Baptismo do Senhor

08 de Janeiro de 2007

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Abriram-se os Céus, Az. Oliveira, NRMS 80

cf. Mt 3, 16-17

Antífona de entrada: Depois do Baptismo do Senhor, abriram-se os Céus. Sobre Ele desceu o Espírito Santo em figura de pomba e fez-Se ouvir a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No Evangelho de S. Lucas, que temos para este ano C, o Baptismo de Jesus, que hoje celebramos, aparece como a charneira, ou o eixo, entre a pregação do Baptista e a pregação de Jesus. E também a pregação de Jesus está incluída entre os dois baptismos de Jesus, o de água no Jordão e o de sangue no Calvário.

O Baptismo de Jesus inaugura uma nova relação entre Deus e a humanidade: «a Céu abre-se», não tanto para Jesus, mas verdadeiramente para nós. Assim, o Baptismo de Jesus reveste-se dum profundo valor simbólico, pois representa o nosso baptismo. Pelo carácter baptismal é Deus que passa a apontar-nos: «tu és meu filho muito amado»; e começamos a ser «templos do Espírito Santo».

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era baptizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adoptivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus omnipotente, cujo Filho Unigénito Se manifestou aos homens na realidade da nossa natureza, concedei-nos que, reconhecendo-O exteriormente semelhante a nós, sejamos por Ele interiormente renovados. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Vamos ouvir um trecho dos poemas do Servo de Yahvéh do livro de Isaías, onde se diz que sobre o Messias repousa o Espírito do Senhor, como veremos explicitado na figura da pomba do Evangelho de hoje.

 

Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: 1«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. 2Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; 3não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: 4proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. 6Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, 7para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

 

Este texto pertence ao primeiro dos quatro «cantos do Servo de Yahwéh», dispersos pelo Segundo Isaías (Is 40 – 55), mas que, na origem; talvez fizessem parte de um único poema.

«Eis o meu servo». Trata-se de um mediador através do qual Deus levará a cabo o seu plano de salvação. Torna-se difícil determinar quem é designado em primeiro plano, se é uma personalidade individual (um rei de Judá, o profeta, ou o messias), ou uma colectividade (todo o povo de Israel ou parte dele), ou um indivíduo como símbolo de todo o povo. O nosso texto deixa ver uma personagem deveras misteriosa, humilde (vv. 2-3) e poderosa (v. 4.7), escolhido por Deus e com uma missão universal (v. 1.6). Pondo de parte a complexa e discutida questão da personalidade originária deste magnífico poema, o certo é que o Novo Testamento está cheio de ressonâncias deste texto, vendo mesmo nesta figura singular um anúncio do Messias, com pleno cumprimento na pessoa de Jesus (v. 1: cf. Mt 3, 17 e Lc 9, 35; vv. 2-4: cf. Mt 12, 15-21; v. 6: Lc 1, 78-79 e 2, 32 e Jo 8, 12 e 9, 5; v. 7: Mt 11, 4-6 e Lc 7, 18-22). É evidente que foi escolhida esta leitura para hoje porque, assim Deus, pelo Profeta, apresenta o seu servo «enlevo da minha alma», sobre quem «fiz repousar o meu espírito»; é assim que também no Jordão Jesus é apresentado (cf. Evangelho de hoje e paralelos).

 

Salmo Responsorial      Sl 28 (29), 1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)

 

Monição: O salmo de meditação leva-nos a glorificar o poder de Deus que se manifesta na grandiosidade da Natureza, no ribombar do trovão e na vastidão e turbulência das águas do mar, mas mais ainda no mistério oculto da água regeneradora do nosso Baptismo, a que Jesus conferiu eficácia com a sua descida às águas do rio Jordão.

 

Refrão:         O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,

tributai ao Senhor glória e poder.

Tributai ao Senhor a glória do seu nome,

adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

 

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,

o Senhor está sobre a vastidão das águas.

A voz do Senhor é poderosa,

a voz do Senhor é majestosa.

 

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão

e no seu templo todos clamam: Glória!

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,

o Senhor senta-Se como Rei eterno.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Escutemos as palavras de S. Pedro em casa do centurião Cornélio de Cesareia, em que alude ao Baptismo de Jesus.

 

Actos dos Apóstolos 10, 34-38

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. 36Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

 

Temos aqui uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa do centurião Cornélio em Cesareia. quando recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem serem obrigados a judaizar. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10, 17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107, 20); «anunciando a paz» (cf. Is 52, 7); v. 38 «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61, 1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico; por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas» e que a «paz», a súmula de todos os bens messiânicos, Deus a destina a toda a humanidade. O discurso tem um carácter kerigmático evidente; e Lucas – o historiador-teólogo – ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista, mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

38 «Ungiu do Espírito Santo». Estamos aqui em face de uma expressão simbólica tipicamente hebraica, alusiva à união misteriosa com o Espírito Santo (algo que pertence ao mistério trinitário, o verdadeiro ser e missão de Jesus, que se torna visível na sua Humanidade, na teofania do Jordão). É clara a referência a textos do A. T. de grande densidade messiânica, como Is 11, 2; 61, 1 (cf. Lc 2, 18). Ver supra nota à 1ª leitura do 3º Domingo do Advento (nota ao v. 26).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Mc 9, 6

 

Monição: O Evangelho de hoje deixa bem claro o contraste entre o Baptismo de João e o de Jesus; este renova-nos interiormente com o fogo do Espírito Santo. Aclamemos a Palavra de Salvação.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

Lucas 3, 15-16.21-22

Naquele tempo, 15o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias. 16João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu baptizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». 21Quando todo o povo recebeu o baptismo, Jesus também foi baptizado; e, enquanto orava, o Céu abriu-se 22e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do Céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

 

Notar como na leitura litúrgica o texto não é seguido, para que fique claro que quem baptiza Jesus é João. Com efeito Lucas narra o baptismo já depois da prisão do Baptista, sem dizer por quem é Jesus baptizado, segundo a sua técnica de composição literária chamada «de eliminação» (acumular toda a actuação da personagem em cena, eliminando uma sua intervenção posterior; assim Maria regressa a casa antes de João nascer, o qual vai para o deserto antes do nascimento de Jesus, etc.). A maior brevidade do relato de Lucas (apenas dois versículos) parece indicar que todo o acento vai para a declaração da identidade de Jesus (v. 22). Na estrutura do III Evangelho o baptismo de Jesus aparece como a charneira entre o ministério do Baptista e o ministério de Jesus.

16 «Não sou digno…» Os criados (escravos) dos judeus, entre os seus trabalhos, tinham o de tirar («desatar», Mateus diz «transportar») as sandálias dos seus senhores, para eles entrarem no templo, para comerem, etc.; assim se entende bem a humildade que revela esta exclamação de João. (Ver a nota ao Evangelho do III Domingo do Advento).

21 «Enquanto orava»: é um pormenor exclusivo de Lucas, que gosta de mostrar Jesus em oração nos momentos importantes; é bem significativo que mostre o ministério de Jesus a começar com a oração, e assim como também os começos da Igreja (cf. Act 1, 14; 2, 42). Orar é, mais que tudo, abrir o coração à acção do Espírito Santo.

21-22 O que sucede no baptismo de Jesus é descrito com elementos do género apocalíptico, que continuam a ser expressivos para nós como sinais da inauguração da absolutamente nova relação de Deus com a Humanidade: «O Céu abriu-se»: a imagem parte de que o firmamento era tido como uma superfície esférica de cristal compacto, a separar a terra do céu, por isso, para o Espírito descer, o céu tinha que se abrir; mas já S. Jerónimo (in Math I, 3) advertia que «não são os elementos que se abrem, mas sim os olhos do espírito»; este «abrir dos Céus» é o prelúdio da nova relação de Deus com o homem. «O Espírito Santo desceu… como uma pomba»: no A. T. e no Antigo Médio Oriente sempre a pomba foi associada ao mundo divino, um símbolo bem adequado para indicar a inauguração dos novos tempos; o relato não quer dizer-nos que antes o Espírito Santo estaria ausente de Jesus, mas quer revelar-nos quem é Jesus, por isso: «Fez-se ouvir uma voz…», que identifica quem é Jesus: o Filho de Deus, em quem está presente o Espírito Santo. Desde a exegese patrística até a autores modernos, tem-se visto, no baptismo de Jesus, uma revelação do mistério trinitário.

Esta narrativa é um convite para reconhecer quem é Jesus e para avaliar o valor do baptismo, semelhante ao de Jesus, mas diferente do de João; tenha-se em conta o paralelismo desta perícope com a fórmula baptismal trinitária do final de Mateus (28, 18). No baptismo de Cristo podemos apreciar como actua em nós o Sacramento, pois para nós se abrem os Céus fechados pelo pecado; desce o Espírito Santo com a sua graça, que nos renova e torna templos seus; ficamos a ser filhos de Deus muito amados.

Ninguém põe em dúvida que o baptismo de Jesus é um facto histórico. O relato não é uma invenção literária para transmitir uma ideia sobre Jesus: é algo que se encontra na tradição primitiva, bem documentado no N. T.: Act 1, 21-22; 4, 27; 10, 38; Jo 1, 26-34; Mt 13, 17; Mc 1, 9-11; Lc 3, 21-22. O próprio facto de o baptismo de Jesus ser uma coisa difícil de compreender pelas primeiras comunidades abona a favor do seu valor histórico.

 

Sugestões para a homilia

 

·          O Baptismo de Jesus aponta para o nosso Baptismo – o nosso autêntico Natal –; faz sentido que o tempo litúrgico do Natal se conclua com esta festa.

·          Pelo Baptismo renascemos da água com o Espírito Santo, para a vida nova de filhos de Deus.

·          O Baptismo de Jesus é descrito por S. Lucas num clima de oração; é neste clima que deve viver o baptizado, identificado com Aquele cujo Espírito recebeu.

 

O ciclo litúrgico do Natal chega hoje ao seu termo. Celebrando fundamentalmente a Incarnação do Verbo, inicia-se com a sua presença visível, no nascimento, e desenvolve-se até culminar na Epifania, isto é, na manifestação deste Verbo incarnado, deste Deus feita homem, de tal modo que todos os povos – o povo de Israel, onde Ele aparece, e todos os outros, os gentios – dêem conta da Sua presença salvadora. O momento mais relevante desta Epifania, desta manifestação, é sem dúvida o baptismo do Senhor, que este dia celebra.

 

E, antes de mais, gostaria de chamar a atenção de alguém mais desprevenido: este baptismo de Jesus, não é o sacramento do baptismo, que o mesmo Jesus mais tarde instituiria, e com o qual todos nós fomos baptizados, não! O próprio João Baptista – Baptista quer dizer simplesmente «aquele que lava, que dá banho» – faz uma distinção clara entre os dois baptismos; como lemos no Evangelho de hoje: «Eu baptizo-vos com água… Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo e em fogo». Este rito, este gesto simbólico de lavar com água era praticado naquele tempo por várias seitas religiosas. Consistia fundamentalmente em mergulhar uma pessoa na água, submergindo-a totalmente, e em tirá-la depois para fora, já completamente lavada. O significado principal deste rito é que toda a vida passada, de pecado, ficou na água, foi levada pela corrente e aquele que saiu da água é um ser novo, como se apenas agora tivesse nascido. Este, o desejo, a prece, daqueles que se faziam lavar, baptizar; mas só Jesus Cristo – o único que tem na terra o poder de perdoar pecados – poderá ligar à água essa força purificadora. E fá-lo, tornando, por Sua vontade, essa água portadora da força do Espírito Santo. Ele próprio dirá a Nicodemos que é preciso «renascer da água e do Espírito Santo». Aí está o baptismo no Fogo do Espírito Santo de que nos fala João Baptista.

Não resisto a citar as palavras com que um escritor do séc. V, S. Máximo de Turim, se refere ao baptismo de Jesus: «Hoje, portanto, o Senhor Jesus veio para ser baptizado e quis que o seu santo corpo fosse lavado nas águas do Jordão. Dirá talvez alguém: «Se era santo, porque quis ser baptizado?» Escuta: Cristo fez-se baptizar, não para ser santificado pelas águas, mas para santificar as águas e para purificar a torrente com o contacto do seu corpo… Quando o Salvador desce à água, toda ela fica limpa para o nosso baptismo e é purificada a fonte, de modo que os povos futuros possam receber a graça baptismal».

Temos aqui relacionado o baptismo de Jesus, com o nosso próprio baptismo.

 

Mas voltemos ao texto de São Lucas que hoje nos é proposto: «Quando todo o povo recebeu o baptismo, Jesus também foi baptizado e começou a orar.» Reparemos neste pormenor da oração, que só encontramos neste evangelista. O baptismo é uma acção de Cristo, não é um rito mágico: ele só se entende num clima de fé, de comunicação com Deus, de abertura a Deus, de oração, numa palavra. Foi assim o baptismo de Jesus – uma descida às águas, assumindo a condição de criaturas sujeitos ao pecado, a afim de percorrer com elas o caminho que irá levá-los à libertação. E é neste momento de oração que, como diz S. Lucas «o céu se abre» Aqui está a resposta à ânsia do profeta Isaías: «Oh! Se rasgásseis os céus e descêsseis!»

O Espírito de Deus desce mesmo, tornando-se visível em forma de pomba – a ternura, a mansidão, a paz.

E a voz do Pai: «Tu és o meu filho muito amado!»

Na 1.ª leitura, Isaías apresentara-o como «o Meu servo», aqui, na plenitude da Revelação, Ele é o «Filho muito amado».

Tenhamos hoje bem presente a nossa condição de baptizados em Cristo e no fogo do Espírito Santo. E, sobretudo, assumamos corajosamente a responsabilidade que daí decorre: tornar-nos cada vez mais identificados com Aquele cujo Espírito recebemos.

 

Fala o Santo Padre

 

1. Hoje celebra-se a Festa do Baptismo do Senhor. Os Evangelhos narram que Jesus se dirigiu a João Baptista junto do rio Jordão, e dele quis receber o baptismo de penitência. Porém, logo depois, enquanto rezava, «desceu sobre ele o Espírito Santo e ouviu-se uma voz do céu: «Tu és o meu filho predilecto, em quem me comprazo»» (Lc 3, 21-22).

É a primeira manifestação pública da identidade messiânica de Jesus, depois da adoração dos Magos. Por isso, a liturgia aproxima o Baptismo à Epifania, com um salto cronológico de cerca de trinta anos: aquele Menino, que os Magos adoraram como Rei messiânico, vêmo-lo hoje consagrado pelo Pai no Espírito Santo.

2. No baptismo no Jordão delineia-se já claramente o «estilo» messiânico de Jesus: Ele vem como «Cordeiro de Deus», para assumir sobre si mesmo e para tirar o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29.36). É assim que João Baptista O indica aos discípulos (cf. Jo 1, 36). Também nós, que no Natal celebrámos o grande evento da Encarnação, somos convidados a manter fixo o olhar em Jesus, rosto humano de Deus e rosto divino do homem.

3. Mestra insuperável de contemplação é Maria Santíssima. Se, humanamente, Ela devia sofrer ao ver Jesus deixar Nazaré, da sua manifestação recebia nova luz e força para a peregrinação da fé. O Baptismo de Cristo constitui o primeiro mistério da luz para Maria e para toda a Igreja. Possa ele iluminar o caminho de cada cristão!

 

Papa João Paulo II, Angelus, 11 de Janeiro de 2004

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Recordando o Baptismo de Jesus,

o Filho muito amado de Deus Pai,

oremos pelos homens e pelas mulheres de toda a terra,

dizendo (ou: cantando), confiadamente:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Iluminai, Senhor, a terra inteira.

Ou: Confirmai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

1.   Pela santa Igreja, mãe dos cristãos,

pelos ministros da Palavra e do Baptismo

e pelos que renascem da água e do Espírito,

oremos, irmãos.

 

2.   Pelos que têm sede da água viva,

pelos que crêem em Jesus, Filho de Deus,

e por aqueles a quem a fé não ilumina,

oremos, irmãos.

 

3.   Pelos homens perseguidos e humilhados,

pelos que perderam a coragem de lutar

e por aqueles que os defendem e animam,

oremos, irmãos.

 

4.   Pelos doentes que perderam a esperança,

pelas crianças que perderam os seus pais

e por aquelas a quem falta o amor e um lar,

oremos, irmãos.

 

5.   Por todos nós que recebemos o Baptismo,

pelos que estão em graça e paz com Deus

e por aqueles que entre nós vivem nas trevas,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus, reavivai em nós, pelo Espírito Santo,

o dom e a alegria do Baptismo, para que Vos chamemos nosso Pai

e nos sintamos, de verdade, vossos filhos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Vi a Fonte de Água Viva, Az. Oliveira, NRMS 65

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que a Igreja Vos oferece, ao celebrar a manifestação de Cristo vosso Filho, para que a oblação dos vossos fiéis se transforme naquele sacrifício perfeito que lavou o mundo de todo o pecado. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio

 

O Baptismo do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o mistério do novo Baptismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a boa nova aos pobres.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Monição da Comunhão

 

João Baptista, «o maior entre os nascidos de mulher», não se considerava digno de desatar a correia das sandálias de Jesus, e nós podemos recebê-Lo na Comunhão. Aproximemo-nos com a alma purificada do pecado e com todo os respeito e reverência.

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o Vosso Povo, F. da Silva, NRMS 90-91

Jo 1, 32.34

Antífona da comunhão: Eis Aquele de quem João dizia: Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.

 

Cântico de acção de graças: Eu Confio Senhor (Cantarei ao Senhor), F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este dom sagrado, ouvi benignamente as nossas súplicas e concedei-nos a graça de ouvirmos com fé a palavra do vosso Filho Unigénito para nos chamarmos e sermos realmente vossos filhos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos sair da celebração da Eucaristia para viver o nosso Baptismo, hora a hora, realizando todas as nossas tarefas com a alegria de quem tem clara consciência de que é filho de Deus.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

1ª SEMANA

 

feira, 9-I: Colaborar na Redenção

Heb.2, 5-12 / Mc. 1, 21-28

Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Eu sei quem tu és: o Santo de Deus!

Jesus não vem perder, mas salvar todos os homens. Este mistério da Redenção está presente em todos os momentos da vida Cristo: na Encarnação, na vida oculta, nas suas palavras, curas e expulsões de demónios (cf. Ev.).

De um modo especial, na sua Paixão e morte: «E, se Ele experimentou a morte, foi pela graça de Deus, para proveito de todos» (Leit.). Todos somos igualmente chamados a ser co-redentores, colaborando com a nossa vida de oração, com os nossos sacrifícios, com o trabalho realizado em união com o Senhor, etc.

 

feira, 10-I: A oração e as doenças da alma.

Heb. 2, 14-18 / Mc. 1, 29-39

Jesus curou muitas pessoas, que sofriam de várias doenças e expulsou muitos demónios.

No início da sua vida pública, Jesus cura muitas doenças e liberta da escravidão do demónio (cf. Ev.). E fá-lo através da sua morte: «pela morte reduziu à impotência aquele que tem poder sobre a morte e libertou quantos, por meio da morte, se encontravam sujeitos à servidão» (cf. Leit.).

Esperamos que o Senhor nos liberte de algumas escravidões; a preguiça, a sensualidade, o orgulho, o egoísmo, etc. Para isso, precisamos recorrer ao mesmo meio que Ele utilizou: «de manhãzinha… retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar» (Ev.).

 

feira, 11-I: A importância do Hoje.

Heb. 3, 7-14 / Mc. 1, 40-45

Como diz o Espírito Santo: hoje, se ouvirdes a voz do Senhor, não queirais endurecer os vossos corações.

Quando a Igreja celebra o mistério de Cristo, há uma palavra que aparece frequentemente: Hoje! Em cada Pai-nosso, Jesus ensinou-nos a fazer os pedidos para o dia de hoje; no Salmo 94: «se hoje ouvirdes a voz do Senhor»

O hoje deve estar igualmente muito presente na nossa vida. Assim se evitam os desleixos e adiamentos. De um modo especial, estejamos atentos para ouvir a voz do Senhor, que bate à porta dos nossos corações. Ele curar-nos-á das doenças da alma como curou o leproso: «Quero, vou curar-te» (Ev.).

 

feira, 12-I: Entrada no ‘repouso de Deus’

Heb. 4, 1-5. 11 / Mc 2, 1-12

Embora se mantenha a promessa de entrarmos no repouso de Deus, devemos recear que algum de vós suponha ter ficado para trás.

«O Novo Testamento emprega muitas expressões para caracterizar a bem-aventurança a que Deus chama o homem: a chegada do Reino de Deus; a visão de Deus…; a entrada na alegria do Senhor; a entrada no repouso de Deus (Leit.)» (CIC, 1720).

Para entrarmos no repouso de Deus precisamos que o Senhor perdoe os nossos pecados: «Meu filho, os teus pecados são-te perdoados» (Ev.). E que cure igualmente a nossa paralisia: não podemos ficar para trás (cf. Leit.); «levanta-te e anda» (Ev.).

 

Sábado, 13-I: Alegria de um auxílio oportuno.

Heb. 4, 12-16 / Mc. 2, 13-17

Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas aqueles que estão doentes.

Jesus não só cura as doenças como também perdoa os pecados: é o Médico de que os pecadores precisam (cf. Ev.). Ele convida os pecadores para a mesa do Reino, manifestando-lhes a sua misericórdia.

Ele é não só o Médico divino mas também o Sumo Sacerdote que se compadece das fraquezas (cf. Leit.) É por isso que nos devemos dirigir a Ele com grande ousadia e confiança: «Vamos, pois, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos a graça de um auxílio oportuno» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração:             Geraldo Morujão

Homilia:                            Abel Figueiral (adaptação da rádio por GM)

Nota Exegética:           Geraldo Morujão

Homilias Feriais:          Nuno Romão

Sugestão Musical:    Duarte Nuno Rocha

 


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