S. José, Esp. da V. Santa Maria

Padroeiro da Igreja Universal

 

19 de Março de 2024

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Outrora S. José – M. Faria, NRMS, 05 (I)

Lc 12, 42

Antífona de entrada: Este é o servo fiel e prudente, que o Senhor pôs à frente da sua família.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a solenidade de S. José, Esposo da Virgem Santa Maria, Chefe da Sagrada Família e que dedicou toda a sua vida a Jesus, Filho Virginal de Nossa Senhora.

Desde há muitos séculos, a sua festa é celebrada em 19 de março, por causa de uma antiga tradição segundo a qual foi este o da sua morte.

A Igreja estabeleceu nesta solenidade o Dia do Pai, tendo por modelo o Santo Patriarca, para ajudar, com o seu exemplo e intercessão, esta difícil, mas gloriosa missão de pai de família.

Celebremos, pois, o Esposo virginal de Maria e coloquemos nas nossas intenções uma petição pelos pais de todo o mundo.

 

Acto penitencial

 

Examinemo-nos hoje sobre as faltas cometidas que estão relacionadas com a nossa participação na vida de família, derivadas de não mortificarmos o mau humor: a cara séria, os comentários pessimistas, o silêncio incómodo e a falta de moderação nas palavras, além de não prestarmos a ajuda oportuna aos que precisam.

Imploremos a misericórdia do Senhor nosso Deus e peçamos a Sua ajuda para nos emendarmos.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A do Ordinário da Missa)

 

•   Confessemos os nossos pecados...

• Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

     perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

• Senhor, tende piedade de nós.

• Glória a Deus nas alturas...

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Natã foi levar ao rei David a resposta do Senhor aos seus desejos de construir um Templo para abrigar a Arca da Aliança.

A família que vai durar para sempre a abarcará as fronteiras do mundo – uma profecia sobre a Igreja de Cristo – tornou-se possível pela generosidade de S. José.

 

2 Samuel  7,4-5a.12-14a.16

4Naqueles dias, o Senhor falou a Natã, dizendo: 5a«Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: 12Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com os teus pais, estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti e consolidarei a tua realeza. 13Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. 14aSerei para ele um pai e Ele será para Mim um filho. 16A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

 

Este texto, respigado da célebre profecia dinástica do profeta Natã, em que se garante a estabilidade da descendência de David à frente do povo de Israel – «o teu trono será firme para sempre» (v. 16) –, irá alimentar a esperança de restauração messiânica, após o desterro de Babilónia e justifica o título de «Filho de David» dado a Jesus ao longo do Novo Testamento (cf. Mt 1,1; 9,27; 12,23; 15,22; 20,30-31; 21,9; 22,42; Act 2,30; 13,22-23; Rom 1,3; 2Tim 2,8; Apoc 5,5; 22,16). O texto é escolhido para a solenidade de S. José, por ser ele quem garante a Jesus a sua descendência de David (Mt 1,1; Lc 1,31-33: «reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim»); com efeito, segundo a lei, José era pai de Jesus, um dado suficiente para Ele ser considerado descendente de David, embora também Maria devesse ser descendente de David, dado o costume de os casamentos se fazerem dentro da parentela.

4 Naqueles dias, isto é, na mesma noite em que o profeta Natã tinha apoiado a resolução do rei David de vir a construir uma casa digna para a arca da aliança, que substituísse o modesto tabernáculo feito de cortinados. A mensagem divina para David é que não vai ser ele a conseguir uma casa (templo) para Deus, mas vai ser o próprio Deus a erguer-lhe uma casa (descendência) que permanecerá eternamente. O profeta joga com o duplo sentido da palavra hebraica «báyit», casa e dinastia (v. 11-12).

 

Salmo Responsorial Sl 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. 37)

 

Monição: O Espírito Santo coloca em nossos lábios um salmo de louvor ao Deus Altíssimo, pelas maravilhas que Ele operou em S. José.

Com a Igreja agradecida pelo dom da sua vida santa, rezemos também: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

 

Refrão:    A sua descendência permanecerá eternamente.

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.

 

Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.

 

Ele Me invocará: «Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A Liturgia equipara a fé do Santo Patriarca José à de Abraão, muitas vezes provada na vida da Sagrada Família.

A fé viva levou S. José a reconhecer no Menino que tinha em seus robustos braços o Senhor do universo e a colocar a sua vida ao serviço d’Ele.        

 

Romanos 4,13.16-18.22

Irmãos: 13Não foi por meio da Lei, mas pela justiça da fé, que se fez a Abraão ou à sua descendência a promessa de que receberia o mundo como herança. 16Portanto a herança vem pela fé, para que seja dom gratuito de Deus e a promessa seja válida para toda a descendência, não só para a descendência segundo a Lei, mas também para a descendência segundo a fé de Abraão. 17Ele é o pai de todos nós, como está escrito: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Ele é o nosso pai diante d’Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe. 18Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: 22«Assim será a tua descendência». Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça».

 

A leitura é um extracto do capítulo 4 de Romanos, onde S. Paulo, depois de ter explicado que a obra salvadora de Jesus (a justificação) não procedia das práticas da Lei do A. T., procura mostrar como a nova economia divina não contradiz a antiga; pelo contrário, já Abraão, o pai do antigo povo de Deus se tornou justo, não por ter cumprido a lei da circuncisão (que ainda não lhe tinha sido imposta), mas por ter acreditado nas promessas de Deus.

A atitude de fé de Abraão foi-lhe creditada na conta de justiça: «foi-lhe atribuída como justiça» (v. 22). «E isto foi escrito… também por nossa causa» (v. 24): é que nós não somos justificados por observâncias legais (da Lei de Moisés), mas sim pela fé em Deus, a qual é idêntica à de Abraão, não só pela atitude interior que pressupõe, como também se assemelha à dele quanto ao seu objecto; com efeito, ele acreditou que Deus lhe faria suscitar um filho, a ele já morto para a geração; e nós cremos que Deus fez ressuscitar a Jesus, morto pelos nossos pecados.

O texto presta-se a ser aplicado a S. José. Se na 1.ª leitura se falava de David, ascendente de S. José, nesta fala-se de outro ascendente mais longínquo, Abraão, o primeiro Patriarca do antigo povo de Deus. S. José é o Santo Patriarca do novo Povo de Deus, pois tem sobre Jesus os direitos legais de pai. Assim como Abraão foi pai de muitas nações (v. 17) também o Patriarca S. José é Pai e Patrono da Igreja de Cristo. Por outro lado, ele tornou-se, como Abraão, um modelo de vida de fé para todos os crentes, com uma fé bem provada em tantas e tão duras circunstâncias, como a piedade cristã recorda na devoção das 7 dores e 7 gozos de S. José.

 

Aclamação ao Evangelho    Sl 83 (84), 5

 

Monição: S. José vive feliz na terra, apesar das muitas dificuldades e preocupações que teve de enfrentar, porque morava em sua casa de Nazaré o Filho de Deus.

Agradeçamos ao Senhor o exemplo da sua vida e aclamemos com júbilo o Evangelho que vai proclamar para nós estas maravilhas da nossa fé.

 

(escolher um dos 7 refrães)

 

1. Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.

2. Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.

3. Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.

4. Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.

5. Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

6. Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.

7. A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor. Repete-se.

 

Cântico: Louvor a Vós Rei da eterna glória – M. Simões, NRMS, 40

 

Felizes os que habitam na vossa casa, Senhor:

eles Vos louvarão pelos tempos sem fim.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 1,16.18-21.24a

16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 24aQuando despertou do sono, José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor.

 

(Ver mais notas na Missa da Vigília do Natal: nº 1, pp. 84-87)

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1,26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas, a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus cria-as. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19  «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. A verdade é que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo» (v. 19), por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha e, conhecendo a santidade singular de Maria, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, já sentido por Isabel… (ou não teria tido alguma iluminação divina acerca da profecia de Isaías 7,14?…). Então só lhe restava deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que julgava não lhe competir ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo» (v. 19), evitando, assim, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. Mas podemos perguntar: porque não interrogava antes Maria para ser ela a esclarecer o assunto? É que pedir uma explicação já seria mostrar dúvida, ofendendo Maria; a sua delicadeza extrema levá-lo-ia a não a humilhar ou deixar embaraçada. E porque razão é que Maria não falou, se José tinha direito de saber do sucedido? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a José a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José. De tudo isto fica para nós o exemplo de Maria e de José: não admitir suspeitas temerárias e confiar sempre em Deus.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente [...] José tinha-se, por indigno...». Segundo alguns exegetas modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7,14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (notar que a célebre profecia isaiana, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até parece prestar-se a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (chamada deraxe) não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqara’t «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».

Eis, a propósito, o maravilhoso comentário de S. João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José: «Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti, o pôr o nome ao filho. [...] Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

 

 

Evangelho alternativo:

São Lucas 2,41-51a

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso.

 

Quando faziam 12 anos, os rapazes israelitas começavam a ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém. Os judeus costumavam deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, as crianças podiam fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. A atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? O que não faz sentido é buscar a explicação do sucedido numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição. É por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém», onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24,26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas, em todos os passos da sua vida, actua como Profeta, ensinando através dos seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» – já não é tão menino, pois é um jovem no pleno uso dos seus direitos como judeu – é um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?» Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou – «em Jerusalém» –, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento tanto o próprio como o dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24,50-51).

41 «Os pais de Jesus». «Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de «tá toû Patrós mou» pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso, me deveria encontrar aqui no Templo)»?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolvia um sentido muito profundo que ultrapassava uma simples justificação da sua «independência». Não alcançam ver até onde iria este «estar nas coisas do Pai», mas também não se atrevem a fazer mais perguntas. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus; é mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2,34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

• José, Pai de Jesus e da Santa Igreja

• José, o melhor dos pais

 

1. José, Pai de Jesus e da Santa Igreja

 

S.José, Esposo Virginal de Maria é, depois da Mãe de Jesus, o maior dos santos, o mais glorioso e fiel de toda a corte celestial.

O papel discreto que Deus o chamou a desempenhar – a sua missão de Pai, excepto na geração, do Filho de Deus concebido pela força do Espírito Santo – poderia levar ao erro na avaliação da sua santidade, porque, muitas vezes, confundimos o ruído e a fama com a fidelidade a Deus.

A Santíssima Trindade escolheu e ornou, com zelo divino, a que seria Mãe do Filho Unigénito. Como não haveria de fazer o mesmo, salvas as proporções, ao eleger aquele que devia desempenhar na terra a missão de Pai de Jesus, exceptuando a geração humana?

Tudo, pois, que encontramos de mais elevado na vida dos santos, de virtude e de generosidade, o encontramos em grau imensamente maior em S. José. Por isso, podemos dar largas à nossa imaginação sobre a sua santidade e perfeição nas virtudes humanas e sobrenaturais, que ficaremos sempre muito aquém da realidade.

Pai e Protetor da Santa Igreja. «Naqueles dias, o Senhor falou a Natã, dizendo: «Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com os teus pais, estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti e consolidarei a tua realeza

David, generoso e humilde, pensou em edificar ao Senhor um templo grandioso que, além de lugar de oração e sacrifícios, se tornasse uma proclamação da glória e Deus. Ali seria abrigada a Arca da Aliança, agora ainda debaixo de uma tenda.

Depois de ter consultado o profeta Natá, este comunicou ao rei no dia seguinte, a indicação que recebera do Céu.

O descendente que Deus vai estabelecer no lugar de José, não já à frente da Sagrada Família de Nazaré, mas da grande Família da Igreja, da qual são chamadas a fazer parte todas as pessoas de todas as épocas, raças e condições sociais.

Coube a S, José edificar o núcleo desta Família dos filhos de Deus, levantando com o seu trabalho, paciência, generosidade e perseverança, o pequenino fermento que iria atuar até às fronteiras do mundo.

Jesus comparou o Reino de Deus – a Igreja – ao pequenino bocado fermento que uma mulher mistura na fornada e leveda toda a massa; e à pequenina semente de mostarda que está na origem de uma planta frondosa na qual se vêm abrigar as aves do Céu.

A Igreja começa no pequenino fermento de Nazaré e alarga as suas fronteiras às do mundo.

José, Pai virginal de Jesus. «Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real

José não construiu o Templo de Jerusalém, como profetiza Natã sobre Salomão, filho David. Mas colaborou generosamente na construção maravilhosa da Casa do Pai, como profetizará Jesus, depois da expulsão dos vendilhões do Templo, referindo-Se ao Se Corpo: «Destruí este templo e Eu o reedificarei em três dias

Embora não tendo gerado o Filho de Maria, foi para Ele, em tudo o mais, um verdadeiro pai. Acolheu-O nos seus braços robustos e carinhosos, depois do Seu nascimento, e muitas vezes na Sua infância, enquanto Maria se dedicava às tarefas do lar e José chegava ao termo de mais uma jornada de trabalho. Ao mesmo tempo, como já tinha feito em Belém, depois do Nascimento, adorava-O como Deus e Senhor, apesar da Sua aparente fragilidade.

Preparou-O cuidadosamente para entrar no mundo dos homens, ensinando-O a falar, a andar, a servir-se dos utensílios domésticos, a conhecer o nome das coisas e os modos humanos de tratar as pessoas que visitavam a casa de Nazaré. Confecionava-Lhe brinquedos, para que pudesse brincar com os outros meninos de Nazaré, como fazem todas as crianças e dialogava com Ele, respondendo às Suas perguntas infantis.

Quando chegou o momento oportuno, ensinou-Lhe, ponto por ponto, a arte de carpinteiro, para o acompanhar nas tarefas da oficina e na deslocação a outros lugares de trabalho, de tal forma que os nazarenos O recordam, já na Vida Pública, como o carpinteiro e o filho do carpinteiro. 

Nos serões à volta da lareira, enquanto Maria preparava cuidadosamente a ceia frugal, contava-Lhe a história do Povo de Deus, recordando o que tinha aprendido na Sinagoga ou na leitura dos livros santos.

Foi sobre os ombros sólidos de José e o coração terno de Maria que Deus edificou este Seu Templo maravilhoso que é Jesus.

S. José, Pai e Protetor da Santa Igreja. «Serei para ele um pai e Ele será para Mim um filho. permanecerão diante de Mim eternamente A tua casa e o teu reino e o teu trono será firme para sempre.».

José ofereceu ao mundo o Redentor, o Filho do Eterno Pai, nascido virginalmente de Maria. Depois, cansado dos muitos trabalhos e preocupações, adormeceu no Senhor, nos braços de Jesus e de Maria.

Embora não saibamos a data da sua morte, podemos conjeturar que terá já partido, quando Jesus começou a vida Pública. Jesus e Maria foram convidados para as Bodas de Caná e José não aparece mencionado porque, certamente, já não estava neste mundo.

Quando Jesus morreu no Calvário, entregou a Sua e nossa Mãe a João, porque o marido já estava na eternidade. De outro modo não se explicaria este gesto.

A missão que teve outrora na Sagrada Família tem-na agora na Igreja, Corpo de Cristo, Corpo Místico, constituído por todos os filhos de Deus.

José continua a sua intercessão no Céu, providenciando para que nada nos falte e tomando medidas acauteladas, para nos defender dos perigos. Demos-lhe a oportunidade de o fazer, implorando filialmente a sua ajuda de Pai providente e atento.

Maria deu a Jesus o Corpo humano que Ele ofereceu por nós na Cruz. José alimentou-O, cuidou-O e defendeu-O na terra e continua a fazer o mesmo agora, com a Igreja na glória da Santíssima Trindade.

 

2. José, o melhor dos pais

 

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, uma vez assumido uma natureza humana como a nossa, embora sem as inclinações para o mal, quis eleger para a missão de Pai, embora sem O ter gerado, o Patriarca S. José, situando-Se humildemente no lugar de Filho daquela Família, para aprender tudo de seu Pai terreno. Com ele quis aprender a cumprir os deveres de membro do Povo Eleito.

Educador da piedade da família. «Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem.»

S. Lucas não hesita em falar dos pais de Jesus, embora sabendo que Ele é Filho Virginal de Maria concebido pela força do Espírito Santo. Se tivermos presente que foi inegavelmente Maria a fonte de onde o evangelista bebeu esta história da Sagrada Família, devemos concluir que Maria considerava José verdadeiro Pai daquela Família única, pois, não tendo gerado Jesus, recebeu do Céu a missão de desempenhar em tudo esta nobre missão.

De resto, quando encontram Jesus, Maria diz-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura».

Como Pai daquele Lar, José, de acordo com Maria, procurava organizar a sua vida, colocando no coração dela o culto a Deus e as manifestações de piedade.

A Família foi instituída por Deus, não apenas para transmitir e desenvolver a vida natural, mas também a fé com as suas manifestações. Aquela semente lançada na alma do filho ou filha, no Batismo, deve desenvolver-se e crescer ao calor da fé dos pais.

«Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa.» Esta narração cheia de simplicidade faz-nos passar distraídos pela grande generosidade que esta ida a Jerusalém supunha: centro e trinta e cinco quilómetros de viagem a pé, atravessando montanhas, dormindo ao relento, convivendo co uma caravana e alimentando-se como e do que era possível.

Como contrasta esta generosidade sacrificada com aqueles e aquelas que, por um pretexto fútil, acham que estão dispensados de participar na Missa dominical e dos dias festivos! Olhando um pouco para trás, vemos os nossos maiores que percorriam longas distâncias a pé, debaixo de sol ou de chuva, para participarem na celebração dominical.

Devemos aos nossos pais uma eterna gratidão, pelo ambiente de piedade e temor de Deus que fomentaram no lar em que nascemos.

Pai cuidadoso e sacrificado. «Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas

Quando partiam da Cidade Santa, os homens saíam por uma porta e as mulheres, por outra, e só ao fim do primeiro dia de jornada se reunia toda a família. Os filhos ainda pequenos podiam optar sair com o pai ou com a mãe. Imaginamos, nesta situação, Maria a pensar: “já está um homenzinho e escolheu sair com o pai…” Por sua vez, José terá pensado: “não acho estranho que Ele tenha preferido acompanhar a Mãe.” E assim caminharam em paz, participando no cântico dos salmos que acompanhava sempre as peregrinações, até que os dois grupos se encontraram. E quando o corpo estava a pedir merecido descanso, voltam para trás, com o coração em sobressalto. Deus pede muito àqueles que ama.

Começam então uma procura ansiosa, em direção a Jerusalém, e talvez cada qual no seu grupo. As pessoas ouvem a pergunta, pensam um momento e acenam com a cabeça, a dizer que não.

Também nesta passagem da vida de Jesus, José continua a ser o homem silencioso, mas eficaz, de tal modo que não temos registada uma única palavra proferida por ele, mas adivinha-se no Evangelho da infância a prontidão e competência com que desempenhou a sua missão. O que se diz aqui em poucas palavras encobre uma agonia e aflição que dura três dias e três noites de procura infrutífera de Jesus, com o coração nas mãos, temendo que Lhe tivesse acontecido o pior, pois conheciam as profecias a Seu respeito.

Não é fácil imaginar o que significam três dias e três noites de procura com o coração em sobressalto, perguntando a uns e a outros, com esperança logo desvanecida, se O tinham visto, para logo receberem a desilusão, num acenar negativo da cabeça ou num simples “não”.

Gostamos de pensar que José com Maria, não se limitaram a reentrar no Templo e a pedir que Jesus reaparecesse. Uniram a oração ao trabalho. Por vezes, os pais perguntam, com angústia: “Rezei tanto pelo meu filho… e parece que não valeu a pena!” Talvez tenha faltado a parte que estava ao seu alcance. Deus quer trabalhar neste mundo de mãos dadas connosco.

A sua perseverança na oração e na ação é recompensada com um choque emocional, ao encontrarem Jesus onde menos o esperavam. Tinha ficado ali a dialogar com os doutores de lei, fazendo perguntas e respondendo. O espanto sobe quando nos lembramos que se trata de um adolescente de 12 anos.

Os mistérios da vida da família. «Qu ando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: “Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura”. Jesus respondeu-lhes: “Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?”. Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse

Maria exprime a Jesus a pergunta que Ela e José queriam fazer. Não Lhe pedem contas do Seu comportamento, pois sabem que Jesus é o Filho de Deus, mas uma ajuda para compreender este mistério. «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura».

Deus não assumiu connosco o compromisso de nos mostrar a razão das nossas cruzes. Deu-nos a chave de todas: é por Amor que no-las dá e garante-nos que vão resultar num bem para nós, para a Igreja e para o mundo. Diz-nos S. Paulo: «tudo contribui para o bem dos que amam a Deus.» Mais não sabemos, porque estamos a caminhar na fé. Assim o entenderam José e Maria.

Há muitas coisas que nos acontecem na vida que não conseguimos compreender à luz da fé, pois permanecem mistérios. Corremos, então, o perigo de fazer deles uma má leitura, vendo neles uma crueldade de Deus, uma atitude de indiferença, em vez de os olharmos como carícias amorosas do Pai.

E é nesta linha de pensamento que Jesus lhes responde. Mas eles, como sublinha S. Lucas, não entenderam a resposta que Jesus lhes deu. Notemos que esta resposta é dada às duas pessoas mais santas que passaram e hão-de passar pela terra e teve foi proferida pelo próprio Deus. 

A vida de família não é um caminho tormentoso de provações, mas uma vida normal em que as águas se agitam, às vezes. Depois desta provação forte, tudo regressou à normalidade, na Família de Jesus, Maria e José. «Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso

Com José, Pai da santa Igreja, regressemos à vida silenciosa do nosso trabalho, oração e convivência fraterna com todos.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Reunidos para celebrar as maravilhas

que Deus realizou em São José,

homem justo e humilde,

elevemos ao Pai do Céu as nossas súplicas.

Oremos (cantando), com alegria:

 

     Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

1.    Pela santa Igreja, dispersa por toda a terra,

para que anuncie a palavra de Deus com alegria

e dê fruto no coração dos seus fiéis,

oremos com alegria.

 

     Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

2. Pelos que exercem a autoridade neste mundo,

para que sejam humanos nas suas decisões

e pratiquem obras de justiça e de rectidão,

oremos com alegria.

 

     Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.  

 

3. Pelos pais e mães de família,

para que a oração em família e os sacramentos

alimentem a sua fé e a de seus filhos,

oremos com alegria.

 

     Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.  

 

4. Pelos jovens dos nossos Seminários

e pelos que trabalham na sua formação,

para que os dons do Espírito Santo os iluminem,

oremos com alegria.

 

     Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

5. Pelos homens que ganham o pão com o seu trabalho,

para que os seus direitos sejam respeitados

e a sua dignidade humana reconhecida,

oremos com alegria.

 

     Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

6. Por todos nós aqui reunidos nesta Celebração da Eucaristia,

     para que, por intercessão de São José,

     tenhamos uma boa morte, na paz de Deus,

     oremos com alegria.

 

     Por intercessão de S. José, ouvi-nos, Senhor.

 

Senhor, nosso Deus,

velai por todos os filhos da Igreja,

para que, nas alegrias e provações desta vida,

descubram, como São José, a vossa vontade misteriosa

e colaborem na obra da redenção.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Contemplamos S. José, na Mesa da Palavra, para que possamos ter sempre diante de nós o exemplo da sua vida.

Iremos comungar a Vítima Imaculada que ele alimentou e defendeu e que o mesmo Jesus Cristo prepara agora para nós.

 

Cântico do ofertório: Nós vos louvamos José – M. Carneiro, NRMS, 89

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de servir ao vosso altar de coração puro, imitando a dedicação e fidelidade com que São José serviu o vosso Filho Unigénito, nascido da Virgem Maria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de São José [na solenidade]: p. 492

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Saudação da Paz

 

S. José pode ensinar-nos os caminhos da paz, com o exemplo silencioso da sua vida, enriquecida com um serviço generoso aos outros.

Do lado oposto do egoísmo dos homens, da sua ambição sem limites, está a fronteira da verdadeira paz entre os homens.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Antes de nos aproximarmos da Santíssima Eucaristia, imaginemos, por momentos, com quanto carinho, fé e devoção estreitava José em seus braços robustos o Filho de Deus.

Peçamos a sua ajuda, neste momento, para que recebamos Jesus Cristo na Eucaristia com fé viva, reverência e amor.

 

Cântico da Comunhão: Este é o servo fiel e prudente – A. Cartageno, NRMS, 59

Mt 25, 21

Antífona da comunhão: Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.

 

ou

Mt 1, 20-21

Não temas, José: Maria dará à luz um Filho e tu lhe darás o nome de Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Bem-aventurados os que têm fome – Az. Oliveira, NRMS, 63

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que na solenidade de São José alimentastes a vossa família à mesa deste altar, defendei-a sempre com a vossa protecção e velai pelos dons que lhe concedestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que presença e expressão tem na nossa vida a devoção a S. José?

 

Cântico final: Os justos viverão eternamente – M. Faria, NRMS, 36

 

Homilias Feriais

 

 

4ª Feira, 20-III: A Verdade que liberta.

Dan 3, 14-20 / Jo 8, 31-42

Bendito seja o Deus de Sidrach. Mandou o seu Anjo, para livrar os seus servidores, que tiveram confiança nEle.

Embora sendo escravos do rei da Babilónia, os três jovens foram salvos e libertados pela sua confiança em Deus, que é a Verdade (Leit.)

Jesus recorda-nos igualmente que é a «Verdade que vos libertará» (Ev.), e que Ele levou a cabo pela sua Paixão. Pela sua morte na Cruz, obteve a salvação de todos. Resgatou-nos do pecado, que nos mantinha na situação de escravatura. Ao libertar-nos desta, ficámos livres. Chegaremos ao conhecimento da Verdade, contida nos ensinamentos de Jesus e que encontraremos na leitura dos Evangelhos.

 

5ª Feira, 21-III: Fidelidade à Aliança.

Gen 17, 3-9 / Jo 8, 51-59

Esta é a minha Aliança contigo: serás pai de um grande número de nações.

Deus estabelece uma Aliança com Abraão, que será válida para os seus descendentes (Leit.). Ele confiou em Deus e venceu todas as provações, tornando-se um exemplo de fidelidade. Se nós confiarmos igualmente na palavra de Deus, seremos salvos: «se alguém guardar a minha palavra, nunca mais verá a morte» (Ev.).

A Aliança estabelecida com Abraão foi renovada, de uma vez para sempre, por Cristo na Cruz. Quando se actualiza o sacrifício da Cruz na Santa Missa, é o momento adequado para reiterarmos a nossa fidelidade aos compromissos do Baptismo.

 

6ª Feira, 22-III: A vitória obtida na Cruz.

Jer 20, 10-13 / Jo 19, 31-42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso (Leit.) é o próprio Cristo, que veio à terra para vencer o demónio. No entanto, os judeus querem matá-lo, apedrejando-o (Ev.).

Esta luta contra o demónio continuará até ao fim dos tempos. Mas temos motivos de esperança, porque Cristo venceu e nada temos a temer, porque a derrota já está consumada. Esta vitória foi alcançada na Cruz e, de uma vez para sempre, no momento em que Jesus se entregou livremente à morte para nos dar a sua vida. A nossa vida será um combate, mas temos a oração e a Cruz como recursos.

 

Sábado, 23-III: Meios para conseguir a unidade.

Ez 37, 21-28 / Jo 11, 45-56

Vou reuni-los de toda a parte. Farei deles um só povo.

Segundo esta profecia, Deus promete reunir os filhos de Israel, dispersos por todo o mundo. E Caifás afirma que esta unidade será um dos frutos da morte de Cristo (Ev.). Mas é mais do que isso: é também dom do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, reuniu uma enorme multidão de diferentes línguas.

A oração do Pai-nosso ajudará a unidade: «Rezar o Pai-nosso é orar com e por todos os homens que ainda não O conhecem, para que sejam reunidos na unidade (Ev.)» (CIC, 2739). Esta unidade é indispensável para que a Igreja seja um sinal visível para toda a humanidade.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Fernando Silva

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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