S. João Baptista

Missa do Dia

24 de Junho de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós somos o povo de Deus, Frederico de Freitas, NRMS 9-10 (I)

Jo 1, 6-7; Lc 1, 17

Antífona de entrada: Apareceu um homem enviado por Deus, que tinha o nome de João. Ele veio para dar testemunho da luz e preparar o povo para a vinda do Senhor.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje é dia de S. João. Quisemos organizar as nossas actividades, reservando um espaço para participarmos na Eucaristia. Fizemos bem. S. João Baptista intercederá por nós para que, como ele, também cumpramos a vontade do Senhor.

 

Oração colecta: Senhor, que enviastes São João Baptista a preparar o vosso povo para a vinda do Messias, concedei à vossa família o dom da alegria espiritual e guiai o coração dos fiéis no caminho da salvação e da paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor chamou Isaías, chamou João Baptista, como nos chama a cada um de nós. Sejamos fiéis à nossa vocação.

 

Isaías 49, 1-6

1Terras de Além-Mar, escutai-me povos de longe, prestai atenção. O Senhor chamou-me desde o ventre materno, disse o meu nome desde o seio de minha mãe. 2Fez da minha boca uma espada afiada, abrigou-me à sombra da sua mão. Tornou-me semelhante a uma seta aguda, guardou-me na sua aljava. 3E disse-me: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». 4E eu dizia: «Cansei-me inutilmente, em vão e por nada gastei as minhas forças». 5Mas o meu direito está no Senhor e a minha recompensa está no meu Deus. E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe restaurar as tribos de Jacob e reconduzir os sobreviventes de Israel. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. 6Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Farei de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».

 

Este texto é o II Cântico do Servo de Yahwéh. O sentido profundo desta passagem visa o Messias, Luz das nações (v. 6; cf. Lc 2, 32). No entanto, temos aqui, como tantas vezes na Liturgia, uma adaptação deste texto a outra figura que não é o Messias, mas o seu Precursor, João Baptista. Joga-se, portanto, com o sentido acomodatício, que não é um sentido propriamente bíblico; é um sentido que nós pomos na Sagrada Escritura, tendo em conta uma certa semelhança de fundo ou meramente verbal. Aqui trata-se suma «acomodação real ou por extensão», pois há uma grande semelhança de fundo entre o texto e o que realmente se passou com o Baptista: v. 1b – Chamado antes do nascimento (cf. Lc 1, 13-17); v. 1b – Santificado no ventre materno (cf. Lc 1, 15.41-44); Chamado antes do nascimento (cf. Lc 1, 13-17); 1b – Santificado no ventre materno (cf. Lc 1, 15.41-44); 2 – Pregador intrépido das exigências divinas (cf. Mt 3, 7-10; 14, 4); 5-6 – Reconduz Israel a Deus e restaura o Povo (cf. Lc 1, 16-17; 3, 1-20.

 

Salmo Responsorial      Sl 138 (139), 1-3.13-14ab.14c-15 (R. 14a)

 

Monição: O Senhor ama-nos desde sempre. Dêmos-Lhe graças durante a vida terrena e eternamente no Céu.

 

Refrão:         Eu Vos dou graças, Senhor,

                      porque maravilhosamente me criastes.

 

Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:

sabeis quando me sento e quando me levanto.

De longe penetrais o meu pensamento:

Vós me vedes quando caminho e quando descanso,

Vós observais todos os meus passos.

 

Vós formastes as entranhas do meu corpo

e me criastes no seio de minha mãe.

Eu Vos dou graças por me terdes feito tão maravilhosamente:

admiráveis são as vossas obras.

 

Vós conhecíeis já a minha alma

e nada do meu ser Vos era oculto,

quando secretamente era formado,

modelado nas profundidades da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Quem se humilha será exaltado. Assim aconteceu com S. João Baptista. Procuremos imitá-lo.

 

Actos dos Apóstolos 13, 22-26

Naqueles dias, Paulo falou deste modo: 22«Deus concedeu aos filhos de Israel David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. 23Da sua descendência, como prometera, Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel. 24João tinha proclamado, antes da sua vinda, um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. 25Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’. 26Irmãos, descendentes de Abraão e todos vós que temeis a Deus: a nós é que foi dirigida esta palavra de salvação».

 

A leitura é tirada do discurso de São Paulo em Antioquia da Pisídia, por ocasião da primeira grande viagem, o primeiro discurso querigmático do Apóstolo a ser registado nos Actos dos Apóstolos. Corresponde a um modelo primitivo, mas a redacção de Lucas tem presente certamente os seus leitores, a quem se dirige ao redigir a sua obra.

24-25 «João dizia». Breve referência à substância da pregação do Baptista: a preparação do povo para receber bem o Messias que ele anunciava. Mas a santidade de João era tão grande e impressionante que ele precisou de deixar bem claro que «eu não sou aquilo que julgais», pois o tinham como o Messias (cf. Jo 1, 20-30; 3, 25-30).

 

Aclamação ao Evangelho          cf. Lc 1, 76

 

Monição: Quando João Baptista nasceu, regozijaram-se os pais, alegraram-se familiares, amigos e vizinhos... Que todas as crianças sejam bem acolhidas na sua vinda ao mundo!

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,

irás à frente do Senhor a preparar os seus caminhos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 57-66.80

Naquele tempo, 57chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. 58Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. 59Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60Mas a mãe interveio e disse: «Não, Ele vai chamar-se João». 61Disseram-lhe: «Não há ninguém da tua família que tenha esse nome». 62Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. 63O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados. 64Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. 65Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgaram estes factos. 66Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?». Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. 80O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel.

 

A leitura de hoje apresenta-nos o relato do nascimento do Precursor bem como da imposição do nome e circuncisão. Na vigília já se leu o anúncio do nascimento.

63 «O seu nome é João». Com grande surpresa para toda a família, o menino não recebe o nome do pai, ou, como era mais frequente, o do avô paterno, mas o nome anunciado pelo Arcanjo Gabriel: João, que quer dizer «Yahwéh concedeu uma graça». Do versículo anterior deduz-se que Zacarias estava mudo e surdo, pois lhe «perguntaram por sinais» (v. 62).

80 «E foi habitar no deserto». Não é crível que João tenha ido para o deserto ainda menino muito pequeno, como dizem os apócrifos, nem apenas pouco tempo antes da vida pública de Cristo. O facto de Lucas dizer logo neste momento que João foi para o deserto, corresponde a uma técnica da composição lucana, chamada técnica de eliminação: antes de passar a outro assunto, avança com coisas que se referem à pessoa de que está a falar, eliminando o que entrementes sucedeu, sem se preocupar da cronologia; assim se explica que a Virgem Maria não apareça no nascimento do Baptista, etc. João, tendo à sua frente uma carreira brilhante, pois era da classe sacerdotal, renuncia a ela, para levar uma vida recolhida e penitente, vida que havia de conferir grande autenticidade e autoridade à sua futura pregação. Não foi para um deserto arenoso, mas para uma zona pobre e árida, provavelmente a Noroeste do Mar Morto. Por ali se fixaram os essénios, concretamente a seita de Qumrã, dirigida pelos sacerdotes sadoquitas dissidentes do sacerdócio oficial de Jerusalém. Até que ponto manteve João contacto com estes essénios é coisa para nós desconhecida, ainda que provável.

 

Sugestões para a homilia

 

Recordando o nascimento de S. João Baptista

Pensemos nas nossas crianças

Imitemos e invoquemos S. João Baptista

Recordando o nascimento de S. João Baptista

Foi um nascimento anunciado. Zacarias soube pelo Anjo que ia ser pai. Como a Deus tudo é possível, Isabel, sua esposa, apesar de ser estéril e de idade avançada, iria ser mãe.

O Anjo Gabriel, na Anunciação, disse à Virgem Maria que a sua parente Isabel tinha concebido há seis meses. Nossa Senhora foi logo visitá-la para lhe fazer companhia e ajudá-la. O menino que Isabel tinha no seu seio exultou de alegria ao pressentir a Mãe de Jesus.

É sempre enternecedora a vinda ao mundo duma criança inocente! Quando João Baptista nasceu, vizinhos, amigos e muitas pessoas quiseram vê-lo, felicitando seus pais (Lc 1, 5-66).

Pensemos nas nossas crianças

Vinte e um séculos se passaram e hoje, quando tantas crianças não chegam a nascer porque alguém cometeu o crime abominável do aborto, nós queremos lembrar a todas as mães este facto lindo em que um menino se manifesta feliz mesmo antes de nascer. Quem ousará ainda pôr fim à sua vida?!...

Quando nasce uma criança todos fazemos conjecturas sobre o seu futuro: será boa, será feliz, será instruída, será santa?! Também neste nascimento aconteceu o mesmo. Muitas pessoas diziam:«Quem virá a ser este menino?».

Não sabemos se todas essas pessoas ouviram a pregação de João Baptista quando preparou os caminhos do Senhor. Nós sabemos pelo Evangelho que foi o Precursor de Jesus, baptizou-O no rio Jordão, viveu sempre para Ele.

Imitemos e invoquemos S. João Baptista

Queremos imitá-lo no amor à verdade, na denúncia dos erros e dos vícios, na coragem em cumprir a missão que Deus lhe confiou, na rectidão da sua vida.

Se tivesse adulado Herodes talvez recebesse em troca um cargo importante. Quem o recordaria hoje por isso?!... Mas João Baptista teve a ousadia de dizer a Herodes que não podia ter consigo a mulher de seu irmão... Essa foi a causa do seu martírio (Mc 6, 17-29).

Oxalá os esposos sejam mutuamente fiéis e amigos dos filhos! A sociedade será bem melhor se as famílias forem felizes.

Neste terceiro milénio precisamos de cristãos que, à semelhança de S. João Baptista, sejam exemplares, procurem corrigir o que está mal, apontem caminhos de esperança e trabalhem pela Paz.

Que S. João Baptista interceda para que consagremos como ele a nossa vida ao Senhor no serviço aos irmãos! Esperamos encontrá-lo um dia para com ele, com a Virgem Maria, com os santos e os anjos gozarmos a felicidade eterna com o Senhor no Céu.

 

Oração Universal

 

Escutámos a Palavra do Senhor. Proclamámos a nossa Fé.

Com S. João Baptista oremos, dizendo:

Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

1.  Pela Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica

que no mundo está presente para o santificar e salvar,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelas crianças que vão nascer,

enchendo de encanto e beleza os nossos lares,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelos jovens que preparam com entusiasmo o futuro

e pelos adultos que tornam a vida mais bela,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos doentes que precisam de tratamento e dedicação

e pelos idosos que precisam de atenção e estima,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelas pessoas consagradas ao Senhor

no serviço desinteressado e generoso aos irmãos,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelos nossos familiares e amigos falecidos

e por todos os que no Purgatório preparam a entrada no Céu,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai, por intercessão de S. João Baptista,

dignai-vos atender as nossas súplicas e conceder-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Não fostes vós que me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

 

Oração sobre as oblatas: Trazemos ao altar, Senhor, os nossos dons para celebrarmos condignamente o nascimento de São João Baptista, que anunciou a vinda do Salvador do mundo e O mostrou já presente no meio dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A missão do Precursor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Ao celebrarmos hoje a glória do Precursor, São João Baptista, proclamado o maior entre os filhos dos homens, anunciamos as vossas maravilhas: antes de nascer, ele exultou de alegria, sentindo a presença do Salvador; quando veio ao mundo, muitos se alegraram pelo seu nascimento; foi ele, entre todos os Profetas, que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo; nas águas do Jordão, ele baptizou o autor do Baptismo e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes; por fim deu o mais belo testemunho de Cristo, derramando por Ele o seu sangue.

Por isso, com os Anjos e os Santos no Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

S. João Baptista viveu sempre para o Senhor. Que feliz se sentiu junto d’Ele! Vivamos também nós unidos ao Senhor Jesus. E, se estamos devidamente preparados, recebamo-l’O sacramentalmente. Que permaneça sempre connosco!

 

Cântico da Comunhão: O Cordeiro de Deus é o nosso pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Lc 1, 78

Antífona da comunhão: Graças ao coração misericordioso do nosso Deus, das alturas nos visitou o sol nascente.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes à mesa do Cordeiro celeste, concedei à vossa Igreja, que se alegra com o nascimento de São João Baptista, a graça de reconhecer o autor do seu renascimento espiritual n'Aquele cuja vinda ao mundo foi anunciada pelo Precursor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

S. João Baptista continua a ser hoje para todos nós um exemplo a imitar. Contemos com a sua intercessão para nos santificarmos e para anunciarmos ao mundo que a Salvação se encontra no Senhor.

 

Cântico final: Exulta de alegria, M. Carneiro, NRMS 21

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:                     Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                       Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                   Duarte Nuno Rocha

 


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