aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

FRANÇA

 

CONVERSÃO DO IRMÃO ROGER?

 

O jornal francês Le Monde noticiou em 6 de Setembro passado uma hipotética «conversão» ao catolicismo, em 1972, do Irmão Roger Schutz, fundador da Comunidade ecuménica de Taizé. A notícia não se teria difundido antes porque o Irmão não queria «romper a comunhão ecuménica» ao redor de Taizé.

 

A informação provinha, entre outras fontes, de Mons. Raymond Seguy, bispo emérito de Autun, diocese na qual se encontra Taizé. Contudo, este matizou a informação. Rejeita o termo «conversão» e acrescenta: «Não disse que o Irmão Roger tinha abjurado o protestantismo, mas que tinha manifestado a sua plena adesão à fé católica».

Também o Irmão Aloïs, sucessor do Irmão Roger, precisou que não se tratou de uma conversão formal: «Em 1972, o bispo de Autun dessa época, Mons. Armand Le Bourgeois, deu-lhe simplesmente a comunhão pela primeira vez, sem lhe pedir senão a profissão do Credo recitado durante a Eucaristia e que é comum a todos os cristãos» (o actual cân. 844 § 4 do Código de Direito Canónico prevê alguns casos em que pode ser legítimo).

Num comunicado, a Comunidade de Taizé interpretou a situação como «um caminho que não teve precedentes desde a Reforma: entrar progressivamente numa plena comunhão com a fé da Igreja Católica sem uma conversão que teria implicado uma ruptura com as suas origens».

 

 

BANGLA-DESH

 

PRÉMIO NOBEL PARA

DESENVOLVIMENTO DE POBRES

 

Muhamad Yunnus, promotor do micro-crédito, foi o galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 2006.

 

Eugénio da Fonseca, Presidente da Caritas Portuguesa, disse que esta escolha vem comprovar «aquilo que foi a grande afirmação de Paulo VI: 'O novo nome da Paz é o desenvolvimento', e o micro-crédito tem essa filosofia». «Não é apenas manter a subsistência das pessoas, mas dar-lhes mecanismos para que elas consigam progredir» – sublinhou.

O micro-crédito é uma experiência muito antiga, mas o novo Nobel da Paz vem dizer «que a microeconomia – aquela que recebe um pequeno empréstimo para o relançamento na vida – consegue fazer mais maravilhas que a macroeconomia». O «monstro» que o capital muitas vezes é, tanto dá emprego às pessoas como as lança para a desgraça – advertiu.

Em Portugal, cerca de 600 pessoas já recorreram ao micro-crédito para criarem empresas e negócios.

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POLÓNIA

 

CARDEAL DZIWISZ ESCREVE

MEMÓRIAS DE JOÃO PAULO II

 

O Cardeal Stanislaw Dziwisz, antigo secretário pessoal de João Paulo II, vai apresentar na Feira do Livro de Frankfurt uma obra que recolhe as suas memórias pessoais.

 

O actual Arcebispo de Cracóvia revela, entre outras coisas, que os médicos que operaram o Papa polaco em 1981, depois do atentado na Praça de São Pedro, tinham a certeza de que ele morreria.

A editora Rizzoli disponibilizou alguns trechos do livro «Uma Vida com Karol». Num capítulo intitulado «Aquelas duas balas», o Cardeal Dziwisz relembra o que sentiu quando o turco Mehmet Ali Agca atingiu o Papa a tiro, no dia 13 de Maio de 1981: «Tentei segurá-lo, mas foi como se ele estivesse a ir embora devagar».

Muitas peripécias e dificuldades surgidas após o atentado são relatadas: no meio da confusão, João Paulo II foi levado por engano ao décimo andar, para depois então ir para a sala de cirurgia, no nono andar. Os funcionários arrombaram duas portas para que o Papa chegasse lá mais rapidamente.

«O pior foi quando o Doutor Buzzonetti se aproximou de mim para pedir-me que administrasse ao Santo Padre a unção dos doentes, o que fiz de imediato, mas com o coração destroçado. Era como se me tivessem dito que não havia nada a fazer», lembra.

O último capítulo é dedicado aos momentos finais da vida do Papa polaco. Particularmente comovente é o relato da colocação do véu branco sobre o rosto de João Paulo II, já no caixão: «Era a última vez que via o seu rosto, mas principalmente o seu olhar, porque era o olhar o que mais impressionava nele. Por isso, fazia tudo muito lentamente para que esse instante durasse muito mais (...). Peguei no véu branco e coloquei-o sobre o seu rosto, com medo de que esse pano de seda pudesse incomodá-lo», conta.

A obra será colocada à venda no próximo ano, adiantou a editora italiana Rizzoli. As memórias de D. Dziwisz foram reunidas pelo escritor Gian Franco Svidercoschi, jornalista que já colaborou num livro sobre a vida de João Paulo II.

O testemunho do Cardeal Dziwisz é apresentado como um retrato «inédito e humaníssimo» de um grande Papa, passando em revista todas as fases da vida de João Paulo II, desde os anos na Polónia (1966-1978), quando Wojtyla era Arcebispo de Cracóvia, aos muitos episódios do pontificado (1978-2005).

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POLPOLÓNIA

RÚSSIA

 

BISPOS DA EUROPA TENTAM

APROXIMAÇÃO À IGREJA RUSSA

 

A Assembleia plenária do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) concluiu os seus trabalhos no passado domingo 8 de Outubro, com uma clara aproximação e melhoria das relações entre a Igreja católica e a Igreja russa ortodoxa.

 

Tal como o expressaram os presidentes das 34 Conferências Episcopais católicas europeias, reunidas em São Petersburgo (Rússia), numa carta dirigida ao Patriarca de Moscovo e de todas as Rússias, Alexis II, estavam «comprometidos no trabalho conjunto e frutífero entre ambas as partes, e para isso é necessária a confiança na Rússia e na sua Igreja ortodoxa».

«A nossa estadia na Rússia deixou-nos claro que não devemos trabalhar separados quando podemos fazê-lo juntos», referindo-se à necessidade que sentiram de homens e mulheres do continente europeu escutarem o Evangelho de Jesus.

A reunião do Conselho nesta cidade «foi como deixar aberta uma janela a uma parte da Europa para enfrentar o desafio de conhecer os nossos irmãos e irmãs ortodoxos; ainda que também vimos a variedade da Igreja católica e de outras Confissões cristãs na Federação Russa», afirma o documento.

Durante os quatro dias de trabalho, o CCEE elegeu seu novo presidente, o cardeal Peter Erdö, arcebispo de Esztergom-Budapeste (Hungria), que estará à frente do Conselho até 2011.

O cardeal Erdo é actualmente o purpurado mais jovem do Colégio Cardinalício e foi um dos participantes no conclave para eleger o sucessor de João Paulo II. Entre os numerosos idiomas que fala, encontra-se o russo.

Por outro lado, na carta enviada ao Papa Bento XVI escrevem: «compartilhamos a sua profunda preocupação e dor pelo facto de que com as grandes mobilizações em curso de pessoas e cultura se corra o risco de utilizar a religião para justificar actos irracionais e de violência».

«Asseguramos-lhe o nosso esforço para promover o diálogo verdadeiro e a lógica do amor que se nos indicou na encíclica Deus Caritas est».

Desta forma e por ocasião do 50.º aniversário do Tratado de Roma que deu origem à União Europeia, os presidentes do CCEE acordaram celebrar em Junho de 2007, em Roma, um encontro entre professores de universidades europeias para aprofundar na relação entre a fé e a razão, que o Papa promoveu.

 

 

ESPANHA

 

PADRE VÍTOR MELÍCIAS PRESIDENTE

DA UNIÃO EUROPEIA DAS MISERICÓRDIAS

 

O Padre Vítor Melícias foi eleito presidente da União Europeia das Misericórdias (UEM) durante o VIII Congresso Internacional das Misericórdias, que decorreu em Pamplona, entre os dias 5 e 8 de Outubro. Eleito por unanimidade para a UEM, foi também eleito presidente emérito da Confederação Internacional das Misericórdias (CIM).

 

No mesmo escrutínio, Manuel de Lemos (actual secretário geral da União das Misericórdias Portuguesas) foi eleito vice-presidente.

Para além dos países que compõem a UEM (Itália, França, Espanha, Rússia, Luxemburgo, Ucrânia, Bielo-Rússia, Lituânia e Portugal), fazem parte da CIM, o Brasil, o México, a Índia, Moçambique, Angola e Timor.

Sob o tema da «Intergeracionalidade» e no âmbito do 300.º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Pamplona, o congresso reuniu cerca de 300 pessoas de diversas nacionalidades. Os grupos com maior representação foram Portugal e Brasil.

 

 

TIMOR LESTE

 

NOMEADO

NÚNCIO APOSTÓLICO

 

A Santa Sé nomeou no passado dia 10 de Outubro um novo Núncio Apostólico, D. Leopoldo Girelli, para Jacarta (Indonésia), que acumulará a representação diplomática da Santa Sé em Timor.

 

«A nomeação – não sendo novidade – pelo menos do ponto de vista de atenção e de representação da Igreja em Timor-Leste é bem vinda», D. Basílio do Nascimento, bispo de Baucau. Do ponto de vista institucional «vem colmatar a lacuna que faltava» – acentuou.

Em relação à criação da terceira diocese naquele país, D. Basílio do Nascimento frisou que fala-se muito, mas «julgo que o não preenchimento das condições exigidas vem da indefinição do Estado Timorense em relação à divisão do território». O Vaticano pretende que a divisão eclesiástica coincida com a divisão civil. O Estado Timorense pensou dividir o seu território em três regiões, mas neste momento «pensa-se dividir Timor em cinco regiões». Perante esta indefinição, o Vaticano «optou aguardar por uma definição mais concreta do Estado Timorense e depois decidirá em consonância». Depois das divisões territoriais, «poderemos ter uma conferência Episcopal» – finaliza o bispo de Baucau.

 

 

ROMA

 

ELEITO NOVO SUPERIOR GERAL

DOS IRMÃOS DE S. JOÃO DE DEUS

 

82 religiosos de todas as Províncias hospitaleiras dos cinco continentes, delegados da Ordem Hospitaleira de São João de Deus (Fatebenefratelli), reunidos em Roma para o 66.º Capítulo Geral, nomearam o Ir. Donatus Forkan novo Superior Geral.

 

O Ir. Forkan, eleito em 14 de Outubro passado, sucede ao Ir. Pascual Piles, no final do seu segundo mandato. Nascido em Kinaffe, Irlanda, em 1942, emitiu a profissão solene em 1966. Era membro do Conselho Geral dos hospitaleiros de S. João de Deus de 1994 a 2006.

«A hospitalidade de São João de Deus - explica o Ir. Donatus Farkan - deve ser mantida viva. Hoje, no mundo, temos tantos hospitais dotados de modernas tecnologias. É ali que nós procuramos fazer crescer o espírito do nosso fundador, porque a tecnologia sem uma alma pode ser desumanizadora para a pessoa. O hospital, como dizia o grande profeta da hospitalidade Ir. Pierluigi Marchesi, não é nem para nós, irmãos, nem para os colaboradores, mas para os enfermos. E todos nós como equipa devemos aspirar a oferecer o melhor serviço possível às pessoas que dele necessitam».

Os Irmãos de São João de Deus são uma das ordens de leigos religiosos mais antigas da Igreja. Foi instituída no século XVI para o cuidado e a assistência dos doentes e dos necessitados. Está presente nos cinco continentes com mais de 1300 irmãos e cerca de 300 obras em 49 nações; todos os dias, milhares de colaboradores, entre religiosos, médicos, enfermeiros, funcionários e voluntários, assistem em média 35 mil pacientes, graças também ao sustento de cerca de 300.000 benfeitores.

O crescimento da missão hospitaleira dos Irmãos de São João de Deus, e a queda do número de religiosos, estão entre os temas tratados neste Capítulo, no qual foi reiterada a importância de um maior envolvimento dos colaboradores leigos.

 

 

ITÁLIA

 

IV CONGRESSO NACIONAL

DA IGREJA ITALIANA

 

Terminou no passado dia 20 de Outubro, em Verona, o IV Congresso Nacional da Igreja italiana, que durante cinco dias reuniu 2.700 delegados, serviu para fazer uma avaliação sobre o caminho da Igreja na Itália nestes dez anos e traçaram também, novos desafios para os próximos dez anos.

 

No dia anterior, tinham recebido a visita de encorajamento e orientação do Papa Bento XVI. Os trabalhos foram concluídos com a apresentação das conclusões pelo presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), o Cardeal Camillo Ruini.

No seu discurso conclusivo, o Cardeal Ruini evidenciou a rápida transformação da sociedade, assim como a renovação da realidade eclesial. Ressaltou, também, a necessidade de uma pastoral diária que ajude os fiéis a não sofrer passivamente estas transformações, interpretando-as à luz do Evangelho.

Percorrendo os dez anos desde o último congresso (em Palermo, 1995), o presidente da CEI apontou as novas dificuldades como o incremento do terrorismo internacional de matriz islâmica. «O próprio despertar do Islão verifica-se acompanhado de outros importantes factos, que estão em curso e que apresentam como protagonistas grandes nações e civilizações, como a China e Índia, formando um cenário mundial bastante diferente daquele que se apoiava unicamente no Ocidente.»

O Cardeal Ruini falou das dramáticas situações de pobreza e subdesenvolvimento em numerosos países, sobretudo os de África. Daí, o papel dos cristãos chamados a construir uma sociedade de paz, caridade e presença de Deus, conscientes do seguimento de Cristo e da realidade histórica de sua Ressurreição.

Mencionando a questão antropológica, o Cardeal Ruini recordou situações em que os fiéis são chamados a afirmar a verdade de Cristo ressuscitado, como a defesa da vida desde a concepção. Sobre a família, pediu que sejam encontradas outras formas de união que evitem desestabilizar o conceito de família, e sublinhou a grandeza do compromisso dos leigos na Igreja.

O presidente da CEI ressaltou ainda a importância da acção missionária activa e concreta, para construir a esperança no mundo. Essa acção deve ser capaz de envolver os leigos e paróquias numa pastoral de conjunto.

A santidade como vocação ordinária para o cristão foi também evocada pelo Cardeal Ruini, bem como as dificuldades apresentadas pelo ambiente social e cultural para a realização dessa dimensão da vida. Sente-se, portanto, a necessidade da formação permanente voltada de modo particular para os jovens.

Fazendo memória do recente discurso proferido pelo Papa na Universidade de Ratisbona, na Alemanha, o Cardeal evidenciou a ligação constitutiva entre fé cristã e razão, entre verdade e liberdade. Diante disso, os cristãos devem manter um respeito cordial pelas outras religiões, sem por isso renunciar aos conteúdos da própria fé.

Por fim, o presidente da CEI reafirmou a centralidade de Cristo portador de esperança para o mundo, e o renovado impulso missionário deste IV Congresso Nacional da Igreja italiana.

 


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