1º Domingo do Advento

3 de Dezembro de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh! Que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 24, 1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio. Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Temos muitas incertezas no pensamento: preocupa-nos a saúde e ajuda que receberemos, se vier a surgir uma crise; de carácter económico, quer por causa da insegurança do trabalho, quer pela contínua subida do custo de vida, quer ainda pelas surpresas que a vida nos reserva; de liberdade e segurança da vida, ao tomar conhecimento de tantos casos de assaltos, agressões e roubos.

A incerteza gera a angústia. Nesta confusão, somos tentados a procurar um redentor que nos resolva estes problemas. Onde encontrá-lo?

 

O demónio – Inimigo do homem e fomentador da morte em todas as suas formas, do ódio e da divisão – tenta-nos com falsos redentores.

Muitas vezes, no meio desta desorientação, seguimo-los e desistimos da nossa confiança no Senhor.

Arrependamo-nos destes maus passos e imploremos humildemente perdão.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Jeremias inaugura a Liturgia da Palavra deste Advento com um texto que é um pórtico de esperança.

Deus vaia cumprir a Sua promessa de salvação. Um descendente de David será o Messias Salvador.

 

 

Jeremias 33, 14-16

Eis o que diz o Senhor: 14«Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: 15Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra. 16Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’».

 

O profeta Jeremias, em face de ruína do seu povo e da destruição da cidade de Jerusalém pelas tropas de Nabucodonosor no ano 587, lança um grito de esperança, apelando para as antigas promessas divinas, como a célebre profecia de Natã (2 Sam 7) e a das bênçãos de Jacob (Gn 49, 10). O texto é extraído da parte final do chamado «Livro da Consolação» de Jeremias (Jer 30, 1 – 33, 26) e pensa-se que a sua redacção corresponde a esta época do fim do reinado de Sedecias. A verdade é que a organização dos oráculos que constam desta vasta e complexa obra não obedece a critérios cronológicos, mas temáticos. Lembrar que já antes, no ano 597, Nabucodonosor tinha conquistado e submetido a tributo Jerusalém e levado cativos homens mais notáveis juntamente com o jovem monarca Yoyaquin, filho de Yoyaquim, tendo deixado no trono o seu tio Sedecias, como rei vassalo.

15 «Um rebento». Metáfora clássica com que os profetas designam o Messias, «descendente» de David (cf. Is 4, 2; 11, 1; Jer 23, 5; Zac 3, 8).

16 «Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’». O nome indica a vocação da futura Jerusalém (a Igreja), um povo justificado por Deus, chamado a participar da sua santidade (cf. Is 1, 26).

Como curiosidade, diga-se que este texto não aparece na versão grega dos LXX, que, por esta razão, parece transmitir um texto mais puro, isto é, sem repetições; a leitura de hoje é um duplicado de Jer 23, 5-6.

 

Salmo Responsorial      Sl 24 (25), 4bc-5ab.8-9.10.14 (R.1b)

 

Monição: Como resposta à promessa de Jeremias, o Salmo 24 é uma súplica ao Altíssimo, cheia de confiança, em que o justo pede a graça de caminhar sempre pelo caminho recto.

É que não basta a iniciativa de Deus para nos salvar. Ele quer fazê-lo de mãos dadas connosco.

 

 

Refrão:         Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.

 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,

ensinai-me as vossas veredas.

Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,

porque Vós sois Deus, meu Salvador.

 

O Senhor é bom e recto,

ensina o caminho aos pecadores.

Orienta os humildes na justiça

e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

 

Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade

para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.

O Senhor trata com familiaridade os que O temem

e dá-lhes a conhecer a sua aliança.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Depois de ter recebido, por intermédio de Timóteo, notícias agradáveis sobre a vida espiritual na comunidade de Tessalónica, S. Paulo manifesta a sua alegria, ao tomar conhecimento delas, e faz uma súplica: O Senhor vos conceda aumento e abundância de caridade uns para com os outros e para com todos, como nós temos tido para convosco.

 

 

1 Tessalonicenses 3, 12-4, 2

Irmãos: 12O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco. 13O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor, com todos os santos. 1Finalmente, irmãos, eis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus: recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais. 2Conheceis bem as normas que vos demos da parte do Senhor Jesus.

 

A leitura contém uma bênção (final do cap. 3) e um pedido ou apelo (início do cap. 4), com a mesma ideia de fundo: a de «crescer» (ou exceder-se, v. 12) e «progredir» (vv. 1 e 10), no «proceder» (à letra, «caminhar») «para agradar a Deus». De facto, a vida cristã é um caminho em que nunca se acaba de atingir a perfeição, e tem de se lutar sem descanso para chegar à meta (cf. Filp 3, 12-15), que corresponde à «vinda de Jesus, com todos os santos». O tempo do Advento encerra um apelo para que todos nos preparemos para esta segunda vinda de Jesus (a parusia).

A vida cristã também é encarada por S. Lucas, o Evangelista deste Ano C, como um «caminho» (cf. Act 9, 2; 18, 25.26; 19, 9.23; 22, 4; 24, 14.22). Notar como na parte mais característica do III Evangelho (Lc 9, 51 – 19, 27), S. Lucas apresenta Jesus a caminho de Jerusalém, seguido dos seus discípulos e convidando outros a segui-l'O pelo caminho da renúncia (cf. Lc 9, 57-62).

 

Aclamação ao Evangelho          Sl 84, 8

 

Monição: Unamos a nossa oração à súplica de tantos Patriarcas, Profetas e pessoas de boa vontade do Antigo Testamento, para que o Senhor apresse a Sua vinda.

 

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 21, 25-28.34-36

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 25«Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. 26Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. 27Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. 34Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, 35e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele sobrevirá sobre todos os que habitam a terra inteira. 36Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para terdes a força de vos livrar de tudo o que vai acontecer e poderdes estar firmes na presença do Filho do homem».

 

A leitura é uma selecção de versículos do chamado «discurso escatológico» de Lucas, em que se entrelaçam três realidades distintas, que temos dificuldade em destrinçar: a destruição de Jerusalém, o fim dos tempos e a segunda vinda de Cristo. Esta dificuldade de interpretação torna-se maior em virtude da linguagem simbólica usada, própria dos profetas e do género apocalíptico, e pelo facto de o fim de Jerusalém aparecer como uma imagem do fim do mundo; por outro lado, nem Jesus nem os Evangelistas pretendem com estas palavras satisfazer a curiosidade humana acerca de quando e de como vai ser o fim deste mundo efémero, pois o que se tem em vista é uma exortação a superar as dificuldades e perseguições que ameaçam os fiéis e a permanecer firmes na fé e vigilantes até ao fim: «vigiai e orai em todo o tempo» (v. 36). Este discurso é também um grito de esperança para todos os cristãos sujeitos a sofrimentos de toda a espécie: «erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima» (v. 28).

25-26 A comoção do «universo» – descrita em S. Marcos com mais realismo e com citações literais do Antigo Testamento – não aparece como um anúncio ou sinal prévio da vinda do Filho do Homem, mas forma parte da própria parusia: o próprio cosmos, e não apenas a humanidade, estremecerá de pavor perante a tremenda majestade do supremo Juiz, que surgirá com todo o seu poder e glória. Há aqui uma referência clara ao Juízo final, universal e público, verdade de fé que professamos no Credo. Jesus descreve-nos este acontecimento com o mesmo colorido do «Dia de Javé», o dia da justa retribuição definitiva, anunciado pelos Profetas (Is 34, 4; 13, 10; cf. Ez 32, 7-8; Joel 2, 10; 4, 15-16; etc). As «forças celestes» são as forças que mantêm os astros nas suas órbitas, ou, por uma metonímia, os próprios astros. Estas imagens grandiosas e aterradoras, pertencentes ao estilo apocalíptico, prestam-se a encarecer a singular seriedade dos acontecimentos anunciados, bem como a suma dignidade do Juiz, Senhor do Universo. O Catecismo da Igreja Católica fala do Juízo final como sendo a palavra definitiva do Senhor sobre toda a história, que «revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte» (n.º 1040).

27 «O Filho do Homem vir numa nuvem». Não se trata de uma vinda do tipo espiritual, místico ou moral, mas duma vinda com poder e majestade, para o Juízo final (como disse, um artigo da fé professada no «Credo»). A nuvem é uma imagem cheia de grandiosidade, própria do estilo apocalíptico, que contém uma clara referência a Daniel 7, 13; é a partir desta passagem profética que Jesus adopta o título (talvez a partir da figura de linguagem chamada asteísmo), ao mesmo tempo glorioso e humilde, de Filho do Homem. A nuvem, que ao mesmo tempo tem a propriedade de revelar e de esconder, acompanha frequentemente as teofanias (Gn 9, 13s; Jz 5, 4s; Job 38, 1; Ez 1, 4.28; Mc 9, 7) e algumas vezes aparece como o carro de Javé (ls 19,1; Salm 10, 3).

 

Sugestões para a homilia

 

O mundo em que vivemos

O Senhor virá libertar-nos

– Uma nova Evangelização

– A Salvação de Cristo passa por nós

– As nossas interrogações

Caminhos de conversão

– As três vindas de Cristo

– Hora de esperança

O mundo em que vivemos

Temos consciência da nossa falta de liberdade e de segurança. Fazemos plenamente nossas as palavras de S. Paulo: «Eu não faço todo o bem que quero e faço algum mal que não quero

Encontramos sinais claros da actuação do demónio no mundo:

– A cultura da morte (aborto, eutanásia e guerras), imposta como atitude racional;

– Uma profunda e inconsolável tristeza e falta de esperança no futuro, apesar dos clubes de riso, como terapia. Por isso as pessoas criaram o hábito de olhar apenas para o dia de hoje, vendo as pessoas e o mundo por um prisma materialista.

– A desunião entre as pessoas e nações, soprada por uma ambição desmedida de bens materiais. (Quando anunciaram a um célebre estadista português que tinha sido descoberto em Angola, a sua resposta foi desconcertante: «Só nos faltava mais essa!» Os factos vieram a dar-lhe razão. Aguçou-se a inveja e ambição das grandes potências).

Para além da nossa fragilidade pessoal, oprimem-nos tantas estruturas de pecado que nos empurram violentamente para ele, tantos maus exemplos e aliciamento dos que vivem connosco, para que os imitemos no seu descaminho.

Confiamos plenamente no Senhor, para vencer estas dificuldades que nos impedem de preparar a vinda do Senhor.

O Senhor virá libertar-nos

Enquanto em muitas regiões da terra se vive com fervor e heroísmo a fidelidade a Cristo, deixámos que o paganismo se voltasse a implantar no nosso meio.

Para muitos, o modo de pensar já não é cristão: põem-se de lado valores naturais, como a vida, a honestidade nos negócios, o respeito pelas pessoas e a honestidade de costumes.

Esta situação é fortificada por duas realidades: apresentam-se os vícios como sinais de progresso, de evolução; e os que antes eram cristãos já não se aproximam para ouvir as verdades do Evangelho.

 

Uma nova Evangelização. Por isso, João Paulo II, de saudosa memória, fala-nos da Nova Evangelização. Par além da verdade de sempre, temos necessidade de:

Novos púlpitos. Já não se encontram exclusivamente nas igrejas. São a praça pública, os cafés, o mundo do trabalho e o do divertimento.

Testemunho. As pessoas deixaram de ser sensíveis aos discursos eloquentes. Querem testemunhos de vida. Lançam-nos um desafio constante: «Mostrai-nos com as vossas vidas que Cristo vive!» Pedem-nos, sobretudo, testemunhos de Amor, de caridade.

Nova linguagem. Mantendo heróica fidelidade à doutrina de sempre, temos de procurar novos modos de expressão, para que sejamos entendidos.

 

A Salvação de Cristo passa por nós. A promessa do Senhor vai cumprir-se, como nos anuncia o profeta Jeremias.

Mas o Senhor pede-nos uma porta aberta para entrar no mundo e realizar as maravilhas do Seu Amor: a porta do nosso coração, as nossas vidas.

Temos de reconquistar a própria liberdade e ajudar os outros a fazê-lo, pela meditação da Palavra de Deus e obras de salvação.

Por isso, o tempo do Advento é, fundamentalmente, um chamamento à conversão pessoal e ao apostolado pessoal. Muitas pessoas precisam ser ajudadas, uma a uma, a caminhar ao encontro de Jesus Cristo, presente na Sua Palavra e nos Sacramentos.

Não nos deixemos intimidar pelas dificuldades com que nos enfrentamos. As dos primeiros cristãos não foram menores. E, para além do mais, encontravam um obstáculo que parecia intransponível: não podiam declarar a sua condição de cristãos, porque isso podia custar-lhes a vida. E, no entanto, em poucos anos, deram à luz, com lágrimas e sangue de martírio, o mundo novo que nos legaram.

 

As nossas interrogações. Ao começar mais um Advento, em que se concretiza, sinceramente, a nossa esperança? Melhor mesa? Mais prazer? Mais dinheiro? Ou santidade pessoal com todas as suas exigências?

Que esforços concretos estamos dispostos a fazer, para nos convertermos e ajudarmos os outros?

Caminhos de conversão

S. Lucas fala-nos, em linguagem figurada, de grandes movimentos de conversão: «Nos últimos dias haverá sinais no Sol, na Lua e nas Estrelas e, na Terra, angústia entre as nações, que ficarão perturbadas com o rugido e a agitação do mar

 

As três vindas de Cristo. É pela conversão pessoa, numa luta diária, que havemos de preparar as três vindas de Cristo, indissoluvelmente articuladas entre si:

A vinda histórica. Não nos contentamos em preparar uma simples comemoração de um facto histórico, mas queremos preparar a celebração, a trazer para a nossa vida esse grande acontecimento e tomar parte nele. A preparação duma festa exige renovação, trabalho intenso, principalmente dentro de nós.

A vinda escatológica. Jesus Cristo virá no fim dos tempos, sobre as nuvens do Céu, para julgar os vivos e os mortos. Para nós, esta vinda é, de algum modo, antecipada, no momento da morte. A situação definitiva então criada, já não sofrerá modificação no fim do mundo.

A vinda mística. Todas as vezes que passamos do pecado à vida da graça, ou damos um passo em frente no caminho da santidade, podemos dizer que Jesus Cristo renasce em nós.

Para a preparação desta vinda convergem as outras duas.

 

 Hora de esperança. Não há razão para vivermos atemorizados perante um mundo hostil que rejeita os valores do Evangelho. Jesus Cristo antecipa-se às nossas dúvidas e hesitações, recomendando-nos: «Quando isto começar a acontecer, endireitai-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima

Estas convulsões sociais são uma confissão velada da fraqueza do demónio e dos que o seguem, e de que se aproxima a sua derrota. Não será com a nossa força que vamos modificar o mundo, mas pela força de Deus. Ofereçamos apenas o humilde contributo para que isto aconteça.

O Senhor anima-nos a fazer isto mesmo, na Celebração da Eucaristia de cada Domingo.

Com o auxílio de Maria, nossa Mãe, seremos instrumentos da criação de um mundo novo.

 

Fala o Santo Padre

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Hoje tem início o tempo de Advento, itinerário de renovação espiritual em preparação para o Natal. Ressoam na liturgia as vozes dos profetas, que anunciam o Messias convidando para a conversão do coração e para a oração. O último deles, e de todos o maior, João Baptista grita: «Preparai o caminho do Senhor» (Lc 3, 4), porque Ele «virá visitar o seu povo na paz».

2. Vem Cristo, Príncipe da paz! Preparar-nos para o seu Natal significa despertar em nós e no mundo inteiro a esperança da paz. A paz acima de tudo nos corações, que se constrói depondo as armas do rancor, da vingança e de toda a forma de egoísmo.

O mundo tem grande necessidade desta paz. Penso de modo especial, com profunda dor, nos últimos episódios de violência no Médio Oriente e no Continente africano, assim como naqueles que os noticiários quotidianos difundem em tantas outras partes da Terra. Renovo o meu apelo aos responsáveis das grandes religiões: unamos as forças para pregar a não-violência, o perdão e a reconciliação! «Bem-aventurados os humildes porque herdarão a terra» (Mt 5, 5).

3. Neste itinerário de expectativa e de esperança que é o Advento, a Comunidade eclesial identifica-se mais do que nunca na Virgem Santíssima. Seja Ela, a Virgem da expectativa que nos ajuda a abrir os nossos corações Àquele que traz, com a sua vinda entre nós, o dom inestimável da paz à humanidade inteira.

 

Papa João Paulo II, Angelus, 30 de Novembro de 2003

 

 

Oração Universal

 

Cheios de confiança nas promessas de Jesus Cristo,

imploremos, com humildade, por Ele, ao Pai, no Espírito Santo,

que apresse a Sua vinda que nos encherá de alegria e consolação,

dizendo: Senhor, apressai a Vossa vinda!

 

1.  Pelo Santo Padre, Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

para que anunciem com optimismo e entusiasmo,

o mundo novo que Jesus Cristo nos promete,

oremos, irmãos.

 

Senhor, apressai a Vossa vinda!

 

2.  Pelas famílias do mundo inteiro, cercadas de dificuldades

para que, apoiando toda a sua confiança em Jesus Cristo,

fomentem alegremente a cultura da vida e do amor,

oremos, irmãos.

 

Senhor, apressai a Vossa vinda!

 

3.  Pelos governantes de todas as nações do mundo,

para que o Senhor Jesus os faça compreender

que o seu trabalho só tem sentido à luz do Evangelho,

oremos, irmãos.

 

Senhor, apressai a Vossa vinda!

 

4.  Pelos jovens das nossas comunidades, igreja de amanhã,

para que se preparem para enfrentar a construção

de um mundo novo que tenha por centro Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

Senhor, apressai a Vossa vinda!

 

5.  Pelos desiludidos da vida e desanimados na vida espiritual,

para que apoiem fortemente a sua esperança no Divino Mestre

e se decidam a recomeçar a luta pela santidade pessoal,

oremos, irmãos.

 

Senhor, apressai a Vossa vinda!

 

6.  Pelas almas dos nossos familiares, amigos e conhecidos

que se purificam, depois desta vida para entrar no Céu,

para que, pela misericórdia de Deus e nossos sufrágios,

contemplem, quanto antes, a glória da Santíssima Trindade,

oremos, irmãos.

 

Senhor, apressai a Vossa vinda!

 

Senhor, que nos concedeis mais uma Advento,

para prepararmos com seriedade a eternidade feliz:

Ajudai-nos a vencer o medo ao sacrifício diário

que nos pede a luta pela santidade pessoal,

e assim nos tornarmos dignos das Vossas promessas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo. 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Que temos e Somos, M. Faria, NRMS 7 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698]

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Saudação da Paz

 

Jesus Cristo é anunciado como o Príncipe da Paz, Aquele que destruirá todos os instrumentos de guerra. Mas esta paz só é possível na medida em que colaborarmos com Deus, perdoando as ofensas e vivendo como irmãos de mãos dadas.

Com o desejo de colaborar na verdadeira paz que Jesus Cristo nos quer oferecer,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor promete-nos, com a Sua vinda ao mundo, a verdadeira felicidade com que tantas vezes sonhamos.

Afinal, a verdadeira paz é Ele mesmo que Se nos dá generosamente na Santíssima Eucaristia. Procuremos recebê-l’O com a pureza, amor e devoção com que O recebeu Nossa Senhora, na sua vida terrena.

 

Cântico da Comunhão: Povos que Caminhais, J. Santos, NRMS 64

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Cântico de acção de graças: Velai sobre nós (Antífona), J. Santos, NRMS 40

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor quer continuar esta missa na nossa vida, durante a semana, em todos os lugares em que nos encontrarmos.

É, sobretudo pelo testemunho de vida no trabalho, na família, no convívio humano que os nossos companheiros, cansados de palavras que não correspondem à vida, que hão-de descobrir o rosto atraente de Jesus Cristo.

 

Cântico final: O Senhor Virá, F. Silva, NRMS 7 (I) 

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

2ª feira, 4-XII: Fé para receber o Senhor.

Is. 2, 1-5 / Mt. 8, 5-11

Vinde, pois! Subamos ao monte do Senhor… Que Ele nos ensine os seus caminhos, e nós sigamos pelas suas veredas.

Para prepararmos, neste tempo de Advento, a vinda do Senhor, temos as sugestões do profeta Isaías (Leit.) e o relato da cura do criado do centurião (Ev.).

«Caminhemos à luz do Senhor» (Leit.). Essa luz que o Senhor nos dá é a luz da fé, para melhor entendermos tudo o que nos acontece: contrariedades, sofrimentos etc. Precisamos ver as coisas como Deus as vê. «Em ninguém de Israel encontrei fé tão grande» (Ev.). Peçamos um aumento de fé para podermos acolher cada palavra do Senhor, para que se concretize numa pequena conversão.

 

3ª feira, 5-XII: A acção do Espírito Santo.

Is. 11, 1-10 / Lc. 10, 21-24

Sobre Ele repousará o Espírito do Senhor. Espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza.

É muito importante a acção do Espírito Santo. Isaías profetiza esta actuação no próprio Messias (cf. Leit.) e ela leva Jesus a agradecer ao Pai: «Jesus estremeceu de alegria pela acção do Espírito Santo» (Ev.).

Esta plenitude do Espírito Santo há-de ser comunicada a todo o povo messiânico. Ele também actua em Nossa Senhora e daí nasce o Filho de Deus. O Espírito Santo, Senhor que dá a vida, quer igualmente formar em nós a imagem de Cristo, quer restituir ao homem a ‘semelhança divina’ (cf. CIC, 720).

 

4ª feira, 6-XII: O banquete eucarístico e o da vida eterna.

Is. 25, 6-10 / Mt. 15, 29-37

O Senhor do Universo há-de preparar, para todos os povos, no Monte Sião, um banquete de pratos suculentos.

Há no mundo uma grande fome de Deus e o Messias prepara um grande banquete (cf. Leit.); e até materialmente mata a fome a uma grande multidão: «todos comeram e ficaram saciados» (Ev.).

Este banquete prefigura a super abundância do pão eucarístico (cf. CIC, 1335) e também o banquete da vida eterna (cf. Oração). Peçamos a Deus, como Jesus nos ensinou: «O pão-nosso de cada dia nos dai hoje»; tenhamos verdadeira ‘fome’ de receber o pão eucarístico; melhoremos as nossas disposições para viver bem a celebração eucarística, através de muitas comunhões espirituais.

 

5ª feira, 7-XII: O Messias é uma rocha eterna.

Is. 26, 1-6 / Mt. 7, 21. 24-27

Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática será semelhante a um homem prudente, que fez a sua casa sobre rocha.

O Messias é apontado como uma rocha: «O Senhor é uma rocha eterna» (Leit.). E todos nós somos convidados a edificar a nossa vida sobre rocha, e não sobre a areia.

Edificamos a nossa vida sobre Cristo quando ouvimos a sua palavra (cf. Ev.): conselhos sobre os nossos problemas de cada dia, que se referem ao trabalho, à vida familiar, à construção de uma sociedade mais justa. E depois a procuramos levar à prática (cf. Ev.): em cada dia podemos pôr um pouco mais de empenho em melhorar a nossa vida de acordo com os ensinamentos do Senhor.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:                     Fernando Silva

Nota Exegética:                       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                            Duarte Nuno Rocha

 


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