S. José Operário

1 de Maio de 2004


O Evangelho desta memória é próprio.



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Deus Vive na Sua Morada Santa, F. dos Santos, NRMS 38

cf. Salmo 127, 1-2

Antífona de entrada: Feliz de ti que temes o Senhor e andas na sua lei: comerás do trabalho das tuas mãos e serás feliz em todos os teus caminhos. Aleluia.


Introdução ao espírito da Celebração


S. José foi o homem escolhido pelo Deus Altíssimo para ser na terra o Pai adoptivo de Jesus, que era conhecido como o Filho de José, o Carpinteiro. É no seio da sua modesta família que se realiza o Mistério da Encarnação do Verbo Eterno. Com o fruto do trabalho das suas mãos alimentou o Filho de Deus. Hoje celebramos S José como Protector de todos os trabalhadores.


Oração colecta: Deus, criador do universo, que estabelecestes a lei do trabalho para todos os homens, concedei-nos que, a exemplo de São José e com a sua protecção, realizemos a obra que nos mandais e recebamos o prémio que nos prometeis. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: S. Paulo ensina-nos: Qualquer que seja o vosso trabalho fazei-o de boa vontade. Deus recompensará tudo quanto fizermos em união com Jesus.


Génesis 1, 26 – 2, 3

26Disse Deus: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre os animais selvagens e sobre todos os répteis que rastejam pela terra». 27Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher. 28Deus abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem na terra». 29Disse Deus: «Dou-vos todas as plantas com semente que existem em toda a superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento. 30E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todos os seres vivos que se movem na terra dou as plantas verdes como alimento». E assim sucedeu. 31Deus viu tudo o que tinha feito: era tudo muito bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia. 1Assim se completaram o céu e a terra e tudo o que eles contêm. 2Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera e, no sétimo dia, descansou do trabalho que tinha realizado. 3Deus abençoou e santificou o sétimo dia, porque nele descansou de todo o trabalho da criação.


A primeira página da Bíblia apresenta-nos Deus não apenas como um trabalhador, que descansa após uma semana de trabalho, mas como o Criador de tudo e o Senhor soberano e providente, que tudo orienta para a sua obra prima, o ser humano, criado à sua «imagem e semelhança». No texto, o ser humano aparece como um ser pessoal, interlocutor de Deus. Como comentário desta rica expressão, limitamo-nos a transcrever a síntese do Catecismo da Igreja Católica: «Porque é ‘à imagem de Deus’, o indivíduo humano possui a dignidade de pessoa: ele não é somente alguma coisa, mas alguém. É capaz de se conhecer, de se possuir e de livremente se dar e entrar em comunhão com outras pessoas. E é chamado, pela graça, a uma aliança com o seu Criador, a dar-Lhe uma resposta de fé e amor que nenhum outro pode dar em seu lugar» (nº 357). Note-se que neste texto se proclama, pela primeira vez na história da humanidade, a igual dignidade do homem e da mulher, pois ambos são igualmente imagem e semelhança de Deus (v. 27). Também na comunhão de pessoas, homem e mulher (no matrimónio), se reflecte a imagem de Deus; fazendo finca-pé na expressão «e disse-lhes» (esta força expressiva aparece diluída no «dizendo» da tradução litúrgica do v. 28), João Paulo II comenta: «O homem acolhe a palavra de Deus como pessoa, e como tal tem de orientar o exercício da sexualidade; a geração não é fruto do instinto inscrito da natureza, como no caso dos animais, mas um acto de resposta pessoal a Deus que lhe disse: ‘crescei e multiplicai-vos’». Por outro lado, também no trabalho o homem manifesta a sua condição de imagem de Deus.


Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:


Colossenses 3, 14-15.17.23-24

14Irmãos: Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. Vivei em acção de graças. 17Tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. 23Qualquer que seja o vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como quem serve ao Senhor e não aos homens, 24certos de que recebereis como recompensa a herança do Senhor. Servi a Cristo, que é o Senhor.


14 «A caridade que é o vinculo da perfeição». Eis o comentário de S. João Crisóstomo: «O Apóstolo não diz a ‘caridade é a coroa’, mas sim algo com maior alcance, ‘o vínculo’, pois que este é mais necessário do que aquela; com efeito, uma ‘coroa’ culmina a perfeição, ao passo que o ‘vínculo’ mantém juntas as partes da perfeição».

15 «A paz de Cristo reine....»: O original grego (bravenétô) significa «seja o árbitro» (a Neovulgata traduz dominetur; a Vulgata, exultet). O mesmo Crisóstomo exclama: «o Apóstolo coloca nos nossos corações um estádio, jogos, e um árbitro! Realmente, se no coração do cristão falta a paz de Cristo, não só não pode haver ordem nas intenções e afectos, como também se torna difícil encaminhar os múltiplos afazeres para a glória de Deus» (cf. 1 Cor 10, 31).

17 «Seja tudo em nome do Senhor Jesus». Deve-se fazer tudo, concretamente o trabalho, com os mesmos sentimentos de Jesus (cf. Filp 2, 5), como faria Jesus se estivesse no nosso lugar! Assim, será feito «de boa vontade, como quem serve o Senhor» (v. 23).


Salmo Responsorial Sl 89 (90), 2.3-4.12-13.14 e 16 (R. 17c)


Monição: Deus manifesta-nos a sua bondade, criando o mundo. Com o salmista pedimos a Deus que confirme as obras das nossas mãos.


Refrão: Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.


Antes de se formarem as montanhas

e nascer a terra e o mundo,

desde toda a eternidade

Vós, Senhor, sois Deus.


Vós reduzis o homem ao pó da terra

e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».

Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que passou

e como uma vigília da noite.


Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando

Tende piedade dos vossos servos.


Saciai-nos, desde a manhã, com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Manifestai a vossa obra aos vossos servos

e aos seus filhos a vossa majestade.



Aclamação ao Evangelho Sl 67 (68), 20


Monição. Aclamemos com alegria o Evangelho que nos apresenta Jesus, o filho do carpinteiro.


Aleluia


Bendito seja Deus em cada dia.

Vela por nós o Senhor, nosso Salvador.


Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)



Evangelho


São Mateus 13, 54-58

54Naquele tempo, Jesus foi à sua terra e começou a ensinar os que estavam na sinagoga, de tal modo que ficavam admirados e diziam: «De onde Lhe vem esta sabedoria e este poder de fazer milagres? 55Não é Ele o filho do carpinteiro? A sua Mãe não se chama Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56E as suas irmãs não vivem entre nós? De onde Lhe vem tudo isto?». 57E estavam escandalizados com Ele. Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra e em sua casa». 58E por causa da falta de fé daquela gente, Jesus não fez ali muitos milagres.


55 «O filho do carpinteiro». É o único lugar do Evangelho onde aparece a profissão de S. José. Provavelmente ele era o artesão que na aldeia de Nazaré realizava vários tipos de ofícios manuais: tanto forjaria o ferro, como construiria móveis ou arados para lavrar. Em Mc 6, 3, a mesma profissão é aplicada ao próprio Jesus, mas, ao não ter relatado a sua concepção virginal, Marcos tem o cuidado de não o chamar filho de José, como fazem Lucas e Mateus nos lugares paralelos, mas expressamente «filho de Maria».

«Os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas». Nas antigas línguas semíticas, hebraico, árabe, arameu, etc., não era costume usarem-se palavras diferentes para indicar os diversos graus de parentesco, como nas nossas línguas modernas (cf. Gn 13, 8; 14, 14.16; 29, 15; Tob 7, 9-11). Os que pertenciam à mesma família, clã, ou tribo, eram chamados «irmãos». Estes irmãos de Jesus não são filhos da Virgem Maria; a fé da Igreja na sua perpétua virgindade é confirmada pelos lugares paralelos dos Evangelhos; com efeito, os dois primeiros irmãos aqui nomeados, Tiago e José, eram filhos de uma outra Maria, a esposa de Cléofas, segundo se diz em Mt 27, 56; Mc 15, 40.47; Jo 19, 25; os outros dois irmãos, Simão e Judas, ao serem nomeados em segundo lugar, com mais razão seriam simples parentes de Jesus. O facto de em Israel haver uma mesma palavra para designar toda a espécie de parentes leva a que, ao ser nomeado Simão irmão de André, em Jo 1, 41, se especifique que se trata do próprio (verdadeiro) irmão.


Sugestões para a homilia


Na escola de Nazaré

S. José santificou-se, trabalhando, rezando. Agradou tanto a Deus a sua vida que o Verbo eterno veio habitar em sua casa! O Evangelho recorda-nos que Jesus, depois ter ficado três dias no Templo de Jerusalém, voltou com Maria e José para Nazaré, onde viveu e aprendeu a trabalhar. A grande glória de S. José consiste em ser esposo de Maria da qual nasceu Jesus. Hoje S. Mateus diz-nos também que Jesus, depois de iniciar a sua vida pública veio a Nazaré onde todos o conheciam como o filho de José, o Carpinteiro. Este é outro título de glória: Jesus era tido como filho de José, o carpinteiro.

As mãos de S. José são mãos sagradas, mãos que trabalham, mãos que rezam, mãos unidas em plena doação à vontade divina e ao coração dos outros (Hino de Laudes, Lit. Horas 19 Março). As mãos de S. José certamente ensinaram a Jesus arte, a do trabalho. A sua humilde oficina de Nazaré foi a escola onde Jesus aprendeu a trabalhar! Nazaré seja também para nós a escola onde todos possamos aprender e compreender esta lei severa, mas redentora do trabalho humano. Foi Deus quem desde o início impôs a todos os homens a lei do trabalho, como podemos deduzir destas passagens do Génesis: crescei, multiplicai-vos, enchei e dominai a terra! (Gen 1, 28). O Senhor Deus formou o homem e colocou-o no jardim do Éden a fim de o cultivar e guardar! (Gen 2, 15). Arrancarás da terra o alimento à custa de penoso trabalho, todos os dias da tua vida (Gen 3, 17).

Ao celebrarmos hoje o dia da festa do trabalho, com a protecção de S. José peçamos por todos os operários do nosso país e de todo o mundo. Peçamos também por todos os desempregados e por todos os jovens à procura do primeiro trabalho.

A Igreja ensina-nos: «o trabalho é um meio de nos associarmos à obra redentora de Cristo» (GS, 67).


Oração Universal


Na memória de S. José Operário,

recordemos todos os que ganham o seu pão quotidiano

com o trabalho das mãos e da inteligência,

e peçamos a Deus com humildade:

R. Nós Vos rogamos, Senhor, ouvi-nos


1. Pelos trabalhadores do campo e suas famílias,

para que gozem dignamente o fruto do seu trabalho

e sejam protegidos pelas instituições públicas,

oremos.


2. Pelos que trabalham a pedra, a madeira e os metais,

para que a oficina de S. José e de Jesus

lhes recorde a dignidade do trabalho,

oremos.


3. Pelos trabalhadores das fábricas e das grandes empresas

para que descubram que Deus os chama a servi-l'O nos irmãos,

oremos.


4. Pelos artistas, intelectuais e inventores,

para que as suas obras, invenções e descobertas,

sejam caminho que os leve ao amor de Deus,

oremos.


5. Por todos aqueles que já partiram deste mundo

e procuraram Deus como o bem mais precioso,

para que recebam a vida eterna como herança,

oremos.


OREMOS – Senhor, que nos destes a lei do trabalho, como meio de realização pessoal

e como forma de ganhar o pão de cada dia,

fazei que, por intercessão de S. José, nos aproximemos sempre mais de Vós.

Por Jesus Cristo nosso Senhor que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amen



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Para Vós Senhor, M. Carneiro, NRMS 73-74


Oração sobre as oblatas: Deus, fonte de misericórdia, olhai para os dons que Vos apresentamos na festa de São José e fazei que estas oferendas alcancem a vossa protecção para aqueles que Vos invocam. Por Nosso Senhor.


Prefácio de S. José: p. 492


Santo: F. dos Santos, NTC 201


Monição da Comunhão


Quais seriam os sentimentos de S. José, vivendo na presença do Verbo encarnado? S. José, mestre da vida interior, ensinai-nos a comungar, a viver e trabalhar sempre em união com Jesus.


Cântico da Comunhão: Saciastes O Vosso Povo, F. da Silva, NRMS 90-91

Col 3, 17

Antífona da comunhão: Tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Aleluia.


Cântico de acção de graças: Não fostes vós que Me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão do Céu, ouvi as nossas súplicas e fazei que, à imitação de São José, levemos sempre em nossos corações o testemunho do vosso amor e gozemos eternamente da verdadeira paz. Por Nosso Senhor.



Ritos Finais


Monição final


S. José, servo fiel, humilde e silencioso protegeu e deu alimento ao próprio Deus: rezemos para que defenda e proteja com a sua intercessão os trabalhadores, a santa Igreja, o mundo inteiro.


Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91








Celebração e Homilia: José Roque

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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