17º Domingo Comum

30 de Julho de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, F. dos Santos, NRMS 38

Salmo 67, 6-7.36

Antífona de entrada: Deus vive na sua morada santa, Ele prepara uma casa para o pobre. É a força e o vigor do seu povo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Se somos filhos de um mesmo Pai, como nos lembra São Paulo na primeira leitura, não se entende por que tantos homens e mulheres vivem na extrema pobreza enquanto outros vivem na extrema riqueza. No mundo de hoje investe-se muito dinheiro em guerra, em viagem espaciais, em tratamentos para emagrecer. Os que detêm o capital criam condições cada vez mais injustas e pretendem fazer mais dinheiro, explorando os recursos que restam, mesmo se com isso destroem tudo e acabam com as condições de vida sobre a terra. Nenhum ser humano poderia morrer de fome, pois a terra tem o suficiente para alimentar a todos. Os cristãos não devem duvidar da partilha, pois ela é a chave para tornar a fraternidade uma realidade e para reconhecermos que realmente somos filhos do mesmo Pai! Quando se reparte com satisfação e alegria o alimento, este se multiplica e ainda sobra.

 

Oração colecta: Deus, protector dos que em Vós esperam: sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na primeira leitura o profeta Eliseu, ao partilhar o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que o rodeiam, testemunha a vontade de Deus em saciar a «fome» do mundo; e sugere que Deus vem ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os «profetas» são convidados a realizar.

 

2 Reis 4, 42-44

Naqueles dias, 42veio um homem da povoação de Baal-Salisa e trouxe a Eliseu, o homem de Deus, pão feito com os primeiros frutos da colheita. Eram vinte pães de cevada e trigo novo no seu alforge. Eliseu disse: «Dá-os a comer a essa gente». 43O servo respondeu: «Como posso com isto dar de comer a cem pessoas?» Eliseu insistiu: «Dá-os a comer a essa gente, porque assim fala o Senhor: ‘Comerão e ainda há-de sobrar’». 44Deu-lhos e eles comeram, e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor.

 

O nosso texto é extraído do chamado «ciclo de Eliseu» (2 Rs 2, 13 – 13, 25), onde se contam grandes prodígios deste profeta. Foi escolhido para a Liturgia de hoje para pôr em evidência a superioridade de Jesus sobre o maior taumaturgo de todos os profetas. De facto, o contraste é flagrante: com 20 pães Eliseu alimentou 100 pessoas, ao passo que Jesus, com 5 pães, alimenta 5000. A desproporção é de 1 para 5 e de 1 para mil, e nem sequer o aspecto prodigioso se situa no mesmo plano, pois não se diz que Eliseu multiplicou o pão, mas apenas que fartou a sua gente.

 

Salmo Responsorial      Sl 144 (145), 10-11.15-16.17-18 (R. cf. 16)

 

Monição: O Salmo 144 é uma manifestação da total confiança na providência divina. Unamos a nossa voz à daqueles que sabem que o Senhor a todos sacia generosamente.

 

Refrão:         Abris, Senhor, as vossas mãos

                      e saciais a nossa fome.

 

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas

e bendigam-Vos os vossos fiéis.

Proclamem a glória do vosso reino

e anunciem os vossos feitos gloriosos.

 

Todos têm os olhos postos em Vós,

e a seu tempo lhes dais o alimento.

Abris as vossas mãos

e todos saciais generosamente.

 

O Senhor é justo em todos os seus caminhos

e perfeito em todas as suas obras.

O Senhor está perto de quantos O invocam,

de quantos O invocam em verdade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda leitura, Paulo lembra aos crentes algumas exigências da vida cristã. Recomenda-lhes, especialmente, a humildade, a mansidão e a paciência: são atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos.

 

Efésios 4, 1-6

Irmãos: 1Eu, prisioneiro pela causa do Senhor, recomendo-vos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamados: 2procedei com toda a humildade, mansidão e paciência; suportai-vos uns aos outros com caridade; 3empenhai-vos em manter a unidade de espírito pelo vínculo da paz. 4Há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança na vida a que fostes chamados. 5Há um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo. 6Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, actua em todos e em todos Se encontra.

 

A leitura corresponde ao início das exortações morais da Epístola (cap. 4 – 6). Pelo que diz no v. 1 – «estou na prisão»– ficamos a saber que S. Paulo escreve estando prisioneiro. Segundo a opinião tradicional,  S. Paulo estaria no primeiro cativeiro romano, entre os anos 60-61 e 62-63; o Apóstolo não estava num calabouço, mas no regime da «custodia libera», com o braço direito preso ao esquerdo dum soldado que se revezava, esperando, numa certa liberdade, vivendo por conta própria (cf. Act 28, 16), a hora de ser julgado no tribunal imperial.

3-6 A unidade de espírito, para que se apela tem uma base doutrinal sólida: «Há um só Corpo», o de Cristo, que é uma única Igreja (cf. Ef 1, 22-23); «há um só Espírito», o Espírito Santo, a alma da Igreja; «uma só esperança», o mesmo Céu para todos, a vida eterna a que estamos destinados; «há só Senhor, uma só fé…». Como diz o Vaticano II, no decreto sobre o ecumenismo,  «o Espírito Santo, que habita nos crentes, enche e rege toda a Igreja, realiza aquela maravilhosa comunhão dos fiéis e une a todos tão intimamente em Cristo, que é o princípio da unidade da Igreja» (UR, 2).

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 7, 16

 

Monição: No Evangelho, Jesus convida os discípulos a despirem a lógica do egoísmo e a assumirem uma lógica de partilha, concretizada no serviço simples e humilde em favor dos irmãos. É esta lógica que permite passar da escravidão à liberdade; é esta lógica que fará nascer um mundo novo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Apareceu entre nós um grande profeta:

Deus visitou o seu povo.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 1-15

Naquele tempo, 1Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades. 2Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes. 3Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. 4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?» 6Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. 7Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, 8André, irmão de Simão Pedro: 9«Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» 10Jesus respondeu: «Mandai sentar essa gente». Havia muita erva naquele lugar e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. 11Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. 12Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». 13Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. 14Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». 15Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.

 

A importância doutrinal deste capítulo 6 do Quarto Evangelho é posta em evidência pelo facto de ser o mais comprido de todos os relatos joaninos. Não deixa de ser significativo que tenhamos nos Evangelhos seis relatos de multiplicação do pão: esta insistência parece corresponder a um interesse motivado pela relação deste milagre com a Eucaristia, podendo observar-se em todos esses relatos uma grande semelhança de linguagem com os da instituição da Eucaristia, os quais, por sua vez, têm fortes ressonâncias litúrgicas, provenientes certamente da vida das primitivas comunidades. Em João o relato do milagre serve mesmo de introdução ao discurso do pão do Céu que se lhe segue. Por outro lado, fica patente que a pregação de Jesus se dirige a pessoas que não são puros espíritos, mas são gente que precisa tanto do pão para a boca como do pão para a alma. Vêm a propósito as palavras de Bento XVI, Deus caritas est, nº 32: «A prática da caridade  é um acto da Igreja enquanto tal, e também ela, tal como o serviço da Palavra e dos Sacramentos, faz parte da sua missão originária».

É interessante verificar que S. João, além de conservar muitos pormenores que os Sinópticos não transmitiram, em nada contradiz o relato dos outros três Evangelhos. Com efeito, ele refere a ocasião da Páscoa (v. 4), que os pães eram de cevada {v. 9), que o chão tinha erva abundante (v. 10), conserva o nome dos dois discípulos (vv. 5.8) e que quem tinha os 5 pães era um rapaz (v. 9). Por outro lado, o IV Evangelho dá maior relevo à figura de Jesus que é quem toma iniciativas (vv. 6.12).

1.  A tradição cristã palestina considera que «o outro lado do mar da Galileia» não é a margem oriental, mas o outro lado dum golfo existente na mesma margem ocidental (Tabga).

4ss. A referência à proximidade da Páscoa, sublinhada com a referência à muita erva própria da época pascal (v. 10), é como a chave para que o leitor descubra que o milagre da multiplicação do pão prefigura a Páscoa cristã e a instituição da Santíssima Eucaristia.

14. «O Profeta», isto é, o novo Moisés, o Messias anunciado em Dt 18, 15.

 

Sugestões para a homilia

 

A nossa transfiguração

A transfiguração de família

A transfiguração da sociedade

A nossa transfiguração

A 1ª Leitura e o Evangelho apresentam-nos hoje duas multiplicações dos pães.

Não pude deixar de notar que a Bíblia fala continuamente de comida, de banquetes, de vinho, de pão. «Comer» é um dos verbos que aparecem com mais frequência (quase mil vezes, enquanto «orar», que nos parece uma acção mais religiosa, aparece muito menos: só uma centena de vezes). Isto é uma constatação surpreendente para quem julga que a religião só se deve interessar pelo espírito. Mostra-nos assim que a fome do pobre é um problema que tem muito a ver com a opção de fé.

Do que é que se interessa a nossa religião: só do mundo futuro? Não tem nada a dizer sobre a vida deste mundo? Deus não Se preocupará com as nossas necessidades materiais, com a nossa saúde, com a fome? Como é que responde à nossa exigência de pão: fazendo prodígios que nos dispensem de qualquer esforço e colaboração?

A transfiguração de família

Não duvida que Deus intervém. As leituras de hoje dão-nos conta dessa preocupação de Deus em saciar a fome dos homens. Na primeira leitura víamos como Deus envia o profeta Eliseu que pegando na oferta que lhe foi feita sacia a fome de mais de 100 pessoas. E Jesus no Evangelho multiplica os pães para alimentar mais de cinco mil homens.

Com este gesto Jesus mostra-nos que Deus Se preocupa e intervém em nosso favor. Mostra-nos também que chegou o momento de fazer festa porque o Reino dos Céus, em que haverá abundância de pão para os pobres, já começou: «tomou os pães e distribuiu-os... e comeram quanto quiseram». Até os doze cestos que sobraram sublinham esta abundância e são sinais dum alimento destinado a multiplicar-se, a nunca mais acabar. Imagem do mundo novo.

A transfiguração da sociedade

Mas corremos o risco de apenas nos fixarmos nos aspectos prodigiosos destes episódios. E se isso acontece acabamos por não compreender essa multiplicação como «sinais» e perdemos assim a mensagem que é esta: o pão dum só torna-se pão para todos. 

Deus intervém para saciar a nossa fome mas também conta connosco para repartir o Seu pão.

Mas como nascerá este mundo em que haverá pão para todos? Se pensarmos nas enormes carências dos homens de hoje, também nós somos levados a reagir como o homem de Baal-Salisa ou como os apóstolos: o alimento é pouco (cinco pães de cevada), a multidão é grande (cem pessoas, cinco mil homens); «como é que se pode dar de comer a tanta gente?», «o que são cinco pães para tanta gente?». Por vezes, se calhar, também nós julgamos que as condições dramáticas em que vivem tantos homens dependem da vontade de Deus e são consequência duma criação não perfeitamente acabada. Nesse caso, nada mais haveria a fazer senão esperar do céu uma solução milagrosa.

Face à fome no mundo, somos tentados a desanimar ou então a perguntar, como Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?» O Evangelho de Lucas refere a seguinte proposta dos doze: «Despede a multidão para que vá pelas aldeias e casas em redor procurar alimento e onde pernoitar» (Lc 9, 12). Isto quer dizer muito simplesmente «que cada um se arranje!». Não é esta a solução de Jesus para o problema da fome. O egoísmo, o pensar só em si mesmo e nas próprias necessidades, é exactamente o contrário da proposta cristã.

Na multiplicação dos pães, Jesus age a partir do pouco que o povo tem no momento. O milagre não é tanto a multiplicação propriamente dita, mas o que ocorre no interior dos que o ouviam... foram capazes, por um momento, de deixar de lado o egoísmo e partilhar. Compreenderam, que se o povo passa fome, não é tanto pela pobreza em si, mas sim pelo egoísmo dos homens e mulheres, que conformados com o que possuem, não se importam com os mais necessitados. Este gesto de partilha marcou profundamente as primeiras comunidades cristãs. Ao partir o pão descobre-se a presença nova do Ressuscitado!

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso,

e imploremos a misericórdia d’Aquele

que não deseja a morte do pecador,

mas antes que se converta e viva.

 

1. Por toda a Igreja,

para que sejamos capazes de alimentar a quantos têm fome e sede de justiça,

oremos ao Senhor.

 

2. Por todos os governantes do mundo,

para que nas suas estruturas e leis,

seja questão primordial a atenção aos indigentes e excluídos,

oremos ao Senhor.

 

3. Por todas as crianças que morrem famintas,

para que o seu sacrifício seja estímulo que nos una na luta contra a fome,

oremos ao Senhor.

 

4. Por todos nós, cristãos,

para que nunca duvidemos da nossa vocação de animadores

e propagadores da vida, do amor, da justiça e da esperança,

oremos ao Senhor.

 

5. Pela nossa comunidade,

para que se mantenha sempre fiel ao exemplo de Jesus

na hora de comprometer-se na luta de resolver as necessidades das pessoas,

oremos ao Senhor.

 

Oração comunitária

 

Deus, nosso Pai, protector de todo os que confiam em Vós;

dai-nos o pão de cada dia que alimenta o nosso corpo

para seguirmos fortes na construção do vosso Reino;

e dai-nos o Pão da vossa Palavra, que nos dá luz e sentido para as nossas vidas.

Isto vos pedimos por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amen.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que recebemos da vossa generosidade e trazemos ao vosso altar, e fazei que estes sagrados mistérios, por obra da vossa graça, nos santifiquem na vida presente e nos conduzam às alegrias eternas. Por Nosso Senhor.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

O gesto de partilha marcou profundamente as primeiras comunidades cristãs. Que também nós, ao partir o pão, possamos descobrir a presença nova do Ressuscitado!

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o vosso povo, F. da Silva, NRMS 90-91

Salmo 102, 2

Antífona da comunhão: Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e não esqueças os seus benefícios.

 

Ou

Mt 5, 7-8

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor por tudo, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos destes a graça de participar neste divino sacramento, memorial perene da paixão do vosso Filho, fazei que este dom do seu amor infinito sirva para a nossa salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

No final do Evangelho deste Domingo, os discípulos são convidados a recolher os restos, que devem servir para outras «multiplicações». Assim deve ser connosco também. Na verdade, a tarefa dos discípulos de Jesus é uma tarefa nunca acabada, que deverá recomeçar em qualquer tempo e em qualquer lugar onde haja um irmão «com fome». E partilhando com generosidade o nosso pouco, Deus fará grandes coisas e saciará a fome de muitos!

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

17ª SEMANA

 

feira, 31-VII: S. Inácio de Loiola: A transformação do mundo.

Jer. 13, 1-11 / Mt. 13, 31-35

O reino dos céus é semelhante a um fermento que uma mulher tomou e meteu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.

Com a imagem do fermento (cf. Ev.) o Senhor recorda-nos a nossa responsabilidade no convívio com outra pessoas na família, no trabalho, etc., de tal maneira que consigamos transformar o ambiente em que vivemos.

Só é possível se estivermos muito unidos ao Senhor. Caso contrário, todo o nosso esforço será estéril: «tal como a faixa se une à cintura do homem, assim eu tinha unido toda a casa de Israel… Mas eles não quiseram (Leit).  Precisamos pensar um pouco mais em Deus. S. Inácio de Loiola foi um fermento de grande qualidade, tendo contribuído para a reforma da vida cristã e renovação da acção missionária.

 

feira, 1-VIII: S. Afonso Maria de Ligório: Sinais de esperança e preocupação.

Jer. 14, 17-22 / Mt. 13, 44-46

A boa semente são os filhos do Reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que semeou é o demónio.

Esta parábola do trigo e do joio continua a ser de grande actualidade. Junto com os sinais de esperança aparecem igualmente sinais preocupantes: junto com a memória e os valores cristãos há um agnosticismo prático e indiferentismo religioso; junto com símbolos de presença cristã há afirmações de secularismo; junto com a cultura, fruto do cristianismo, há uma nova cultura influenciada pelos meios de comunicação social (cf. João Paulo II). «Chorem os meus olhos, noite e dia lágrimas sem fim, pois grande ruína e chaga torturam a virgem» (Leit.).

S. Afonso Maria de Ligório foi um insigne mestre de Teologia Moral, que muito contribuiu para separação do trigo do joio em matéria de Moral.

 

feira, 2-VIII: S. Eusébio de Vercelas: A descoberta dos tesouros.

Jer. 15, 10. 16-21 / Mt. 13, 44-46

O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o achou…ficou tão contente que foi vender quanto possuía e comprou aquele campo.

Para entrar no Reino, Jesus «exige uma opção radical: para adquirir o reino é preciso dar tudo. As palavras não bastam, exigem-se actos» (CIC, 546). Precisamos dedicar toda a vida à edificação do reino de Deus: primeiro, dentro de nós (vida sacramental e oração); depois, à nossa volta (entrega ao serviço dos irmãos, dando testemunho de Cristo).

A própria palavra de Deus é um tesouro e um alimento: «Quando apareciam as vossas palavras, Senhor, eu logo as tomava como alimento» (Leit.). S. Eusébio de Vercelas combateu corajosamente para a restauração da fé (outro tesouro).

 

feira, 3-VIII: Dar uma boa imagem da Igreja.

Jer. 18, 1-6 / Mt. 13, 47-53

O reino dos Céus é também semelhante a uma grande rede que foi lançada ao mar e apanhou toda a espécie de coisas.

Esta rede lançada ao mar (cf. Ev.) é a imagem da Igreja, em cujo seio há justos e pecadores. «A Igreja é santa no seu Fundador, nos seus meios, mas formada por homens pecadores; temos que contribuir para melhorá-la e ajudá-la a uma fidelidade sempre renovada» (João Paulo II).

A Igreja é fonte de santidade no mundo. Põe à nossa disposição os meios que necessitamos para encontrar Deus. Recebamo-los com toda a devoção e agradecimento. Ajudá-la-emos se formos fiéis à doutrina que Cristo deixou à Igreja. «Como o barro nas mãos do oleiro, assim vós estais nas minhas mãos».

 

feira, 4-VIII: S. João Vianney: Donde vem o poder dos filhos de Deus?

Jer. 26, 1-9 / Mt. 13, 54-58

Não é Ele o filho carpinteiro? Donde lhe vem tudo isto?... E não fez ali muitos milagres por causa da falta de fé.

Uma visão puramente humana (tinham falta de fé) fazia com que os seus conterrâneos vissem em Jesus apenas o filho do carpinteiro (cf. Ev.), esquecendo que Ele era o Messias.

É necessária uma conversão para poder descobrir Deus nos acontecimentos, nas pessoas, e também na sua omnipotência: «talvez eles queiram escutar e se arrependa cada um do seu mau proceder» (Leit.). Sem ser muito dotado humanamente, S. João Vianney realizou uma transformação admirável da sua paróquia e de todas as pessoas, vindas de toda a França, que lhe vinham pedir conselho.

 

Sábado, 5-VIII: Dedicação Basílica S. Maria Maior: Os mártires e Nossa Senhora.

Jer. 26, 11-16. 24 / Mt. 14, 1-12

O rei ficou triste mas, devido aos juramentos e aos convivas…mandou um emissário decapitar João na cadeia.

Os intervenientes nas duas leituras se hoje tiveram sortes diferentes, mas ambos defenderam a verdade: Isaías foi poupado (esse homem não deve ser condenado à morte: cf. Leit.); João Baptista foi decapitado (cf. Ev.).

Nossa Senhora tinha sido proclamada Mãe de Deus no Concílio de Éfeso (431). Em Roma foi-lhe dedicada a Basílica, hoje designada Santa Maria Maior. A sua maternidade também a levou a estar junto da cruz de Jesus, cumprindo a vontade divina, sofrendo e padecendo, colaborando na redenção da humanidade, junto com seu Filho.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                        Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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