acontecimentos eclesiais

DO PAÍS



BRAGA


ORIENTAÇÕES PARA AS

FESTAS RELIGIOSAS


No intuito de ajudar a promover uma dignificação das festas religiosas, o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, publicou em 4 de Janeiro passado uma Nota pastoral, baseando-se na anterior de 1988.


D. Jorge Ortiga recorda que, «graças às festas religiosas, o nosso povo, ao longo de muitos anos, aprofundou e alimentou a sua fé e sentiu o desafio à conversão e à santidade. Eram sempre precedidas de tempos fortes de reflexão da Palavra, oração, penitência, celebração de Sacramentos e formulação de propósitos em direcção à conversão constante».

Os tempos, porém, mudaram. «A formação na fé e o seu desejo quase desapareceram. Os apelos à conversão raramente se fazem ouvir. A festa ‘religiosa’, em vários lugares, propriamente já não se faz em honra do Santo. O Santo é um mero pretexto. Por vezes, as Comissões servem-se do Santo, do seu Nome, da sua Capela e da sua Imagem para sensibilizarem o povo na busca de donativos, para fazerem a sua própria festa, tantas vezes para satisfazer vaidades ou afirmações de poder pessoais ou de grupo. Nestas circunstâncias, muitas das festas já não são espaço de enriquecimento cultural e espiritual. Se ainda mantêm uma componente cultural e recreativa, esta reveste-se, por vezes, de um carácter demasiado pagão. Não raro, em vez de lugar de encontro alegre e feliz, tornam-se causa de conflitos que ferem e deixam marcas negativas difíceis de sanar».

Neste contexto, o Arcebispo dá normas que visam reforçar a responsabilidade dos paroquianos que promovem essas festas – que devem ser «pessoas que tenham a vivência da fé, o sentido de Igreja, a estima do povo e a disposição de cumprirem as normas sobre as festas religiosas» – e a autoridade do pároco.



FÁTIMA


INÍCIO DA CONSTRUÇÃO

DA NOVA «BASÍLICA»


Está já a decorrer a primeira empreitada da construção da Igreja da Santíssima Trindade, que compreende «Contenção periférica, Movimento de terras, Fundações e Estrutura de betão armado e metálica». A consignação da obra teve lugar no passado dia 2 de Fevereiro, à empresa Somague Engenharia, S.A.


No decurso da cerimónia, o Reitor do Santuário, Mons. Luciano Guerra proferiu um discurso no qual procurou enquadrar os principais marcos históricos e propósitos deste grande projecto.

«A futura construção, com os seus nove mil lugares sentados, não vai poder ser usada para acolher os peregrinos dos grandes dias de Fátima. A igreja propriamente dita deste Santuário continuará a ser este imenso espaço sagrado, a que chamamos Recinto de Oração».

No primeiro Estudo de Estruturação Pastoral do Santuário, realizado em 1974, entendeu-se que o movimento de Fátima justificava, e mesmo exigia, um novo espaço de culto mais espaçoso que a actual Basílica. «Pela progressiva apetência de participação activa das pessoas, pela crescente sensibilidade às condições atmosféricas do exterior – com o sol, a chuva e o frio a tornarem-se cada vez menos suportáveis – e pela dificuldade também crescente de novos e velhos se manterem de pé, tornou-se cada vez mais evidente a necessidade de criar condições favoráveis à participação activa e atenta, mesmo num lugar penitencial como este». Para levar o remédio da conversão ao verdadeiro mal que atormenta a nossa geração e para o qual Nossa Senhora chamou a atenção – o pecado –, «o peregrino de hoje necessita de mais concentração do que a permitida pelos apertos da actual Basílica ou pela dispersão do Recinto de Oração».

A construção agora iniciada será composta de dois grandes corpos: a zona da Reconciliação, com várias capelas subterrâneas iluminadas por um grande corredor de luz natural, situada logo a seguir ao actual Pórtico do Jubileu, que desaparecerá; e a igreja da Santíssima Trindade, cuja entrada ficará a alturas da Cruz Alta e que se estenderá por um círculo de 125 m de diâmetro, até à beira da avenida D. José Alves Correia da Silva (para mais pormenores, ver CL, 2002/03, 6, pp. 1315-1316).



ÉVORA


ACOLHIMENTO DOS

DEFICIENTES MENTAIS


Marie Hélène Mathieu, co-fundadora do Movimento «Foi et Lumière», esteve recentemente em Portugal para lembrar que as pessoas com deficiência mental «têm um coração capaz de acolher Deus e são membros privilegiados da Igreja», porque são pequenos e indefesos.


«A pessoa com deficiência mental – explica Marie Hélène – não procura a beleza, nem o dinheiro, nem a glória ou a fama; procura o amor nos que a rodeia. E foi isso que Fé e Luz procura oferecer». E comenta: «A sociedade reconhece os direitos da pessoa com deficiência, procura a sua integração, mas é muito ambivalente e contraditória. Autoriza-se o aborto quando se percebe que o feto tem deficiências, anula-se o direito à vida dos que não são perfeitos».

Fé e Luz é um Movimento de leigos, fundado por Jean Vanier e Marie Hélène Mathieu, nas últimas décadas do séc. XX.

O Movimento constituiu-se em torno da constatação do isolamento social e eclesial das famílias com filhos com deficiência mental. Actualmente está implantado em 75 países dos cinco continentes, onde existem cerca de 1400 comunidades. Cada comunidade, com cerca de 30 pessoas, é constituída por pessoas com deficiência mental, seus pais, irmãos e amigos, especialmente jovens.

A nível nacional, o Movimento tem um Conselho Nacional, dirigido por um Coordenador Nacional. Em Portugal, está reconhecido nas dioceses de Lisboa, Porto e Évora. A Coordenadora Nacional é Alice Caldeira Cabral.



LISBOA


ABORTO OU VIDA?


No passado dia 2 de Março, o movimento cívico «Mais Vida, Mais Família», entregou ao Presidente da Assembleia da República uma relação de mais de 190 mil assinaturas, solicitando a melhoria de leis de apoio à família que impeçam a liberalização do aborto.


O número é significativo pois a recolha de assinaturas decorreu apenas entre 29 de Janeiro e 27 de Fevereiro, e surgiu para contrariar outra petição pedindo a realização de novo referendo sobre o aborto, que deu entrada na Assembleia da República quinze dias antes, com um número muito inferior de assinaturas, embora recolhidas durante seis meses.

A presente iniciativa demonstra que há uma grande parte da população portuguesa que não se revê nas opiniões ultimamente veiculadas a favor da liberalização do aborto, apresentadas até como maioritárias.


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