2º Domingo da Páscoa

15 de Abril de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor libertou o seu povo, A. Cartageno, NRMS 109

1 Pedro 2, 2

Antífona de entrada: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.

 

Ou

4 Esd 2, 36-37

Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quis o Papa João Paulo II, de saudosa memória, instituir neste dia a celebração da Divina Misericórdia.

Tudo nos fala deste atributo que se manifesta de modo tão claro em Cristo Ressuscitado, neste 2º Domingo da Páscoa. E nós sentimos uma necessidade inadiável de beneficiar dela.

Mas o Senhor adverte-nos de que, para a recebermos, teremos de a exercitar para com os outros: «Bem-aventurados os que usam de misericórdia, porque alcançarão misericórdia.»

 

Preparemo-nos, pois, para celebrar o Coração de Cristo, aberto para nós misericordiosamente na Cruz.

Acorramos, a este Coração, sempre disponível para nos acolher, e peçamos-Lhe humildemente perdão dos nossos pecados e infidelidades à graça.

 

(O acto penitencial será suprimido, se o Presidente proceder à aspersão da Assembleia com a água benta. Apresentamos, em alternativa, sugestões para o esquema penitencial C).

 

   Senhor Jesus, que celebrastes o regresso do filho pródigo

     com uma grande festa e banquete na casa paterna,

     acolhei-nos também agora que regressamos ao Vosso Amor.

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

   Cristo, que atendestes misericordiosamente a mulher cananeia

     que vos implorava, cheia de fé a cura da sua filha doente,

     curai-nos também dos nossos muitos pecados e defeitos.

     Cristo, tende piedade de nós!

 

     Cristo, tende piedade de nós!

 

   Senhor Jesus, que oferecestes a misericórdia ao bom ladrão

     que Vos dirigiu um olhar arrependido e suplicante na cruz,

     lembrai-Vos de nós também na glória do Vosso Reino,

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

Perdoe os nossos pecados e nos conduza à Vida Eterna.

 

 

Oração colecta: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os Actos dos Apóstolos falam-nos da vida da comunidade cristã de Jerusalém, nos primeiros passos da sua vida.

A razão que levava muitas pessoas a converter-se ao cristianismo ajuda-nos a fazer um exame de consciência sobre o testemunho que damos aos outros da nossa fé.

 

Actos dos Apóstolos 5, 12-16

12Pelas mãos dos Apóstolos realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo. Unidos pelos mesmos sentimentos, reuniam-se todos no Pórtico de Salomão; 13nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo enaltecia-os. 14Cada vez mais gente aderia ao Senhor pela fé, uma multidão de homens e mulheres, 15de tal maneira que traziam os doentes para as ruas e colocavam-nos em enxergas e em catres, para que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. 16Das cidades vizinhas de Jerusalém, a multidão também acorria, trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros e todos eram curados.

 

Como em todos os anos, vamos ter como 1ª leitura de todos os Domingos Pascais trechos dos Actos dos Apóstolos. A leitura de hoje é um dos chamados «relatos sumários» de Actos. No ano A, leu-se o de Act 2, 42-47 e no ano B o de Act 4, 23-35. Estes são breves resumos daquilo que caracterizava a vida da primitiva Igreja de Jerusalém. Numa espécie de visão idílica, focam o que sobressaía de positivo na novidade da fé cristã nascente, a desenvolver-se pela acção do Espírito Santo: a sua vida religiosa, a união fraterna, o cuidado dos pobres, bem como os milagres realizados pelos Apóstolos. S. Lucas não deixa de sublinhar, o prestígio de que gozavam os primeiros cristãos: «o povo enaltecia-os» (v. 13; cf. Act 2, 43; 4, 33).

12 «No pórtico de Salomão», no adro do Templo, o chamado átrio dos gentios, tinha a limitá-lo externamente não uma simples muralha de suporte e protecção, que ainda hoje em parte se conserva, mas esplêndidos pórticos, ao Sul, o pórtico real, com três fiadas de colunas, e o pórtico de Salomão a Nascente, com duas fiadas de colunas.

13 «Nenhum se atrevia a juntar-se a eles», provavelmente dominados pelo temor dos chefes do povo, que tinham condenado Jesus à morte.

14 «Cada vez mais gente aderia...» S. Lucas tem como um constante leitmotiv ou ideia mestra da sua composição o crescimento progressivo da Igreja, como quem quer documentar com a vida dos primeiros cristãos as parábolas do grão de mostarda e do fermento, de acordo com as palavras programáticas de Jesus, antes da Ascensão: «sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da Terra» (Act 1, 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 2-4.22-24.25-27a (R. 1)

 

Monição: Os israelitas cantavam o salmo 117, que a liturgia escolheu como salmo responsorial deste Domingo, para celebrar e agradecer ao Senhor uma grande vitória.

Ao cantá-lo, fazendo dele a nossa oração, celebramos a vitória de Cristo Morto e Ressuscitado.

 

Refrão:         Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

                      porque é eterna a sua misericórdia.

 

Ou:                Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:

                      o seu amor é para sempre.

 

Ou:                Aleluia.

 

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Aarão:

é eterna a sua misericórdia.

 

Digam os que temem o Senhor:

é eterna a sua misericórdia.

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

 

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria.

 

Senhor, salvai os vossos servos, Senhor, dai-nos a vitória.

Bendito o que vem em nome do Senhor,

da casa do Senhor nós vos bendizemos.

O Senhor é Deus e fez brilhar sobre nós a sua luz.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. João, desterrado na Ilha de Patmos, por anunciar o Evangelho, conta no Apocalipse a visão que teve de Cristo Ressuscitado. O mesmo Jesus testemunhou: «Não tenhas receio! (…) Estive morto e eis-Me vivo pelos séculos dos séculos.»

 

Apocalipse 1, 9-11a.12-13.17-19

9Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. 10No dia do Senhor fui movido pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, semelhante à da trombeta, que dizia: 11b«Escreve num livro o que vês e envia-o às sete Igrejas». 12Voltei-me para ver de quem era a voz que me falava; ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro 13e, no meio dos candelabros, alguém semelhante a um filho do homem, vestido com uma longa túnica e cingido no peito com um cinto de ouro. 17Quando o vi, caí a seus pés como morto. Mas ele poisou a mão direita sobre mim e disse-me: «Não temas. Eu sou o Primeiro e o Último, 18o que vive. Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos. 19Escreve, pois, as coisas que viste, tanto as presentes como as que hão-de acontecer depois destas».

 

Vamos ter, como 2ª leitura, em todos os Domingos Pascais do ciclo C, um trecho do Apocalipse, uma obra repleta de ressonâncias litúrgicas, onde a assembleia dos fiéis na terra se faz eco das aclamações da Jerusalém celeste tributadas ao Cordeiro imolado e vencedor da morte, Cristo ressuscitado (no ano A, a 2ª leitura foi da 1ª Carta de S. Pedro; no ano B, da 1ª Carta de S. João).

9 «Eu, João». De acordo com a tradição geral, seria o «discípulo amado», que esteve exilado, na perseguição do imperador Domiciano, na ilha de Patmos, hoje Patino, no arquipélago das Espórades, no Mar Egeu oriental. Esta ilha, de uns 15 km de comprimento (40km2), rochosa e árida, era uma espécie de Tarrafal da época, lugar de desterro para crimes políticos e religiosos. A pouca correcção gramatical do grego do Apocalipse (de longe o mais fraco de todo o N. T.) até se coaduna melhor com a personalidade do pescador da Galileia do que a relativa perfeição do IV Evangelho e das epístolas joaninas, mas as diferenças podem explicar-se pela diversidade dos colaboradores do Apóstolo. Se no Evangelho nunca se revela o seu nome, é porque pretende, na sua humildade, adoptar a discrição dos restantes evangelistas, a fim de ressaltar que o que importa é que o leitor se fixe na pessoa de Jesus e na importância da sua mensagem. O facto de aparecer aqui quatro vezes o nome de João corresponde ao género profético desta obra; os profetas começavam por indicar o seu nome; João, porém, não apela para a sua qualidade de Apóstolo, preferindo modestamente referir a sua condição de «irmão e companheiro». De qualquer modo, a questão do autor da obra é uma questão aberta, havendo exegetas católicos que preferem pensar noutro João, como o problemático «João, o presbítero» de que fala Papias.

10 «No dia do Senhor». Como facilmente se depreende, temos aqui documentado o uso cristão, que remonta à época apostólica, de chamar ao primeiro dia da semana dominicum (diem), em atenção a ser o dia da Ressurreição do Senhor (cf. Mt 28, 18), dia este em que já os primeiros cristãos se reuniam (cf. 1 Cor 16, 2) e celebravam a Eucaristia, «a Fracção do Pão», como então se chamava (cf. Act 20, 7; 2, 42).

11-13 «Sete igrejas, sete candelabros; longa túnica, cinto de ouro». A visão é relatada com um notável colorido litúrgico, tão característico do Apocalipse, pondo em evidência como a liturgia terrestre (a celebração do Dia do Senhor) está em consonância com a liturgia celeste; os sete (número de plenitude) candelabros são o símbolo de toda a Igreja em oração, numa alusão ao candelabro de sete braços, a menoráh do Templo; o sacerdócio e a realeza de Cristo são simbolizados pela longa túnica e pelo cinto de ouro. Eis o comentário espiritual de Santo Agostinho: «As sete Igrejas, às quais S. João escreve, são a Igreja Católica e Una. O número sete relaciona-se com a graça septiforme. (...) Representam também a Igreja os sete candelabros. O (indivíduo) «semelhante a um filho de homem», no meio dos candelabros, é Cristo no centro da Igreja. O cinto, que envolve os seios, são os dois Testamentos; eles recebem do peito de Cristo o leite espiritual, alimento do povo de Deus para a vida eterna».

17 «Eu sou o Primeiro e o Último»: é uma expressão isaiana (cf. Is 44, 2.6; 48, 12) para designar Yahwéh, como Senhor do Universo, no seu ser eterno, que existe antes de todas as coisas e subsiste após o fim das criaturas. Esta expressão, aqui aplicada a Jesus, deixa ver a sua divindade.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 20, 29

 

Monição: No encontro com o Apóstolo Tomé, Jesus acolhe-o com paciente misericórdia, mas aproveita para proclamar a excelência da virtude da fé, a aceitação do testemunho sobre a Revelação que a Igreja hierárquica nos oferece,

Acolhamos com alegria este gesto do Divino Mestre a aclamemo-l’O com o canto do aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Disse o Senhor a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-31

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». 24Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». 30Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Neste relato da aparição de Jesus aos Apóstolos no próprio dia da Ressurreição deixa-se ver como se cumpre o que antes fora dito em Jo 7, 39: «ainda não tinham o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado». É por isso que S. João se apressa a relatar a efusão do Espírito sobre os Apóstolos, numa espécie de Pentecostes antecipado, equivalente ao de Actos 2, 1ss.

19 «A paz esteja convosco!» Não se trata duma simples saudação, a mais corrente entre os Judeus, mesmo ainda hoje. No entanto, é de notar que os evangelistas nunca a registam durante a vida terrena de Jesus; é por isso que esta insistência joanina nas palavras do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) é grandemente expressiva: com a sua Morte e Ressurreição, Jesus acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).

20 «Ficaram cheios de alegria». Esta observação confere ao relato uma grande credibilidade: naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, «ao verem o Senhor»; ao contrário do que era de esperar, não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre se refere uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha do seu abandono e deslealdade.

22 «Soprou sobre eles… ‘Recebei o Espírito Santo’». Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do Espírito (em grego é a mesma palavra que também significa sopro). Esta efusão do Espírito Santo não é a mesma que se dá 50 dias depois. Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo, iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que já estavam incumbidos.

23 «A quem perdoardes os pecados…»: não se trata de um mero preceito da pregação do perdão dos pecados que Deus concede a quem confia nesse perdão (interpretação protestante). Estamos perante uma das poucas passagens da Bíblia cujo sentido foi solenemente definido como dogma de fé: estas palavras «devem entender-se do poder de perdoar e reter os pecados no Sacramento da Penitência» (DzS 913); o mesmo Concílio de Trento também se baseia nestas palavras para falar da necessidade de confessar todos os pecados graves depois do Baptismo, uma doutrina que tem vindo a ser reafirmada pelo Magistério: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano (Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972; confirmadas pelas recentes orientações da Conferência Episcopal Portuguesa e sobretudo do motu proprio «Misericordia Dei» de João Paulo II, em 7 de Abril de 2002).

«Ser-lhes-ão perdoados»: esta expressão é muito forte, pois temos aqui o chamado passivum divinum, isto é, o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus; sendo assim, a expressão corresponde a «Deus lhes perdoará», e «serão retidos» equivale a «serão retidos por Deus», isto é, Deus não perdoará.

24 «Tomé», nome aramaico Tomá’ significa «gémeo»; em grego, «dídymos».

29 «Felizes os que acreditam sem terem visto». Para a generalidade dos fiéis, a fé – dom de Deus – não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê porque Deus, que revela, não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «felizes», ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Tanto Tomé, naquela ocasião, como nós, agora, temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Tomé não acreditava por não confiar no testemunho dos colegas, mas por não crer no poder de Deus.

30-31 Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João, que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs. Este Evangelho foi escrito para crermos que «Jesus é o Messias, o Filho de Deus». Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca ou caminhada sem uma base doutrinal, um conteúdo de ensino (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, mas o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus» (v. 28; cf. Jo 1, 1; 10, 30; 1 Jo 5, 20; Rom 9, 5).

 

Sugestões para a homilia

 

    Uma nova Evangelização

Os novos sinais

Novos púlpitos

Nova linguagem

    A proclamação da misericórdia divina

O perdão, oferta amorosa e gratuita do Senhor

Institui o Sacramento da misericórdia

Uma reconciliação plena

Bem-aventurados os misericordiosos.

1. Uma nova Evangelização

A Igreja de Jerusalém, logo a seguir ao acontecimento do Pentecostes, crescia com extraordinária vitalidade. Para isso contribuía testemunho que ela dava, como sinal da misericórdia de Deus.

O seu exemplo é uma inspiração para todos os tempos, especialmente para algumas regiões onde, em nossos dias, nos causa a impressão – embora superficial – de que o cristianismo perdeu a força atractiva dos primeiros tempos.

Contemplando as dificuldades em que o mundo se encontra, especialmente no hemisfério Norte, Paulo VI falava na urgência de instaurar a Civilização do Amor; João Paulo II apontava a necessidade de uma Nova Evangelização; e Bento XVI, ainda quando Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, num discurso dirigido a um Congresso sobre a Catequese, indicava como requisitos para que ela resultasse frutuosa, novos sinais, novos púlpitos e nova linguagem.

Para além da graça de Deus, são estes os elementos humanos que encontramos na comunidade primitiva da Cidade Santa e que nos ajudam a explicar, na sua componente humana, a expansão prodigiosa do cristianismo.

Os Actos dos Apóstolos indicam-nos os seguintes elementos: os milagres operados pelos Apóstolos, aludidos nos novos sinais; a união fraterna, como a linguagem sempre nova; e a simpatia do povo, denunciando a oportunidade dos novos púlpitos.

 

Os novos sinais. «Realizavam-se, pelas mãos dos Apóstolos, muitos milagres e prodígios entre o povo.» As maravilhas que Jesus realizava e continua a realizar por intermédio dos Apóstolos e discípulos de todos os tempos, manifestavam a bondade infinita do Pai, pelo Seu Coração misericordioso. Mas são também sinais que atraem as pessoas para acolher a Palavra de Deus.

O grande sinal que muitas pessoas esperam de nós, testemunhas de Jesus Cristo, são a alegria e o optimismo, especialmente perante as dificuldades que são comuns a todos, porque exteriorizam a nossa confiança em Deus; o sentido de justiça que move a levantar a voz quando alguém é lesado, e não apenas quando beliscam o nosso espaço de vida.

Este comportamento chama fortemente a atenção dos outros. Leva-os a pensar: Estas pessoas enfrentam as mesmas dificuldades que nós temos; e no entanto, enquanto a nós nos roubam a alegria e nos tornam pessimistas, com estes é diferente. Mantêm-se calmos, alegres e compreensivos perante as indelicadezas dos outros. Que segredo haverá escondido em tudo isto?

Exactamente porque somos filhos de Deus, acalentamos no coração um projecto de amor e de alegria para o mundo de hoje, baseado na seriedade do trabalho, na recusa em se deixar subornar, seja qual for o preço oferecido; na vida fraterna construída na paz com o mesmo sacrifício.

 

Novos púlpitos. «Reuniam-se todos unanimemente no pórtico de Salomão.» Era junto deste pórtico que os Apóstolos encontravam as pessoas reunidas e, portanto, aí mesmo procuravam evangelizá-las.

Seguiam o exemplo do Mestre que, para anunciar a Boa Nova, dirigia-Se aos lugares onde as pessoas se encontravam: na praia, nos caminhos e aldeias ou na cidade. Espera a samaritana junto ao poço onde ela terá de ir, faz-se encontrado por Zaqueu nas ruas de Jericó e passa junto da banca de impostos de Mateus.

Paulo, seguindo o exemplo de Jesus, quando deseja evangelizar, dirige-se informa-se dos lugares onde as pessoas se reúnem para a oração e dirige-se para lá.

Vivemos num ambiente em que as pessoas já não entram nos nossos templos nem participam nos meios de formação para acolher a Palavra de Deus.

Desapareceram os sinais de Deus na grande cidade dos homens. Os templos, na maioria dos casos, já não sobressaem entre as construções.

Precisam ser abordadas nos lugares onde se encontram, pelo testemunho directo de cada um no seu meio; no trabalho, à mesa do café, no estádio de futebol e noutras encruzilhadas da vida quotidiana.

Cada cristão tem de ser um evangelizador. Esta verdade, tão antiga e actual como o Evangelho, foi esquecida durante muito tempo.

Inesperadamente, por ocasião do referendo sobre o aborto, os meios de comunicação social tornaram-se em púlpitos a partir dos quais chegaram mensagens a pessoas que outro modo não teriam sido alcançadas por elas: o valor da vida humana, a alegria e optimismo dos que a defendem, as obras que, no âmbito nacional e local estão abertas a acolher a vida, etc. Estamos, sem dúvida perante novos púlpitos para uma nova evangelização.

E, do lado oposto ficaram a descoberto frieza perante os problemas da vida, como se estivéssemos diante de peças inutilizadas duma máquina de que é imperioso descartarmo-nos; a tristeza e falta de imaginação com que se repetiam argumentos vazios, como o aluno repete, cansaço, a lição do mestre, sem a entender, etc.

Colheu frutos a arma do argumento sentimental, a encobrir todo o veneno que trazia escondido.

 

Nova linguagem. «Dos restantes, nenhum se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo enaltecia-os.» As pessoas deixam-se tocar, não pelas proclamações solenes que alguns fazem da sua catolicidade, mas pelos testemunhos directos de vidas cheias de virtudes humanas, de preocupação pelos outros, pelo espírito de serviço desinteressado.

Os símbolos e certas expressões religiosas tornaram-se ininteligíveis para muita gente.

Pedem-nos um Evangelho concretizado em vidas autênticas, um testemunho directo. Alguém comentava: «O que tu és fala tão alto que não consigo ouvir o que dizes!»

A nossa linguagem de evangelização tem de ser urgentemente reformulada, para que a mensagem não se perca, ao não encontrar receptor, por mais pura que seja a intenção do emissor.

A linguagem da caridade continua a ser universal. Não foi por acaso que o Santo Padre Bento XVI lhe dedicou a sua encíclica-programa: Deus caritas est.

Eis alguns exemplos «chocantes» que podem falar alto: uma família que precisa de ajuda em qualquer sentido ou que, acedendo à vontade de Deus, acolhe um número generoso de filhos; a ajuda a um doente ou marginal que vive desamparado; um casal que aceita o nascimento de um filho que se anuncia como deficiente, ou adopta outro nestas condições; a recusa de luvas, de influências para conquistar um emprego ou posto de trabalho rendoso; a seriedade no trabalho profissional ou nos negócios… e tantas outras formas e viver que chamam poderosamente a atenção das pessoas e as ajuda a compreender que Deus é Amor.

Surgiu em nossos dias com grande pujança o voluntariado. Enfrentando o egoísmo que se manifesta de tantas formas, estas pessoas – na situação laboral ou de reforma – sentem a necessidade de pensar nos outros e de se lhes dedicarem.

Vivemos, por obras, a solidariedade com os que sofrem no corpo ou na alma e a partilha alegre do que temos e somos? Esta é a nova linguagem que as pessoas entenderão.

Despertaremos nas pessoas a vontade de cantar: «Aclamai o Senhor porque Ele é bom; o Seu Amor é para sempre!» (Salmo responsorial).

2. A proclamação da misericórdia divina

Quis o Senhor, imediatamente depois da Sua Ressurreição gloriosa, deixar bem claro que, depois de tantos exemplos e palavras de misericórdia, esta continua a ser o caminho aberto para todos nós, rumo aos Seu Coração divino.

 

O perdão, oferta amorosa e gratuita do Senhor. «Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estavam as portas fechadas, por medo dos judeus, no lugar onde os discípulos se encontravam. Jesus veio colocar-Se no meio deles e disse-lhes: ‘A paz esteja convosco’

Abandonado por quase todos os amigos durante a Paixão, Jesus é o primeiro a correr ao encontro dos Apóstolos e alguns discípulos, para lhes oferecer a paz e reconciliação.

Não encontramos, em todos os textos sobre Cristo ressuscitado, um único episódio em que a iniciativa do encontro com o Mestre tenha partido daqueles que se tinham afastado d’Ele. Vai ao encontro dos Apóstolos encerrados no Cenáculo, com as portas e janelas trancadas por dentro, por medo dos judeus; surpreende os dois desiludidos no caminho de Emaús; condescende com a teimosia caprichosa de Tomé em recusar a mediação da Igreja para a fé na Ressurreição.

 

Institui o Sacramento da misericórdia. «Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: 'Recebei o Espírito Santo: os pecados ficarão perdoados àqueles a quem os perdoardes; e ficarão retidos àqueles a quem os retiverdes'».

Depois de levar aos Apóstolos a alegria, a paz e a serenidade, tem o cuidado de instituir imediatamente o Sacramento da Reconciliação e Penitência, como demonstração viva da Sua misericórdia, no qual nos acolhe de braços abertos, todas as vezes que, depois de extraviados, acedemos ao Seu convite para recomeçar uma vida de intimidade com Ele.

Compreendemos melhor o alcance deste sacramento, se recordarmos a resposta que o Mestre deu a Simão Pedro sobre quantas vezes devia perdoar: «Setenta vezes sete», isto é, sempre.

 

Uma reconciliação plena. «Porque Me viste, acreditaste. Bem-aventurados os que acreditam sem terem visto

Jesus procura uma reconciliação sem qualquer sombra de desconfiança, dos Apóstolos e discípulos com Ele.

E leva a Sua delicadeza e finura divina até ao ponto de omitir qualquer referência ao comportamento indelicado da maior parte deles, nos momentos dolorosos da Paixão e Morte.

Refaz a amizade perturbada pelos acontecimentos da Sexta-feira Santa, por meio de encontros frequentes, diálogos amigos e até submetendo-se aos caprichos e Tomé a aceitando tomar uma refeição com eles em plena praia.

 

Bem-aventurados os misericordiosos.

Precisamos todos e com urgência da misericórdia do Senhor. Quem não recorda a parábola contada por Jesus do servo devedor que não foi capaz de esperar pelo pagamento de uma dívida insignificante, depois de lhe ter sido perdoada uma enorme soma?

As nossas críticas impiedosas, as feridas interiores causadas por ofensas reais ou imaginárias, que não acabam mais cicatrizar, mostram insistentemente como nos custa usar de misericórdia.

E, no entanto, há muitos e clamorosos apelos à misericórdia de Deus e à nossa no mundo de hoje. Na oração e acolhimento da Palavra de Deus descobriremos muitos deles, trazendo da Missa dominical um generoso programa para cada semana de trabalho.

A intimidade com Nossa Senhora é para nós a melhor escola da misericórdia. Em cada Domingo, quando celebramos o Mistério Pascal de Cristo, aparece aos nossos olhos a sua conduta misericordiosa no caminho da Cruz e nos primeiros passos da Igreja primitiva.

 

Fala o Santo Padre

 

«A paz de Cristo é fruto da vitória do seu amor sobre o pecado e sobre a morte.»

 

1. Do alto da Cruz, na Sexta-Feira Santa Jesus deixou-nos como seu testamento o perdão: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). Martirizado e escarnecido, demonstrou misericórdia pelos seus algozes. Os seus braços abertos e o seu coração trespassado tornaram-se assim o sacramento universal da ternura paterna de Deus, que oferece a todos o perdão e a reconciliação.

No dia da ressurreição o Senhor, aparecendo aos discípulos, saudou-os com estas palavras: «A paz esteja convosco!», e mostrou-lhes as mãos e o lado com os sinais da paixão. Oito dias mais tarde, como lemos na página evangélica de hoje, voltou a encontrar-se com eles no cenáculo e disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco!» (cf. Jo 20, 19-26).

2. A paz é o dom por excelência de Cristo crucificado e ressuscitado, fruto da vitória do seu amor sobre o pecado e sobre a morte. Ao oferecer-se a si mesmo, vítima imaculada de expiação sobre o altar da Cruz, Ele derramou sobre a humanidade a vaga benéfica da Misericórdia Divina.

Por conseguinte, Jesus é a nossa paz, porque é a manifestação perfeita da Misericórdia Divina. Ele infunde no coração humano, que é um abismo sempre exposto à tentação do mal, o amor misericordioso de Deus.

3. Hoje, Domingo in Albis, celebramos o Domingo da Misericórdia Divina. O Senhor envia-nos também a nós para levar a todos a sua paz, fundada no perdão e na remissão dos pecados. Trata-se de um dom extraordinário, que Ele quis unir com o Sacramento da penitência e da reconciliação. Quanta necessidade tem a humanidade de conhecer a eficiência da misericórdia de Deus nestes tempos marcados por crescente incerteza e conflitos violentos!

Maria, Mãe de Cristo e nossa paz, que no Calvário recebeu o seu testamento de amor, nos ajude a ser testemunhas e apóstolos da sua misericórdia infinita.

 

João Paulo II, Regina Caeli, Vaticano, 18 de Abril de 2004

 

Oração Universal

 

Na presença feliz de Jesus Ressuscitado,

contando com a Sua infinita misericórdia,

elevemos, por Ele, ao Pai as nossas preces,

com a certeza de que seremos atendidos.

Oremos, cheios de confiança:

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

1.  Para que o Papa, Vigário de Cristo na terra,

faça chegar a mensagem da bondade do Pai

a todos os corações cheios de boa vontade,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

2.  Para que as pessoas dominadas pelo desânimo,

porque não encontram ajuda para os problemas,

possam ver em nós a presença de Cristo amigo,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

3.  Para que todos os que não conhecem a Cristo

possam reconhecê-l’O na vida de cada um de nós,

por um Amor generoso, operativo e sem fronteiras,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

4.  Para que aqueles que sentem dificuldades

em aproximar-se do Sacramento da Reconciliação

renovem a Sua vida neste abraço de Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

5.  Para que os sacerdotes das nossas comunidades,

ministros do perdão generoso do Divino Mestre,

estejam sempre disponíveis e amáveis em administrá-lo,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

6.  Para que, pela misericórdia infinita de Deus

e pela medição maternal de Nossa Senhora,

as almas dos defuntos descansem em paz,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

Senhor, que nos acompanhais nesta vida

com a Vossa infinita paciência misericordiosa:

enchei-nos de confiança no Vosso Amor,

para que alcancemos as Vossas promessas

de uma eternidade em comunhão feliz no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo. 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Deus é infinitamente misericordioso aos oferecer-nos os seus dons.

Iluminou-nos com a Sua Palavra que, tal como confessavam os discípulos de Emaús, nos fez sentir a consolação do Espírito Santo.

Conhecendo as exigências que ela traz às nossas vidas, e a fraqueza de que damos tantas provas, vai agora transformar o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, para alimento de todos nós.

 

Cântico do ofertório: Aleluia! Aleluia! Cristo ressuscitou, J. Santos, NRMS 2 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da paz

 

A paz e reconciliação plena é o primeiro dom que Jesus oferece aos Apóstolos e discípulos refugiados no Cenáculo, logo no primeiro encontro, depois de Ressuscitado.

Repitamos o Seu divino gesto, com a desejo de uma reconciliação com todos os irmãos.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Jesus Cristo oferece-Se agora a cada um de nós, não revestido do esplendor da Sua Ressurreição, mas sob as humildes aparências do pão e do vinho que trouxemos ao altar e Ele transubstanciou pelo ministério do sacerdote.

Avivemos a nossa Fé, Esperança e Amor, antes de O acolhermos em nosso coração.

 

Cântico da Comunhão: Porque me vês acreditas, Az. Oliveira, NRMS 97

cf. Jo 20, 27

Antífona da comunhão: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai Comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Deus todo-poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Regressamos ao mundo dos homens onde vivemos habitualmente: na família, no trabalho e nos tempos livres.

Demos testemunho, junto de cada um deles, de que Deus os ama e os espera de braços abertos, cheio de misericórdia.

 

Cântico final: Cantai a Cristo Senhor, Az. Oliveira, NRMS 97

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO PASCAL

 

feira, 16-IV: Novo nascimento e oração.

Act. 4, 23-31 / Jo. 3, 1-8

Disse Jesus a Nicodemos: Não te admires de eu te ter dito: Vós tendes que nascer de novo.

Jesus fala de um novo nascimento: pela água e pelo Espírito Santo (cf. Ev.). Com efeito, o baptizado recebe uma nova vida, a vida sobrenatural, torna-se filho adoptivo de Deus, participa da sua natureza divina pela graça, passa a ser templo do Espírito Santo…

Este novo nascimento requer igualmente o recurso à oração: «Depois de terem rezado… todos ficaram cheios do Espírito Santo» (Leit.). Aproveitemos para agradecer a Deus o 80º aniversário do nascimento do Papa Bento XVI e rezemos pela sua pessoa e intenções.

 

feira, 17-IV: Um só coração e uma só alma.

Act. 4, 32-37 / Jo. 3, 7-15

Naqueles dias, a multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma.

O Tempo Pascal pede-nos que recomecemos, que nos renovemos: «Vós tendes que nascer de novo» (Ev.). Esta renovação implica viver como viveram os primeiros cristãos: «com um só coração e com uma só alma» (Leit.).

Este ideal de comunhão há-de levar a que todas as comunidades eclesiais (especialmente, a família) sejam verdadeiras escolas de comunhão, em que há uma partilha de bens espirituais e materiais (cf. Leit.). Também se há-de procurar evitar tudo o que é objecto de discórdia, e fomentar o entendimento entre todos.

 

feira, 18-IV: As palavras de vida.

Act. 5, 17-26 / Jo. 3, 16-21

Deus amou de tal modo o mundo que entregou o seu Filho Único.

A Encarnação do Verbo é um sinal do amor que Deus tem por cada um de nós (cf. Ev.). E o Verbo é a própria Palavra de Deus.

Procuremos não perder uma só das suas palavras, porque são «palavras de vida» (Leit.). Essas palavras fizeram arder o coração dos discípulos de Emaús, ajudando-os a vencer a tristeza e o desânimo, e suscitando o desejo de ficarem sempre na sua companhia. Além disso, as suas palavras, escutadas no silêncio meditativo, interpelam a nossa vida, para nos ajudarem a um renascimento.

 

feira, 19-IV: As imposições do secularismo.

Act. 5, 27-33 / Jo. 3, 31-36

(O sumo sacerdote): Já vos demos a ordem formal de não ensinar em nome de Jesus.

Também nos nossos tempos, a cultura secularizada, que quer fazer esquecer Deus, pretende impor-nos o mesmo silêncio. E assim se cai nos mais brutais ataques à dignidade humana: o aborto, a eutanásia, a destruição da família, etc.: «Quem se recusa a crer no Filho, não verá a vida» (Ev.).

Como os Apóstolos haveremos de dizer: «Deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens» (Leit.). Tenhamos presentes os ensinamentos do Papa Bento XVI, que hoje cumpre o 2º aniversário da sua eleição.

 

feira, 20-IV: Alimentação própria da alma.

Act. 5, 34-42 / Jo. 6, 1-15

Então Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos convivas. E fez o mesmo com os peixes.

Jesus também ajuda os homens a libertar-se dos males terrenos, por exemplo, da fome, mas a sua missão fundamental é a libertação do pecado. É bom que o nosso corpo esteja saudável, mas o melhor é que a alma esteja de boa saúde espiritual. Assim se explica que os Apóstolos se alegrem de ter sido açoitados (cf. Leit.).

Quando pedimos no Pai-nosso «o pão-nosso de cada dia nos dai hoje» referimo-nos às necessidades materiais e também ao pão eucarístico, indispensável como alimento da alma.

 

Sábado, 21-IV: A esperança no meio das dificuldades.

Act. 6, 1-7 / Jo. 6, 16-21

Como soprava intensa ventania, o mar ia-se encrespando… E tiveram medo. Mas Jesus disse-lhes: Sou Eu, não temais!

Apesar de terem visto muitos milagres, realizados pelo Senhor, a fé dos Apóstolos fraqueja perante uma tempestade no lago (cf. Ev.).

Como Cristo fez a promessa de estar sempre presente na Igreja, como esteve no barco, não devemos temer, porque a Igreja de Deus, embora perseguida, tem que confiar sempre, porque Cristo já venceu o mal. A mesma ajuda aparecerá para a resolução dos pequenos problemas: «não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para fazermos o serviço das mesas» (Leit.). E assim foram escolhidos sete diáconos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial