13º Domingo Comum

2 de Julho de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor é o Pastor, M. Simões, NRMS 116

cf. Sl 46, 2

Antífona de entrada: Louvai o Senhor, povos de toda a terra, aclamai a Deus com brados de alegria.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nós somos chamados por Deus a uma plenitude de vida que se estende muito para além das dimensões da nossa existência terrena, porque consiste na participação da própria vida de Deus. A sublimidade desta nossa vocação sobrenatural revela-nos a grandeza e o valor precioso da vida humana já na sua fase temporal.

Vamos hoje ouvir a mensagem que a Igreja nos vai transmitir em nome de Jesus Cristo sobre a dignidade da pessoa humana e sobre o valor, o respeito, a defesa, o amor e o serviço que é devido a cada vida humana.

 

oração colecta: Senhor, que pela vossa graça nos tornastes filhos da luz, não permitais que sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas permaneçamos sempre no esplendor da verdade. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O livro da Sabedoria lembra-nos que Deus é o Senhor da Vida e que a morte entrou no mundo por inveja do Demónio. Deus criou o homem para ser incorruptível: criou-o à sua imagem e semelhança.

 

Sabedoria 1, 13-15; 2, 23-25 (23-24)

13Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra de os vivos perecerem. 14Pela criação, deu o ser a todas as coisas e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a Terra, 15pois a justiça é imortal. 23Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem do que Ele é em Si mesmo. 24A morte entrou no mundo pela inveja do Demónio, e os seus partidários sentem-lhe os efeitos.

 

A leitura contém cinco versículos respigados da 1ª parte do livro da Sabedoria, o mais recente dos livros do A. T. e escrito em grego. O autor inspirado mostra como a verdadeira felicidade consiste em fazer a vontade de Deus e disso depende a sorte de cada um após a morte, pois «a justiça (de Deus) é imortal» (v. 15), não deixa de haver uma retribuição justa pelo proceder de cada um. E Deus não quer a morte de ninguém, mas esta é consequência do pecado: «não foi Deus quem fez a morte» (v. 13). Mais adiante (vv. 23-24) insiste-se na mesma ideia, depois de censurar os ímpios que perseguem o justo, cuja vida santa consideram para eles uma repreensão do seu mau proceder. Como pano de fundo do texto, temos a narrativa do Génesis (Gn 3), embora não citada expressamente; na origem do mal e da morte – «não foi Deus quem fez a morte» (v. 23) – está «a serpente antiga, chamada Diabo e Satanás, que seduz toda a humanidade» (Apoc 12, 9), «assassino desde o princípio… mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44); notar que a tradução litúrgica utilizou uma expressão mais suave, «demónio», em vez do termo grego Diabo, que significa caluniador, acusador, a tradução do nome hebraico Satanás.

 

Salmo Responsorial      Sl 29 (30), 2.4.5-6.11.12a.13b (R. 2a)

 

Monição: O Salmo 29 é um cântico de louvor e de acção de graças pela Vida que Jesus Cristo nos restituiu pela sua morte e ressurreição.

 

Refrão:         Eu Vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.

 

Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes

e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.

Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,

vivificastes-me para não descer ao túmulo.

 

Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,

e dai graças ao seu nome santo.

A sua ira dura apenas um momento

e a sua benevolência a vida inteira.

Ao cair da noite vêm as lágrimas

e ao amanhecer volta a alegria.

 

Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,

Senhor, sede Vós o meu auxílio.

Vós convertestes em júbilo o meu pranto:

Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na segunda carta aos Coríntios, recomenda-lhes que sejam generosos na partilha dos seus bens materiais, em favor da comunidade cristã de Jerusalém. Lembra-lhes o exemplo de Jesus Cristo, que sendo rico se fez pobre para nos tornar ricos com a sua pobreza.

 

2 Coríntios 8, 7.9.13-15

Meus irmãos: 7vós sois ricos em tudo: na fé, na eloquência, no conhecimento da doutrina, em toda a espécie de atenções e na caridade que recebestes de nós. Mostrai-vos também ricos em generosidade. 9Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele, que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza. 13Não se trata de vos sobrecarregar a vós, para aliviar os outros, trata-se de procurar a igualdade. 14Na presente ocasião, aquilo que vos sobra compensa o que falta aos vossos irmãos, para que um dia, o que venha a sobrar-lhes compense o que vier a faltar-vos. E assim haverá igualdade, como esta escrito: 15«A quem tinha muito não sobejou, e a quem tinha pouco não faltou.»

 

A leitura é tirada da segunda parte da Carta (2 Cor 8 – 9), escrita da Macedónia; contém um forte apelo do Apóstolo ao desprendimento e à generosidade dos fiéis de Corinto na esmola para socorrer os pobres de Jerusalém. No regresso da sua 3ª viagem missionária, Paulo vai passar por Corinto e ali recolher o fruto da colecta, já recomendada na sua 1ª Carta, a fazer «no primeiro dia da semana», certamente na Liturgia dominical (cf, 1 Cor 16, 2.5) como veio a ser um costume cristão, já referido por S. Justino no século II: «Desde o princípio, com o pão e o vinho para a Eucaristia, os cristãos trazem as suas ofertas para a partilha com os necessitados. Este costume, sempre actual, da colecta inspira-se no exemplo de Cristo, que Se fez pobre para nos enriquecer» (Catecismo da Igr. Cat., nº 1351; cf. S. Justino, Apol. I, 67, 6). A imitação de Cristo passa também pelo exercício das virtudes do desprendimento e da generosidade: «Ele, que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza» (v. 9). S. Paulo faz ainda apelo a uma justa repartição de bens (vv. 13-15), recorrendo ao texto de Ex 16, 18, que se refere à recolha equitativa do maná no deserto.

 

 

Aclamação ao Evangelho          2 Tim 1, 10

 

Monição: Aclamemos o Evangelho que nos narra como Jesus venceu a morte, ressuscitando a filha de Jairo; também exalta a fé daquela mulher que tinha hemorragias havia doze anos e que tocou nas vestes de Jesus, ficando imediatamente curada.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Jesus Cristo, nosso Salvador, destruiu a morte

e fez brilhar a vida por meio do Evangelho.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Marcos 5, 21-43.     Forma breve: São Marcos 5, 21-24.35b-43

Naquele tempo, 21Jesus voltou a atravessar, de barco, para a outra margem do lago. Reuniu-se junto d'Ele grande multidão, e Ele permaneceu a beira-mar. 22Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, 23caiu-lhe aos pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe a mão, para que seja salva e viva.» 24Jesus foi com ele. Acompanhava-O tão grande multidão, que O comprimia. [25Certa mulher tinha hemorragias havia doze anos. 26Sofrera muito com grande número de médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado; antes piorava cada vez mais. 27Como tinha ouvido falar Jesus, veio por detrás, no meio da multidão, e tocou-Lhe na capa. 28Pois dizia consigo: «Se eu, ao menos, Lhe tocar nas vestes, ficarei curada.» 29No mesmo instante, estancou-se-lhe o sangue, e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. 30Jesus notou logo em Si mesmo que saíra d’Ele uma força. Voltou-Se no meio da multidão e perguntou: «Quem Me tocou nas vestes?» 31Diziam-Lhe os discípulos: «Tu vês a multidão que Te aperta e perguntas: «Quem Me tocou?» 32Mas Jesus olhou em volta, para ver aquela que o tinha feito. 33E a mulher, assustada e a tremer, por saber o que Lhe tinha sucedido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe toda a verdade. 34Jesus replicou-Lhe: «Minha filha, foi a tua fé que te salvou! Vai em paz e fica sarada do teu mal.»] 35Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?» 36Mas Jesus, que surpreendera as palavras proferidas, disse ao chefe da sinagoga: «Não tenhas receio. Crê somente.» 37E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. 38Chegaram a casa do chefe da sinagoga. E Jesus deparou com o reboliço e com a gente que chorava e gritava muito. 39Ao entrar, perguntou-lhes: «Porque estais nesta agitação a chorar? A criança não morreu, está a dormir!» 40E riam-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, tomou consigo o pai e a mãe da criança e os que vinham com ele, e entrou no local onde estava a criança. 41Pegou na mão da criança e disse-lhe: «Menina, Eu te ordeno: levanta-te». 42Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E logo se encheram de grande pasmo. 43Jesus fez-lhes instantes recomendações, para que ninguém soubesse do caso, e mandou que dessem de comer à menina.

 

Voltamos hoje ao nosso Evangelho do ano, com mais dois milagres de Jesus (na forma longa da leitura). «O encadeamento destas duas narrações de milagres é tão íntimo e tão natural, que é impossível considerá-lo como obra do evangelista ou da tradição donde as tomou. Trata-se evidentemente da reprodução da realidade histórica. O carácter vivo e gráfico da descrição remete-nos mais uma vez para uma testemunha ocular, Pedro» (Josef Schmid).

22 «Um dos chefes da sinagoga», certamente uma pessoa importante na terra, responsável pela orientação da sinagoga, especialmente nas celebrações dos sábados e dias festivos; competia-lhe dirigir o canto  e as orações, bem como designar o leitor e comentador dos sedarim (secções) em que estava dividido o Pentateuco na Palestina no tempo de Jesus, para ser lido por ciclos de três anos, em forma de lectio continua. É de notar como um homem importante recorre a Jesus numa situação extrema, com a filha a morrer. Marcos, com uma informação mais directa, não enfatiza a situação como Mateus, que fala de que a filha já estava morta (cf. Mt 9, 18).

25 «Certa mulher tinha hemorragias havia doze anos». A hemorragia, constituía uma impureza legal da infeliz mulher, que também tornava impuro tudo e rodos os que ela tocasse. Já farta de sofrer – havia já 12 anos – e de ser maltratada pelos humilhantes métodos curativos rabínicos, atreve-se a recorrer a Jesus. É impressionante a fé humilde e delicada daquela mulher envergonhada, que pensa que não precisa de se sujeitar a expor o seu mal; mas também se considera indigna de tocar em Jesus e, do meio da multidão, sem que fosse notada, limita-se a tocar-lhe na capa pela parte detrás (v. 27). Sentindo-se curada, não o manifesta logo, e, ao ouvir de Jesus que tinha sido tocado (v. 30), fica confundida pelo seu atrevimento e, «assustada e a tremer… veio prostrar-se diante de Jesus e disse-lhe toda a verdade». Não foram, porém, palavras de censura as que ouviu do seu médico, mas o louvor da sua fé e a paz que lhe inundou a alma com a garantia dada duma cura definitiva: «Minha filha, foi a tua fé que te salvou! Vai em paz e fica sarada do teu mal» (v. 34).

36-40 «Não tenhas receio. Crê somente». Para quem crê, Jesus nunca chega demasiado tarde (cf. v. 35) e sobra-lhe o reboliço da gente, o choro e o grito das carpideiras… Jesus, ao fazer bem, não quer dar espectáculo nem provocar alarido que venha a perturbar o seu ministério, por isso só o pai e a mãe da menina hão-de presenciar o milagre, além de Pedro Tiago e João, de que Jesus que fazer como que o núcleo duro dos Doze, pois são os mesmos que hão-de presenciar a Transfiguração e a Agonia, em dois montes contrapostos.

41-43 «Menina, levanta-te!» Inexplicavelmente a versão litúrgica omitiu a expressão original de Jesus «talitá qumi» , umas palavras que terão causado tal impacto nos ouvintes, que jamais se lhes apagaram da memória, e que a tradição conservou tal qual, mesmo quando o Evangelho passou a ser pregado e finalmente escrito na língua grega. Não deixa de ser interessante o pormenor tão realista e tão humano de Jesus ao mandar que dessem de comer à menina, mesmo depois de ela já ter começado a andar.

 

Sugestões para a homilia

 

1. A cultura da vida.

2. O valor da vida.

3. A vida eterna.

1. A cultura da vida

«Deus criou o homem para ser incorruptível» (1ª leitura). A aspiração a uma vida incorruptível está presente no mais íntimo do nosso ser e encontra a sua plena realização na obra salvífica de Jesus Cristo; n'Ele, a benevolência de Deus para com os homens tornou-se visível; Ele revelou-nos por obras e por palavras que coisa é a vida e a força do amor. No Evangelho de S. João vem essa consoladora afirmação saída dos seus lábios divinos e humanos: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10). A todos nos é dirigida a sua promessa que também S. João recolhe no seu Evangelho: «Eu vivo e vós vivereis» (Jo 14, 19). Ele é «o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14, 6).

Esta palavra do Senhor aponta para a vida na sua expressão mais alta: «indica a participação da vida divina que, enquanto verdade criadora é amor, é a única vida em pleno sentido» (João Paulo II).

Na dramática vicissitude de vida e morte reconhecemos o Senhor que, na Sua pessoa, realiza as palavras do livro da Sabedoria que ouvimos na primeira leitura: «Não foi Deus quem fez a morte nem Ele se alegra de os vivos perecerem...Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem do que Ele é em Si mesmo» (Sab 1, 13; 2, 23).

Para demonstrar esta verdade, Jesus restituiu a vida à filha de Jairo. Com a sua morte e a sua Ressurreição, Ele dá início à cultura da vida e insere na história do homem sujeito à morte a resposta da vida, da sua vida divina. A sua Ressurreição está presente e age na história do mundo para uma vida renovada e eterna. Deixando-nos tocar pela força do Seu amor pela vida e acolhendo a graça do Seu amor, despertar-se-ão em nós aquelas energias que ainda não conhecemos e que serão postas ao serviço da vida.

2. O valor da vida

É necessário despertar a todos aqueles que possam ter caído nesse mau sonho de pensar que a vida é uma brincadeira e um jogo mais ou menos divertido...é necessário gritar-lhes que a vida é um tesouro divino que todos temos de fazer frutificar. Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Cristo venceu a morte e só Ele tem palavras de vida eterna (Cfr. Jo 6, 67): «Quem vive e crê em Mim não morrerá para sempre» (Jo 11, 26). Ele é a Ressurreição e a Vida (Cfr. Jo 11, 25).

«Frente às inumeráveis e graves ameaças contra a vida, presentes no mundo contemporâneo, poder-se-ia ficar como que dominado por um sentido de impotência insuperável: jamais o bem poderá ter força para vencer o mal!

Este é o momento em que o Povo de Deus, e nele cada um dos crentes, é chamado a professar, com humildade e coragem, a própria fé em Jesus Cristo, ‘o Verbo da Vida’ (Jo 1, 1). ...O Evangelho da Vida é uma realidade concreta e pessoal, porque consiste no anúncio da própria pessoa de Jesus...Ele é o Filho que, desde toda a eternidade, recebe a vida do Pai (cfr. Jo 5, 26) e veio estar com os homens para os tornar participantes deste dom: ‘Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância’ (Jo 10, 10)» (João Paulo II, O Evangelho da Vida, n.º 29).

3. A vida eterna

Jesus, ao dizer que veio para que todos nós tenhamos vida e em abundância, aponta para a aquela vida «nova» e «eterna» que consiste na comunhão com o Pai, à qual todo o homem é gratuitamente chamado no Filho, por obra do Espírito Santificador. Mas é precisamente em tal vida que todos os aspectos e momentos da vida do homem adquirem pleno sentido.

«A vida que o Filho de Deus veio dar aos homens não se reduz meramente à existência no tempo. A vida, que desde sempre está ‘n'Ele’ e constitui ‘a luz dos homens’ (Jo 1, 4) consiste em ser gerados por Deus e participar na plenitude do seu amor: ‘A todos os que O receberam, aos que crêem n'Ele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; eles que não nasceram do sangue, nem da vontade carnal, nem da vontade do homem, mas sim de Deus’ (Jo 1, 12-13)» (João Paulo II, loc. cit., n.º 37).

«Eterna» é a vida que Jesus promete e dá, porque é plenitude de participação na vida do «Eterno». «Todo aquele que crê em Jesus e vive em comunhão com Ele tem a vida eterna» (Cfr. Jo 3, 15; 6, 40), porque d'Ele escuta as únicas palavras que revelam e comunicam plenitude de vida à existência (Jo 6, 68-69).

«A vida eterna consiste nisto: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a Quem enviaste» (Jo 17, 3 - Oração sacerdotal de Jesus).

A vida eterna é a própria vida de Deus e simultaneamente a vida dos filhos de Deus.

«Glória de Deus é, sim, o homem vivo, mas a vida do homem consiste na visão de Deus» (S. Ireneu).

 

Oração Universal

 

Oremos confiantes a Deus Pai Todo Poderoso,

Criador e Senhor da Vida,

dizendo com confiança:

 

R. Senhor da Vida, atendei-nos.

 

1.  Pelo Papa, pelos Bispos e Sacerdotes:

para que ponham todas as suas forças

na promoção e na defesa da vida,

oremos, irmãos.

 

2.  Pela nossa pátria e pelos nossos governantes:

para que, com leis sábias e oportunas,

salvaguardem o direito de todos à saúde e à vida,

oremos, irmãos.

 

3. Pelas famílias que estão de luto,

para que encontrem na fé a consolação oportuna

na morte dos seus entes queridos,

oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos que sofrem doenças incuráveis

para que aceitem com fortaleza as suas dores,

e saibam unir-se à Paixão de Cristo,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos médicos, enfermeiros e seus familiares

para que saibam ver nos seus doentes

a presença de Jesus Cristo sofredor,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelos defuntos da nossa comunidade e do mundo inteiro:

para que, purificados das sua faltas,

possam contemplar na eternidade o rosto de Cristo glorioso,

oremos, irmãos.

 

Ó Deus, Senhor da vida e da morte:

conduzi os nossos passos hesitantes

de modo que, pelos caminhos do mundo,

saibamos encontrar-Vos e seguir-Vos

na defesa e na cultura da vida.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Os dons que vos trazemos, F. da Silva, NRMS 4 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que assegurais a eficácia dos vossos sacramentos, fazei que este serviço divino seja digno dos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

A união a Jesus Cristo é condição indispensável para termos vida e vida abundante.

Na comunhão eucarística, encontramos em Jesus Cristo o Cordeiro de Deus que veio tirar o pecado do mundo e dar-Se a Si mesmo como alimento dos homens. Ele é o Pão da Vida. A Eucaristia é o Sacramento Santíssimo que nos une cada vez mais a Ele, Caminho, Verdade e Vida: «Se alguém comer deste pão viverá eternamente» – diz o Senhor.

Comunguemos, pois, o Seu Corpo, e estaremos fortalecidos contra as tentações e a nossa vida será sempre do agrado de Deus e repleta de uma admirável fecundidade apostólica.

 

Cântico da Comunhão: Nosso Pai que está no céu, A. Cartageno, NRMS 107

Sl 102, 1

Antífona da Comunhão: A minha alma louva o Senhor, todo o meu ser bendiz o seu nome santo.

Ou:    cf. Jo 17, 20-21

Pai santo, Eu rogo por aqueles que hão-de acreditar em Mim, para que sejam em Nós confirmados na unidade e o mundo acredite que Tu Me enviaste.

 

Cântico de acção de graças: Em Vós, Senhor, ponho a minha esperança, M. Simões, NRMS 116

 

Oração depois da Comunhão: Concedei-nos, Senhor, que o Corpo e o Sangue do vosso Filho, oferecidos em sacrifício e recebidos em comunhão, nos dêem a verdadeira vida, para que, unidos convosco em amor eterno, dêmos frutos que permaneçam para sempre. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alimentados com o pão celestial e com a Palavra de Deus, voltamos às nossas casas muito mais fortalecidos e preparados para vencer as tentações, lutando contra a cultura da morte e perseverando na prática do bem e semeando paz e alegria, e vivendo a verdadeira vida, a vida que vale a pena viver. A ajuda do Senhor não nos faltará.

 

Cântico final: Nós vamos com o Senhor, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

Homilias Feriais

 

13ª SEMANA

 

feira,  3-VII: S. Tomé: Cristo vive, está presente!

Ef. 2, 19-22 / Jo. 20, 24-29

Disse a Tomé: Chega aqui o dedo e vê as minhas mãos…; e não sejas incrédulo mas fiel.

Tomé teve a sorte de encontrar Jesus ressuscitado e poder afirmar que Ele estava vivo! (cf. Ev.).

Todos O podemos encontrar, porque Jesus está presente, vive e actua na sua Igreja: Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. Ele está presente na Sagrada Escritura, na  Eucaristia, nas acções litúrgicas. Como Tomé façamos um acto de fé nesta presença de Cristo: meu Senhor e meu Deus! Tomé construiu a sua fé apoiado no Senhor. E assim pode chegar até à Índia. E todos somos convidados a levar a Boa Nova a todo os sítios: «Fostes edificados sobre o alicerce dos Apóstolos» (Leit.).

 

feira, 4-VII: S. Isabel de Portugal: De que se queixa o Senhor?

Am. 3, 1-8; 4, 11-12 / Mt. 8 23-27

(Jesus): por que estais assustados homens de pouca fé?

É uma queixa do Senhor feita aos Apóstolos (cf. Ev.). Apesar de terem visto tantos milagres, pensam mais nas dificuldades (as vagas a cobrirem o barco) do que no poder de Jesus.

Também se queixa o Senhor de que o povo de Israel não voltou para Ele: «mas nem sequer voltastes para mim» (Leit.), apesar da predilecção do Senhor. Precisamos estar mais unidos ao Senhor para nos mantermos firmes no nosso caminho. S. Isabel de Portugal dedicou-se muito à oração e ás obras de misericórdia. Foi graças à sua oração que conseguiu reconciliar os desavindos (cf. Oração).

 

feira, 5-VII: S. António Maria Zacarias: Saber escolher o bem.

Am. 5, 14-15. 21-24 / Mt. 8, 28-34

Procurai o bem e não mal, para que possais viver… Detestai o mal, amai o bem.

Os gadarenos rejeitaram a presença de Jesus no seu território, porque Ele libertou dois possessos e perderam uma vara de porcos (cf. Ev.). Deram mais valor a um bem material do que ao próprio Deus e à felicidade de dois homens.

Não souberam escolher o bem e perderam o Senhor. Muitas vezes julgamos que estamos a escolher uma coisa boa, mas que, no entanto, não agrada a Deus: «se me ofereceis holocaustos e oblações, Eu não quero aceitá-los» (Leit.). Os sacrifícios devem ir acompanhados de uma participação interior. S. António Maria Zacarias fundou a Ordem dos Barnabitas, para ajudar os fiéis a escolherem o bem, reformando os seus costumes.

 

feira, 6-VII: S. Maria Goretti: Dizer o que é fácil ou o que é difícil?

Am. 7, 10-17 / Mt. 9, 1-8

Na verdade o que é mais fácil dizer: os teus pecados são-te perdoados ou dizer: levanta-te e anda?

Os que estavam junto do paralítico preferiam ter ouvido dizer a Jesus que o curava da sua doença, mas Jesus teve que falar primeiro do perdão dos pecados (cf. Ev.).

O profeta Amós também podia ter-se calado diante do rei mas teve que dizer-lhe coisas muito duras: a morte dele e da família, etc. (cf. Leit.). Não deixemos de dizer as verdades, ainda que nos custem e procuremos escutá-las com muita fortaleza. S. Maria Goretti defendeu a sua fé e virgindade com muita fortaleza e, por causa disso, sofreu o martírio. A verdade defende-se até à morte.

 

feira, 7-VII: A fome da palavra de Deus.

Am. 8, 4-6. 9-12 / Mt. 9, 9-13

Dias virão em que mandarei a fome à terra: não será fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra do Senhor.

O homem não vive só de pão, mas da palavra de Deus que sai da boca de Deus, disse Jesus no momento das suas tentações. E agora pede-nos que tenhamos fome da palavra de Deus (cf. Ev.). Para isso, temos que escutar o Senhor, na intimidade da nossa oração, na leitura do Evangelho, etc.

Quando estamos doentes da alma também devemos recorrer ao Senhor «não são os que têm saúde que precisam de médico, mas aqueles que estão doentes» (Ev.). Se tivermos alguma dificuldade abramos o Evangelho e o Senhor nos dará uma resposta.

 

Sábado, 8-VII: Guardar e defender a boa doutrina.

Am. 9, 11-15 / Mt. 9, 14-17

Mas deita-se vinho novo em odres novos, e ambas as coisas se conservam.

A vinda de Cristo à terra e a sua mensagem são como o vinho novo e exige um recipiente novo (cf. Ev.). O vinho novo é o símbolo da vida nova, da doutrina e moral novas, da vida da graça. Compete à Igreja guardar as verdades da fé e da moral para que não se alterem ao sabor das modas. Cada um de nós é também o recipiente novo que recebe a vida da graça e as verdades da fé, defendendo-as da agressividade do relativismo e do laicismo reinantes.

Para reconstruir a vida do povo exilado Deus vai dotá-lo de novas forças: reconstrução da cidade em ruínas, plantar videiras e beber do seu vinho, etc. (cf. Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alfredo Melo

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:            Nuno Romão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha

 


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