é uma inspiração para a nossa vida de filhos de Deus:

Ao Pai apropria-se a Criação do Universo. Sabendo que, pelo nosso trabalho, completamos a obra criadora, de mãos dadas com Deus, esta verdade de fé está a recordar-nos que temos de fazer o trabalho bem feito, com perfeição e amor, O Senhor cria o universo com perfeição, até aos mínimos pormenores. Quanto mais avança a investigação científica, mais o homem se maravilha de tudo quanto está feito. Além disso, tudo o que Deus faz é por amor: Deus é amor.

 

Ao Filho apropria-se a Redenção dos homens. Perdida a nossa filiação divina, encontraríamos para sempre fechadas as portas do céu. Jesus, feito um de nós por amor, vem introduzir-nos de novo na família da Santíssima Trindade e ensinar-nos o caminho da Casa do Pai. Mas quer precisar da nossa colaboração, pelo apostolado. Temos de completar, pela nossa acção generosa, o que falta à Paixão de Jesus Cristo.

 

Ao Divino Espírito Santo está apropriada a santificação de cada um de nós. Ele o Arquitecto da nossa vida interior. Ensina-nos a orar ao Pai e sugere-nos docemente o que havemos de fazer. Este mistério está, portanto, a recordar-nos a necessidade de um empenhamento sério na luta ascética, num programa de vida espiritual vivido com generosidade.

Manifestemos ainda o nosso amor à Santíssima Trindade adorando-A em nosso coração. Saudemo-l'A ao levantar, repetindo a oração dos anjos fiéis: Serviam-Servirei!

Mantenhamo-nos fiéis à Sua vontade no meio das preocupações do nosso dia. Rezemos devotamente a oração que o Anjo de Portugal ensinou aos Pastorinhos de Fátima.

«Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente

Recordemos a grandeza do nosso Deus na maravilha da criação. Que a contemplação do universo e também das pequenas maravilhas que encontramos na natureza nos ajudem a um diálogo contínuo com Ele. Vivamos na terra a unidade. Afastemos tudo o que nos divide. Assim daremos testemunho da admirável unidade do nosso Deus.

A Santa Missa que estamos a celebrar fala-nos, como nenhum outro acontecimento da nossa vida cristã, deste admirável mistério: o Pai oferece-nos o Filho para nossa Redenção; o Filho oferece-Se – e oferece-nos – ao Pai como Hóstia agradável; o Divino Espírito Santo ensina-nos a identificarmo-nos com os sentimentos do Redentor no Calvário.

A Palavra de Deus que ouvimos ilumina o nosso peregrinar na terra e a Santíssima Eucaristia que vamos comungar fortalece os nossos passos até que um dia nos encontremos na visão beatifica da Santíssima Trindade.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«O Espírito Santo encaminhar-vos-á para toda a Verdade.»

[…]

2. «Nós acreditamos naquilo que Vós revelastes da vossa glória» (Prefácio). A nossa assembleia eucarística é testemunho e proclamação da glória do Altíssimo e da sua presença activa na história. Sustentados pelo Espírito Santo, que o Pai nos enviou através do Filho, «nós gloriamo-nos também nas tribulações, conscientes de que a tribulação produz a perseverança, que a perseverança produz a fidelidade comprovada e que a fidelidade comprovada produz a esperança» (Rm 5, 3-4). […]

3. «Vós sois um só Deus, um só Senhor!» (Prefácio). As três Pessoas, iguais e distintas, são um único Deus. A sua distinção real não divide a unidade da natureza divina.

Cristo propôs-nos, a nós que somos seus discípulos, esta comunhão extremamente profunda como um modelo «Assim como Tu, ó Pai, estás em mim e Eu em ti. E para que também eles estejam em Nós, para que o mundo acredite que Tu me enviaste» (Jo 17, 21). Em cada ano, a celebração do mistério da Santíssima Trindade constitui para os cristãos uma vigorosa exortação ao compromisso em prol da unidade. Trata-se de uma exortação que diz respeito a todos nós, Pastores e fiéis, impelindo-nos todos a uma renovada consciência da nossa responsabilidade no seio da Igreja, Esposa de Cristo. Como deixar de sentir de modo impelente, perante estas palavras de Cristo, a solicitude ecuménica? Também na presente circunstância, volto a afirmar a vontade de progredir ao longo do caminho difícil, mas rico de alegria, da plena comunhão entre todos os crentes.

Contudo, não se pode negar que uma grande contribuição para a causa ecuménica provém do compromisso dos católicos, de viver a unidade no seu interior. Na Carta Apostólica Novo millennio ineunte, ressaltei a necessidade de «fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão» (n. 43), conservando o olhar do coração fixo «no mistério da Trindade, que habita no meio de nós, e cuja luz deve ser vista também no rosto dos irmãos» (Ibidem). Deste modo, alimenta-se aquela «espiritualidade da comunhão» que, partindo dos lugares onde se plasmam o homem e o cristão, chega às paróquias, às associações e aos vários movimentos. Uma Igreja particular, em que floresça a espiritualidade da comunhão, saberá purificar-se constantemente dos «venenos» do egoísmo, que geram inveja, desconfiança, ansiedade de auto-afirmação e oposições deletérias.

4. A evocação destes riscos suscita em nós uma espontânea oração ao Espírito Santo, que Jesus Cristo prometeu enviar-nos: «Quando vier o Espírito da Verdade, Ele encaminhar-vos-á para toda a Verdade» (Jo 16, 13).

O que é a verdade? Certo dia, Jesus disse: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14, 6). Por conseguinte, a formulação correcta desta pergunta não é «o que é a verdade?», mas sim, «quem é a verdade?».

Esta é a interrogação que levanta também o homem do terceiro milénio. Dilectos Irmãos e Irmãs, não podemos calar a resposta, porque nós a conhecemos! A verdade é Jesus Cristo, que veio ao mundo para nos revelar e nos transmitir o amor do Pai. Somos chamados a dar testemunho desta verdade com a palavra e sobretudo com a vida! […]

6. «O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5). Não se trata de um mérito nosso, mas de um dom gratuito. Não obstante o peso dos nossos pecados, Deus amou-nos e redimiu-nos com o sangue de Cristo. A sua graça purificou-nos nas profundezas.

Por isso, podemos exclamar com o Salmista: «Como é grande, Senhor, o teu amor sobre toda a face da terra!». Como ele é grande em mim, nos outros e em cada ser humano!

Este é o manancial genuíno da grandeza do homem; esta é a raiz da sua dignidade indestrutível. A imagem de Deus reflecte-se em cada ser humano. Esta é a «verdade» mais profunda acerca do homem, que não pode de modo algum ser ignorada ou lesada. Em última análise, cada ultraje que se comete contra o homem é como uma ofensa ao seu Criador, que o ama com amor de Pai. […]

 

João Paulo II, Berna, 6 de Junho de 2004

 

Oração Universal

 

Irmãos:

Ensinados por Jesus e movidos pelo Espírito Santo,

oremos com toda a confiança ao Pai, dizendo:

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

1.  Pela unidade e concórdia dos cristãos:

para que sejam no meio dos homens

um sinal de amor da Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

2.  Pelas famílias dilaceradas pela infidelidade:

para que Deus renove o seu amor humano

e as ajude a encontrar o sentido da vida,

oremos irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

3.  Por todos os homens de boa vontade:

para que oiçam o apelo de Deus

a torná-los felizes na terra e no céu,

oremos irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

4.  Pelos que vivem no mundo do trabalho:

para que, fazendo-o com amor e perfeição,

encontrem nele um caminho para Deus,

oremos, irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

5.  Pelos militantes das obras de Apostolado:

para que o Senhor os conforte nas dificuldades

e os encha de generosidade e de coragem,

oremos, irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

6.  Por intercessão de Maria Imaculada,

Filha de Deus Padre, Mãe de Deus Filho

e Esposa de Deus Espírito Santo:

para que nos obtenha a graça da fidelidade,

oremos, irmãos.

 

Santíssima Trindade, eu Vos adoro!

 

7.  Por todos os fiéis defuntos

que no purgatório se purificam:

para que as suas manchas sejam apagadas

e contemplem, quanto antes, a Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus, que quereis fazer-vos participantes

da Vossa felicidade eterna: ajudai-nos a viver de tal modo na terra,

que cantemos para sempre no céu, as glórias da Santíssima Trindade.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e Recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor ...

 

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes acerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

Deus trata-nos como verdadeiros filhos. Oferece-nos como alimento o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo para que, fortalecidos por Ele, possamos caminhar até à Casa do Pai, onde viveremos felizes por toda a eternidade.

 

 

Cântico da Comunhão: Formamos um só Corpo, C. Silva, CT 405

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: A Toda a Hora Bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A vida íntima da Santíssima Trindade há-de ser modelo da nossa vida. Deixemos que o amor de Deus encha o nosso coração e sejamos, entre os homens, um sinal de unidade.

 

Cântico final: Ao Senhor do Universo, F. Silva, NRMS 8 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

9ª SEMANA

 

feira, 4-VI: A Eucaristia, pedra angular.

Tob 1, 3- 2, 1-8 / Mc 12, 1-12

(os agricultores): Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa.

Esta parábola refere-se à vinda de Cristo à terra e à sua paixão e morte. Mas, aquele que foi rejeitado transformou-se na pedra angular (cf. Ev) de todas as construções. Também Tobit tinha sido procurado para ser morto por viver as obras de misericórdia e estava disposto a dar a sua vida (cf. Leit).

A Eucaristia e a espiritualidade eucarística hão-de ser a pedra angular, sobre a qual edificaremos cada um dos nossos dias: «A Eucaristia é Cristo que se dá a nós, edificando-nos continuamente como seu Corpo» (Sacramento da caridade, 14).

 

feira, 5-VI: Defesa da dignidade do ser humano.

Tob 2, 9-14 / Mc 12, 13-17

(Jesus): Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

É certo que as realidades temporais, e a própria sociedade, têm as suas leis próprias, mas isso não significa que as coisas criadas sejam independentes de Deus (cf. GS, 36).

Não podemos esquecer que é preciso defender sempre a dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus. «Precisamente, em virtude do mistério que celebramos (da Eucaristia), é preciso denunciar as circunstâncias que estão em contraste com dignidade do ser humano, pelo qual Cristo derramou o seu sangue, afirmando assim o elevado valor de cada pessoa» (SC, 89).

 

feira, 6-VI: A Eucaristia e a ressurreição da carne.

Tob 3, 1-11 / Mc 12, 18-27

Ele não é um Deus de mortos, mas de vivos.

Sara (cf. Leit) e a mulher referida pelos saduceus (cf. Ev) já tinham ficado viúvas sete vezes. Jesus aproveita esta dificuldade para falar claramente da sua ressurreição e da nossa.

«A celebração eucarística, na qual anunciamos a morte do Senhor e proclamamos a sua ressurreição, enquanto aguardamos a sua vinda gloriosa, é penhor da glória futura, quando mesmo os nossos corpos serão glorificados» (SC, 32). Se alguma vez ficamos tristes pelo pensamento da morte, devemos pensar que, depois da morte, continuará a vida da alma e, um pouco mais tarde, o corpo acompanhá-la-á, pois também ele será glorificado.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:              Fernando Silva

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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