DOCUMENTAÇÃO

JOÃO PAULO II


O PAPEL DA MULHER NA EUROPA



(Excerto da Exortação Apostólica «Ecclesia in Europa» [28-VI-03], nn. 42-43)


42. A Igreja está ciente do contributo específico da mulher para o serviço do Evangelho da esperança. A história da comunidade cristã atesta que as mulheres sempre tiveram um lugar de relevo no testemunho do Evangelho. Recorde-se tudo o que elas fizeram, muitas vezes em silêncio e sem dar nas vistas, para acolher e transmitir o dom de Deus, seja mediante a maternidade física e espiritual, a acção educativa, a catequese, a realização de grandes obras de caridade, seja através da vida de oração e contemplação, das experiências místicas e da redacção de escritos ricos de sabedoria evangélica 1.

À luz dos valiosos testemunhos do passado, a Igreja exprime a sua confiança naquilo que as mulheres podem fazer hoje pelo crescimento da esperança a todos os níveis. Há aspectos da sociedade europeia contemporânea que constituem um desafio para a capacidade tenaz e desinteressada que as mulheres têm de acolher, partilhar e gerar no amor. Basta pensar, por exemplo, na generalizada mentalidade técnico-científica que deixa na sombra a dimensão afectiva e a função dos sentimentos, na carência de generosidade, no frequente receio de dar a vida a novas criaturas, na dificuldade de viver uma relação de reciprocidade com o outro e de acolher quem é diverso. É neste contexto que a Igreja espera das mulheres o contributo vivificante duma nova onda de esperança.


43. Mas, para que isto se verifique, é necessário que, a começar na Igreja, seja promovida a dignidade da mulher, porque é idêntica a dignidade da mulher e a do homem, criados ambos à imagem e semelhança de Deus (cf. Gen 1, 27) e enriquecidos cada um de dons próprios e particulares.

Para favorecer a plena participação da mulher na vida e na missão da Igreja, é desejável, como foi sublinhado no Sínodo, que os seus dotes sejam mais intensamente valorizados, também mediante a assunção das funções eclesiais reservadas por direito aos leigos. Deve ser também valorizada adequadamente a missão da mulher como esposa e mãe e a sua dedicação à vida familiar 2.

A Igreja não deixa de levantar a sua voz para denunciar as injustiças e as violências perpetradas contra as mulheres, sejam quais forem o lugar e as circunstâncias em que aconteçam. Ela pede que sejam realmente aplicadas as leis que protegem a mulher e sejam adoptadas medidas eficazes contra o uso humilhante de imagens femininas na propaganda comercial e contra o flagelo da prostituição; espera que o serviço prestado pela mãe – de igual modo como o que presta o pai – na vida doméstica seja considerado como contributo para o bem comum, através mesmo de formas de retribuição económica.

1 Cf. Propositio 30.

2 Cf. Ibid.


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