6º Domingo da Páscoa

13 de Maio de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus Vive na Sua Morada Santa, F. dos Santos, NRMS 38

cf. Is 48, 20

Antífona de entrada: Anunciai com brados de alegria, proclamai aos confins da terra: O Senhor libertou o seu povo. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nos quarenta dias, depois da Ressurreição, em que convive visivelmente com os Seus Apóstolos, Jesus prepara-os para o acolhimento ao Espírito Santo.

Ele terá como missão junto de cada um de nós tornar-nos imagens de Jesus Cristo e guiar a Igreja pelos caminhos do mundo na Verdade e no Amor.

Acolhamos esta preparação que Jesus Cristo oferece a cada um de nós, e renovemos o nosso propósito de uma grande fidelidade às Suas inspirações.

 

O maior obstáculo que a acção do Espírito Santo encontra em nós é o pecado e a falta de generosidade nos caminhos da vida interior.

Peçamos humildemente perdão ao Senhor de todas as nossas infidelidades e façamos o propósito de lutar pela emenda de vida.

 

(Pode usar-se qualquer um dos esquemas do ordinário. Apresentamos sugestões para o esquema C)

 

   Senhor, que nos instruís e moveis, pelo Espírito Santo,

     a uma vida crescente de intimidade convosco,

     Senhor, misericórdia!

 

     Senhor, misericórdia!

 

   Cristo, que nos chamais a viver com a Santíssima Trindade

     e com os bem-aventurados, na felicidade eterna do Céu,

     Cristo, misericórdia!

 

     Cristo, misericórdia!

 

   Senhor, que deixastes de aparecer visivelmente na terra

     mas intercedeis continuamente por nós junto do Pai, 

     Senhor, misericórdia!

 

     Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de viver dignamente estes dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado, de modo que a nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Numa situação difícil para a vida da Igreja primitiva, o Colégio Apostólico define o caminho a seguir, assistido pelo Espírito Santo com o carisma da infalibilidade.

Vivamos em união de pensamento e de vida com a Igreja Hierárquica.

 

Actos dos Apóstolos 15, 1-2.22-29

Naqueles dias, 1alguns homens que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos de Antioquia: «Se não receberdes a circuncisão, segundo a Lei de Moisés, não podereis salvar-vos». 2Isto provocou muita agitação e uma discussão intensa que Paulo e Barnabé tiveram com eles. Então decidiram que Paulo e Barnabé e mais alguns discípulos subissem a Jerusalém para tratarem dessa questão com os Apóstolos e os anciãos. 22Os Apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a Igreja, decidiram escolher alguns irmãos e mandá-los a Antioquia com Barnabé e Paulo. Eram Judas, a quem chamavam Barsabás, e Silas, homens de autoridade entre os irmãos. 23Mandaram por eles esta carta: «Os Apóstolos e os anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia. 24Tendo sabido que, sem nossa autorização, alguns dos nossos vos foram inquietar, perturbando as vossas almas com as suas palavras, 25resolvemos, de comum acordo, escolher delegados para vo-los enviarmos juntamente com os nossos queridos Barnabé e Paulo, 26homens que expuseram a sua vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. 27Por isso vos mandamos Judas e Silas, que vos transmitirão de viva voz as nossas decisões. 28O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor mais nenhuma obrigação, além destas que são indispensáveis: 29abster-vos da carne imolada aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais. Procedereis bem, evitando tudo isso. Adeus».

 

O nosso texto limita-se a referir a «discussão intensa» e mesmo «muita agitação» (v. 2) levantada por alguns cristãos vindos do judaísmo, do grupo dos chamados judaizantes, que defendiam a necessidade das práticas judaicas, incluindo a própria circuncisão. A questão motivou a reunião do Sínodo de Jerusalém, presidido pelo próprio Pedro. A leitura, porém, suprime tudo o que se refere ao desenrolar do Concílio dos Apóstolos (vv. 6-21), referindo apenas a embaixada a Antioquia da Síria com decreto apostólico final. A questão era especialmente grave, pois estava em causa tanto a catolicidade da Igreja, como a sua unidade: se, para se ser cristão, fosse preciso judaizar, o cristianismo teria, ao fim e ao cabo, de se confinar ao círculo restrito, internacionalmente mal visto, dos judeus com os seus prosélitos; se, por outro lado, na Igreja se transigisse com a existência de dois tipos de cristãos, os circuncidados e o incircuncisos, seria inevitável um cristianismo classista e dividido, pois uns seriam os cristãos de primeira (os da circuncisão), e outros, em esmagadora maioria, os cristãos de segunda (os do prepúcio). O Sínodo de Jerusalém não teve dificuldade, assistido pelo Espírito Santo (cf. v. 28), em velar decididamente pela catolicidade e pela unidade da Igreja; com efeito, uma questão destas, aparentemente disciplinar, tinha raízes dogmáticas profundas e enormes consequências pastorais.

28-29 «Nenhuma obrigação além destas». Descartada totalmente a necessidade de judaizar para ser um cristão perfeito, o Sínodo, no entanto, aprovou as chamadas «cláusulas de Tiago», medidas disciplinares restritas ao tempo e lugares em que fosse conveniente facilitar a boa conivência entre os cristãos vindos do judaísmo com os cristãos vindos directamente da gentilidade: estes deveriam abster-se de «carne imolada aos ídolos» e depois vendidas ao público, bem como de comer «sangue» e «carnes sufocadas» (entenda-se, de animais estrangulados e não sangrados), uma vez que se tratava duma coisa altamente abominável para os judeus, pois o sangue era a vida, pertença exclusiva de Deus (cf. Gn 9, 4; Lv 17, 14). Também ficavam proibidos certos casamentos com determinados impedimentos legais que faziam com que as relações matrimoniais fossem consideradas «porneia», isto é, «relações imorais», ao serem tidas por incestuosas e ilícitas, devido a certos graus de parentesco (cf. Lv 18, 6-18); esta é a interpretação mais plausível e mais habitual; não parece que neste caso «poneia» designe a prostituição. Note-se que este decreto ocasional, que data dos anos 49-50, não chegou a vigorar em Corinto (cf. 1 Cor 8 – 10), cidade evangelizada por S. Paulo pelo ano 50-51.

 

Salmo Responsorial    Sl 66 (67), 2-3.5.6.8 (R. 4 ou Aleluia)

 

Monição: Israel cantava o Salmo 66 como acção de graças ao Senhor por uma nova colheita e para pedir que estes benefícios se repetissem.

Quase a terminar o tempo pascal, peçamos ao Senhor que seja abundante em conversões a colheita das nossas tarefas apostólicas.

 

Refrão:         Louvado sejais, Senhor,

                      pelos povos de toda a terra.

 

Ou:                Aleluia.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os vossos caminhos

e entre os povos a vossa salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu louvor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. João descreve, no Apocalipse, uma visão profética da Igreja, em termos que podemos compreender, a partir das realidades em que vivemos: pedras preciosas, realçando a sua beleza; uma muralha alta e forte, a sugerir a sua segurança; e as doze portas que são os Doze Apóstolos.

O centro desta cidade é o Cordeiro sem mancha – Jesus Cristo – que Se ofereceu como vítima por nós.

 

Apocalipse 21, 10-14.22-23

10Um Anjo transportou-me em espírito ao cimo de uma alta montanha e mostrou-me a cidade santa de Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, 11resplandecente da glória de Deus. O seu esplendor era como o de uma pedra preciosíssima, como uma pedra de jaspe cristalino. 12Tinha uma grande e alta muralha, com doze portas e, junto delas, doze Anjos; tinha também nomes gravados, os nomes das doze tribos dos filhos de Israel: 13três portas a nascente, três portas ao norte, três portas ao sul e três portas a poente. 14A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes e neles doze nomes: os dos doze Apóstolos do Cordeiro. 22Na cidade não vi nenhum templo, porque o seu templo é o Senhor Deus omnipotente e o Cordeiro. 23A cidade não precisa da luz do sol nem da lua, porque a glória de Deus a ilumina e a sua lâmpada é o Cordeiro.

 

A parte final do Apocalipse, apresenta-nos, em linguagem figurada, o triunfo definitivo da Esposa do Cordeiro, a Igreja. A visão dos vv. 10-14 utiliza a linguagem de Ezequiel com que se refere a Jerusalém e ao Templo restaurados (Ez 40 – 42), mas com a particularidade de se tratar duma realidade «que descia do Céu», pondo assim em relevo a iniciativa divina. Com os nomes das 12 tribos de Israel unidos aos dos 12 Apóstolos mostra-se como a novidade da Igreja de Cristo está na continuidade do antigo Povo de Deus. Apraz registar aqui os comentários espirituais de Santo Agostinho:

10 «A montanha é Cristo. A Igreja é a cidade santa edificada na montanha; é a esposa do Cordeiro. Foi edificada na montanha, quando foi conduzida aos ombros do pastor, como foi conduzida ao redil a própria ovelha (cf. Lc 15, 5)».

12 «As doze portas e os doze Anjos são os Apóstolos e os Profetas, segundo o que está escrito (Ef 2, 20). Isto está de harmonia também com o que o Senhor disse a Pedro (Mt 16,18). (...) Diz-se que os Apóstolos são portas que, com a sua doutrina, abrem a porta da vida eterna».

13 «Porque a cidade descrita é a Igreja difundida por todo o orbe, mencionam-se três portas em cada uma das quatro partes do mundo, pois na Igreja, nas quatro partes do mundo, anuncia-se o mistério da Trindade».

22 «Na cidade não vi nenhum templo»: «assim é, porque em Deus está a Igreja, e na Igreja está Deus», «porque o seu templo é o Senhor» (cf. Jo 2, 19-22; 4, 23-24).

23 «Não precisa da luz do Sol». «A Igreja não é orientada pela luz, nem pelos elementos do mundo; é conduzida por Cristo, o eterno Sol, por entre as trevas do mundo (cf. Jo 8, 12; 1, 9)».

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 14, 23

 

Monição: A verdadeira prova de amor a Deus não são palavras bonitas, mas obras em que procuramos fazer a Sua vontade.

Aclamemos o Evangelho da salvação que nos anuncia estas maravilhas.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Se alguém Me ama, guardará a minha palavra.

Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.

 

 

Evangelho

 

São João 14, 23-29

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 23«Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. 24Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. 25Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. 26Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. 27Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. 29Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis»

 

Estas palavras de Jesus pertencem à resposta à pergunta de Judas: «Porque Te hás-de manifestar a nós, e não Te manifestarás ao mundo?» (v. 22). Poderia parecer uma evasiva de Jesus, pois nega-se a fazer uma demonstração inequívoca e esmagadora do seu poder à humanidade hostil a Deus (o mundo), como esperavam os judeus e como desejam os crentes em geral. Jesus insiste no que acabava de dizer (vv. 19-21): Ele manifesta-se já, mas individualmente, às almas bem dispostas, a quem Lhe tem amor, através de uma presença íntima e reconfortante. O Antigo Testamento já tinha falado da «morada» de Deus no meio do seu povo (cf. Ex 29, 45; Lv 26, 11; Ez 37, 26-27), mas Jesus fala duma inabitação distinta, perfeitamente individualizada, de forma permanente e única, diferente da ubiquidade divina, na alma de cada fiel. É também neste sentido, o de uma presença de Deus em cada cristão, que S. Paulo fala em 1 Cor 6, 19 e Rom 8, 11.

26 «Paráclito», em grego, paraklêtós era o advogado de defesa e, por extensão, o protector. A tradução latina por Consolador é deficiente, embora corresponda ao contexto do discurso do adeus. «Que o Pai enviará em meu nome», quer dizer: «por vontade de Jesus, como seu representante e a pedido seu; cf. Jo 14, 16» (Wikenhauser). A passagem deixa ver claramente a distinção real das Três Pessoas da SS. Trindade.

27 «Deixo-vos a paz, dou-Vos a minha paz. Não vo-la dou corno a dá o mundo…». Era corrente desejar a paz como saudação ou despedida. Mas Jesus não se limita a desejá-la, Ele mesmo a paz aos seus! E uma paz que não é a que o mundo oferece ou anela, uma paz que é sinónimo de prosperidade ou segurança terrena. A paz que Jesus deixa de forma permanente nos seus é a paz de se saberem filhos de Deus (cf. Jo 1, 12), salvos por Ele, uma paz que lhes transmite confiança em Deus, ao ponto de afastar tudo o que seja medo e perturbação (cf. Jo 14, 1; 16, 33).

28 «O Pai é maior do que Eu». Esta expressão foi o célebre cavalo de batalha da heresia ariana. Jesus não considera aqui a sua natureza divina: como homem, é de facto inferior ao Pai. Com efeito, Jesus está a falar da sua ida para o Pai, e é em razão da sua natureza humana que vai para o Pai. No entanto, Santo Agostinho, ao longo da sua célebre obra «De Trinitate» diz que esta expressão também insinua a geração eterna: «nativitas ostenditur»; e Santo Hilário de Poitiers precisa: «est enim Pater maior Filio, sed ut Pater Filio, generatione, non genere» (PL 9, 801).

 

Sugestões para a homilia

 

    Fazer tudo e só o que Deus quer

Leis sociais ou disciplinares

Leis litúrgicas

Leis morais.

    Docilidade ao Espírito Santo

A pergunta fundamental

A paz

A serenidade

A confiança

Intimidade com Deus

Entrega incondicional ao Espírito Santo.

 

A Liturgia da Palavra deste 6º Domingo da Páscoa coloca-nos perante um problema fundamental na vida a Igreja: a fidelidade doutrinal.

Jesus Cristo veio ao nosso encontro, como Palavra da Pai. Para que não hesitássemos em qualquer verdade doutrinal ou moral, entregou o tesouro da Revelação a um Magistério vivo da Igreja que fundou.

Encontramos na Sabedoria infinita com que Jesus organizou a Sua Esposa o segredo da sua sobrevivência ao longo dos séculos embora, por vezes, tenha de enfrentar grandes tempestades.

Fazer tudo e só o que Deus quer

Surgiu uma grave questão doutrinal na Igreja de Antioquia, logo nos primeiros passos do cristianismo: continuava ou não obrigatória, além dos ensinamentos de Jesus, a observância da Lei de Moisés?

Se esta Lei continua a ser obrigatória, e não é pelos méritos de Cristo que nos vem a Redenção, a libertação das nossas faltas, mas pela observância da Lei, que devemos de novo ao Senhor? Que novidade tem a Igreja para nos oferecer?

Esta pergunta leva-nos a considerar, antes de mais, as diversas espécies de preceitos existentes no Antigo Testamento. Na Antiga Aliança encontramos três espécies de preceitos: leis sociais ou disciplinares; leis litúrgicas e leis morais.

 

Leis sociais ou disciplinares. Há uma série de preceitos obrigatórios para os hebreus, de modo semelhante a qualquer estado actual, tem a sua legislação. Uns são de carácter económico (tributos para o estado e para o culto, pagamento do dízimo, dos impostos ao senhor de Roma que mandava ali); outros, de carácter sanitário (proibição de comer carnes sufocadas, aproveitamento do sangue para a alimentação, evitar o contacto com os cadáveres, com os leprosos, os gentios, proibição de comer a carne de certos animais, etc.); higiénico (diversas abluções rituais, purificações depois do parto, abstenção de relações sexuais em certas ocasiões, etc.).

Mais tarde, a casuística dos doutores da Lei transformou todos estes preceitos em leis que obrigavam moralmente, tornando ao Lei numa carga insuportável. Os preceitos chegaram a somar 613!

Com a queda do estado judaico, todas leis civis deixaram definitivamente de estar em vigor.

 

Leis litúrgicas. Eram próprias do culto judaico: as visitas ao Templo, a celebração da Páscoa, o culto na sinagoga, etc.

Ao estabelecer o sacrifício da Nova Lei, o Senhor acabou com os sacrifícios da Antiga Lei, os quais eram uma figura deste único Sacrifício aceite pelo Pai, mas não o substituíam.

Cristo inaugurou um novo culto de Espírito e Verdade e o verdadeiro Templo é o Seu Corpo. Ele mesmo afirmou: «Posso destruir este templo, e reedificá-lo em três dias» (Mt 23, 35). S. João esclarece-nos que Jesus se referia ao templo do Seu Corpo e, em último caso, à Ressurreição gloriosa, que havia de acontecer ao terceiro dia.

No momento da morte de Cristo, o véu que encobria o Santo dos Santos onde só podia penetrar o Sumo Sacerdote em determinadas ocasiões, fendeu-se de alto a baixo, como que a significar que tinha acabado a liturgia do Antigo Testamento, que era uma figura dos novos tempos em que temos a felicidade de viver.

 

Leis morais. São obrigações morais que procedem da Revelação e da Lei natural. Estas permanecem enquanto houver pessoas sobre a terra. Estão compendiadas nas Tábuas da Lei, no Decálogo entregue por Yhaveh a Moisés no Monte Sinai.

Deve notar-se que estes preceitos se situam, geralmente, num âmbito de lei natural. Quando, mais tarde, a Igreja sente a necessidade de concretizar estas indicações da mesma lei, dá-nos os preceitos: participar na Celebração da Eucaristia Dominical e dias de preceito, a confissão anual e a comunhão pela Páscoa da Ressurreição, quando possível, o jejum, a contribuição para as despesas do culto e sustentação do clero, etc.

A estes preceitos de Lei natural, corroborados pela Revelação, se referem as afirmações de Jesus: «Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas; não vim (para os) abolir, mas sim (para os) cumprir. Porque em verdade vos digo: antes passarão o céu e a terra, que passe da lei um só jota ou um ápice, sem que tudo seja cumprido.» (Mt 5, 18).

E quando responde ao jovem que o interroga sobre qual é o maior mandamento da Lei, Jesus simplifica a resposta, indo directamente ao que, de facto, interessa (cf. Mt 22, 36).

Do que se trata, pois, nesta questão da Igreja primitiva é, pois, saber qual é vontade de Deus a respeito dos deveres dos cristãos. Se tudo continua como antes, qual foi o resultado da Redenção operada por Jesus Cristo? Em síntese: qual é a vontade de Deus a este respeito? Como nos havemos de comportar?

Para dar uma resposta oficial, reuniram-se os Apóstolos no Concílio de Jerusalém e mandaram, depois, emissários, à Igreja de Antioquia, com indicações concretas.

Docilidade ao Espírito Santo

Jesus expõe a situação dos cristãos no período intermédio entre a Ressurreição gloriosa e a Ascensão aos céus, e a Sua vinda triunfal e definitiva no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos.

 

A pergunta fundamental. Ao fazê-lo, responde ao problema que agita a Igreja de Antioquia e, possivelmente, alguns cristãos dos nossos dias, à procura da identidade da mesma Igreja. Que devemos fazer, para agradar ao Senhor e caminharmos com segurança ao Seu encontro?

Antes da elaboração de um plano de pastoral a qualquer nível, convém ter diante dos olhos esta preocupação, e pensar concretamente no que desejamos, ou seja, qual é a meta dos nossos esforços. Somente depois havemos de seleccionar os meios para a alcançar.

Para vivermos em verdadeira paz, devemos cultivar uma intimidade crescente com o Espírito Santo, rumo à santidade pessoal. Aos cuidados d’Ele nos confia Jesus antes da ascensão ao Céu.

Esta intimidade com a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade dará frutos abundantes e diversificados na nossa vida, como sinal de autenticidade.

 

A paz. «Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz.» Não é a paz dos braços caídos, da imobilidade, da cobardia, da contemporização com o mal, mas da tranquilidade em Deus.

Com a paz de Deus no coração, seremos alegres, compreensivos e optimistas na construção de um mundo novo.

Não trabalham para Deus os que agitam constantemente as estruturas da Igreja, espalhando a confusão e causando nas pessoas a angústia de quem não acaba por encontrar o caminho.

 

A serenidade. «Não deixeis que o vosso coração se perturbe ou tenha medo.» Estejamos serenos, porque o nosso Deus não perde batalhas. Esta serenidade não é um convite à preguiça, ao deixar correr, à fuga de tudo o que nos pode complicar a vida, mas o estado de espírito de quem se sente apoiado nos braços de Deus.

Há quem entre em pânico porque são hoje menos as pessoas que frequentam os nossos templos. Logo vem a tentação de pôr em saldo as exigências da moral, para que os templos se voltem a encher novamente. Trabalham contra Deus e esquecem uma lição constante da história: nunca a Igreja cresceu à custa de cedências, de descontos no dogma ou na moral. Os mártires de todos os tempos continuam a dizer-nos que o amor exige sacrifício.

O fundamental para a nossa vida é o cuidado pela santidade pessoal, numa plena docilidade ao Espírito Santo, e a fidelidade doutrinal. Foi com estas armas que os cristãos inverteram a marcha do mundo antigo em pouco tempo. É o Espírito Santo quem santifica, quem atrai as pessoas ao amor de Deus, e não as nossas «habilidades pastorais» humanas.

 

A confiança. «Pois bem, se vo-lo disse antes que acontecesse, foi para acreditardes quando acontecer:» Caminhamos com a certeza de que o Senhor nos acompanha nesta viagem da terra ao Céu.

Sejam quais forem as dificuldades encontradas, nunca temos razão para duvidar, porque o Senhor está connosco.

As nossas apreciações pessimistas acerca da Igreja e do mundo brotam desta fonte envenenada: vemos tudo numa perspectiva exclusivamente humana e, portanto, errada.

 

Intimidade com Deus. O Senhor pede-nos uma intimidade e crescente com cada uma das Três Pessoas da Santíssima Trindade. «Quem Me ama porá em prática as Minhas palavras. Meu Pai amá-lo-á; Nós viremos a Ele e faremos dele a nossa morada

A prova do Amor verdadeira são as obras e não as palavras sonantes, ou os momentos em que se dá rédea solta às emoções.

Muitos confundem catolicismo com religiosidade, e entusiasmam-se com manifestações de religiosidade popular, como se tudo já estivesse feito. É muito fácil juntar as pessoas para um encontro no qual perdura a emoção.

Mas isto, podendo ajudar, deixa o trabalho em meio. Quando se convidam as pessoas para a mesa, é preciso, depois, dar-lhe alimento.

 

Entrega incondicional ao Espírito Santo. «Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai vai enviar em Meu nome, é que há-de ensinar-vos tudo e há-de lembrar-vos tudo o que Eu vos disse

Para que não nos desorientássemos, o Senhor entregou-nos a um Magistério vivo, com o carisma da infalibilidade concedido ao Santo Padre, o Colégio Episcopal em comunhão com a Cabeça visível da Igreja e ao sensus fidelium, ao modo de actuar dos bons cristãos de todos os tempos.

No centro desta docilidade está a fidelidade doutrinal, sem descontos nem omissões, com a sua concretização na ordem moral.

Queremos viver esta fidelidade à imitação da Santíssima Virgem, elogiada por Jesus: o seu cuidado em acolher amorosamente a Palavra de Deus e a generosidade constante para a transformar em vida.

 

 

Oração Universal

 

Com a certeza inabalável que nos dá a nossa fé

de que o Senhor atende sempre o que Lhe pedimos,

antes, mais e melhor do que podemos esperar,

peçamos, por Jesus Cristo, no Espírito Santo ao pai

pelas necessidades da Igreja e de todos os homens.

Oremos com fé:

Iluminai-nos, Senhor,

com a luz da Vossa Ressurreição!

 

1.  Pelo Santo Padre, com todo o colégio episcopal,

para que nos ajude a viver na fidelidade e no amor

à nossa Aliança feita para sempre no Baptismo,

oremos, irmãos.

 

Iluminai-nos, Senhor,

com a luz da Vossa Ressurreição!

 

2.  Pelos cristãos de todas as nações do mundo,

para que sintam a alegria do Espírito Santo,

nesta caminhada da terra às moradas eternas,

oremos, irmãos.

 

Iluminai-nos, Senhor,

com a luz da Vossa Ressurreição!

 

3.  Pelos que são chamados ao governo da Igreja,

para que tenham sempre como única finalidade

a santidade pessoal a que todos somos chamados,

oremos, irmãos.

 

Iluminai-nos, Senhor,

com a luz da Vossa Ressurreição!

 

4.  Pelas famílias cristãs, igrejas domésticas,

para que, na generosa fidelidade a Jesus Cristo,

se dêem as mãos na construção dum mundo novo,

oremos, irmãos.

 

Iluminai-nos, Senhor,

com a luz da Vossa Ressurreição!

 

5.  Pelos jovens, construtores do mundo de amanhã,

para que encontrem na doutrina da Igreja de Cristo

a inspiração para a sua colaboração generosa,

oremos, irmãos.

 

Iluminai-nos, Senhor,

com a luz da Vossa Ressurreição!

 

6.  Pelos membros da Igreja que deixaram esta vida

e se purificam das manchas que levaram da terra,

para que o Senhor os acolha quanto antes no paraíso,

oremos, irmãos.

 

Iluminai-nos, Senhor,

com a luz da Vossa Ressurreição!

 

Senhor, que nos chamastes à Vossa Igreja

como pedras vivas da sua construção:

ajudai-nos a viver a fidelidade a Jesus Cristo,

para merecermos as Vossas promessas,

Ele que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Fomos servidos generosamente pelo Senhor na Mesa da Palavra de Deus que vai orientar as nossas vidas em cada momento.

Mas sem a ajuda do Senhor, nada poderíamos fazer. Ele, que bem conhece as nossas debilidades, vai agora servir-nos na Mesa da Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Senhor, Fazei de Mim um Instrumento, F. da Silva, NRMS 6(II)

 

Oração sobre as oblatas: Subam à vossa presença, Senhor, as nossas orações e as nossas ofertas, de modo que, purificados pela vossa graça, possamos participar dignamente nos sacramentos da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

A paz é o maior dom que o Senhor nos oferece, nesta caminhada da terra ao Céu.

Mas ela só será verdadeira, se lançar as raízes no Amor a deus e ao próximo.

Com a finalidade de exprimir este desejo,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Que daremos ao Senhor por todos os dons que Ele nos tem concedido, ao longo da nossa vida?

Alimentemo-nos com o Corpo e Sangue do Senhor, procurando antes verificar se estamos preparados para o fazer.

 

Cântico da Comunhão: Formamos um Só Corpo, C. Silva, NCT 265

cf. Jo 14, 15-16

Antífona da comunhão: Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando, diz o Senhor. Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará o Espírito Santo, que permanecerá convosco para sempre. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai o Senhor, Louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor Deus todo-poderoso, que em Cristo ressuscitado nos renovais para a vida eterna, multiplicai em nós os frutos do sacramento pascal e infundi em nós a força do alimento que nos salva. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sem a nossa generosidade pessoal, no assumir a fidelidade ao Evangelho, não se poderia construir um mundo novo.

Essa fidelidade exige de cada um de nós a preocupação constante de anunciar, pelo testemunho de vida e pela Palavra de Deus, a Boa Nova da Salvação a todos os homens.

 

Cântico final: Ide por Todo o Mundo, M. Luis, NCT 355

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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