3.º Domingo dA QUARESMA

3 de Março de 2024

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Os meus olhos estão sempre fixos no Senhor – M. Faria, BML, 50

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Aqui reunidos, agradecemos ao Senhor mais uma semana com o nosso trabalho, com os nossos anseios, com o dever de gratidão por tudo o que nos concede. Pedimos-Lhe que venha mais uma vez ao nosso encontro a fim de nos dar coragem para continuarmos a cumprir a missão que nos confiou.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Pratiquemos o que o Senhor ordena nos Mandamentos para cumprirmos sempre a Sua vontade.

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

*Forma longa: Êxodo 20,1-17                        Forma breve: Êxodo 20,1-3.7-8.12-17

1Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras: 2«Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravidão. 3Não terás outros deuses perante Mim. [4Não farás para ti qualquer imagem esculpida, nem figura do que existe lá no alto dos céus ou cá em baixo na terra ou nas águas debaixo da terra. 5Não adorarás outros deuses nem lhes prestarás culto. Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cioso: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem; 6mas uso de misericórdia até à milésima geração para com aqueles que Me amam e guardam os meus mandamentos.] 7Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não deixa sem castigo aquele que invoca o seu nome em vão. 8Lembrar-te-ás do dia de sábado, para o santificares. [9Durante seis dias trabalharás e levarás a cabo todas as tuas tarefas. 10Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo nem a tua serva, nem os teus animais domésticos, nem o estrangeiro que vive na tua cidade. 11Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso, o Senhor abençoou e consagrou o dia de sábado.] Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar. 12Não matarás. 13Não cometerás adultério. 14Não furtarás. 15Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. 16Não cobiçarás a casa do teu próximo; 17não desejarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença».

 

Temos na leitura o Decálogo, uma palavra grega – «Dez Palavras» – segundo o nome que é dado aos Dez Mandamentos (cf. Ex 34,28; Dt 4,13; 10,4). Com efeito, na origem, seriam 10 breves sentenças lapidares (como: «não matarás», «não furtarás»…), que vieram a receber desenvolvimentos explicativos inspirados. Aparece no contexto da teofania do Monte Sinai, como Palavras da Aliança (Ex 34,28). Em Dt 5,6-21 temos uma formulação muito semelhante. O Decálogo constitui o núcleo de toda a moral bíblica, para o qual Jesus apela (Lc 18,20) e que Ele completa e leva à perfeição (Mt 5,17-48). Vem a ser a expressão revelada da Lei escrita no coração de todos os homens, a lei natural (cf. Rom 2,12-15); todos os preceitos desta lei moral se podem ver incluídos mais ou menos claramente no Decálogo. A sua distribuição por 10 não tem sido feita sempre do mesmo modo: quando o 1º mandamento é desdobrado em dois («adorar um só Deus» e «não esculpir imagens»: vv. 3 e 4), então o 9º e o 10º são englobados num só; a divisão do 1º é a seguida pelos judeus e por algumas confissões cristãs (como os calvinistas), ao passo que a divisão do último é a adoptada pelos católicos e luteranos (desde Sto. Agostinho), tendo em conta o texto de Dt 5,21, onde se usam dois verbos diferentes, um para «não desejarás» (ló thahmór) a mulher do próximo e outro para «não cobiçarás» (ló thith’avvéh) as suas coisas.

As várias formulações cristãs do Decálogo que há nos catecismos têm em conta, por um lado, o progresso da Revelação, que culminou nos ensinamentos do Novo Testamento; por outro, a caducidade daquilo que não passava de prescrições cultuais próprias dum povo e duma cultura. Assim, o 1º mandamento, que se limitava a proibir a idolatria – «não terás outros deuses» (v. 3) –, é formulado positivamente «amarás» –, segundo o ensino de Jesus (cf. Mt 22,37par). No v. 4 nós suprimimos «não farás qualquer imagem…», pois a proibição de fazer imagens é considerada uma lei meramente ritual, própria da cultura daquele povo, com vistas a evitar o perigo de induzir à magia e idolatria (no entanto, para a própria Arca da Aliança, estavam prescritas duas imagens de Querubins: Ex 25,18). Também a determinação do «Sábado» como o dia a guardar (v. 8) é actualizada, tendo em conta que o 1º dia da semana passou a ser «o dia do Senhor» (Apoc 1,10), já celebrado nos tempos apostólicos (cf. Act 20,7; 1Cor 16,2); com efeito, a determinação do dia da semana não pertence à lei moral, mas ao culto antigo, que foi abolido (cf. Hebr 10,9-10) com o Sacrifício Redentor de Cristo, o novo Templo (cf. Evangelho de hoje: Jo 2,19-21). Por outro lado, os nossos catecismos dizem, para o 6º mandamento: «guardar castidade nas palavras e nas obras» (os espanhóis dizem «não cometerás actos impuros»), em vez de «não cometerás adultério» (v. 13), pois Jesus Cristo não se limitou a condenar o adultério; a revelação cristã fala da castidade como a perfeita regulação da faculdade generativa (cf. Mt 5,8.27-32; 1Tes 4,3-5; 1Cor 6,5.19-20; 1Tim 5,22). Também para o 9º mandamento não dizemos «não desejarás a mulher do teu próximo» (v. 17), mas, de acordo com os ensinamentos de Jesus, que põe em pé de igualdade homem e mulher (cf. Mt 19,9) e ensina a castidade como uma afirmação positiva e em toda a sua extensão, a partir da rectidão interior, do coração (cf. Mt 5,8.28-30), nós dizemos «guardar castidade nos pensamentos e nos desejos».

2 «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei... dessa casa da escravidão». À maneira dos antigos pactos hititas (na época de Moisés os hititas acabavam de se afastar da Palestina), que começavam com um prólogo histórico, a justificar a imposição das obrigações ao povo vencido, também o Decálogo é introduzido com uma referência histórica. Mas aqui as cláusulas não se fundamentam na derrota do povo, mas num facto salvífico gratuito, procedente do amor do Senhor: a libertação da escravidão do Egipto. As prescrições da Lei aparecem como a expressão de uma aliança (cf. Dt 5,2-3), que não é um pacto para manter um vencido sob controlo e domínio despótico, mas é um vínculo de amor com que Deus assegura a união com Ele, a liberdade e a bênção (cf. Salmo responsorial), àqueles que constituiu em seu Povo (cf. Ex 19,6). É por isso que transgredir a Lei não é uma mera indisciplina jurídica, é dizer não ao próprio Deus, ao seu Amor, é romper a Aliança, «pecar contra o Céu» (cf. Lc 15,18). A Lei de Deus é, como diz a Carta de S. Tiago «a lei perfeita, a lei da liberdade» (Tg 1,25), para que o homem possa encontrar o verdadeiro sentido da sua vida; orienta-o para a verdade e para o bem, fazendo render ao máximo as suas capacidades.

8-11 Note-se que o preceito sabático não inclui qualquer acto religioso de culto; é o próprio descanso que aparece com valor cultual. Neste preceito está implícita a obrigação de trabalhar, pois só o trabalho justifica que se imponha a lei do descanso; o apelo para o trabalho de Deus (v. 11) também sugere a dignidade do trabalho do homem como cooperação com a obra criadora de Deus.

 

Salmo Responsorial Salmo 18 (19), 8.9.10.11 (R. Jo 6, 68c)

 

Monição: Como é bom cumprir a Lei do Senhor, pois sentimos a alegria em nosso coração!

 

Refrão:    Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna.

 

A lei do Senhor é perfeita,

ela reconforta a alma;

as ordens do Senhor são firmes,

dão sabedoria aos simples.

 

Os preceitos do Senhor são rectos

e alegram o coração;

os mandamentos do Senhor são claros

e iluminam os olhos.

 

O temor do Senhor é puro

e permanece para sempre;

os juízos do Senhor são verdadeiros,

todos eles são rectos.

 

São mais preciosos que o ouro,

o ouro mais fino;

são mais doces que o mel,

o puro mel dos favos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Nós, cristãos, seguimos a Cristo que deu a vida por nós, pregado na Cruz.

 

1 Coríntios 1,22-25

Irmãos: 22Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria. 23Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; 24mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus. 25Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

 

A leitura é um pequeno trecho da primeira parte da Carta (1Cor 1,10 – 6,20) onde S. Paulo começa por corrigir as divisões que havia na comunidade (1,10 – 4,21), uns grupinhos à volta do prestígio e da eloquência dos diversos pregadores do Evangelho (Paulo, Apolo, Cefas…), havendo cristãos que, fascinados pela sabedoria humana – a dos «judeus» e a dos «gregos» –, corriam o risco de esquecer ou desvirtuar a autêntica sabedoria do Cristo, que os salvou pela Cruz. De facto, o centro da mensagem do cristianismo é particularmente chocante, porque é a pregação da salvação pela Cruz: Cristo crucificado era um «escândalo para os judeus», que esperavam um messias espectacular, glorioso e vencedor dos inimigos e, por outro lado, constituía uma «loucura para os gentios», ciosos de retórica empolada e lisonjeira das vis paixões. «A sabedoria de Deus» é a loucura do seu incompreensível infinito amor, incompatível com a soberba auto-suficiente tanto das expectativas messiânicas judaicas, como do racionalismo grego.

 

Aclamação ao Evangelho    Jo 3, 16

 

Monição: Jesus, como tinha anunciado, ressuscitou ao terceiro dia. Unidos a Ele, com Ele viveremos para sempre.

 

Cântico: Louvor a Vós Rei da eterna glória – M. Simões, NRMS, 1 (I)

 

Deus amou tanto o mundo

que lhe deu o seu Filho Unigénito;

quem acredita n’Ele tem a vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 2,13-25

13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; 16e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». 17Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». 18Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?» 19Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». 20Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?» 21Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. 22Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus dissera. 24Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos 25e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem.

 

Este episódio deverá ser o mesmo relatado pelos Sinópticos, mas com um profundo simbolismo. O actuar de Jesus é à maneira das acções simbólicas dos antigos profetas e não se destina tanto a punir transgressores (os vendilhões actuariam legalmente e de boa fé), como a mostrar a sua suprema autoridade na «Casa de meu Pai» (v. 16) e a veicular ensinamentos que ficassem gravados para sempre. Em S. João, Jesus aparece a cumprir o anunciado no Salmo 69(68),10, e o seu gesto visa, mais que purificar, substituir o templo de Jerusalém com todo o seu complexo sistema de comunicação com Deus. Só João refere a expulsão de ovelhas e bois, deixando assim ver que os animais deixam de ter sentido no novo culto centrado, a partir de agora, na pessoa de Jesus. Também se pode ver neste episódio o cumprimento da célebre profecia de Malaquias (3,1-3); e, se «o Mensageiro da Aliança» (v. 1) designa Yahwéh (como muitos pensam), então teríamos aqui um «deraxe cristológico», isto é, uma aplicação a Jesus do que se diz do próprio Deus no A. T., uma forma subtil de indicar a condição divina de Jesus.

13 «Subiu a Jerusalém». A ida a Jerusalém sempre se chamava uma subida, por a cidade se encontrar nas montanhas de Judá, a mais de 750 metros acima do nível do mar. Era a primeira ida de Jesus à capital, durante a sua vida pública por ocasião da Páscoa.

19 «Destruí este templo…» As palavras do Senhor encerram um sentido misterioso que só a reflexão posterior – «recordaram-se» (v. 22) instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo espírito da Verdade (Dei Verbum 19) – permitiu captar; contêm uma maneira de exprimir o mistério da Incarnação, ao designarem o Corpo de Jesus como um templo em que Deus habita (cf. Col 2,9). Para os inimigos de Jesus esta afirmação era passível da pena de morte: Mt 26,61; Mc 14,58; ver Mt 27,40; Mc 15,29; Act 6,14.

19 «Eu o levantarei». Dado o sentido figurado das palavras de Jesus, João não põe na boca de Jesus «o reconstruirei». Note-se que quem protesta da atitude de Jesus não são os comerciantes, mas «os judeus», aqui provavelmente dirigentes pertencentes ao sinédrio (cf. Mc 11,28), que viam usurpada a sua autoridade de velar pela ordem do Templo; a verdade é que todos julgavam permitida a venda de animais para os sacrifícios no átrio exterior, o dos gentios (o nosso adro). Jesus mostra uma autoridade bem superior.

20 «Foram precisos 46 anos…» Esta referência é interessante para a cronologia evangélica. A primeira Páscoa da vida pública de Jesus corresponderia, de acordo com Lc 3,1, ao ano 28 da nossa era, uma vez que o templo, ainda em obras, começara a ser reedificado por Herodes, o Grande, havia 46 anos. Ora, segundo Flávio Josefo, isto deu-se no ano 18 do seu reinado, isto é, no ano 20/19 a. C. Sendo assim, a Páscoa da Morte de Jesus teria sido a do ano 30, quando Ele andaria pelos 37 anos.

 

Sugestões para a homilia

 

Jesus está connosco

Escutemos Jesus

Vivamos no amor de Jesus

 

Jesus está connosco

Durante a vida que o Senhor nos concede queremos transformá-la em oração.

Quando trabalhamos, queremos imitar Jesus na ajuda a Seu pai adotivo, São José, contribuindo para o progresso da humanidade.

Quando descansamos, aproveitamos para contemplarmos a natureza, agradecendo ao Criador que tudo nos oferece para O termos sempre presente.

Quando convivemos uns com os outros, sentimos o Senhor connosco pois Ele afirmou: «onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, ali estou no meio deles» ( Mt 18-20 ) .

Quando vimos à igreja para participar na Santa Missa, é o Senhor que nos acolhe, nos fala e se nos oferece na Sagrada Comunhão.

Ele chamou-nos hoje mais uma vez, aceitando-nos como somos: com as nossas fragilidades mas também com o propósito de O amarmos com todo o nosso coração.

 

Escutemos Jesus

Na primeira Leitura que escutámos, o Senhor diz-nos para cumprirmos os Seus mandamentos.

Os governantes impõem tantas e tantas leis nos diversos países… A lei do Senhor é bem simples: amar o Senhor com todo o coração e amar o próximo no Seu Amor.

Quem dera que a humanidade escutasse este apelo do Senhor! Se tal acontecesse, as pessoas afastariam a violência para se respeitarem mutuamente; deixariam de odiar para viverem no Amor; diriam não à guerra para alcançarmos o dom da paz.

Houve, antes de nós, homens maus que oprimiram, perseguiram e mataram milhões de pessoas inocentes. Acabaram a sua vida na terra, cheios de remorsos, raiva e desespero.

Mas também houve, no passado, pessoas que se esqueceram de si para servirem os outros, acompanhando-os na tristeza, na dor e na alegria.

Procuremos também nós viver assim. A vida no mundo é tão breve! Aproveitemo-la para praticar o bem.

Vivamos no amor de Jesus

Escutemos o Senhor. Observemos os Seus ensinamentos. Cumpramos a Sua vontade.

Sentir-nos-emos livres pois afastamos as seduções do demónio que não nos desviará do reto caminho.

 Sentir-nos-emos com coragem para dizermos às mulheres e aos homens de todo o mundo que procurem conviver na diversidade e com a ajuda fraterna.

Sentir-nos-emos contentes ao vermos as crianças com a sua inocência e candura, revelando-nos a beleza e a ternura de Deus.

Sentir-nos-emos felizes, esperando serenamente o dia em que tudo voltará a ser bom.

Jesus ama-nos com amor sublime, dando a vida por nós na Cruz. ( Segunda Leitura). Ressuscitou glorioso na manhã do domingo de Páscoa ( Evangelho ).

Se estivermos com Ele na vida acreditamos que, na hora da morte, nos virá buscar para com Ele vivermos eternamente felizes no Céu. Lá nos esperam os que praticaram o bem, os santos; lá nos esperam os que invisivelmente nos acompanharam, os anjos; lá nos espera a nossa Mãe, a Virgem Santa Maria.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«Como Jesus não tolerou que a casa de seu Pai se tornasse um mercado,

assim deseja que o nosso coração não seja um lugar de turbulência, desordem e confusão.

O coração deve ser limpo, posto em ordem, purificado. De quê?

Das falsidades que o sujam, das simulações da hipocrisia. Todos nós as temos.»

São Paulo lembrou-nos que «Cristo é poder e sabedoria de Deus» (1 Cor 1, 24). Jesus revelou este poder e esta sabedoria sobretudo através da misericórdia e do perdão. Não o quis fazer com demonstrações de força ou impondo do alto a sua voz, nem com longos discursos ou exibições de ciência incomparável. Fê-lo dando a sua vida na cruz. Revelou a sua sabedoria e poder divino mostrando-nos, até ao fim, a fidelidade do amor do Pai; a fidelidade do Deus da Aliança, que fez sair o seu povo da escravidão e guiou-o pelo caminho da liberdade (cf. Ex 20, 1-2).

Como é fácil cair na armadilha de pensar que temos de demonstrar aos outros que somos fortes, que somos sábios; na armadilha de construirmos imagens falsas de Deus, que nos deem segurança (cf. Ex 20, 4-5)! Na realidade, é o contrário. Todos nós precisamos do poder e da sabedoria de Deus revelada por Jesus na cruz. No Calvário, ofereceu ao Pai as feridas pelas quais fomos curados (cf. 1 Ped 2, 24). Aqui, no Iraque, quantos dos vossos irmãos e irmãs, amigos e concidadãos carregam as feridas da guerra e da violência, feridas visíveis e invisíveis! A tentação é responder a estes e outros factos dolorosos com uma força humana, com uma sabedoria humana. Jesus, ao contrário, mostra-nos o caminho de Deus, aquele que Ele mesmo percorreu e por onde nos chama a segui-Lo.

No Evangelho que acabamos de escutar (Jo 2, 13-25), vemos como Jesus expulsou do Templo de Jerusalém os cambistas e todos os que compravam e vendiam. Porque é que Jesus realizou este ato tão forte, tão provocador? Fê-lo porque o Pai O enviou para purificar o templo: não só aquele de pedra, mas sobretudo o do nosso coração. Como Jesus não tolerou que a casa de seu Pai se tornasse um mercado (cf. Jo 2, 16), assim deseja que o nosso coração não seja um lugar de turbulência, desordem e confusão. O coração deve ser limpo, posto em ordem, purificado. De quê? Das falsidades que o sujam, das simulações da hipocrisia. Todos nós as temos. São doenças que fazem mal ao coração, que mancham a vida, tornam-na hipócrita. Precisamos de ser purificados das nossas seguranças falaciosas, que trocam a fé em Deus pelas coisas que passam, pelas conveniências do momento. Precisamos que sejam varridas do nosso coração e da Igreja as nefastas sugestões do poder e do dinheiro. Para limpar o coração, precisamos de sujar as mãos: sentirmo-nos responsáveis e não ficarmos parados enquanto sofrem o irmão e a irmã. Mas como purificar o coração? Sozinhos, não somos capazes; temos necessidade de Jesus. Ele tem o poder de vencer os nossos males, curar as nossas doenças, restaurar o templo do nosso coração.

Para confirmação disto mesmo e como sinal da sua autoridade, disse: «Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei» (2, 19). Jesus Cristo, e só Ele, pode purificar-nos das obras do mal, Ele que morreu e ressuscitou, Ele que é o Senhor! Queridos irmãos e irmãs, Deus não nos deixa morrer no nosso pecado. Mesmo quando Lhe voltamos as costas, nunca nos abandona a nós próprios. Procura-nos, vai atrás de nós para nos chamar ao arrependimento e purificar. «Por minha vida – diz o Senhor pela boca de Ezequiel –, não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim na sua conversão a fim de que tenha a vida» (33, 11). O Senhor quer que sejamos salvos e nos tornemos templo vivo do seu amor, na fraternidade, no serviço e na misericórdia.

Jesus não só nos purifica dos nossos pecados, mas torna-nos também participantes do seu próprio poder e sabedoria. Liberta-nos de um modo de entender a fé, a família, a comunidade que divide, contrapõe e exclui, para podermos construir uma Igreja e uma sociedade abertas a todos e solícitas pelos nossos irmãos e irmãs mais necessitados. E ao mesmo tempo revigora-nos para sabermos resistir à tentação de procurar vingança, que nos mergulha numa espiral de retaliações sem fim. Com a força do Espírito Santo, envia-nos, não para fazer proselitismo, mas como seus discípulos missionários, homens e mulheres chamados a testemunhar que o Evangelho tem o poder de mudar a vida. O Ressuscitado torna-nos instrumentos da paz de Deus e da sua misericórdia, artífices pacientes e corajosos duma nova ordem social. Assim, pela força de Cristo e do seu Espírito, acontece o que o apóstolo Paulo profetiza aos Coríntios: «O que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens e, o que é tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens» (1 Cor 1, 25). Comunidades cristãs formadas por pessoas humildes e simples tornam-se sinal do Reino que vem, Reino de amor, justiça e paz.

«Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei» (Jo 2, 19). Falava do templo do seu corpo e, por conseguinte, também da sua Igreja. O Senhor promete que pode, com o poder da sua Ressurreição, fazer-nos ressurgir a nós e às nossas comunidades das ruínas causadas pela injustiça, a divisão e o ódio. É a promessa que celebramos nesta Eucaristia. Com os olhos da fé, reconhecemos a presença do Senhor crucificado e ressuscitado no meio de nós, aprendemos a acolher a sua sabedoria libertadora, a repousar nas suas chagas e a encontrar cura e força para servir o seu Reino que vem ao nosso mundo. Pelas suas feridas, fomos curados (cf. 1 Ped 2, 24); nas suas chagas, amados irmãos e irmãs, encontramos o bálsamo do seu amor misericordioso; porque Ele, Bom Samaritano da humanidade, deseja ungir cada ferida, curar cada recordação dolorosa e inspirar um futuro de paz e fraternidade nesta terra.

A Igreja no Iraque, com a graça de Deus, fez e continua a fazer muito para proclamar esta sabedoria maravilhosa da cruz, espalhando a misericórdia e o perdão de Cristo especialmente junto dos mais necessitados. Mesmo no meio de grande pobreza e tantas dificuldades, muitos de vós oferecestes generosamente ajuda concreta e solidariedade aos pobres e atribulados. Este é um dos motivos que me impeliu a vir em peregrinação até junto de vós, ou seja, para vos agradecer e confirmar na fé e no testemunho. Hoje, posso ver e tocar com a mão que a Igreja no Iraque está viva, que Cristo vive e age neste seu povo santo e fiel.

Amados irmãos e irmãs, confio cada um de vós, as vossas famílias e as vossas comunidades à proteção materna da Virgem Maria, que foi associada à paixão e à morte do seu Filho e participou na alegria da sua ressurreição. Interceda por nós e nos conduza até Ele, poder e sabedoria de Deus.

Papa Francisco, Homilia, Estádio Franso Hariri, Iraque, 7 de março de 2021

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Escutai Senhor, a nossa oração.

 

1.    Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Sacerdotes, Diáconos,

Religiosos, Seminaristas, Catequistas e Leigos

que no mundo são testemunho da sua fé,

oremos.

 

2.    Pelas crianças que oferecem ternura e encanto,

pelos adolescentes que aprofundam o seu amor a Jesus

e pelos jovens que sonham com um mundo melhor,

oremos.

 

3.    Pelos cristãos de toda a terra

que na família e na sociedade

vivem o mandamento do Amor,

oremos.

 

4.    Pelos pobres, pelos marginalizados e abandonados

que necessitam da nossa ajuda e companhia

para viverem com a dignidade merecida,

oremos.  

 

5.    Pelos doentes e todos os que sofrem,

e pelos que cuidam deles

com proximidade e dedicação,

oremos.

 

6.    Pelos familiares e amigos falecidos

e pelos que partiram à frente para a a casa do Pai

onde os esperamos encontrar um dia,

 oremos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-Vos atender estas súplicas

e, por intercessão da Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por Cristo Nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Caminho pelo deserto – J. Santos, NRMS, 69

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor que deu a vida por nós mas ressuscitou glorioso, vem ao nosso encontro. Se estamos devidamente preparados, recebamo-l´Ó na Sagrada Comunhão. Com Ele, que bom é viver!

 

Cântico da Comunhão: Amai como Eu vos amei – J. Santos, NRMS, 87

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Cântico de acção de graças: Como o veado – B. Salgado/M. Simões, NRMS, 38

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradecemos ao Senhor e suplicámos a Sua bênção. Agora, com a Virgem Santa Maria, partimos alegres e confiantes na certeza de que Ele nos acompanha para darmos testemunho da Sua Doutrina no mundo em que vivemos.

 

Cântico final: É dura a caminhada – M. Faria, NRMS, 06

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-III: A vontade de Deus e os seus frutos.

2 Reis 5, 1-15 / Lc 4, 24-30

Vai banhar-te e ficarás purificado. Então Ele (Naamã) desceu e mergulhou sete vezes no Jordão e ficou purificado.

As Leituras de hoje referem o milagre da cura de Naamã. E isto foi possível porque, embora ele ao princípio se tenha recusado a obedecer, depois rectificou e ficou curado (Leit.).

Não nos esqueçamos que todos nós fomos igualmente curados porque Cristo entregou a sua vida no Calvário para ficarmos limpos. S. Paulo recorda que, no Baptismo, mergulhamos na água, morremos para o pecado, saímos da água e ressuscitamos com Cristo. Na oração do Jardim das Oliveiras, Jesus conforma-se totalmente com a vontade do Pai e é em virtude desta mesma vontade, que fomos santificados.

 

3ª Feira, 5-III: A misericórdia de Deus e o perdão do próximo.

Dan 3, 25. 34-43 / Mt 18, 21-25

Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa brandura e a vossa misericórdia.

Sabemos que os nossos pecados, por muito numerosos e grandes que sejam, recebem o perdão graças à misericórdia de Deus (Leit. e Ev).

Também temos que ser misericordiosos e perdoar os pecados dos outros, na vida familiar e social. «Como é grande a necessidade do perdão e da reconciliação no mundo de hoje, nas nossas comunidades e família, no nosso próprio coração!» (João Paulo II). Além disso, se não perdoarmos de todo o coração aos nossos irmãos, o nosso coração endurecerá e tornar-se-á impenetrável ao amor misericordioso de Deus.

 

4ª Feira, 6-III: A Sabedoria e os mandamentos.

Deut 4, 1. 5-9 / Mt 5, 17-19

Mas aquele que os praticar e ensinar (os mandamentos) será tido como grande no reino dos Céus.

Moisés pede ao povo, em nome de Deus, que cumpra as leis e os preceitos do Senhor, ao entrar na terra prometida, e que os ensinem aos seus descendentes (educação familiar). Assim darão um grande exemplo aos povos vizinhos (Leit.)

Quem cumpre aos mandamentos adquire a sabedoria e encara os acontecimentos com os 'olhos de Deus', com visão sobrenatural. E, ao contrario do que muitos pensam, os preceitos de Deus são justos e muito melhores do que quaisquer outros. E finalmente são a chave que abre a porta de entrada na vida eterna (Leit.).

 

5ª Feira, 7-III: A Palavra de Deus e a nossa felicidade.

Jer 7, 23-28 / Lc 11, 14-23

Escutai a minha voz: Segui inteiramente o caminho que vou traçar-vos, a fim de serdes felizes. Mas eles não ouviram nem prestaram atenção.

Jesus dirige a sua palavra aos homens, indicando-lhes o caminho da felicidade. E, para aqueles que se afastam do caminho, oferece a sua vida para resgatá-los.

Por vezes, a nossa resposta à sua palavra consiste em fechar o nosso coração, arranjando as mais variadas desculpas: Pensemos que o Senhor nos fala através da sua Palavra, contida nas Escrituras, das pessoas e dos acontecimentos de cada dia. Procuremos estar mais atentos: «Escutai hoje a voz do Senhor» (S. Resp.). E imitemos Nossa Senhora, que meditava e conservava todas as coisas no seu coração.

 

6ª Feira, 8-III: Correspondência ao amor de Deus.

Os  14, 2-10 / Mc 12, 28-34

Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua mente e com todas as tuas forças.

O profeta Oseias pede ao povo de Israel que volte para Deus, que não se alie a outros povos poderosos, que tenha confiança no Senhor (Leit.). Deus compromete-se a ajudar: «amá-los-ei generosamente». Rezemos para que o novo povo de Deus oiça a palavra de Deus: «escuta a minha voz» (S. Resp.).

Jesus confirma que é necessário amar a Deus sobre todas coisas e com todo o empenho (Ev.). Para correspondermos cada vez melhor «procuremos ir olhando sempre para os seus favores, porque nos despertam para amá-lo» (Sta. Teresa de Ávila).

 

Sábado, 9-III: Os sacrifícios agradáveis a Deus.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-14

Pois eu quero o amor, e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.

As palavras do Profeta concordam inteiramente com as palavras de Jesus na parábola (Ev.). O fariseu orgulhava-se de oferecer vários sacrifícios e o publicano manifestava humildemente o seu amor, através da contrição.

Mas, não haverá sacrifícios agradáveis a Deus? «Todas as actividades (dos leigos), orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres, se vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida, se pacientemente suportadas, tudo se transforma em sacrifício espiritual agradável a Deus» (CIC, 901).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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