Solenidade do Pentecostes

Missa da Vigília

26 de Maio de 2007

 

Esta Missa diz-se na tarde do sábado, antes ou depois das Vésperas I do Pentecostes.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Abri os Corações ao Sopro do Senhor, J. Santos, NRMS 35

Rom 5, 5; 8, 11

Antífona de entrada: O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Vigília de Pentecostes é uma antecipação do misterioso acontecimento que se perpetua na Igreja: Jesus ressuscitado prometeu a vinda do Espírito Santo, para nos recordar tudo quanto Ele ensinou. As várias leituras propostas encerram anúncios da vinda em plenitude do Espírito Santo, concretizada naquela manhã de festa, em Jerusalém, a festa de Pentecostes e continuada na Igreja ao longo dos séculos, até ao fim dos tempos. Continuamente ressoa aos nossos ouvidos a voz de Jesus, dizendo-nos: «Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas desde Jerusalém até aos confins da terra».

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na festa de Pentecostes completais os cinquenta dias do mistério pascal, fazei que, pela acção do vosso Espírito, os povos dispersos se reúnam de novo e todas as línguas proclamem numa só fé a glória do vosso nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou

 

Brilhe sobre nós, Deus omnipotente, o esplendor da vossa glória, e a luz da vossa luz confirme, com os dons do Espírito Santo, o coração daqueles que por vossa graça renasceram. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Ezequiel anuncia a restauração do povo de Israel. É para nós um convite a renovar as nossas almas.

 

Ezequiel 37, 1-14

Naqueles dias, 1a mão do Senhor pairou sobre mim e o Senhor levou-me pelo seu espírito e colocou-me no meio de um vale que estava coberto de ossos. 2Fez-me andar à volta deles em todos os sentidos: os ossos eram em grande número, na superfície do vale, e estavam completamente ressequidos. 3Disse-me o Senhor: «Filho do homem, poderão reviver estes ossos?» Eu respondi: «Senhor Deus, Vós o sabeis». 4Disse-me então: «Profetiza acerca destes ossos e diz-lhes: Ossos ressequidos, escutai a palavra do Senhor. 5Eis o que diz o Senhor Deus a estes ossos: Vou introduzir em vós o espírito e revivereis. Hei-de cobrir-vos de nervos, encher-vos de carne e revestir-vos de pele. 6Infundirei em vós o espírito e revivereis. Então sabereis que Eu sou o Senhor». 7Eu profetizei, segundo a ordem recebida. Quando eu estava a profetizar, ouvi um rumor e vi um movimento entre os ossos que se aproximavam uns dos outros. 8Vi que se tinham coberto de nervos, que a carne crescera e a pele os revestia; mas não havia espírito neles. 9Disse-me o Senhor: «Profetiza ao espírito, profetiza, filho do homem, e diz ao espírito: Eis o que diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e sopra sobre estes mortos, para que tornem a viver». 10Eu profetizei, como o Senhor me ordenara, e o espírito entrou naqueles mortos; eles voltaram à vida e puseram-se de pé: era um exército muito numeroso. 11Então o Senhor disse-me: «Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eles afirmaram: ‘Os nossos ossos estão ressequidos, desvaneceu-se a nossa esperança, estamos perdidos’. 12Por isso, profetiza e diz-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Abrirei os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. 13Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando Eu abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, meu povo. 14Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».

 

A leitura é tirada da última parte da obra de Ezequiel, que, a partir do cap. 33, reúne oráculos de esperança e de renovação do povo (36, 16 – 39, 29) e de restauração templo e do culto (40 – 48).

12 «Vos farei ressuscitar». Não se trata aqui da ressurreição final, mas do ressurgimento moral do povo de Deus, que, esmagado pelas duras provas do cativeiro, se ergue de novo e é reconduzido à terra de Israel, segundo a célebre visão dos ossos relatada nos primeiros versículos deste mesmo capítulo.

14 «Infundirei em vós o meu espírito» (cf. Ez 36, 27). Temos aqui um anúncio profético da acção do Espírito Santo nas almas com a obra salvadora de Cristo: «dar-vos-ei um coração novo e porei em vós um espírito novo; arrancarei o coração de pedra das vossas carnes e dar-vos-ei um coração de carne» (Ez 36, 26). S. Paulo, como faz na 2.ª leitura de hoje, há-de insistir nesta ideia da acção do Espírito Santo nas almas dos cristãos (Rom 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), 1-2a.24.35c.27-28.29bc-30 (R. 30 ou Aleluia)

 

Monição: O salmo de hoje é um hino de louvor a Deus Pai Criador do universo. Cheios de confiança cantemos em comunhão com todos os crentes: Mandai, Senhor, o Vosso Espírito e renovai a terra.

 

Refrão:         Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                      e renovai a face da terra.

 

Ou:                Mandai, Senhor, o vosso Espírito

                      e renovai a terra.

 

Ou:                Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Revestido de esplendor e majestade,

envolvido em luz como num manto.

 

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

Tudo fizestes com sabedoria:

a terra está cheia das vossas criaturas!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

 

Todos de Vós esperam

que lhes deis de comer a seu tempo.

Dais-lhes o alimento e eles o recolhem,

abris a mão e enchem-se de bens.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo escreveu aos Romanos: «O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza... intercede pelos cristãos». Robustecendo as nossas forças, mantendo viva a nossa esperança, o Espírito Santo alcança-nos de Deus a vida eterna.

 

Romanos 8, 22-27

Irmãos: 22Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. 23E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo. 24É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é esperança: quem espera o que já vê? 25Mas esperar o que não vemos é esperá-lo com perseverança. 26Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, sabe que Ele intercede pelos santos, em conformidade com Deus.

 

22 «Toda a criatura geme». S. Paulo usa de uma belíssima prosopopeia, propondo-nos a criação irracional a suspirar também pela restauração da ordem do mundo transtornado pelo pecado. Na medida em que os filhos de Deus santificam o mundo, todas as actividades terrenas, também estas participam da glória dos filhos de Deus. De qualquer modo, o texto é de difícil interpretação, sobre a qual não há acordo entre os estudiosos.

23 «Possuímos as primícias do Espírito», isto é, já possuímos o Espírito Santo, «mas sem que tenhamos ainda tudo o que esta posse desde já nos garante» (Pirot-Clamer); embora já sejamos filhos adoptivos de Deus (vv. 14-15), vivemos «esperando a adopção filial» em plenitude, o que acontecerá só quando se vier a verificar «a libertação do nosso corpo», isto é, de tudo o que em nós é carnal, sujeito à corrupção e à morte (cf. 2 Cor 5, 1-5).

26 «Gemidos inefáveis». As íntimas moções da graça, as inspirações do Espírito Santo na alma, não se podem definir, nem sequer descrever.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Jesus deixa-nos perceber que Ele é a rocha donde brota a água viva do Espírito Santo. De pé, cantemos aleluia, pedindo ao Espírito Santo para que renove a face da terra.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Vinde, Espírito Santo,

enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 7, 37-39

37No último dia, o mais solene da festa, Jesus estava de pé e exclamou: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba: 38do coração daquele que acredita em Mim correrão rios de água viva». 39Referia-se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n’Ele. O Espírito ainda não viera, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

 

Em cada um dos oito dias da festa dos Tabernáculos, em solene procissão, o sumo sacerdote trazia, numa jarra de oiro, água da fonte de Siloé para aspergir o altar do Templo, a fim de recordar a prodigiosa água do Êxodo e pedir chuva abundante (cf. Ex 17, 1-7). Pertenciam ao rito o canto de Is 12, 3 e a leitura de Ez 47. Não podia haver melhor enquadramento para as palavras de Jesus à multidão que então se aglomerava: «se alguém tem sede, venha a Mim!». As palavras de Jesus parecem aludir a Ez 36, 25ss, onde se anuncia para os tempos messiânicos que o povo será purificado com uma água pura, recebendo um Espírito novo, que lhe transformará o coração de pedra; essa água é o Espírito Santo, que brotará simbolicamente do peito do Senhor aberto pela lança (cf. Jo 19, 34), se derramará no Pentecostes (Act 2, 1-36) e se recebe nos Sacramentos da iniciação cristã. Nas palavras de Jesus também se pode ver uma evocação do convite da sabedoria divina em Sir, 24, 19 e Prov 9, 4-5.

Notar que gramaticalmente são possíveis duas pontuações diferentes dos vv. 37-38: a da Neovulgata (a que corresponde a tradução litúrgica), a saber, «Se alguém tem sede, venha a Mim; e quem crê em Mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura…», e a que corresponde à Vulgata, «Se alguém tem sede, venha ter comigo e beba. Aquele que crê em Mim, como diz a Escritura, correrão das suas entranhas rios de água viva». Segundo a primeira interpretação, trata-se do seio do Messias: do peito de Cristo, atravessado pela lança, vem-nos o Espírito Santo, como fruto maravilhoso da árvore da Cruz. Na segunda interpretação, trata-se do seio do crente, a alma do homem santificado por Cristo.

 

Sugestões para a homilia

O Espírito do Senhor encheu todo o universo

Esta realidade, anunciada no início do livro da Sabedoria (Sab 1, 7) cumpriu-se com toda a plenitude na manhã de Pentecostes, quando os Apóstolos e os que estavam com eles receberam o Espírito Santo e começaram a falar outras línguas conforme o Espírito Santo lhes inspirava que se exprimissem. Jesus cumpriu a promessa. «Quando eu for para junto do Pai, enviar-vos-ei o Espírito Santo, outro Consolador!» (Jo 16, 7) Jesus também tinha anunciado, antes de subir ao Céu: «Vós sereis baptizados no Espírito Santo» (Act 1, 5). O Evangelho que escutámos recorda-nos ainda a palavra de Jesus falando da Escritura. «Quem tem sede venha a mim e bebe! Do seu íntimo correr-lhe-ão rios de água viva». «Referia-se ao Espírito Santo, que deviam receber os que acreditassem n’Ele.»

Ao longo do tempo pascal, que agora termina, celebrámos o mistério de Jesus Cristo, a sua vitória sobre o pecado e sobre a morte. Jesus ressuscitado prometeu enviar o Espírito Consolador. Alguns dias depois da sua gloriosa Ascensão, desce o Espírito Santo em forma de línguas de fogo e como uma rajada de vento. Línguas de fogo, simbolizando a pregação ardente dos Apóstolos. Cheios do Espírito Santo, receberam a força para irem por todo o mundo, anunciando «a todos os povos que há debaixo dos céus», a boa nova da salvação. Vento impetuoso, simbolizando a poderosa eficácia do Evangelho, que derrubaria as velhas religiões, os velhos cultos pagãos, dando origem à civilização do Amor cristão.

Através do seu Espírito, Jesus estará sempre presente até ao fim dos tempos, renovando a face da terra, enchendo todo o universo com o fogo do seu amor divino. A linguagem do amor é universal, acessível a todos. Sábios ou ignorantes, judeus ou gregos, crentes e descrentes, todos precisam de amar e de ser amados.

É verdade que o Espírito Santo habita em nós, mas não nos cansemos de pedir: «vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso AMOR». Assim compreendemos que o mistério de Pentecostes não é apenas um acontecimento do passado, mas é uma realidade sempre actual. O Espírito Santo renova continuamente a face da terra e nós devemos abrir os nossos corações «ao Sopro do Senhor» para sermos capazes de O receber com «efusões» cada vez mais copiosas!

 

 

Fala o Santo Padre

 

«O Pentecostes é isto: Jesus, e através dele o próprio Deus, vem a nós e atrai-nos para dentro de si.»

 

Amados irmãos e irmãs

[…] Nesta Vigília de Pentecostes, nós perguntamo-nos: quem ou o que é o Espírito Santo? Como podemos reconhecê-lo? De que modo vamos a Ele e Ele vem a nós? O que realiza? Uma primeira resposta recebêmo-la do grande hino pentecostal da Igreja, com o qual começamos as Vésperas: «Veni, Creator Spiritus... Vem, Espírito Criador...». Aqui, o hino refere-se aos primeiros versículos da Bíblia que, com o recurso a imagens, exprimem a criação do universo. Ali afirma-se sobretudo que acima do caos, sobre as águas do abismo, pairava o Espírito de Deus. O mundo em que vivemos é obra do Espírito Criador. O Pentecostes não é apenas a origem da Igreja e por isso, de modo especial, a sua festa; o Pentecostes é também uma festa da criação. O mundo não existe por si mesmo; provém do Espírito criativo de Deus, da Palavra criadora de Deus. E por este motivo reflecte inclusive a sabedoria de Deus. Na sua vastidão e na lógica omnicompreensiva das suas leis, ela deixa entrever algo do Espírito Criador de Deus. Exorta-nos ao temor reverencial.

Precisamente quem, como cristão, crê no Espírito Criador, toma consciência do facto de que não podemos usar e abusar do mundo e da matéria como de um simples objecto da nossa acção e da nossa vontade; que temos o dever de considerar a criação como um dom que nos foi confiado não para a destruição, mas para que se torne o jardim de Deus e assim um jardim do homem. Diante das múltiplas formas de abuso da terra que hoje vemos, ouvimos como que o gemido da criação, de que fala São Paulo (cf. Rm 8, 22); começamos a compreender as palavras do Apóstolo, ou seja, que a criação espera com impaciência a revelação dos filhos de Deus, para se tornar livre e alcançar o seu esplendor.

Queridos amigos, nós queremos ser estes filhos de Deus, que a criação espera, e podemos sê-lo porque no baptismo o Senhor nos tornou assim. Sim, a criação e a história elas esperam por nós, contam com homens e mulheres que realmente sejam filhos de Deus e se comportem de modo consequente. Se contemplamos a história, vemos que em redor dos mosteiros a criação conseguiu prosperar, assim como com o despertar do Espírito de Deus nos corações dos homens voltou o fulgor do Espírito Criador também sobre a terra um esplendor que tinha sido ofuscado, e por vezes até quase extinto, pelas barbáries da avidez de poder. E a mesma coisa acontece de novo em redor de Francisco de Assis acontece em toda a parte onde às almas chega o Espírito de Deus, este Espírito que o nosso hino qualifica como luz, amor e força. Deste modo encontramos uma primeira resposta à pergunta sobre o que é o Espírito Santo, o que Ele põe em acção e como é que podemos reconhecê-lo. Ele vem ao nosso encontro através da criação e da sua beleza. Todavia, ao longo da história dos homens, a boa criação de Deus foi coberta por um estrato maciço de escórias que torna, se não impossível, de qualquer maneira difícil reconhecer nela o reflexo do Criador embora diante de um pôr-do-sol no mar, durante uma excursão à montanha ou à vista de uma flor desabrochada desperte em nós, sempre de novo e como que espontaneamente, a consciência da existência do Criador.

Mas o Espírito Criador vem em nossa ajuda. Ele entrou na história e assim fala-nos de uma maneira nova. Em Jesus Cristo, o próprio Deus fez-se homem e permitiu-nos, por assim dizer, lançar um olhar na intimidade do próprio Deus. E ali vemos algo totalmente inesperado: em Deus existe um Eu e um Tu. O Deus misterioso não constitui uma solidão infinita; Ele é um acontecimento de amor. Se do olhar sobre a criação pensamos que podemos entrever o Espírito Criador, o próprio Deus, como que uma matemática criativa, como um poder que plasma as leis do mundo e a sua ordem e, em seguida, contudo, inclusive como beleza agora é-nos dado saber: o Espírito Criador tem um Coração. Ele é Amor. Existe o Filho que fala com o Pai. E ambos são um só no Espírito Santo que é, por assim dizer, a atmosfera do doar e do amar, que faz deles um único Deus. Esta unidade de amor, que é Deus, constitui uma unidade muito mais sublime de quanto poderia ser a unidade de uma última partícula indivisível. Precisamente o Deus trino é o Deus uno.

Por meio de Jesus nós lançamos, por assim dizer, um olhar sobre a intimidade de Deus. No seu Evangelho, João expressou-o assim: «A Deus, jamais alguém O viu. O Filho unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem O deu a conhecer» (Jo 1, 18). Todavia, Jesus não nos deixou somente olhar na intimidade de Deus; com Ele, Deus também como que saiu da sua intimidade e veio ao nosso encontro. Isto acontece sobretudo na sua vida, paixão, morte e ressurreição; na sua palavra. Mas Jesus não se contenta com vir ao nosso encontro. Ele quer mais. Deseja a unificação. Este é o significado das imagens do banquete e das bodas. Nós não devemos somente conhecer algo dele, mas através dele mesmo temos o dever de ser atraídos a Deus. Por isso, Ele deve morrer e ressuscitar. Porque agora já não se encontra num determinado lugar, mas o seu Espírito, o Espírito Santo, já emana dele e entra nos nossos corações, unindo-nos deste modo com o próprio Jesus e com o Pai com o Deus Uno e Trino.

O Pentecostes é isto: Jesus, e através dele o próprio Deus, vem a nós e atrai-nos para dentro de si. «Ele envia o Espírito Santo» assim se expressa a Escritura. Qual é o efeito disto? Em primeiro lugar, gostaria de relevar dois aspectos: o Espírito Santo, por meio de quem Deus vem a nós, dá-nos a vida e a liberdade. Observemos ambas um pouco mais de perto. «Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância», diz Jesus no Evangelho de João (10, 10). Todos nós aspiramos à vida e à liberdade. Mas de que se trata, onde e como é que encontramos a «vida»?

Espontaneamente, penso que a esmagadora maioria dos homens tem o mesmo conceito de vida do filho pródigo, no Evangelho. Ele pediu a parte de património que lhe cabia, e agora sentia-se livre, queria finalmente viver já sem o peso dos afazeres de casa, queria simplesmente viver. Receber da vida tudo o que ela pode oferecer. Gozá-la plenamente viver, só viver, beber na abundância da vida e nada perder daquilo que de precioso ela pode oferecer. No final, acabou por se tornar guardião de porcos e chegou mesmo a invejar aqueles animais tão vazia se tinha tornado esta sua vida, tão inútil! E vã revelava-se inclusive a sua liberdade. Porventura não acontece também assim nos nossos dias?

Quando o homem quer somente apoderar-se da vida, ela torna-se cada vez mais vazia, mais pobre; termina-se facilmente por se refugiar na droga, na grande ilusão. E emerge a dúvida se, no final de contas, viver é verdadeiramente um bem. Não, deste modo nós não encontramos a vida. A palavra de Jesus sobre a vida em abundância encontra-se no discurso do Bom Pastor. É uma palavra que se põe num duplo contexto. Sobre o pastor, Jesus diz-nos que ele entrega a sua vida. «Ninguém tira a minha vida, mas sou Eu que a ofereço livremente» (cf. Jo 10, 18). A vida só se encontra, quando é doada; ela não pode ser encontrada, desejando tomar posse dela. É isto que devemos aprender de Cristo; é isto que nos ensina o Espírito Santo, que é puro dom, que é o doar-se de Deus. Quanto mais alguém entrega a sua vida pelos outros, pelo próprio bem, tanto mais copiosamente corre o rio da vida. Em segundo lugar, o Senhor diz-nos que a vida desabrocha, quando caminhamos em companhia do Pastor, que conhece as pastagens os lugares onde brotam as nascentes da vida. Encontramos a vida na comunhão com Aquele que é a vida em pessoa na comunhão com o Deus vivo, uma comunhão em que somos introduzidos pelo Espírito Santo, denominado no hino das Vésperas como «fons vivus», fonte viva. A pastagem, onde correm as fontes da vida, é a Palavra de Deus como a encontramos na Escritura, na fé da Igreja. A pastagem é o próprio Deus que, na comunhão da fé, aprendemos a conhecer através do poder do Espírito Santo. […]

 

Bento XVI, Vigília de Pentecostes, Sábado, 3 de Junho de 2006

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos ao Senhor do universo

Para que envie de novo o seu Espírito sobre a Igreja e sobre o mundo:

 

Mandai, senhor o vosso Espírito!

 

1.  Pelas Igrejas cristãs do mundo inteiro

para que se deixem conduzir pelo Espírito, construindo a unidade.

 

2.  Pelo Papa Bento XVI, pelos Bispos, presbíteros, diáconos, catequistas

Para que o Espírito Santo os ensine a falar de Jesus Cristo

em linguagem compreensível aos homens de hoje.

 

3.  Por todos os que fazem o bem,

cuidam dos doentes, praticam a justiça e lutam pela paz,

para que o Espírito Santo os torne firmes na esperança.

 

4.  Por todos os que receberam o Crisma,

por todos os que exercem algum ministério

em favor da comunidade: acólitos, leitores, cantores,

ministros extraordinários da comunhão.

 

Senhor nosso Deus, que santificais a Igreja em todo mundo,

ouvi a oração do vosso povo para que se realizem também em nós

as maravilhas do Pentecostes.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Pai Vos Enviará o Espírito Santo, F. da Silva, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Derramai, Senhor, a bênção do Espírito Santo sobre os dons que apresentamos ao vosso altar, a fim de que a Igreja, pela participação neste sacramento, se inflame de tal modo no vosso amor que manifeste a todo o mundo o mistério da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Pentecostes, como na Missa seguinte: p. 390 [606-718]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Jesus dizia: «Se alguém tem sede venha a Mim e beba!» Sabemos e acreditamos que quem come e bebe o corpo e sangue de Jesus terá no seu coração a fonte da vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Como é Suave Senhor, M. Luis, NRMS 36

Jo 7, 37

Antífona da comunhão: No último dia da festa, Jesus exclamava em alta voz: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Este sacramento que recebemos, Senhor, nos comunique o fervor do Espírito Santo que admiravelmente derramastes sobre os Apóstolos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Invoquemos hoje o Espírito Santo, rezando:

Vinde, ó Santo Espírito,

Vinde, amor ardente,

acendei na terra

vossa luz fulgente! (Sequência).

 

Cântico final: Ó Rei da Glória, M. Carvalho, NRMS 85

 

 

 

Celebração e Homilia:       Nuno Westwood

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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