Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa do Dia

25 de Dezembro de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Desde o Nascer do Sol, M. Simões, NRMS 56

Is 9, 6

Antífona de entrada: Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

É Natal! Cristo nasceu! Foi-nos dado um Salvador! Com os Anjos, os Pastores e todos os homens de boa vontade, sejamos testemunhas da Boa Nova para que todos os confins da terra possam ver a salvação do nosso Deus!

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ao povo bíblico exilado e oprimido em terra estrangeiro o profeta anuncia uma palavra de salvação: Deus envia um Libertador!

 

Isaías 52, 7-10

7Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». 8Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. 9Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. 10O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

 

Esta página maravilhosa de Isaías que se refere à boa nova do fim do desterro trazida a Jerusalém pelos «belos pés do mensageiro que anuncia a paz», serve, na Liturgia de hoje, como de um hino triunfal a Cristo que vem à terra.

10 «O Senhor descobre o seu santo braço». Antropomorfismo que contém uma expressiva e frequente metáfora: o braço designa o poder e a força. Descobrir o braço é manifestar o poder.

 

Salmo Responsorial      Sl 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)

 

Monição: O salmo 97 convida-nos a cantar com alegria o nascimento do Deus Menino que traz a salvação para toda a terra.

 

Refrão:         Todos os confins da terra

                      viram a salvação do nosso Deus.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: De muitos modos e maneiras falou-nos Deus através dos profetas. Agora, envia-nos a Sua Palavra! Jesus Cristo Palavra de Deus nasce para ser o nosso divino Mestre. Adoremo-lo juntamente com os Anjos do Céu e as pessoas da terra.

 

Hebreus 1, 1-6

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. 2Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. 3Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus 4e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. 5A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? 6E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

 

Hebreus, o célebre escrito doutrinal e exortatório, começa com um prólogo solene que nos situa, sem rodeios, perante a suma dignidade da pessoa de Jesus Cristo, à semelhança do prólogo do Evangelho de S. João. Começa por mostrar que é n’Ele que o Pai nos fala e se revela de modo exaustivo e definitivo, em contraste com toda a revelação anterior, fragmentária, variada e feita numa fase da história da salvação já superada. «Falou-nos por seu Filho», por isso a história da salvação chegou ao seu apogeu e plenitude, de modo que já não há lugar para mais nenhuma revelação ulterior (cf. DV, 4). Como observa S. João da Cruz, o Pai tendo-nos dito a sua própria Palavra, já não tem mais outra palavra para nos dizer (cf. Subida ao Monte Carmelo, 2, 22).

3 «Esplendor da glória de Deus. Fórmula muito expressiva no original, mas dificilmente traduzível em toda a sua riqueza. O Filho é a irradiação da substância do Pai, distinto d’Ele, mas da mesma substância; é «Deus de Deus, luz de luz», como diz o símbolo de Niceia para exprimir a processão, ou origem do Filho no Pai, sendo com Ele um mesmo e único Deus.

«Imagem do ser divino». À letra, «reprodução da sua essência». Mais que imagem, quer significar, no original, a marca deixada pelo sinete no lacre, por um selo branco no papel, ou pela matriz na moeda cunhada. O Filho identifica-se com o Pai, quanto ao ser divino, mas esta imagem põe em evidência sobretudo a distinção de Pessoas na igualdade, como o cunho se distingue do objecto cunhado. A primeira expressão visa mais a identidade da natureza («esplendor», ou luz e irradiação).

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: O Verbo fez-Se carne! A sua santa humanidade tornou-Se caminho luminoso! O Verbo é a luz que ilumina e dissipa as trevas dos nossos corações! Acolhamos com alegria a boa nova!

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Santo é o dia que nos trouxe a luz. Vinde adorar o Senhor.

Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra.

 

 

Evangelho*

 

Nota de rodapé

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São João 1, 1-18                              Forma breve: São João 1, 1-5.9-14

1No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, 2Ele estava com Deus. 3Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. 4N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. 5A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. 6[Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.]. 9O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. 10Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. 11Veio para o que era seu e os seus não O receberam. 12Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. 15[João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». 16Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. 17Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. 18A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.]

 

A leitura evangélica de hoje é o prólogo do IV Evangelho, que constitui a chave para uma profunda compreensão de toda a obra do discípulo amado e da Pessoa adorável de Jesus Cristo: Ele é o Verbo incriado, o Deus Unigénito, que assumiu a nossa condição humana e nos oferece a possibilidade de ser filhos de Deus. Discute-se se o Evangelista compôs este texto para encabeçar a sua obra, ou se aproveitou algum hino litúrgico já existente (a que acrescentaria os vv. 6-9.13.15.17-18). Tem a forma dum poema em que os seus 18 versos se podem agrupar em 4 estrofes (vv. 1-5; 6-8; 9-13; 14-18), cada uma com uma ideia central, que se vai ampliando e esclarecendo progressivamente. Este prólogo é como uma solene abertura de uma grande obra musical, onde os grandes temas a desenvolver ao longo do Evangelho começam por ser apontados: o Verbo Incarnado, Luz e Vida dos homens, Messias e revelador do Pai, os testemunhos a seu favor, a resposta humana de aceitação ou de rejeição, bem como as consequências de transcendental importância que tem a dramática alternativa em que o homem é posto perante a pessoa de Jesus.

1 «No princípio». Esta expressão faz-nos pensar no início do Génesis, onde se falava da Primeira Criação, que culminou com a criação do homem; no IV Evangelho fala-se duma Nova Criação, a Redenção operada pelo Verbo Incarnado, que culmina na elevação do homem à dignidade de filho de Deus. A própria noção de «princípio» é diferente em Gn 1, 1 e em Jo 1, 1: lá designava o início do tempo, aqui exprime o princípio absoluto que transcende o tempo e nos situa na própria eternidade de Deus. É muito expressivo o imperfeito de duração do verbo grego «eimi» repetido no v. 1, com três matizes: havia ou existia, estava, era, em contraposição com o aoristo de verbo «gínomai» no v. 3: tudo «foi feito», ao passo que o Verbo «existia», permanecia na existência («havia o Verbo»)! Não é possível fazer uma afirmação mais forte e clara da divindade de Jesus – o Verbo que se fez homem (v. 14) – do que esta frase com que S. João inicia o seu Evangelho: «O Verbo era Deus». Com razão desde os Santos Padres o IV Evangelista é figurado pela águia (cf. Ez 1, 10), pois o seu voo sobe de chofre até às alturas da divindade de Cristo e o seu olhar aquilino penetra nas profundezas do mistério da Pessoa divina de Jesus, no seio da Santíssima Trindade.

3 «Tudo foi feito por Ele». Esta expressão não significa que o Verbo foi o meio ou instrumento de que o Pai se serviu para criar. Ele age juntamente com o Pai e com o mesmo e único poder. A preposição grega «diá» («por») não se usa com genitivo para indicar apenas a causa instrumental; também pode indicar a causa principal como é aqui o caso e em Rom 11, 36. Esta expressão também evidencia que o Verbo não é criatura, uma vez que tudo o que foi feito, foi feito por Ele, em aberto contraste com a sabedoria, que Provérbios e Eclesiástico personificam (Prov 8, 22 ss; Sir 1, 4; 24, 8-9), a qual foi criada e nasceu.

4 «Vida». «Luz». São estes dois dos grandes temas do IV Evangelho (cf. Jo 8, 12; 14, 6). «A Vida era a Luz dos Homens»: o Verbo é a Luz da Vida (Jo 8, 12), Luz que conduz à Vida, Vida que é Luz, e Luz que é Vida. São dois conceitos que caracterizam a esfera da divindade, em oposição antagónica com as trevas, que são o reino de Satanás e seus sequazes. Este antagonismo que está patente ao longo dos escritos paulinos e joaninos, era corrente na literatura da época tanto judaica (em especial de Qumrã), como depois na gnóstica.

5 «As trevas não a receberam». Também se pode traduzir «não a compreenderam», ou «não a dominaram» (tendo em conta o contexto joanino da luta entre a luz e as trevas).

6-8 João não se interessa no seu Evangelho por nos dar a conhecer a vida ou a pregação moral do seu antigo mestre (Jo 1, 37 ss), mas não perde uma ocasião de pôr em realce o seu «testemunho» em favor de Jesus (Jo 1, 16.19.29.35; 3, 27; 5, 33). A insistência, em especial nestes versículos do prólogo (6-8.15) que interrompem o ritmo do poema, concretamente ao dizer que João «não era a Luz», pode dever-se a querer refutar os «joanitas», uma espécie de seita que seguia o Baptista, sem ter chegado a aderir a Cristo (cf. Act 19, 3-4).

9 Este versículo tem diversas traduções legítimas; a litúrgica segue a tradução preferível da Neovulgata, ao passo que a Vulgata dizia: «era a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo».

10 «Não O conheceu», isto é, não O reconheceu como o Verbo de Deus e Salvador.

11 «Os seus» poderia designar o povo de Israel, enquanto propriedade de Deus (cf. Ex 19, 5; Dt 7, 6), mas parece designar, dado o paralelismo com o v. anterior, a humanidade no seu conjunto. A observação amarga de S. João (cf. Jo 12, 37) não tem vigência só para o dia de Natal (cf. Lc 2, 7), pois também cada um de nós sempre pode «acolher» melhor a Jesus.

12 «Deu-lhes o poder», isto é, concedeu-lhes a graça, dom e favor inteiramente gratuito que supera as possibilidades de qualquer criatura. «O Filho de Deus fez-se homem, para que os filhos dos homens, os filhos de Adão, se fizessem filhos de Deus... Ele é o Filho de Deus por natureza, nós pela graça» (Santo Atanásio).

13 «E estes». Textos muito antigos e de grande valor têm o singular – «Este» – (adoptado pela Bíblia de Jerusalém) referido a Jesus, indicando assim simultaneamente a concepção e o parto virginal da Santíssima Virgem (um nascimento sem sangue).

14 Duma penada, S. João exprime toda a riqueza do mistério do Natal, sem se deter a narrar os seus pormenores, como S. Lucas. «Fez-se carne» é um hebraísmo para dizer que Se fez homem; de qualquer modo, põe-se o acento no aspecto mortal e passível: o Verbo eterno, a Segunda Pessoa divina, torna-se um de nós, sem deixar de ser Deus, em tudo igual a nós, excepto no pecado (cf. Hbr 4, 15).

«Habitou», literalmente significa: «ergueu a sua tenda no meio de nós». Parece haver aqui uma alusão à presença de Deus no meio do seu povo, na nuvem branca que pairava, no deserto, sobre a Tenda da Reunião. Esta alusão torna-se mais clara, se temos em conta o texto original grego – «eskénôsen» (ergueu a tenda) – que tem uma certa assonância com «xekhiná» a presença de Deus no meio do Povo (cf. Ex 40, 34-38). Esta presença misteriosa, mas real, continua-se na Santíssima Eucaristia, «Incarnação continuada».

A «Glória» do Verbo incarnado, que S. João e os demais viram, é a manifestação externa da sua divindade: os seus milagres, a sua transfiguração, a sua ressurreição, etc.

«Filho Unigénito». S. João, ao longo de todo o seu Evangelho, tem o cuidado de sempre reservar um termo grego para designar Jesus como Filho do Pai – yiós –, usando outra palavra para se referir a nós, enquanto filhos de Deus: téknon (cf. v. 12). Nós «tornamo-nos» filhos de Deus, (v. 12), ao passo que Jesus é o Filho por natureza, igual ao Pai, o «Unigénito» (vv. 14.18). O termo «Unigénito» (muitos traduzem por «Único») presta-se a exprimir o que a Teologia veio a explicitar como a «geração» eterna, intelectual e única do Verbo no Pai.

«Cheio de graça e de verdade». S. João aplica ao Verbo incarnado a mesma definição que Yahwéh dá de Si mesmo a Moisés em Ex 34, 6: «Deus de muito amor e fidelidade». Por um lado, é mais uma referência à divindade de Cristo, por outro, põe em relevo as qualidades que resumem a grandeza do seu Coração de «pontífice misericordioso e fiel» (Hebr 2, 17).

16 «Graça sobre graça», isto é, graças em catadupa, umas atrás das outras, procedentes da plenitude de Cristo, como duma fonte inexaurível (cf. Jo 7, 37-39), ou também, como pensam alguns, «graça após graça», ou «graça em vez de graça» (Cristo-Moisés, Antiga-Nova Aliança), ou ainda «graça correspondente à graça» (a do Verbo: graça criada-graça incriada).

17 «Jesus Cristo» é aqui identificado explicitamente com o Verbo. A Lei mosaica limitava-se a dar normas, mas só por si não podia salvar ninguém, só a graça que Cristo nos trouxe a salvação.

18 «A Deus nunca ninguém O viu. Todas as «visões» de Deus eram indirectas, pois o homem não pode ver a Deus sem morrer (cf. Ex 19, 21; Is 6, 5), mas em Jesus temos a máxima manifestação de Deus à criatura nesta vida, a tal ponto que, mesmo sem contemplarmos a essência divina, quem vê a Jesus vê o Pai (Jo 14, 9). Com a Incarnação do Verbo temos a maior revelação de Deus à Humanidade.

«O Filho Unigénito, que está no seio do Pai». Outra variante possível na transmissão do texto original: «Deus Unigénito» (adoptada pela Neovulgata).

 

Sugestões para a homilia

 

O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós!

Veio para o que era seu, mas os seus não receberam!

O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós

«O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós!» A liturgia da Palavra na Missa da meia-noite e na Missa da aurora apresentou-nos Jesus Menino nascido em Belém de uma forma pobre e humilde. É verdadeiro Deus, mas vemos uma criança recém nascida. É o nosso Salvador, mas revestido da nossa natureza humana. É eterno, mas nasce no tempo, entra na história da humanidade, nos dias do Rei Herodes, em Belém de Judá, quando César Augusto governava o império romano. Nesta Missa do dia, (da tarde de Natal), fala-nos o Evangelista S. João e o autor da Epístola aos Hebreus. Utilizando uma linguagem solene os textos bíblicos apresentam-nos esta Criança como o Verbo Eterno! O filho de Deus entra na nossa vida temporal, mas Ele foi gerado antes de todos os tempos: «No princípio era o Verbo! O Verbo estava junto do Pai! Mas o Verbo era Deus!» Jesus é o filho Unigénito do Pai. A Carta aos Hebreus também nos apresenta Jesus como o Filho de Deus: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei!» Aquele que contemplamos reclinado na manjedoira é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus! Pois o Verbo de Deus acampou entre nós! «Nós vimos a sua glória de unigénito do Pai!» Ele a Palavra definitiva do Pai por quem tudo foi criado! Deus tinha falado através dos profetas. Agora fala-nos através de seu Filho! O Verbo eterno «tudo sustenta com a sua Palavra!» «Ele é o esplendor da glória de Deus e a perfeita imagem do ser divino!» (Hebreus 1, 1-6) Hoje, em comunhão com toda a Igreja continuamos a proclamar a fé em Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Na recitação do Credo ajoelhamos quando dizemos: «Por nós homens e para nossa salvação desceu do Céu e encarnou pelo poder do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria e Se fez homem!» Verdadeiro Deus porque «o Verbo era Deus»; verdadeiro homem porque «o Verbo Se fez carne e habitou entre nós!» (Jo 1, 1.14)

Veio para o que era seu, mas os seus não receberam!

Natal é festa de alegria, festa de paz, festa de luz, porque o Menino que nasceu é o «Príncipe da Paz», é a «Vida e a Luz dos homens.» No entanto, não podemos esquecer que «o povo vivia nas trevas!» O profeta Isaías afirma que nas trevas brilhou uma grande luz. S. João esclarece, dizendo que «o Verbo era a luz verdadeira que ilumina todo o homem.» Natal lembra-nos com tristeza que nem todos quiseram aceitar Jesus como seu Salvador. «O mundo foi feito por Ele», mas em Belém não havia lugar para Ele nas hospedarias! «Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam!» E pior que isso: «Ele era Vida dos homens» e os homens quiseram dar-lhe a morte logo ao nascer: «José, toma o Menino e sua Mãe! Foge para o Egipto, porque Herodes procura o Menino para o matar!» (Mat 2,13)

O nosso tempo não é melhor que o tempo em que Jesus nasceu, há cerca de dois mil anos. Se acreditamos que Jesus se identifica com os pequeninos, podemos reafirmar com os Evangelistas que Jesus continua a não ter lugar... Talvez pior ainda! Jesus não tinha uma casa para nascer, mas tinha uma Mãe com os braços abertos para o receber, para o acariciar ao seu colo. Hoje, quantas crianças abandonadas, rejeitadas, pelos seus próprios pais. Jesus teve que enfrentar a crueldade de Herodes, que mandou matar as crianças de Belém. Hoje, quantas crianças não chegam a nascer porque são mortas pela vontade de seus pais no seio materno! E isto não apenas numa pequena aldeia, mas à escala mundial! Jesus menino não tinha casa nem berço, hoje há casas e berços, mas não há crianças para as encher de alegria.

O poeta escreveu: «Natal é vida que nasce! Natal é Cristo que vem. Nós somos o seu presépio e a nossa casa é Belém». Pergunto: de que nos serve celebrar o nascimento de Jesus hoje, se amanhã não defendemos o direito à vida das crianças? Direito à vida desde o seio materno. Natal não é apenas recordar o grande Presente que Deus nos enviou, é sobretudo, ter a coragem de nós próprios sermos a Presença de Deus, tornar Deus presente para tantas pessoas que nunca recebem um gesto de amor. Amar é tornar Deus presente no meio de nós! Alguém escreveu: «É sempre Natal no coração que ama!» Façamos de toda a nossa vida um contínuo dia de Natal. Boas festas para todos.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, neste dia de Natal peçamos a Deus Pai,

Que inunde de paz a terra inteira e o coração de todos, suplicando:

 

Abençoai, Senhor o vosso povo

 

 

1.  Pela Santa Igreja, a grande família de Deus na terra:

pelo Papa Bento XVI, bispos, presbíteros, diáconos e catequistas

para que contemplem no Menino de Belém, Jesus  o nosso Salvador,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos governantes das nações

para que aprendam à luz do Natal

a promover a paz e a concórdia e lancem ao fogo as armas da morte

oremos.

 

3.  Pelos fiéis de todas as Igrejas cristãs

Para que, nesta santa noite de Natal,

Adorem o Salvador e vivam a alegria da partilha do pão da paz e do amor, 

oremos.

 

4.  Por todos nós aqui reunidos, na Missa de Natal

pelos nossos familiares vivos e falecidos,

oremos.

 

 

 Deus nosso Pai,

Que fizestes nascer da Virgem Maria

O Salvador prometido há tantos séculos, escutai os anseios do nosso coração

E as súplicas que Vos apresentamos com toda a confiança.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A Vida que Estava Junto do Pai, A. Cartageno, NRMS 56

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a oblação que Vos apresentamos neste dia solene de Natal, em que nasceu para nós a verdadeira paz e reconciliação e se instituiu entre os homens a plenitude do culto divino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós! À luz da fé Jesus nasce todos os dias no coração de quem acredita e O recebe. Agradeçamos o dom de sermos filhos de Deus porque «aqueles que recebem Jesus e acreditam no seu nome são filhos de Deus» (Evangelho)

 

Cântico da Comunhão: O Verbo Fez-se Carne, Az. Oliveira, NRMS 47

Salmo 97, 3

Antífona da comunhão: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: A Minha Alma Louva o Senhor, M. Carneiro, NRMS 76

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus misericordioso, que o Salvador do mundo hoje nascido, assim como nos comunicou a sua vida divina, nos faça também participantes da sua imortalidade. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Natal é tempo de reconciliação familiar. Gostamos de reunir toda a família e celebrar cristãmente esta época festiva! Desejamos para todos esta Paz divina que os Anjos anunciaram em Belém. Jesus Menino, o Príncipe da paz, a todos abençoe com este presente do céu: paz e bem para todos os homens de boa vontade!

 

Cântico final: Cantem, Cantem os Anjos, M. Faria, NRMS 56

 

Beijar o Menino: Vamos Todos a Belém, Az. Oliveira, NRMS 15

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO NATAL

 

feira, 26-XII: S. Estêvão: Firmes até ao fim

Act. 6, 8-10; 7, 54-59 / Mt. 10, 17-22

E todos sereis odiados por acusa do meu nome. Mas aquele que permanecer firme até ao fim é que há-de salvar-se.

Estêvão foi um dos primeiros sete diáconos, escolhidos pelos Apóstolos e foi também o primeiro mártir da Igreja. Na sua última oração, enquanto era apedrejado, pedia ao Senhor que lhe concedesse a vida eterna: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito», e que perdoasse aos seus algozes: «Não os acuses deste pecado» (Ev.). Deste modo imitava Jesus durante a sua Paixão.

Na nossa vida encontraremos também algumas dificuldades e adversidades. Com a ajuda da graça de Deus é importante permanecermos firmes até ao fim (cf. Ev.).

 

feira, 27-XII: S. João: As riquezas de Cristo.

1 Jo. 1, 1-4 / Jo. 20, 2-8

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos, e as nossas mãos tocaram acerca do Verbo da Vida, é o que nós vos anunciamos.

João, conhecido como o discípulo amado (cf. Ev.), obteve abundantes provas dessa amizade: recebeu um maior conhecimento dos mistérios da vida de Jesus; repousou a cabeça no peito do Senhor na Última Ceia; esteve junto da Cruz; recebeu Nossa Senhora como sua Mãe e nossa Mãe…

Todas estas riquezas foram devidamente assimiladas e transmitidas (cf. Leit.). Procuremos imitar o seu exemplo de fé: «viu e acreditou», «anunciou» aquilo que aprendeu e contemplou nos anos passados junto do Senhor.

 

feira, 28-XII: S. Inocentes: O sofrimento e a Redenção.

1 Jo. 1, 5-2, 2 / Mt. 2, 13-18

Foge para o Egipto e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para o matar.

A fuga para o Egipto (cf. Ev.) e a matança dos Inocentes manifestam, já desde o princípio, a oposição a Cristo. Esta crueldade continua manifestar-se nos nossos dias e é levada a cabo por todos aqueles que querem eliminar Jesus da vida da sociedade: são constantes os ataques à lei de Deus.

Põe-nos também o problema do sofrimento: Jesus é «Vítima de expiação pelos nossos pecados…e também pelos do mundo inteiro» (Leit.). Com os nossos sofrimentos unimo-nos a Cristo para a salvação do mundo.

 

feira, 29-XII: Exigências da luz que apareceu

1 Jo. 2, 3-11 / Lc. 2, 22-35

(Simeão): Porque os meus olhos viram a vossa salvação… luz para se revelar aos pagãos e glória de Israel, vosso povo.

Quarenta dias após o nascimento de Jesus, Maria e José apresentaram-no no Templo, conforme prescrevia a lei de Moisés. Simeão reconhece o aparecimento da luz (cf. Ev.).

Este aparecimento da luz traz consigo também um sinal de contradição: «uma espada te há-de trespassar a alma» (Ev.). É a profecia do sofrimento de Nossa Senhora e de todos os discípulos de Cristo. E exige também o amor ao próximo: «quem ama seu irmão permanece na luz» (Leit.). Este amor está marcado pela cruz do convívio diário, que serve para fortalecê-lo.

 

Sábado, 30-XII: O encontro com o Senhor e o espírito mundano.

1 Jo. 2, 12-17 / Lc. 2, 36-40

Estando (Ana) na mesma ocasião, começou, por sua vez a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos…

A profetiza Ana passava o tempo ao serviço do Senhor, no Templo de Jerusalém. E recebeu naquele dia uma prenda: poder ver o Salvador (cf. Ev.).

Procuremos neste Natal ir muitas vezes ao encontro do Senhor para o louvarmos e lhe agradecermos a sua vinda. E não nos cansemos de comunicar esta alegria a muitos, como fez Ana. Quem se aproxima do Senhor já não se deve deixar arrastar pelas propostas mundanas: «desejos da carne, desejos dos olhos e orgulho da riqueza» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:                     José Roque

Nota Exegética:                       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                            Duarte Nuno Rocha

 


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