N.ª Senhora de Fátima

90º aniv. Aparições de Fátima

13 de Maio de 2007

(para os locais onde for celebrada noutros dias)

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

cf. Hebr 4, 16

Antífona de entrada: Vamos confiantes ao trono da graça e alcançaremos misericórdia do Senhor. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na aparição de treze de Maio, Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos, assume o diálogo com Nossa Senhora. Depois de lhe ter perguntado de onde era, dirige-lhe uma segunda pergunta: «E que é que Vossemecê me quer?»

Na sua rudeza de linguagem serrana, Lúcia ajuda-nos a procurar o essencial desta celebração: conhecer e viver a mensagem de Fátima. Que é que Nossa Senhora quer de cada um de nós?

Com desejo de conhecer esta verdade, apresentemo-nos diante do Senhor, para celebrar o grande acontecimento de 13 de Maio de 1917, na Cova da Iria.

 

Na última aparição, em 13 de Outubro, Nossa Senhora termina o encontro com uma recomendação que é dirigida a cada um de nós: «Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.»

Pelas nossas muitas ofensas por pensamentos, palavras, obras e omissões, peçamos ao Senhor perdão e prometamos-Lhe – contando com a Sua ajuda – emenda de vida.

 

(Pode escolher-se uma das fórmulas do Ordinário da Missa. Apresentamos sugestões para o esquema C do Acto penitencial).

 

   Para a separação que fazemos, tantas vezes, na vida,

     entre as exigências da nossa fé e o que fazemos cada dia,

     peçamos com humildade e confiança de filhos de Deus:

     Senhor, tende piedade e nós!

 

     Senhor, tende piedade e nós!

 

   Para a frieza com que pecamos em cada momento,

     que nos deixa indiferentes, como se nada acontecesse,

     peçamos, cheios de contrição, porque ofendemos a Deus:

     Cristo, tende piedade de nós!

 

     Cristo, tende piedade e nós!

 

   Para a falita de contrição e propósito de emenda

     com que nos apresentamos no Sacramento da Reconciliação,

     peçamos, com um sincero desejo de emenda de vida:

     Senhor, tende piedade e nós!

 

     Senhor, tende piedade e nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe, concedei-nos que, seguindo os seus ensinamentos e com espírito de verdadeira penitência e oração, trabalhemos generosamente pela salvação do mundo e pela dilatação do reino de Cristo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A Liturgia da Palavra apropria a Nossa Senhora as palavras do profeta Isaías. Depois de anunciar que a linhagem do Povo de Deus – fruto da maternidade virginal de Maria – será conhecida de todas as nações, rompe num hino de acção de graças ao Senhor em honra da Mãe de Deus.

 

Apocalipse 21, 1-5a

1Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido, e o mar já não existia. 2Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, bela como noiva adornada para o seu esposo. 3Do trono ouvi uma voz forte que dizia: «Eis a morada de Deus com os homens. Deus habitará com os homens: eles serão o seu povo e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus. 4Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos nunca mais haverá morte, nem luto, nem gemidos, nem dor, porque o mundo antigo desapareceu». 5aDisse então Aquele que estava sentado no trono: «Vou renovar todas as coisas».

 

1 «Um novo Céu e uma nova Terra». Designação de todo o Universo novo, isto é, renovado (isto significa o adjectivo grego original). Esta renovação visa, sem dúvida, o aspecto moral: renovação que indica, primariamente, a supressão do pecado. Não parece estar excluída também uma renovação física, sobretudo tendo em conta o que se diz em 2 Pe 3, 10-13 e Rom 8, 19-22. A expressão é tirada de Is 65, 17; 66, 22. O que se passará com o Universo no fim dos tempos, em concreto, continua sendo um mistério (cfr. Gaudium et Spes, n.º 139). De qualquer modo, a renovação de que se fala é de ordem sobrenatural e misteriosa e não aquela que é fruto dum simples processo evolutivo natural.

2 «A nova Jerusalém»: uma imagem da Igreja, a Esposa do Cordeiro (vv. 9-10): a noiva adornada para o Seu esposo. Também S. Paulo chama a Igreja «a Jerusalém lá do alto, que é nossa Mãe» (Gal 4, 26). Também é frequente, na Tradição cristã, inclusive na Liturgia, como sucede no dia 13 de Maio, acomodar esta simbologia a Nossa Senhora, a Esposa do Espírito Santo, Mãe e modelo da Igreja.

 

Salmo Responsorial    Jd 13, l8bcde. 19-20a. 20c (R. 15, 10d)

 

Monição: Isaías anunciara que de Maria Santíssima brotaria «a justiça e o louvor diante das nações», porque Ela foi escolhida para Mãe de Deus. O salmo 44 canta a glória de Nossa Senhora.

Unamo-nos a este canto de louvor, com o salmo responsorial: Escuta e inclina-te diante do Senhor.

 

Refrão:         Tu és a honra do nosso povo.

 

Ou:                Aleluia.

 

Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.

 

Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.

 

Não poupaste a vida

perante a humilhação da nossa raça,

mas evitaste a nossa ruína,

caminhando com rectidão na presença do nosso Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 45

 

Monição: Toda a glória de Maria está em ter sido escolhida, desde toda a eternidade, para ser a Mãe do Redentor.

Alegremo-nos com esta maravilha que saiu das mãos de Deus, cantando o Evangelho que nos fala dela.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria,

Sois digníssima de todos os louvores,

Porque em Vós nasceu o sol da justiça,

Cristo, nosso Deus.

 

Evangelho

 

São João 19, 25-27

25Naquele tempo, estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». 27Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E, a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.

 

Repare-se na solenidade deste relato: é uma cena central entre as cinco passadas no Calvário; a Virgem Maria é mencionada 6 vezes em 3 versículos; há o recurso a uma «fórmula solene de revelação» (ao ver… disse… eis… ). Isto deixa ver que não se trata dum simples gesto de piedade filial de Jesus para com sua Mãe, para não a deixar ao desamparo, mas que o Evangelista lhe atribui um significado simbólico profundo: chegada a hora de Jesus, é a hora de Ela assumir (cf. Jo 2, 4) o seu papel de nova Eva (cf. Gn 3, 15) na obra redentora; por outro lado, Ela é a mulher que simboliza a Igreja (cf. Ap 12, 1-18), a mãe dos discípulos de Jesus, representados no discípulo amado, que a acolheu como coisa sua. A tradução mais corrente deste inciso (seguida pela tradução litúrgica) é: «recebeu-a em sua casa», mas esta forma de tradução empobrece de modo notável o rico sentido originário da expressão grega «élabon eis tà idía», uma expressão usada mais quatro vezes em S. João, mas nunca neste sentido; com efeito, a expressão tà idía – «as coisas próprias» – significa muito mais do que a própria casa, indica tudo o que é próprio da pessoa, a sua intimidade.

Jesus não fala às mulheres junto à Cruz que são 4 ou apenas 3 conforme se contar por 2 ou por 1 pessoa a irmã de sua Mãe, Maria, a mulher de Cléofas. S. Mateus fala de muitas mulheres no Calvário, a distância (Mt 27,35-36; cf. Mc 15,40-41; Lc 23,49).

É também de notar que S. João, ao contrário dos restantes Evangelistas, nunca se refere a Nossa Senhora com o nome de Maria; sempre a designa como a Mãe (de Jesus), um indício de ser tratada realmente como mãe; com efeito, ninguém jamais nomeia a própria mãe com o nome dela: para o filho a mãe é simplesmente a mãe!

 

Sugestões para a homilia

 

    Mãe fidelíssima

Mãe de Jesus e nossa Mãe

Causa da nossa alegria

Mãe da divina graça

Porta do Céu e apelo constante à santidade

    Mensageira de Deus

As aclamações em honra de Maria

Acolhimento à Palavra de Deus

Pôr em prática a vontade de Deus

Mãe fidelíssima

A vinda de Nossa Senhora à Cova da Iria, de Maio a Outubro encontra a sua razão de ser na sua maternidade. Ao ser Mãe de Jesus, Maria é Mãe de todos nós. Esta visita inesperada, com uma Mensagem de Amor e Verdade, é uma manifestação do seu cuidado maternal em relação a cada um de nós.

 

Mãe de Jesus e nossa Mãe. «A sua descendência será famosa entre as nações». A glória das mães são os seus filhos. Por isso, Maria é a mais gloriosa de todas, porque é Mãe do Redentor.

Mas, ao tornar-se Mãe de Jesus, Maria é também nossa Mãe, Mãe da Igreja, Mãe de todo o Corpo Místico do qual Jesus é a Cabeça e o Espírito Santo a Alma.

Na Cruz, momentos antes de cerrar os olhos a esta vida mortal, Jesus proclamou a maternidade universal de Maria. «Jesus, vendo a Sua Mãe, e, junto d’Ela, o discípulo que amava, disse a Sua Mãe: ‘Mulher, eis o teu filho.’ Depois, disse ao discípulo: ‘Eis a tua Mãe'.»

Todas as pessoas que vêm a este mundo são vocacionadas para serem suas filhas, porque Jesus, momentos antes de Se elevar ao Céu, convocou todos os povos a fazer parte da Igreja: «Foi-Me dado todo o poder no Céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei

Foram os cuidados maternais de Nossa Senhora que trouxeram a Fátima, chamando a nossa atenção para as verdades do Evangelho.

 

Causa da nossa alegria. «Exulto de alegria no Senhor e a minha alma se alegra no meu Deus.» Maria é causa e caminho seguro da verdadeira alegria. Abriu o seu Coração materno à entrada de Deus no mundo, e Ele trouxe-nos a salvação. Foi ao ritmo do seu Coração enamorado que se deu o encontro do Verbo – a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade – com a natureza humana.

O Filho que a força do Altíssimo, ao descer sobre Ela, formou virginalmente no seu ventre, é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e assumiu d’Ela tudo o que tem de humano: a Sua Carne e Sangue, o Coração divino que nos amam, os Seus olhos que nos sorriem e movem, como qualquer filho em relação à sua mãe. É grato para nós recordar que toda a hereditariedade humana de Jesus foi recebida de Maria porque, segundo a natureza humana, como Homem, não houve a intervenção de um pai para que começasse a existir.

Ela é a Arca da Nova Aliança onde se deu o encontro entre o Céu e a terra, entre Deus e os homens, onde Ele se uniu para sempre à nossa humanidade, de tal modo que, como Deus, as Suas acções têm merecimento divino, infinito; e como pertence à família humana, pode representar-nos diante do Pai, apresentar-Se em nosso nome, para saldar a dívida infinita que havíamos contraído pelo pecado original e pelos pecados pessoais.

 

Mãe da divina graça. «porque me revestiu com as vestes da salvação.» Por Ele nos veio o maior dos dons: o próprio Deus feito Homem, trazendo-nos a filiação divina, como primeiro fruto da graça santificante.

Fomos intrinsecamente transformados, tornados novas criaturas, de tal modo que podemos exclamar com S. Paulo: «Vivo, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20). Maria veio a Fátima ajudar-nos a redescobrir a riqueza do nosso Baptismo e a meta dos nossos passos, nesta caminhada terrena: «Eu sou do Céu!» «Sim, tu vais para o Céu… e a Jacinta, e o Francisco.»

 

Porta do Céu e apelo constante à santidade. «envolveu-me num manto de justiça» (de santidade, na linguagem bíblica).

Ela nos alcançará de Deus a vitória sobre os nossos defeitos, tentações e pecados. É o caminho mais fácil e mais seguro para Deus.

É da nossa experiência de cada dia que tudo se torna mais fácil e agradável na vida interior quando recorremos a Maria e percorremos o caminho guiados pela sua mão maternal.

Se caminharmos com Ela, por uma devoção filial, sentir-nos-emos também envolvidos por este manto de justiça.

«Como a terra faz brotar os germes e o jardim as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante das nações

Maria é um apelo constante à intimidade com Deus. Ninguém que se aproxime d’Ela pode permanecer longe de Deus.

Por isso, a Mensagem de Fátima, que atrai tantas pessoas a uma renovação e vida, é um fermento de santidade, um apelo constante à conversão. Maria, como a melhor das mães, ajuda a preparar o terreno do nosso coração para acolher esta semente divina.

Só na eternidade teremos a alegria de saber quantas pessoas reencontraram ali o caminho do Céu.

Mensageira de Deus

As aclamações em honra de Maria. Quatro vezes encontramos no Evangelho aclamações em honra da Mãe de Deus.

– A primeira vem o Arcanjo S. Gabriel – de Deus, em última análise – quando lhe anuncia que Deus A escolheu para Mãe do Redentor do mundo: «Deus te salve, cheia de graça; o Senhor é contigo… achaste graça diante de Deus

– Maria é aclamada em casa de sua parente Isabel. «Aconteceu que, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo; e exclamou em alta voz: ‘Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre: Donde me vem a dita que a Mãe do meu Senhor venha ter comigo?'»

– Enquanto Jesus falava ao povo, «uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: ‘ Feliz Aquela que te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito.’» Com esta frase emocionada, esta mulher anónima quer aclamar Maria: Bendita seja a Tua Mãe!

Nós repetimos todas estas aclamações quando rezamos o Terço. É mais uma chamada do Senhor para que procuremos rezar com atenção e devotamente.

– Finalmente, encontramos a aclamação do próprio Jesus. Não custa imaginar que Ele deve ter ficado profundamente emocionado com o elogio feito à Sua e nossa Mãe. Quer, porém, aproveitar o momento propício, para nos dar uma lição e elogiar também Maria.

Mãe de Deus há só uma, em toda a história da humanidade. Nisto, portanto, não podemos imitá-la. Há, porém, uma coisa em que podemos imitá-l’A: a fidelidade ao Senhor: «Mas Jesus respondeu: ‘Mais felizes são os que ouvem a palavra e Deus e a põem em prática.’» Nisto, sim, podemos e devemos imitá-l’A.

 

Acolhimento à Palavra de Deus. É a primeira atitude de Maria para a qual Jesus chama a atenção.

De facto, duas vezes nos diz S. Lucas esta verdade. Quando os pastores visitaram a gruta em que Jesus nascera, contaram o que o Anjo lhes tinha dito. «Maria conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19). Quando o menino ficou em Jerusalém, aos doze anos, e Seus pais foram encontrá-l’O dialogando com os doutores, a mesma verdade se repete: «Sua Mãe conservava todas estas coisas no seu coração» (Lc 2, 51).

Não se limitava a ouvir as palavras e a contemplar os acontecimentos. Fazia oração, procurando descobrir a mensagem que Deus lhe transmitia por estes meios.

Voltamos, com isto, à pergunta e Lúcia, na Cova da Iria: «E que é que Vossemecê me quer?» Com toda a simplicidade, devemos perguntar ao Senhor o que quer de nós quando nos dirige a Sua Palavra ou nos fala pelos acontecimentos.

Ouvir a Palavra de Deus com fé. Para que isto aconteça, é precisa uma disposição interior de humildade para que, sentindo-nos pobres, acolhamos, agradecidos, a mensagem do Senhor.

Jesus fala, numa das Suas parábolas, da semente lançada à terra. Que espécie de terreno temos sido para a semente da Palavra que Deus lança generosamente em nosso coração?

Para o conseguirmos, temos de cultivar uma constante preocupação e conhecer o que Deus quer de nós, lendo e meditando a Sagrada Escritura, especialmente o Novo Testamento; os documentos dos Concílios, especialmente do último; os escritos dos Papas e dos Padres da Igreja.

As manifestações de religiosidade em honra de Nossa Senhora são belas, mas devem levar-nos a compromissos de vida, depois de aprofundadas numa formação doutrinal. De contrário, ficam sem qualquer significado e influência na vida.

O mesmo se pode dizer das promessas. Uma graça que pedimos, por intercessão de Maria deve levar-nos ao compromisso interior duma procura sincera da vontade de Deus.

 

Pôr em prática a vontade de Deus. Maria recomendou aos serventes das Bodas de Caná da Galileia: «Fazei tudo o que Ele vos disser.» Nós não «pagamos promessas» Agradecemos os favores recebidos com humildade e carinho filial. E a melhor forma de agradecer é procurar a emenda de vida, uma maior intimidade com o Senhor.

«É preciso que se emendem! Que deixem de ofender mais a Nosso Senhor», recomendou Nossa Senhora em Fátima.

Ela vem recordar-nos que é preciso dar a Deus o lugar a que Ele tem direito na nossa vida: o lugar do melhor dos pais que desce até ao nosso nível.

A Mensagem de Fátima começa – nas aparições do Anjo da Guarda de Portugal – por um forte apelo à fé, reverência e amor à Santíssima Eucaristia.

Renovemos a nossa vida nesta doação generosa que o Senhor faz de si mesmo a cada uma de nós, no Sacrifício do Calvário, renovado em nossos altares.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«A mensagem que a Virgem confiou aos pastorinhos, era uma forte chamada à oração e à conversão.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

[…] Um caminho seguro para nos mantermos unidos a Cristo, como ramos à videira, é recorrer à intercessão de Maria, que a 13 de Maio, venerámos de modo particular recordando as aparições de Fátima, onde em 1917 se manifestou várias vezes a três crianças, os pastorinhos Francisco, Jacinta e Lúcia. A mensagem que lhes confiou, em continuidade com a de Lourdes, era uma forte chamada à oração e à conversão; mensagem verdadeiramente profética considerando o século XX funestado por inauditas destruições, causadas por guerras e por regimes totalitários, e por devastadoras perseguições contra a Igreja.

Além disso, a 13 de Maio de 1981 há 25 anos o Servo de Deus João Paulo II sentiu que foi milagrosamente salvo da morte pela intervenção de «uma mão materna», como ele próprio disse, e todo o seu pontificado foi marcado por aquilo que a Virgem tinha prenunciado em Fátima. Se não faltaram preocupações e sofrimentos, se ainda permanecem motivos de apreensão pelo futuro da humanidade, é confortador o que a «Branca Senhora» prometeu aos pastorinhos: «No fim o meu Coração Imaculado triunfará». […]

 

Bento XVI, Regina Caeli, 14 de Maio de 2006

 

Oração Universal

 

Peçamos ao Senhor, rico em misericórdia,

que enviou a Sua e nossa Mãe a Fátima

para nos recordar o caminho da vida eterna,

pelas necessidades da Igreja e do mundo.

Oremos com fé e amor:

Por intercessão de Nossa Senhora de Fátima,

ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

1.  Para que as crianças e jovens de toda a terra

sejam respeitadas na vida natural e sobrenatural,

oremos, irmãos.

 

Por intercessão de Nossa Senhora de Fátima,

ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

2.  Para que os governantes da terra de Santa Maria

se desempenhem da sua missão com sabedoria e zelo,

e respeito pelos direitos fundamentais dos portugueses,

oremos, irmãos.

 

Por intercessão de Nossa Senhora de Fátima,

ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

3.  Para que as famílias acolham todos os filhos

e os eduquem para uma eternidade feliz,

oremos, irmãos.

 

Por intercessão de Nossa Senhora de Fátima,

ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

4.  Para que todos nós acolhamos com generosidade

a Mensagem de Oração e Penitência da Cova da Iria,

oremos, irmãos.

 

Por intercessão de Nossa Senhora de Fátima,

ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

5.  Para que os povos de todas as nações da terra

acabem com as guerras em todas as suas formas,

oremos, irmãos.

 

Por intercessão de Nossa Senhora de Fátima,

ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

6.  Para que os doentes, já em fase terminal,

recebam de Nossa Senhora conforto e auxílio,

oremos, irmãos.

 

Por intercessão de Nossa Senhora de Fátima,

ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

7.  Para que as almas de todos os fiéis defuntos

que se purificam antes de entrar no Paraíso

contemplem, quanto antes, a glória da Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

 

Por intercessão de Nossa Senhora de Fátima,

ouvi, Senhor, a nossa prece!

 

Senhor, que no alto da Cruz, do derradeiro momento

nos destes Maria como nossa Mãe também.

ajudai-nos a seguir a sua mensagem na Cova da Iria,

para merecermos, por Cristo, uma eternidade feliz.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Concluída a Liturgia da Palavra, Jesus Cristo, que preside a esta Celebração da Eucaristia, pelo ministério do sacerdote, vai renovar sobre o altar o prodígio da Última Ceia em que antecipou misteriosamente o Sacrifício da Cruz, na Calvário, na tarde de Sexta-feira Santa.

Transubstanciado o pão e o vinho que ofertamos, no Seu Corpo e Sangue, oferecer-se-á, depois, como nosso alimento.

Avivemos a Fé e renovemos o nosso Amor a Jesus Cristo, para participarmos neste grande mistério da nossa fé.

 

Cântico do ofertório: Alegres jubilosos, F. da Silva, NRMS 10 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Por este sacrifício de reconciliação e de louvor que Vos oferecemos na festa da Virgem Santa Maria, perdoai benignamente, Senhor, os nossos pecados e orientai os nossos corações no caminho da santidade e da paz. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio

 

Maria, imagem e mãe da Igreja

 

v. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e exaltar a vossa infinita bondade ao celebrarmos a festa da Virgem Santa Maria.

Recebendo o vosso Verbo em seu Coração Imaculado, ela mereceu concebê-l'O em seu seio virginal e, dando à luz o Criador do universo, preparou o nascimento da Igreja. Junto à cruz, aceitou o testamento da caridade divina e recebeu todos os homens como seus filhos, pela morte de Cristo gerados para a vida eterna. Enquanto esperava, com os Apóstolos, a vinda do Espírito Santo, associando-se às preces dos discípulos, tornou-se modelo admirável da Igreja em oração. Elevada à glória do Céu, assiste com amor materno a Igreja ainda peregrina sobre a terra, protegendo misericordiosamente os seus passos a caminho da pátria celeste, enquanto espera a vinda gloriosa do Senhor. Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Maria Santíssima veio à Cova da Iria para nos trazer a Mensagem que nos ensina o caminho da verdadeira paz.

Comecemos por aceitar a necessidade de construir a paz vivendo na graça de Deus e reconciliando-nos com os nossos irmãos. Com esta disposição,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Na sagrada comunhão de hoje, recordemos as recomendações do Anjo aos Pastorinhos de Fátima. Desagravemos o nosso Deus, no Sacramento do Seu Amor, pelos «ultrajes, sacrilégios e ofensas com que Ele mesmo é ofendido» e comunguemos com as necessárias disposições.

 

Cântico da Comunhão: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

cf. Judite 13, 24-25

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, que deu tanta glória ao vosso nome: todas as gerações cantarão os vossos louvores.

 

Ou

Jo 19, 26-27

Suspenso na cruz, Jesus disse a sua Mãe: Eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis a tua Mãe.

 

Cântico de acção de graças: Minha Senhora e minha Mãe, H. Faria, NRMS 33-34

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que o sacramento que recebemos conduza à vida eterna aqueles que proclamam a Virgem Santa Maria Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Mensagem que Nossa Senhora veio trazer a Fátima é um tesouro para nós e para toda a humanidade.

Não nos esqueçamos de ser arautos generosos e perseverantes, levando a todas as pessoas esta mensagem de Amor.

 

Cântico final: Nossa Senhora de Fátima, onde irás, B. Salgado, NRMS 2 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

feira, 14-V: S. Matias: Condições para ser testemunha de Cristo.

Act. 1, 15-17. 20-26 / Jo. 15, 9-17

Receba outro o seu cargo… É, pois, necessário que um deles se torne connosco testemunha da sua ressurreição.

Para a substituição de Judas, Pedro põe como condição que o candidato tenha acompanhado o ministério público de Jesus e poder ser testemunha da ressurreição de Cristo (cf. Leit.). E assim foi escolhido Matias.

Todos precisamos conhecer muito bem a vida do Senhor, através da leitura dos Evangelhos, da contemplação dos mistérios do Rosário… E só depois poderemos dar um bom testemunho de Jesus: ser testemunha de Cristo é ser ‘testemunha da sua ressurreição’ (Leit.), é permanecer no seu amor e guardar os seus mandamentos (cf. Ev.).

 

feira, 15-V: A verdade sobre a família.

Act. 16, 22-34 / Jo. 16, 5-11

(o carcereiro) logo recebeu o baptismo… E encheu-se de alegria com toda a família, por ter acreditado em Deus.

Quando alguém se convertia – como é o caso do carcereiro - desejava que toda a sua casa fosse salva (cf. Leit.). Estas famílias crentes eram como pequenas ilhas de vida cristã num mundo descrente. É, pois, muito necessário que continue a haver pequenas conversões em cada família, para que cresçam estas pequenas ilhas de vida cristã.

Muitos factores culturais, sociais e políticos têm contribuído para uma crise da instituição familiar. É importante que se proclame a verdade sobre a família, apesar de muitas leis serem iníquas.

 

feira, 16-V: O despertar da religiosidade.

Act. 17, 15. 22 – 18, 1 / Jo. 16, 12-15

Atenienses, vejo que sois os mais religiosos dos homens… encontrei um altar com esta inscrição: Ao Deus desconhecido.

O homem procurou, desde sempre, traduzir a sua procura de Deus, através de crenças e comportamentos religiosos. Sendo estas expressões universais, podemos chamar ao homem um ser religioso porque, na verdade, «Deus não está longe de cada um de nós» (Leit.).

Por vezes parece que esta religiosidade não se vê, por causa da ignorância, ou do indiferentismo religioso, pelo secularismo e pelas correntes hostis à religião. Aproveitemos bem as ocasiões para falar de Deus, como fez S. Paulo (cf. Leit.), e invoquemos a ajuda do Espírito Santo: «Ele vos guiará para a verdade total» (Ev.).

 

feira, 17-V: Rogações: Construção de um mundo melhor.

Act. 18, 1-8 / Jo. 16, 16-21 (ou outras)

Senhor Deus, Criador de todas as coisas… fazei que as nossas tarefas sirvam o progresso humano e a extensão do reino de Deus (Oração).

As Rogações começaram a ser celebradas em Roma no século IV. Os cristãos foram tomando consciência de que, a através do seu trabalho, colaboravam com Deus na obra da criação. Organizaram uma procissão, na qual rezavam a Ladainha dos Santos e, pelo sacrifício eucarístico que, a seguir tinha lugar na Basílica de S. Pedro, consagravam ao Senhor todas as suas actividades temporais. Inspirados pelo Espírito Santo pediam ao Senhor que os ajudasse a levar à prática o seu projecto a respeito do mundo e dos homens. As Rogações tiveram sempre em conta um carácter penitencial e de compromisso sério pela construção de um mundo melhor.

 

feira, 18-V: Vida com sentido de eternidade.

Act. 18, 9-18 / Jo. 16, 20-23

Haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo se há-de alegrar… mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria.

Estas palavras do Senhor ajudam-nos sempre. Com efeito, às vezes, parece-nos que aqueles que não querem saber da religião se divertem, gozam a vida, prosperam nos negócios (mesmo à custa de alguma desonestidade); enquanto que aqueles que procuram seguir o Senhor não têm sucesso.

Mas Jesus mostra-nos «como o verdadeiro sentido da vida do homem não está confinado ao horizonte terreno, mas abre-se para a eternidade» (J. Paulo II). É este igualmente o sentido das bem aventuranças.

 

Sábado, 19-V: A oração: respiração do cristão.

Act. 18, 23-28 / Jo. 16, 23-28

O que pedirdes ao Pai, Ele vo-lo dará em meu nome… pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

Dirijamo-nos ao Pai como Jesus nos ensinou: «A oração dominical é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho… Cada um pode, portanto, dirigir ao Céu diversas orações segundo as necessidades, mas começando sempre pela oração do Senhor)» (CIC, 2761).

A oração é como a respiração do cristão. Procuremos, pois, transformar tudo o que fazemos em oração, oferecendo o trabalho diário, os momentos da vida familiar. Aprendamos com Nossa Senhora, a Mestra de oração, para que nos ajude a pedir o que é necessário.

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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