3º Domingo da Páscoa

22 de Abril de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Anunciai com voz de júbilo, Az. Oliveira, NRMS 32

Salmo 65, 1-2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Assim como os primeiros discípulos se encontravam com Jesus ressuscitado, que lhes fazia a surpresa de se manifestar quando, onde e como queria, façamos também nós hoje, nesta celebração, uma semelhante experiência do encontro com o Ressuscitado, «sempre vivo a interceder por nós». Disponhamo-nos com recolhimento, fé e humildade para que Ele não nos passe ao lado, sem O advertirmos.

Num acto de contrição, com dor de amor, digamos-lhe como Pedro arrependido (no Evangelho de hoje): «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que Te amo!» (pausa). Confessemos que somos pecadores: Confesso a Deus…

 

Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Dos primeiros discípulos de Jesus aprendamos a coragem para anunciar a boa nova da salvação, sem respeitos humanos, apesar de toda a oposição que encontremos.

 

Actos dos Apóstolos 5, 27b-32.40b-41

Naqueles dias, 27bo sumo sacerdote falou aos Apóstolos, dizendo: 28«Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». 29Pedro e os Apóstolos responderam: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. 30O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro. 31Deus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. 32E nós somos testemunhas destes factos, nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem». Então os judeus mandaram açoitar os Apóstolos, 40bintimando-os a não falarem no nome de Jesus, e depois soltaram-nos. 41Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus.

 

A leitura, por motivo de brevidade, omite a sensata intervenção de Gamaliel que livra os Apóstolos de virem a ser mortos (vv. 34-39).

41 «Saíram cheios de alegria». Assim mostravam como sofrer por Jesus era uma dita e uma glória (cf. Mt 5, 10-12; Lc 6, 22-23); agora, o seu seguimento de Cristo era mais perfeito, e mais completa a sua colaboração na obra da Redenção (cf. Col 1, 24).

«Por causa do Nome». A nossa tradução acrescentou: «de Jesus»: o Nome por excelência era o nome divino – Yahwéh –, que os Judeus evitavam pronunciar, por motivo de máxima reverência. Referir-se a Jesus desta maneira é identificá-lo com o Nome por antonomásia, isto é, com o próprio ser divino.

 

Salmo Responsorial    Sl 29 (30), 2.4-6.11-12a.13b (R. 2a ou Aleluia)

 

Monição: Associemo-nos ao louvor do Senhor que nos salva pela sua Paixão e Ressurreição.

 

Refrão:         Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.

 

Ou:                Aleluia.

 

Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes

e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.

Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,

vivificastes-me para não descer à cova.

 

Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,

e dai graças ao seu nome santo.

A sua ira dura apenas um momento

e a sua benevolência a vida inteira.

Ao cair da noite vêm as lágrimas

e ao amanhecer volta a alegria.

 

Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,

Senhor, sede Vós o meu auxílio.

Vós convertestes em júbilo o meu pranto:

Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A leitura é extraída da visão introdutória do Apocalipse em que Jesus, o Cordeiro imolado pela nossa salvação, é aclamado triunfalmente como Deus por todas as criaturas. (Esta aclamação constituem a sublime apoteose final do Messias de Händel).

 

Apocalipse 5, 11-14

Eu, João, na visão que tive, 11ouvi a voz de muitos Anjos, que estavam em volta do trono, dos Seres Vivos e dos Anciãos. Eram miríades de miríades e milhares de milhares, 12que diziam em alta voz: «Digno é o Cordeiro que foi imolado de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor». 13E ouvi todas as criaturas que há no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e o universo inteiro, exclamarem: «Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro o louvor e a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos». 14Os quatro Seres Vivos diziam: «Ámen!»; e os Anciãos prostraram-se em adoração.

 

A leitura é extraída da visão introdutória do Apocalipse, em que o autor, arrebatado ao Céu, contempla a Deus no seu trono glorioso – com uma imponente guarda de honra – (v. 11), donde dirige os destinos do cosmos e da Igreja, os quais constituem um mistério insondável, simbolizado no livro fechado com sete selos, que só o Cordeiro tem o poder de abrir. O trecho da leitura contém a aclamação vitoriosa ao Cordeiro, posto no mesmo nível de Deus: os sete atributos – «o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor» (v. 12) – são a manifestação de que o Cordeiro possui em plenitude a natureza divina.

14 «Os (quatro) Seres Vivos e os (vinte e quatro) Anciãos». Cf. Apoc 4, 4.6. Trata-se de figuras, ou símbolos, deveras misteriosos: serão seres humanos, ou antes seres angélicos de especial categoria e significado? Se se entenderem os Quatro Viventes como 4 Anjos encarregados do governo do Universo, com referência aos 4 pontos cardeais e aos quatro elementos da Natureza (terra, fogo, água e ar), e os 24 Anciãos como Anjos que representam quer as 24 classes sacerdotais (cf. 1 Crón 24, 7-18), quer os fiéis em geral (a «Igreja Universal», segundo Santo Agostinho), então este texto atinge uma grandiosidade empolgante, uma verdadeira apoteose universal em que se unem, num coro retumbante, a Liturgia do Céu e a Liturgia da Terra para uma aclamação universal «Àquele que está sentado no trono», isto é, «ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo» (Santo Agostinho) «e ao Cordeiro», isto é, à Humanidade Santíssima de Cristo Redentor glorioso. Deste modo, ao coro celeste de incontáveis vozes dos Anjos (vv. 11-12) responde o coro do Universo, todas as criaturas que há no Céu, na Terra, no Xeol e no Mar (v. 13). Este louvor e adoração, que partiu dos Anjos, depois de encontrar eco na Humanidade resgatada e de repercutir em todo o Cosmos, volta a ser recapitulado pelos representantes dos Anjos e dos homens e de toda a Criação: os quatro Seres Vivos e os 24 Anciãos (v. 14). A grandiosidade desta aclamação foi genialmente posta em música no sublime coro final do Messias de Händel.

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Aclamemos o Evangelho e sintamos a emoção de também aqui nos encontrarmos com o Ressuscitado, que vem ter connosco.

 

Aleluia

 

Cântico: Ressuscitou com Cristo, C. Silva, NCT 187

 

Ressuscitou Jesus Cristo, que criou o universo

e Se compadeceu do género humano.

 

 

Evangelho*

 

Nota de rodapé

* O texto que está entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido

 

Forma longa: São João 21, 1-19                           Forma breve: São João 21, 1-14

Naquele tempo, 1Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: 2Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. 3Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. 4Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. 5Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?» Eles responderam: «Não». 6Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. 7O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. 8Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. 9Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. 10Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». 11Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. 12Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. 14Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

[15Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». 16Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». 17Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». 19Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».]

 

1-14 Esta pesca milagrosa tem um acentuado carácter simbólico, aludindo à missão da Igreja no mundo – Jesus na praia e os discípulos (pescadores de homens: cf. Mc 1, 17; Lc 5, 10) no meio do mar – com Pedro à sua frente (vv. 3.7.11). Ao acentuar que «não se rompeu a rede» (v. 11), em contraste com Lc 5, 6-7, parece que se alude à unidade da Igreja. A sua universalidade está aludida ao falar da abundância dos peixes (v. 6); e esta universalidade aparece reforçada se temos em conta que o número 153 pode ser um número simbólico de plenitude, ao corresponder a 17, isto é, 10+7, dois números plenos (com efeito, o número 153 obtém-se somando 1+2+3+4+5+... até 17). Também há quem veja em 153 um recurso à gematria (valor literal dos números), para aludir à Igreja como comunidade de amor (em hebraico: qahal hahaváh = 153). Também se pode ver na refeição e nos gestos de Jesus (v. 13) uma alusão à Eucaristia, pois é Ele quem oferece pão e peixes que eles não tinham pescado (v. 9; cf. Jo 6, 1-13).

8 «Duzentos côvados», isto é, cerca de 90 metros.

15-18. É fácil de ver na tripla confissão de amor uma reparação da sua tripla negação (Jo 18, 17.25-27). Mais ainda, na redacção do texto grego, pode ver-se também um jogo de palavras muito expressivo, pois na 1ª e 2ª pergunta Jesus interroga Pedro com um verbo de amor mais divino, profundo e intelectual – «amas-Me?» (em grego, agapãs me), ao passo que Pedro responde com um verbo de simples afeição e amizade – «sou teu amigo» (em grego, filô se); à 3ª vez, Jesus condescende com Pedro, usando este segundo verbo, e Pedro ficou triste por se lembrar que esta mudança de Jesus se devia à imperfeição do seu amor. Toda a Tradição católica viu neste encargo de pastorear todo o rebanho de Cristo – «cordeiros» e «ovelhas» – o ministério petrimo, no cumprimento da promessa do primado (Mt 16, 17-19 e Lc 22, 31-32; cf. 1 Pe 5, 2.4 e Concílio Vaticano II, LG 18).

18-19. «Estenderás as mãos» é uma provável alusão à crucifixão de Pedro em Roma, na perseguição de Nero, em 64 ou 67, segundo a tradição documentada já por S. Clemente, no século I, que também diz que Pedro, por humildade, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo (cf. 2 Pe 1, 14; Jo 13, 36).

 

Sugestões para a homilia

 

·          O mesmo testemunho alegre, firme e decidido dos Apóstolos é o que o Senhor espera hoje de cada um de nós, sem respeitos humanos, sem medo aos riscos e perigos.

 

·          É alimentando-nos no banquete do Cordeiro oferecido em sacrifício – actual e actuante na Eucaristia – que se recebe a força e a capacidade de testemunhar com a vida, que Ele está vivo no meio de nós, a possibilitar a todos que tenhamos a autêntica vida e a tenhamos com fartura!

 

·          Quando também nós nos encontramos desorientados e perdidos, no afã duma pesca que não dá nada, o mesmo Jesus surge e temo-Lo com Sua palavra, na Escritura, com a Sua carne e o Seu sangue, na Eucaristia, com a chefia segura de Pedro, à frente da Igreja

 

Há uns anos atrás, numa reunião de cristãos adultos, homens e mulheres, cerca de centena e meia numa das nossas cidades, um dos participantes, perante o que foi testemunhando e testemunhado, produziu o seguinte comentário: «se alguém duvidasse da ressurreição de Cristo e entrasse aqui, e assistisse a tudo isto, sairia plenamente convencida de que Ele verdadeiramente ressuscitou.»

É assim e será sempre assim, quando se vive em Igreja, quando se actua em Igreja, pois que a Igreja vive de Cristo ressuscitado, mais, vive em Cristo ressuscitado.

E não poderá manter-se sem esta referência constante, permanente, Àquele que prometeu a sua presença contínua: «Estou convosco, todos os dias, até ao fim!» E é a consciência viva desta presença que torna possível e eficaz o testemunho de vida cristã autêntica, logo a partir dos primeiros dias da existência da Igreja.

 

A 1.ª leitura deste terceiro domingo da Páscoa, tirada do livro dos Actos dos Apóstolos, mostra-nos Pedro assumindo a sua condição de chefe, quando os apóstolos são levados ao Sinédrio, pelo crime de ter pregado em nome de Jesus. Depois de afirmar, peremptório, que se deve obedecer antes a Deus do que aos homens. Pedro, mais uma vez, claramente, desassombradamente, repete o anúncio da ressurreição: «o Deus dos nossos antepassados ressuscitou Jesus, a quem destes a morte, suspendendo-O no madeiro.» Pedro acaba de sair da prisão com os outros apóstolos; sabe que poderá ter que enfrentar novas e talvez piores dificuldades; mas não tem medo, porque depositou já toda a sua confiança no ressuscitado e tomou plena, consciência de que é preciso segui-lo nas tribulações. Por isso acrescenta, seguro: «nós somos testemunhas destes factos, juntamente com o Espírito Santo que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem.»

É como se afirmasse que o Espírito Santo fala pela boca daqueles que, obedecendo a Deus, pregam o Evangelho, enfrentando todos os riscos. E para os apóstolos este risco converte-se imediatamente em realidade, pois mandaram logo a açoitá-los e, mais uma vez, quiseram amordaçá-los, ordenando-lhes que não falassem no nome de Jesus. Mas eles saíram «cheios de alegria... porque tinham merecido ser ultrajados por causa do nome de Jesus». Ora aí está o testemunho que o Senhor espera hoje de cada um de nós, sem respeitos humanos, sem medo aos riscos e perigos.

É este testemunho alegre, firme e decidido que mostra claramente que Ele ressuscitou.

 

Porém este testemunho só será possível àquele que contempla a visão que o Apocalipse nos apresenta na segunda leitura: «centenas de milhões, milhares de milhares, a dizerem com voz potente em volta do Trono: 'O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor'.» O «Cordeiro imolado»! Este título dado a Jesus evoca constantemente o Seu amor «até ao fim», o Seu assumir de todo o pecado do mundo para definitivamente o eliminar. É na contemplação deste «Cordeiro», e é sobretudo no banquete em que se come a carne e se bebe o sangue deste «Cordeiro» que se recebe a força e a capacidade de testemunhar com a vida, que Ele está vivo, está no meio de nós, a possibilitar a todos que tenhamos a autêntica vida e a tenhamos com fartura!

 

Ele está aí, misturado no nosso viver quotidiano como no-l'O mostra o Evangelho deste domingo. Ele está em terra firme, na praia. Nós, desorientados, perdidos, no afã duma pesca que não dá nada, pois nem sequer sabíamos para que lado deitar as redes. Mas Ele está lá, atento, solícito, familiar: «rapazes, tendes alguma coisa de comer? – Não! – Lançai as redes para a direita do barco!» É a presença amiga da Sua palavra, que nos ilumina sempre que a procuramos, sempre que a escutamos.

Mas há mais, e muito importante: Ele quer que sempre sejamos assistidos e conduzidos por um pastor imediatamente acessível, em todo o tempo e lugar. E dá-nos Pedro. E confia-nos a Pedro, depois de o ter feito confessar o seu amor. E porque Pedro ama, e ama mais que os outros, ele ficará a apascentar, até ao fim o rebanho de Jesus.

A palavra de Deus, na Escritura. A carne e o sangue de Jesus, na Eucaristia. A chefia segura de Pedro, à frente da Igreja – aí está por que cantamos júbilos a Páscoa do Senhor. Aleluia.

 

Fala o Santo Padre

 

«Confiando na sua palavra, eles lançam as redes e trazem uma 'grande quantidade de peixes'»

 

1. «Bem sabiam que era o Senhor» (Jo 21, 12): o evangelista João expressa desta forma a reacção de alegria dos discípulos ao reconhecerem o Senhor ressuscitado. Jesus manifesta-se-lhes depois de uma noite de trabalho difícil e infrutuoso no lago de Tiberíades. Confiando na sua palavra, eles lançam as redes à água e trazem para as margens uma «grande quantidade de peixes» (Jo 21, 6).

Como os apóstolos, também nós ficamos admirados perante a riqueza das maravilhas que Deus realiza no coração de quantos têm confiança nele. […]

4. Escutámos no Evangelho a tríplice pergunta que Jesus fizera a Pedro: «Tu amas-Me?». Cristo faz esta mesma pergunta aos homens e mulheres de todas as épocas. Os cristãos devem responder com firmeza e prontidão aos projectos que Ele tem para cada um. […]

 

João Paulo II, Vaticano, 25 de Abril de 2004

 

Oração Universal

 

Irmãos:

A Igreja é convidada, em cada tempo, a lançar as redes para a pesca.

Voltemos para Jesus o nosso olhar, para que Ele dê fortaleza aos que trabalham

e sofrem humilhações pelo Seu Nome, dizendo com alegria:

Rei da glória, ouvi a nossa oração.

 

1.  Pelo Papa N. a quem Jesus pede que O ame,

pelas ovelhas e cordeiros que ele apascenta,

e pelos bispos em união com ele,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos que semeiam a Palavra e lançam as redes,

pelos que obedecem antes a Deus do que aos homens

e pelos que sofrem por fidelidade à sua fé,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos homens públicos, construtores da paz,

pelos que têm poder e procuram servir bem

e pelos povos que anseiam por mais pão,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos que estão presos por amarem a justiça,

pelos que sofrem por dizer a verdade

e pelos que são perseguidos por ensinarem em nome de Jesus,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos jovens que participam nesta assembleia,

pelas crianças que vão receber o Pão da vida

e pelos adultos a quem Jesus pede que O sigam,

oremos, irmãos.

 

Senhor Jesus ressuscitado,

que nas margens do mar da Galileia preparastes o alimento

que queríeis partilhar com os Apóstolos,

e nesta celebração da Páscoa Vos dais na Palavra e na Eucaristia,

partilhai connosco o Vosso amor e conduzi-nos ao banquete da eternidade.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Senhor Ressuscitou, M. Luis, NRMS 32

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei-a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

«É o Senhor!» foi a exclamação do discípulo amado ao reconhecer Jesus, como vimos no Evangelho de hoje. Jesus também agora nos diz: «Vinde comer!»; e já não é peixe e pão corrente que nos oferece, mas é Ele mesmo que se nos dá em alimento espiritual. Vestidos com a «túnica» da pureza de consciência, disponhamo-nos a recebê-Lo.

 

Cântico da Comunhão: Os discípulos exultaram, J. Santos, NRMS 97

cf. Jo 21,12-13

Antífona da comunhão: Disse Jesus: Vinde comer. E tomando o pão, deu-o aos seus discípulos. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Exultai de Alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

«Jesus manifestou-Se outra vez» também a nós nesta celebração dominical. Partamos para mais uma semana decididos a manifestar com a nossa vida que Cristo está vivo, facultando-nos viver uma vida divina nos afazeres de cada dia.

 

Cântico final: Rainha dos Céus, Alegrai-Vos, F. da Silva, NRMS17

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

feira, 23-IV: A procura e o encontro com o Senhor.

Act. 6, 8-15 / Jo. 6, 22-29

Quando a multidão viu que Jesus ali não estava… Subiram todos para as embarcações e foram para Cafarnaúm, à procura de Jesus.

A multidão não procurava Jesus com a maior rectidão: «vós procurais-me… porque comestes dos pães e vos saciastes» (Ev.). Mas a verdade é que acabaram por encontrá-lo. Às vezes, o encontro com Jesus pode acarretar enormes dificuldades, como aconteceu com Estêvão (cf. Leit.).

Nesta semana de orações pelas vocações consagradas peçamos a Deus que muitas pessoas encontrem o Senhor, para se dedicarem ao seu serviço. E que Deus as ajude a vencerem as dificuldades que encontrarem.

 

feira, 24-IV: A coerência de vida.

Act. 7, 51 – 8, 1 / Jo. 6, 30-35

Depois atiraram-se a ele (Estêvão) todos juntos, lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo.

Como Estêvão (cf. Leit.) temos igualmente que ser coerentes com a nossa fé em situações normais e também de hostilidade. Ao defendermos os valores cristãos (defesa da vida desde o início, da família, etc.) somos acusados de ‘fanáticos’.

A maior revolução que podemos levar a cabo no nosso tempo é precisamente a coerência de vida (cf. S. Josemaria). Ao viver de acordo com a nossa fé estamos a promover uma sã dignidade e liberdade de cada pessoa. Temos um auxílio na Eucaristia: «Eu é que sou o pão da vida» (Ev.).

 

feira, 25-IV: S. Marcos: A comunicação da Boa Nova.

1 Pe. 5, 5-14 / Mc. 16, 15-20

Jesus apareceu aos Onze Apóstolos e disse-lhes: Ide a todo o mundo e proclamai a Boa Nova.

S. Marcos foi companheiro de S. Paulo na sua primeira viagem apostólica e acompanhou-o no momento da morte. Foi igualmente discípulo de S. Pedro (cf. Leit.) e o seu Evangelho é uma reprodução fiel dos ensinamentos deste Apóstolo.

Foi-lhe confiada a missão de proclamar a Boa Nova (cf. Oração), bem como a todos nós (cf. Ev.). Para a cumprirmos precisamos, em primeiro lugar, escutá-la. Depois, pô-la em prática e comunicá-la aos outros, com toda a fidelidade, como fez S. Marcos com o que escutou da pregação de S. Pedro.

 

feira, 26-IV: Os alimentos para a vida eterna.

Act. 8, 26-40 / Jo. 6, 44-51

 Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.

Todos os dias precisamos tomar alimentos para conservarmos a saúde e as forças. Para alcançarmos a vida eterna precisamos igualmente tomar os alimentos adequados.

Pelo Baptismo (cf. Leit: o baptismo do eunuco) recebemos uma vida nova: a vida divina. O seu desenvolvimento apoia-se no alimento da palavra de Deus: «quem acredita possui a vida eterna» (Ev.); e na Eucaristia: «quem comer deste pão viverá eternamente» (Ev.). Como Nossa Senhora, conservemos a palavra de Deus no nosso coração e recebamos Jesus com o mesmo amor que Ela.

 

feira, 27-IV: Uma comunhão misteriosa e real.

Act. 9, 1-20 / Jo. 6, 52-59

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

Um dos frutos principais da comunhão é esta união íntima com Cristo (cf. Ev.). Jesus quer associar a sua vida à nossa, de um modo novo: é uma comunhão misteriosa e real entre o seu próprio Corpo e o nosso.

Mas também tem como efeito a unidade do Corpo Místico. Esta foi uma das verdades fundamentais descoberta por S. Paulo, no momento da sua conversão: «Saulo, por que me persegues?» (Leit.). Podemos ser uma grande ajuda para os outros, vivendo com fidelidade os compromissos de vida cristã, rezando mais por todos, pedindo a conversão dos pecadores, etc.

 

Sábado, 28-IV: A fé e as dúvidas.

Act. 9,31-42 / Jo. 6, 60-69

Isto soube-se em toda a cidade de Jope, e muitos acreditaram no Senhor.

Muitos acreditaram no Senhor quando presenciaram os milagres realizados por S. Pedro (cura do coxo, ressurreição de uma mulher: cf. Leit.). Mas o milagre da Eucaristia origina problemas.

Quando Jesus anunciou a Eucaristia e profetizou a sua paixão os discípulos ficaram escandalizados. O Senhor também nos pergunta: «Também vos quereis ir embora?» (Ev.). Respondamos como Simão Pedro. «Tu tens palavras de vida eterna» (Ev.). As palavras de Jesus hão-de ser um programa para a nossa vida, umas orientações para o nosso comportamento.

 

 

 

 

 

Celebração:                          Geraldo Morujão

Homilia:                 Abel Figueiral (adaptação da rádio por GM)

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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