Solenidade do Pentecostes

Missa do Dia

19 de Maio de 2024

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Pelo Espírito Santo – Az. Oliveira, NRMS, 133

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a Solenidade do Pentecostes, a festa em que reconhecemos que o Espírito Santo anima a nossa missão e nos reúne como comunidade.

Movidos pelo Espírito de Deus, que vem em auxílio da nossa fraqueza, peçamos perdão das nossas infidelidades e, neste tempo de oração, deixemos que o próprio Espírito interceda por nós ao Pai.

 

 

Kyrie

 

P. Senhor Jesus Cristo, que enviaste o Espírito Santo para renovar a face da terra, tende piedade de nós.

R. Senhor, tende piedade de nós.

 

P. Cristo, Luz do mundo, que nos chamastes a ser testemunhas do Evangelho pelo poder do Espírito Santo, Cristo, tende piedade de nós.

R. Cristo, tende piedade de nós.

 

P. Senhor Jesus, que nos inspiras a viver em comunhão fraterna pela ação do Espírito Santo, Senhor, tende piedade de nós.

R. Senhor, tende piedade de nós.

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os Atos dos Apóstolos, com suas imagens e símbolos, mostram-nos que o Espírito interpela a Igreja a assumir a responsabilidade evangelizadora.

 

Actos dos Apóstolos 2,1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas em Babel de que se fala no Génesis (11,1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16,17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação nervosa. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16,17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1Cor 14,2-33: seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1Cor 14,27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13), «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial Sl 103 (104), 1ab.24ac.29bc-30.31.34 (R. 30 ou Aleluia)

 

Monição: Conscientes de que só pelo Espírito Santo se pode renovar a face da terra, supliquemos com o salmista para que o Senhor nos envie o Seu Espírito.

 

Refrão:    Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                e renovai a face da terra.

 

Ou:          Mandai, Senhor o vosso Espírito,

            e renovai a terra.

 

Ou:          Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso Espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A carta aos Coríntios recorda que o Espírito Santo faz-nos viver a vida comunitária como um projeto a realizar entre todos.

 

1 Coríntios 12,3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento, a saber, que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé, a confissão de fé na divindade de Jesus: «Jesus é Senhor» (sem artigo em grego, indicando que Jesus é Deus); com efeito, «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Por outro lado, deve-se ter em conta que o acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo (v. 3), que, pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria, aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade da Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons, que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1Tes 5,12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico; a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo; apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19,5-6), como ainda hoje no Oriente e entre nós nos adultos.

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: O Evangelho revela-nos que a presença do Espírito é o início de uma nova criação e, portanto, de uma nova era na história humana.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (II)

 

Vinde, Espírito Santo,

enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 20,19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa).

Apraz-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

Sugestões para a homilia

 

Uma IGREJA SINODAL guiada pelo Espírito Santo

 

Na celebração do Pentecostes, somos chamados a refletir sobre a natureza da Igreja como sinodal, isto é, uma comunidade que caminha unida, guiada pelo Espírito Santo. Os textos que hoje contemplamos oferecem uma base rica para compreendermos essa dimensão sinodal da Igreja.

No livro dos Atos dos Apóstolos, somos transportados para o cenário do Pentecostes, onde os discípulos estavam reunidos em oração. Subitamente, veio do céu um som, como o de um vento impetuoso, que encheu toda a casa onde estavam. Eles foram então cheios do Espírito Santo e começaram a falar em diversas línguas, de modo que todos os presentes, provenientes de diferentes nações, podiam compreendê-los. Este evento marca o nascimento da Igreja, uma comunidade diversa e unida pelo mesmo Espírito.

No livro de Gálatas, São Paulo nos fala sobre os frutos do Espírito Santo, que são amor, alegria, paz, paciência, bondade, bondade, fidelidade, mansidão e autocontrolo. Estes frutos são evidências da presença do Espírito na vida da Igreja e orientam-nos na nossa caminhada sinodal. Quando nos deixamos guiar pelo Espírito, somos capacitados a viver em harmonia uns com os outros, superando divisões e conflitos.

No Evangelho de João, Jesus promete enviar o Espírito da Verdade, que nos guiará em toda a verdade. Este Espírito, que procede do Pai e do Filho, é o princípio de unidade na Igreja, capacitando-nos a compreender os mistérios de Deus e a viver em comunhão uns com os outros. Assim, a Igreja sinodal não é uma simples congregação de indivíduos, mas uma comunidade que busca constantemente a verdade e a unidade, sob a orientação do Espírito Santo.

Caros irmãos e irmãs, à medida que celebramos o Pentecostes, renovemos o nosso compromisso de ser uma Igreja sinodal, onde cada membro é valorizado e ouvido, e onde juntos caminhamos na busca da vontade de Deus. Que o Espírito Santo, que nos foi dado no Pentecostes, continue a guiar-nos e a inspirar-nos a viver em comunhão e testemunhar ao mundo o amor de Cristo.

 

 

Credo

 

P. Credes no Espírito Santo, que no princípio da Criação, pairava sobre as águas e é verdadeiramente “o Senhor que dá a Vida” a todas as coisas?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo, que falou pelos Profetas, inspirou os autores sagrados a escrever a Bíblia e no-la inspira a ler e a praticar?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo que fecundou o seio da Virgem Maria e ungiu Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo, que o Pai enviou por meio de seu Filho morto e ressuscitado, para animar o coração dos homens e santificar o mundo?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo, dado e comunicado por Jesus Ressuscitado à Igreja, para a fortalecer na sua missão?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo, guarda e animador da nossa esperança, nos novos céus e na nova Terra, onde habitarão a justiça e a Paz para sempre?

R. Sim, creio!

 

Fala o Santo Padre

 

«O Espírito Santo coloca em comunicação pessoas diferentes,

realizando a unidade e a universalidade da Igreja. [..]

Na Igreja existem pequenos grupos que procuram sempre a divisão, separar-se dos outros.

Este não é o Espírito de Deus. O Espírito de Deus é harmonia, unidade, une as diferenças.

A Igreja é para todos, como mostrou o Espírito Santo no dia de Pentecostes.»

O livro dos Atos dos Apóstolos (cf. 2, 1-11) narra o que aconteceu em Jerusalém cinquenta dias depois da Páscoa de Jesus. Os discípulos estavam reunidos no cenáculo e com eles estava a Virgem Maria. O Senhor ressuscitado disse-lhes para permanecer na cidade até receber do alto o dom do Espírito. E isto manifestou-se com um «fragor» que, repentinamente, se ouviu vindo do céu, como um «vento impetuoso» que encheu a casa onde eles estavam (cf. v. 2). Portanto, trata-se de uma experiência real mas também simbólica. Algo que aconteceu, mas que também nos transmite uma mensagem simbólica para toda a vida.

Esta experiência revela que o Espírito Santo é como um vento forte e livre, ou seja, dá-nos força e liberdade: um vento forte e livre. Não pode ser controlado, impedido, nem medido; nem sequer se pode prever a sua direção. Não se deixa enquadrar nas nossas exigências humanas - procuramos sempre enquadrar as coisas - não se deixa enquadrar nos nossos esquemas e preconceitos. O Espírito procede de Deus Pai e do seu Filho Jesus Cristo, e irrompe na Igreja, irrompe em cada um de nós, dando vida à nossa mente e ao nosso coração. Como diz o Credo: «É Senhor e dá a vida». Tem o senhorio porque é Deus, e dá vida.

No dia de Pentecostes, os discípulos de Jesus ainda estavam desorientados e apavorados. Ainda não tinham a coragem de sair em público. E também nós, às vezes acontece, preferimos permanecer entre as paredes de proteção dos nossos ambientes. Mas o Senhor sabe chegar até nós e abrir as portas do nosso coração. Ele envia sobre nós o Espírito Santo que nos envolve e vence todas as nossas hesitações, abate as nossas defesas, desmantela as nossas falsas seguranças. O Espírito faz de nós novas criaturas, tal como fez naquele dia com os Apóstolos: renova-nos, faz de nós criaturas novas.

Depois de ter recebido o Espírito Santo, eles deixaram de ser como antes - Ele transformou-os - mas saíram, saíram sem medo e começaram a anunciar Jesus, a pregar que Jesus ressuscitou, que o Senhor está connosco, de tal modo que cada um os compreendia na própria língua. Pois o Espírito é universal, não nos priva das diferenças culturais, diferenças de pensamento, não, é para todos, mas todos o compreendem na própria cultura, na própria língua. O Espírito muda o coração, dilata o olhar dos discípulos. Torna-os capazes de comunicar a todos as grandes obras de Deus, sem limites, indo além das fronteiras culturais e religiosas com as quais estavam habituados a pensar e a viver. Torna os Apóstolos capazes de alcançar os outros, respeitando as suas possibilidades de escuta e de compreensão, na cultura e linguagem de cada um (vv. 5-11). Em síntese, o Espírito Santo coloca em comunicação pessoas diferentes, realizando a unidade e a universalidade da Igreja.

E hoje diz-nos muito esta verdade, esta realidade do Espírito Santo, onde na Igreja existem pequenos grupos que procuram sempre a divisão, separar-se dos outros. Este não é o Espírito de Deus. O Espírito de Deus é harmonia, unidade, une as diferenças. Um bom Cardeal, que foi Arcebispo de Génova, dizia que a Igreja é como um rio: o importante é permanecer dentro; não interessa se estás um pouco deste lado e um pouco do outro, o Espírito Santo faz a unidade. Ele usava a figura do rio. O importante é permanecer na unidade do Espírito e não olhar para as pequenas coisas, se estás um pouco deste lado e um pouco do outro, se rezas desta maneira ou daquela... Isto não vem de Deus. A Igreja é para todos, para todos, como mostrou o Espírito Santo no dia de Pentecostes.

Hoje peçamos à Virgem Maria, Mãe da Igreja, que interceda para que o Espírito Santo desça em abundância, encha o coração dos fiéis e acenda em todos o fogo do seu amor.

 

Papa Francisco, Regina Caeli, Praça São Pedro, 23 de maio de 2021

 

Oração Universal

 

Neste dia de Pentecostes,

invoquemos do Espírito Santo a plenitude dos seus dons,

dizendo cheios de confiança:

 

Vinde, Espírito de amor e de paz!

 

1. Para que a Igreja acolha o dom da Sabedoria,

aprendendo e ensinando a saborear a vida de Deus no coração dos homens! Invoquemos.

 

2. Para que os nossos jovens crismandos, acolham o dom do entendimento,

e assim cheguem ao conhecimento íntimo de Jesus Cristo,

n’Ele vivam e n’Ele se realizem. Oremos, irmãos.

 

3. Pelos que tem dúvidas ou se encontram desnorteados,

para que acolham o dom do conselho

e assim possam discernir a vontade amorosa de Deus na sua vida concreta. Oremos, irmãos.

 

4. Pelos mais débeis e frágeis,

para que acolham o dom da fortaleza

e assim deem testemunho de fidelidade quotidiana

e da firmeza na sua opção por Cristo. Oremos, irmãos.

 

5. Pelos cristãos mais afastados da comunhão com a Igreja, por discordância da sua doutrina,

para que acolham o dom da ciência

e assim alcancem o conhecimento pleno da verdade de Deus. Oremos, irmãos.

 

6. Por todos os que desejam manter com Deus uma relação viva e cordial,

para que acolham o dom da piedade

e assim se descubram como filhos em diálogo com o Pai. Invoquemos

 

7. Por todos nós, para que, cheios do verdadeiro temor,

sintamos a nossa dependência em relação a Deus,

O sirvamos com grandeza de alma e generosidade de coração. Oremos, irmãos.

 

P. Ó Deus, que, pelo Vosso Espírito, nos dais a ousadia de nos aproximarmos de vós e de Vos invocarmos, concedei-nos por meio do Vosso Filho a plenitude do vosso amor. Ele que é Deus convosco na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Divino Espírito Santo – M. Faria, NRMS, 35

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

À mesa da Comunhão, somos convidados a receber o Corpo e Sangue de Cristo. Que este sacramento reforce em nós a proximidade com Deus, renovando a nossa esperança, fortalecendo a nossa fé e animando a nossa caridade.

 

Cântico da Comunhão: Se alguém tem sede – M. Carneiro, NRMS, 82-83

Actos 2, 4:11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: – Abri os corações ao sopro do Senhor – J. Santos, NRMS, 35

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Assim como o grão de trigo que morre para dar fruto, somos chamados a entregar as nossas vidas para seguir o caminho da cruz. Sigamos inspirados a seguir Jesus e, como Ele, possamos a acolher a cruz com confiança e dar a vida por amor.

 

Cântico final: Vamos proclamar pelo mundo inteiro – F. Silva, NRMS, 82-83

 

 

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

 

Terminado o Tempo Pascal, convém levar o círio pascal para o baptistério e conservá-lo aí com a devida reverência, para que, na celebração do Baptismo, se acenda na sua chama a vela dos baptizados.

 

Nos lugares em que há o costume de afluírem em grande número os fiéis para assistirem à Missa na segunda ou também na terça-feira depois do Pentecostes, pode dizer-se a Missa do Domingo de Pentecostes ou a Missa votiva do Espírito Santo (p.1260).

 

 

HOMILIAS FERIAIS

 

TEMPO COMUM

 

7ª SEMANA

 

2ª Feira, 20-V: Audácia e fé na oração.

Tg 3, 13-18 / Mc  9,14-29

Jesus replicou-lhe: Se podes?! Tudo é possível a quem acredita.

Jesus ora ao Pai e ensina-nos esta audácia filial: 'tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes'. Tal é a força da oração: 'tudo é possível a quem crê' (Ev.), com uma fé que não hesita (CIC, 2610). São as duas qualidades da oração que aqui se sublinham: a audácia filial e a fé.

Além disso, a oração é também importante para alcançarmos a sabedoria de Deus, que nos ensina a ser rectos nas nossas intenções; e que é portadora de paz, compreensiva, condescendente, cheia de compaixão e de benefícios, imparcial e sem hipocrisia (Leit.).

 

3ª Feira, 21-V: Presença da humildade na oração e no convívio.

Tg 4, 1-10 / Mc 9, 30-37

A Escritura diz também: Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes. Humilhai-vos diante do Senhor, que Ele há-de exaltar-vos.

O Senhor pede-nos que sejamos humildes para encontrarmos graça diante de Deus. Os discípulos discutem no caminho quem seria o maior, e Jesus pede que o imitemos: «Quem quiser ser o primeiro há-de ser o último de todos e servo de todos» (Ev.).

A humildade é também necessária para a oração de petição: «Não tendes nada, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões» (Leit.). Ou então reconhecer que é importante perseverarmos, sem nos afligirmos se não recebemos logo de Deus o que lhe pedimos.

 

4ª Feira, 22-V: Contar mais com Deus na evangelização.

Tg 4, 13-17 / Mc 9, 38-40

Vós dizeis: hoje ou amanhã iremos a tal cidade e passaremos lá um ano. Envaidecei-vos com as vossas jactâncias.

Nas tarefas de evangelização não podemos esquecer que devemos contar sempre com Deus, pois nós somos apenas instrumentos, e todo o fruto é dado pelo Senhor (Leit.). O que é importante é proclamar a verdade sobre Cristo e sobre o homem, em união filial com o Papa e os Bispos em união com ele.

Além disso, devemos alegrar-nos por o Senhor ser anunciado de modos muito diferentes, consoante os vários carismas: «quem não é contra nós é a nosso favor» (Ev.). O importante é que o Senhor seja conhecido e amado.

 

5ª feira, 23-V: Dois caminhos de conversão para a vida eterna.

Tg 5, 1-6 / Mc 9, 41-50

Se a tua mão for para ti ocasião de pecado, corta-a. É melhor entrares mutilado na vida eterna.

O Senhor dá-nos os conselhos para garantir a vida eterna: «Jesus fala muitas vezes da 'geehena do fogo que não se acaba' (Ev.), reservada para os que recusam até ao fim da vida a acreditar e converter-se» (CIC, 1034). Um modo de conversão consiste pois em afastar (cortar) tudo aquilo que for ocasião de pecado (Ev.).

O outro modo é o uso dos bens materiais: «felizes os pobres de espírito: deles é o reino dos Céus» (S. Resp.). É o cuidado com a acumulação de riquezas, em proveito próprio; com a privação de salários aos trabalhadores; com uma vida regalada enquanto outros sofrem (Leit.).

 

6ª Feira, 24-V: A vontade de Deus sobre o matrimónio e a família.

Tg 5, 9-12 / Mc 10, 1-12

Mas no princípio da criação, fê-los Deus homem e mulher. O homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e os dois passarão a ser uma só carne.

Jesus remete para o princípio da criação, manifestando a vontade de Deus sobre o matrimónio, com as suas propriedades (Ev.). Infelizmente há uma grande campanha contra o matrimónio e a família. S. Tiago aconselha: constância e fidelidade aos compromissos (Leit.).

Um exemplo de constância: o de Job (Leit.), que suportou todas as contrariedades que teve, e recebeu do Senhor uma bela recompensa. E também o da fidelidade, para o qual é preciso que o 'sim' seja sempre o 'sim' para toda a vida, sem que passe ao 'não' por motivos puramente humanos.

 

Sábado, 25-V: Como entrar no reino dos Céus.

Tg 5, 13-20 / Mc 6, 24-34

Está doente alguém entre vós? Mande chamar os anciãos da Igreja, e estes que orem sobre ele, dando-lhe a unção com o óleo em nome do Senhor.

S. Tiago recomenda o sacramento da Unção dos doentes para aqueles que estiverem enfermos. O Senhor poderá devolver-lhes a saúde e perdoar-lhes os pecados E recomenda também que se reze por aqueles que estão doentes da alma: «se alguém entre vós se transviar para longe da verdade». É consolador que diga que, quem fizer voltar um pecador do seu descaminho, salvará da morte a sua alma e obterá o perdão de muitos pecados (Leit).

O reino de Deus é também alcançável por aqueles que se fazem como crianças (Ev.). O nosso Pai do Céu tem uma especial ternura por aqueles que se agarram à sua mão.

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Nuno Westwood

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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