5.º Domingo dA QUARESMA

17 de Março de 2024

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor são muitos os nossos pecados – J. Santos, NRMS, 53

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

P. Reunimo-nos hoje para celebrar o 5º domingo da Quaresma. Neste período de renovação da nossa vida, somos convidados a acompanhar o percurso de Jesus em direção à cruz. No Evangelho, encontraremos motivos que nos desafiam a compreender a profundidade do sacrifício e a promessa de uma vida transformada. Que o Espírito Santo, ao longo desta Eucaristia, desperte em nós uma entrega mais profunda e fortaleça a nossa fé para viver em verdade esta Quaresma em ordem à próxima Páscoa.

 

 

Kyrie

 

P. Pelas vezes em que nos julgámos superiores aos outros, Senhor, tende piedade de nós.

R. Senhor, tende piedade de nós.

 

P. Pelas vezes em que fomos indiferentes para com aqueles que sofrem e passam necessidades, Cristo, tende piedade de nós.

R. Cristo, tende piedade de nós.

 

P. Pelas vezes em que fomos arrogantes e humilhámos os irmãos, Senhor, tende piedade de nós.

R. Senhor, tende piedade de nós.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na leitura de Jeremias, encontramos a promessa divina de uma nova aliança gravada nos corações. Um convite à transformação, onde a Lei de Deus se torna parte de nós, guiando-nos eternamente.

 

Jeremias 31,31-34

 

31Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. 32Não será como a aliança que firmei com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram, embora Eu exercesse o meu domínio sobre eles, diz o Senhor. 33Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, naqueles dias, diz o Senhor: Hei-de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 34Não terão já de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor». Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas.

 

O nosso texto insere-se num conjunto de anúncios de restauração, tanto política como religiosa, o chamado Livro da Consolação de Jeremias (Jer 30,1 – 33,26). Os versículos da leitura são fulcrais na obra do profeta de Anatot: os seus apelos para «uma aliança nova» são considerados como o pivot da reforma religiosa do piedoso rei Josias, por isso se pensa que foi pronunciado logo no início da sua actuação como profeta. Este oráculo, tem uma importância central na Teologia do Novo Testamento, como uma das grandes profecias messiânicas. O povo de Israel tinha violado a aliança, não observando a Lei de Deus que no Sinai solenemente se comprometera a observar (Ex 24), por isso Deus já não estava, por assim dizer, obrigado a proteger este povo que se negava a ser de Yahwéh. Mas Ele não volta atrás no seu amor misericordioso, e anuncia que vai oferecer aos homens uma aliança «nova», isto é, definitiva, interior, pois gravada «no íntimo da alma… no coração» (v. 33) e que estabelece uma nova relação afectiva, de sincero e fiel amor, como o amor perfeito entre os esposos: «Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo» (v. 33; cf Os 2,21-22.25). Esta aliança de amor teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo que selou a nova, definitiva e universal aliança com o seu próprio sangue (Hebr 9,12; Lc 22,20), tornando antiquada a aliança do Sinai (Hebr 8,6-13).

34 «Vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas». Trata-se de uma aliança que, além de nova, é renovadora, pois implica «a remissão dos pecados» (cf. Mt 26,28). A Liturgia, ao propor este texto em pleno tempo da Quaresma, presta-se a lembrar-nos o perdão que Deus concede no Sacramento da Reconciliação.

 

Salmo Responsorial Salmo 50 (51), 3-4.12-13.14-15 (R. 12a)

 

Monição: No Salmo 50 (51), ecoa a súplica: “Dai-me, Senhor, um coração puro”. Nesta prece sincera, somos convidados a um caminho de humildade e de renovação interior.

 

Refrão:    Dai-me, Senhor, um coração puro.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos

e os transviados hão-de voltar para Vós.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Ao contemplarmos Hebreus, vislumbramos a entrega compassiva de Cristo, que, em agonia, ofereceu súplicas ao Pai. Neste ato sublime, encontramos redenção e aprendemos a obediência filial. Que este trecho nos inspire a uma entrega confiante, seguindo o exemplo do Salvador.

 

Hebreus 5,7-9

 

7Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. 8Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento 9e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna.

 

Este texto pequeno, mas deveras impressionante – há mesmo estudiosos que o consideram um extracto de um antigo hino a Cristo –, é tirado da parte central do célebre sermão, que é esta epístola (Hebr 4,14 – 7,28), onde se desenvolve o tema do sacerdócio de Cristo, o sumo sacerdote perfeito, que supera completamente o sacerdócio levítico.

7 Este versículo parece evocar o relato da agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras (cf. Mt 26,36-44). «Preces e súplicas»: estas duas palavras sinónimas correspondem a uma expressão grega da época usada nos pedidos a uma alta autoridade; o uso do plural sugere a insistência na oração, segundo o «prolixius orabat» de Lc 22,43. «Com um grande clamor e lágrimas»; os ensinos rabínicos sobre a oração referem três graus ascendentes: a prece (em silêncio), os gritos, e as lágrimas (como a forma mais elevada da oração). Os Evangelhos só falam de um forte brado de Jesus, na Cruz (Lc 23,46), mas é de supor que se conhecessem pela tradição oral, pormenores da oração no horto que justificariam tão impressionante expressão.

«Foi atendido», em quê? É difícil de dizer, a tal ponto que Harnack pensa numa corrupção do texto original: «não foi atendido». Limitamo-nos a referir as explicações mais viáveis. Jesus não obteve a libertação do cálice de amargura, mas alcançou a coragem para enfrentar a sua Paixão identificando-se plenamente com a vontade do Pai. Ou então, como pensam outros, Jesus foi atendido ao ser livre da morte pela sua ressurreição, o que lhe permite exercer o seu sacerdócio eterno (cf. 7,24; 10,10), com efeito, «a sua morte era essencial para o seu sacerdócio, pois, se Ele não fosse salvo da morte pela ressurreição, não seria agora o sumo sacerdote do seu povo» (J. H. Neyrey).

8 «Aprendeu a obediência no sofrimento», ou, melhor, «por aquilo que sofreu», ou também, «aprendeu de quanto sofrera, o que é obedecer». Trata-se de uma aprendizagem não teórica, mas experimental, existencial. Aprender através do sofrimento era um lugar comum na literatura grega, e até havia esta máxima: «os sofrimentos são lições». O que aqui há de particular é a aplicação à aprendizagem da obediência. No entanto, a obediência de Jesus na sua Paixão só é referida em mais dois lugares do N. T.: Rom 5,19 e Filp 2,8. Não se pense que a Jesus, por ser Deus, Lhe custava menos o sofrimento, antes pelo contrário, pois o sofrimento é directamente proporcional à dignidade da pessoa que sofre.

9 «Tendo atingido a sua plenitude». Esta tradução não deixa ver uma das ideias centrais da epístola, que é a de «perfeição», pelo que seria preferível a tradução do Cón. Falcão, «tendo chegado à perfeição» ou a da Difusora Bíblica, «tornado perfeito». Note-se que a perfeição de que aqui se fala não é a do amadurecimento na virtude, mas a que advém a Jesus pelo exercício do seu sumo sacerdócio com a consumação da obra salvadora pela oferta do sacrifício da nova aliança: «a obediência de Jesus leva-o à sua consagração sacerdotal, que, por sua vez, O torna apto para salvar aqueles que Lhe obedecem» (The new Jerome Biblical Commentary, p. 929).

 

Aclamação ao Evangelho    Jo 12, 26

 

Monição: No Evangelho, testemunhamos a narrativa do grão de trigo que cai e morre para dar fruto. É uma alusão à própria morte de Cristo. E Jesus, ao falar sobre a sua própria morte, revela-nos a profundidade do seu amor redentor.

 

Cântico: Louvor a Vós Rei da eterna glória – M. Simões, NRMS, 40

 

Se alguém Me quiser servir, que Me siga, diz o Senhor,

e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo.

 

 

Evangelho

 

São João 12,20-33

 

Naquele tempo, 20alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, 21foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». 22Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. 23Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. 24Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. 25Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. 27Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. 28Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». 29A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». 30Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. 31Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. 32E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». 33Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.

 

Estamos no final da 1ª parte do IV Evangelho, do chamado «livro dos sinais». Ouvem-se os últimos apelos de Jesus à fé, mas a multidão permanece dividida (v. 29), e a sua entrega à morte está iminente (vv. 31-33).

20 «Gregos»: não deveriam ser judeus de língua grega, nem prosélitos, mas simples tementes a Deus ou adoradores de Deus, isto é, uns gentios convertidos ao único Deus de Israel, sem no entanto se sujeitarem aos ritos judaicos como o da circuncisão (cf. Act 10,2; 13,16.26.50; 16,14; 17,4.17; 18,7).

21-22 «Filipe… André». Filipe é nome grego, bem como o de André, o que ajuda a explicar a mediação de ambos para um encontro com Jesus, pessoas mais acessíveis e compreensíveis para com os estrangeiros. Filipe, tendo em conta que Jesus só se dirigia aos judeus (cf. Mt 15,24; Mc 7,27), teve a prudência de tratar do assunto com o conselho de André. «Betsaida» não era rigorosamente da Galileia, mas da Gaulanítide, tetrarquia de Filipe, ficando a oriente da entrada do Jordão no lago de Genesaré. Alguns, para evitar que S. João pudesse ser acusado dum indesculpável erro geográfico, imaginam uma outra Betsaida ocidental. O mais natural é que os habitantes judeus de Betsaida se considerassem galileus, como o próprio Apóstolo Filipe, dando assim lugar a que se pudesse falar, impropriamente, de Betsaida da Galileia.

23-26 A «hora» da «glória» não é de modo nenhum a da glória humana, como poderia ser a da entrada triunfal em Jerusalém, mas a hora de dar a vida, de morrer para dar fruto; e, para o seguidor de Cristo, também já não lhe resta outra alternativa (cf. Jo 15,18-20). O sentido da morte de Jesus fica esclarecido com a comparação do «grão de trigo», que deve morrer para dar fruto; nisto está a sua glória e a glória dos seus seguidores. «Desprezar a vida», à letra, odiar:  de acordo com o uso semítico, odiar em oposição a amar, significa não dar grande valor ou amar menos (cf. Gn 29,31-33; Dt 21,15; Mt 6,24; Lc 14,26; 16,13).

27-28 «A minha alma está perturbada… Pai, salva-me…». Esta passagem faz pensar na agonia do Getxemaní relatada nos Sinópticos e a que S. João mal alude (18,11), a fim de que o leitor não se fixe em tão grande humilhação do Senhor no momento em que Ele avança para a glória da Cruz. Tenha-se na devida conta que em S. João glorificar tem frequentemente um sentido «manifestativo» (cf. 17,1-6.24-26), e o nome equivale à pessoa, por isso «glorifica o teu nome» equivale a manifesta a tua glória. A voz vinda do Céu era um grande motivo de credibilidade na época, a chamada bat-qol; esta ilumina com o sentido optimista da fé a Paixão e Morte do Senhor.

30-31 Agora, vai chegar (chegou, numa prolepse muito ao gosto de S. João) a «hora» de Jesus, a hora da glória, que é ao mesmo tempo de vida e salvação e, simultaneamente, de julgamento e condenação (cf. Jo 16,11). Ao terminar a primeira parte do Evangelho, esta alternativa, a que não se pode fugir, é posta em relevo (vv. 35-36.45-48): ninguém pode ficar na penumbra; tem de optar entre a Luz e as trevas. Mundo aqui identifica-se com os que rejeitam a fé e se situam no domínio tenebroso de Satanás (cf. Lc 4,5-6).

32 «Erguido da terra, no sentido físico – na Cruz – encerra um segundo sentido espiritual de exaltação e glória, que S. João quer acentuar (cf. Jo 3, 14; 8, 28; 18, 32). Há manuscritos que têm atrairei tudo, em vez de todos: Jesus crucificado exerce um poderoso atractivo sobre todas as almas sinceras, provocando uma resposta de amor incondicional, até que Ele venha a tornar-se o centro de tudo, de todas as actividades humanas e de todo o universo criado por Deus.

 

Sugestões para a homilia

 

Sombras que obscurecem o futuro

 

Neste 5º Domingo da Quaresma, somos guiados pelas Escrituras a refletir sobre o caminho de Jesus em direção à cruz, uma trajetória marcada pelo amor e pelo sacrifício.

O Evangelho de João (Jo 12, 20-33) revela-nos um momento crucial, onde alguns gregos, ansiosos por encontrar Jesus, expressam o desejo de O ver. Jesus responde com palavras profundas: “Chegou a hora de ser glorificado.” Contudo, essa glória não é a esperada pelos padrões humanos. É a glória da entrega total, do grão de trigo que morre para dar fruto.

Assistimos, assim, a uma profunda lição de Jesus sobre a verdadeira natureza da vida e do discipulado. Ele utiliza imagens da natureza – o grão de trigo – para ilustrar o princípio da morte e ressurreição que permeia a existência cristã. A ideia de perder a vida para ganhá-la pode parecer paradoxal, mas é neste paradoxo que encontramos a essência do Evangelho.

Na nossa caminhada quaresmal, somos convidados a examinar a nossa disposição para seguir Jesus. Ele não nos promete uma jornada isenta de desafios, mas assegura-nos que, ao abraçar a cruz, encontramos a verdadeira vida. Em cada gesto de renúncia, em cada sacrifício por amor, encontramos a ressurreição que transforma as nossas vidas.

Este chamado à entrega total não é fácil, mas é o cerne da mensagem quaresmal. As tentações do egoísmo e da autossuficiência podem obscurecer a visão da cruz. No entanto, ao contemplarmos a cruz de Cristo, somos convidados a confrontar as áreas da nossa vida que precisam morrer para que algo novo possa surgir.

Os gregos que procuravam Jesus queriam ver algo extraordinário. Hoje, somos desafiados a olhar para além das expectativas mundanas e a reconhecer a grandiosidade na simplicidade da entrega e do amor sacrificial. É na cruz que encontramos a manifestação suprema do amor de Deus.

Neste tempo quaresmal, renovemos o compromisso de seguir Jesus no caminho da cruz. Sejamos grãos de trigo dispostos a morrer para que, unidos a Cristo, possamos dar fruto abundante e, desta forma, cheguemos à verdadeira glória da ressurreição.

 

Fala o Santo Padre

 

«Ainda hoje muitas pessoas […] gostariam de “ver Jesus”, de o encontrar, de o conhecer.

[…] Compreendemos a grande responsabilidade de nós cristãos e das nossas comunidades:

[…] responder com o testemunho de uma vida que assume sobre si o estilo de Deus

- proximidade, compaixão e ternura - e se doa no serviço.»

 

Neste quinto domingo da Quaresma, a liturgia proclama o Evangelho no qual São João relata um episódio que teve lugar nos últimos dias da vida de Cristo, pouco antes da Paixão (cf. Jo 12, 20-33). Enquanto Jesus estava em Jerusalém para a Festa da Páscoa, alguns gregos, curiosos acerca do que ele realizava, expressaram o desejo de o ver. Aproximam-se do apóstolo Filipe e dizem-lhe: «Queremos ver Jesus» (v. 21). «Queremos ver Jesus». Recordemos este desejo: “Queremos ver Jesus”. Filipe fala disso a André e depois, juntos, referem-no ao Mestre. No pedido daqueles gregos podemos entrever o pedido que muitos homens e mulheres, de todos os lugares e épocas, dirigem à Igreja e também a cada um de nós: “Queremos ver Jesus”.

E como responde Jesus a esse pedido? De um modo que nos faz pensar. Diz assim: «É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado [...] Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, permanece sozinho; mas se morrer, produz muito fruto» (vv. 23-24). Estas palavras parecem não responder à questão posta por aqueles gregos. Na realidade, elas vão mais longe. Com efeito, Jesus revela que Ele, para cada homem que O quiser procurar, é a semente escondida pronta para morrer a fim de dar muito fruto. Como se pretendesse dizer: se me quiserdes conhecer, e se me quiserdes compreender, olhai para o grão de trigo que morre na terra, ou seja, olhai para a cruz.

Isto traz à mente o sinal da cruz, que ao longo dos séculos se tornou o emblema por excelência dos cristãos. Quantos querem “ver Jesus” hoje, talvez vindos de países e culturas onde o cristianismo é pouco conhecido, o que veem em primeiro lugar? Qual é o sinal mais comum que encontram? O crucifixo, a cruz. Nas igrejas, nos lares dos cristãos, usado também no próprio corpo. O importante é que o sinal seja coerente com o Evangelho: a cruz não pode deixar de expressar amor, serviço, dom de si sem hesitações: só assim é verdadeiramente a “árvore da vida”, da vida superabundante.

 

Ainda hoje muitas pessoas, frequentemente sem o dizer, de uma forma implícita, gostariam de “ver Jesus”, de o encontrar, de o conhecer. A partir disto compreendemos a grande responsabilidade de nós cristãos e das nossas comunidades. Também nós devemos responder com o testemunho de uma vida que se dá em serviço, uma vida que assume sobre si o estilo de Deus - proximidade, compaixão e ternura - e se doa no serviço. Trata-se de lançar sementes de amor não com palavras que voam para longe, mas com exemplos concretos, simples e corajosos, não com condenações teóricas, mas com gestos de amor. Então o Senhor, com a sua graça, faz-nos dar fruto, mesmo quando o terreno é árido devido a desentendimentos, dificuldades ou perseguições, ou pretensões de legalismos ou moralismos clericais. Este é terreno árido. Então precisamente, na prova e na solidão, quando a semente morre, é o momento em que a vida brota, para produzir frutos maduros no seu tempo. É neste entrelaçamento de morte e vida que podemos experimentar a alegria e a verdadeira fecundidade do amor, que acontece sempre, repito, no estilo de Deus: proximidade, compaixão, ternura.

 

Que a Virgem Maria nos ajude a seguir Jesus, a caminhar fortes e felizes pelas vias do serviço, para que o amor de Cristo brilhe em todas as nossas atitudes e se torne cada vez mais o estilo da nossa vida quotidiana.

Papa Francisco, Angelus, Biblioteca do Palácio Apostólico, 21 de março de 2021

 

Oração Universal

 

P. Caríssimos irmãos e irmãs, apresentemos as nossas preces confiantes a Deus,

Pai de misericórdia, que nos conduz nesta caminhada quaresmal, dizendo:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

1.  Pelos membros da Igreja, para que,

ao contemplarem a cruz de Cristo,

encontrem força e coragem para abraçar as cruzes diárias

e testemunhar o amor redentor de Jesus, oremos ao Senhor.

 

2.  Pelos governantes e líderes mundiais,

para que sejam guiados pela sabedoria divina

na promoção da justiça, da paz e na defesa da dignidade de cada pessoa, oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos que enfrentam situações de sofrimento e dificuldade,

especialmente os doentes, os desamparados e os que se sentem desprovidos de esperança,

para que encontrem consolo na cruz de Cristo, oremos ao Senhor.

 

4. Pelas vocações na Igreja,

para que aqueles que são chamados a seguir o Senhor no sacerdócio, vida religiosa e ministérios diversos possam responder generosamente ao seu chamamento, oremos ao Senhor.

 

5.  Pelos catecúmenos e por todos os que se preparam

para receber os sacramentos da iniciação cristã nesta Páscoa, para que vivam este tempo de preparação com fervor e alegria espiritual, oremos ao Senhor.

 

P. Deus misericordioso, ouvi as nossas preces e concedei-nos a graça de seguir fielmente os passos de vosso Filho, Jesus Cristo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio dominical

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cruz fiel e redentora – M. Faria, NRMS, 25

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Monição da Comunhão

 

À mesa da Comunhão, somos convidados a receber o Corpo e Sangue de Cristo. Que este sacramento reforce em nós a proximidade com Deus, renovando a nossa esperança, fortalecendo a nossa fé e animando a nossa caridade.

 

Cântico da Comunhão: Tomai e Comei – J. F. Silva, NRMS, 25

Jo 12, 24-25

Antífona da comunhão: Em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará fruto abundante,

 

Cântico de acção de graças: O cálice de bênção – J. F. Silva, NRMS, 21

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Assim como o grão de trigo que morre para dar fruto, somos chamados a entregar as nossas vidas para seguir o caminho da cruz. Sigamos inspirados a seguir Jesus e, como Ele, possamos a acolher a cruz com confiança e dar a vida por amor.

 

Cântico final: Vós me salvastes Senhor – M. Simões, NRMS, 16

 

 

Homilia FeriaL

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-III: Olhar para o crucifixo.

Num 21, 4-9 / Jo 8, 21-30

Faz uma serpente de bronze e prende-a num poste. Todo aquele que, depois de mordido, olhar para ela, terá a vida salva.

Esta serpente é uma prefigura da Cruz de Cristo no Calvário. Já no Antigo Testamento Deus ordenou a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação como, por exemplo, a serpente de bronze (Leit.).

É muito útil andarmos acompanhados por um crucifixo. Assim, ao aparecer alguma dificuldade ou cansaço, poderemos olhar para o crucifixo e pensar que pequeno é o nosso sofrimento comparado com o dEle, ou pedirmos forças para continuar a nossa tarefa, ou unir-nos à paixão de Cristo, oferecendo os nossos sofrimentos pela salvação das almas.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Nuno Westwood

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilia Ferial: Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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