2º Domingo da Páscoa

23 de Abril de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo ressuscitou e está vivo, J. Santos, NRMS 65

1 Pedro 2, 2

Antífona de entrada: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.

 

Ou

4 Esd 2, 36-37

Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O tempo pascal é convite a aprofundar e a reconhecermos a Ressurreição do Senhor, vivo no meio de nós. Possuídos desta alegria pascal continuemos a caminhada.

 

Oração colecta: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O amor operante a Deus traduz-se, como costumamos confessar: em bons pensamentos, palavras e obras.

 

Actos dos Apóstolos 4, 32-35

32A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma; ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum. 33Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia. 34Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, 35que depunham aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade.

 

Este trecho é chamado o segundo «relato sumário». O primeiro (Act 2, 42-47) leu-se neste mesmo Domingo do ano A. O terceiro (Act 5, 12-16) lê-se no ano C. Chamam-se relatos sumários por serem uma espécie de bosquejos do estado da primitiva comunidade de Jerusalém, uma descrição um tanto idealizada, generalizando o que de mais positivo e edificante se verificou nos inícios. Todos estes três sumários focam três pontos importantes da vida dos primeiros cristãos, mas este desenvolve o cuidado dos pobres que havia entre eles. O 1º detém-se mais na sua vida religiosa, e o 3º no dom de operar milagres, que tinham os Apóstolos.

32 «Um só coração e uma só alma». Note-se a redundância que confere grande expressividade ao facto. Assim os primeiros cristãos viviam de acordo com as palavras de Jesus na sua oração sacerdotal (Jo 17, 11.21-23; cf. Filp 1, 27). «Uma tal união brota espontaneamente duma mesma fé em Jesus e dum mesmo amor pela sua adorável Pessoa» (Renié).

32-34 «Tudo entre eles era comum. Todos... vendiam...» Esta atitude extraordinariamente generosa dos nossos primeiros irmãos de Jerusalém ficou para sempre como um luminoso exemplo de como «compartilhar com os outros é uma atitude cristã fundamental. Os primeiros cristãos puseram em prática espontaneamente o princípio segundo o qual os bens deste mundo são destinados pelo Criador à satisfação das necessidades de todos sem excepção» (Paulo VI). Mas esta atitude cristã nada tem a ver com a colectivização de toda a propriedade privada imposta por um estado totalitário, uma vez que aqui era respeitada a legítima liberdade individual, podendo não se pôr tudo em comum. É por isto mesmo que se louva o gesto de Barnabé, logo a seguir, nos vv. 36-37, e se censura a fraude de Ananias e Safira, que muito bem poderiam não ter vendido o seu campo ou então ter ficado para si com o produto da venda (cf. Act 5, 4). Daqui se conclui que «todos» não se deve entender à letra, ao ser uma generalização, ou uma hipérbole. Em todos os tempos da vida da Igreja, desde então até aos nossos dias, numerosos grupos de cristãos têm posto em comum os seus bens, renunciando mesmo à sua posse, total ou parcial, imitando assim voluntariamente os primeiros cristãos.

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 2-4. 16ab-18, 22-24

 

Monição: O Senhor é rico de misericórdia; esforcemo-nos sermos dignos dela e merecermos a bem-aventurança.

 

Refrão:         Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

                      porque é eterna a sua misericórdia.

 

Ou:                Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:

                      o seu amor é para sempre.

 

Ou:                Aleluia.

 

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Aarão:

é eterna a sua misericórdia.

 

Digam os que temem o Senhor:

é eterna a sua misericórdia.

A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

 

Não morrerei, mas hei-de viver,

para anunciar as obras do Senhor.

Com dureza me castigou o Senhor,

mas não me deixou morrer.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O amor a Deus e a todo o próximo procede da fé e dá-nos força para cumprirmos a Sua vontade, os Seus mandamentos.

 

1 São João 5, 1-6

Caríssimos: 1Quem acredita que Jesus é o Messias, nasceu de Deus, e quem ama Aquele que gerou ama também Aquele que nasceu d’Ele. 2Nós sabemos que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos, 3porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, 4porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. 5Quem é o vencedor do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não só com a água, mas com a água e o sangue. É o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.

 

Nos domingos pascais do Ano B, a partir deste 2º Domingo, vamos ter como 2ª leitura trechos respigados da 1ª Carta de S. João (no ano A temos trechos de 1 Pe; no ano C, do Apoc). O facto de hoje não começarmos pelo início, mas pela parte final da epístola, só se explica pela carácter baptismal deste Domingo, que se chamou In albis, numa alusão às vestes brancas do Baptismo, e Quasi-modo pelas primeiras palavras latinas do célebre texto baptismal da Prima Petri adoptado como cântico de entrada da Missa (1 Pe 2, 2). No breve texto da leitura de hoje aparece por três vezes a palavra «água» (v. 6) e três vezes «nascer de Deus» (vv. 2a.2b.4), em que se pode ver uma alusão ao Baptismo. É interessante notar neste trecho o nexo entre a fé e o amor, e entre o amor de Deus e o dos irmãos, que, pelo Baptismo, se tornaram «filhos de Deus» (vv. 1-2).

1 «Quem ama Aquele que gerou ama também Aquele que nasceu d'Ele». Há duas possibilidades de entender o texto original. A versão litúrgica, pela utilização das maiúsculas, vê-se que prefere o sentido de que quem ama o Pai ama também o Filho (um sentido trinitário); mas o contexto próximo do amor fraterno levou-nos a preferir outra tradução: «todo aquele que ama Quem o gerou ama também quem por Ele foi gerado» (cf. a nossa tradução na Bíblia Sagrada da Difusora Bíblica). Assim, o amor aos irmãos é proposto como uma consequência da filiação divina, a derivar do amor a Deus (cf. 1 Jo 2, 29 – 3, 2; 4, 7.15; 1 Pe 1, 22-23).

3 «O amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos». O ensino de Jesus no Evangelho é neste sentido: Mt 7, 21; 12, 50; Jo 14, 15.21; 15, 14. «E os seus mandamentos não são pesados», o que faz lembrar Mt 11, 30: «o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

6 «Veio com água e com sangue»: esta insistência faz pensar na intenção de refutar os gnósticos, a heresia de Cerinto, para quem o Filho de Deus tomou posse de Jesus no Baptismo – a «água» –, e o abandonou ao chegar à sua Paixão – o «sangue». Também se costuma ver na água um símbolo do Baptismo (cf. Jo 3, 5), em que se recebe o Espírito Santo (cf. Jo 7, 37-39), e, no sangue, a Eucaristia (cf. Jo 6, 53.55-56). Os Padres viram nos três testemunhos unânimes um símbolo e um reflexo da SS. Trindade; daqui resultou que, em muitos manuscritos da Vulgata, o texto foi transcrito de diversas maneiras, sendo a mais corrente: «Três são os que dão testemunho no Céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e estes três são um só». Este acrescento (o chamado comma ioanneum, que foi objecto de tanta discussão inútil) veio a entrar para o texto oficial da Igreja, mas, embora a edição da Vulgata sisto-clementina o aceite, a Neovulgata já não o mantém. Muitos autores, seguindo os Santos Padres, vêem na referência à água e ao sangue uma alusão aos Sacramentos do Baptismo e da Eucaristia, figurados, por sua vez, na água e no sangue que brotaram do lado aberto de Cristo na Cruz (Jo 19, 33-35), o Novo Adão, de cujo lado saiu a Igreja, qual nova Eva.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 20, 29

 

Monição: Passou a tragédia da Cruz; os discípulos reencontram Cristo vivo depois da morte. Jesus deixou-nos o remédio para voltarmos à vida depois do pecado.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Disse o Senhor a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto».

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-31

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». 24Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». 30Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Neste breve relato pode ver-se como Jesus cumpriu a suas promessas que constam dos discursos de despedida: voltarei a vós (14, 18) – pôs-se no meio deles (v. 19); um pouco mais e ver-Me-eis (16, 16) – encheram-se de alegria por verem o Senhor (v. 20); Eu vos enviarei o Paráclito (16, 7) – recebei o Espírito Santo (v. 22); ver também Jo 14, 12 e 20, 17.

19 «A paz esteja convosco!» Não se trata duma mera saudação, a mais corrente entre os judeus, mesmo ainda hoje. Esta insistência joanina nas palavras do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) é muito expressiva: com a sua Morte e Ressurreição, Jesus acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).

20 O mostrar das mãos e do peito acentua a continuidade entre o Jesus crucificado e o Senhor glorioso (cf. Hebr 2, 18); a sua presença, que transcende a dimensão espácio-temporal (cf. vv. 19.26), é uma realidade que os enche de paz (vv. 19.21.26; cf. Jo 14, 27; 16, 33; Rom 5, 1; Col 1, 20) e de alegria (v. 20; cf. Jo 15, 11; 16, 20-24; 17, 13), conforme Jesus prometera. «Ficaram cheios de alegria» é uma observação que confere ao relato uma grande credibilidade; com efeito, naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, ao verem o Senhor; ao contrário do que era de esperar, e não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre há uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha da sua deslealdade.

22 «Soprou sobre eles… Recebei o Espírito Santo». Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do Espírito (em grego é a mesma palavra que também significa «sopro»). Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo (cf. Act 1, 14; 2, 1), iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que estavam incumbidos.

23 A Igreja viu nestas palavras a instituição do Sacramento da Reconciliação, que é fonte de paz e alegria, e definiu mesmo o seu sentido literal; de facto Jesus diz: «a quem perdoardes os pecados», e não: «a quem pregardes o perdão dos pecados» (segundo entendeu a reforma protestante). A expressão é muito forte, pois deve-se ter em conta o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus (passivum divinum); sendo assim, dizer ficarão perdoados corresponde a «Deus perdoará» e «ficarão retidos» equivale a «Deus reterá», isto é, não perdoará (cf. Mt 16, 19; 18, 18; 2 Cor 5, 18-19). Aqui se funda o ensino do Concílio de Trento ao falar da necessidade de confessar todos os pecados graves cometidos depois do Baptismo, uma doutrina que, já depois do Vaticano II, o magistério de Paulo VI reafirma: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano (Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972); também o Catecismo da Igreja Católica, n.º 1497, afirma: «a confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua a ser o único meio ordinário para a reconciliação com Deus e com a Igreja»; cf. tb. o Motu proprio de João Paulo II, Misericordia Dei (7.4.2002) e Código de Direito Canónico (n.º 960.).

24 «Tomé», nome aramaico Tomá significa «gémeo»; em grego, dídymos.

28 «Meu Senhor e meu Deus!» É da boca do discípulo incrédulo que sai a mais elevada profissão de fé explícita na divindade de Cristo, a qual engloba todo o Evangelho numa unidade coerente.

29 «Felizes os que acreditam sem terem visto». Para a generalidade dos fiéis, a fé (dom de Deus) não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê porque Deus revelador não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «felizes», ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Como Tomé, também nós temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Também as estrelas não deixam de existir pelo facto de os cegos não as verem.

30-31 Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João, que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs: fazer progredir na fé e na vida cristã os fiéis, sem que se possa excluir também uma intenção de trazer à fé os não crentes. Este Evangelho foi escrito para crermos que «Jesus é o Messias, o Filho de Deus». Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca, ou caminhada, sem uma base doutrinal, implica um conteúdo de ensino (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, pois é o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus» (v. 28; cf. Jo 1, 1; Rom 9, 5). Note-se que há quem veja o Evangelho segundo S. João contido dentro de uma grande inclusão, que põe em evidência a divindade de Cristo: Jo 1, 1 (O Verbo era Deus) e Jo 20, 28 (meu Senhor e meu Deus), tendo como centro e clímax a afirmação de Jesus: Eu e o Pai somos Um (10, 30).

 

Sugestões para a homilia

 

1.   Damos testemunho de quem e de quê?

2.   Como enfrentamos os deturpadores de Cristo?

3.   Não estaremos tolhidos, como Tomé, por hesitações?

 

1.  Toda a nossa felicidade se deve à Paixão, à morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

A beleza do livro dos Actos dos Apóstolos não é um quadro que se pendura, uma paisagem que se descreve ou um álbum de lembranças:

O homem passará a viver de nova maneira, deve querer a comunhão com o próximo, expressará diferentes sentimentos, paixões boas, colocará à disposição dos outros, por partilha, os bens materiais.

Sentirá que as obras de misericórdia são caminho para a bem-aventurança futura.

Aparecerão uma paz e alegria desconhecidas trazida, agora, pelo Redentor.

Se não damos sinais de vida nova, examinemo-nos melhor, gizemos novo rumo.

 

2.  Valeria a pena passar o tempo do nascer à morte, de joelhos, de mãos cativas, de pensamento absorto na Incarnação, na Revelação de Jesus Cristo, na Paixão, e Morte e Ressurreição.

Como comunidade cristã temos aí os nossos fundamentais valores, inquestionáveis, a alegria da vida fraternal, a alegria de uma vitória contra os males e que começa no nosso baptismo.

S. João enfrenta os falsos profetas, repondo a verdade: Jesus Cristo como ponto de encontro com Deus.

Por Ele nos é dada a verdadeira Vida Nova (Páscoa), o Messias, o único pré-anunciado, com recepção preparada por todo o velho testamento, ainda é negado em muitos corações, mutilado como se Deus pudesse ser reduzido a um mortal, incompreendido e não procurado. S. João encaminha-nos para Ele, a fonte da Vida.

 

3.  Vê-se que a tragédia da Cruz passou.

Jesus é visto de novo, vivo, depois da Sua morte. Os apóstolos e discípulos compreendem à luz da Ressurreição, os gestos, as palavras e a actuação terrena de Jesus em Nazaré.

Aceitam o Tempo Novo, fazem a reconciliação do mundo e constróem a Nova Humanidade, nascida da Ressurreição.

– Na sociedade, consegues que as diferenças de ideias, de políticas, não matem em ti o amor dos homens como membros do Corpo de Cristo?

– Como te situas na Igreja? Como alguém de fora que a critica, ou como responsável que participa e dá testemunho de esperança?

– Na tua família consegues ultrapassar as dificuldades que vêm do egoísmo, da diferença de idades e de temperamentos?...

 

 

Fala o Santo Padre

 

«A Boa Nova dirige-se pessoalmente a cada um e pede para ser traduzida na nossa vida.»

1. «Louvai o Senhor porque Ele é bom, porque é eterno o Seu amor» (Sl 117, 1). Assim canta hoje a Igreja, neste segundo domingo de Páscoa, Domingo da Misericórdia Divina. Revela-se plenamente no mistério pascal o confortador desígnio salvífico do amor misericordioso de Deus, do qual são testemunhas privilegiadas os Santos e os Beatos do Paraíso. […]

2. «Estes (sinais) foram escritos... para que, crendo, tenhais a vida em Seu nome» (Jo 20, 31). A Boa Nova é uma mensagem universal destinada aos homens de todos os tempos. Ela dirige-se pessoalmente a cada um e pede para ser traduzida em vida vivida. Quando os cristãos se tornam «evangelhos vivos», transformam-se em «sinais» eloquentes da misericórdia do Senhor e o seu testemunho alcança mais facilmente o coração das pessoas. Aqueles dóceis instrumentos nas mãos da Providência divina, incidem profundamente na história. […]

João Paulo II, Vaticano, 27 de Abril de 2003

 

Oração Universal

 

Irmãos

Com alegria e com fé, por Cristo Morto e Ressuscitado

supliquemos a Deus Pai, que nos dê frutos da Sua Páscoa.

 

1.  Pela Igreja,

para que, aprofundando o mistério da Ressurreição de Cristo,

testemunho da Vida Nova.

 

2.  Pelo Papa, Bispos e outros servidores do Reino de Deus,

para que por palavras e por obras,

sejam presença de Cristo Ressuscitado.

 

3.  Pelos governos das nações,

para que no exercício da autoridade,

promovam a paz e a justiça verdadeiras,

como frutos da Ressurreição de Cristo.

 

4.  Pela nossa comunidade,

para que seja anunciadora dos Tempos Novos,

na simplicidade de vida e na partilha dos bens.

 

5.  Por todos aqueles que não têm fé ou caíram na desilusão,

para que busquem a Verdade e alcancem a alegria pascal.

 

6.  Pelos doentes, pobres e todos os aflitos,

para que, no amor dos irmãos cheguem ao conhecimento de Cristo Ressuscitado.

 

Ouvi Senhor, as súplicas que Vos dirigimos pelos filhos que regenerastes

pela Morte e Ressurreição de J. C. Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, quebrastes os laços da morte, M. Simões, NRMS 65

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Não cessemos de louvar o Pai, que pelo Baptismo nos associou à Ressurreição e agora nos dá o alimento do banquete do Seu Reino.

 

Cântico da Comunhão: Porque me vês, acreditas, Az. Oliveira, NRMS 97

cf. Jo 20, 27

Antífona da comunhão: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Bendita e louvada seja, M. Simões, NRMS 41

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Deus todo-poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Partamos conscientes da nossa missão, na sociedade, de testemunhas da Ressurreição de Cristo.

Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe.

 

Cântico final: Vencida foi a morte, J. S. Bach, NRMS 57

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO PASCAL

 

2ª SEMANA

 

feira, 24-IV: S. Fiel Sigmaringen: Um novo nascimento.

Act. 4, 23-31 / Jo. 3, 1-8

Disse Jesus a Nicodemos: Não te admires de eu te ter dito: Vós tendes de nascer de novo.

Jesus fala de um novo nascimento: pela água e pelo Espírito Santo (cf. Ev.). Com efeito, a pessoa que é baptizada torna-se um filho de Deus adoptivo, que participa da sua natureza divina, que é membro de Cristo e seu co-herdeiro, que é templo do Espírito Santo (cf. CIC, 1265).

Este novo nascimento exige uma nova vida que, no dia a dia, se traduz em pequenas conversões. Entre elas está um maior recurso à oração: «Depois de terem rezado… todos ficaram cheios do Espírito Santo» (Leit.). A Santa Sé confiou a S. Fiel de Sigmaringen a missão da propagação da fé (cf. Oração) para ajudar muitos a uma nova forma de vida.

 

feira, 25-IV: S. Marcos: escutar e comunicar a Boa Nova.

1 Pedro 5, 5-14 / Mc. 16, 15-20

Jesus apareceu aos onze Apóstolos e disse-lhes: Ide a todo o mundo e proclamai a Boa Nova.

S. Marcos acompanhou S. Paulo na sua primeira viagem apostólica e esteve a seu lado na hora da morte. Foi igualmente discípulo de S. Pedro (cf. Leit.) e o seu Evangelho é uma reprodução fiel dos ensinamentos deste Apóstolo.

O Senhor confiou a S. Marcos, de um modo especial, a proclamação da Boa Nova (cf. Ev.). Para proclamarmos a Boa Nova precisamos primeiro escutá-la, assimilá-la, meditando-a no nosso coração, como fez Nossa Senhora. Depois, pô-la em prática e comunicá-la aos outros com toda a fidelidade, como fez S. Marcos com o que escutava da pregação de S. Pedro.

 

feira, 26-IV: As palavras de vida da Bíblia.

Act. 5, 17-26 / Jo. 3, 16-21

Deus amou de tal modo o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o homem que acredita nele não pereça.

O Filho de Deus encarnou para que nos recordássemos do amor que Deus tem por nós: «Deus amou de tal modo o mundo…» (Ev.).

E Deus não permite que se perca um só dos seus ensinamentos. É preciso anunciar a todos as palavras de vida, ensinadas por Cristo, como disse o Anjo aos Apóstolos (cf. Leit.). Na leitura da Bíblia Sagrada encontraremos alimento e força para o cumprimento da nossa missão pessoal e também para a missão que temos que levar a cabo na sociedade, para torná-la mais justa.

 

feira, 27-IV: Fé e secularismo.

Act. 5,7-33 / Jo. 3, 31-36

(O Sumo sacerdote): já vos demos a ordem formal de não ensinar em nome de Jesus. E vós enchestes Jerusalém da nova doutrina.

Também na época moderna a cultura secularizada pretende impor-nos o mesmo silêncio. Quer construir uma ordem temporal sem Deus, que é o seu único fundamento. E acaba-se por cair nos maiores ataques à dignidade humana: o aborto, a eutanásia, o acasalamento de pessoas do mesmo sexo, etc.: «Quem se recusa a crer no Filho, não terá a vida» (Ev.).

A nossa reacção há-de ser como a dos Apóstolos: «Deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens» (Leit.). Todas as situações têm que ver com Deus: o mundo do trabalho, dos negócios, da família, da vida, da educação… Em todos eles não se pode prescindir da fé.

 

feira, 28-IV: S. Pedro Chanel: Indispensável contar com Deus.

Act. 5, 34-42 / Jo. 6, 1-15

(Gamaliel): porque, se esta iniciativa, ou esta obra, vem dos homens, há-de arruinar-se. Mas, se vem de Deus, não podereis arruiná-los.

Se só contamos com os meios humanos tudo pode vir abaixo (cf. Leit.). Mas, com a ajuda de Deus, e o nosso empenho, tudo será muito fecundo: «Jesus tomou os pães… e distribuiu-os aos convivas. E fez o mesmo com os peixes, tanto quanto eles quiseram» (Ev.).

Para melhorarmos a nossa vida cristã, ou para podermos ajudar a transformar a sociedade em que vivemos, alem dos nossos esforços, precisamos contar mais com Deus. Foi o que aconteceu com S. Pedro Chanel, que levou a cabo abundantes conversões na Oceania, apesar das muitas dificuldades que encontrou.

 

Sábado, 29-IV: S. Catarina de Sena: A Europa precisa da luz de Cristo.

1 Jo. 1, 5- 2, 2 / Mt. 11, 25-30

Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não procedemos segundo a verdade.

S. Catarina de Sena (século XIV), Doutora da Igreja, teve uma grande influência na unidade da Igreja e na paz e concórdia entre os países e cidades da Europa. Foi, por isso, nomeada Padroeira da Europa.

Em muitos aspectos, a cultura europeia parece andar nas trevas (cf. Leit.) e precisa da luz de Cristo e dos cristãos para que sejam iluminados os seus caminhos. Apesar da sua pouca instrução, Santa Catarina escreveu abundantes cartas às autoridades eclesiásticas e civis para que voltassem ao bom caminho. Nela se verificaram as palavras de Cristo: «porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ferreira de Sousa

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                        Nuno Romão

Sugestão Musical:                  Duarte Nuno Rocha

 


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