3º Domingo da Páscoa

25 de Abril de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Anunciai com voz de júbilo, Az. Oliveira, NRMS 32

Salmo 65, 1-2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.


Diz-se o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


A ressurreição de Jesus Cristo vence o fatalismo da morte, e abre um horizonte de esperança, onde antes só poderia haver tristeza e resignação. Reunimo-nos na alegria e na esperança, porque Jesus venceu a morte, e está vivo para sempre.


Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Aquilo que os Apóstolos viram, não podem deixar de o testemunhar. O próprio Espírito Santo fala neles e através deles, para anunciar Cristo ressuscitado.


Actos dos Apóstolos 5, 27b-32.40b-41

Naqueles dias, 27bo sumo sacerdote falou aos Apóstolos, dizendo: 28«Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». 29Pedro e os Apóstolos responderam: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. 30O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro. 31Deus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. 32E nós somos testemunhas destes factos, nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem». Então os judeus mandaram açoitar os Apóstolos, 40bintimando-os a não falarem no nome de Jesus, e depois soltaram-nos. 41Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus.


A leitura, por motivo de brevidade, omite a sensata intervenção de Gamaliel que livra os Apóstolos de virem a ser mortos (vv. 34-39).

41 «Saíram cheios de alegria». Assim mostravam como sofrer por Jesus era uma dita e uma glória (cf. Mt 5, 10-12; Lc 6, 22-23); agora, o seu seguimento de Cristo era mais perfeito, e mais completa a sua colaboração na obra da Redenção (cf. Col 1, 24).

«Por causa do Nome». A nossa tradução acrescentou: «de Jesus»: o Nome por excelência era o nome divino – Yahwéh –, que os Judeus evitavam pronunciar, por motivo de máxima reverência. Referir-se a Jesus desta maneira é identificá-lo com o Nome por antonomásia, com o próprio ser divino.


Salmo Responsorial Sl 29 (30), 2.4-6.11-12a.13b (R. 2a ou Aleluia)


Monição: Embora o pranto e a alegria se cruzem em nossas vidas, sempre diremos ao Senhor: «Louvar-Vos-ei, Senhor, porque me salvastes».


Refrão: Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.


Ou: Aleluia.


Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes

e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.

Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,

vivificastes-me para não descer à cova.


Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,

e dai graças ao seu nome santo.

A sua ira dura apenas um momento

e a sua benevolência a vida inteira.

Ao cair da noite vêm as lágrimas

e ao amanhecer volta a alegria.


Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,

Senhor, sede Vós o meu auxílio.

Vós convertestes em júbilo o meu pranto:

Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.


Segunda Leitura


Monição: O Cordeiro imolado recebe o mesmo louvor e a mesma adoração que é prestada "Aquele que está sentado no trono". Diante d'Ele os céus e a terra se prostram em adoração.


Apocalipse 5, 11-14

Eu, João, na visão que tive, 11ouvi a voz de muitos Anjos, que estavam em volta do trono, dos Seres Vivos e dos Anciãos. Eram miríades de miríades e milhares de milhares, 12que diziam em alta voz: «Digno é o Cordeiro que foi imolado de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor». 13E ouvi todas as criaturas que há no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e o universo inteiro, exclamarem: «Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro o louvor e a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos». 14Os quatro Seres Vivos diziam: «Ámen!»; e os Anciãos prostraram-se em adoração.


A leitura é extraída da visão introdutória do Apocalipse, em que o autor, arrebatado ao Céu, contempla a Deus no seu trono glorioso – com uma imponente guarda de honra – (v. 11), donde dirige os destinos do cosmos e da Igreja, os quais constituem um mistério insondável, simbolizado no livro fechado com sete selos, que só o Cordeiro tem o poder de abrir. O trecho da leitura contém a aclamação vitoriosa ao Cordeiro, posto no mesmo nível de Deus: os sete atributos – «o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor» (v. 12) – são a manifestação de que o Cordeiro possui em plenitude a natureza divina.

14 «Os (quatro) Seres Vivos e os (vinte e quatro) Anciãos». Cf. Apoc 4, 4.6. Trata-se de figuras, ou símbolos, deveras misteriosos: serão seres humanos, ou antes seres angélicos de especial categoria e significado? Se se entenderem os Quatro Viventes como 4 Anjos encarregados do governo do Universo, com referência aos 4 pontos cardeais e aos quatro elementos da Natureza (terra, fogo, água e ar), e os 24 Anciãos como Anjos que representam quer as 24 classes sacerdotais (cf. 1 Crón 24, 7-18), quer os fiéis em geral (a «Igreja Universal», segundo Santo Agostinho), então este texto atinge uma grandiosidade empolgante, uma verdadeira apoteose universal em que se unem, num coro retumbante, a Liturgia do Céu e a Liturgia da Terra para uma aclamação universal «Àquele que está sentado no trono», isto é, «ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo» (Santo Agostinho) «e ao Cordeiro», isto é, à Humanidade Santíssima de Cristo Redentor glorioso. Deste modo, ao coro celeste de incontáveis vozes dos Anjos (vv. 11-12) responde o coro do Universo, todas as criaturas que há no Céu, na Terra, no Xeol e no Mar (v. 13). Este louvor e adoração, que partiu dos Anjos, depois de encontrar eco na Humanidade resgatada e de repercutir em todo o Cosmos, volta a ser recapitulado pelos representantes dos Anjos e dos homens e de toda a Criação: os quatro Seres Vivos e os 24 Anciãos (v. 14).


Aclamação ao Evangelho


Monição: Com a fé de Pedro e o amor de João, aclamamos o Evangelho, que nos faz reviver a emoção e a alegria dos Apóstolos, ao verem de novo o Senhor ressuscitado.


Aleluia


Ressuscitou Jesus Cristo, que criou o universo

e Se compadeceu do género humano.


Cântico: Ressuscitou com Cristo, C. Silva, NCT 187



Evangelho*


Forma longa: São João 21, 1-19 Forma breve: São João 21, 1-14

Naquele tempo, 1Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: 2Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. 3Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. 4Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. 5Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?» Eles responderam: «Não». 6Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. 7O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. 8Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. 9Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. 10Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». 11Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. 12Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. 14Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

[15Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». 16Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». 17Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». 19Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».]


1-14 Esta pesca milagrosa tem um acentuado carácter simbólico, aludindo à missão da Igreja no mundo – Jesus na praia e os discípulos (pescadores de homens: cf. Mc 1, 17; Lc 5, 10) no meio do mar – com Pedro à sua frente (vv. 3.7.11). Ao acentuar que «não se rompeu a rede» (v. 11), em contraste com Lc 5, 6-7, parece que se alude à unidade da Igreja. A sua universalidade está aludida ao falar da abundância dos peixes (v. 6); e esta universalidade aparece reforçada se temos em conta que o número 153 pode ser um número simbólico de plenitude, ao corresponder a 17, isto é, 10+7, dois números plenos (com efeito, o número 153 obtém-se somando 1+2+3+4+5+... até 17). Também há quem veja em 153 um recurso à gematria (valor literal dos números), para aludir à Igreja como comunidade de amor (em hebraico: qahal hahaváh = 153). Também se pode ver na refeição e nos gestos de Jesus (v. 13) uma alusão à Eucaristia, pois é Ele quem oferece pão e peixes que eles não tinham pescado (v. 9; cf. Jo 6, 1-13).

8 «Duzentos côvados», isto é, cerca de 90 metros.

15-18. É fácil de ver na tripla confissão de amor uma reparação da sua tripla negação (Jo 18, 17.25-27), mas, na redacção do texto grego, pode ver-se também um jogo de palavras muito expressivo, pois na 1ª e 2ª pergunta Jesus interroga Pedro com um verbo de amor mais divino, profundo e intelectual – «amas-Me?» (em grego, agapãs me), ao passo que Pedro responde com um verbo de simples afeição e amizade – «sou teu amigo» (em grego, filô se); à 3ª vez, Jesus condescende com Pedro, usando este segundo verbo, e Pedro ficou triste por se lembrar que esta mudança de Jesus se devia à imperfeição do seu amor. Toda a Tradição católica viu neste encargo de pastorear todo o rebanho de Cristo – «cordeiros» e «ovelhas» – o ministério petrimo, no cumprimento da promessa do primado (Mt 16, 17-19 e Lc 22, 31-32; cf. 1 Pe 5, 2.4 e Concílio Vaticano II, LG 18).

18-19. «Estenderás as mãos» é uma provável alusão à crucifixão de Pedro em Roma, na perseguição de Nero, em 64 ou 67, segundo a tradição documentada já por S. Clemente, no século I, que também se diz que Pedro, por humildade, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo (cf. 2 Pe 1, 14; Jo 13, 36).


Sugestões para a homilia


A juventude das vocações apostólicas

Seguir Cristo e anunciar o Evangelho

Uma misteriosa iniciativa de Deus


A juventude das vocações apostólicas


Jesus exercia uma enorme atracção em todos aqueles de quem se aproximava, ou que se aproximavam d'Ele.

O Evangelho de hoje mostra-nos Jesus ressuscitado que se encontra de novo com os Apóstolos, junto ao mar de Tiberíades. É um momento extraordinário, em que S. Pedro tem a oportunidade de manifestar todo o seu amor por Jesus, que o confirma na missão de Pastor de todas as suas ovelhas.

Mas quem eram os Apóstolos, com quem Jesus ressuscitado convive de um modo tão íntimo e tão carinhoso? Sabemos pelos Evangelhos, e o texto de hoje confirma-o, que eram na maioria pescadores e, ao que tudo indica, bastante novos; não só S. João, que, segundo a tradição, era o mais novo, mas também todos os outros, que deviam rondar a idade de Jesus – que tinha cerca de trinta anos quando iniciou a sua vida pública.

Certos quadros pintam os Apóstolos «muito solenes, de longas barbas, sérios e quase sempre velhos. Mas a realidade foi muito diferente: os acompanhantes de Jesus pelos caminhos poeirentos da Palestina estavam na plenitude da vida, e muitos acabavam de 'estrear' a sua juventude. A leitura do Evangelho deixa um sabor inconfundível, um ardor, uma pressa alegre, uma vibração, que só os jovens possuem» (J. M. Cejas, A Vocação dos filhos, p. 10).

Por que motivo os chamou Jesus? Terá sido porque eram fortes, generosos, sinceros, espontâneos, leais, de coração limpo, bons rapazes? Podia ter sido por tudo isto, mas, de facto, não foi... Porque foi então?

Por uma única razão: porque Jesus quis (Mc 3, 13-19). Mas não foi um capricho. O Evangelho de S. Lucas conta-nos que, antes de escolher os Doze Apóstolos, Jesus «passou a noite a orar a Deus» (Lc 6, 12).

A razão principal, portanto, foi esta: uma decisão livre de Jesus, nascida do fundo do seu coração. Não ao acaso, mas de acordo com o seu projecto de salvar todos os homens. Podemos mesmo dizer que Deus tinha pensado naqueles homens desde toda a eternidade, e agora é Cristo que passa pelas suas vidas e Ihes dá um sentido completamente novo, que eles certamente nunca teriam imaginado. (Leia-se Mt 4, 18-22; Mc 1, 16-20).


Seguir Cristo e anunciar o Evangelho


Também não é de admitir qualquer precipitação por parte dos discípulos; não foi hipnotismo, nem uma coisa que Ihes «passou pela cabeça»; já tinham estado com Jesus antes, já O tinham ouvido, já qualquer coisa de muito forte se tinha passado com eles. (Leia-se Jo 1, 35-51). Até que chegou o momento em que «deixaram tudo e seguiram Jesus» (Lc 5, 11).

Este seguimento de Jesus Cristo é certamente um grande mistério. Mas pode compreender-se, em parte, pela força da atracção que Jesus exercia em todos aqueles de quem se aproximava, ou que se aproximavam d'Ele. À excepção dos hipócritas ou daqueles que julgavam que já sabiam tudo, a passagem de Jesus não deixou ninguém indiferente. Alguns continuaram onde estavam e a fazer o que faziam, embora com um coração renovado. Mas houve outros para quem essa passagem representou uma mudança radical, uma orientação totalmente nova das suas vidas. Deixaram as redes, deixaram as namoradas, deixaram os seus planos anteriores. A sua vida consistiria desde então numa única coisa: seguir Cristo e anunciar o Evangelho. E a verdade é que, mesmo que tenham tido muitas quedas e falhas, pelo menos até à Ressurreição do Senhor e à vinda do Espírito Santo, só um ficou pelo caminho. Todos os outros foram fiéis e deram a vida por Cristo.


Uma misteriosa iniciativa de Deus


O que é que explica uma vocação como a dos Apóstolos, ou qualquer outra, de plena dedicação a Deus? Precisamente o facto de ser uma vocação – um chamamento. Um chamamento gratuito. Ou, como diz o Papa João Paulo II, «uma misteriosa iniciativa de Deus» (cf. A vocação explicada pelo Papa, p. 16). Na realidade, acrescentou o Santo Padre na mesma ocasião (em Porto Alegre, no Brasil), «a vocação é um mistério que o homem acolhe e vive no mais íntimo do seu ser. Depende da sua liberdade soberana, e escapa à nossa compreensão. Não temos que exigir-Lhe explicações, dizer-Lhe: 'Porque me fazes isto?' (cf. Rom 9, 20; Jer 1, 6), visto que Aquele que chama é o dador de todos os bens». Por isso, concluía o Santo Padre, «em face da sua chamada, adoramos o mistério, respondemos com amor à sua iniciativa de amor, e dizemos sim à vocação» (p. 16).

Peçamos a Deus que também nas nossas comunidades muitos mais cristãos, principalmente jovens, como eram os Apóstolos, aceitem o chamamento que Jesus lhes faz, e possam dedicar-Lhe toda a sua vida, nomeadamente no serviço do sacerdócio.


Fala o Santo Padre


1. «Ao surgir a manhã, Jesus apresentou-se na praia» (Jo 21, 4). No alvorecer do dia, o Ressuscitado apareceu aos Apóstolos, que voltavam de uma noite de trabalho inútil no Lago de Tiberíades. O Evangelista especifica que nessa noite eles «não apanharam nada» (Ibid., v. 3), acrescentando que nada tinham para comer. Ao convite de Jesus: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar» (Ibid., v. 6), eles obedeceram sem hesitar. A sua resposta foi imediata, e grande a recompensa, pois em seguida a rede que ficara vazia de noite, «mal a podiam arrastar, devido à grande quantidade de peixes» (Ibidem). […]


2. «O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor»» (Ibid., v. 7). No Evangelho escutámos que, após o milagre realizado, um discípulo reconhece Jesus. Depois, também os outros o farão. Ao apresentar-nos Jesus, que «se aproximou, tomou o pão e o deu» (Ibid., v. 13), a passagem evangélica indica-nos como e quando podemos encontrar-nos com Cristo ressuscitado: na Eucaristia, onde Jesus está realmente presente sob as espécies do pão e do vinho. Seria triste se, depois de tanto tempo, esta presença amorosa do Salvador ainda fosse desconhecida pela humanidade. […]


3. «Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe «Quem és Tu?», por saberem que era o Senhor» (Ibid., v. 12). Quando os discípulos O reconhecem junto do lago de Tiberíades, consolida-se a sua certeza de que Cristo ressuscitou e está presente no meio dos seus. Há dois milénios, a Igreja não se cansa de anunciar e repetir esta verdade fundamental da fé.

A experiência do mistério pascal renova todas as coisas pois, como cantamos na proclamação pascal: «Afasta os pecados, lava as culpas, devolve a inocência aos que caíram e a alegria aos que estão tristes». […]


João Paulo II , Roma, 29 de Abril de 2001


Oração Universal


Irmãos:

A Igreja é convidada, em cada tempo, a lançar as redes para a pesca.

Voltemos para Jesus o nosso olhar, para que Ele dê fortaleza aos que trabalham

e sofrem humilhações pelo Seu Nome, dizendo com alegria:

Rei da glória, ouvi a nossa oração.


1. Pelo Papa N. a quem Jesus pede que O ame,

pelas ovelhas e cordeiros que ele apascenta,

e pelos bispos em união com ele,

oremos, irmãos.


2. Pelos que semeiam a Palavra e lançam as redes,

pelos que obedecem antes a Deus do que aos homens

e pelos que sofrem por fidelidade à sua fé,

oremos, irmãos.


3. Pelos homens públicos, construtores da paz,

pelos que têm poder e procuram servir bem

e pelos povos que anseiam por mais pão,

oremos, irmãos.


4. Pelos que estão presos por amarem a justiça,

pelos que sofrem por dizer a verdade

e pelos que são perseguidos por ensinarem em nome de Jesus,

oremos, irmãos.


5. Pelos jovens que participam nesta assembleia,

pelas crianças que vão receber o Pão da vida

e pelos adultos a quem Jesus pede que O sigam,

oremos, irmãos.


Senhor Jesus ressuscitado,

que nas margens do mar da Galileia preparastes o alimento

que queríeis partilhar com os Apóstolos,

e nesta celebração da Páscoa Vos dais na Palavra e na Eucaristia,

partilhai connosco o Vosso amor e conduzi-nos ao banquete da eternidade.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: O Senhor Ressuscitou, M. Luis, NRMS 32


Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei-a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473


Santo: M. Simões, NRMS 50-51


Monição da Comunhão


Na aparição do Cenáculo, Jesus convida Tomé a tocar nas Suas divinas chagas, para que se pudesse certificar de que, de facto, era o Divino Mestre Ressuscitado que estava ali.

Neste momento, o mesmo Senhor convida-nos a recebê-l'O sacramentalmente, sob as aparências do Pão.

Façamos um acto de Fé, ao recebê-l'O, dizendo como o Apóstolo S. Tomé: «Meu Senhor e Meu Deus!»


Cântico da Comunhão: Os discípulos exultaram, J. Santos, NRMS 97

cf. Jo 21,12-13

Antífona da comunhão: Disse Jesus: Vinde comer. E tomando o pão, deu-o aos seus discípulos. Aleluia.


Cântico de acção de graças: Exultai de Alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87


Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.



Ritos Finais


Monição final


No mundo de hoje, temos de saber criar alternativas. A grande alternativa, no entanto, está no nosso coração: em vez da dúvida, a fé; em vez do medo, a confiança; em vez da rebeldia, a entrega total à vontade de Deus e o seguimento incondicional de Cristo ressuscitado.


Cântico final: Rainha dos Céus, Alegrai-Vos, F. da Silva, NRMS17



Homilias Feriais


3ª SEMANA


2ª feira, 26-IV: Atentados à dignidade humana

Act 6, 8-15 / Jo 6, 22-29

Subornaram então uns homens para dizerem: Ouvimos Estêvão dizer blasfémias contra Moisés e contra Deus.

Este ataque a Estêvão (cf. Leit.), por manifestar publicamente a sua fé, reveste-se de grande actualidade. Os cristãos não podem igualmente manifestar a sua fé em público; são empurrados para dentro das igrejas; são impedidos de defenderem os seus valores...

Quer considerar-se «o homem como centro absoluto da realidade, fazendo-o ocupar astuciosamente o lugar de Deus e esquecendo que não é o homem que cria Deus, mas é Deus que cria o homem. O ter esquecido Deus levou a abandonar o homem» (INE, 9). Que maus tratos sofre a dignidade humana quando se esquece Deus!


3ª feira, 27-IV: Por que somos ‘fanáticos’

Act 7, 51, 8, 1 / Jo 6, 30-35

Depois atiraram-se a ele (Estêvão) todos juntos, lançaram-no fora da cidade e começaram apedrejá-lo.

O Papa aponta o martírio como um dos sinais de esperança para a Igreja na Europa. Como Estêvão (cf. Leit.), temos igualmente que defender o Evangelho em situações de hostilidade. Quando defendemos os valores cristãos (defesa da vida desde o seu início, da família autêntica, etc.) somos acusados de fanáticos (o equivalente ao mártir –testemunha – dos nossos tempos, sem derramamento de sangue).

Recordemos, no entanto, que a defesa do Evangelho «gera uma vida moral e uma convivência social que honra e promove a dignidade e a liberdade de todas as pessoas» (INE, 13).


4ª feira, 28-IV: A pregação centrada em Cristo

Act 8, 1-8 / Jo 6, 35-40

Filipe desceu a uma cidade da Samaria e esteve aí a pregar o Messias. As multidões aderiram...às palavras de Filipe.

A pregação de Filipe está centrada em Cristo (cf. Leit.). Do mesmo modo, o anúncio do Evangelho nos nossos dias «deve ser cada vez mais centrado sobre a pessoa de Jesus Cristo e orientar sempre mais para Ele» (INE, 48).

Mas essa apresentação de Jesus não pode ficar reduzida a um modelo ético, mas deve ser apresentado como Filho de Deus, como pessoa (cf. id., ibid.). Assim o fez Jesus: «Pois é esta a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e acredite nele tenha a vida eterna» (Ev.).


5ª feira, 29-IV: S. Catarina de Sena: Haja alegria de viver na Europa

1 Jo 1, 5- 2, 2 / Mt 11, 25-30

É esta a mensagem que ouvimos de Jesus Cristo e que vos anunciamos.: Deus é luz e nele não há trevas.

Santa Catarina de Sena (século XIV), Doutora da Igreja, teve uma grande influência na unidade da Igreja e na paz e concórdia entre os países e cidades europeias. Foi uma luz que iluminou a Europa do seu tempo.

A Europa precisa hoje da luz de Deus (cf. Ev.): «Nas vicissitudes da história de ontem e de hoje, (o Evangelho) é luz que ilumina e orienta o teu caminho; é força que te sustenta nas provações,..., é convite a todos, crentes e não crentes, para traçarem caminhos sempre novos que desemboquem na ‘Europa do espírito’ a fim de fazer dela uma verdadeira ‘casa comum’ onde haja alegria de viver» (INE, 121).


6ª feira, 30-IV: Eucaristia e vida eterna.

Act 9, 1-20 / Jo 6, 52-59

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna.

A Eucaristia é penhor da glória futura, pois «antecipa o encontro supremo daquele dia em que seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é» (INE, 75). E é também uma amostra de eternidade no tempo: «sendo comunhão com Cristo, com o seu Corpo e o seu Sangue, ela é participação na vida eterna de Deus» (id., ibid.).

Além disso, a Eucaristia significa e realiza a unidade dos fiéis que constituem um só corpo em Cristo (cf. Lumen gentium, 3). É esta uma das verdades fundamentais descoberta por S. Paulo, no momento da sua conversão (cf. Leit.).







Celebração e Homilia: José Manuel Ferreira

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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