6º Domingo Comum

D.M. do Doente

11 de Fevereiro de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vamos Todos Guiados, F. da Silva, NRMS 14

Salmo 30, 3-4

Antífona de entrada: Sede a rocha do meu refúgio, Senhor, e a fortaleza da minha salvação. Para glória do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a décima quinta Jornada Mundial do Enfermo. Ao doente com ao que tem saúde se propõe o bom uso da vida. Ela poderá ser pobre ou rica. Tudo dependerá da opção que cada um fizer. Vamos ouvir o apelo que o Senhor, nosso Amigo nos faz, para que, seguindo-o, a nossa existência terrena seja sempre caminho de paz, de alegria e verdadeira felicidade.

 

Oração colecta: Senhor, que prometestes estar presente nos corações rectos e sinceros, ajudai-nos com a vossa graça a viver de tal modo que mereçamos ser vossa morada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A vida é o bem mais precioso que o Senhor nos confiou. É importante saber fazer bom «negócio» com ela. O Profeta Jeremias, divinamente inspirado, diz-nos que o sucesso ou fracasso do nosso viver dependerá de confiarmos ou não no Senhor.

 

Jeremias 17, 5-8

5Eis o que diz o Senhor: «Maldito quem confia no homem e põe na carne toda a sua esperança, afastando o seu coração do Senhor. 6Será como o cardo na estepe que nem percebe quando chega a felicidade: habitará na aridez do deserto, terra salobre, onde ninguém habita. 7Bendito quem confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança. 8É como a árvore plantada à beira da água, que estende as suas raízes para a corrente: nada tem a temer quando vem o calor e a sua folhagem mantém-se sempre verde; em ano de estiagem não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos».

 

A composição de sabor sapiencial, que serve de portada ao Saltério, o Salmo 1, tem grande afinidade com este trecho do Profeta de Anatot. Porém aqui, para começar, em vez dum macarismo ou bem-aventurança, temos uma maldição que é de fazer pensar.

5 Este versículo está construído segundo o chamado paralelismo simétrico: «carne» é um sinónimo de homem, na sua condição de ser frágil; apoiar-se no que é frágil é cavar a sua própria ruína; só confiar no Senhor é que vale (v. 7).

 

Salmo Responsorial      Sl 1, 1-2.3.4.6 (R. Sl 39,5a)

 

Monição: Felizes aqueles que colocam a sua esperança na Cruz do Senhor.

 

Refrão:         Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor.

 

Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,

nem se detém no caminho dos pecadores,

mas antes se compraz na lei do Senhor,

e nela medita dia e noite.

 

É como árvore plantada à beira das águas:

fruto a seu tempo e sua folhagem não murcha.

Tudo quanto fizer será bem sucedido.

 

Bem diferente é a sorte dos ímpios:

são como palha que o vento leva.

O Senhor vela pelo caminho dos justos,

mas o caminho dos pecadores leva à perdição.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Chamados à vida por um gesto de amor, estamos destinados ao encontro com o Amor. A vida presente é a gestação que nos prepara para o encontro amoroso com Deus para com Ele viver por toda a eternidade, como nos é assegurado pela ressurreição de Jesus Cristo.

 

1 Coríntios 15, 12.16-20

Irmãos: 12Se pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, porque dizem alguns no meio de vós que não há ressurreição dos mortos? 16Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17E se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, ainda estais nos vossos pecados; 18e assim, os que morreram em Cristo pereceram também. 19Se é só para a vida presente que temos posta em Cristo a nossa esperança, somos os mais miseráveis de todos os homens. 20Mas não. Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.

 

16-17 «Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou». Os cristãos de Corinto aceitavam a ressurreição de Cristo, uma verdade que pertencia ao núcleo essencial da fé anunciada, o «kérigma» (cf. nota 3-7 da II leitura do domingo anterior), mas talvez influenciados pelas filosofias gregas (cf. Act 17, 32), que consideravam a matéria má e o corpo um cárcere de que a alma se libertava ao morrer, mostrariam uma certa descrença quanto à ressurreição geral, aliás também negada pelos saduceus (cf. Mt 22, 23; Act 23, 7).

Paulo apoia-se num facto indiscutível, a ressurreição de Cristo, para demonstrar a possibilidade e a própria verdade da ressurreição universal. Argumenta ab absurdo, desenvolvendo de maneira convincente todas as consequências absurdas da hipótese de não existir ressurreição dos mortos; então também Cristo não teria ressuscitado. Neste caso, a pregação e a fé seriam totalmente vãs, vazias de sentido; os Apóstolos seriam falsas testemunhas de Deus, e os crentes estariam totalmente enganados; os que morreram teriam perecido para sempre (Paulo não considera aqui a salvação da alma separada do corpo, embora noutros textos a admita: cf. 2 Cor 5, 2-3.7); e os cristãos que vivem não só permaneceriam no pecado, como seriam «os mais miseráveis de todos os homens», pois, tendo renunciado a gozar tantos dos prazeres fáceis desta vida, ficavam incapacitados de alcançar a vida eterna, ganha pelo mistério pascal de Cristo.

20 «Como primícias dos que morreram», isto é, como os primeiros frutos que pela Lei pertenciam a Deus (os israelitas não podiam comer da nova colheita, sem as suas primícias terem sido oferecidas a Yahwéh). Cristo, que assumiu a nossa natureza e nos fez participar da sua vida divina, também assim nos precede em dignidade e no tempo, ressuscitando primeiro (cf. v. 23). Mas, este «primeiro» – primícias – não é meramente cronológico, pois é a causa eficiente e exemplar da ressurreição de todos os que estão unidos a Ele, e que já vivem como ressuscitados. Por outro lado, Cristo antecipou para Si o fim dos tempos em que se dará a ressurreição universal. Note-se como S. Paulo não foca a perspectiva da ressurreição dos condenados que aliás não nega (cf. Jo 5, 29), pois esse não era o ponto que estava em questão.

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 6, 23ab

 

Monição: Com fé e alegria escutemos a Palavra, cheia de esperança, que o Senhor nos vai dirigir.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Alegrai-vos e exultai, diz o Senhor,

porque é grande no Céu a vossa recompensa.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 6, 17.20-26

Naquele tempo, 17Jesus desceu do monte, na companhia dos Apóstolos, e deteve-Se num sítio plano, com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidónia. 20Erguendo então os olhos para os discípulos, disse: 21Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. 22Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e prescreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. 23Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa. Era assim que os seus antepassados tratavam os profetas. 24Mas ai de vós, os ricos, porque já recebestes a vossa consolação. 25Ai de vós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome. Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar. 26Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem. Era assim que os seus antepassados tratavam os falsos profetas.

 

Temos hoje o início de todo um conjunto (vv. 20-49) de ensinamentos de Jesus que em Lucas corresponde, em boa parte, ao «sermão da montanha» de Mt 5 – 7. Começa também pelas «Bem-aventuranças», mas há diferenças entre as 8 Bem-aventuranças de Mt 5, 3-10 e estas 4 (mais directas, porque na 2.ª pessoa do plural: «vós»), seguidas de 4 antíteses, que faltam em S. Mateus. É verosímil que Jesus repetisse, com algumas variantes, a mesma pregação em sítios e ocasiões diferentes; por outro lado, cada evangelista, inspirado por Deus, não deixa de ser um verdadeiro autor, e, como tal, pode produzir variantes redaccionais, ao escrever as palavras de Cristo, pensando no proveito dos seus imediatos destinatários: Mateus adaptando-se a cristãos vindos do judaísmo; Lucas, aos vindos do paganismo, por isso faz notar que seguiam Jesus pessoas vindas de zonas gentílicas, «do litoral de Tiro e Sidónia» (v. 17). Daí um diferente trabalho de resumir, agrupar e explicar as palavras do Senhor (cf. Dei Verbum, n.° 19). Isto bastaria para acharmos normal uma diferente redacção das Bem-aventuranças pelos dois evangelistas. De qualquer modo, muitos exegetas inclinam-se para que a formulação de S. Lucas, mais simples, directa e contundente, com o recurso ao paralelismo antitético, ao jeito semita, esteja mais próxima das palavras do Senhor; S. Mateus faz ressaltar mais o sentido espiritual das palavras de Jesus, patenteando a sua ressonância vétero-testamentária.

17 «Num sítio plano». Em Mateus temos um «monte»; em face do que acabámos de dizer, não precisamos de recorrer ao subterfúgio da «encosta» do monte para resolver a discrepância entre Lucas e Mateus; este ao escrever para cristãos vindos do judaísmo pretenderia que o leitor visse no «monte» uma alusão ao novo Sinai, onde o novo Moisés promulga a nova Lei.

20 «Bem-aventurados vós, os pobres». O facto de S. Lucas não acrescentar, como Mt 5, 3 «em espírito», não significa que pretendia inculcar um ideal de pobreza diferente; pensa-se que seja a linguagem mais próxima da de Jesus.

25-26 «Mas ai de vós!» Com estes quatro «ais», Jesus não lança maldições, mas sim um sério alerta para todos, para não se deixarem seduzir por falsas miragens: a sedução dos bens do mundo (v. 24), da gula (v. 25a), do gozo hedonista (v. 25b), da vanglória e ambição de honrarias e aplauso humano (v. 26).

 

Sugestões para a homilia

 

Depois dos Anjos, somos as criaturas mais perfeitas saídas das mãos de Deus. Ele, que nos ama com amor infinito, criou-nos para a felicidade.

Importa saber fazer opções acertadas na vida.

A ressurreição de Jesus garante a nossa felicidade eterna.

Iluminados pela Palavra de Deus vamos fazer render com generosidade a nossa vida.

 

«Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor.»

 

1.Criado à imagem e semelhança de Deus, o Homem é dotado de inteligência, vontade e liberdade. É assim o rei da criação. Os sucessos ou fracassos da vida humana dependerão da boa ou má utilização destes dádivas maravilhosas. Existem homens que nascidos de famílias carenciadas se tornaram possuidores de grandes riquezas e outros oriundos de famílias ricas acabaram por ficar reduzidos a extrema miséria. A parábola do filho pródigo ilustra também esta amarga realidade. O que se verifica nos bens materiais, pode verificar-se também nos espirituais.

Os Santos foram homens de sucesso. E todos nós fomos criados para sermos santos. Deus, nosso Pai, que é omnipotente e nos ama com Amor infinito, criou-nos para a felicidade. Tem mesmo um projecto de amor e por isso portador de felicidade, para cada um de nós. Descobrir e seguir esse projecto é acertar com o melhor «negócio» que podemos realizar na vida. A fé, confirmada pela experiência, diz-nos que felicidade é sinónimo de santidade, isto é, seremos tanto mais felizes quanto mais santos. Os projectos de Deus a nosso respeito são pois projectos de santidade. Fomos todos criados para sermos homens de sucesso, isto é para sermos santos. As Leituras da Missa de hoje dão-nos pistas para não nos deixarmos enganar nos rumos da vida, que, livremente, devemos seguir.

 

2. O Profeta Jeremias ao afirmar «maldito o homem que confia noutro homem», chama a nossa atenção para não pormos confiança exclusiva nos valores propostos pelos homens. Os sucessos terrenos tais como o dinheiro e as glórias deste mundo soam a falso. Foi uma reflexão sobre essa falsidade que modificou de uma forma radical vidas como as de Santo Agostinho, S. Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola, S. Francisco Xavier e tantos outros. Com as corajosas e acertadas opções que então fizeram, passaram a experimentar já nesta vida verdadeira liberdade e grande felicidade. Suas vidas passaram a experimentar segurança, alegria e bem-estar semelhante à da «árvore plantada à beira da água que nada tem a temer... e não deixa de produzir os seus frutos».

No Evangelho Jesus diz claramente que o projecto que nos propõe passa pelas bem-aventuranças: «Bem-aventurados vós, os pobres, os que agora tendes fome, que chorais,... alegrai-vos porque é grande no Céu a vossa recompensa». É dentro desta lógica divina que devemos encarar com serenidade, realismo e aceitação as nossas limitações e doenças com suas dores. Tudo se pode e deve transformar em grande riqueza. A dor, além de passageira, tem repercussões de eternidade. Os sofrimentos tornar-se-ão mesmo menos dolorosas na medida em que forem aceites com resignação, e expiação pelos pecados do mundo. Sofrer por amor é já sofrer menos. O Senhor por todos morreu, a todos quer salvar. Nossa Senhora lembra-nos «que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas». De quanto proveito pode ser o nosso sofrimento!

 

3. Fomos criados para sermos felizes no tempo e por toda a eternidade. A ressurreição de Jesus, como nos lembra S. Paulo na segunda leitura da Missa de hoje é garantia da nossa própria ressurreição. «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram». Partiremos para essa pátria eterna com mais ou menos merecimentos conforme soubemos viver estes sempre breves dias da vida.

 

4. Cada vez mais conscientes do real valor da vida e da precariedade das criaturas, vamos aceitar com generosidade o projecto que Deus, na Sua misericórdia infinita, sonhou para cada um de nós, ainda que tal tenha que passar pelos caminhos da doença e do sofrimento. Estaremos assim a fazer a melhor opção da vida. Para este acerto precisamos da oração e do alimento e luz que nos vem da Palavra de Deus. Só assim é possível não nos deixarmos enganar pelas propostas, por vezes aliciantes, que o mundo nos queira apresentar. Jesus, Caminho, Verdade e Vida indica-nos os caminhos das bem-aventuranças. Confiemos n’Ele. Seguindo as Suas propostas, amaremos a Deus sobre todas as coisas e os irmãos, pelo Seu amor. Confiados na Sua misericórdia infinita, da qual sempre precisamos, chegaremos à pátria eterna, onde poderemos proclamar com alegria, com todos os bem-aventurados «Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor».

 

Fala o Santo Padre

 

dado que à hora do fecho da edição deste número da CL, a Mensagem do Papa Bento XVI por ocasião do Dia Mundial do Doente de 2007, ainda não estava disponível, publicamos a do ano transacto.

 

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

POR OCASIÃO DO XIV DIA MUNDIAL DO DOENTE 2006

 

Queridos irmãos e irmãs

No dia 11 de Fevereiro de 2006, memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, vai realizar-se o XIV Dia Mundial do Doente. No ano passado, este Dia teve lugar no Santuário mariano de Mvolyé em Iaundé, e nessa ocasião os fiéis e os seus Pastores, em nome de todo o Continente africano, confirmaram o seu compromisso pastoral em prol dos enfermos. O próximo Dia realizar-se-á em Adelaide, na Austrália, e as manifestações culminarão com a Celebração eucarística na Catedral dedicada a São Francisco Xavier, incansável missionário das populações do Oriente. Em tal circunstância, a Igreja deseja debruçar-se com particular solicitude sobre as pessoas que sofrem, chamando a atenção da opinião pública para os problemas ligados às doenças mentais, que já atingem um quinto da humanidade e constituem uma verdadeira e própria emergência sociomédica. Recordando a atenção que o meu venerado predecessor João Paulo II reservava a esta celebração anual, também eu caros irmãos e irmãs, gostaria de estar espiritualmente presente no Dia Mundial do Doente, para me deter e reflectir em sintonia com os participantes, sobre a situação dos doentes mentais no mundo e para solicitar o compromisso das Comunidades eclesiais, em vista de lhes manifestar o dócil testemunho da misericórdia do Senhor.

Em muitos países ainda não existe uma legislação a este propósito, enquanto noutros falta uma política definida para a saúde mental. Além disso, há que observar que o prolongamento dos conflitos armados em diversas regiões da terra, a sucessão das ingentes calamidades naturais e a difusão do terrorismo, além de causar um número impressionante de mortos, em não poucos sobreviventes têm gerado traumas psíquicos, por vezes dificilmente recuperáveis. Depois, nos países em que o desenvolvimento económico é elevado, na origem das novas formas de mal-estar mental os especialistas reconhecem também a influência negativa da crise dos valores morais. Isto aumenta o sentido de solidão, debilitando e até mesmo comprometendo as tradicionais formas de coesão social, a começar pela instituição da família, e marginalizando os enfermos, particularmente os doentes mentais, muitas vezes considerados como um peso para a família e para a comunidade.

Aqui, gostaria de prestar homenagem a quantos, de diversas maneira e a vários níveis, trabalham para que não venha a faltar o espírito de solidariedade, mas que se persevere no cuidado destes nossos irmãos e irmãs, buscando inspiração nos ideais e princípios humanos e evangélicos.

Portanto, encorajo os esforços de todas as pessoas comprometidas a fim de que todos os doentes mentais tenham acesso aos cuidados necessários. Infelizmente, em muitas regiões do mundo os serviços destinados a estes enfermos resultam ser carentes, insuficientes ou em estado de desagregação. O contexto social nem sempre aceita os doentes mentais com as suas limitações, e é também por este motivo que se verificam dificuldades para encontrar os necessários recursos humanos e financeiros. Sente-se a necessidade de integrar melhor o binómio terapia apropriada e nova sensibilidade diante da dificuldade, de maneira a permitir que os agentes comprometidos neste sector vão mais eficazmente ao encontro daqueles enfermos e das respectivas famílias que, sozinhas, não seriam capazes de acompanhar adequadamente os parentes em dificuldade. O próximo Dia Mundial do Doente constitui uma circunstância oportuna para expressar a própria solidariedade às famílias com doentes mentais para cuidar.

Agora, desejo dirigir-me a vós, prezados irmãos e irmãs provados pela enfermidade, para vos convidar a oferecer ao Pai, juntamente com Cristo, a vossa condição de sofrimento, convictos de que cada provação acolhida com resignação é meritória e atrai a benevolênca divina sobre a humanidade inteira. Exprimo o meu apreço a quantos vos assistem nos centros residenciais, nos Day Hospitals, nos Departamentos de diagnóstico e de cura, e exorto-os a prodigalizarem-se para que aos necessitados nunca venha a faltar uma assistência médica, social e pastoral respeitosa da dignidade que é própria de cada ser humano. A Igreja, especialmente mediante o trabalho dos capelães, não deixará de vos oferecer a sua ajuda, consciente de que está chamada a manifestar o amor e a solicitude de Cristo para com quantos sofrem e para com aqueles que cuidam dos doentes. Aos agentes pastorais, às associações e às organizações de voluntariado recomendo que ofereçam a sua ajuda, mediante formas e iniciativas concretas, às famílias com doentes mentais para cuidar, em relação aos quais formulo votos a fim de que aumente e se difunda a cultura do acolhimento e da partilha, graças também a leis adequadas e a planos de saúde que prevejam recursos suficientes para a sua aplicação concreta. Mais urgentes do que nunca são a formação e a actualização do pessoal que trabalha num sector tão delicado da sociedade. Em conformidade com a tarefa e a responsabilidade que lhe são próprias, cada cristão está chamado a oferecer a sua contribuição, para que a dignidade destes nossos irmãos e irmãs seja reconhecida, respeitada e promovida.

Duc in altum! Esta exortação de Cristo a Pedro e aos Apóstolos, dirijo-a às Comunidades eclesiais espalhadas pelo mundo e, de modo especial.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs caríssimos:

Invoquemos Jesus Cristo

Que prometeu a felicidade

Aos que têm fome e sede de justiça,

E digamos cheios de confiança:

 

R. Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1.  Pelo nosso Bispo e pelos Presbíteros e Diáconos,

Para que, no fervor da fé e do testemunho,

Anunciem que Jesus ressuscitou dos mortos,

Oremos, irmãos.

 

2.  Pelos pobres para que o Senhor lhes dê esperança,

e pelos ricos, ara que lhes converta o coração

e lhes dê gosto de repartir com quem não tem,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos que têm fome, para que encontrem o pão de cada dia

e pelos que vivem na abundância,

para que tenham fome de Deus e da sua justiça,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos que choram enquanto vivem neste mundo,

para que o Senhor os console no seu amor,

e pelos que riem, para que lhes purifique os sentimentos,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos doentes e todos os sofrem

para que Jesus os una à Sua Paixão,

e lhes revele o mistério da Sua Cruz gloriosa,

Oremos, irmãos.

 

 

Senhor Jesus Cristo,

Que quiseste experimentar a perseguição e a pobreza,

A fome, a incompreensão e a dor,

Dai-nos a graça de sentir a força da vossa ressurreição

E ensinai-nos a falar da felicidade que a todos prometeis.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Levamos ao Vosso Altar, M. Borda, NRMS 43

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que estes dons sagrados nos purifiquem e renovem, para que, obedecendo sempre à vossa vontade, alcancemos a recompensa eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Monição da Comunhão

 

Jesus ressuscitado está connosco, realmente presente na Sagrada Comunhão. Ele é penhor de vida eterna, fonte de paz, alegria felicidade. Vamos recebê-l'O com muito amor para que possamos dizer com sinceridade «já não sou eu que vivo, é Ele que vive em mim.» Com Ele sempre venceremos.

 

Cântico da Comunhão: Bem Aventurados os que Têm Fome, Az. Oliveira, NRMS 63

Salmo 77, 24.29

Antífona da comunhão: O Senhor deu-lhes o pão do Céu: comeram e ficaram saciados.

 

ou

Jo 3, 16

Deus amou tanto o mundo que Ihe deu o seu Filho Unigénito. Quem acredita n'Ele tem a vida eterna.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão do Céu, concedei-nos a graça de buscarmos sempre aquelas realidades que nos dão a verdadeira vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Iluminados pela luz que nos vem do Evangelho, vamos estar mais atentos ao real valor das coisas para não corrermos o risco de as trocar pelo Senhor de todas elas.

Que nenhum momento desta semana seja perdido para a eternidade.

 

Cântico final: Ao Deus do Universo, J. Santos, NRMS 1(I)

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

feira, 12-II: A ‘invasão’ do pecado (I).

Gen. 4, 1-15. 25 / Mc. 8,11-13

O Senhor olhou benignamente para Abel e para a sua oferta mas, para Caim e para a sua oferta, não quis olhar.

Por causa da inveja, Caim levou a cabo o primeiro crime da história da humanidade. E, «a partir deste primeiro pecado, uma verdadeira’invasão’ de pecado inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim na pessoa de Abel (cf. Leit.)» (CIC, 401).

Façamos hoje um propósito de nos defendermos desta ‘invasão’ do pecado, afastando-nos das ocasiões de pecado (espectáculos, ambientes não condizentes com a condição de cristãos), protegendo os nossos sentidos, etc.

 

feira, 13-II: A ‘invasão’ do pecado (II)

Gen. 6, 5-8; 7, 1-5. 10 / Mc. 8, 14-21

O Senhor viu que era grande sobre a terra a malícia e que do homem os projectos do seu coração eram sempre e unicamente para o mal.

Depois do primeiro crime, origina-se uma verdadeira ‘invasão’ do pecado: «a corrupção universal como consequência do pecado (cf. Leit.)» (CIC, 401).

Apesar de tal ambiente de corrupção, há um homem que é fiel e atrai a graça de Deus: Noé (cf. Leit.). Esta invasão do pecado continua também nos nossos dias. Se Deus encontrar homens e mulheres fiéis desistirá do castigo sobre a humanidade. A última parte do ‘segredo’ de Fátima mostrou como as penitências evitaram maiores catástrofes.

 

feira, 14-II: S. Cirilo e Metódio: A nova evangelização da Europa.

Act. 13, 46-49 / Lc. 10, 1-9

Designou o Senhor setenta e dois discípulos e mandou-os em missão dois a dois…a todas as cidades e lugares.

Em muitos lugares os discípulos foram rejeitados pelos judeus e, por isso, foi necessário voltar-se para os pagãos (cf. Leit.).

Esta mesma cena se repetiu no século IX com os irmãos Cirilo e Metódio, que foram enviados a evangelizar os povos eslavos. Além de uma intensa actividade evangelizadora, conseguiram também preparar os textos litúrgicos em língua eslava, pondo à disposição daqueles povos a riqueza da palavra de Deus. Peçamos aos Santos Padroeiros da Europa que todos os países acolham bem a palavra de Deus.

 

feira, 15-II: Vencer a ignorância acerca de Jesus.

Gen. 9, 1-13 / Mc. 8, 27-33

Jesus perguntou-lhes: E quem dizeis vós que eu sou? Pedro tomou a palavra: Tu és o Messias.

Também actualmente muitas pessoas ficariam atrapalhadas para responder a esta pergunta de Jesus (cf. Ev.).

Mas a maior ignorância será o desconhecimento de tantos mistérios sobrenaturais. O próprio S. Pedro não entende o valor salvífico da paixão e morte do Senhor, procurando impedi-lo. É preciso vencer esta ignorância através da leitura do Novo Testamento. Também é interessante conhecer o conteúdo da ‘Aliança cósmica’ estabelecida com Noé (cf. Leit.): ajuda a conhecer melhor o valor da terra e dos animais.

 

feira, 16-II: Caminhos para chegar ao Céu.

Gen. 11, 1-9 / Mc. 8, 34-39

Vamos edificar para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus.

Esta decisão manifesta «o orgulho duma humanidade decaída que, unânime na sua perversidade, pretendia refazer por si mesma a própria unidade, à maneira de Babel (cf. Leit.)» (CIC, 57).

O homem quer chegar à felicidade, sem a ajuda de Deus, mas este episódio mostrou que isso era impossível. O verdadeiro caminho é o indicado por Cristo: «quem quiser salvar a sua própria vida há-de perdê-la; mas quem perder a vida por causa de mim e da Boa Nova há-de salvá-la» (Ev.).

 

Sábado, 17-II: A luz que vem da fé.

Heb. 11, 1-7 / Mc. 9, 2-13

(Jesus) transfigurou-se diante deles: as vestes tornaram-se brilhantes, muitíssimo brancas.

Esta cena é como um ícone da contemplação cristã (João Paulo II). É muito conveniente levarmos à nossa oração pessoal os acontecimentos do dia, para conseguirmos ver claramente, com nova luz, o seu significado. É com a luz da fé que chegamos mais além: «a fé constitui…a prova de que existem coisas que não se vêem» (Leit.)

Também cada um de nós há-de ser um reflexo da glória do Senhor para ajudar os outros a caminhar para Deus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:                     Alves Moreno

Nota Exegética:                       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                            Duarte Nuno Rocha

 


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