2º Domingo Comum

14 de Janeiro de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Anunciai com Voz de Júbilo, Az. Oliveira, NRMS 32

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Em cada eucaristia Jesus Cristo vem ao encontro da sua Igreja. Ele manifesta em sinais que está vivo e atento, que é o Messias, o Salvador.

A glória de Deus revela-se na nossa pobreza. Onde a nossa lógica não encontra soluções, surge a lógica do amor de Deus, o Seu Mistério Pascal, oferecendo vida em abundância.

Mas também a Igreja é convidada a deixar-se amar e a procurar responder com um compromisso de fé, serviço e uma disponibilidade incondicional.

Maria, presente nesta história de amor, incentiva a cada um a ser servo dócil e comprometido.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Serás a predilecta do Senhor! A imagem da esposa é um convite à descoberta de uma relação de amor que Deus mantém com o seu Povo, com toda a humanidade.

Deus vem ao seu encontro. É um apaixonado! Está desejoso de manifestar a sua presença salvadora em fecundidade sem fim.

 

Isaías 62, 1-5

1Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. 2Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. 3Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. 4Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta», mas hão-de chamar-te «Predilecta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predilecta do Senhor e a tua terra terá um esposo. 5Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.

 

Ver supra, notas da Primeira Leitura da Vigília do Natal

 

Salmo Responsorial      Sl 95 (96), 1-3.7-8a.9-10a.c (R. 3)

 

Monição: O Deus maravilhoso, apaixonado pela humanidade, faz cantar a nossa vida.

 

Refrão:         Anunciai em todos os povos as maravilhas do Senhor.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor, terra inteira,

cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.

 

Anunciai dia a dia a sua salvação,

publicai entre as nações a sua glória,

em todos os povos as suas maravilhas.

 

Dai ao Senhor, ó família dos povos,

dai ao Senhor glória e poder,

dai ao Senhor a glória do seu nome.

 

Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,

trema diante d'Ele a terra inteira;

dizei entre as nações: «O Senhor é Rei»,

governa os povos com equidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: É o Espírito Santo que nos prepara para o compromisso e o serviço, à maneira de Jesus Cristo.

É o Espírito Santo que se derrama sobre nós como dom precioso do mistério pascal de Cristo em ordem a construir vida!

 

1 Coríntios 12, 4-11

Irmãos: 4Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 8A um o Espírito dá a mensagem da sabedoria, a outro a mensagem da ciência, segundo o mesmo Espírito. 9É um só e o mesmo Espírito que dá a um o dom da fé, a outro o poder de curar; 10a um dá o poder de fazer milagres, a outro o de falar em nome de Deus; a um dá o discernimento dos espíritos, a outro o de falar diversas línguas, a outro o dom de as interpretar. 11Mas é um só e o mesmo Espírito que faz tudo isto, distribuindo os dons a cada um conforme Lhe agrada.

 

Nos capítulos 12 a 14 de 1 Cor, S. Paulo aborda directamente o tema dos carismas para dar algumas normas práticas a fim de que tudo decorra com ordem nas reuniões litúrgicas; reconhece e aprecia a grande variedade e diversidade de dons, mas todos eles devem concorrer para o bem de todos. Assim como num corpo os diversos membros integram a unidade desse corpo, assim sucede na Igreja.

4-6 «Dons espirituais (carismas). Ministérios. Operações». Esta tripla designação parece referir-se sempre à mesma realidade, considerada segundo aspectos diferentes: a gratuitidade, a utilidade, a manifestação do poder divino, apropriando estas qualidades ao «Espírito» (Santo), ao Filho: «o Senhor» e ao Pai: «Deus», que, precedido do artigo definido, indica a pessoa do Pai, em todo o grego do Novo Testamento.

7 «Dom... em ordem ao bem comum». Aqui trata-se de dons, ou graças, que a Teologia chama «gratis datæ», ou carismas, e que Deus concede primariamente em ordem à utilidade dos outros, e não ao proveito individual.

8-10 O Apóstolo apresenta um elenco dos carismas que o Espírito Santo concede, mas não pretende dar a lista completa deles (cf. vv. 28-31; Rom 12, 6-8; Ef 4, 11). Não é fácil indicar a natureza de cada carisma e como se distinguem entre si. «A mensagem da sabedoria» diz respeito à faculdade de conhecer e expor os mistérios divinos (cf. 2, 6-7). «A mensagem da ciência» refere-se à faculdade de conhecer e de expor as verdades básicas do cristianismo. «O dom da fé» não parece ser a virtude teologal, mas a plena confiança em Deus, e as obras de fé (que procedem da fé, «capaz de transportar montanhas»). O dom de «falar em nome de Deus» – à letra, de «profetizar» – não diz respeito apenas ao dom de conhecer e manifestar o futuro oculto, mas ao poder de falar em nome de Deus, para «edificação, exortação e consolação» dos fiéis (14, 3). Algumas vezes, porém, os profetas manifestavam também as coisas futuras e ocultas e os segredos dos corações (cf. 14, 25). O dom do «discernimento dos espíritos», – avaliar dons espirituais – completa o dom da profecia e relaciona-se com o poder de julgar se uma coisa deva ser atribuída ao bom ou ao mau espírito. «O dom de falar diversas línguas» não era o poder de anunciar o Evangelho em línguas desconhecidas, mas o de louvar e adorar a Deus (cf. 14, 2) em línguas e expressões insólitas, numa espécie de exaltação extática. Complemento do dom das línguas era «o dom de as interpretar», porque aquilo que dizia o favorecido pelo dom das línguas não era compreendido pelos demais e, às vezes, nem pelo próprio.

11 «Conforme Lhe agrada». Estes dons carismáticos não pertencem à perfeição da vida cristã, não podendo o cristão reivindicá-los; e seria uma desordem mesmo até desejá-los no que têm de extraordinário, antepondo-os à caridade (cf. v. 31).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. 2 Tes 2, 14

 

Monição: O Evangelho coloca-nos o desafio da descoberta dos amorosos sinais da presença salvadora de Cristo, a força do seu mistério pascal e o início de um tempo novo. Mas completa-se em nós.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Deus chamou-nos, por meio do Evangelho,

a tomar parte na glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

O evangelista não visa contar o modo como Jesus resolveu um problema numas bodas, mas centra-se na figura de Jesus, que «manifestou a sua glória», donde se seguiu que «os discípulos acreditaram n’Ele» (v. 11). Toda a narração converge para as palavras do chefe da mesa ao noivo: «Tu guardaste o melhor vinho até agora!» (v. 10). Esta observação encerra um sentido simbólico; o próprio milagre é um «sinal» (v. 11), um símbolo ou indício duma realidade superior a descobrir, neste caso: quem é Jesus. Podemos pressentir a típica profundidade de visão do evangelista, que acentua determinados pormenores pelo significado profundo que lhes atribui. O vinho novo aparece como símbolo dos bens messiânicos (cf. Is 25, 6; Joel 2, 24; 4, 18; Am 9, 13-15), a doutrina de Jesus, que vem substituir a sabedoria do A. T., esgotada e caduca. A abundância e a qualidade do vinho – 6 (=7-1) vasilhas [de pedra] «de 2 ou 3 metretas» (480 a 720 litros) – é um dado surpreendente, que ilustra bem como Jesus veio «para que tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10; cfr Jo 6, 14: os 12 cestos de sobras). O esposo das bodas de Caná sugere o Esposo das bodas messiânicas, o responsável pelo sucedido: n’Ele se cumprem os desposórios de Deus com o seu povo (cf. Is 54, 5-8; 62, 5; Apoc 19, 7.9; 21, 2; 22, 17).

Também se pode ver, na água das purificações rituais que dão lugar ao vinho, um símbolo da Eucaristia – o sangue de Cristo –, que substitui o antigo culto levítico, e pode santificar em verdade (cf. Jo 2, 19.21-22; 4, 23; 17, 17). Há quem veja ainda outros simbolismos implícitos: como uma alusão ao Matrimónio e mesmo à Ressurreição de Jesus, a plena manifestação da sua glória, naquele «ao terceiro dia» do v. 1 (que não aparece no texto da leitura).

Por outro lado, também se costuma ver aqui o símbolo do papel de Maria na vida dos fiéis (cf. Apoc 19, 25-27; 12, 1-17), Ela que vai estar presente também ao pé da Cruz (Jo 19, 25-27): «e estava lá a Mãe de Jesus» (v. 1). Ao contrário dos Sinópticos, nas duas passagens joaninas fala-se da Mãe de Jesus, como se Ela não tivesse nome próprio; é como se o seu ser se identificasse com o ser Mãe de Jesus, a sua grande dignidade. Trata-se de duas menções altamente significativas: os capítulos 2 e 19 aparecem intimamente ligadas precisamente pela referência à «hora» de Jesus, numa espécie de inclusão de toda a vida de Cristo. Ela não é mais um convidado numas bodas; é uma presença actuante e com um significado particular, nomeada por três vezes (vv. 1.3.5), atenta ao que se passa: dá conta da situação irremediável, intervém e fala, quando o milagre que manifesta a glória de Jesus podia ser relatado sem ser preciso falar da sua Mãe, mas Ela é posta em foco.

1 «Caná»: só S. João fala desta terra (cf. 4, 46; 21, 2), habitualmente identificada com Kefr Kenna, a 7 Km a NE de Nazaré, o lugar de peregrinação, mas as indicações de F. Josefo fazem pensar antes nas ruínas de Hirbet Qana, a 14 Km a N de Nazaré.

3 «Não têm vinho». A expressão costuma entender-se como um pedido de milagre. A exegese moderna tende a fixar-se em que a frase não passa duma forma de pôr em relevo uma situação irremediável, de molde a fazer sobressair o milagre. Mas, sendo a Mãe de Jesus a chamar a atenção para o problema, consideramos que Ela é apresentada numa atitude de oração. Com efeito, a oração de súplica e de intercessão não consiste em exercer pressão sobre Deus, para O convencer, mas é colocar-se na posição de necessitado e mendigo perante Deus, é pôr-se a jeito para receber os seus dons. A intercessão de Maria consiste em pôr-se do nosso lado, em vibrar connosco, de modo que fique patente a nossa carência e se dilate a nossa alma para nos dispormos a receber os dons do Céu. Ela aparece aqui como ícone da autêntica oração de súplica e de intercessão; e é lícito pensar que isto não é alheio à redacção joanina, pois o milagre acaba por se realizar na sequência da intervenção da Mãe de Jesus (mesmo que alguns não considerem primigénio o diálogo dos vv. 3-4).

4 «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». A expressão «que a Mim e a Ti?» (ti emoi kai soi?) é confusa, pois pode significar concordância – «que desacordo há entre Mim e Ti?» –, ou então recusa – «que de comum [que acordo] há entre Mim e Ti?». Sendo assim, a expressão «ainda não chegou a minha hora», presta-se a diversas interpretações, conforme o modo de entender «a hora»: ou a hora de fazer milagres, ou a hora da Paixão. Para os que a entendem como a de fazer milagres, uns pensam que Jesus se escusa: «que temos que ver com isso Tu e Eu? (=porque me importunas?), com efeito ainda não chegou a minha hora», e só a insistência de Maria é que levaria à antecipação desta hora; ao passo que outros (E. Boismard, na linha de alguns Padres) entendem a frase como de um completo acordo: «que desacordo há entre Mim e Ti? porventura já não chegou a minha hora?»; assim se justificaria melhor a ordem que Maria dá aos serventes. Para os que entendem «a hora» como a da Paixão, também as opiniões de dividem acerca de como entender a resposta de Jesus; para uns, significaria acordo, como se dissesse: «que desacordo há entre Mim e Ti? com efeito, ainda não chegou a minha hora, a de ficar sem poder; por isso não há dificuldade para o milagre» (Hanimann); para outros, que entendem a hora do Calvário como a hora da glorificação de Jesus, de manifestar a sua glória, dando o Espírito, a expressão quer dizer: «que temos a ver Tu e Eu, um com o outro?» («que tenho Eu a ver contigo?»), uma expressão demasiado forte, a mesma que é posta na boca dos demónios (cf. Mc 5, 7; 1, 24). Com uma expressão tão contundente, a redacção joanina põe em evidência a atitude de Jesus, que, longe de ser ofensiva para a sua Mãe, o que pretende é mostrar a independência de Jesus relativamente a qualquer autoridade terrena, incluindo a materna (Gächter). Mas o apelo para que Maria não intervenha tem um limite: é apenas até que chegue a hora de Jesus; até lá, tem de ficar na penumbra (o que é confirmado pelas ditas «passagens anti-marianas»: Lc 2, 49; 8, 19-21 par; 11, 27-28). Então Ela vai estar como a nova Eva, a Mãe da nova humanidade, ao lado do novo Adão, junto à árvore da Cruz, daí que seja chamada «Mulher» em Jo 19, 26, como nas Bodas de Caná.

 

Sugestões para a homilia

 

Mistério Pascal de Cristo

Compromisso de discípulos

Mistério Pascal de Cristo

As leituras deste domingo centralizam-se no mistério pascal de Cristo. O Deus que vem ao encontro da humanidade. O Deus que se revela com base na relação esponsal.

Deus é o esposo que se relaciona com profundo amor. Sente enorme predilecção pela amada, mesmo quando essa amada não corresponde. Faz viver a amada na alegria da comunhão, do convívio que a torna mais pessoa e mais humana, que a faz abandonar o deserto do isolamento e da solidão, da incapacidade e da infrutuosidade.

Esse amor esponsal é agora manifestado nas bodas de Caná. Em Caná realizam-se as profecias do amor esponsal. Caná apresenta Jesus, o esposo, que vem para dar a vida e a dar em abundância. Jesus celebra a festa da aliança. É resposta última aos problemas da humanidade.

Muitas vezes a humanidade esgota o sentido da vida pelo esvaziamento de Deus. E a realidade da festa está bem perto de se traduzir em insensatez, fracasso e tristeza. Porém Deus, em Seu amado Filho está presente para derramar sobre a humanidade, incapaz e esgotada, o vinho novo e bom do mistério pascal do Seu Filho. Oferece o vinho novo, dádiva maravilhosa, generosidade sem limites. E devido à sua entrega total, o derramar do Espírito Santo, razão da alegria, resposta à nossa incapacidade.

As talhas de pedra destinadas à purificação estão vazias. São o símbolo de uma religião pesada, ritual, fria e legalista. As talhas de bom vinho são a revelação dos tempos messiânicos, do Deus do amor, da misericórdia, da felicidade, da alegria.

Maria está, por vontade de Deus, vinculada a esta relação de Deus com a Humanidade. O mesmo João a coloca depois junto à Cruz. Como sempre, Ela apresenta-nos o Filho de Deus, o único Senhor e Salvador, Aquele que tem palavra e gestos de libertação, a resposta a todas as necessidades da humanidade e sobretudo às suas carências.

Compromisso de discípulos

A Liturgia convida-nos a deixarmo-nos tocar por esta realidade que nos abarca a todos: o encanto do mistério de Jesus e a sua relação connosco.

Somos convidados a descobrir nos sinais da fé a presença salvadora de Deus.

Somos interpelados a uma atitude de fé que aceite a Jesus Cristo como Filho de Deus, resposta última e definitiva.

Convidados também a uma profunda humildade. Reconhecer que na verdade não temos solução para os problemas da humanidade. Só Cristo é o Senhor. Convidados a colocar Cristo no centro da vida, da comunidade humana. Somos convidados a fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para que o milagre se realize e se encontrem caminhos de esperança, alegria e vida.

Assim é também na fidelidade ao Espírito Santo que cada um se descobre colaborador de uma humanidade de acordo com o projecto de Deus.

Cada discípulo é convidado a estar na «história da salvação» à maneira de Maria: atento, solícito, em atitude de fé, servo e dócil.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus nosso Pai,

que nos chamou, por meio do Evangelho,

a tomar parte  na glória de Nosso Senhor Jesus Cristo,

 

E digamos (ou: e cantemos).

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Senhor, nós temos confiança em vós

Ou: Maria, Mãe de Jesus, intercedei por nós.

 

1.  Para que o Santo Padre Bento XVI,

o nosso Bispo N. e todos os presbíteros e diáconos

sirvam todos os irmãos com generosidade

e se alegrem com os dons de cada um,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos governantes das nações:

para que não esgotem o sentido da humanidade,

respeitem a vida e a família,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que vivamos na alegria

da presença viva de Cristo,

experimentemos o dinamismo do Espírito Santo,

e nos comprometamos na amizade com os irmãos,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que os casais jovens e as famílias

sintam junto deles a presença da Mãe de Jesus

e descubram, em Deus, a fonte de toda a alegria,

sentido e resposta plena,

oremos, irmãos.

 

5.  Para que as crianças sejam acolhidas

com amor, e venham a conhecer e a amar,

o Deus maravilhoso revelado em Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

 

Senhor, nosso Deus,

que dais o vosso Espírito, sem medida,

aos homens e às mulheres que Vos procuram

e trabalham para o bem comum de todos,

ensinai-nos a escutar e a seguir as suas inspirações.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Trazemos ao Teu Altar, F. da Silva, NRMS 55

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

Comungar leva-me ao encontro pessoal com Cristo, Filho de Deus, e com os irmãos.

Posso saborear na minha pobreza a força do mistério pascal que me envolve na nova criação e no dom excelente do Espírito Santo que me faz comprometido na construção da nova humanidade.

Que a minha atitude seja como Maria, Mãe de Jesus.

 

Cântico da Comunhão: Em vós Senhor Está a Fonte da Vida, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Só na abertura a Cristo a humanidade pode encontrar a plena alegria. Sem Ele corremos o risco da solidão, da tristeza e do fracasso.

Possa eu ser dócil à Palavra, servo fiel, testemunha das maravilhas de Deus e discípulo coerente.

 

Cântico final: Queremos Ser Construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

feira, 15-I: Uma Igreja ‘remendada’?

Heb. 5, 1-10 / Mc. 2, 18-22

Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

O tema de Cristo, esposo da Igreja já tinha sido preparado pelos Profetas: «O próprio Senhor se designou como Esposo (cf. Ev.). E o Apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel, membro do seu Corpo, como uma esposa ‘desposada’ com Cristo Senhor» CIC, 796).

Nesta união de cada fiel com Cristo não cabem remendos: a desobediência aos mandatos de Cristo. Cristo deu-nos exemplo de obediência: «Apesar de ser Filho, aprendeu de quanto sofrera, o que é obedecer» (Leit.). Não cabe a mediocridade de vida nem uma interpretação diferente do Evangelho.

 

feira, 16-I: A esperança, âncora da alma.

Heb. 6, 10-20 / Mc. 2, 23-28

Nessa esperança, nós temos uma espécie de âncora da alma, inabalável e segura.

A esperança mantém vivas as promessas feitas por Deus sobre a vida eterna e os meios para alcançá-la. «A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito que tem a sua origem e modelo na esperança de Abraão (cf. Leit), o qual foi cumulado das promessas de Deus» (CIC, 1819)

A esperança funciona como uma «âncora da alma». Apoia-se no poder de Deus: «O Filho do homem é também Senhor do Sábado» (Ev.). Tenhamos confiança nos meios de santificação que o Senhor nos proporciona.

 

feira, 17-I: A cura das pequenas ‘paralisias’.

Heb. 7, 1-3. 15-17 / Mc. 3, 1-6

Será permitido ao Sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?

Cheio de compaixão pelo homem com a mão paralítica, Jesus, Senhor do Sábado, faz o bem e salva mais uma vida (cf. Ev.). Também Melquisedec foi ao encontro de Abraão e lhe lançou uma bênção (cf. Leit.).

A atenção do próximo, a sua aproximação de Deus e a sua salvação, hão-de ocupar um lugar principal na nossa actuação. Se nada pudermos fazer pessoalmente, podemos pelo menos rezar e pedir a Deus que cure as pequenas paralisias que sofrem as pessoas nossas amigas.

 

feira, 18-I: Oitavário: que todos se aproximem mais do Senhor.

Heb. 7, 25-8, 6 / Mc. 3, 7-12

Veio ter com Jesus uma grande multidão, para ouvir contar tudo o que Ele fazia.

No começo do Oitavário de orações pela unidade dos cristãos, pedimos ao Senhor que a grande multidão dos cristãos vá ter com Ele (cf. Ev.), em união com o Papa. Na verdade, é d’Ele que sai a força que a todos cura. Só Ele «pode salvar de maneira definitiva aqueles que, por seu intermédio, se aproximaram de Deus, uma vez que está sempre vivo, para interceder por eles» (Leit.).

Procuremos igualmente aproximar-nos do Senhor e, assim, contribuiremos para que muitos mais se aproximem d’Ele, aumentando mais a nossa oração e sacrifícios pela unidade dos cristãos.

 

feira, 19-I: Oitavário: O Papa e a unidade dos cristãos.

Heb. 8, 6-13 / Mc. 3, 13-19

Estabeleceu, pois, os Doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago…

«Desde o princípio da sua vida pública, Jesus escolheu alguns homens, em número de Doze, para andarem com Ele e participarem da sua missão» (CIC, 551). De entre eles, Simão Pedro ocupa o primeiro lugar (cf. Ev.). Jesus confiou-lhe uma missão única, para defender a fé.

O representante de Cristo na terra deseja a unidade do povo de Deus tal como diz o Senhor: «Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo» (Leit.). Para obtermos do Senhor a unidade dos cristãos, temos que pedir especialmente pelo Papa, que é «sinal de unidade e vínculo de caridade» (S. Agostinho).

 

Sábado, 20-I: Oitavário: A unidade, dom de Cristo.

Heb. 9, 2-3. 11-14 / Mc. 3, 20-21

Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para tomarem conta d’Ele, pois diziam: Está fora de si.

O vice-Cristo na terra tem envidado todos os esforços para a consecução da unidade dos cristãos. Alguns pensarão que é uma tarefa impossível: «está fora de si» (Ev.).

Cristo confere à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja tem que orar e trabalhar constantemente para aperfeiçoar esta unidade. O desejo de recuperar a unidade é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo: «O sangue de Cristo fez muito mais: movido pelo Espírito eterno, Ele ofereceu-se a Deus como vítima sem mancha» (Leit.). Oremos e trabalhemos para obtermos este dom de Cristo.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:                     Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                            Duarte Nuno Rocha

 


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