Nossa Senhora do Rosário de Fátima

13 de Maio de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

cf. Hebr 4, 16

Antífona de entrada: Vamos confiantes ao trono da graça e alcançaremos misericórdia do Senhor. Aleluia.


Diz-se o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


Na Cova da Iria, Nossa Senhora ficou associada não primeiramente ao lugar onde se deram as aparições, como em Lurdes ou em Guadalupe, mas à oração que ela pediu insistentemente para que se rezasse – o Rosário, por isso dizemos: Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Que esse espírito de oração penetre a nossa celebração da glória de Deus na santidade da Mãe de Seu Filho.


Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe, concedei-nos que, seguindo os seus ensinamentos e com espírito de verdadeira penitência e oração, trabalhemos generosamente pela salvação do mundo e pela dilatação do reino de Cristo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: O Deus dos cristãos é Aquele que renova todas as coisas pela redenção operada pela morte e ressurreição de Cristo. Maria é o paradigma da criatura renovada plenamente pela graça de Deus.


Apocalipse 21, 1-5a

1Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia. 2Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, bela como noiva adornada para o seu esposo. 3Do trono ouvi uma voz forte que dizia: «Eis a morada de Deus com os homens. Deus habitará com os homens: eles serão o seu povo e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus. 4Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; nunca mais haverá morte nem luto, nem gemidos nem dor, porque o mundo antigo desapareceu». 5aDisse então Aquele que estava sentado no trono: «Vou renovar todas as coisas».


(Ver notas da 2ª leitura do Domingo anterior, o 5º Domingo de Páscoa)


Salmo Responsorial Jd 13, l8bcde. 19-20a. 20c (R. 15, 10d)


Monição: Maria é a honra do povo cristão e herdeira de uma grande multidão de mulheres que, através do Antigo Testamento, mereceram os louvores do povo de Deus.


Refrão: Tu és a honra do nosso povo.


Ou: Aleluia.


Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.


Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.


Não poupaste a vida

perante a humilhação da nossa raça,

mas evitaste a nossa ruína,

caminhando com rectidão na presença do nosso Deus.



Aclamação ao Evangelho Lc 1, 45


Monição: Receber Maria em sua casa é obedecer ao desejo do Senhor na Cruz. Acolhamos também a Sua palavra com docilidade.


Aleluia


Bendita sejais, ó Virgem Maria,

que acreditastes na palavra do Senhor.


Cântico: J. Duque, NRMS 21



Evangelho


João 19, 25-27

25Estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena. 26Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». 27Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.


25-27. Repare-se na solenidade deste relato: é uma cena central entre as cinco que são relatadas em S. João no Calvário; a Virgem Maria é mencionada 6 vezes em 3 versículos, e há o recurso a uma fórmula solene de revelação («ao ver… disse… eis…»). Isto deixa ver que não se trata dum simples gesto de piedade filial de Jesus para com a sua Mãe a fim de não a deixar ao desamparo, mas que o Evangelista lhe atribui um significado simbólico profundo; com efeito, chegada a hora de Jesus, é a hora de Ela assumir (cf. Jo 2, 4) o seu papel de nova Eva (cf. Gn 3, 15) na obra redentora. A designação de «Mulher» assume, na boca do Redentor, o novo Adão, o sentido da missão corredentora de Maria: não é chamada Mãe, mas sim Mulher, como nova Eva, Mãe da nova humanidade, por alusão à «mulher» da profecia messiânica de Gn 3, 15. Por outro lado, Ela é a mulher que simboliza a Igreja (cf. Apoc 12, 1-18), a mãe dos discípulos de Jesus representados no discípulo amado, que «a acolheu como coisa própria». A tradução mais corrente deste inciso (seguida pela tradução litúrgica) é: «recebeu-a em sua casa», mas esta forma de tradução empobrece de modo notável o rico sentido originário da expressão grega «élabon eis tà idía», uma expressão usada mais quatro vezes em S. João, mas nunca neste sentido; com efeito, a expressão tà idía – «as coisas próprias» – significa muito mais do que a própria casa, indica tudo o que é próprio da pessoa, a sua intimidade.

É também de notar que S. João, ao contrário dos restantes Evangelistas, nunca se refere a Nossa Senhora com o nome de Maria; sempre a designa como a Mãe (de Jesus), um indício de ser tratada realmente como mãe; com efeito, ninguém jamais nomeia a própria mãe com o nome dela: para o filho a mãe é simplesmente a mãe!


Sugestões para a homilia


No Evangelho segundo São João, a Cruz não é tanto o objecto do suplício do Filho de Deus mas sim o lugar onde Ele dá vida ao mundo. Do seu peito trespassado saem sangue e água, sinais dos sacramentos do Baptismo e da Eucaristia e, nestes, de toda a vida sacramental da Igreja. Da injunção que Ele faz ao Seu discípulo predilecto, paradigma de todos os discípulos: «Eis a tua Mãe», nasce para a Igreja a necessidade de acolher Maria como Mãe. No início do Evangelho segundo São João era Maria que dizia aos serventes das bodas de Cana: «Fazei tudo o que Ele vos disser.» – As últimas palavras de Maria no Evangelho. Ao terminar a Sua obra redentora, pronunciando as suas últimas palavras, é a vez do Filho dizer ao discípulo predilecto, e nele, a todos os seus discípulos, «Eis a tua mãe.»

Estas palavras pronunciadas no Calvário não são um simples testamento ou o exprimir de uma vontade derradeira de que se preocupa pela sorte de uma mãe que fica só. Elas são o culminar de teologia da Igreja e do papel de Maria nessa teologia.

Em Cana da Galileia, Jesus respondera a Sua mãe dizendo que a Sua hora ainda não tinha chegado. O Evangelho de hoje diz-nos que o discípulo predilecto recebeu Maria em sua casa a partir daquela hora. Em Cana, Maria «leva» Jesus a realizar o seu primeiro sinal na Sua caminhada até à hora do supremo sinal da Cruz. No Calvário, Jesus «leva» Maria para a casa do discípulo que a recebe em sua casa a partir daquela hora suprema da consumação de todas as coisas.

O acolhimento de Maria no seio da Igreja como sua Mãe é a resposta àquilo que a própria Igreja é no seu mistério de comunhão com o seu Mestre e Senhor.

Do alto da Cruz, é a nós que Jesus diz: «Eis a tua Mãe».



Oração Universal


Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso,

e imploremos a misericórdia d’Aquele

que tudo pôs nas mãos de Seu Filho muito amado.


1. Pela Santa Igreja de Deus:

para que acolha Maria em sua casa, e faça tudo o que o Mestre lhe disser,

oremos, irmãos.


2. Pelos peregrinos dos santuários marianos:

para que encontrem na casa de Deus

o acolhimento misericordioso de Cristo e a resposta às suas orações,

oremos, irmãos.


3. Pelos fiéis das outras confissões cristãs:

para que vejam em Maria aquela que leva a Jesus no coração

oremos, irmãos.


4. Pelos pecadores:

para que se convertam ao coração amoroso de Cristo

que brilha no coração imaculado de Maria,

oremos, irmãos.


5. Pelos nossos irmãos defuntos:

para que tenham em breve a alegria de juntar as suas vozes

à voz de Maria que no céu canta as grandes coisas que o Todo-poderoso faz,

oremos, irmãos.


Senhor nosso Deus e nosso Pai, fazei-nos encontrar em Jesus Cristo

o mestre que nos dá a vida amando-nos até à morte.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Alegres jubilosos, F. da Silva, NRMS 10 (II)


Oração sobre as oblatas: Por este sacrifício de reconciliação e de louvor que Vos oferecemos na festa da Virgem Santa Maria, perdoai benignamente, Senhor, os nossos pecados e orientai os nossos corações no caminho da santidade e da paz. Por Nosso Senhor.


Prefácio


Maria, imagem e mãe da Igreja


v. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.


v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.


v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.


Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e exaltar a vossa infinita bondade ao celebrarmos a festa da Virgem Santa Maria.

Recebendo o vosso Verbo em seu Coração Imaculado, ela mereceu concebê-l'O em seu seio virginal e, dando à luz o Criador do universo, preparou o nascimento da Igreja. Junto à cruz, aceitou o testamento da caridade divina e recebeu todos os homens como seus filhos, pela morte de Cristo gerados para a vida eterna. Enquanto esperava, com os Apóstolos, a vinda do Espírito Santo, associando-se às preces dos discípulos, tornou-se modelo admirável da Igreja em oração. Elevada à glória do Céu, assiste com amor materno a Igreja ainda peregrina sobre a terra, protegendo misericordiosamente os seus passos a caminho da pátria celeste, enquanto espera a vinda gloriosa do Senhor. Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:


Santo, Santo, Santo.


Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51


Monição da Comunhão


Amar Jesus é recebê-lo no Seu sacramento do amor. Assim como o discípulo predilecto recebeu Maria em sua casa, recebamos o Senhor em nossos corações.


Cântico da Comunhão: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

cf. Judite 13, 24-25

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, que deu tanta glória ao vosso nome: todas as gerações cantarão os vossos louvores.


Ou

Jo 19, 26-27

Suspenso na cruz, Jesus disse a sua Mãe: Eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis a tua Mãe.


Cântico de acção de graças: Minha Senhora e minha Mãe, H. Faria, NRMS 33-34


Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que o sacramento que recebemos conduza à vida eterna aqueles que proclamam a Virgem Santa Maria Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja. Por Nosso Senhor.



Ritos Finais


Monição final


Maria conta connosco para ponhamos o nosso empenho em fazer crescer no mundo a devoção ao seu coração imaculado porque nele habita Jesus.


Cântico final: Nossa Senhora de Fátima, onde irás, B. Salgado, NRMS 2 (II)



Homilias Feriais


6ª feira, 14-V: S. Matias: Em sintonia com a vida de Jesus.

Act 1, 15-17.20-26 / Jo 15, 9-17

Receba outro o seu cargo. Há homens que andaram connosco todo o tempo que o Senhor Jesus passou no meio de nós...

Para substituir Judas, S. Pedro põe como condição que o candidato tenha acompanhado o ministério público de Cristo (cf. Leit.). O seu olhar, pôde contemplar o rosto de Jesus e, deste modo, pôde dá-lo a conhecer aos outros.

A todos nos é pedido que estejamos em sintonia com a vida de Jesus para a podermos apresentar aos outros: «A Europa exige evangelizadores credíveis, cuja vida, em sintonia com a cruz e ressurreição de Cristo, irradie a beleza do Evangelho» (INE, 49). A vida de Nossa Senhora é um testemunho único da vida de seu Filho: Conhecê-la é conhecê-lo.


Sábado, 15-V: O entusiasmo evangelizador de S. Paulo

Act 16, 1-10 / Jo 15, 18-21

Paulo teve de noite uma visão. Um macedónio ...dirigia-lhe este pedido: Faz a travessia para a Macedónia e vem ajudar-nos.

Esta é a passagem que o Papa comenta assim:«Sente dirigida a ti hoje, ao início do terceiro milénio, a súplica ouvida já nos alvores do primeiro milénio, quando em visão apareceu a Paulo um macedónio (cf. Leit.)... Esta é a súplica mais profunda e verdadeira que brota do coração dos europeus do nosso tempo, sedentos dum esperança que não desiluda... Persevera com renovado ardor, no mesmo espírito missionário que, a partir da pregação dos Apóstolos Pedro e Paulo e ao longo deste vinte séculos, animou tantos santos e santas...» (INE, 45).







Celebração e Homilia: Hermenegildo Faria

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial