aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

LÍBANO

 

DE MODELO DE TOLERÂNCIA

À INSTABILIDADE

 

O Líbano foi, até à década de setenta do século passado, um modelo de tolerância e convivência entre as suas diversas comunidades étnicas e culturais. Cristãos, muçulmanos e drusos tinham encontrado uma fórmula de partilha de poder que permitiu, durante muitos anos, a estabilidade política e o desenvolvimento económico do país. O Líbano, a chamada Suiça do Médio Oriente, era o símbolo daquilo que se desejava para o Médio Oriente.

 

De então para cá tudo mudou. Nos meados dessa década, por razões sobejamente conhecidas, o país foi palco de uma destruidora guerra civil que marcou profundamente as relações entre as diversas comunidades, dando à Síria o pretexto ideal para uma intervenção militar em larga escala. Damasco acabou com a guerra civil, mas fez do Líbano um protectorado seu. Só que o atentado contra Rafic Hariri, imediatamente atribuído a Damasco, veio alterar o status quo. As grandes manifestações populares que se seguiram, e a pressão internacional, obrigaram à retirada da Síria.

Muitos acreditaram então que estavam criadas condições para o Líbano recuperar a sua dignidade nacional e a sua imagem exemplar de país tolerante e democrático. Mas, infelizmente, o país já estava profundamente contaminado por uma divisão aparentemente insanável, sobretudo a partir do momento em que o Hezbollah assumiu o estatuto de movimento dominante entre a comunidade muçulmana. O seu êxito na resistência à intervenção armada israelita no Líbano conferiu-lhe mesmo uma grande dimensão política nacional.

Protegido pela Síria, este movimento aproveita todas as oportunidades para garantir o regresso de Damasco à política do país, e a queda do governo actual é uma das condições para esse regresso. O cerco ao centro de Beirute e a última greve geral inscrevem-se claramente nesta estratégia. Só que, e como se depreende dos tumultos estudantis, o Hezbollah não faz a unanimidade entre os muçulmanos. Por isso, há mesmo quem tema que o Líbano se venha a transformar, rapidamente, num novo palco de confronto entre xiitas e sunitas: aquilo que alguns chamam a «iraquização» do Líbano.

Finalmente, e para tornar mais confusa e perigosa a situação naquele país, temos de acrescentar ainda a divisão que atingiu a comunidade cristã maronita. A fidelidade a alguns dos antigos senhores da guerra é responsável por esta divisão e faz com que, por exemplo, as iniciativas do Hezbollah tenham apoio público e entusiasta de muitos cristãos. O Líbano está a transformar-se numa manta de retalhos em vias de se romper.

 

 

VIETNAM

 

PROMESSA DE

LIBERDADE RELIGIOSA

 

O governo do Vietname emitiu uma declaração escrita a respeito das suas políticas religiosas, assegurando que todos os cidadãos têm o direito à liberdade de culto e de religião.

 

Nguyen The Doanh, chefe do Comité vietnamita para os assuntos religiosos, apresentou no início dde Fevereiro o documento «Religião e políticas sobre a religião no Vietname», em conferência de imprensa.

Doanh afirmou que o governo tem implementado, de forma consistente, uma política de unidade nacional «sem qualquer discriminação baseada na religião». Segundo este responsável, tem sido levado a cabo um trabalho relevante para ir ao encontro das necessidades espirituais dos crentes das várias confissões religiosas.

Apesar disso, Nguyen The Doanh admitiu que, no passado, essas práticas não foram observadas devido a um entendimento «impróprio» das actividades religiosas por parte das autoridades locais.

No passado dia 25 de Janeiro, o primeiro-ministro do Vietname, Nguyen Tan Dung, realizou uma visita inédita ao Vaticano. Esta foi a primeira vez que um chefe do governo de Hanoi se encontrou com o Papa para discutir a normalização das relações diplomáticas bilaterais, actualmente inexistentes.

O governo vietnamita não permite que se nomeiem directamente Bispos, mas exige que a Santa Sé apresente alguns nomes entre os quais o governo elege o candidato que considera oportuno. As autoridades decidem também os candidatos aos seminários e à ordenação sacerdotal.

Segundo a Santa Sé, ao longo dos últimos anos «registaram-se progressos concretos, que abriram maiores espaços de liberdade religiosa para a Igreja Católica no Vietnam».

 

 

CHINA

 

CHINA POSSUI 300 MILHÕES DE CRENTES

 

O número de crentes religiosos na China é três vezes superior às estimativas oficiais, atingindo 300 milhões de pessoas, segundo a maior pesquisa alguma vez feita no país, referiu a agência noticiosa oficial Nova China.

 

De acordo com o estudo da Universidade Normal do Leste da China, com sede em Xangai, capital económica e financeira daquele país asiático, 31,4 por cento dos chineses com mais de 16 anos são crentes, um total de cerca de 300 milhões de pessoas.

O estudo concluiu ainda que o maior número de fiéis chineses, 64 por cento, se concentra no Budismo, no Taoísmo, na Igreja Católica, na Igreja Protestante e no Islão. A equipa de pesquisa da Universidade Normal do Leste da China entrevistou 4.500 pessoas e aponta o «renascimento» das religiões tradicionais chinesas como um dos dados a destacar.

Cerca de 200 milhões dos 1,3 mil milhões de chineses são budistas, taoistas ou adoradores de figuras lendárias como o Rei Dragão e o Deus de Fortuna, representando 66,1% dos crentes. Segundo os dados oficiais, o número de cristãos cresceu também de forma rápida, de menos de dez milhões no final da década de 1990 para 16 milhões em 2005, mas o estudo da Universidade Normal do Leste da China sobe o total para os 40 milhões, ou 12% de todos os crentes.

Cerca de 72% dos crentes disseram sentir-se mais felizes actualmente do que quando não eram crentes, de acordo com o relatório, que afirma que no final da década de 1990 muitos chineses de meia-idade, que eram ateus até então, abraçaram a religião.

A Constituição chinesa permite a existência de cinco Igrejas oficiais — budista, taoista, islâmica, católica e protestante — que só podem funcionar debaixo da autoridade e controlo estatal, sendo proibidas e perseguidas quaisquer religiões que sigam uma liderança espiritual que não tenha sido nomeada por Pequim.

 

 

ÍNDIA

 

PRÉMIO «MAHATMA GANDHI»

PARA BISPO CAPUCHINHO

 

Mons. Celestino Elampassery, da Ordem dos Franciscanos Capuchinhos, bispo de Jammu-Srinagar, região de Caxemira, situada entre a Índia e o Paquistão, recebeu o Prémio «Mahatma Gandhi» pela sua contribuição nas iniciativas de paz e pela obra de progresso e desenvolvimento cultural realizada naquela região.

 

A cerimónia de entrega do Prémio ocorreu no passado dia 30 de Janeiro, na cidade de Jammu, contando com a presença do Primeiro Ministro do Estado de Caxemira, de numerosos políticos, diplomatas e líderes religiosos.

Na ocasião, o Primeiro Ministro lembrou que é pela primeira vez que o Prémio «Mahatma Gandhi» é entregue a um líder católico. Elogiou a presença e as actividades da comunidade católica de Caxemira, enaltecendo a obra do Bispo capuchinho que dedicou toda sua vida e missão pastoral à difícil situação de conflito em que se encontra a região de Caxemira.

Por seu lado, Mons. Elampassery referiu tratar-se de «um momento importante para a Igreja de Caxemira. Os nossos esforços para a pacificação e reconciliação, realizados em conjunto com as autoridades civis e outras associações, recebem hoje um valioso reconhecimento público. A mensagem e a filosofia de Mahatma Gandhi sobre o valor intrínseco de cada ser humano são mais actuais do que nunca».

O bispo capuchinho, no seguimento do «espírito de Assis», manifestou ainda o desejo de que, para o interesse e o bem-estar da população de Caxemira, os esforços de todos possam construir a paz e a estabilidade na região.

 

 

SUDÃO

 

BAKHITA RADIO,

«A VOZ DA IGREJA»

 

Foi inaugurada no passado dia 8 de Fevereiro a Bakhita Radio 91 FM, «A voz da Igreja», que passa a transmitir regularmente na região de Juba no período das 17h00 às 21h00.

 

Entre os mais de 150 convidados para a celebração de abertura da rádio, estiveram presentes o arcebispo de Juba, Mons. Paolino Lukudu, representantes do Governo, do ministério da Cultura e Telecomunicações, bem como outros representantes religiosos e da imprensa local.

Para o Pe. Moses Hamungole, porta-voz da Associação de Membros das Conferências Episcopais da África Oriental, a rádio Bakhita é importante «para espalhar a mensagem de justiça, reconciliação e paz em Juba e além». Em Janeiro de 2005 fora assinado o «Acordo Global de Paz» entre o Governo sudanês e o Exército de Libertação do Povo do Sudão.

A rádio apresenta programas sobre juventude, o Acordo Global de Paz, sida, limpeza, entrevistas a individualidades civis e religiosas, programas sobre os temas de conversa nas ruas e mercados, uma reflexão sobre o evangelho do dia, etc. A transmissão é feita em inglês e árabe de Juba, uma versão mais simples da língua árabe.

A Bakhita Radio 91 FM é a estação-mãe da Rede Católica de Rádio do Sudão e é a quinta estação a transmitir em Juba. A cadeia terá mais sete emissoras (uma por cada diocese do Sul do Sudão) e um centro de formação para jornalistas, técnicos de rádio e administradores. Tem alcance de 30 km, capacidade suficiente para chegar a 500 mil habitantes.

A Rede Católica de Rádio do Sudão é uma iniciativa conjunta dos Institutos Combonianos para marcar a canonização de São Daniel Comboni, seu fundador, e pertence à Conferência Episcopal dos Bispos Sudaneses.

A data de inauguração das emissões regulares, 8 de Fevereiro, foi escolhida por ser o dia de Santa Josefina Bakhita, religiosa Canossiana e a primeira e, até agora, única santa sudanesa.

 

 

ESPANHA

 

MISSA CELEBRADA

NA TELEVISÃO

 

A Igreja Católica convocou, em meados de Fevereiro, os Bispos e delegados diocesanos responsáveis pela área da comunicação social, com o objectivo de analisar «desafios e possibilidades» da comunicação eclesial, em particular, o relativo à transmissão televisiva (ou radiofónica) da Missa.

 

Em Espanha, cerca de 1,5 milhões de pessoas seguem a transmissão, o que corresponde a um share de 18-22% e a uma liderança de audiências nesse espaço horário.

O Cón. António Rego, Director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja em Portugal, participou no encontro e partilhou com os presentes uma reflexão sobre o «rito religioso e o rito da televisão».

A visão sobre estes momentos tem mudado ao longo dos tempos, tendo a Igreja deixado de pensar na Missa televisionada como um espaço para os doentes e os idosos. «Hoje percebe-se que este é um instrumento de comunicação, para todos. Os destinatários são imprevisíveis: laicos, descrentes, pessoas nos mais variados estados de espírito», refere o Cón. Rego.

Vários elementos se misturam numa transmissão da Missa, desde a liturgia ao espaço, passando pela assembleia, a decoração, o coro e o próprio presidente. «A televisão entra numa igreja e transforma a celebração, pelo que a comunidade deve estar preparada», assinala.

 

 

INGLATERRA

 

VATICANO DESMENTE

REUNIFICAÇÃO COM ANGLICANOS

 

O serviço de informação do Vaticano divulgou uma nota assinada pelo arcebispo católico John Bathersby e pelo bispo anglicano David Beetge, presidentes da Comissão Internacional Anglicano-Católica para a Unidade e Missão (IARCCUM), desmentindo as informações publicadas pelo jornal londrino «The Times», no passado dia 19 de Fevereiro, que apresentava como iminente a reunificação de católicos e anglicanos, sob a autoridade do Papa.

 

O diário ofereceu, segundo estes responsáveis, uma interpretação infundada do documento «Crescer juntos na unidade e missão», redigido pela IARCCUM e que ainda não foi publicado. A nota oficial assinala que «a primeira parte do documento, que aborda matérias doutrinais, é uma tentativa de sintetizar o trabalho da ARCIC (a comissão internacional anglicano católica) nos últimos 35 anos. Identifica o nível do acordo alcançado pela ARCIC, mas também é muito clara na hora de definir os sectores actuais de desacordo e em expor questões que ainda terão de ser enfrentadas».

A Comunhão Anglicana encontra-se actualmente sob o risco de uma cisão, como resultado da decisão do ramo norte-americano de ordenar um bispo homossexual. «The Times» especulava que o Vaticano aproveitaria a divisão para atrair à unificação os sectores anglicanos mais conservadores.

A segunda parte do documento que deu origem a esta polémica faz propostas de iniciativas concretas, identificando aspectos comuns de missão, estudo e oração.

A verdade é que as relações entre as duas Igrejas têm arrefecido consideravelmente nos últimos anos, em função de desentendimentos graves em temas como a ordenação de mulheres ou a abordagem a questões bioéticas.

Na última visita do Primaz Anglicano ao Vaticano, em Novembro de 2006, Bento XVI reconheceu que há vários problemas no diálogo com a Igreja Anglicana, mas congratulou-se com o caminho percorrido ao longo dos últimos 40 anos nas relações entre a Sede de Roma e a da Cantuária.

«Desenvolvimentos recentes, especialmente no que diz respeito ao ministério ordenado e a certos ensinamentos morais, têm afectado não só as relações internas no seio da Comunhão Anglicana, mas também as relações desta com a Igreja Católica», assinalou então o Papa.

 

 

BRASIL

 

CANONIZAÇÃO DE FREI GALVÃO

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) agradeceu ao Papa Bento XVI a decisão de canonizar o primeiro Beato nascido no Brasil, Frei Galvão, durante a visita que fará ao país em Maio deste ano.

 

«A CNBB, ao mesmo tempo que agradece ao Papa Bento XVI por esta decisão, convida todo o povo a alegrar-se pela canonização do primeiro santo nascido no Brasil», salienta num comunicado.

Bento XVI vai presidir à cerimónia de canonização de Frei António Galvão a 11 de Maio, na Cidade de São Paulo.

Frei António de Sant'Anna Galvão nasceu em Guaratinguetá, no Estado de São Paulo, cidade não muito distante do Santuário nacional de Nossa Senhora de Aparecida. Frei Galvão nasceu em 1739 de uma família profundamente piedosa e conhecida pela sua grande caridade para com os pobres.

Baptizado com o nome de António Galvão de França, depois de ter estudado com os Padres da Companhia de Jesus, na Bahia, entrou na Ordem dos Frades Menores em 1760. Foi ordenado Sacerdote em 1762 e passou a completar os estudos teológicos no Convento de São Francisco, em São Paulo, onde viveu durante 60 anos, até à sua morte ocorrida a 23 de Dezembro de 1822. Beatificado em 1998, foi considerado por João Paulo II como a «doçura de Deus».

 

 

ISRAEL

 

ARQUEÓLOGOS DESACREDITAM

DESCOBERTA DO «TÚMULO DE JESUS»

 

O anúncio da alegada descoberta do «túmulo perdido de Jesus» foi recebido pelos especialistas católicos em arqueologia com duras críticas contra a «fantasia» e a intenção «publicitária» dos produtores do documentário.

 

O Studium Franciscanum Biblicum de Jerusalém, através da sua Faculdade de Ciências Bíblicas e Arqueológicas, considera que as declarações de James Cameron estão marcadas por «arqueologia inventada, publicidade e vontade de vender».

Fabrizio Bisconti, secretário da Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra (instituída em 1852), refere à Rádio Vaticano que os nomes a que se fazem referência estavam «muito difundidos» no tempo de Jesus Cristo, em especial a inscrição «Jeshua bar Joseph» (Jesus filho de José), que aparece «pelo menos 70 vezes» nos ossários encontrados até hoje.

«De forma alguma podem ser identificados com o túmulo de Jesus», assegura.

Sobre a descoberta que serve de base ao documentário realizado por Simcha Jacobovici e produzido por James Cameron, o membro da Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra lembra que ela data já de 1980, e que o arqueólogo Amos Kloner «explicou de modo exemplar o tipo de descoberta que efectuou, ou seja, um túmulo familiar que continha ossários com inscrições referentes a nomes como Jesus, Maria ou Marta».

Os nomes inscritos eram «muito comuns e populares» no primeiro século depois de Cristo, época a que, no seu entender, remonta o túmulo do Bairro de Talpiot. «Jesus e os seus parentes eram uma família da Galileia, sem laços em Jerusalém. O túmulo de Talpiot pertencia a uma família de classe média do século primeiro», declarou Amos Kloner.

Fabrizio Bisconti lembrou ainda que, em 1980, a reacção a esta descoberta «não foi tão espectacular como agora se quer fazer crer».

 

Ciência e ficção

 

Yossef Gat, arqueólogo dependente da Autoridade de Antiguidades de Israel, foi o responsável pela descoberta da câmara mortuária no sudeste de Jerusalém, em 1980. Ali encontrou um túmulo tipicamente judaico, que remontava ao tempo do Rei Herodes.

Os arqueólogos constataram que o espaço principal tinha sido coberto com terra e detritos, escondendo seis «kokhim», espaços onde os corpos permaneciam um ano ou o tempo necessário para a decomposição, segundo os ritos judaicos, antes de os parentes poderem recolher os ossos para guardá-los num ossário.

Yossef Gat descobriu 10 ossários com inscrições em hebraico e grego antigo, uma das quais dizia «Jeshua bar Joseph», outra «Mara» (forma comum de Maria) e outra «Yose» (forma comum de José).

O interior da câmara mortuária esteve encerrado durante longos anos por causa da construção de um edifício precisamente por cima do espaço.

Amos Kloner, braço direito de Gat, entretanto falecido, publicou os resultados da descoberta em 1996, na revista da Autoridade de Antiguidades de Israel. O arqueólogo considera que, de forma alguma, este túmulo de Jerusalém poderia ter sido a sepultura da Sagrada Família, natural da Galileia, ao longo de várias gerações.

 

 

ESPANHA

 

BISPOS CRITICAM

POLÍTICA EDUCATIVA DO GOVERNO

 

A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) admitiu no passado dia 1 de Março tomar acções legais contra a política educativa governamental, acusando o executivo de implementar uma moral de Estado, o relativismo e a ideologia de género e de não respeitar os acordos Igreja-Estado.

 

«Se as coisas permanecerem como estão neste momento, é possível que seja necessário recorrer a acções legais oportunas para que seja respeitada a ordem jurídica vigente, que tutela os direitos de todos», assinalam os Bispos católicos.

O Conselho Permanente do organismo episcopal aprovou uma declaração sobre a Lei Orgânica da Educação (LOE) e os direitos fundamentais dos pais e das escolas.

No documento, a CEE ataca fortemente a LOE, especialmente no que toca às disposições normativas que regulam o ensino de Religião e de Educação para a Cidadania. Os bispos recordam, além disso, a recente sentença do Tribunal Constitucional que lhes dá razão relativamente a quem corresponde nomear os professores de Religião.

Para a CEE, se os centros católicos de ensino admitirem na programação os conteúdos dos ecretos educativos aprovados pelo governo – que certificam a natureza não obrigatória das aulas de Religião – entrariam em contradição com a sua natureza própria, centrada na «moral católica».

Quanto aos centros públicos, a CEE critica igualmente a obrigatoriedade do ensino da disciplina de Educação para a Cidadania. «Perderão assim a sua obrigatória neutralidade ideológica e imporão aos alunos uma formação moral não livremente escolhida pelos pais ou até expressamente contraditória com a sua vontade», refere o texto.

Os bispos consideram que as normativas do governo discriminam o ensino de Religião e que a sua regulamentação «carece de seriedade académica que reclama o direito dos que a solicitam livremente», notando que mais de 80 por cento dos pais querem o ensino de Religião nas escolas.

Sobre a disciplina de Educação para a Cidadania, o Conselho Permanente da CEE critica o facto dos decretos que a regulamentam explicarem que se pretende formar, com carácter obrigatório, «a consciência moral cívica de todos os alunos em todos os centros».

«A autoridade pública não pode impor nenhuma moral a todos: nem uma supostamente maioritária, nem a católica, nem nenhuma outra», afirma a CEE, referindo que «os critérios que guiarão a disciplina são próprios do relativismo e da chamada ideologia de género».

A nota, apresentada ontem em conferência de imprensa, lamenta que «a liberdade de ensino e de escolha de centro educativo estejam muito condicionadas na LOE, que define a educação, com um claro tom estatalista, como um serviço público, com o qual a sociedade deve colaborar.

Os Bispos concluem com a afirmação da necessidade de se chegar a «um grande consenso» ou mesmo um «pacto de Estado» sobre as questões básicas que afectam os direitos fundamentais das pessoas e das escolas.

 

 

POLÓNIA

 

NOVO ARCEBISPO DE VARSÓVIA

 

A Santa Sé anunciou no passado dia 3 de Março a nomeação do novo Arcebispo de Varsóvia, para suceder a Mons. Stanislaw Wielgus, o qual apresentou a renúncia ao cargo em 8 de Janeiro passado, na sequência de acusações de colaboracionismo com o antigo regime comunista polaco.

 

A escolha de Bento XVI recaiu sobre Mons. Kazimierz Nycz, de 57 anos, Bispo de Koszalin-Kolobrzeg e membro do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Polaca.

O Papa escrevera a Mons. Wielgus, no passado dia 12 de Fevereiro, para lhe manifestar a sua «proximidade espiritual e compreensão fraterna», apontando ainda a humildade e desapego ao poder manifestados pelo arcebispo polaco, deixando votos de que ele possa «retomar de novo a sua actividade ao serviço de Cristo, da maneira que for possível».

A Igreja Católica na Polónia decidiu dedicar a última Quarta-Feira de Cinzas a uma Jornada particular de oração e penitência de todo o clero, pedindo «o perdão na Igreja polaca de hoje e pela concórdia futura», após a turbulência provocada por sucessivas acusações de colaboracionismo com os serviços secretos comunistas.

No que diz respeito ao passado, Bento XVI declarou-se «perfeitamente consciente das circunstâncias excepcionais» em que os eclesiásticos polacos tiveram que desempenhar as suas funções, «quando o regime comunista na Polónia usava todos os meios para sufocar as liberdades dos cidadãos e, de modo especial, do clero».

 

 

PARAGUAY

 

BISPO PARAGUAIO

CANDIDATO A PRESIDENTE

 

O Bispo Fernando Lugo, candidato à Presidência da República do Paraguai, voltou a apresentar na Nunciatura Apostólica deste país a sua renúncia ao cargo eclesiástico, apesar de esta hipótese ter sido já afastada pela Santa Sé.

 

Mons. Lugo ratificou na sua missiva «a indeclinável renúncia ao ofício sacerdotal e ao ministério episcopal». Esta decisão já foi recusada em Janeiro passado e motivou também uma suspensão «a divinis».

Segundo o Bispo suspenso, a apresentação da renúncia obedece à «intenção de adequar-se às regras constitucionais paraguaias, para superar o impedimento legal que tenho como ministro da Igreja Católica para concorrer ao referido cargo».

No Paraguai, a Constituição estabelece no seu artigo 235 que «os ministros de qualquer religião ou culto» não podem ser candidatos a Presidente ou Vice-presidente da República. Dado que Mons. Lugo permanece no estado clerical, poderá ser impedido de se candidatar.

Em Janeiro, um decreto assinado pelo Prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Giovanni Battista Re, lembrava que Mons. Lugo «permanece no estado clerical e continua obrigado aos deveres a ele inerentes, embora suspenso no ministério sagrado».

Do mesmo modo, a missiva recordava que «o episcopado é um serviço aceite livremente e para sempre», esclarecendo que neste caso não se aplica a excepção prevista no Código de Direito Canónico para poder assumir directamente o trabalho político.

O segundo parágrafo do cânone 287 proíbe os clérigos de tomarem parte activa em partidos políticos, admitindo excepções quando assim «o exija a defesa dos direitos da Igreja ou a promoção do bem comum», a juízo da autoridade eclesiástica.

«O Paraguai é uma nação livre e democrática e a Igreja – cujos direitos se respeitam – está representada por um laicado empenhado», explicou o Cardeal Re.

Neste sentido, argumentava que «a candidatura de um Bispo seria motivo de confusão e de divisão entre os fiéis».

 

 

ITÁLIA

 

NOVO PRESIDENTE

DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL

 

Mons. Ângelo Bagnasco, Arcebispo de Génova, foi designado pelo Papa para substituir o Cardeal Camillo Ruini na Presidência da Conferência Episcopal Italiana (CEI).

 

Bento XVI aceitou a demissão do Cardeal Ruini que esteve à frente da CEI durante 16 anos, até ao limite de idade, e nomeou seu substituto Mons. Ângelo Bagnasco, de 64 anos, desde 2006 Arcebispo de Génova.

O novo Presidente expressou a sua gratidão a Bento XVI «por mostrar que confia em mim, confiando-me tamanha responsabilidade», «pois a CEI tem por objectivo gerar a comunhão e ser serviço aos bispos, para o entendimento e resposta aos desafios de hoje. Mas deve também ser um guia espiritual para os pastores das dioceses», afirmou.

Nesta sua missão «o Magistério do Papa é uma «ajuda preciosa». Relembrando o seu predecessor, Mons. Ângelo Bagnasco referiu ter sido «um exemplo na fé e uma inspiração pastoral, em total lealdade ao Magistério dos Papas».

Pelo seu lado, o Cardeal Camillo Ruini, Vigário Geral do Papa para a diocese de Roma, relembrou João Paulo II, que o nomeara para Presidente da CEI por três vezes e também Bento XVI que o confirmou.


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