7º Domingo da Páscoa

23 de Maio de 2004


Onde a solenidade da Ascensão se celebra na quinta-feira da Semana VI do Tempo Pascal.


RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Aproximai-Vos do Senhor, F. da Silva, NCT 375

Salmo 26, 7-9

Antífona de entrada: Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica. Diz-me o coração: «Procurai a sua face». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto. Aleluia.


Diz-se o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


Deixai que todos continuem e viver a alegria da Boa Nova de Cristo Ressuscitado. A Páscoa continua. Nem a Ascensão diminui este sentimento. Antes o aviva com a promessa «Eu estarei sempre convosco».

Com os sentimentos continuados da ressurreição iniciamos a celebração deste domingo


Oração colecta: Ouvi, Senhor, a oração do vosso povo e fazei que, assim como acreditamos que o Salvador do género humano está convosco na glória, assim também sintamos que, segundo a sua promessa, está connosco até ao fim dos tempos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: O início dos Actos dos Apóstolos narra como Jesus, quarenta dias depois da Páscoa, sobe ao céu na presença dos discípulos.


Actos dos Apóstolos 7, 55-60

Naqueles dias, 55Estêvão, cheio do Espírito Santo, de olhos fitos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé à sua direita 56e exclamou: «Vejo o Céu aberto e o Filho do homem de pé à direita de Deus». 57Então levantaram um grande clamor e taparam os ouvidos; depois atiraram-se todos contra ele, 58empurraram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas colocaram os mantos aos pés de um jovem chamado Saulo. 59Enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito». 60Depois ajoelhou-se e bradou com voz forte: «Senhor, não lhes atribuas este pecado». Dito isto, expirou.


O diácono Estêvão tinha sido acusado perante o Sinédrio, com testemunhas falsas, do grave crime de blasfémia (6, 11-14). O relato não fala de uma sentença de morte; o seu apedrejamento é descrito como tratando-se de um linchamento popular, com a aprovação tácita do Sinédrio, que não gozava do poder de executar a pena de morte. O primeiro mártir cristão morre como o Mestre: condenado injustamente perdoa aos perseguidores e reza por eles.


Salmo Responsorial Sl 96 (97), 1.2b.6.7c.9 (R. 1a.9a ou Aleluia)


Monição: A aclamação dos crentes já era oração do povo de Israel que esperava o Messias.


Refrão: O Senhor é Rei,

o Altíssimo sobre toda a terra.


Ou: Aleluia.


O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas;

a justiça e o direito são a base do seu trono.


Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória,

todos os deuses se prostram diante do Senhor.

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.


Segunda Leitura


Monição: Cristo ressuscitado era uma verdade frequentemente repetida por S. Paulo nas suas epístolas como no trecho que vamos escutar.


Apocalipse 22, 12-14.16-17.20

Eu, João, ouvi uma voz que me dizia: 12«Eis que venho em breve e trago comigo a recompensa, para dar a cada um segundo as suas obras. 13Eu sou o Alfa e o Ómega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. 14Felizes os que lavam as suas vestes, para terem direito à árvore da vida e poderem entrar, pelas portas, na cidade. 16Eu, Jesus, enviei o meu Anjo para vos dar testemunho no que diz respeito às Igrejas. Eu sou o rebento da descendência de David, a estrela brilhante da manhã». 17O Espírito e a Esposa dizem: «Vem!». E aquele que ouvir diga: «Vem!». Quem tem sede, venha; e quem a deseja, receba de graça a água da vida. 20Aquele que dá testemunho destas coisas diz: «Sim, Eu venho em breve». Amen! Vem, Senhor Jesus!


A leitura oferece-nos alguns versículos respigados do final do Apocalipse. Os títulos de Jesus, indicam, por um lado, a sua condição divina de Senhor da História (v. 12), por outro, a sua condição de Messias anunciado pelos profetas (v. 16): «rebento de David» (Is 11, 1.10) e «estrela da manhã» (Num 24, 17). O Apocalipse termina com chave de ouro: um diálogo impressionante amoroso entre a «Esposa» que é a Igreja animada pelo Espírito Santo e o seu Esposo no Céu, um diálogo a viver por cada um dos fiéis – «aquele que ouvir diga… vem, Senhor Jesus!»


Aclamação ao Evangelho cf. Jo 14, 18


Monição: Tendo sofrido a ignomínia da cruz, Cristo glorioso é fonte de esperança e de salvação.


Aleluia


Não vos deixarei órfãos, diz o Senhor:

vou partir, mas virei de novo e alegrar-se-á o vosso coração.


Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51



Evangelho


São João 17, 20-26

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: 20«Pai santo, não peço somente por eles, mas também por aqueles que vão acreditar em Mim por meio da sua palavra, 21para que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti, para que também eles sejam um em Nós e o mundo acredite que Tu Me enviaste. 22Eu dei-lhes a glória que Tu Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: 23Eu neles e Tu em Mim, para que sejam consumados na unidade e o mundo reconheça que Tu Me enviaste e que os amaste como a Mim. 24Pai, quero que onde Eu estou, também estejam comigo os que Me deste, para que vejam a minha glória, a glória que Me deste, por Me teres amado antes da criação do mundo. 25Pai justo, o mundo não Te conheceu, mas Eu conheci-Te e estes reconheceram que Tu Me enviaste. 26Dei-lhes a conhecer o teu nome e dá-lo-ei a conhecer, para que o amor com que Me amaste esteja neles e Eu esteja neles».


A leitura corresponde à parte final da chamada oração sacerdotal de Jesus, que ocupa todo o capítulo 17 de S. João, com que termina o longo discurso do adeus. Jesus não pede uma unidade qualquer para os crentes, suplica «que eles cheguem à perfeição da unidade», como traduz Vanhoye o v. 23. A repetição nestes versículos, por três vezes (vv. 20.24.25), do vocativo «Pai», e com a adjectivação de «santo» (v. 20) e de «justo» (v. 25), confere ao final da oração sacerdotal uma maior intensidade e até mesmo emotividade. De facto está em causa que se mantenha firme a obra de Jesus, a sua Igreja na unidade da fé e do amor, aliás Jesus veria baldado todo o seu sacrifício e entrega total à salvação da humanidade.


Sugestões para a homilia


O Evangelista Lucas no termo do seu primeiro livro narra a aparecimento aos Apóstolos de Jesus ressuscitado e o dom da paz então concedido.

E, face ao susto manifestado por estes, Cristo sossega-os com a pergunta: «porque têm tantas dúvidas a meu respeito? Olhem para as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo». E fala-lhes como o Messias tinha de sofrer como já antes lhes tinha dito e eles sabiam pelos livros sagrados: a Lei, os Profetas, os Salmos.

É assim que está escrito: «O Messias tinha de morrer e ao terceiro dia ressuscitar, e em seu nome se havia de pregar em todas as nações o arrependimento e o perdão dos pecados.

A Palavra que nos é dado meditar neste domingo é o grande mistério que vimos a celebrar desde a Vigília Pascal.

A pregação do Reino, feita antes com palavras é agora patente com os factos. É de salientar um pormenor; a ligação permanente entre dor e glória, morte e ressurreição. Já muito antes, quando «uns gregos se dirigem aos Apóstolos e lhes dizem «nós queríamos ver Jesus», João conta-nos que «entre os que tinham ido a Jerusalém para adorar a Deus» se encontravam alguns gregos «que se dirigiram a Filipe» dizendo que queriam conhecer Jesus. O pedido chega a Jesus e o divino Mestre afirma: «chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado», e conta a história da semente que morre para germinar e dar fruto, e fala da sua morte. A morte e a ressurreição de Cristo era para os Apóstolos um mistério que eles não podiam compreender.

No texto do presente domingo toma uma dimensão inteiramente nova porque Aquele que tinha sido crucificado estava ali, vivo, na sua presença.

Duas lições para a nossa vida. A dor, o sofrimento, andam sempre associados à vida e à pregação de Cristo. Os discípulos nunca foram iludidos. Jesus não esconde a realidade da cruz. Por outro lado a cruz é redentora, a morte é vencida, e Cristo apresenta-se glorioso diante dos discípulos. Assim como a semente se transforma e dá uma nova planta, de igual modo a morte e sepultura de Cristo é passagem para nova vida, a vida da Igreja, na missão que Cristo lhe comunica. Havia de ser pregado o arrependimento e o perdão dos pecados.

A paróquia célula da Igreja diocesana, a Igreja, vive da ressurreição de Cristo. A liturgia Eucarística é actualização permanente deste mistério de glória que vimos a celebrar há sete domingos. O mistério da ressurreição, o mistério da Páscoa merece o recolhimento e interiorização que nos faz ver Jesus. Alegria que se torna um gesto comum de caridade, alegria que se comunica e nos torna mais família em que todos partilham a felicidade, o gosto do bem. A ressurreição de Cristo é o tesouro dos fiéis, não uma riqueza para guardar de forma avarenta excluindo os irmãos, mas um bem comum que ajuda a todos a colocar-se em atitude de louvor, de serviço e de comunhão.

No Cenáculo os Apóstolos partilharam em comunhão a Paz: «a paz esteja convosco». No Cenáculo desta Eucaristia, conduzidos pela fé, experimentamos idêntica comunhão. Todos servem. Todos beneficiam com o serviço de todos. Cristo é a grande riqueza que nos vem trazer a paz.

Honra e louvor a Cristo glorioso, Senhor dos céus e da terra.



Oração Universal


Ver Solenidade da Ascensão



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Para Vós Senhor, M. Carneiro, NRMS 73-74


Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor.


Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473; ou da Ascensão: p. 474 [604-716]


Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)


Monição da Comunhão


O sacramento da Eucaristia que Cristo Jesus instituiu na Quinta-Feira Santa haveria de perpetuar no tempo a sua glorificação.


Cântico da Comunhão: Senhor, Eu Creio que Sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

cf. Jo 17, 22

Antífona da comunhão: Eu Vos peço, ó Pai: assim como Nós somos um, também eles sejam consumados na unidade. Aleluia.


Cântico de acção de graças: Cantai ao Senhor um cântico novo, J. Santos, NRMS 36


Oração depois da comunhão: Ouvi-nos, Deus nosso salvador, e, por estes sagrados mistérios, confirmai a nossa esperança de que todo o Corpo da Igreja alcançará um dia o mistério de glória inaugurado em Cristo, sua Cabeça. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Ritos Finais


Monição final


Na Última Ceia Jesus declara que chegou a hora em que o Filho do Homem havia de ser glorificado. Hoje estamos a celebrar essa glorificação de Cristo ressuscitado que veio para a todos salvar.

A ressurreição é a fonte de vida nova. É a nossa esperança. No próximo domingo celebraremos a o cumprimento da promessa «Eu vou mas o Pai vos enviará o Paráclito».


Cântico final: Eu Quero Viver na Tua Alegria, H. Faria, NRMS 11-12



Homilias Feriais


7ª SEMANA


2ª feira, 24-V: Como vencer nas lutas diárias

Act 19, 1-8 / Jo 16, 29-33

No mundo, haveis de sofrer tribulações. Mas tende coragem! Eu venci mundo.

Esta luta parece-nos por vezes desigual. Mas «uma coisa é certa: o grande dragão (o demónio) já foi derrotado... Venceram-no Cristo, Deus feito homem, com a sua morte e ressurreição...» (INE, 122.

Contamos igualmente com a ajuda do Espírito Santo: «Quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo veio sobre eles» (Leit.). «Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo renova-nos interiormente por uma transformação espiritual, ilumina-nos e fortalece-nos para vivermos como ‘filhos da luz’ em toda a espécie de bondade, justiça e verdade» (CIC, 1695). Recorramos também a Maria, Auxílio dos cristãos.


3ª feira, 25-V: A ‘hora de Jesus’ e do Espírito Santo

Act 20, 17-27 / Jo 17, 1-11

Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: Pai, chegou a hora.

«Chegou, por fim, a hora de Jesus (cf. Ev. Do dia). Jesus entrega o seu espírito nas mãos do Pai, no momento em que, pela sua morte, vence a morte, de tal modo que, ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, logo dá o Espírito Santo, soprando sobre os discípulos» (CIC, 730).

É esse Espírito Santo que orienta a vida dos primeiros cristãos: «Só sei que o Espírito Santo me avisa de cidade em cidade, que me aguardam cadeias e tribulações» (Leit.). O Espírito Santo é o mestre da vida interior, doce hóspede e amigo que inspira, guia, rectifica e fortalece essa vida (cf. CIC, 1696).


4ª feira, 26-V: A defesa do rebanho pela oração

Act 20, 28-38 / Jo 17, 11-19

Jesus ergueu os olhos ao céu e orou deste modo: Pai santo, guarda os meus discípulos no teu nome.

«A tradição cristã chamou-lhe, a justo título, a ‘oração sacerdotal’ de Jesus. Ela é, de facto, a oração do nosso Sumo Sacerdote, inseparável do seu sacrifício, da sua passagem (páscoa) deste mundo para o Pai, em que é inteiramente consagrado ao Pai » (CIC, 2747).

S. Paulo pede igualmente aos anciãos de Éfeso: «Tomai cuidado convosco e com todo o rebanho» (Leit.). O Apóstolo sabia que o seu rebanho seria atacado por lobos violentos, por homens com palavras perversas, para arrastarem os discípulos. Este cenário tem muita actualidade. Invoquemos a Mãe da Igreja, para que todos os pastores saibam defender os sus rebanhos.


5ª feira, 27-V: Unidade da Igreja e evangelização

Act 22, 30; 23, 6-11 / Jo 17, 20-26

(Jesus): para que todos sejam um só, como nós somos um só: Eu neles e tu em mim.

A oração sacerdotal de Jesus recorda-nos unidade dos discípulos: «Cristo dá sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. Foi por esta intenção que Jesus orou no hora da sua paixão e não cessa de orar ao Pai pela unidade dos seus discípulos» (CIC, 820).

A unidade da Igreja é condição importante para a evangelização: «O anúncio do Evangelho da esperança será mais forte e eficaz, se puder contar com o testemunho duma profunda unidade e comunhão na Igreja» (INE, 53).


6ª feira, 28-V: Pedido de Pedro é pedido de Jesus.

Act 25, 13-21 / Jo 21, 15-19

Simão, filho de João, tu amas-Me?... Apascenta as minhas ovelhas.

«Foi só de Simão, a quem deu o nome de Pedro, que o Senhor fez a pedra da sua Igreja. Confiou-lhe as chaves desta e instituiu-o pastor de todo o rebanho... este munus pastoral de Pedro e dos outros apóstolos pertence aos fundamentos da Igreja e é continuado pelos bispos sob o primado do Papa» (CIC, 881).

Procuremos levar à prática os conselhos que o Papa nos dá sobre a evangelização da Europa: «as nossas comunidades eclesiais... têm necessidade de ouvir de novo a voz do Esposo, que as convida à conversão, desafia-as a ousarem coisas novas e chama-as a comprometerem-se na grande obra da nova evangelização» (INE, 23).


Sábado, 29-V: Na esteira de João e Paulo

Act 28, 16-20 / Jo 21, 20-25

É esse discípulo que dá testemunho dessas coisas e as escreveu.

João acompanhou Jesus, foi seu amigo íntimo e quis partilhar connosco o que presenciou e viveu . Também Paulo, embora prisioneiro durante dois anos em Roma, não deixou de ensinar o que dizia respeito a Jesus (cf. Leit.).

Procuremos ter nas nossas mãos o Evangelho. É do Senhor que o recebemos,. Devoremos o seu conteúdo, saboreando-o. E assim «ficaremos cheios de esperança e capazes de comunicá-lo a todo o homem e mulher que encontrarmos no nosso caminho» (INE, 65).







Celebração e Homilia: José Valentim Pereira Vilar

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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