4.º Domingo dA QUARESMA

10 de Março de 2024

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Alegra-te, Jerusalém – J. P. Martins, CEC I, pg 91

cf. Is 66, 10-11

Antífona de entrada: Alegra-te, Jerusalém; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos vós que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abundância das suas consolações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A nossa experiência acerca das limitações do amor humano –  que se cansa, se desilude e desiste, que tem extrema dificuldade em recomeçar a amizade com o coração aberto, sem preconceitos –, leva-nos a julgar erradamente o amor de Deus para connosco.

Neste 4.º Domingo da Quaresma, o nosso Deus vem fazer-nos uma declaração de Amor, para que nos deixemos abraçar por Ele.

Este render-se ao amor de Deus, pela mudança de vida e de mentalidade, chama-se conversão pessoal. O apelo à conversão generosa é a mensagem que a Liturgia da Palavra deste Domingo nos transmite.

 

Acto penitencial

 

Queremos pedir perdão ao Senhor pela indiferença e desconfiança com que temos correspondido a tanto Amor que Ele tem para connosco. Além da vida natural e sobrenatural e das condições para termos uma vida normal, está continuamente a tentar que sejamos mais felizes, nesta vida e na eternidade, indicando-nos o caminho da conversão pessoal.

Peçamos-Lhe a graça de sermos mais delicados e humildes, sabendo que, sem a Sua ajuda, nada poderemos fazer.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C do Ordinário da Missa)

 

•   Senhor Jesus: No meio das dificuldades que encontramos para viver a fé,

     deixamo-nos vencer pela desconfiança da sinceridade do Vosso Amor.

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

•  Cristo: Temos muita dificuldade em voltar a ser amigos daquelas pessoas

     que, embora sendo amigas, faltaram-nos quando mais precisávamos delas.

     Cristo, misericórdia.

 

     Cristo, misericórdia.

 

•   Senhor Jesus: Muitas vezes nos temos comportado indiferentes convosco,

     apesar da paciência e de muitas provas de amor que nos dais em cada dia.

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de misericórdia, que, pelo vosso Filho, realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Segundo Livro das Crónicas diz-nos que as infidelidades do Povo de Deus o levaram a uma situação insustentável, perdendo a liberdade e a independência.

São as nossas infidelidades ao Senhor que tornam a nossa vida infeliz e nos conduzem a situações dolorosas das quais nos libertamos pela conversão pessoal.

 

2 Crónicas 36,14-16.19-23

 

Naqueles dias, 14odos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusalém. 15O Senhor, Deus de seus pais, desde o princípio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros, pois queria poupar o povo e a sua própria morada. 16Mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas, a tal ponto que deixou de haver remédio, perante a indignação do Senhor contra o seu povo. 19Os caldeus incendiaram o templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém, lançaram fogo aos seus palácios e destruíram todos os objectos preciosos. 20O rei dos caldeus deportou para Babilónia todos os que tinham escapado ao fio da espada; e foram escravos deles e de seus filhos, até que se estabeleceu o reino dos persas. 21Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias: «Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos». 22No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para se cumprir a palavra do Senhor, pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor inspirou Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar, em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: 23«Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele».

 

Esta leitura, extraída do final das Crónicas, é grandemente apropriada ao tempo da Quaresma. Com efeito, os livros dos Paralipómenos («coisas omitidas», na designação dos LXX), ou Crónicas (título hebraico), são uma recapitulação de toda a história da Salvação desde Adão até ao edito de Ciro, em particular da dinastia davídica e da organização do culto. S. Jerónimo chamou-lhes «Chronicon totius divinæ historiæ». Esta recapitulação tem por fim fazer tomar consciência ao povo de que as promessas divinas não caíram no esquecimento de Deus e que as desgraças que se abateram sobre o povo não eram definitivas, mas o justo castigo pela infidelidade dos reis e do povo (vv. 14-16). Assim, o autor (talvez um levita) incitava a gente à conversão, a condição indispensável para de novo se beneficiar do favor divino. A reconstrução do templo favorecida pelo próprio Ciro era um grande sinal de esperança, a garantia de que, a seu tempo, viria o esperado «rebento de David», pois a sua linhagem não tinha sido destruída com o exílio, e ela ali estava no meio deles (1Cr 3,17-24).

Esta recapitulação provoca-nos hoje a também nós fazermos uma revisão da nossa vida e das nossas infidelidades, à luz do «grande amor que Deus nos consagrou». (2.ª leitura) a ponto de que por nós «entregou o seu Filho único» à morte e morte de cruz (Evangelho de hoje).

 

Salmo Responsorial Salmo 136 (137), 1-2.3.4-5.6 (R. 6a)

 

Monição: O Salmista canta a dor amarga do Povo de Deus, exiliado em Babilónia e tratado como escravo pelos seus opressores.

Esta oração pode ser para nós uma manifestação do regresso aos braços amorosos de Deus e a expressão do nosso arrependimento.

 

Refrão:    Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém,

                 fique presa a minha língua.

 

Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar,

com saudades de Sião.

Nos salgueiros das suas margens,

dependurámos nossas harpas.

 

Aqueles que nos levaram cativos

queriam ouvir os nossos cânticos

e os nossos opressores uma canção de alegria:

«Cantai-nos um cântico de Sião».

 

Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor

em terra estrangeira?

Se eu me esquecer de ti, Jerusalém,

esquecida fique a minha mão direita.

 

Apegue-se-me a língua ao paladar,

se não me lembrar de ti,

se não fizer de Jerusalém

a maior das minhas alegrias.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na carta que escreve aos fiéis da Igreja de Éfeso, exalta a misericórdia que Deus teve para connosco, ao perdoar os nossos pecados.

Enchamo-nos de confiança no Senhor e peçamos a Sua ajuda para recomeçarmos o caminho do Céu, nesta Quaresma.

 

Efésios 2,4-10

 

Irmãos: 4Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, 5a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – e com 6Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos Céus com Cristo Jesus, 7para mostrar aos séculos futuros a abundante riqueza da sua graça e da sua bondade para connosco, em Cristo Jesus. 8De facto, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. 9A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar. 10Na verdade, nós somos obra sua, criados em Cristo Jesus, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir.

 

A leitura é extraída da primeira parte do ensino doutrinal da Carta (capítulos 1 a 3), em que o autor se detém a expor o plano divino da salvação (1,3 – 2,22). Nestes vv. 4-10, o autor sagrado põe em evidência «a grande caridade com que nos amou» Deus: a salvação deve-se pura e exclusivamente ao dom gratuito de Deus, por isso insiste: «é pela graça que fostes salvos» (v.5), «a salvação não vem de vós, é dom de Deus» (v. 9). Nunca é demais insistir no primado absoluto da graça divina (cf. Carta Apostólica Novo millennio inneunte, nº 38).

5-6 A obra da salvação inclui a Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus, mistérios dos quais participamos, ao sermos «criados em Cristo Jesus» (v. 10) como membros seus (alusão ao Baptismo: cf. Rom 6); daí os três aoristos de verbos gregos do texto original compostos da preposição «com» (syn): «con-vivificou-nos» («restituiu-nos à vida com Cristo»), «con-ressuscitou-nos» («com Ele nos ressuscitou»), «con-sentou-nos» («nos fez sentar nos Céus com Cristo»), dificilmente traduzíveis em vernáculo.

8-10 «As boas obras… como caminho que devemos seguir»: A salvação não procede das nossas obras nem dos nossos esforços, mas são um caminho indispensável a seguir para que com elas corresponder livremente à graça de Deus. E as nossas boas obras são, antes de mais, obras de Deus, da sua graça que actua em nós.

 

Aclamação ao Evangelho    Jo 3, 16

 

Monição: Acreditemos, de uma vez para sempre, na sinceridade do Amor de Deus para connosco, que aceitou a morte para nos salvar.

Abramos o coração e a inteligência à luz do Evangelho que Ele vai enviar-nos, na proclamação do Evangelho.

 

(escolher um dos 7 refrães)

 

1. Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.

2. Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.

3. Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.

4. Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.

5. Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

6. Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.

7. A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor. Repete-se

 

Cântico: Louvor e glória a Vós – B. Salgado, NRMS, 32

 

Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito:

quem acredita n’Ele tem a vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 3,14-21

 

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14«Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. 18Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. 19E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. 20Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. 21Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.

 

Estamos no contexto do discurso (dialogado) de Jesus a Nicodemos (Jo 3,1-21). As palavras de Jesus foram tão profundamente meditadas que não se pode distinguir onde acabam as palavras de Jesus e onde começa a reflexão do evangelista.

14 «A serpente no deserto». Desde os primeiros tempos da Igreja que a serpente de bronze erguida na haste (Nm 21,4-9) foi considerada, a partir destas palavras de Jesus, como o «tipo», ou figura, da morte de Cristo na Cruz (Pseudo-Barnabé, 12,5-7; S. Justino, Apol. I, 60; Dial. 91; 94; 112; Tertuliano, Adv. Marc. 3, 18). A serpente de bronze, que se diz que era venerada em Jerusalém, foi destruída por Ezequias (2Re 18,4), para evitar o perigo de idolatria. Note-se como o livro da Sabedoria (16,6-7) sublinha que a serpente não era mais do que um «sinal de salvação», que salvava «não porque se contemplava», mas pela virtude de Deus, «Salvador Universal»: salvava através da fé em Deus. Também para que Cristo nos salve com a sua Morte é indispensável acreditar: ter a fé vem a ser a condição de nos ser aplicado o efeito salvífico da Redenção realizada. «Também o Filho do Homem será elevado», na Cruz, entenda-se. S. João joga com os dois sentidos da elevação, na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é então que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13,1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. Jo 7,38; 12,23-24; 17,1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (Jo 12,16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21,4-9; Sb 16,5-15 e o Targum (tradução aramaica), que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus amou tanto o mundo…» Esta frase é um dos pontos culminantes de todo o Evangelho: a morte de Cristo é a suprema manifestação do amor que Deus nos tem; aqui o mundo aparece no sentido positivo de criatura de Deus, noutros lugares de S. João tem o sentido oposto, como obra do maligno (cf. 1Jo 5,19).

17-21 «Deus não enviou o Filho… para condenar o mundo…». O judaísmo dos tempos de Jesus concebia o Messias como um juiz que, antes de mais, vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus ou se lhe opunham. Jesus insiste no amor de Deus ao mundo e no envio do Filho para que este venha a ser salvo e não condenado: o Filho é o «Salvador do mundo» (Jo 4,42). Se há quem se condene, isto só pode suceder porque esse se coloca numa situação de condenação, ao rejeitar o Único que pode salvar: «porque não acreditou no Nome (isto é, na Pessoa) do Filho Unigénito de Deus». Esta é uma situação verdadeiramente dramática – crítica (krisis=juízo) –, bem posta em evidência no IV Evangelho: «quem não acredita já está condenado» (v. 18): o amor de Deus revelado em Jesus é de tal ordem que o homem não se pode alhear, à espera do que possa vir a acontecer-lhe, mas a pessoa é colocada perante um dilema inevitável e urgente; daí que em S. João o juízo de condenação costuma aparecer como algo actual (ver vv. 36; 5,24; 12,31).

 

Sugestões para a homilia

 

• Tempo de regressar

• A misericórdia divina, único remédio

 

1. Tempo de regressar

 

Regressamos ao caminho que devíamos seguir, quando descobrimos que erramos, o aceitamos com humildade e desejamos chegar ao destino que nos tínhamos proposto alcançar.

A Quaresma é o tempo propício de regressarmos ao caminho da intimidade com Deus, saboreando antecipadamente a felicidade que nos espera no Céu. A decisão e os primeiros passos podem ser dolorosos, mas vale a pena.

A infidelidade, caminho para o sofrimento. «Naqueles dias, todos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusalém

A história do Povo de Deus do Antigo Testamento faz incidir a luz sobre a nossa vida e ajuda-nos a explicar o que acontece nos nossos dias.

Ao mesmo tempo, é um forte apelo que o Senhor nos dirige, em ordem à conversão pessoal. Somos nós que abrimos a porta à nossa infelicidade.

A Palavra de Deus é eterna e está sempre a iluminar as circunstâncias concretas em que vivemos. O texto do Segundo Livro das Crónicas parece escrito para os nossos dias.

Nunca os homens tiveram tanta facilidade generalizada de viver, na habitação, nos transportes, na alimentação, nos meios de comunicação com os outros e na medicina. E, no entanto, nunca tantos se envolveram em luta mortal uns contra os outros, tornando o mundo um lugar onde é difícil viver.

Organizam-se grupos os quais, de forma mais velada ou mais descarada, lutam abertamente contra Deus e contra os valores naturais: a vida, a honradez, o respeito pelo próximo e o culto da dignidade pessoal.

Não olhemos este desconforto do mundo como um castigo de Deus, mas como uma infelicidade causada pelas nossas infidelidades. Na verdade, não é Deus Quem castiga aquele que se deixa arrastar pelo pecado – na comida, no álcool, no consumo das drogas e na exploração dos outros – mas somos nós que vamos dando origem a uma situação que se torna insustentável: que danifica a saúde ou o desconforto da vida e da consciência, muitas vezes sem retorno, humanamente considerado.

Não é Deus quem faz as guerras, nem manda as doenças aos que se desmandam na comida, na bebida e noutros excessos. Quando o sofrimento – as drásticas afeções de saúde, com as suas dores e limitações; a instabilidade social; ou o ódio entre as pessoas – desabam sobre as pessoas, e todos sentimos saudades dos tempos de saúde e de paz entre as pessoas.

As pessoas deixam-se convencer facilmente de que está para chegar o momento em que todas as doenças serão curadas e o homem se tornará imortal sobre a terra. E quando, desfeitas estas ilusões, o homem sente a inquietação interior, é Deus a chamá-lo ao bom senso e à alegria da fidelidade.

Deus chama-nos ao caminho certo. «O Senhor, Deus de seus pais, desde o princípio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros, pois queria poupar o povo e a sua própria morada. Mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas, a tal ponto que deixou de haver remédio, perante a indignação do Senhor contra o seu povo

O Senhor escolheu um Povo, libertou-o da escravidão do Egito, fez com Ele uma Aliança de Amor e amparou-o na caminhada do deserto, até lhe dar a Terra que prometera ao Patriarca Abraão. Providenciou-lhe, depois de Moisés e Josué, Juízes e Reis, como seus pastores; enviou-lhes Profetas e defendeu-os nas horas mais difíceis.

No entanto, deformaram e adulteraram a Lei de Deus, encaminharam a vida para um mero culto de exterioridades e vazio de amor e de vida; e acabaram por dar a morte ao Filho de Deus, enviado para nos salvar.

Também hoje, por meio da Igreja – família dos filhos de Deus – o Senhor está continuamente a apontar-nos o caminho certo e a oferecer-nos ajuda para, sendo já felizes nesta vida, chegarmos até junto d’Ele no Céu.

O nosso Deus não está apenas empenhado na nossa salvação eterna, mas em que vivamos felizes também neste mundo. A paz, a alegria e o otimismo perante a vida e a morte são dons concedidos ao cristão fiel.

Apresentar o cristianismo como um “desmancha-prazeres”, como se nossa alternativa fosse servir ao Deus ou ser felizes, é uma mentira cruel. Quando olhamos os rostos das pessoas, não são as que lutam com maiores dificuldades a vencer que nos parecem infelizes, mas as que não aceitam limitações da moral cristã ao seu comportamento.

Depois da vinda de Jesus ao mundo, nunca mais deixou de haver remédio. Em Jesus Cristo está a solução de todos os nossos problemas e o remédio das nossas dores. É necessário, porém, acolhê-lo aceitá-lo. Quando os homens combatem contra a Lei e o Amor de Cristo, ou rejeitam o Seus ensinamentos, combatem e rejeitam a própria felicidade, neste mundo e na vida eterna.

Defesa dos valores cristãos. «Os caldeus incendiaram o templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém. Lançaram fogo aos seus palácios e destruíram todos os objectos preciosos. O rei dos caldeus deportou para Babilónia todos os que tinham escapado ao fio da espada; e foram escravos deles e de seus filhos, até que se estabeleceu o reino dos persas

O que nos diz o livro das Crónicas foi também registado pela história. Depois de muitas infidelidades do Povo de Deus, Nabucodonosor cercou Jerusalém, incendiou e espoliou o Tempo da Cidade Santa e levou os judeus cativos para Babilónia, como escravos, durante setenta anos.

Hoje estamos a assistir a um facto análogo. Aprovam-se leis “fraturantes” opostas aos princípios elementares da moral natural e cristã; dificultam aos cristãos viver a sua fé, depois de terem retirado dos espaços públicos os sinais cristãos.

Há, pois, uma luta do Príncipe das Trevas para destruir os frutos de uma civilização cristã de dois milénios, a pretexto do respeito pelas crenças dos outros, da liberdade e de outras falsas interpretações.

Foram-se amontoando as nossas infidelidades e tibiezas na forma de viver a nossa fé, a justificação dos pecados, dando força progressiva ao Inimigo. Criou-se, por este caminho, um ambiente onde se torna difícil ser cristão, viver as exigências da fé e da moral cristãs.

Não fomos conduzidos ao exílio, sem darmos por isso, por causa das nossas infidelidades? 

A reconstrução da sociedade em que vivemos tem de começar pelo nosso regresso generoso aos caminhos de Deus. Não nos deixemos cair na tentação de esperar que o mundo se torne melhor, para nos santificarmos.

«Um segredo. – Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos. –Deus quer um punhado de homens "seus" em cada atividade humana. Depois, Pax Christi in regno Chrsti. A paz de Cristo no reino de Cristo. (S. Josemaria, Caminho, n.º 301).

Deus não Se cansa de vir em nosso socorro todas as vezes que for preciso, até nos ver felizes, no caminho da Vida. «No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para se cumprir a palavra do Senhor, pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor inspirou Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar, em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: «Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá

Não tenhamos medo de Deus, nem toleremos a nossa indiferença para com Ele, porque é o melhor dos amigos e o melhor dos pais. «Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida em Cristo

 

2. A misericórdia divina, único remédio

 

Com quanta paciência Deus suporta as nossas teimosias, desconfianças e caprichos e nos anima sempre a recomeçar, para que sejamos felizes! O Evangelho está a transbordar destas verdades.

Recorre a todos os recursos do Seu Amor para nos convencer e espera com divina paciência que nos decidamos, no exercício da nossa liberdade, e caminhemos para Ele. «Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna

Deus nunca desiste de nos amar. «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna

Jesus Cristo profere a palavra “mundo” em dois sentidos: o ambiente e as conspirações contra o Seu Reino; e o conjunto de pessoas que Ele vem salvar, pela Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

O mistério da Incarnação é uma proclamação clamorosa do amor do Pai a cada um de nós. Na verdade, um pai só confia um filho durante alguns dias a uma pessoa familiar ou muito amiga e quando lhe merece confiança.

O Pai não Se limitou a confiar-nos o seu Filho Unigénito durante algum tempo, mas deu-no-l’O para nosso Companheiro, Mestre, Amigo e Salvador, para sempre, apesar de saber que O iríamos maltratar. Por mais que demos voltas à imaginação e à inteligência, nunca abarcaremos a grandeza do amor de Deus por nós.

Contra esta verdade luta fundamentalmente o nosso pior Inimigo, tentando levar-nos a desconfiar de Deus, a mantermo-nos a uma distância respeitosa, para que não nos surpreenda com algo que não queremos. Não é verdade que muitas pessoas, mesmo piedosas, se mantêm a vida inteira de pé atrás, cautelosas com Deus, não vá Ele pedir-lhes algo que não querem dar?

Nós cansamo-nos de amar, sobretudo quando não somos correspondidos. Esta experiência humana leva-nos a pensar que o amor de Deus para connosco também enferma desta limitação.

O Pai chama-nos a confiar n’Ele, de tal modo que nos deixemos guiar pela Sua Palavra e o Seu exemplo, porque Ele é o Caminho único para o Céu.

A multiplicação das religiões – dos falsos caminhos – a que o demónio leva os homens é para lhes apresentar, ou um caminho deformado do cristianismo, uma via que não nos põe a seguir os Seus passos com fidelidade; ou a seguir um falso deus.

A Quaresma é um tempo propício para derrubarmos, de uma vez para sempre, o muro da nossa desconfiança para com Deus e nos rendermos ao Seu Amor.

O Pai deseja infinitamente a nossa felicidade. «Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus»

Deus ama-nos infinitamente, mas respeita a nossa liberdade como ninguém no mundo o faz. Este respeito pela nossa liberdade é também um gesto de Amor da Sua parte. Sem prova, como alcançaríamos os louros? É um respeito que não se traduz em indiferença, como tantas vezes acontece connosco, mas em dedicação constante.

 Este Amor com que Deus nos envolve, contudo, não pode ser pretexto para O tratarmos com infidelidade e indiferença.

O Senhor não nos criou para a infelicidade nesta vida e na noutra, mas para participarmos da alegria de sermos Seus filhos, na terra, e na Sua própria felicidade no Paraíso.

Depois do preço que pagou pelo nosso resgate, ainda ousamos duvidar do Seu Amor para connosco e do Seu desejo de nos salvar?

 O que Ele nos pede, e devemos rever nesta Quaresma, é uma correspondência delicada que nos conduz a um amor progressivo. O amor verdadeiro, quando não cresce, não se alimenta de generosidade, morre.

Na nossa condição de mortais míopes, entendemos muitas vezes o Amor como uma condescendência doentia, complacente com os defeitos. Belo exemplo de amor nos dão as mães, em relação aos filhos. Amam-nos como ninguém, mas exigem-lhes sempre mais, para que se desenvolvam. 

Assim faz Deus connosco. Como sabe que o prémio – a felicidade eterna – é proporcional à nossa generosidade na vida presente, pede-nos sempre mais generosidade. 

Este tempo litúrgico tem de ser uma verdadeira Primavera da alma, cheia de flores de bons desejos que vão dar, depois, no outono da vida, frutos de boas obras e virtudes.

Havemos de pedir ao Espírito Santo que nos dê uma sede insaciável de amor generoso para com Deus, de modo que nunca estejamos contentes com o que somos, purificando-nos cada vez mais.

Acreditar em Jesus Cristo é confiar n’Ele – fiar-se d’Ele – deixando-nos conduzir na vida pelos seus ensinamentos.

Nossa Senhora, que conheceu, como ninguém, depois de Jesus, o sentido desta vida na terra, nos ajudará a uma verdadeira conversão nesta caminhada para a Páscoa.

 

Fala o Santo Padre

 

«Quem pratica o mal procura as trevas, o mal esconde-se sempre, cobre-se.

Quem faz a verdade, isto é, pratica o bem, vem à luz, ilumina os caminhos da vida.

É isto que somos chamados a fazer com maior empenho durante a Quaresma: acolher a luz na nossa consciência. […]

Não vos esqueçais que Deus perdoa sempre, sempre, se pedirmos humildemente perdão.»

 

Neste quarto domingo de Quaresma a liturgia eucarística começa com este convite: «Alegra-te, Jerusalém...». (cf. Is 66, 10). Qual é a razão desta alegria? Em plena Quaresma, qual é o motivo desta alegria? O Evangelho de hoje diz-nos: Deus «amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Esta jubilosa mensagem é o coração da fé cristã: o amor de Deus encontrou o seu ápice no dom do seu Filho à humanidade débil e pecadora. Ele doou-nos o seu Filho, a nós, a todos nós.

 

Isto manifesta-se no diálogo noturno entre Jesus e Nicodemos, do qual a própria página do Evangelho descreve uma parte (cf. Jo 3, 14-21). Nicodemos, como qualquer membro do povo de Israel, aguardava o Messias, identificando-o como um homem forte que iria julgar o mundo com poder. Ao contrário, Jesus põe em crise esta expetativa ao apresentar-se sob três aspetos: o do Filho do homem exaltado na cruz; o do Filho de Deus enviado ao mundo para a salvação; e o da luz que distingue quantos seguem a verdade dos que seguem a mentira. Vejamos estes três aspetos: Filho do Homem, Filho de Deus e luz.

 

Jesus apresenta-se antes de mais como o Filho do homem (vv. 14-15). O texto alude à história da serpente de bronze (cf. Nm 21, 4-9) que, pela vontade de Deus, foi levantada por Moisés no deserto quando o povo foi atacado por serpentes venenosas; quem era mordido e olhava para a serpente de bronze ficava curado. Do mesmo modo, Jesus foi levantado na cruz e aqueles que acreditam n’Ele são curados do pecado e vivem.

 

O segundo aspeto é o do Filho de Deus (vv. 16-18). Deus Pai ama os homens ao ponto de “dar” o seu Filho: Ele doou-o na Encarnação e doou-o ao entregá-lo à morte. O propósito do dom de Deus é a vida eterna dos homens: de facto, Deus envia o seu Filho ao mundo não para o condenar, mas para que o mundo possa ser salvo através de Jesus. A missão de Jesus é uma missão de salvação, de salvação para todos.

 

O terceiro nome que Jesus se atribui é “luz” (vv. 19-21). O Evangelho diz: «a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz» (v. 19). A vinda de Jesus ao mundo provoca uma escolha: quem escolhe as trevas enfrenta um julgamento de condenação, quem escolhe a luz terá um julgamento de salvação. O julgamento é sempre a consequência da livre escolha de cada um: quem pratica o mal procura as trevas, o mal esconde-se sempre, cobre-se. Quem faz a verdade, isto é, pratica o bem, vem à luz, ilumina os caminhos da vida. Quem caminha na luz, quem se aproxima da luz, realiza boas obras. A luz leva-nos a praticar boas obras. É isto que somos chamados a fazer com maior empenho durante a Quaresma: acolher a luz na nossa consciência, para abrir os nossos corações ao amor infinito de Deus, à sua misericórdia cheia de ternura e bondade, ao seu perdão. Não vos esqueçais que Deus perdoa sempre, sempre, se pedirmos humildemente perdão. É suficiente pedir perdão, e Ele perdoa. Desta forma, encontraremos a verdadeira alegria e poderemos regozijar-nos com o perdão de Deus que regenera e dá vida.

 

Maria Santíssima nos ajude a não ter medo de nos deixarmos “entrar em crise” por Jesus. É uma crise saudável, para a nossa cura; para que a nossa alegria possa ser plena.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 14 de março de 2021

 

Oração Universal

 

Quando não se faz o segundo escrutínio dos catecúmenos

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Deus amou de tal modo o mundo

que lhe deu o seu Filho Unigénito.

Apoiados no grande amor que Deus nos tem,

oremos pela Igreja e por todos os homens.

Rezemos (cantando), confiadamente:

 

     Renovai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

1. Para que as Igrejas cristãs de todo o mundo

guiadas pelo Espírito do Senhor,

façam penitência e se convertam ao Evangelho,

     oremos confiadamente.

 

     Renovai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

2. Para que este mundo não rejeite os mensageiros,

que Deus lhe envia sem cessar,

e preste ouvidos às palavras dos profetas,

     oremos confiadamente.

 

     Renovai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

1.    Para que neste tempo santo da Quaresma

os cristãos se aproximem mais da luz de Cristo

      e pratiquem o que é bom aos olhos de Deus,

     oremos confiadamente.

 

     Renovai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

4. Para que os pobres, os doentes e os que estão tristes,

ponham toda a sua esperança no Senhor

e acreditem que Jesus veio salvar-nos,

oremos confiadamente.

 

     Renovai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

5. Para que a nossa assembleia dominical

dê graças pelo dom da salvação,

que Deus nos oferece em Jesus Cristo,

     oremos confiadamente.

 

     Renovai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

6. Para que aqueles que preparam com todo o cuidado

     o seu Batismo nesta Páscoa da Ressurreição

     o façam com alegria e generosidade,

     oremos confiadamente.

 

     Renovai-nos, Senhor, no vosso Espírito.

 

Senhor, nosso Deus,

que ouvis as orações dos vossos servos,

afastai as trevas que nos cercam,

fazei brilhar a luz do vosso Filho

e dirigi os nossos corações para a luz da sua Páscoa.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor convida-nos, com insistência, na Mesa a Palavra, a que regressemos ao Seu Amor fiel.

Para que não nos faltem as forças que necessitamos para percorrer este caminho de regresso, vai dar-nos o Seu Corpo e Sangue em Alimento.

 

Cântico do ofertório: Clamai pelo Senhor – M. Luís, CAC, pg 138

 

Oração sobre as oblatas: Ao apresentarmos com alegria estes dons de vida eterna, humildemente Vos pedimos, Senhor, a graça de os celebrar com verdadeira fé e de os oferecer dignamente pela salvação do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. F. Santos – BML, 27

 

Saudação da Paz

 

Quando nos decidirmos a inspirar toda a nossa vida no mandamento Novo do Amor – nos pensamentos, palavras e obras – a paz será possível.

Peçamos ao Senhor que apresse essa hora, pois a ambição dos homens, com as guerras, transforma a terra num lugar de infelicidade.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Da renovação interior que nos pede o Senhor esta Quaresma, a caminho da Páscoa, faz parte a Comunhão Sacramental realizada com fé, delicadeza e amor.

Preparemo-nos para comungar, como se estivéssemos a fazê-lo para a última comunhão da nossa vida.

 

Cântico da Comunhão: Jerusalém, cidade santa – J. Santos, NRMS, 49

Salmo 121, 3-4

Antífona da comunhão: Jerusalém, cidade de Deus, para ti sobem as tribos do Senhor, para celebrar o seu santo nome.

 

Cântico de acção de graças: Provai e vede como o Senhor é bom – J. Santos, NRMS, 1 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, luz de todo o homem que vem a este mundo, iluminai os nossos corações com o esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que Vos é agradável e Vos amemos de todo o coração. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Pensemos um momento: Que nos pede o Senhor para mudarmos na nossa vida e que Lhe estejamos a recusar?

 

Cântico final: Salve ó Cruz – M. Faria, 20 cânticos para a missa

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-III: A renovação pessoal e a da sociedade.

Is 65, 17-21 / Jo 4, 43-54

Olhai que vou criar novos céus e nova terra... Vai haver alegria e júbilo sem fim.

A renovação da face da terra é uma grande promessa (Leit.). Jesus, por exemplo, contribuiu para esta renovação, ressuscitando o filho do funcionário real (Ev.).

Esta renovação consiste em sair do pecado e das suas consequências, em que se encontra a humanidade; em abandonar as coisas velhas, feitas de lágrimas, aflições, morte (Leit.). A Quaresma é um tempo adequado para levarmos a cabo esta renovação pessoal, evitando o pecado. E também para levarmos a cabo a renovação da sociedade. Rezemos: Vinde ó Espírito Santo e renovareis a face da terra. Contribuiremos com a nossa renovação.

 

3ª Feira, 12-III: Os poderes da água viva.

Ez 47, 1-9 / Jo 5, 1-3. 6-16

É que, aonde chegar, a água tornará tudo são, e haverá vida em todo o lugar que o rio atingir.

Desde o princípio do mundo a água, embora sendo uma criatura humilde, é fonte de vida e fertilidade. A Sagrada Escritura, ao ver que o Espírito Santo paira sobre as águas, dá-lhe um novo relevo: é o que se verifica na profecia de Ezequiel (Leit.).

Com a vinda de Jesus, a água adquire um poder medicinal, curativo (Ev.). Passa a ser água viva, da qual Jesus fala à Samaritana, com a paixão e morte de Cristo: «O sangue e água, que manaram do lado aberto do Crucificado, são tipos do Batismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova» (CIC, 1225).

 

4ª Feira, 13-III: A comunicação da vida sobrenatural.

Is 49, 8-15 / Jo 5, 17-30

Tal como o Pai ressuscita dos mortos e os faz viver, assim o Filho faz viver aqueles que entende.

Deus amou de tal modo o mundo, que lhe entregou o seu Filho único, para que tivéssemos vida sobrenatural. E o seu amor por nós é mais forte do que o de uma mãe para com os seus filhos (Leit.).

Para nos conceder a vida sobrenatural dá-nos os alimentos adequados (Leit.), concretizados na Palavra de Deus: «quem ouve a minha palavra tem a vida eterna» (Ev.). Comunica-nos igualmente a sua vida, especialmente através dos Sacramentos, «obras primas de deus, na nova e eterna Aliança» (CIC, 116).

 

5ª feira, 14-III: As intercessões de Moisés e de Jesus.

Ex 32, 7-14 / Jo 6, 31-47

Moisés: Deixai cair a vossa ardente indignação, renunciai ao castigo que quereis dar ao vosso povo.

Depois do terrível acto de adoração do bezerro de ouro (Leit.), Moisés tornou-se um poderoso intercessor diante de Deus, para salvar o povo, que o Senhor lhe tinha confiado.

Agora, o intercessor é Cristo, «que se ofereceu ao Pai, uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da Cruz, para realizar a favor dos homens uma redenção eterna. Ele quis deixar à Igreja um sacrifício visível, perpetuando a sua memória até ao fim dos séculos aplicando a sua eficácia salvífica à remissão dos pecados que nós cometemos cada dia» (CIC, 1366).

 

6ª Feira, 15-III: A cooperação na Paixão de Cristo.

Sab 2, 1. 12-22 / Jo 7, 1-2. 10. 25-30

Se esse justo é filho de Deus, Deus estará a seu lado. Condenemo-lo a morte infame, pois ele diz que será socorrido.

Estes pensamentos dos ímpios (Leit.) são uma profecia do que viria a acontecer na paixão de Cristo: «os judeus procuravam dar-lhe a morte» (Ev.).

O Senhor aceitou livremente a sua paixão e morte, para cumprir a vontade do Pai e por amor dos homens, a quem o Pai quer salvar. Todos nós beneficiamos dos méritos da sua Paixão e, ao mesmo tempo, somos chamados a associar-nos ao seu sacrifício. O mesmo aconteceu com sua Mãe, embora em sumo grau. Ela ficou associada mais intimamente do que ninguém ao mistério do sacrifício redentor do Filho.

 

Sábado, 16-III: O Cordeiro Pascal.

Jer 11, 18-20 / Jo 7, 40-53

Eu era como dócil cordeiro levado ao matadouro, sem saber da conjura que teciam contra mim.

Foi João Baptista que aplicou a Jesus esta profecia do 'Cordeiro de Deus'. Com efeito, Jesus é, ao mesmo tempo, o servo sofredor, que se deixa levar ao matadouro (Leit.) sem dizer qualquer palavra e carregando sobre os seus ombros os pecados de todos, e o Cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa.

A morte de Cristo na Cruz é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal por meio do Cordeiro que tira o pecado do mundo, e o sacrifício da Nova Aliança, que restabelece a comunhão entre Deus e os homens.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Fernando Silva

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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