Nossa Senhora de Fátima

13 de Maio de 2024

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhora, nós vos cantamos – A. Oliveira, CNPL, 926

cf. Hebr 4, 16

Antífona de entrada: Vamos confiantes ao trono da graça e alcançaremos misericórdia do Senhor. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a festa da Virgem Santa Maria do Rosário de Fátima, na sequência das seis aparições aos três pastorinhos, em 1917, na Cova da Iria.

A mensagem da Senhora da Azinheira é de todos os tempos e para todas as pessoas, mas reveste-se de particular atualidade e urgência nos nossos dias.

Abramos, pois, o nosso coração, para acolhermos a mensagem da Senhora que nos veio visitar e procuremos corresponder ao seu carinho materno.

 

Acto penitencial

 

Peçamos humildemente perdão ao Senhor da falta de atenção às recomendações de Nossa Senhora que, afinal, têm como fonte o mesmo Deus.

Tudo nos serve de justificação para omitirmos as devoções marianas recomendadas por Maria, ou cumprimo-las mal, com uma rotina sem amor.

Imploremos a sua ajuda materna para que nos alcance junto de Deus a mudança de vida de que tanto necessitamos.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A do Ordinário da Missa)

 

•   Confessemos os nossos pecados...

•  Senhor, tende piedade de nós...

•   Glória a Deus nas alturas...

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe, concedei-nos que, seguindo os seus ensinamentos e com espírito de verdadeira penitência e oração, trabalhemos generosamente pela salvação do mundo e pela dilatação do reino de Cristo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. João Evangelista, no Apocalipse, apresenta-nos uma visão grandiosa de uma Mulher que nos evoca Maria Santíssima.

De algum modo, esta visão repetiu-se em Fátima quando Maria Santíssima se manifestou a três crianças e fez da Cova da Iria a casa da Mãe onde nos acolhe feliz, e ajuda.

 

Apocalipse 11,19a; 12,1-6a.10ab

19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com cetro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

 

Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da Liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

 

Salmo Responsorial Sl 44 (45), 11-12.14-15.16-17   / (R. 11a)

 

Monição: A nossa atitude, diante da Mensagem de Fátima, há-de ser de acolhimento respeitoso ao que Nossa Senhora nos recomenda, pois vem da parte de Deus.

Como a melhor das mães, Ela manifesta a sua preocupação pela nossa salvação eterna e faz-nos recomendações preciosas para a alcançar.

 

Refrão:    Escuta e inclina-te diante do Senhor.

 

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.

Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

 

A filha do Rei avança cheia de esplendor:

de brocados de ouro são os seus vestidos.

Com um manto multicor é apresentada ao Rei,

seguem-na as donzelas, suas companheiras.

 

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.

Em lugar de teus pais, terás muitos filhos;

estabelecê-los-ás príncipes sobre toda a terra.

 

 

Aclamação ao Evangelho  

 

Monição: Uma mulher anónima do povo levantou a voz, enquanto o Mestre Divino falava, para aclamar a Mãe de Jesus e nossa Mãe.

Nós também A aclamamos todas as vezes que rezamos a Ave Maria e queremos aclamar o Evangelho que vai proclamar, para nós, este louvor em honra de Maria.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria,

sois digníssima de todos os louvores,

porque de Vós nasceu o sol da justiça,

Cristo, nosso Deus.

 

 

São Lucas 11, 27-28

27Naquele tempo, enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». 28Mas Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

 

Com este episódio começa a ter efetivação a previsão de Maria: todas as gerações me hão-de chamar bem-aventurada (Lc 1,48).

Jesus não contradiz o belo elogio dirigido a sua Mãe, mas aproveita a ocasião para fazer ver que o que importa aos seus ouvintes não são os laços de sangue, mas que ouçam e cumpram a Palavra de Deus. Pode ver-se aqui um elogio que Jesus faz ao «faça-se» de Maria (cf. Lc 1,38). O Papa Bento XVI em Fátima, a propósito da resposta de Jesus àquela mulher do povo – «mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (v. 28) –, interpela-nos seriamente: «Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo».

 

 

Sugestões para a homilia

 

• Maria, a solicitude materna personificada

• A Mensagem de Fátima, apelo à fidelidade

 

1. Maria, a solicitude materna personificada

 

O Santuário de Fátima responde a um pedido de Nossa Senhora, nas suas Aparições aos três Pastorinhos, entre 13 de maio e 13 de outubro de 1917. Ela pediu: “Quero que me façam aqui uma Capela!”.

Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, quer uma casa para nos acolher, quando A quisermos visitar e falar com Ela.

Maria, Arca da Nova Aliança. «O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça

Na Ladainha de Nossa Senhora invocamo-l’A como Arca da Aliança. Na verdade, Ela é a Arca da Nova Aliança, pois não é só o sinal da presença de Deus no meio do Seu Povo, mas trouxe o Filho de Deus em seu seio virginal e tem continuado a ser, na vida da Igreja, o sinal da proximidade de Deus. Quando uma pessoa se volta para Maria, por uma devoção filial e sincera, encontrará, em breve, o seu caminho seguro para Deus

O Céu abriu-se sobre a Cova da Iria e Maria, nossa Mãe, veio ao nosso encontro quando sentíamos a necessidade urgente da sua ajuda materna.

O mundo estava mergulhado na Grande Guerra que semeava o luto, a miséria e a desolação em toda a Europa. Desde alguns séculos antes que o Inimigo do homem montava os sistemas filosóficos que tornam impossível o acesso da inteligência humana a Deus e a Igreja. No século XVI, tinha sofrido uma hemorragia que se agravava agora cada vez mais.

Em Portugal, a mudança de regime desembocou numa perseguição feroz à Igreja, com o roubo de todos os seus bens e prisão dos seus pastores.

Como poderia a Mãe da Igreja e nossa Mãe ficar indiferente a tudo isto? O Altíssimo fez d’Ela Mensageira para trazer a nós e ao mundo inteiro uma aurora de paz.

Nestes dias de descristianização e desumanização da sociedade, a Menagem de Fátima continua a ser atual e devemos implorar a ajuda maternal de Maria para que todas as pessoas de boa vontade a acolham.

A Mulher que se revela ao mundo, no Apocalipse, está perfeitamente identificada. Ela é o sinal grandioso da proximidade da misericórdia divina. Está revestida do Sol da graça Divina, desde o primeiro instante da sua vida, porque é a Imaculada Conceição; tem a lua debaixo dos pés, porque reina sobre toda a criação; e a coroa de doze estrelas a coroá-la recorda-nos que Ela é a Mãe do Novo Israel, com as suas doze tribos, da Igreja.

A guerra contra Deus. «Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse

Maria está continuamente a dar à luz novos filhos, pelo Batismo, e as suas dores da maternidade não são físicas, mas morais.

O dragão do Apocalipse, cor de fogo do inferno, é o mesmo que a Serpente do Génesis, cheio de ódio e de inveja, porque somos filhos de Deus e vamos a caminho da felicidade eterna que ele perdeu, por soberba.

Ele conseguiu arrastar, no combate do Céu, uma terça parte dos Anjos para a perdição eterna.

A tentativa de o dragão e os que o seguem é para nos devorar com a sua arma preferida que é a mentira com aparência de verdade, prometendo falsamente uma felicidade que não tem, nem pode dar.

A Igreja sofre perseguição, desde os primeiros dias e, por dentro desta luta, está o ódio de Satanás. Parece, contudo, que nos últimos tempos, ele se tem manifestado particularmente furioso. A degradação da inteligência levou os homens ao sistema filosófico do marxismo, transformado em partido político e posto em prática na União Soviética, na China, na Coreia do Norte e noutros países, levando aos que aí vivem a escravidão e a morte.

Segundo eles, o amor do Evangelho não foi suficiente para acabar com as injustiças sociais do mundo. A única força que o pode conseguir mudar é o ódio.

Começa por negar todo o sobrenatural: não existe Deus, nem Céu, nem inferno, nem eternidade, e a alma humana e a salvação eterna são mitos. A única possibilidade que resta ao homem é construir um paraíso na terra, com a igualdade de todos. É preciso destruir esta ordem social, antes de edificar outra.

Para o conseguir, o homem tem de se libertar de três alienações: a alienação económica, acabando com a luta pelos bens, pela abolição da propriedade privada. Há um só proprietário e dador de trabalho que é o estado. A alienação política põe os homens em discussão, em vez de se unirem para a construção da sociedade nova e deve ser abolida, instituindo um partido único. Deve ser abolida também a alienação religiosa. A religião é o ópio do povo. Enquanto os homens estiverem a olhar para o alto, não constroem o paraíso da terra.

Sabemos vagamente o quanto este sistema fez sofrer e morrer multidões de pessoas, porque disfarça, na sua engrenagem, a máquina de uma terrível escravidão, roubando ao homem a liberdade e fazendo dele uma peça da grande máquina do Estado civil.

Infelizmente, muitas daquelas pessoas que tremem ao ouvir falar do comunismo, aceitaram o materialismo prático de vida. Puseram de parte toda a prática religiosa e passaram a adorar três falsos deuses: a boa mesa, o dinheiro, como meio de acesso ao poder, e o sexo.

A falta de fé levou muitos a estabelecerem regime de vida habitual de costas voltadas para Deus. São os que optaram pela união de facto, pela nova união depois de um matrimónio falhado e os corifeus do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ao mesmo tempo, muitos e muitas deixam-se arrastar pela guerra à vida humana, pela contraceção e o aborto.

Anda aqui a cauda do dragão cor de fogo, tentando arrastar as pessoas para a infelicidade eterna como a dele.

Nossa Senhora continua ao nosso lado, defendendo-nos, e veio a Fátima avisar-nos e proteger-nos contra as arremetidas do dragão infernal.

Agora chegou a salvação. «O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: “Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido”.»

A Salvação foi-nos trazida por Jesus Cristo, abrindo-nos as portas do Céu, com a Sua fidelidade á vontade do Pai. Não temos, nem queremos outro caminho, a não ser a intimidade progressiva com Jesus Cristo, pela vida e pela fidelidade aos Seus ensinamentos, fazendo a Vontade do Pai e afastando de nós tudo o que nos afasta d’Ele.

A mulher que foge para o deserto é a Igreja de Jesus Cristo, perseguida pelas forças infernais. Deus preparou-lhe um lugar no deserto, onde se encontra a salvo, porque ela nunca sucumbirá às perseguições.

Maria é o sinal da proximidade de Deus, a embaixadora da Sua infinita misericórdia, alentando e renovando a nossa esperança.

Foi Ela a eleita para abrir a porta do seu Coração Imaculado, a fim de que Deus viesse ao nosso encontro para nos salvar. E continua em cada momento a aplanar o caminho para que as pessoas ganhem coragem e se aproximem de Deus.

Por vezes, algumas pessoas quiseram ler na Mensagem de Fátima um anúncio de castigos próximos, de descontentamento de Deus. Pelo contrário, Maria vem garantir-nos que o Coração misericordioso de Deus está aberto de par em par, para nos receber, e anima-nos a entrar.

Desmascara as trapaças do nosso Inimigo, mostrando o lugar para onde nos quer levar. Ela não mostra o inferno aos Pastorinhos para nos empurrar para lá, mas como aviso materno, para que o evitemos. Alerta-nos, também, contra as organizações do mal que Satanás tem neste mundo e o mal que nos quer causar, personificado na guerra. 

Fátima é, pois, uma oferta insistente de salvação, feita pela Mãe a cada um dos seus filhos. Estranhamos que Ela insista nesta oferta, se nos ama Imensamente e nos quer ver felizes à sua beira, no Céu?

 

2. A Mensagem de Fátima, apelo à fidelidade

 

Jesus falava tão bem, com palavras que iam direitas ao coração de cada um dos ouvintes, se estava com reta intenção, e eram como bálsamo para os problemas que faziam sofrer os seus ouvintes, de modo que despertava o entusiasmo das multidões. Há um comentário que fizeram os guardas enviados para prender Jesus e, não o tendo podido fazer, desculparam-se: «Nunca homem algum falou assim!» (S. João 7, 46).

Foi num cenário destes que se desenrolou o facto narrada no Evangelho.

Louvemos Maria. «Naquele tempo, enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão».

As palavras de Jesus despertavam e continuam a despertar entusiasmo, quando as meditamos no Evangelho, porque não são como as que lemos nos livros ou nas cartas que recebemos. Uma vez lidas, perdem a vitalidade e o interesse.

As palavras de Jesus continuam vivas através dos séculos e nelas encontramos a resposta e a solução para os nossos problemas. Basta-nos abrir o Evangelho e fazer um pouco de oração sobre um texto, para que o nosso interior se ilumine e recebamos luzes que nos ajudam a resolver problemas a que andamos a dar voltas.

Maria Santíssima ensina-nos como havemos de proceder, quando o Senhor nos falar por meio das palavras ou dos acontecimentos narrados na Sagrada Escritura: «Maria guardava todas estas palavras e meditava-as em seu coração.» (S. Lucas, 2, 29). O Espírito Santo quis que esta atitude interior de Maria ficasse guardada duas vezes, no Evangelho, certamente porque é muito importante e ensina-nos como também havemos de proceder.

A atitude desta mulher é uma chamada de atenção para que na nossa oração louvemos a Deus pelos bens recebidos. Conhecemos bem a oração de petição, e recorremos a ela quando temos alguma necessidade; recorremos ao desagravo, pedindo perdão dos nossos pecados; às vezes, começamos o tempo de presença diante do Santíssimo Sacramento adorando; mas raramente nos lembramos de louvar a Deus por todas as maravilhas que Ele criou e todo o bem que espalha às mãos cheias no mundo, e menos vezes ainda nos lembramos de agradecer.

Agradeçamos-lhe o ter-nos dado Jesus. «e disse: “Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito”

Na verdade, Jesus Cristo Salvador é também uma dádiva de Maria. Ela abriu as portas do seu Coração Imaculado, para que o Redentor do mundo pudesse vir ao nosso encontro.

Esta mulher anónima, pelo contrário, ao ouvir falar Jesus, envolve no seu louvor a Mãe e o Filho. É como se dissesse: estamos muito agradecidos à Tua Mãe, porque nos deu um Filho que fala tão maravilhosamente.

É uma aclamação dirigida a Jesus Cristo, que deslumbra com as Sua Palavras

Nós repetimos esta aclamação todas as vezes que rezamos a Ave Maria e a proclamamos “bendita entre todas as mulheres”.

Fátima é um lugar privilegiado de louvor a Maria e ao Altíssimo, porque no-l’A deu. Quem não se comove, ao contemplar a grande esplanada, em noite de peregrinação, coalhada de luzes, enquanto as pessoas aclamam, com os seus cânticos, a Mãe de Deus e nossa Mãe?

Também a oração do terço, rezado em comum, ou em partilhar, é um hino contínuo de louvor à Mãe de Jesus: «Ave, Maria..:! Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.»

Ao mesmo tempo, esta mulher anima-nos a seguir o exemplo de Maria, dando Jesus aos outros. Dêmo-l’O também a conhecer e ensinemos as pessoas a amá-l’O. Ajudemo-las a seguir pelo itinerário que nos indica S. Josemaria Escrivá: «Ao oferecer-te aquela História de Jesus, pus como dedicatória: «Que procures a Cristo. Que encontres a Cristo. Que ames a Cristo». – São três etapas claríssimas. Tentaste, pelo menos, viver a primeira?» (Caminho, n.º 382).

Maria, Virgem fiel ao Senhor. «Mas Jesus respondeu: “Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.”.»

Não podemos admitir que Jesus tenha ficado descontente com este louvor â Sua e nossa Mãe. Pelo contrário: queremos imaginá-l’O a guardar uns momentos de silêncio, para saborear a emoção que lhe produziu o louvor desta mulher à Santíssima Virgem e ajudando, depois, os Seus ouvintes e todos nós, a apontar-nos, como modelo de fidelidade, o exemplo de Maria.

Jesus revela o rosto da Sua Mãe e resume a sua vida: acolhe a Palavra de Deus e põe-na em prática. Não o faz por elogio passageiro, mas apontamo-l’A como exemplo.

Jesus chama a nossa atenção para a fidelidade de Maria. Não podemos imitá-l’A na sua maternidade divina, porque Mãe de Deus houve uma só, para sempre; mas podemos imitá-l’A nesta fidelidade com que acolhe a Palavra de Deus e logo procura agir de acordo com ela, no dia a dia.

Ela chama-nos ao caminho da fidelidade ao Senhor. Nisto se pode resumir toda a mensagem de Fátima: É preciso regressar, quanto antes, aos caminhos da fidelidade batismal, ao que nos ensina a Palavra de Deus.

Esta fidelidade, passa pela conversão pessoal, pelo voltar as costas aos inimigos da alma e voltar-se para Deus. Fátima é um clamoroso apelo à conversão pessoal.

A recomendação de rezar o Terço todos os dias enquadra-se neste pedido de ajuda ao Céu, por mediação da Mãe de Deus e nossa Mãe. Ele afeiçoa-nos às coisas do Alto, porque nos põe em diálogo com Maria.

Fátima, chama poderosamente a nossa atenção para o rosto de Maria e convida-nos a imitá-l’A, pois a Mãe Deus e nossa Mãe é um dom do Altíssimo que nunca seremos capazes de agradecer suficientemente.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Maria Santíssima é o sinal maravilhoso

do que podemos e devemos ser

quando nos abrimos à palavra do Senhor.

Por sua intercessão invoquemos a Deus, nosso Pai.

Oremos (cantando), com alegria:

 

    Por mediação de Nossa Senhora de Fátima,

    ouvi-nos Senhor.

 

1.    Pelo povo santo de Deus,

para que, à semelhança da Virgem sempre fiel,

    dê testemunho da sua fé no meio do mundo,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Por mediação de Nossa Senhora de Fátima,

    ouvi-nos Senhor.

 

2.    Pelos nossos pastores,

para que, imitando a Virgem de Nazaré,

    anunciem a Boa Nova aos que são pobres,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Por mediação de Nossa Senhora de Fátima,

    ouvi-nos Senhor.

 

3.    Pelos que cuidam dos doentes e dos idosos,

para que sejam um sinal vivo, como a Virgem Maria,

da solicitude de Cristo pelos humildes,

oremos, por intercessão de Maria.

 

    Por mediação de Nossa Senhora de Fátima,

    ouvi-nos Senhor.

 

4. Pelos pais e mães de todo o mundo,

    para que, à luz das aflições da Virgem Mãe,

    aprendam a pôr a confiança só em Deus,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Por mediação de Nossa Senhora de Fátima,

    ouvi-nos Senhor.

 

4.    Pelos cristãos que duvidam e vacilam,

para que se entreguem a Deus como a Virgem,

que acreditou no cumprimento das promessas do Senhor,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Por mediação de Nossa Senhora de Fátima,

    ouvi-nos Senhor.

 

5.    Por todos nós aqui presentes nesta celebração,

para que, invocando Santa Maria, esperança nossa,

    recebamos o dom de perseverar até ao fim,

    oremos, por intercessão de Maria.

 

    Por mediação de Nossa Senhora de Fátima,

    ouvi-nos Senhor.

 

Senhor, que fizestes da Virgem Santa Maria

a mulher forte, sempre ao lado do seu Filho,

concedei-nos também a cada um de nós

a graça de colaborarmos generosamente

na obra da redenção da humanidade.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A Mensagem entregue por Nossa Senhora em Fátima é tão antiga e tão nova como o Evangelho.

Ela encaminha-nos para uma devoção cada vez maior â Sagrada Eucaristia, pela Sagrada Comunhão e pelo desagravo.

 

Cântico do ofertório: Senhora um dia descestes – C. Silva, NRMS, 37

 

Oração sobre as oblatas: Por este sacrifício de reconciliação e de louvor que Vos oferecemos na festa da Virgem Santa Maria, perdoai benignamente, Senhor, os nossos pecados e orientai os nossos corações no caminho da santidade e da paz. Por Nosso Senhor.

 

PREFÁCIO

 

Maria, imagem e mãe da Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e exaltar a vossa infinita bondade ao celebrarmos a festa da Virgem Santa Maria.

Recebendo o vosso Verbo em seu Coração Imaculado, ela mereceu concebê-1'O em seu seio virginal e, dando à luz o Criador do universo, preparou o nascimento da Igreja. Junto à cruz, aceitou o testamento da caridade divina e recebeu todos os homens como seus filhos, pela morte de Cristo gerados para a vida eterna. Enquanto esperava, com os Apóstolos, a vinda do Espírito Santo, associando-se às preces dos discípulos, tornou-se modelo admirável da Igreja em oração. Elevada à glória do Céu, assiste com amor materno a Igreja ainda peregrina sobre a terra, protegendo misericordiosamente os seus passos a caminho da pátria celeste, enquanto espera a vinda gloriosa do Senhor. Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Saudação da Paz

 

Cova da Iria significa Cova da Paz, e Nossa Senhora veio trazer uma mensagem de paz e escolheu para isso o lugar que nos fala deste dom de Deus.

Imploremos a sua ajuda materna para que o ódio seja eliminado dos corações e tenhamos uma era de paz sem fim.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A verdadeira devoção a Nossa Senhora deve conduzir-nos à Santíssima Eucaristia, Alimento indispensável dos filhos de Deus.

Na verdade, um dos principais cuidados das mães, é procurarem que os seus filhos se alimentem convenientemente.

 

Cântico da Comunhão: É celebrada a vossa glória – A. F. Santos, BML, 33

cf. Judite 13, 24-25

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, que deu tanta glória ao vosso nome: todas as gerações cantarão os vossos louvores.

 

Ou:

Jo 19, 26-27

Suspenso na cruz, Jesus disse a sua Mãe: Eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis a tua Mãe.

 

Cântico de acção de graças: Feliz és Tu porque acreditaste – C. Silva, OC

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que o sacramento que recebemos conduza à vida eterna aqueles que proclamam a Virgem Santa Maria Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos conhecer e seguir cada vez melhor a Mensagem de Fátima.

 

Cântico final: Na Cova da Iria – J. F. Silva, NRMS, 37

 

 

 

Homilias Feriais

 

7ª SEMANA

 

3ª Feira, 14-V: A hora de Jesus e a hora de Paulo.

Act 20, 17-27  / Jo 17, 1-11

Jesus ergueu os olhos ao Pai e disse: Pai, chegou a hora.

«Chegou, por fim, 'a hora de Jesus' (Ev.). Jesus entrega o seu espírito nas mãos do Pai, no momento em que pela sua morte vence a morte, de tal modo que, ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, logo dá o Espírito Santo, soprando sobre os discípulos, A partir dessa 'hora', a missão de Cristo e do Espírito torna-se a missão da Igreja» (CIC, 730).

S. Paulo reconhece que também chegou a sua 'hora': «Eu sei que não tornareis a ver o meu rosto» (Leit.). O mais importante para ele era cumprir a missão que lhe fora confiada. Façamos também o mesmo à hora de cumprirmos os nossos deveres.

 

4ª Feira, 15-V: A oração sacerdotal de Jesus (I).

Act 20, 28- 38 / Jo 17, 11-19

Jesus ergueu os olhos ao Céu e orou deste modo: Pai Santo, guarda os meus discípulos no teu nome.

«A Tradição cristã chama-lhe, a justo título, a 'oração sacerdotal' de Jesus. Ela é, de facto, a oração do Sumo sacerdote, inseparável do seu sacrifício, da sua passagem (Páscoa) deste mundo para o Pai» (CIC, 2747).

S. Paulo pede também aos discípulos de Éfeso: «Tomai cuidado convosco com todo o rebanho» (Leit.). O Apóstolo previa que o seu rebanho pudesse ser atacado por homens com palavras perversas, para afastarem os discípulos. Peçamos à Mãe da Igreja para que todos os pastores saibam defender os seus rebanhos.

 

5ª Feira, 16-V: A oração sacerdotal de Jesus (II).

Act 22, 30; 23, 6-11 / Jo 17, 20- 26

E Eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que sejam um só, como nós somos um só: Eu neles e tu em mim.

Jesus dá-nos a conhecer a sua unidade com o Pai, para que ela sirva de modelo para a unidade com os discípulos: «Foi por esta intenção que Jesus orou na hora da sua Paixão e não cessa de orar pela unidade dos seus discípulos: Que todos sejam um! (Ev.)» (CIC, 820).

A unidade da Igreja é uma condição importante para a evangelização. S. Paulo é encarregado de levar a Boa Nova a Roma, por mandato do Senhor (Leit.). Na verdade, «o desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito Santo» (CIC, 820).

 

6ª Feira, 17-V: Defesa da fé recebida do Senhor.

Act 26, 13-21 / Jo 21, 15-19

Simão, filho de Jonas, amas-me tu mais do que estes? Apascenta as minhas ovelhas.

Jesus confirma a Pedro, depois da sua Ressurreição, o encargo que já lhe tinha anunciado: «Apascenta as minhas ovelhas» (Ev.). Entrega-lhe a autoridade para absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja» (CIC, 553). Quando o sucessor de Pedro nos falar, lembremo-nos que tem a autoridade do próprio Cristo.

S. Paulo foi parar à prisão, acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos dos judeus, por «questões sobre a sua religião e sobre um certo Jesus» (Leit.). Procuremos melhorar a nossa formação doutrinal para enfrentarmos os problemas actuais sobre a religião.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Fernando Silva

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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