5º Domingo da Páscoa

14 de Maio de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantemos, cantemos, M. Faria, NRMS 6 (II) ou 68

Salmo 97, 1-2

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No clima pascal que estamos a viver, Jesus Cristo faz-nos esta belíssima declaração de amor: «Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto» (Evangelho). Mas Jesus quis declarar-se noutros moldes não menos ternos: «Sem Mim nada podeis fazer» (Evangelho).

Marcados profundamente por esta interpelação, celebremos com muito amor a Missa de hoje.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Saulo quer juntar-se aos discípulos de Jerusalém. O ambiente não é favorável. Barnabé apresenta-Lhes Paulo e contou-lhes como no caminho, ele tinha visto o Senhor.

 

Actos dos Apóstolos 9, 26-31

Naqueles dias, Saulo 27chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos o temiam, por não acreditarem que fosse discípulo. 28Então, Barnabé tomou-o consigo, levou-o aos Apóstolos e contou-lhes como Saulo, no caminho, tinha visto o Senhor, que lhe tinha falado, e como em Damasco tinha pregado com firmeza em nome de Jesus. 29A partir desse dia, Saulo ficou com eles em Jerusalém e falava com firmeza no nome do Senhor. Conversava e discutia também com os helenistas, mas estes procuravam dar-lhe a morte. 30Ao saberem disto, os irmãos levaram-no para Cesareia e fizeram-no seguir para Tarso. 31Entretanto, a Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e vivendo no temor do Senhor e ia crescendo com a assistência do Espírito Santo.

 

A leitura relata a primeira visita do cristão Saulo a Jerusalém, após a fuga de Damasco, onde a sua vida corria perigo. Há uma correspondência perfeita com os dados que o próprio S. Paulo fornece no início da sua Carta aos Gálatas (Gal 1, 19-19). Também a vida do convertido, que não se calava, não estava segura em Jerusalém (v. 30).

27 «Barnabé». Era levita e cipriota; o seu nome de origem aramaica, «bar nahmá», podia significar «filho da consolação», isto é, o amigo de consolar. Foi ele que apresentou Saulo aos Apóstolos, concretamente a Pedro (cf. Gal 1, 18) acabando-se assim com o receio de que ele fosse um falso irmão, um espião. Havia de ser o mesmo Barnabé que, passados bastantes anos (14 ou 15), após a retirada de Saulo para a sua terra natal, Tarso na Cilícia, o vai buscar para o trabalho apostólico em Antioquia da Síria (Act 11, 22-26), grande centro helenista, onde os cristãos tomam este nome e a fé se expande extraordinariamente. Daqui sairá Paulo e Barnabé para a primeira grande viagem missionária

29 «Helenistas». Judeus provenientes da diáspora, isto é, emigrantes de passagem para Jerusalém ou mesmo já retornados que falavam grego e nesta mesma língua liam a Bíblia, em sinagogas próprias.

 

Salmo Responsorial    Salmo 21 (22), 26b-27.28.30.31-32

 

Monição: Louvemos o Senhor, reunidos nesta assembleia.

 

Refrão:         Eu Vos louvo, Senhor, na assembleia dos justos.

 

Ou:                Eu Vos louvo, Senhor, no meio da multidão.

 

Cumprirei a minha promessa na presença dos vossos fiéis.

Os pobres hão-de comer e serão saciados,

louvarão o Senhor os que O procuram:

vivam para sempre os seus corações.

 

Hão-de lembrar-se do Senhor e converter-se a Ele

todos os confins da terra;

e diante d’Ele virão prostrar-se

todas as famílias das nações

 

Só a Ele hão-de adorar

todos os grandes do mundo,

diante d’Ele se hão-de prostrar

todos os que descem ao pó da terra.

 

Para Ele viverá a minha alma,

há-de servi-l’O a minha descendência.

Falar-se-á do Senhor às gerações vindouras

e a sua justiça será revelada ao povo que há-de vir: «Eis o que fez o Senhor».

 

Segunda Leitura

 

Monição: O mandamento de Cristo é este: «acreditar n'Ele e amar os irmãos». Mas o amor são obras e não palavras.

 

1 São João 3, 18-24

Meus filhos, 18não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade. 19Deste modo saberemos que somos da verdade e tranquilizaremos o nosso coração diante de Deus; porque, se o nosso coração nos acusar, 20Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. 21Caríssimos, se o coração não nos acusa, tenhamos confiança diante de Deus 22e receberemos d’Ele tudo o que Lhe pedirmos, porque cumprimos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável. 23É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou. 24Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E sabemos que permanece em nós pelo Espírito que nos concedeu.

 

19-20 A ideia central é a de uma absoluta confiança em Deus, consequência da nossa filiação divina de que falava o texto do passado Domingo (1 Jo 3, 1-3). É assim que, embora a consciência nos possa acusar de pecado, o cristão nunca tem motivo para deixar abalar a sua confiança em Deus, pois o amor de Deus é maior, isto é, supera toda a miséria humana; e, mesmo que não tivéssemos consciência de ter pecado, Ele, que «conhece todas as coisas», não deixaria de nos perdoar, pois despacha favoravelmente «tudo o que Lhe pedirmos» (v. 22; cf Jo 16, 26-27); e «a pedra de toque da aceitação da parte de Deus é a boa vontade para ‘fazer o que Lhe é agradável’ (cf. Jo 8, 29)» (Ph. Perkins).

23 «Este é o seu mandamento: acreditar… em Jesus Cristo e amar-nos uns aos outros». A expressão aparece aqui como uma fórmula joanina correspondente ao amar a Deus e ao próximo nos Sinópticos (cf. Mc 12, 28-31 par). Há mesmo quem veja nesta fórmula uma síntese da essência do cristianismo, a saber, a fé em Jesus Cristo e o amor fraterno; também podemos ver outra síntese que define o cristianismo como amor, em 1 Jo 4, 21: «Quem ama a Deus, ame também o seu irmão». O Papa Bento XVI desenvolve este tema que escolheu para a sua primeira encíclica.

24 «Permanece em Deus e Deus nele». A imanência mútua é uma noção típica joanina, que aparece muitas vezes para indicar, mais que uma adesão firme de alma e coração, uma íntima comunhão, uma união vital; daí o aparecer por vezes em contextos eucarísticos (Jo 6, 56; cf. 15,4.5.6.7.9.10). Permanecer é uma das palavras-chave tanto no IV Evangelho (cf. Evangelho de hoje), como nesta Carta (cf. 1 Jo 2, 6.10.14.24.28; 3, 6.17.24; 4, 12.13.15.16. Mais ainda, se temos em conta o lugar paralelo do Evangelho de hoje: «Permanecei em Mim e Eu… em vós» (Jo 15, 3), pode-se pensar numa actualização destas palavras de Jesus feita na Carta (certamente posterior, por aparecer mais elaborada), constituindo assim o que penso poder classificar-se como um «deraxe cristológico intraneotestamentário», isto é, uma actualização (dentro do N. T.) alusiva à divindade de Cristo, ao actualizar as palavras de Cristo apontando-o como Deus. A permanência no amor implica uma observância dos mandamentos (cf. tb. 1 Jo 2, 3-8; 5, 2-3; Jo 15, 9-17; 13, 34; 14, 15.21). «E sabemos… pelo Espírito…»: O Espírito Santo também aparece como garantia nos Escritos Paulinos (cf. Rom 8, 14; 2 Cor 1, 22); como nota Muñoz-León, «o dom do Espírito é sinal da Comunhão divina».

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 15, 4a.5b

 

Monição: Mais uma vez se apela a união com Cristo para dar fruto abundante.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Diz o Senhor: «Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós;

quem permanece em Mim dá muito fruto».

 

 

Evangelho

 

São João 15, 1-8

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. 2Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. 3Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. 4Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. 5Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. 6Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. 7Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. 8A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».

 

O pano de fundo para esta solene afirmação de Jesus – Eu sou a videira autêntica! bem poderia ser a representação de uma videira de ouro com ramos e cachos, que, segundo conta Flávio Josefo, estava representada sobre a porta principal do Templo.

1-8 A imagem bíblica da «videira» designava o povo escolhido e tantas vezes infiel (cf. Os 10, 1; Is 5, 1-7; Jer 2, 21; Ez 15, 1-8; 19, 10-14; Salm 80, 9-17). Jesus inaugura um novo povo de Deus, por isso diz que Ele é «a verdadeira» (no sentido de autêntica, em grego, alêthinê) «videira» (cf. Sir 24, 17-21), que com os seus discípulos forma uma unidade vital e não uma simples comunidade, como a de Israel, pois nela se vive a própria vida de Cristo (cf. Ef 4, 16; 1 Cor 12, 27; Gal 2, 20), em ordem a dar «fruto» para a vida eterna. Esta íntima comunhão exprime-se com o insistente apelo «permanecei em Mim» (vv. 4.5.6.7); pode-se mesmo vislumbrar uma alusão à Eucaristia (cf. Jo 6, 56); o melhor fruto desta videira seria o vinho eucarístico, que prefigura e antecipa o do banquete escatológico do Reino de Deus (cf. Mc 14, 15; 1 Cor 11, 26). Mas uma tão profunda união pressupõe a purificação, a «poda» (cf. v. 2: o verbo grego katháirei tanto significa podar como purificar). O termo traduzido por vide, ou videira, tanto designa a árvore toda (v. 1), como a cepa ou o tronco (vv. 4-5). Permanecer em Cristo aparece com toda a radicalidade evangélica, como um questão de vida ou morte: «sem Mim, nada podeis fazer» (v. 5); caso contrário, é-se ramo seco, que não pode dar fruto (v. 4); só serve para ser cortado, ser laçado fora, ser lançado ao fogo (v. 6).

 

Sugestões para a homilia

 

Permanecer em Cristo

Dar fruto

Amar com obras e verdade

Perder a união com Cristo é ficar em risco de condenação

Introdução

A comparação do povo escolhido com uma vinha tinha sido utilizada no Antigo Testamento. No Salmo 80 fala-se da ruína e restauração da vinha arrancada do Egipto e plantada noutra terra; e no cântico de Isaías (5, 1-7), Deus queixa-Se de que a Sua vinha, apesar de todos os cuidados, tenha produzido agraços em lugar de uvas.

Jesus utiliza estas imagens na parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21, 33-43), para significar a Sua rejeição da parte dos judeus e o chamamento dos gentios. Aqui, Cristo apresenta-se como verdadeira vide e, à velha vinha, ao antigo povo escolhido, sucedeu o novo, a Igreja, cuja cabeça é Cristo (1 Cor 3,9).

Permanecer em Cristo

Pode permanecer-se em algumas organizações por vínculos externos. Permanecer em Cristo é algo muito diferente. Não se trata, também, de pertencer apenas à Igreja, à comunidade, mas de participar na vida de Cristo, a vida da graça, que é a seiva vivificante que anima o cristão baptizado e o capacita para dar frutos de vida eterna. Só permanece em Cristo quem mergulha, de algum modo, na própria vida divina, ficando divinizado, participando da natureza divina. Cada um de nós é como um pedaço de ferro que mergulha no fogo e se torna fogo, sem deixar de ser ferro. Só quando permanecemos em Cristo – nestes moldes – somos verdadeiramente filhos de Deus, herdeiros do Céu, templos do Espírito Santo, santos e agradáveis a Deus. Permanecer é conviver: na oração, na escuta da Palavra e sua meditação, na Eucaristia – sacrifício e comunhão. Permanecer em Cristo é fazer como o veraneante que se expõe ao sol. Permanecer em Cristo é abrir-Lhe o coração, é confiar-Lhe todos os problemas, é criar profunda intimidade. Cristo quer que permaneçamos n'Ele porque nos ama. Permanecer em Cristo é uma honra e uma necessidade para o homem. Permanecer em Cristo é: «Viver, mas só viver em Cristo».

Dar fruto

Dar fruto é algo ligado ao permanecer em Cristo. Dar fruto é permanecer em Cristo. Dar fruto não pode ser algo separado do permanecer em Jesus Cristo. Quanto mais permaneço em Cristo mais fruto produzirei. O fruto é proporcional ao permanecer. Damos fruto quando somos bons operários, bons colegas de trabalho, pessoas competentes, serviçais, simpáticos, alegres, desportistas. Tudo isto por amor de Cristo, vivificados pela graça divina.

Dar fruto é essencial a vida do cristão: «A glória de Meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis Meus discípulos» (Evangelho).

A eficácia da nossa oração passa pela nossa permanência em Cristo: «Se permanecerdes em Mim e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido» (Evangelho).

Dar fruto é deixar-se limpar: «Eu sou a verdadeira vide e Meu Pai é o agricultor, Ele (...) limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto» (Evangelho). Fica claro que Cristo não se contenta com uma entrega a meias. Por isso purifica os seus através da contradição, das dificuldades, que é como uma poda, para que se dê mais fruto. «É claro que dói, esse arrancar. Mas depois, que louçania nos frutos, que maturidade nas obras» (S. J. Escrivá, Caminho, 701). Cristo purifica dos erros, instruindo. Purifica dos afectos terrenos desordenados, despertando para as realidades celestiais.

Amar com obras e verdade

Só ama com obras e verdade, quem cumpre os mandamentos (2.ª leitura).

Só ama com obras e verdade, quem acredita em Jesus Cristo (2.ª Leitura).

Só ama com obras e verdade, quem ama os outros «como Ele nos mandou» ( 2ª leitura).

Amar com obras e verdade é proceder como São Paulo o qual, depois que viu Jesus, pregava com firmeza em nome de Jesus (1.ª leitura). Paulo discutia também com os helenistas, que procuravam dar-lhe a morte (1.ª leitura). Amar com obras e verdade, é proceder como os irmãos que, ao verem Paulo em perigo, o levaram para Cesareia e fizeram-no seguir para Tarso (1.ª leitura).

 

Fala o Santo Padre

 

«Permaneçamos ‘enxertados’ em Jesus, como ramos na videira, porque sem Ele nada podemos.»

1. «Quem está em mim e Eu nele, esse dá muito fruto» (Jo 15, 5; cf. Aclamação ao Evangelho). As palavras dirigidas por Jesus aos Apóstolos, no fim da Última Ceia, constituem um convite comovedor também para nós, seus discípulos do terceiro milénio. Só quem permanece intimamente unido a Ele enxertado nele como o ramo na videira recebe a linfa vital da sua graça. Só quem vive em comunhão com Deus produz frutos abundantes de justiça e de santidade. […]

2. «A perfeição é como a cidade do Apocalipse (cf. Ap 21), com doze portas que se abrem para todas as partes do mundo, como sinal de que os homens de todas as nações, condição e idade podem atravessar. (...) Nenhuma condição nem idade alguma são obstáculo para uma vida perfeita. De facto, Deus não considera as coisas externas (...), mas o espírito (...), e não pretende mais do que aquilo que podemos dar». […]

4. «O seu mandamento é este: que creiamos... e nos amemos uns aos outros» (1 Jo 3, 23). O apóstolo João exorta a aceitar o amor infinito de Deus, que para a salvação do mundo enviou o seu Filho unigénito (cf. Jo 3, 16). Este amor exprimiu-se de modo sublime quando Cristo derramou o seu Sangue como «preço infinito de resgate» por toda a humanidade. […]

6. «Permanecei em mim!» No Cenáculo Jesus repetiu várias vezes este convite, que todos os santos aceitaram com total confiança e disponibilidade. É um convite premente e amoroso dirigido a todos os crentes: «Se vós estiverdes em Mim garante o Senhor e as Minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e ser-vos-á concedido» (Jo 15, 7). Oxalá cada um de nós experimente na própria existência a eficiência desta certeza de Jesus.

Ajude-nos Maria, rainha dos Santos e modelo de comunhão perfeita com o seu divino Filho. Que ela nos ensine a permanecer «enxertados» em Jesus, como ramos na videira, e a nunca nos separarmos do seu amor. De facto, sem Ele nada podemos, porque a nossa vida é Cristo vivo e presente na Igreja e no mundo. Hoje e sempre.

Louvado seja Jesus Cristo!

João Paulo II, Vaticano, 18 de Maio de 2003

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai, confiados na ressurreição de Seu Filho,

dizendo:

Jesus, ajudai-nos a dar muito fruto.

 

1.  Pela Igreja:

para que se renove através de uma mais profunda permanência em Cristo,

oremos, irmãos.

Jesus, ajudai-nos a dar muito fruto.

 

2.  Pelos doentes, por quantos vivem longe de seus lares,

pelos presos e por quem não tiver trabalho,

oremos, irmãos.

Jesus, ajudai-nos a dar muito fruto.

 

3.  Pelos governantes:

para que vivamos em paz e os mais pobres tenham maiores ajudas,

oremos, irmãos.

Jesus, ajudai-nos a dar muito fruto.

 

4.  Por todos nós:

para que nos convençamos de que sem Cristo

nada podemos fazer,

oremos, irmãos.

Jesus, ajudai-nos a dar muito fruto.

 

5.  Por todos os que morreram no Senhor,

sobretudo os que foram de nossas famílias,

oremos, irmãos.

Jesus, ajudai-nos a dar muito fruto.

 

Deus omnipotente: cheios de alegria, pela vivência das festas Pascais,

concedei-nos a graça de dar sempre muito fruto. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, nós vos oferecemos, B. Salgado, NRMS 5 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei-nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469[602-714]ou 470-473

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Não poderemos dar muito fruto sem a Comunhão bem preparada e frequente.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou a videira, S. Marques, NRMS 57

Jo 15, 1.5

Antífona da comunhão: Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Povos da terra, louvai ao Senhor, M. Simões, NRMS 55

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos prolongar a nossa Missa, construindo um Mundo que deseje viver por Cristo e em Cristo.

 

Cântico final: Cantai a Cristo Senhor, Az. Oliveira, NRMS 57

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

feira, 15-V: Somos uma digna morada de Deus?

Act. 14, 5-18 / Jo. 14, 21-26

Quem me ama guardará as minhas palavras e meu Pai o amará; nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada.

Sabemos que o fim da nossa existência é a união perfeita com a Santíssima Trindade no céu. Mas Jesus revela-nos até onde pode chegar a ‘loucura do amor’ de Deus: aqui na terra a Santíssima Trindade vem habitar dentro de nós (cf. Ev.), prenúncio da união definitiva.

Recordemos que N.ª Senhora foi preparada por Deus para ser uma digna morada para o Filho de Deus. Afastemos da nossa alma o que nos afasta de Deus: que abandonemos os ídolos, a fim de nos voltarmos para o Deus vivo (cf. Leit.), fazendo da nossa alma uma morada mais digna.

 

feira, 16-V: A entrada no reino de Deus.

Act. 14, 19-28 / Jo. 14, 27-31

Através de muitas tribulações é que temos que entrar no Reino de Deus.

Paulo tinha acabado de ser apedrejado e deram-no como morto, mas logo a seguir diz que é necessário sofrer para se entrar no reino dos céus (cf. Leit.). É assim que vai actuando o ‘príncipe deste mundo’, o demónio (cf. Ev.).

Este nada pode contra Cristo, mas persegue-nos. Nada devemos temer, porque Cristo alcançou a vitória sobre o demónio de uma vez para sempre, quando se entregou à morte para nos dar a vida (cf. CIC, 2853). Recorramos também a Nª Senhora, a cheia de graça, contra a qual o demónio também nada pode.

 

feira, 17-V: união na Comunhão e na doutrina.

Act. 15, 1-6 / Jo. 15, 1-8

Se alguém permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer.

Jesus revela-nos mais uma realidade misteriosa: uma comunhão mais íntima entre Ele e os que o seguem. É principalmente na Eucaristia que nos pomos em comunhão com Ele.

Essa comunhão também se há-de verificar no campo doutrinal. Os Apóstolos para decidirem sobre o problema de circuncisão «reuniram-se para examinar o assunto» (Leit.). Procuremos conhecer bem os ensinamentos do Senhor e dos seus Vigários na terra. Quem se afasta deles deixa de estar em plena comunhão com a Igreja de Cristo.

 

feira, 18-V: S. João I: A permanência no amor de Deus.

Act. 15, 7-21 / Jo. 15, 9-11

Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei no meu amor.

Jesus convida-nos a permanecer no seu amor. Para o conseguirmos teremos que imitar o amor de Cristo, que tem uma característica muito importante: a perseverança: tendo amado os seus amou-os até ao fim.

Outra característica desse amor de Cristo é: a guarda dos mandamentos (cf. Ev.). Os Apóstolos tomaram uma decisão sobre a circuncisão e pediram a todos os cristãos que seguissem a essa decisão (cf. Leit.). O Papa S. João I sofreu o martírio por fidelidade aos mandamentos do Senhor.

 

feira, 19-V: Características da verdadeira amizade.

Act. 15, 22-31 / Jo. 15, 12-17

Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos.

Jesus deixa-nos um belo exemplo do que é a verdadeira amizade. Em primeiro lugar, ser capaz de viver uma entrega ao amigo (cf. Ev.), com o nosso apoio e dedicação; em segundo lugar, dar a conhecer aos outros o que sabemos de Deus: «porque tudo o que ouvi a meu Pai vo-lo dei a conhecer» (Ev.) e «mandámos Judas e Silas que vão transmitir-vos… as nossas decisões»(Leit.); em terceiro lugar, fazer tudo o que Deus nos pede (cf. Ev.).

A amizade há-de pois levar-nos a dar aos nossos amigos o melhor que temos; a aproximá-los de Deus; a comunicar-lhes os tesouros de Deus.

 

Sábado, 20-V: S. Bernardino de Sena: Enfrentar as perseguições actuais.

Act. 16, 1-10 / Jo. 15, 18-21

O servo não é maior do que o seu Senhor. Se me perseguiram a mim, também vos hão-de perseguir a vós.

No seu ministério público, Jesus é muitas vezes perseguido e o mesmo nos há-de acontecer a nós (cf. Ev.). As perseguições actuais são de tipo diferente, mas igualmente dolorosas. Vivemos num ambiente secularizado, que procura ridicularizar os valores cristãos da vida, da família…; que despreza a lei de Deus e os seus ensinamentos. Procuremos associar todos estes sofrimentos ao sacrifício de Cristo.

A melhor forma de combater este ambiente, fruto da ignorância, é dar doutrina: «convencidos de que Deus nos chamava a ensinar-lhes a Boa Nova» (Leit.). O mesmo fez S. Bernardino de Sena promovendo a devoção ao Santíssimo Nome de Jesus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Adriano Teixeira

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                        Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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