aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

ESPANHA

 

BISPOS SAÚDAM

CESSAR-FOGO DA ETA

 

Os Bispos católicos da Espanha saudaram o anúncio de um «cessar-fogo» permanente da organização separatista basca ETA, que entrava em vigor a partir de 24 de Março.

 

O porta-voz da Conferencia Episcopal Espanhola (CEE), Pe. Juan Antonio Martínez-Camino, revelou que o episcopado do país se alegra-se perante este anúncio, mas considera que o mesmo não é suficiente, esperando, no futuro, «a dissolução e desaparecimento» da ETA.

A CEE colocou-se ao lado das vítimas, manifestando «a proximidade e a solidariedade da Igreja para com as pessoas que sofrem as consequências das acções terroristas da ETA, dos seus assassinatos, extorsões e imposições».

O Pe. Martínez-Camino salientou que a organização terrorista «não pode impor nenhum tipo de preço para o respeito pelos direitos fundamentais da pessoa, nem ao normal funcionamento das instituições democráticas, as únicas que têm legitimidade e a missão de velar pela solidariedade e o bem comum na Espanha».

Em 2002, a CEE publicara a Instrução pastoral designada «Avaliação moral do terrorismo em Espanha, suas causas e consequências». O documento revela-se contundente na avaliação da organização basca, classificada de «associação terrorista, de ideologia marxista revolucionária, que luta por um nacionalismo totalitário e persegue a independência do país Basco por todos os meios».

Os Bispos espanhóis afirmaram mesmo que «na Espanha, o terrorismo da ETA converteu-se desde há muitos anos na ameaça mais grave contra a paz no país, porque atenta cruelmente contra a vida humana, coarcta a liberdade das pessoas e obscurece o conhecimento da verdade.»

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AFEGANISTÃO

 

LIBERTADO AFEGÃO

CONVERTIDO AO CRISTIANISMO

 

O Governo italiano aceitou o pedido de asilo de Abdul Rahman, um afegão convertido ao cristianismo que foi recentemente libertado em Cabul, após ter sido julgado por apostasia, um crime punível com a pena de morte segundo a lei islâmica em vigor no país.

 

Abdul Rahman, de 41 anos, fora detido no princípio de Março, acusado de ter abandonado o Islão e convertido ao cristianismo, um acto que é passível de pena de morte, segundo a «sharia» (lei islâmica), que vigora no Afeganistão.

Durante o julgamento, Rahman admitiu ter-se convertido, enquanto trabalhava como ajudante médico no Paquistão, há 16 anos, com uma ONG cristã que ajudava refugiados afegãos. O procurador, Abdul Wasi, propôs-lhe retirar a acusação caso voltasse a converter-se ao Islão, mas Rahman recusou, sujeitando-se assim à pena de morte.

A Santa Sé divulgou algumas passagens da carta que o Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, enviou em nome do Papa Bento XVI ao Presidente do Afeganistão, Hamid Kazai. Na missiva, com data de 22 de Março, afirma-se que o apelo do Papa em favor de Rahman é baseado numa «profunda compaixão humana», na «firme convicção na dignidade da vida humana» e no «respeito pelo direito à liberdade de consciência e religião de cada pessoa».

«Estou certo que deixar cair o caso contra Abdul Rahman traria uma grande honra ao povo afegão e levantaria um coro de admiração na comunidade internacional. Seria, por isso, um grande contributo para a nossa missão comum de fomentar o entendimento e o respeito entre as diferentes religiões e culturas do mundo», refere a carta.

O Supremo Tribunal afegão decidiu no dia 26 de Março suspender o processo de Abdul Rahman, que foi libertado no dia seguinte, por alegada «incapacidade mental». Segundo o porta-voz do Supremo Tribunal, terão sido os familiares de Rahman, a dizerem que «ele não tem todas as capacidades mentais», que «é louco» e diz «ouvir vozes estranhas na cabeça».

Em entrevista a um jornal italiano, Rahman declarou: «Não tenho nada que me arrepender. Eu respeito a lei do Afeganistão e respeito o Islão, mas escolhi tornar-me um cristão, por mim, pela minha alma. Isto não é uma ofensa».

 


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