5º Domingo Comum

04 de Fevereiro de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo Jesus, Tu me Chamastes, H. Faria, NRMS 30

Salmo 94, 6-7

Antífona de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. O Senhor é o nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste domingo são-nos apresentadas duas vocações: a de um profeta, Isaías, e a dos apóstolos. Em ambas, os protagonistas tiveram a percepção da sua grande fraqueza e indignidade para anunciarem a Palavra de Deus.

Todavia, é precisamente destes homens que Deus se serve para levar adiante o seu projecto.

Do mesmo modo, todos nós, cada um a seu modo, somos chamados por Cristo a cooperar nesta missão, pois, apesar da nossa indignidade, Deus nos purifica e efectua obras excepcionais com a nossa colaboração.

 

Oração colecta: Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa protecção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nesta primeira leitura vamos apreciar a atitude de Isaías que, ao contactar com a palavra de Deus, não deixa de corresponder ao chamamento que lhe é feito, embora se sinta indigno de tal vocação.

 

Isaías 6, 1-2a.3-8

1No ano em que morreu Ozias, rei de Judá, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. 2aÀ sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um 3e clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra!» 4Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia-se de fumo. 5Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». 6Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. 7Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». 8Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

 

É curioso que o relato da vocação de Isaías não apareça, como em Jeremias e Ezequiel, no início do livro, mas aqui, como a abertura do chamado «livro do Emanuel» (Is 7 –12). Isto deve-se a que os livros proféticos, tais como os temos, foram precedidos, em geral, de colecções parciais que, depois, vieram a unir-se num só volume, bastante desordenadamente. «No ano da morte do rei Osias». Julga-se que foi no ano 740 (ou no ano 738) a. C., mas ainda em vida deste rei (cf. Is 1, 1).

2 «Serafins». Considerados seres angélicos. É a única vez que são nomeados em toda a Sagrada Escritura. O nome, que significa «Ardentes» ou «Abrasadores» (semelhantes ao fogo), pode indicar tanto o fervor para com Deus (vv. 3-4), como o papel que um deles desempenha de purificar com o fogo (v. 6) o próprio profeta.

3 «Santo, Santo, Santo», isto é, santo no grau mais elevado: para exprimir o superlativo, em hebraico é frequente repetir duas vezes o adjectivo; aqui repete-se três vezes! Os Padres viram neste triságio uma alusão ao mistério da SSª Trindade.

Esta experiência mística única, no início da vocação do profeta, havia de marcar toda a sua vida; ele vem a ser o profeta por excelência da santidade e transcendência divina e tem o seu modo próprio de designar Deus, o «Santo de Israel» (1, 4; 5, 19.24; 10, 17.20; 41, 14..16.20; etc., ao todo umas 26 vezes, quando no resto da Bíblia se diz apenas 5 vezes); A própria Liturgia havia de fazer seu este Sanctus.

5 «Ai de mim...» Perante a revelação da sublime grandeza de Deus, Isaías fica deveras estarrecido, ao tomar consciência do abismo da sua pequenez e indignidade, para poder estar diante da sua santíssima presença (pensava-se mesmo que não se podia ver a Deus sem morrer), e sente mais vivamente a sua indignidade precisamente naquele ponto no qual Deus se queria apoiar para o transformar em seu arauto: os seus lábios.

«Senhor do Universo, em hebraico», Yahwéh tsebaôth, «Senhor dos Exércitos», indica a Deus enquanto Rei, isto é, chefe, não só dos exércitos de Israel, mas também dos exércitos celestes, que incluem não só os anjos mas também os astros, todo o Universo; daí que actualmente tenhamos adoptado uma tradução que, por um lado é inteligível (Tsabaot não nos diz nada) e, por outro lado, evita todo o aspecto bélico, e, além disso, tem em conta a correspondente tradução grega: Pantocrátor.

8 «Quem enviarei? Quem irá por nós?» É significativa esta passagem do singular ao plural: quem dá a vocação é só Deus, mas Deus digna-se associar os Anjos (aqui, os Serafins) à execução dos seus planos (não se trata duma revelação antecipada do mistério da SS. Trindade).

«Eis-me aqui: podeis enviar-me». É extraordinária esta afoiteza do profeta, após aquela primeira sensação de pavor. A cena passa-se no Templo (v. 1, em hebraico no hekal, isto é, na sala que precede o debir, ou Santo dos Santos, quer dizer, o lugar mais santo de todos).

 

Salmo Responsorial      Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5.7c-8 (R. 1c)

 

Monição: O salmo que vamos recitar suscita em nós uma oração de agradecimento e de louvor, celebrando a experiência do atendimento de Deus aos nossos pedidos.

 

Refrão:         Na presença dos Anjos,

                      eu Vos louvarei, Senhor.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

A vossa mão direita me salvará,

o Senhor completará o que em meu auxílio começou.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 

Segunda Leitura *

 

Monição: A certeza da fé baseia-se num factor: a ressurreição de Cristo. Paulo recorda o ensinamento tradicional da Igreja e confirma-o, enumerando as testemunhas que viram Cristo ressuscitado.

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

1 Coríntios Cor 15, 1-11;      forma breve: 1 Coríntios 15, 3-8.11

[1Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis 2e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão.]

3Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, 4segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, 5e apareceu a Pedro e depois aos Doze. 6Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. 7Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. 8Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo.

[9Porque eu sou o menor dos Apóstolos e não sou digno de ser chamado Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus. 10Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte,] 11tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes.

 

1-7 Temos aqui uma das mais ricas passagens do Novo Testamento onde se contém o kérigma primitivo, o núcleo da própria pregação apostólica em ordem a chamar à fé os ouvintes, e que depois servia de base à catequese dos neófitos. Este testemunho de excepcional valor acerca da ressurreição de Cristo, escrito uns 25 anos após, é condizente com os testemunhos posteriores dos quatro Evangelhos. Não podia, pois, tratar-se de uma mistificação, só possível a longo prazo, demais que as testemunhas se contavam às centenas e, então, «a maior parte ainda vive» (v. 6). E a fé pregada por S. Paulo não é nenhuma teoria à mercê de gostos ou caprichos, tem um conteúdo objectivo, que tem de ser conservado na sua integridade, para levar à salvação: «Sereis salvos, se o conservardes como eu vo-lo anunciarei» (v. 2).

3 «Morreu pelos nossos pecados». Este é um ponto capital da fé: a morte de Cristo tem valor redentor. «Segundo as Escrituras»: isto é dito tanto da Morte como da Ressurreição de Jesus (cf. Lc 24, 25-27); para a Morte, ver Is 53; Salm 22 (21); para a Ressurreição, ver Salm 16 (15), 8-11 (cf. Act 2, 25-32); e também Os 6, 2 (texto de referência possível, embora não citado explicitamente no N. T.).

7 «Apareceu a Tiago». Só desta aparição é que não temos mais testemunhos no Novo Testamento. Este seria «o primo (irmão) do Senhor», chefe da Igreja de Jerusalém, cuja identidade com o Apóstolo Tiago Menor é muito discutida. Terá sido só após a Ressurreição que os familiares («irmãos») de Jesus começaram a acreditar n’Ele.

8 «Como o abortivo». De facto Paulo veio à luz da fé de modo anormal e violento. Pode ser que o Apóstolo fale aqui com certa ironia, tendo em conta esta maneira com que os adversários o apodariam para o desacreditar. De qualquer modo, a expressão vinca bem o milagre da sua conversão, que não foi fruto duma evolução lenta e progressiva do seu pensamento, como pensam alguns, o que esbate a força do estrondoso milagre moral duma conversão que é um poderoso motivo de credibilidade a favor da verdade do cristianismo.

9-10 Aqui se vê a autêntica humildade do Apóstolo, que nada tem de deprimente complexo de inferioridade; é que Paulo tem uma consciência tão clara da sua indignidade (v. 9), como, por outro lado, da graça que nele actua: «pela graça de Deus sou aquilo que sou» (v. 10).

11 «Tanto eu como eles assim é que pregamos». Fica clara a identidade entre a pregação de Paulo e a dos Apóstolos – «transmiti-vos o que eu mesmo recebi» (v. 3) –; na passagem paralela de 1 Cor 11, 23, diz, a propósito da Eucaristia: «eu recebi do Senhor o que precisamente vos transmiti», o que indica um ensino recebido da tradição da Igreja primitiva, com origem no Senhor (em grego apó toû Kyríou), não necessariamente do próprio Jesus (então diria melhor: pará toû Kyríou).

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 4, 19

 

Monição: O chamamento dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus, para que sejam anunciadores da Sua Boa Nova.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Vinde comigo, diz o Senhor,

e farei de vós pescadores de homens.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 5, 1-11

Naquele tempo, 1estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré 2e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. 3Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». 5Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». 6Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. 7Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. 8Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». 9Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. 10Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». 11Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

 

Após esta pesca milagrosa, que antecipa simbolicamente a futura missão apostólica dos discípulos, Lucas apresenta, só agora e sinteticamente, o seu chamamento – centrado na pessoa de Simão Pedro –, os quais «deixaram tudo e seguiram Jesus» (v. 11), ao passo que os outros Sinópticos narram esse chamamento com mais pormenor e logo no início do ministério público do Senhor (Mc 1, 18-22; Mt 4, 16-20; cf. Jo 1, 35-51).

8 «Afasta-te de mim». Isto não quer dizer que Simão queira que Jesus fuja dele, apenas pretende expressar o sentimento de humildade de quem se sente indigno de estar na presença do Senhor; Pedro começa a dar conta da maneira singular como Deus está presente em Jesus, por isso sente tão ao vivo a sua condição de pecador. Esta reacção tão natural e tão sobrenatural é semelhante à de Isaías, perante o divino – tremendum et fascinans – da 1.ª leitura.

10 «Serás pescador de homens». O episódio tem um quê de paradigmático. Esta vai ser a missão da Igreja (cf. Mt 28, 18-20) – «fazer-se ao largo e lançar as redes para a pesca» (cf. v. 4) –, mas, como então, os discípulos, se trabalharem em nome próprio, afadigam-se «sem apanhar nada» (v. 5a); se, porém, lançam as redes em nome do Senhor – «já que o dizes» ( v. 5b) –, então o resultado será deveras maravilhoso (vv. 6-7).

 

Sugestões para a homilia

 

A experiência de Isaías

A reacção dos Apóstolos

A nossa resposta

A experiência de Isaías

Ao nos compararmos com as pessoas que estão ao nosso lado, pode acontecer que tenhamos a tentação de nos reconhecermos justos. Todavia, quando nos confrontamos seriamente com Deus, fazemos a dramática experiência da nossa pequenez.

Assim aconteceu com Isaías. Ele não teve qualquer visão, mas conta em forma figurada a experiência interior do seu contacto com Deus. Aí descobre que o Senhor o escolheu para ser profeta. Embora perplexo e agitado, toma consciência da própria fraqueza e sente medo da missão que lhe está confiada. Apesar de se sentir indigno, não tem dúvidas. Diz com prontidão: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

A reacção dos Apóstolos

Pedro também teve uma reacção muito semelhante à de Isaías e àquela que nós habitualmente tomamos ao sermos interpelados por Jesus. Quando o Mestre o mandou fazer-se ao largo com a sua barca ele pensou – como pescador experiente – que tal ordem era insensata, por não ser hora para pescar. Mas, confiado na sua palavra, lançou as redes e o resultado não se fez esperar. Que concluir deste episódio?

Notemos nos pormenores significativos desta narrativa: a proclamação da Palavra de Deus é feita a partir da barca de Pedro. A barca representa a comunidade cristã. É aí que ressoa a voz do Mestre. Nela se encontram, certamente, pessoas nem sempre impecáveis, perfeitas, santas. Mas, embora ocupada por pecadores, é desta barca que ressoa a palavra de Cristo.

Um segundo pormenor é que esta palavra é anunciada em dia de trabalho e num lugar não sagrado, sinal de que tal palavra deve aclarar, encaminhar e alumiar todas as actividades dos homens.

Pedro guia a barca para o lugar indicado, informação clara de que é ele que deve escutar com atenção a palavra do Senhor para depois, conjuntamente com os Apóstolos, a proclamar com fidelidade, como o Senhor deseja e não como Pedro entenda que deve ser.

As redes são lançadas em pleno dia contra a lógica dos pescadores. Eles pensam ser uma tarefa inútil, mas no fim o resultado é inesperado.

Também hoje a harmonia nas famílias, nas nações, no mundo, não conseguem resultados eficazes por serem ditados pela «sabedoria dos homens», porque as propostas feitas de perdão, de reconciliação a todo o custo, de oferecer a outra face, de perdoar as dívidas – que estão de harmonia com o Evangelho – são ridicularizadas e esquecidas. Enquanto não tivermos a coragem de confiar na Palavra do Mestre, não conseguiremos concretizar nenhuma obra de libertação.

Finalmente, o centro do episódio. A tarefa a desempenhar pelos seguidores de Jesus: serem pescadores de homens, ajudando-os a viver, principalmente os que se sentem enredados nos seus vícios, dados às suas paixões, que se arruínam a si mesmos e aos outros.

A nossa resposta

É esta a tarefa que Deus espera de todos nós, cristãos: tirar da condição desesperada todo aquele que se arrisca a ser enleado no egoísmo, na mentira, na violência, no ódio, na guerra, na corrupção moral, na destruição da família.

Conseguir salvar de tal tragédia todo aquele que connosco se cruza, terá de ser a nossa resposta. Demonstrar com o nosso testemunho que é possível construir uma sociedade fundada em sãos princípios: no perdão, na partilha dos bens, no serviço mútuo, no respeito pelos outros. Só assim conseguiremos ser testemunhas da ressurreição de Cristo, de que nos fala a segunda leitura.

Que serviço concreto poderemos prestar aos homens nossos irmãos?

Como Isaías e como os Apóstolos, não podemos recusar a assunção do ministério que a comunidade espera de nós, pois a nossa fraqueza, o nosso comodismo, a nossa instalação ou os nossos pecados não podem ser um obstáculo à sua aceitação. O Senhor nos irá purificando, pouco a pouco, na medida em que nos confiarmos ao anúncio vivencial da sua Palavra.

Já pensamos também, que as nossas comunidades eclesiais precisam de todos nós: como leitores, catequistas, cantores, acólitos, zeladores de altares, ministros extraordinários da comunhão, colaboradores activos no Conselho Pastoral ou Económico, auxiliares na acção sócio-caritativa

E qual a nossa actuação na comunidade familiar, social, de lazer e de trabalho? Já tomamos consciência dessa necessidade de anúncio? Pelo que esperamos? Como reagimos a esta interpelação?

O Senhor espera pela nossa resposta.

 

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai

e supliquemos-Lhe que inspire a nossa mente,

a fim de sabermos ouvir a Sua voz

e responder-Lhe em conformidade.

Com humildade, digamos:

 

Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus:

para que, fiel ao mandamento de Cristo,

continue firme no ensino da doutrina Sagrada

de que é depositária,

oremos, irmãos.

 

2.       Pelo Santo Padre, bispos. Presbíteros e Diáconos,

para que, à semelhança de Isaías e dos Apóstolos

correspondam ao chamamento interpelativo do Senhor,

com todas as suas forças,

oremos, irmãos.

 

3.       Pelos membros empenhados da nossa comunidade,

para que saibam sempre ter espírito de serviço

e partilhar os seus projectos e actividades

com todos aqueles que sintam o desejo sincero de participar,

oremos, irmãos.

 

4.       Para que todos nós consigamos alegrar-nos

com os gestos de amor feitos pelos outros,

sejam ou não do nosso circulo restrito de amigos,

oremos, irmãos.

 

5.       Por todos nós,

para que saibamos fazer gestos simples

e espontâneos de hospitalidade,

lançando assim  relações de confiança que dêem fruto,

oremos, irmãos.

 

6.       Por todos os cristãos,

para que, pelas suas atitudes,

não sejam nunca pedra de escândalo,

que impeça a aproximação a Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

     

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dai a cada homem um coração

que se deixe conduzir pelo Espírito,

que acolha e anuncie, com alegria,

a Boa Nova comunicada pelo vosso Filho.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e Recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para auxílio da nossa fraqueza concedei que eles se tornem para nós sacramento de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Monição da Comunhão

 

Que a comunhão do Corpo e Sangue do Senhor Jesus Cristo nos ajude a lutar contra o egoísmo, a violência, o ódio, a mentira, a corrupção moral e a destruição da família numa correspondência eficaz à vocação cristã a que fomos chamados.

 

Cântico da Comunhão: Não Fostes Vós que Me Escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

Salmo 106, 8-9

Antífona da comunhão: Dêmos graças ao Senhor pela sua misericórdia, pelos seus prodígios em favor dos homens, porque Ele deu de beber aos que tinham sede e saciou os que tinham fome.

 

Ou

Mt 5, 5-6

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que nos fizestes participantes do mesmo pão e do mesmo cálice, concedei que, unidos na alegria e no amor de Cristo, dêmos fruto abundante para a salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que O Senhor nos ajude a não desanimarmos quando confrontados com as nossas misérias; nos fortaleça na certeza de que não nos esquece, mas nos purifica na medida em que correspondermos ao seu chamamento e à nossa vocação cristã, a fim de podermos realizar com Ele obras extraordinárias em favor dos nossos irmãos.

 

Cântico final: Ide por Todo Mundo, M. Faria, NRMS 17

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

feira, 5-II: Um mundo melhor.

Gen. 1, 1-19 / Mc. 6, 53-56

No princípio, criou Deus o céu e a terra.

«Saída da bondade divina, a criação partilha dessa bondade: ‘Deus viu que isto era bom’ (Leit.). Porque a criação é querida por Deus como um dom orientado para o homem, como herança que lhe é destinada e confiada. A Igreja em diversas ocasiões viu-se na necessidade de difundir a bondade da criação, mesmo a do mundo material» (CIC, 299).

Com a ajuda de Cristo podemos colaborar na edificação de um mundo melhor: «quantos lhe tocaram ficaram curados» (Ev.). Precisamos aproximar-nos para lhe tocarmos.

 

feira, 6-II: A dignidade do homem.

Gen. 1, 20-2.4 / Mc. 7, 1-13

Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança.

O relato da criação inteira, e do homem em particular (cf. Leit.), constitui uma manifestação do amor de Deus por nós.

O homem foi dotado de uma extraordinária dignidade: feito à imagem e semelhança de Deus (cf. Leit). E essa dignidade alcançou o ponto mais elevado com a Encarnação do Verbo: «A natureza humana nele assumida, não absorvida, foi elevada a uma dignidade sem igual. Com efeito, pela sua Encarnação, o Filho de Deus uniu-se de algum modo a todo o homem» (G.S., 22). Jesus acusa os fariseus de não terem em conta os ensinamentos de Deus, mas os dos homens (cf. Ev.).

 

feira, 7-II: As Cinco Chagas do Senhor: O poder curativo das chagas.

Is. 53, 1-10 / Jo. 19, 28-37

O castigo que nos tocava caiu sobre ele e, por causa das suas chagas, é que fomos curados.

A festa das Cinco Chagas do Senhor, isto é, das feridas que recebeu na Cruz, recorda-nos que Ele sofreu este castigo por causa das nossas faltas. Deste modo se cumpriu a profecia do servo sofredor de Isaías (cf. Leit.).

Jesus convida-nos a aproximar-nos d’Ele (cf. Ev.), para ‘apalparmos’ o seu amor por nós: «por causa das suas chagas é que fomos curados» (Leit.). Ajudam-nos a curar as dúvidas de fé, a rejeitar o pecado, a afastar as tentações, a desagravar as ofensas…

 

feira, 8-II: Consequências da dignidade da pessoa.

Gen. 2, 18-25 / Mc. 7, 24-30

Não convém que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma ajudante que se pareça com ele.

«Ser homem e ser mulher é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm uma dignidade inamissível e que lhes vem imediatamente de Deus, seu Criador (Leit.)» (CIC, 369).

Consequências desta dignidade: os progressos da sociedade, do trabalho, da ciência, estão em função da pessoa humana. Como essa dignidade é concedida por Deus no momento da concepção, deve respeitar-se o direito à inviolabilidade da vida e à veneração da maternidade.

 

feira, 9-II: Divinizados segundo Deus.

Gen. 3, 1-8 / Mc. 7, 31-37

(A serpente): Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.

«Neste pecado, o homem preferiu-se a si próprio a Deus e, por isso, desprezou Deus: optou por si contra Deus, contra as exigências da sua condição de criatura e, daí, contra o seu próprio bem… Pela sedução do Diabo, quis ser ‘como Deus’ (Leit.), mas ‘sem Deus, antes de Deus e não segundo Deus’ (S. Máximo)» (CIC, 398).

A sedução do Diabo continua e vamo-nos deixando seduzir. Mas Jesus incarnou e vem ajudar-nos a recuperar a nossa condição de criaturas: «tudo tem feito admiravelmente: «fez que os surdos ouçam e que os mudos falem» (Ev.).

 

Sábado, 10-II: O anúncio do Messias e da Eucaristia.

Gen. 3, 9-24 / Mc. 8, 1-10

Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta há-de atingir-te na cabeça…

«Esta passagem do Génesis (Leit.) tem sido chamada ‘proto-Evangelho’ por ser o primeiro anúncio do Messias Redentor, do combate entre a serpente e a mulher, e da vitória final dum descendente desta» (CIC, 410).

Esta mulher, que é Nossa Senhora, é também a ‘mulher eucarística’, porque nos trouxe à terra o ‘Pão da vida’. De algum modo colaborou em matar a fome de Deus. Disse Jesus: «Tenho dó desta multidão; há já três dias…não têm que comer». É uma figura da Eucaristia.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:                     António Elísio Portela

Nota Exegética:                       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                            Duarte Nuno Rocha

 


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