4º Domingo da Páscoa

D. M. de O. Vocações

2 de Maio de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Ressuscitou o Bom Pastor, J. Santos, NRMS 57

Salmo 32, 5-6

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.


Diz-se o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


Hoje é o Domingo do Bom Pastor, um Domingo para reflectir à luz da Palavra de Deus sobre os pastores que somos e temos nas diversas porções do Povo de Deus; domingo para examinar e rever critérios que nos ajudem a definir o que é ser pastor hoje; domingo que nos ajude a clarificar e distinguir o falso do verdadeiro pastor. Domingo, sobretudo, para olhar o Bom Pastor a conduzir a sua Igreja e cada um dos seus membros, em especial aquelas que receberam a vocação da maternidade, as nossas mães.


Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Os Actos dos Apóstolos falam-nos hoje dos primeiros cristãos que anunciam o acontecimento da ressurreição aos seus irmãos de religião hebraica; contudo só um pequeno grupo aceitará a sua mensagem. Encontram, pelo contrário, grandes opositores da nova forma de vida que surgiu a partir do que aconteceu com Cristo Jesus, assassinado pelos homens, mas ressuscitado por Deus.


Actos dos Apóstolos 13, 14.43-52

Naqueles dias, 14Paulo e Barnabé seguiram de Perga até Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. 43Terminada a reunião da sinagoga, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, que nas suas conversas com eles os exortavam a perseverar na graça de Deus. 44No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor. 45Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias. Corajosamente, 46Paulo e Barnabé declararam: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Uma vez, porém, que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, 47pois assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». 48Ao ouvirem estas palavras, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé 49e a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região. 50Mas os judeus, instigando algumas senhoras piedosas mais distintas e os homens principais da cidade, desencadearam uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51Estes, sacudindo contra eles o pó dos seus pés, seguiram para Icónio. 52Entretanto, os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.


A leitura apresenta-nos S. Paulo, para além da reacção dos judeus ao discurso kerigmático de S. Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia, a atitude perante a rejeição e a perseguição: «estavam cheios de alegria e do Espírito Santo» (v. 42), duas notas distintivas da vida dos primeiros cristãos, que S. Lucas não se cansa de sublinhar.

14 «Perga», cidade da Panfília, região a Sul da península da Anatólia (Turquia actual), entre a Lícia e a Cilícia. Ficava a uma dúzia de quilómetros do porto de Atália (cf. Act 14, 25). Estamos na primeira viagem de S. Paulo, que decorreu entre os anos 45 e 49. «Antioquia da Pisídia», distinta da célebre Antioquia da Síria, donde Paulo saíra para esta missão com Barnabé e seu sobrinho João Marcos. A cidade ficava na estrada que ligava Éfeso ao Oriente, a uns 160 km a Norte de Perga e a 1200 metros de altitude. Para aqui chegarem tiveram que subir as altas montanhas do Tauro, por caminhos abruptos e infestados de salteadores (cf. 2 Cor 11, 24), circunstância esta que bem podia ter influído para que o jovem Marcos, o futuro Evangelista, colaborador de Pedro e de Paulo, tenha desistido de prosseguir em tão duro e arriscado plano apostólico (cf. v. 13). «Entraram na sinagoga e sentaram-se»: o texto suprime a intervenção de S. Paulo, que lhe foi facilitada, como visitante categorizado (vv. 15-42).

43 «Perseverar na graça de Deus», isto é, no dom de Deus que nos justifica, o que se consegue através duma adesão total e firme a Jesus Cristo (cf. Act 11, 23).

47 Cf. Is 49, 6: de acordo com o anúncio profético, a Igreja, desde os tempos apostólicos, é constituída na grande maioria por fiéis que vieram do paganismo.

51 «Sacudindo o pó dos seus pés». Cf. Mt 10, 14. Os judeus, ao deixarem uma terra pagã para entrarem na Palestina, tinham o costume de sacudir o pó dos pés e do calçado a fim de não contaminarem a Terra Santa. Este gesto dos Apóstolos era como dizer aos judeus incrédulos que, pelo facto de não aceitarem Jesus, se equiparavam aos pagãos e contraíam uma gravíssima responsabilidade moral.


Salmo Responsorial Sl 99 (100), 2.4.5.6.11.12.13b (R. 3c ou Aleluia)


Monição: Unidos a Cristo, o Bom Pastor, formamos um só corpo, somos o povo de Deus.


Refrão: Nós somos o povo de Deus,

somos as ovelhas do seu rebanho.


Ou: Nós somos o povo do Senhor;

Ele é o nosso alimento.


Ou: Aleluia.


Aclamai o Senhor, terra inteira,

servi o Senhor com alegria,

vinde a Ele com cânticos de júbilo.


Sabei que o Senhor é Deus,

Ele nos fez, a Ele pertencemos,

somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.


O Senhor é bom,

eterna é a sua misericórdia,

a sua fidelidade estende-se de geração em geração.


Segunda Leitura


Monição: Na segunda leitura, João descreve-nos uma visão apocalíptica, a qual revela a universalidade da salvação. Todos são recebidos na nova realidade instaurada pelo Cordeiro, já que foram superadas todas as fronteiras. Já não haverá divisão nem rechaço, porque em Jesus Cristo fomos todos recebidos como irmãos. Com a força do Espírito, todos os baptizados fazem transparecer Jesus ressuscitado e tornam-se no mundo instrumentos de paz e de unidade.


Apocalipse 7, 9.14b-17

9Eu, João, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 14bUm dos Anciãos tomou a palavra para me dizer: «Estes são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro. 15Por isso estão diante do trono de Deus, servindo-O dia e noite no seu templo. Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á na sua tenda. 16Nunca mais terão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles. 17O Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva. E Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos».


A leitura é extraída da visão consoladora da imensa multidão triunfante, resgatada das tribulações iminentes, que se verão desencadeadas com a abertura do sétimo selo (8, 1), o qual dá origem ao septenário das trombetas e este ao das sete taças cheias das sete pragas, prelúdio da vitória de Cristo sobre as forças do mal e da glorificação da Igreja, com que culmina o Apocalipse.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o autor tenha presente, em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras. A «multidão incontável de todas as nações tribos e línguas» de bem-aventurados acrescenta-se àquele número simbólico de 144.000 dos vv. 3-8, correspondente ao resultado da multiplicação de 12.000 pelas 12 tribos de Israel: a exactidão matemática denuncia o valor simbólico do número, que bem pode designar os cristãos procedentes do judaísmo e poupados às calamidades que acompanharam a destruição de Jerusalém e do estado judaico.

«Branquearam as suas túnicas no Sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no Sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: ‘e o Seu Sangue purifica-nos’ (1 Jo 1, 7)». Notar o paradoxo: Sangue que branqueia, pois não é um sangue qualquer, mas o Sangue Redentor do Cordeiro oferecido em sacrifício, não se tratando, pois, duma lavagem material.

15-17 Temos aqui uma maravilhosa alusão à Liturgia Celeste e à felicidade eterna, em que participam os que deram a vida por Cristo. Notar mais um paradoxo: o Cordeiro que é Pastor. É Jesus que, dando pelos seus a vida como cordeiro de sacrifício, se torna o Pastor que conduz às nascentes da vida divina.


Aclamação ao Evangelho Jo 10, 14


Monição: No Evangelho de hoje Jesus apresenta-Se como o Pastor que cuida das suas ovelhas. Jesus é o Pastor universal que a todos chama para que venham fazer parte do rebanho escatológico, este rebanho dos que assumem, como Ele, a esperança do Reino de Deus.


Aleluia


Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me.


Cântico: M. Faria, NRMS 16



Evangelho


São João 10, 27-30

Naquele tempo, disse Jesus: 27«As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. 28Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. 29Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um só».


Estas palavras de Jesus fazem referência à parábola do pastor e do ladrão (vv. 1-6) e são dirigidas aos incrédulos judeus que intimam o Senhor a declarar-lhes abertamente se é ou não o Messias. Jesus censura-os pela sua falta de fé, «vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas!» (v. 26). Falta-lhes docilidade, humildade e amor.

28 «Nunca hão-de perecer», contanto que estas queiram continuar a ser ovelhas que não deixam o Pastor; o Pai é suficientemente poderoso para as defender de qualquer perigo.

30 «Eu e o Pai somos um só». É a resposta mais clara e categórica aos seus inimigos. Jesus aparece não só a afirmar a sua identidade da natureza com o Pai (em grego, uma só coisa – pois é a forma neutra), mas também indica a distinção pessoal, ao dizer somos. Os judeus entendem as palavras de Jesus melhor que os arianos de todos os tempos, considerando que Ele reivindica para Si a divindade, por isso o querem apedrejar (v. 31). Esta afirmação de Jesus situa-se no centro e no eixo de duas afirmações categóricas da sua divindade: 1, 1; 20, 28. Se não fosse verdade, Jesus devia ser apedrejado (v. 31). Ele defende-se à maneira rabínica com um argumento a fortiori (cf. vv. 35-36), sem tirar nada ao que disse, mas reforçando-o: «para que saibais que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai» (v. 38).


Sugestões para a homilia


1. «As minhas ovelhas conhecem-Me» (Jo 10, 27)

2. «Pedi ao Senhor que mande operários para a Sua messe» (Lc 10, 2)

3. O sacerdote e as mães

4. Dia das Mães


1. «As minhas ovelhas conhecem-Me» (Jo 10, 27)


O 4.º Domingo da Páscoa é considerado o «Domingo do Bom Pastor», pois todos os anos a liturgia propõe, neste Domingo, um trecho do capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como «Bom Pastor».

O Evangelho apresenta Cristo como «o Pastor modelo», que ama de forma gratuita e desinteressada as suas ovelhas, até ser capaz de dar a vida por elas. As ovelhas sabem que podem confiar nele de forma incondicional, pois ele não busca o próprio bem, mas o bem do seu rebanho. É como se dissesse: «Eu conheço-te; eu cuido de ti; eu não te deixarei passar mal»

Quem pode resistir a tanto amor?


2. «Pedi ao Senhor que mande operários para a Sua messe» (Lc 10, 2)


Jesus vela de facto por nós, protege-nos. E porque veio para ser o «Bom Pastor» dos homens de todos os tempos, Ele quis que o Seu ministério pastoral fosse prolongado no tempo e no espaço e, por isso, escolheu os Apóstolos e confiou-lhes o encargo de velar pelas Suas ovelhas.

Hoje, talvez mais do que nunca, o mundo precisa de pastores. Há falta de ministros de Deus que possam cuidar com a devida atenção o Povo de Deus.

Urge, neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, pôr em prática o pedido de Jesus: «A messe é grande mas os operários são poucos, pedi ao Senhor que mande operários para a Sua messe»

Assim faremos, para que tenhamos sempre entre nós os circuitos que dão vida à caridade, os serviços necessários para um óptimo desempenho de todos os membros deste corpo que é a Igreja e toda a família humana.

Assim faremos, também, para não esquecermos que em cada um de nós há um pedacinho de Deus que deve ser acolhido e deixado crescer até à eternidade.

Mas rezar pelas vocações implica também fazer propostas concretas. Quais?

Comecemos pela família que, como diz o Papa, é o viveiro natural das vocações. É na família que nascem as vocações. Os casais devem, por isso, tomar consciência, desta responsabilidade. A paternidade responsável também passa por aqui: os esposos, ao decidir sobre o número de filhos, hão-de ter em conta, além do mais, o bem da Igreja.

Ora, a Igreja precisa de vocações consagradas. Por isso, é preciso criar nas famílias o ambiente vocacional no sentido de que o jovem venha a descobrir o melhor caminho e seja capaz de seguir e de optar por um estilo de vida que está fora do comum, mas que nem por isso será menos feliz.

Quanta honra não seria para a Igreja e, sobretudo, para Deus que na nossa paróquia surgissem vocações sacerdotais, religiosas ou missionárias, houvesse corações disponíveis e generosos, prontos a dedicar toda a sua vida ao serviço de Deus e do próximo.


3. O sacerdote e as mães


Por vezes somos levados, a pensar que, quando se fala de vocações, trata-se apenas de vocações sacerdotais. Mas não: há na Igreja possibilidade de inúmeras vocações que dignificam a pessoa.

Há, pelo menos, uma vocação que todo o cristão, pelo baptismo e pela sua adesão livre e responsável a Cristo, é chamado a viver com toda a radicalidade: o chamamento à santidade. Esta é, sem dúvida, a maior de todas as vocações.

Mas se me fosse dado mencionar uma vocação, em concreto e hoje em especial, mencionaria a vocação maternal. Ser mãe é das vocações mais belas neste mundo.

E o mesmo sacerdote para que cuide bem das suas ovelhas tem de aprender muito com as qualidades de uma mãe, pois a mãe é aquela que:

gasta do seu tempo para cuidar dos filhos;

é paciente: sabe esperar;

é aquela que tudo compreende e tudo suporta;

é aquela que, mesmo tendo razão, sabe perdoar porque no seu coração só existe uma palavra: amor!


4. Dia das Mães


Vem isto a propósito de uma outra festa que hoje celebramos: a festa das mães. E quando se fala nesta festa, pensamos logo no presente que vamos dar à nossa mãe. Sabemos que por detrás disso está uma jogada comercial, mas o importante é saber que os melhores presentes são: o nosso amor, o carinho e a gratidão.

Mas qual seria hoje, para vós mães, o presente que mais gostariam de receber dos vossos filhos? Se pudessem pedir hoje aos vossos filhos um presente, que pediriam?

Bom! Não sou mãe e por isso não posso responder. O ideal seria que uma mãe viesse aqui responder agora para todos nós! Mas podemos imaginar: o que é que uma mãe gostaria de receber hoje, do seu filho? Qual seria o melhor presente para as mães?

Certamente que nos diriam:

o seu equilíbrio e bem-estar, a felicidade no lar.

que eles estivessem presentes aqui hoje também.

o sucesso profissional

que eles continuem carinhosos como até hoje.


Talvez hoje quando paramos para pensar um pouco mais nas mães, deveríamos manifestar-lhes o nosso amor. Talvez isso seja o presente mais importante e o que elas verdadeiramente desejam: O amor dos filhos. Que os filhos possam tratar as suas mães como pessoas dignas do máximo de gratidão e reconhecimento. Também os maridos deveriam tratar as suas esposas, respeitando-as, amando-as e dando-lhes o seu melhor.

Vale a pena lembrar a situação das nossas mães que muitas vezes são perseguidas naquilo que lhes é mais essencial: na maternidade. Isso acontece com várias ideologias: a ideologia do aborto, dos contraceptivos, do divórcio, da infidelidade. Tudo isto são meios, tendências e ideologias que acabam por destruir aquilo que há-de mais belo nas mulheres: a sua maternidade.

Lembremo-nos também aquelas mães na idade bem avançada que são esquecidas pelos seus filhos. Que esse tipo de atitude não possa ser comum em nós, cristãos, mas que elas possam contar sempre com a nossa gratidão pelo dom da vida e pelo cuidado e pelo amor que sempre nos tiveram.

Peçamos então que Deus possa fazer deste dia um marco para que nos lembremos sempre destas nossas obrigações e procura cultivar em nosso coração esse sentimento tão nobre, o maior presente para as mães: o respeito e o amor de seus filhos.

Que a Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, acolha, sob o seu regaço maternal, as mães do mundo inteiro e a todas conceda a paz e a felicidade que tanto anseiam para si e para os filhos que tanto amam.


Fala o Santo Padre


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II PARA O

41º DIA MUNDIAL DE ORAÇÕES PELAS VOCAÇÕES



Venerados Irmãos no Episcopado

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. «Por isso, pedi ao senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10, 2).

Destas palavras de Jesus, dirigidas aos Apóstolos, sobressai o primor que o Bom Pastor sempre manifesta pelas suas ovelhas. Ele realiza tudo isto, para que elas «tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10). Depois da sua ressurreição, o Senhor confiará aos discípulos a responsabilidade de dar continuidade à sua própria missão, porque o Evangelho seja anunciado aos homens de todos os tempos. E são muitos os que, com generosidade, responderam e continuam a responder ao seu convite constante: «Segui-me!» (Jo 21, 22). Trata-se de homens e de mulheres que aceitam colocar a existência totalmente ao serviço do seu Reino.

Por ocasião do próximo 41.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, tradicionalmente marcada para o IV Domingo de Páscoa, todos os fiéis se unirão em oração ardente pelas vocações ao sacerdócio, à vida consagrada e ao serviço missionário. Com efeito, o nosso primeiro dever consiste em pedir ao «senhor da messe», por quantos já seguem Cristo mais de perto na vida presbiteral e religiosa, e por aqueles que Ele, na sua misericórdia, não cessa de chamar para estes importantes múnus eclesiais.


2. Rezemos pelas vocações!

Na Carta Apostólica Novo millennio ineunte observei que «se verifica hoje, não obstante os vastos processos de secularização, uma generalizada exigência de espiritualidade, que em grande parte se exprime precisamente numa renovada carência de oração» (n. 33). É nesta «carência de oração» que se insere o nosso pedido coral ao Senhor, a fim de que «mande trabalhadores para a sua messe».

Constato com alegria que, em muitas Igrejas particulares, se formam cenáculos de oração pelas vocações. Nos Seminários maiores e nas Casas de formação dos Institutos religiosos e missionários já se realizam encontros com esta finalidade. Numerosas famílias são pequenos «cenáculos» de oração, que ajudam os jovens a responder com coragem e generosidade ao apelo do Mestre divino.

Sim! A vocação ao serviço exclusivo de Cristo na sua Igreja constitui um dom inestimável da bondade divina, dom este que se há-de implorar com insistência e humildade confiante. O cristão deve abrir-se-lhe cada vez mais, permanecendo atento a fim de não desperdiçar «o tempo da graça» e «o tempo da visita» (cf. Lc 19, 44).

A oração ligada ao sacrifício e ao sofrimento reveste um valor particular. O sofrimento, vivido como cumprimento daquilo que falta à sua própria carne, «aos sofrimentos de Cristo, a favor do seu Corpo, que é a Igreja» (Cl 1, 24), torna-se uma forma de intercessão mais eficaz do que nunca. Muitos doentes, em todas as partes do mundo, unem os seus sofrimentos à Cruz de Jesus, para implorar vocações santas! Eles acompanham-me espiritualmente também a mim, no ministério petrino que Deus me confiou, e oferecem à causa do Evangelho uma contribuição inestimável, embora muitas vezes de modo totalmente oculto.


3. Oremos pelas pessoas que são chamadas ao sacerdócio e à vida consagrada!

Formulo votos cordiais, a fim de que se intensifique cada vez mais a oração pelas vocações. Que esta oração seja adoração do mistério de Deus e acção de graças pelas «maravilhas» que Ele realizou e não cessa de levar a cabo, apesar da debilidade dos homens. Oração contemplativa, impregnada de admiração e de acção de graças pela dádiva das vocações.

No cerne de todas as iniciativas de oração encontra-se a Eucaristia. O sacramento do Altar tem um valor decisivo para o nascimento das vocações e para a sua perseverança, para que do sacrifício redentor de Cristo as pessoas chamadas possam haurir a força para se dedicar totalmente ao anúncio do Evangelho. À celebração eucarística, é bom que se una a adoração do Santíssimo Sacramento, prolongando de certa maneira o mistério da Santa Missa. Contemplar Cristo, presente real e substancialmente sob as espécies do pão e do vinho, pode suscitar no coração de quem é chamado ao sacerdócio ou a uma missão especial na Igreja, o mesmo entusiasmo que levou Pedro, no monte da Transfiguração, a exclamar: «Senhor, é bom ficarmos aqui» (Mt 17, 4; cf. Mt 9, 5; Lc 9, 33). Trata-se de um modo privilegiado de contemplar o rosto de Cristo, com Maria e na escola de Maria que, com a sua atitude interior, pode qualificar-se como «mulher 'eucarística'» (Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 53).

Possam todas as comunidades cristãs tornar-se «autênticas escolas de oração», onde se reze a fim de que não faltem trabalhadores no vasto campo do trabalho apostólico. Além disso, é necessário que a Igreja acompanhe com constante primor espiritual as pessoas chamadas por Deus e que «seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá» (Ap 14, 4). Refiro-me aos sacerdotes, às religiosas, aos religiosos, aos eremitas, às virgens consagradas, aos membros dos Institutos seculares, em síntese, a todos aqueles que receberam o dom da vocação e trazem «este tesouro... em vasos de barro» (2 Cor 4, 7). No Corpo místico de Cristo existe uma grande variedade de ministérios e carismas (cf. 1 Cor 12, 12), e todos têm como finalidade a santificação do povo cristão. Na aspiração recíproca à santidade, que deve animar todos os membros da Igreja, é indispensável rezar a fim de que «as pessoas chamadas» permaneçam fiéis à sua vocação e alcancem a mais alta medida possível de perfeição evangélica.


4. A oração das pessoas chamadas.

Na Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, ressaltei que «uma exigência insuprimível da caridade pastoral à própria Igreja particular e do seu amanhã ministerial é a solicitude que o sacerdote deve ter para encontrar, por assim dizer, alguém que o substitua no sacerdócio» (n. 74). Portanto, consciente de que Deus chama quem Ele quer (cf. Mc 3, 13), cada ministro de Cristo deve procurar rezar com perseverança pelas vocações. Ninguém melhor do que ele é capaz de compreender a urgência de uma substituição geracional que garanta pessoas generosas e santas para o anúncio do Evangelho e a administração dos Sacramentos.

Precisamente nesta perspectiva, é mais necessária do que nunca «a adesão espiritual ao Senhor e às próprias vocação e missão» (Vita consecrata, 63). É da santidade das pessoas chamadas que depende a força do seu testemunho, capaz de impelir outros indivíduos a confiar a sua própria vida a Cristo. Este é o modo de se opor à diminuição do número de vocações à vida consagrada, que ameaça a existência de muitas obras apostólicas, sobretudo nos Países de missão.

Além disso, a oração das pessoas chamadas, sacerdotes e consagrados, reveste um valor especial, porque se insere na oração sacerdotal de Cristo. Através delas, Ele pede ao Pai a fim de que santifique e conserve no seu amor aqueles que, não obstante vivam neste mundo, não pertencem a este mundo (cf. Jo 17, 14-16).

O Espírito Santo faça de toda a Igreja um povo de orantes, que levantem a sua voz ao Pai celestial, em ordem a implorar vocações santas para o sacerdócio e a vida consagrada. Oremos a fim de que, aqueles que o Senhor escolheu e chamou, sejam testemunhas fiéis e alegres do Evangelho, ao qual consagraram a sua existência.


5. Dirigimo-nos confiantes a Vós, ó Senhor!

Filho de Deus, enviado pelo Pai para junto dos homens de todos os tempos e de todas as partes da terra! Invocamos-vos por meio de Maria, vossa e nossa Mãe: fazei com que na Igreja não faltem vocações, em particular as de especial consagração ao vosso Reino.

Jesus, único Salvador do mundo!

Pedimos-vos pelos nossos irmãos e pelas nossas irmãs, que responderam «sim» ao vosso apelo ao sacerdócio, à vida consagrada e à missão. Fazei com que as suas existências se renovem no dia-a-dia, tornando-se Evangelho vivo. Senhor misericordioso e santo, continuai a enviar novos trabalhadores para a messe do vosso Reino! Ajudai aqueles que Vós chamais para o vosso seguimento neste nosso tempo: fazei com que, contemplando o vosso rosto, eles respondam com alegria à maravilhosa missão, que lhes confiais para o bem do vosso Povo e de todos os homens. Vós, que sois Deus, viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo, nos séculos dos séculos.

Amém!


João Paulo II, Vaticano, 23 de Novembro de 2003.


Oração Universal


Irmãs e irmãos:

Contemplando Jesus, o Bom Pastor,

que conhece as suas ovelhas e por elas dá a vida,

supliquemos cheios de esperança:


R. Cristo, Bom Pastor, ouvi-nos.


1. Para que a Igreja

viva ao ritmo pascal daquilo que anuncia,

oremos ao Senhor.


2. Pelo Papa, pelos Bispos e por todos

os que desempenham algum ministério na Igreja,

para que o façam com a medida do bom Pastor,

oremos ao Senhor.


3. Para que os cristãos

sejam sensíveis e atenciosos para com todos,

oremos ao Senhor.


4. Pelas famílias,

para que cultivem esmeradamente os valores de Jesus,

oremos ao Senhor.


5. Pelos jovens e adolescentes,

para que cresçam iluminados pelo Evangelho,

oremos ao Senhor.


6. Pelas vocações sacerdotais na Igreja e nas pequenas comunidades,

oremos ao Senhor.


Pai Santo, que enviastes Jesus como Bom Pastor

que deu sua vida pelas ovelhas:

nós vos pedimos a graça de receber muitos pastores segundo o vosso coração,

para que, animados pelo exemplo de Jesus,

conduzam o vosso povo com firmeza

pelos novos caminhos que os tempos atuais requerem.

Por Nosso Senhor.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Honra, glória e louvor, F. da Silva, NRMS 1 (II)


Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473


Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT


Monição da Comunhão


Jesus preocupa-Se com cada um de nós, conhece-nos pelo nome e alimenta-nos para que tenhamos vida abundante e eterna. A comunhão com Jesus tem este impacte e esta transcendência.


Cântico da Comunhão: O Cordeiro de Deus é o nosso Pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91


Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.


Cântico de acção de graças: Cantai ao Senhor, M. Luis, NRMS 37


Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Ritos Finais


Monição final


Este dia tem ressonâncias especiais. Não só celebrámos Jesus como bom Pastor, como também nos aplicámos a nós próprios este símbolo, já que queremos ser espelhos de Jesus no meio da sociedade.

Procuremos que não faltem na nossa vida do dia a dia os sentimentos e as actividades que são próprias do Bom Pastor. Aqueles que seguimos a Jesus devemos distinguir-nos por gestos e compromissos evangélicos.

Coragem, que o bom Pastor continua connosco e entre nós. Vivamos esta semana, dando o nosso testemunho de autênticos discípulos de Jesus.


Cântico final: Vencida foi a morte, J. S. Bach, NRMS 57



Homilias Feriais


4ª SEMANA


2ª feira, 3-V: S. Filipe e S. Tiago: Fidelidade ao Evangelho.

1 Cor 15, 1-8 / Jo 14, 6-14

Recordo-vos o Evangelho que vos anunciei, o mesmo Evangelho que vós recebestes e ao qual permaneceis fiéis.

Os Apóstolos Filipe e Tiago fizeram o mesmo que S. Paulo aconselha aos fiéis de Corinto (cf. Leit.). É esta fidelidade ao Evangelho que todos temos que viver: «Se o Evangelho a anunciar é idêntico em todos os tempos, são diversos os modos como tal anúncio pode ser realizado. Por conseguinte, cada um é convidado a ‘proclamar’ Jesus e a fé nele, em todas as circunstâncias..., ‘irradiar’ alegria, amor e esperança ao seu redor, para que muitos ...acabem ‘contagiados’ e conquistados; tornar-se ‘fermento’ que transforma e anima a partir de dentro toda a expressão cultural» (INE, 48). À Virgem fiel confiamos esta intenção.


3ª feira, 4-V: A novidade de Deus

Act 11, 19-26 / Jo 10, 22-30

A mão do Senhor estava com eles e foi grande o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor.

A Jerusalém seguiu-se Antioquia, onde os discípulos passaram a chamar-se cristãos (cf. Leit.). Aconteceu e continuará a acontecer o que o Papa chama a novidade de Deus: «'Eu renovo todas as coisas' – com a especificidade que vem depois: 'Está feito'. Efectivamente Deus já está agindo para renovar o mundo; a Páscoa de Cristo é já novidade de Deus, que faz nascer a Igreja, anima a sua existência, renova e transforma a história» (INE, 106). «Esta novidade começa a tomar forma primariamente na comunidade cristã» (INE, 107). Mas é Maria que nos apresenta primeiro a 'novidade' do Deus encarnado.


4ª feira, 5-V: Uma comunidade que reza.

Act 12, 24- 13, 5 / Jo 12, 44-50

Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir.

Aqui se vê também que «a Igreja é uma comunidade que reza. Ao rezar, escuta o seu Senhor e aquilo que o Espírito lhe diz; adora, louva, agradece e também implora a vinda do Senhor» (INE, 66).

Cada um de nós faz parte desta comunidade que reza. É na oração que descobriremos a presença do Senhor; que receberemos a luz para que não haja trevas na nossa vida (cf. Ev.); que receberemos as palavras do Senhor, como vindas do Pai (cf. Ev.), que escutaremos o Espírito Santo para que nos diga o que devemos fazer (cf. Leit.). Unamo-nos à oração de Maria e dos Apóstolos na Igreja nascente.


5ª feira, 6-V: Cadeia de transmissão

Act 13, 13-25 / Jo 13, 16-20

Quem receber aquele que eu enviar é a mim que recebe; e quem me receber, recebe aquele que me enviou.

Trata-se de uma cadeia ininterrupta de transmissão: do Pai para o Filho, do Filho para os Apóstolos ('enviados': cf. CIC, 858) e dos Apóstolos para todos nós.

«Persevera com renovado ardor, no mesmo espírito missionário que, a partir da pregação dos Apóstolos Pedro e Paulo e ao longo destes vinte séculos, animou tantos santos e santas, autênticos evangelizadores do continente europeu» (INE, 45). Que cada um de nós sinta esta petição, evangelizando com o testemunho e a palavra. Peçamo-lo à Rainha dos Apóstolos e dos Confessores.


6ª feira, 7-V: A verdadeira vida

Act 13, 26-33 / Jo 14, 1-6

Em casa de meu Pai há muitas habitações. Se assim não fosse, Eu vos teria dito, pois vou preparar-vos um lugar.

Só com as nossas forças não poderíamos chegar à casa do Pai mas, com a ajuda de Jesus, é possível: «ninguém vai ao Pai senão por mim» (Ev.).

Jesus é pois a nossa esperança: «Para os crentes, Jesus Cristo é a esperança da humanidade, porque dá a vida eterna. Ele é o Verbo da vida, que veio ao mundo para que os homens tenham vida e a tenham em abundância. Deste modo, Ele mostra-nos como o verdadeiro sentido da vida do homem não está confinado ao horizonte terreno, mas abre-se para a eternidade» (INE, 21). Jesus dá-nos a vida sobrenatural e fala-nos da verdadeira vida. Que a Porta do Céu nos ajude a entrar na vida eterna.


Sábado, 8-V: O rosto espiritual da Europa.

Act 13, 44-52 / Jo 14, 7-14

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.

A vida de Jesus é uma contínua revelação do Pai, através das suas palavras e actos, silêncios e sofrimentos, maneira de ser e de falar (cf. CIC, 516).

Também a cada um de nós é pedido que sejamos capazes de reflectir o rosto de Cristo perante as actuais gerações (cf. NMI, 16). E a própria Europa precisa de renovar o seu rosto espiritual «que se foi formando graças aos esforços dos grandes missionários, ao testemunho de santos e mártires e ao trabalho incansável de monges, religiosos e pastores» (INE, 25). Chegaremos a uma melhor contemplação do rosto de Cristo através de Maria: Por Maria a Jesus!







Celebração e Homilia: Nuno Westwood

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial