Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

3ª Missa

2 de Novembro de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Rom 8, 11

Antífona de entrada: Deus, que ressuscitou Jesus de entre os mortos, também dará a vida aos nossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em nós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A nossa fé faz-nos ver para além da morte. Jesus quer que a avivemos. E também a nossa esperança e a caridade para com os que partiram.

 

Oração colecta: Senhor, que pela vitória do vosso Filho sobre a morte, O exaltastes no reino da glória, concedei aos nossos irmãos defuntos que, libertos desta vida mortal, possam contemplar-Vos para sempre como seu Criador e Redentor. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na carta aos tessalonicenses o Apóstolo esclarece dúvidas sobre as verdades do Além. Avivemos a nossa fé e procuremos conhecer bem o que o Senhor ensinou.

 

(N. B. — Há outras possibilidades de leituras para esta Missa)

 

1 Tessalonicenses 4, 13-18

13Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança. 14Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. 15Eis o que temos para vos dizer, segundo a palavra do Senhor: Nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. 16Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 18Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

 

Os cristãos de Tessalónica, tinham sido evangelizados pouco antes, na segunda viagem missionária de S. Paulo, provavelmente durante o Inverno de 50-51. Embora o Apóstolo não tenha podido permanecer ali por muito tempo (apenas 2 ou 3 meses) tornaram-se uma comunidade modelar (cf. 1 Tes 1, 7), mas a verdade é que não estavam devidamente esclarecidos acerca da sorte dos seus defuntos surpreendidos pela morte antes da vinda gloriosa de Jesus. Julgavam que eles já não poderiam tomar parte no triunfo glorioso da segunda vinda do Senhor (a parusia), que julgavam estar para breve; era esta mais uma forte razão para andarem preocupados e tristes, segundo as notícias que Timóteo, enviado desde Atenas, lhe tinha trazido a Corinto (cf. 1 Tes 3, 1-2.6). 13.

S. Paulo, consciente das «deficiências da fé» dos tessalonicenses (cf. 3, 10), trata agora de os esclarecer na fé e de os consolar, escrevendo: «para vos não contristardes» (v. 13). Paulo garante-lhes que «Deus levará com Jesus os que tiverem morrido n’Ele» (v. 14), não estando excluídos de estar «para sempre com o Senhor» (v. 17). O Apóstolo apela para «uma palavra do Senhor», mas discute-se sobre qual a palavra a que se refere; uns pensam no discurso escatológico dos Sinópticos, outros numa revelação pessoal, outros nalguma palavra de Jesus das não consignadas nos Evangelhos (ágrapha)

15 «Nós os vivos, os que ficarmos». Pelo que sabemos doutros textos paulinos, S. Paulo não estava convencido de que havia de ficar para a parusia (cf. 1 Cor 15, 30-31; 2 Cor 1, 8-9; 4, 14; Filp 2, 17); quando muito, manifestaria uma vaga esperança de vir a ficar (BJ). O mais provável é que exprima na primeira pessoa do plural o que só dizia respeito a uma parte dos cristãos, sem se incluir nessa parte: é uma ficção literária a que os gramáticos dão o nome de enálage pessoal, e que S. Paulo usa mais vezes. «Não precederemos...», isto é, os que viverem na ocasião da 2.ª vinda de Jesus não levarão vantagem aos que já morreram, pois então estes, «os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro» e os que então viverem vivos, «os que tivermos ficado seremos arrebatados», na linguagem mais clara de 1 Cor 15, 51-53, «serão transformados», isto é, glorificados.

A linguagem com que S. Paulo se exprime é simbólica, por isso não se deve tomar à letra; era corrente na literatura apocalíptica judaica, utilizada para exprimir uma realidade misteriosa e transcendente, uma intervenção certa e portentosa de Deus; assim é o caso de: «a voz do arcanjo», «a trombeta divina», «as nuvens e o Senhor nos ares (cfr. Dan 7, 13). Por outro lado, S. Paulo utiliza a mesma linguagem do mundo helenístico para as visitas festivas[1], a vinda duma personagem importante, chamada parousia, a que correspondia a jubilosa saída dos cidadãos ao seu encontro, chamada avástasis. Ora sucede que nesta passagem paulina ocorrem ao mesmo tempo os dois vocábulos, pois, «para irmos ao encontro do Senhor» diz-se: eis anástasin tou Kyriou.

O importante é que todos, tanto os que vivem como os que morreram, «estaremos sempre com o Senhor»; esta é a certeza da fé capaz de consolar aqueles fiéis e a nós também.

 

Salmo Responsorial      Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1 ou 4a)

 

Monição: O salmo 22 é um cântico jubiloso da confiança no Senhor, que nos guia na terra até chegar ao céu.

 

Refrão:         O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Ou:                Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

                      nada temo, porque Vós estais comigo.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo

me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários

com óleo me perfumais a cabeça,

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 6, 51

 

Monição Jesus convida-nos agora a avivar a nossa fé. Ele veio par nos salvar, para alcançarmos o céu. Não só com a nossa alma mas também com o nosso corpo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu

quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 37-40

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 37«Todos aqueles que o Pai Me dá virão a Mim e àqueles que vêm a Mim não os rejeitarei, 38porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou. 39E a vontade d’Aquele que Me enviou é esta: que Eu não perca nenhum dos que Ele Me deu, mas os ressuscite no último dia. 40De facto, é esta a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e acredita n’Ele tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia».

 

As palavras do Senhor são solenes, como se pode ver pela repetição dos vv. 37.39.40, palavras que enchem de esperança todos os fiéis, ou seja, aqueles que, movidos pela graça de Deus – «tudo o que o Pai me dá» vêm a Jesus pela fé na sua palavra e nas suas obras - «virá a Mim». A fé em Jesus leva à «vida eterna» e à «ressurreição no último dia», isto é, no fim dos tempos.

 

Sugestões para a homilia

 

(ver 1ª missa)

 

 

Oração Universal

 

(ver 1ª missa)

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Para vós Senhor, elevo, B. Salgado, NRMS 4 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Recebei benignamente, Senhor, esta oblação em favor de todos os vossos fiéis que adormeceram em Cristo e fazei que, libertos dos laços da morte, por este sacrifício de salvação mereçam entrar na vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus está vivo na Eucaristia. É Jesus ressuscitado, que é penhor da nossa ressurreição.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

Filip 3, 20-21

Antífona da Comunhão: Esperamos o nosso Salvador, Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo mortal à imagem do seu Corpo glorioso.

 

Oração depois da Comunhão: Derramai, Senhor, a abundância da vossa misericórdia sobre os nossos irmãos defuntos, pelos quais Vos oferecemos este sacrifício; Vós que lhes destes a graça do Baptismo, dai-lhes a plenitude da alegria eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A nossa fé enche-nos de consolação e esperança. E há-de levar-nos a ajudar mais os que estão para partir e os que já se encontram na eternidade.

 

Cântico final: Vós sois o caminho, J. Santos, NRMS 42

 

 

Homilias Feriais

 

6ª feira, 3-XI: S. Martinho de Porres: Generosidade no serviço ao próximo.

Filip. 1, 1-11 / Lc. 14, 1-6

Jesus tomou a palavra e disse aos doutores da Lei e aos fariseus: É permitido ou não fazer curas ao sábado?

Jesus lembra que o serviço ao próximo não viola o repouso sabático, e é muito importante: «O homem, a única criatura que Deus quis por si mesma, não pode encontrar-se plenamente senão por um dom sincero de si mesmo» (G.S., 24).

S. Paulo dá um belo exemplo desse serviço: lembra-se de todos nas suas orações; tem saudades deles; pede pela sua perseverança, confiado na ajuda de Cristo (cf. Leit.). S. Martinho de Porres aprendeu muitos ofícios para se dedicar à enfermagem em favor dos pobres.

 

Sábado, 4-XI: S. Carlos Borromeu: a morte é um lucro.

Filip. 1, 18-26 / Lc. 14, 1. 7-11

É que para mim, viver é Cristo, e morrer, um lucro.

A morte de Cristo é também um lucro para nós: «Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos» (J. Paulo II).

Se temos fé a nossa própria morte é um lucro, porque ela é a chave que nos abre a porta do reino dos céus. Para isso, sigamos o conselho do Senhor: «pois todo aquele que se eleva será humilhado, e o que se humilha será elevado» (Ev.). Jesus humilhou-se para nos obter a salvação. S. Carlos Borromeu promoveu por todos os meios a renovação da vida cristã, obtendo a salvação de muitos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:            Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 



[1]               Assim pensa L. Cerfaux, Le Christ dans la théologie de Saint Paul, Paris, Cerf, 21954, pp. 29-34. J. Dupont pensa antes na analogia Ex 19, 17 – o encontro do povo com Yahwéh –, mas o termo grego usado pelos LXX é outro.


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial