2.º Domingo dA QUARESMA

25 de Fevereiro de 2024

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: No tempo favorável que nos dais – M. Faria (20 cânticos), IC, pg 934

Salmo 26, 8-9

Antífona de entrada: Diz-me o coração: «Procurai a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto.

 

Ou

cf. Salmo 24, 6.3.22

Lembrai-vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na Santa Missa encontramo-nos com Jesus. Não podemos vê-Lo como os Apóstolos no Monte Tabor, mas podemos participar da sua alegria, sabendo que iremos contemplá-Lo face a face no Céu. A quaresma anima-nos nesta caminhada para o céu, na luta mais empenhada pela santidade.

 

 Vamos examinar a nossa alma e purificá-la pelo arrependimento, com o desejo de acudir ao sacramento da penitência.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus pôs à prova Abraão pedindo-lhe o sacrifício do seu filho único tanto tempo esperado. O santo patriarca é para nós modelo de obediência à vontade de Deus. O sacrifício de Isaac é figura do sacrifício de Cristo, que iria realizar-se no mesmo lugar.

 

Génesis 22,1-2.9a.10-13.15-18

 

1Naqueles dias, Deus quis pôr à prova Abraão e chamou-o: «Abraão!» Ele respondeu: «Aqui estou». 2Deus disse: «Toma o teu filho, o teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à terra de Moriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar. 9aQuando chegaram ao local designado por Deus, Abraão levantou um altar e colocou a lenha sobre ele. 10Depois, estendendo a mão, puxou do cutelo para degolar o filho. 11Mas o Anjo do Senhor gritou-lhe do alto do Céu: «Abraão, Abraão!» «Aqui estou, Senhor», respondeu ele. 12O Anjo prosseguiu: «Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum. Agora sei que na verdade temes a Deus, uma vez que não Me recusaste o teu filho, o teu filho único». 13Abraão ergueu os olhos e viu atrás de si um carneiro, preso pelos chifres num silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em vez do filho. 15O Anjo do Senhor chamou Abraão do Céu pela segunda vez 16e disse-lhe: «Por Mim próprio te juro – oráculo do Senhor – já que assim procedeste e não Me recusaste o teu filho, o teu filho único, 17abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar, e a tua descendência conquistará as portas das cidades inimigas. 18Porque obedeceste à minha voz, na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra».

 

Como observa The New Jerome Biblical Commentary, p 25, «esta história é uma obra-prima, ao apresentar Deus como o Senhor cujas exigências são absolutas, cuja vontade é inescrutável e cuja palavra final é benevolência. Abraão deixa ver a grandeza moral do fundador de Israel, em face de Deus, ao querer obedecer à palavra de Deus em toda a sua misteriosa severidade. Não há aqui as volúveis evasivas de Abraão (cf. cap. 13 e 21); ele mantém-se silenciosamente confiado e obediente».

1 «Deus quis pôr à prova Abraão». Deus não podia pretender a morte de Isaac (cf. v. 12), fazendo com que Abraão seguisse os bárbaros costumes cananeus; apenas quer «pôr à prova», isto é, aquilatar a fé, a obediência e o amor do seu eleito. Não se pense que esta prova era disparatada. Com efeito, inseria-se nos hábitos selvagens da religião cananeia, como se conta em 2Re 3,27: Mesa, rei de Moab, imolou o filho herdeiro para obter do seu deus Kemóx a libertação da sua cidade atacada pelos israelitas. E não poderia Deus ter para com Abraão uma exigência desta natureza? No entanto, a ordem divina era, humanamente vistas as coisas, simplesmente absurda: não era certo que Deus lhe prometera uma enorme descendência a partir de Isaac? Até este ponto chega a fé de Abraão: o mesmo Deus que lhe dera milagrosamente o filho tinha pleno direito de lho exigir e, se quisesse manter a sua promessa, podia vir a restituir-lho vivo (cf. Hebr 11,19). Pode ver-se, a propósito, o belo comentário do Catecismo da Igreja Católica, nº 2572.

9 «Colocou a lenha sobre ele». Os Padres viram no sacrifício de Isaac, entregue à morte pelo seu próprio pai e carregando às costas a lenha do sacrifício, uma figura de Cristo, levando a cruz para o monte Calvário, o novo monte Moriá do sacrifício da Nova Lei (segundo se diz em 2Cr 3,1, o Templo erguia-se neste monte). Deus, que poupou o filho de Abraão, «não poupou o seu próprio Filho»! (Rom 8,32: cf. 2.ª leitura).

 

Salmo Responsorial Sl 115(116), 10-15,16-17, 18-19

 

Monição: Este salmo lembra-nos que temos de oferecer a nossa vida de cada dia com as suas penas e alegrias em sacrifício ao Senhor.

 

Refrão:     Andarei na presença do Senhor

                 sobre a terra dos vivos.

 

Ou:           Caminharei na terra dos vivos

na presença do Senhor.

 

Confiei no Senhor, mesmo quando disse:

«Sou um homem de todo infeliz».

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

 

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

 

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor

na presença de todo o povo,

nos átrios da casa do Senhor,

dentro dos teus muros, Jerusalém.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo fala-nos da nossa confiança em Deus, que não falta nunca em nossas tribulações.

 

Romanos 8, 31b-34

Irmãos: 31bSe Deus está por nós, quem estará contra nós? 32Deus, que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não havia de nos dar, com Ele, todas as coisas? 33Quem acusará os eleitos de Deus? Deus, que os justifica? E quem os condenará? 34Cristo Jesus, que morreu, e mais ainda, que ressuscitou e que está à direita de Deus e intercede por nós?

 

A leitura foi escolhida pela provável referência ao sacrifício de Isaac relatado na 1.ª leitura: Deus, que poupara o filho de Abraão, não poupa à morte o seu próprio Filho: «Deus não poupou o seu próprio Filho» (v. 32). É a máxima prova do amor de Deus para connosco (cf. Jo 3,16), e o máximo motivo da nossa esperança. A esperança não nos pode jamais vir a deixar confundidos (Rom 5,5): eis até que ponto «Deus está por nós (v. 31)! Repare-se na expressiva insistência – três vezes neste pequenino trecho –, «por nós». Chamamos a atenção para o facto de que S. Paulo, ao falar assim, não quer dizer que o Pai desejava a morte do seu Filho (Abraão também não a desejava!), mas adopta uma linguagem impressionante para falar do misterioso dom do seu Filho para vir realizar a obra da nossa salvação, à custa da sua própria vida; longe de nós imaginar Deus Pai a descarregar a sua ira sobre o seu Filho para tirar vingança dos nossos pecados, como alguém poderia pensar.

34 «Quem os condenará?» Pela parte de Deus, infinitamente fiel, misericordioso e poderoso, podemos estar seguros da salvação: a esperança é certa e firme. No entanto, pela nossa parte, temos que trabalhar pela nossa salvação «com temor e tremor» (Filp 2,12), dado que temos a possibilidade de não corresponder à graça de Deus, usando mal a liberdade, acabando por vir a ser desclassificados ou condenados (cf. 1Cor 9,25-27).

 

Aclamação ao Evangelho   

 

Monição: Jesus transfigura-Se no cimo do monte Tabor enchendo de alegria os Apóstolos e preparando-os para o escândalo da Paixão.

Ele é o Filho muito amado do Pai. Aclamemo-Lo e escutemo-Lo com fé e atenção.

 

 

Cântico: Louvor e glória a Vós, J. Santos, NRMS, 40

 

No meio da nuvem luminosa, ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9,2-10

Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. 3As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. 4Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 5Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». 6Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. 7Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». 8De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. 9Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. 10Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

 

A cena da Transfiguração situa-se nos inícios da segunda parte do Evangelho de Marcos. A primeira parte (Mc 1,1 – 8,29) parece querer ser a resposta à incompreensão das pessoas que se interrogam – «quem é este homem?» – sem atinarem com a resposta certa, culminando com a confissão de Pedro: «Tu és o Cristo!» (8,29). Mas perante a revelação da natureza da obra messiânica de Jesus, que passa pela aparente derrota da Paixão e da Cruz, surge a incompreensão dos próprios discípulos, a começar pelo próprio Pedro (8,31-33). É assim que a visão antecipada da glória do Messias na Transfiguração serve de correctivo para aqueles que ficaram confundidos com o primeiro anúncio da Cruz como meio de salvação (8,31 – 9,1). Para nós, é também uma visão antecipada da vinda gloriosa de Cristo, a encher-nos de esperança (cf. Filp 3,21). A Transfiguração do Senhor nada tem a ver com os mitos gregos das metamorfoses. O próprio S. Lucas, melhor conhecedor da cultura grega, teve o escrupuloso cuidado de evitar o verbo grego usado por S. Marcos – metamorfôthê, transfigurou-Se – substituindo-o por um circunlóquio: «ao rezar, ficou outro o aspecto do seu rosto». Nos mistérios gregos, chegava-se progressivamente à transformação da natureza – a metamorfose –, através duma iniciação mistagógica, ao passo que esta transfiguração de Jesus foi repentina e passageira, uma manifestação do que Jesus já era antes.

2 Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gal 2, 9) particularmente firmes, também testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mc 14,33), diríamos, uma espécie de núcleo duro dos Doze. «A um alto monte»: Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré, segundo uma antiga tradição já referida por Orígenes. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes. «E transfigurou-Se diante deles»: o acontecimento é descrito, não como uma visão, mas como uma epifania, pois foi Ele mesmo a «manifestar» a sua própria glória divina, enquanto estava com eles. O facto deveras notável não foi tanto a visão de Moisés e Elias, mas a da glória de Jesus.

3 «As vestes… resplandecentes…» S. Marcos não faz referência ao rosto de Jesus que ficou brilhante como o Sol (Mt 17,2). O Evangelista não precisava de pormenorizar mais, pois a referência da brancura sobrenatural das vestes era o suficiente para que o leitor tomasse consciência da personalidade celestial de Jesus (cf. Dan 7,9; Act 1,10; Apoc 3,4-5; 4,4; 7,9).

4 «Moisés e Elias». A sua presença à volta de Jesus deixa ver como a Lei e os Profetas convergem para Ele, uma vez que tinham preparado e anunciado a sua vinda. A própria tradição rabínica falava de Moisés como precursor do Messias, e Malaquias anunciara a vinda de Elias nos tempos messiânicos (Mal 3,23).

5-7 «Três tendas». Assim se prestava Pedro a facilitar que se prolongasse aquele êxtase paradisíaco. Fala de três e não de um único refúgio, tendo em conta a desigual dignidade de cada uma das pessoas. «Não sabia o que dizia»: Pedro, tomado de assombro, pensa em categorias de um messianismo glorioso e pretende que aquela situação extraordinária se prolongue e mantenha, totalmente alheado da realidade do dia a dia. «Veio então uma nuvem»: mas esta não era uma resposta à sugestão de Pedro para construir um abrigo; a nuvem – a tenda de Deus (cf. 2Sam 22,12; Salm 18(17),12), que cobriu e envolveu Jesus «com a sua sombra» –, era sobretudo um sinal bíblico da presença de Deus, que simultaneamente O revelava e O ocultava (cf. Ex 13,22; 19,9; 24,15-16; 33,9; Lv 16,2; Nm 9,15-23; 11,25). De acordo com Lc 9,32, este prodígio deve-se ter verificado de noite, enquanto o Senhor fazia oração (Lc 9,29). Mas não consta que Jesus se tenha elevado, levitando no ar, como O pintou Rafael. «Este é o meu Filho». Com estas palavras a cena atinge o apogeu: a voz vinda do Céu é mais uma confirmação divina da anterior confissão da fé de Pedro (Mc 8,29). S. Tomás comenta: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa». «Escutai-O!», assim comenta Bento XVI: «No monte Sinai, Moisés tinha recebido a Toráh, a palavra com o ensinamento de Deus. Agora, referindo-se a Jesus, é-nos dito: «ouvi-O». Hartmut Gese comentou esta cena com sagaz propriedade: “Jesus tornou-se a própria Palavra divina da revelação. Os Evangelhos não podem apresentar isto de modo mais claro e majestoso: Jesus é a própria Toráh”. E assim terminou a aparição; o seu significado mais profundo está resumido nesta última palavra. Os discípulos devem voltar a descer com Jesus e aprender sempre de novo: “Ouvi-O”» (Jesus de Nazaré, p. 392)

9 «Ordenou-lhes que não contassem…» Esta ordem pertence à chamada disciplina do segredo messiânico – a que Marcos dá especial ênfase pela preocupação teológica de fazer ressaltar a incompreensão perante Jesus, a ser superada pelos seus só após a glória da Ressurreição –, visa evitar possíveis agitações populares, que só contribuiriam, para perturbar e dificultar a missão de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

1) Toma o teu filho e vai à terra de Moriá

2) Se Deus está por nós

3) Este é o Meu Filho muito amado

 

 

1) Toma o teu filho e vai à terra de Moriá

 

 Abraão aparece na Bíblia como modelo de fé e obediência à vontade de Deus. Não tinha filhos quando Deus o chamou aos 75 anos e lhe prometeu fazer dele o pai dum grande povo. Teve de esperar mais 25 anos até que nascesse Isaac, pelo qual Deus iria realizar a Sua promessa. Agora que o menino tinha já 13 anos Deus pede-lhe que o vá sacrificar no monte Moriá, onde hoje é Jerusalém.

Abraão obedece à ordem de Deus e quando está para matar o filho o anjo diz-lhe para parar, que Deus está contente com a sua obediência. O Senhor confirma a promessa de fazer dele o pai dum povo numeroso como as estrelas do céu e como as areias das praias do mar e que dele viria o Messias por quem seriam abençoadas todas as nações da terra.

Naquele monte, 1.800 anos mais tarde Jesus iria oferecer-se em sacrifício no madeiro da cruz, mostrando o amor que Deus nos tem, infinitamente maior que o de Abraão. O sacrifício de Isaac tornou-se figura do sacrifício do Filho Unigénito de Deus.

Temos de pôr o Senhor em primeiro lugar em nossa vida, dispostos a sacrificar tudo por Seu amor. Como fez Abraão e como fizeram tantos mártires ao longo dos séculos.  Como fazem hoje muitos cristãos em muitos países onde são perseguidos ou forçados a converter-se ao islamismo.

Habitualmente esta valentia temos de mostrá-la em vencer a preguiça para nos levantarmos a horas, para fazer com calma a nossa oração, para realizar com amor aquele trabalho que nos custa, para sorrir para o marido ou para a esposa, para cortar com decisão aquele programa de televisão que não é recomendável. É o heroísmo diário que Deus nos pede e nos enche de alegria.

S.Josemaria pôs numa sala da sede central do Opus Dei em Roma esta frase escrita na parede e repetida três vezes.” Vale la pena” (Vale a pena). E quando lhe perguntavam porque a repetia lembrava: é que nem assim nos convencemos que vale apena amar a Deus, sacrificar-nos por Ele, fazer por dá-Lo a conhecer aos outros.

 

2) Se Deus está por nós

 

Se amamos a Deus encontramos a segurança e a alegria no meio das dificuldades de cada jornada. Poderemos repetir com S.Paulo: “Se Deus está por nós quem estará contra nós?”.

Se amamos a Deus cumprindo a Sua vontade ninguém poderá fazer-nos mal. Procuremos esta segurança, crescendo na amizade com Ele, esforçando-nos por cumprir perfeitamente o que nos manda.

A Quaresma é para nós tempo de conversão, sabermos ver o que nos afasta de Deus e nos rouba a verdadeira alegria e arrancá-lo com decisão. A única desgraça que nos pode acontecer em cada dia é o pecado, porque nos afasta de Deus.

Andaremos contentes mesmo no meio das penas e problemas de cada dia porque sabemos que somos filhos de Deus e que Ele está atento às nossas necessidades e até os cabelos da nossa cabeça tem contados.

Ao transfigurar-se no Monte Tabor Jesus quer também mostrar-nos a riqueza que trazemos em nós, a graça divina que nos transforma em Deus, que nos diviniza e nos torna verdadeiramente filhos de Deus.

 

3)  Este é o Meu Filho muito amado

 

O segundo domingo da Quaresma anima-nos com a cena da transfiguração no Monte Tabor, lembrando-nos que se formos valentes no sacrifício nos espera no Céu a maravilha da visão de Deus face a face. Vê-Lo-emos como Ele é e teremos a alegria plena que nos fará transbordar de felicidade.

Jesus quis preparar aqueles três apóstolos para o escândalo da Paixão e morte. Para os ajudar a vencer a desorientação dessas horas terríveis da prisão e do Calvário, mostrando-lhes a Sua glória e a Sua divindade. Ele é o Senhor da vida e da morte e irá sujeitar-se ao sofrimento e à crucifixão por Sua livre vontade. Ao descer do monte recomenda-lhes para não contarem a ninguém até que ressuscite dos mortos.

O Pai do Céu manifesta-Se, proclamando a divindade de Jesus: Este é o Meu Filho muito amado, escutai-O.

Avivemos a nossa fé em Jesus. Nestes dias da Quaresma olhemos para Ele na Sua Paixão e admiremos esse amor sem limites que O leva a sujeitar-Se a tantos tormentos e a morte infamante para nos resgatar do pecado. S.Paulo exclamava: “Ele amou-me e entregou-se à morte por mim”( Gal 2,20).

É muito bonita a devoção da Via Sacra. O Papa S.João Paulo II tinha o costume de fazê-la todas as sextas feiras, não só na Quaresma mas durante todo o ano. Na sexta feira santa, uma semana antes de morrer, acompanhou do seu quarto a Via Sacra do Coliseu de Roma. Impressionou-nos a imagem do papa com um grande crucifixo nas mãos, que a televisão transmitiu para todo o mundo.

 Saibamos olhar os nossos sofrimentos à luz da Paixão de Cristo. O sofrimento não é uma desgraça. A única desgraça é o pecado. Dele é que devemos fugir.

Saibamos praticar a mortificação voluntária como a Virgem pediu em Fátima.

Hoje os médicos encarregam-se de nos impor sacrifícios, porque são necessários para a saúde do corpo. Podemos oferecê-los a Jesus e fazer muitos mais noutras situações da vida. Os melhores são os que nos levam a cumprir bem os nossos deveres, a fazer bem a oração, a tornar a vida agradável aos outros.

Podemos com eles mostrar o nosso amor a Deus, crescer na santidade e ajudar à conversão de muitas pessoas. Em Fátima Nossa Senhora dizia aos pastorinhos: “Vão muitas almas para o inferno por não haver quem ofereça sacrifícios e reze por elas” (Memórias da Irmã Lúcia I, p.168 (Torres Novas 1987).

 

Fala o Santo Padre

 

«É bom estar com o Senhor no monte, viver a “antecipação” da luz no centro da Quaresma.

É um convite a recordar-nos, especialmente quando passamos por uma provação difícil que o Senhor ressuscitou

e não permite que as trevas tenham a última palavra.»

Este segundo Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar a transfiguração de Jesus no monte, diante de três dos seus discípulos (cf. Mc 9, 2-10). Pouco antes, Jesus tinha anunciado que em Jerusalém sofreria muito, seria rejeitado e condenado à morte. Então podemos imaginar o que deve ter acontecido no coração dos seus amigos, daqueles amigos íntimos, dos seus discípulos: a imagem de um Messias forte e triunfante é posta em crise, os seus sonhos são destruídos, e são tomados pela angústia diante do pensamento de que o Mestre em quem tinham acreditado seria morto como o pior dos malfeitores. E precisamente naquele momento, com a angústia da alma, Jesus chama Pedro, Tiago e João, e leva-os consigo para o monte.

 

O Evangelho diz: «Conduziu-os ao monte» (v. 2). Na Bíblia, o monte tem sempre um significado especial: é o lugar elevado, onde o céu e a terra se tocam, onde Moisés e os profetas tiveram a extraordinária experiência do encontro com Deus. Subir ao monte significa aproximar-se um pouco de Deus. Jesus sobe com os três discípulos e param no cimo do monte. Ali, Ele transfigura-se diante deles. O seu rosto radiante e as suas vestes resplandecentes, que antecipam a imagem do Ressuscitado, oferecem àqueles homens assustados a luz, a luz da esperança, a luz para atravessar as trevas: a morte não será o fim de tudo, porque se abrirá para a glória da Ressurreição. Assim, Jesus anuncia a sua morte, leva-os ao monte e mostra-lhes o que acontecerá depois, a Ressurreição.

 

Como exclamou o apóstolo Pedro (cf. v. 5), é bom estar com o Senhor no monte, viver a “antecipação” da luz no centro da Quaresma. É um convite a recordar-nos, especialmente quando passamos por uma provação difícil - e muitos de vós sabeis o que significa passar por uma provação difícil - que o Senhor ressuscitou e não permite que as trevas tenham a última palavra.

 

Às vezes acontece que passamos por momentos de escuridão na vida pessoal, familiar ou social, e temos medo que não haja uma saída. Sentimo-nos apavorados perante os grandes enigmas, como a doença, a dor inocente ou o mistério da morte. No mesmo caminho de fé, tropeçamos frequentemente face ao escândalo da cruz e às exigências do Evangelho, que nos pede para dedicar a vida ao serviço e para a perder no amor, em vez de a guardar para nós próprios e de a defender. Então, precisamos de outro olhar, de uma luz que ilumine profundamente o mistério da vida e nos ajude a superar os nossos esquemas e os critérios deste mundo. Também nós somos chamados a subir ao monte, a contemplar a beleza do Ressuscitado que acende centelhas de luz em cada fragmento da nossa vida, ajudando-nos a interpretar a história a partir da vitória pascal.

 

Mas tenhamos cuidado: o sentimento de Pedro, de que «é bom para nós estar aqui», não deve tornar-se preguiça espiritual. Não podemos permanecer no monte e desfrutar sozinhos da bem-aventurança deste encontro. É o próprio Jesus que nos reconduz ao vale, entre os nossos irmãos e irmãs, à vida quotidiana. Devemos evitar a preguiça espiritual: estamos bem com as nossas orações e liturgias, e para nós isto é suficiente. Não! Subir ao monte não quer dizer esquecer a realidade; rezar nunca significa evitar as dificuldades da vida; a luz da fé não serve para uma boa emoção espiritual. Não, esta não é a mensagem de Jesus! Somos chamados a experimentar o encontro com Cristo para que, iluminados pela sua luz, possamos propagá-la e fazê-la resplandecer em toda a parte. Acender pequenas luzes no coração das pessoas; ser pequenas lâmpadas do Evangelho que transmitem um pouco de amor e esperança: esta é a missão do cristão!

 

Oremos a Maria Santíssima, a fim de que nos ajude a receber com admiração a luz de Cristo, a preservá-la e a partilhá-la.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 28 de fevereiro de 2021

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos, apresentemos ao Senhor os nossos pedidos por nós, por toda a Igreja e por todos os homens. Digamos:

 

Atendei Senhor as nossas súplicas

1-Pelo Santo Padre Francisco

para que o Senhor o encha da Sua sabedoria e fortaleza,

para guiar a Sua Igreja, oremos, irmãos.

 Atendei Senhor as nossas súplicas.

 

2-Pelos bispos e sacerdotes

para que preguem com valentia a Jesus Crucificado

e nos animem a cumprir fielmente os mandamentos de Deus, oremos, irmãos.

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

3-Por todos os cristãos

para que, nesta Quaresma, renovem a sua fé e o seu amor a Jesus,

com obras e em verdade, oremos, irmãos.

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

4-Pelos irmãos separados

para que Deus lhes dê luz abundante na busca da unidade

numa só Igreja e num só pastor, oremos, irmãos.

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

5-Por todos os homens afastados de Deus

para que conheçam e sigam a Jesus Salvador,

o único que pode dar sentido às suas vidas, oremos, irmãos.

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

6-Para que nesta Quaresma

aumente o amor ao sacramento da Penitência em todos os sacerdotes

e também em todos os cristãos, oremos, irmãos.

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

 Senhor, ouvi as súplicas que Vos apresentamos e aumentai em nós o desejo de pedir mais e de agradecer melhor as vossas graças.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que conVosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Jesus tomou consigo – C. Silva, OC pg 145

 

Oração sobre as oblatas: Esta oblação, Senhor, lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A transfiguração do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Depois de anunciar aos discípulos a sua morte, manifestou-lhes no monte santo o esplendor da sua glória, para mostrar, com o testemunho da Lei e dos Profetas, que pela sua paixão alcançaria a glória da ressurreição.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. Cartageno – ENPL, 15

 

Rito da paz

Mais unidos a Jesus na Eucaristia temos de ficar mais unidos a todos à nossa volta.

 

Monição da Comunhão

 

Jesus mostra-nos o Seu amor na Cruz. Mostra-o também na Eucaristia, dando-Se a nós como alimento. Acolhamo-Lo cheios de fé e digamos-Lhe que ansiamos contemplar o Seu rosto.

 

Cântico da Comunhão: Habitarei para sempre – C. Silva, OC pg

Mt 17, 5

Antífona da comunhão: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Cântico de acção de graças: Sois o meu refúgio – M. Simões, NRMS, 29

 

Oração depois da comunhão: Alimentados nestes gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Se cumprimos fielmente a vontade de Deus seremos felizes e tornaremos os outros felizes ao nosso redor

 

Cântico final:  A Cruz fizera – J. F. Silva, NRMS, 29

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 26-II: Viver a misericórdia.

Dan 9, 4-10 / Lc 6, 36-38

Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.

Para sermos misericordiosos, como Jesus nos pede (Ev.), precisamos, em primeiro lugar, de reconhecer que somos pecadores como os demais. Assim o lembra Daniel: «Nós pecámos, deixámos os vossos mandamentos e as vossas leis» (Leit.). Deste modo, seremos mais compreensivos com os defeitos do próximo. Depois, recebamos o sacramento da misericórdia regularmente, que nos ajudará a sermos igualmente misericordiosos.

Lembremo-nos do Coração Sacratíssimo de Jesus. Peçamos-lhe que nos conceda um coração à medida do dEle, para que todas as criaturas encontrem um lugar no nosso coração.

 

3ª Feira, 27-II: A conversão e as boas obras.

Is 1, 1-10. 16-20

Fazei e observai tudo quanto vos disserem mas não procedais segundo as suas obras, pois eles dizem e não fazem.

Jesus, o Mestre divino, começou primeiro a fazer e, só depois, a ensinar. Por isso, contrasta com a actuação dos fariseus e dos escribas (Leit.). Estes impunham um fardo pesado, que eles não carregavam, e Jesus carrega com os nossos pecados sobre os ombros.

A nossa conversão interior deve ser acompanhada pelas boas obras pois, caso contrário, os nossos propósitos serão estéreis. É necessária uma prática de aprendizagem: «Aprendei a fazer o bem» (Leit.). Embora o mais importante seja conversão do coração, esta deve ser acompanhada por sinais visíveis, gestos e obras de penitência.

 

4ª Feira, 28-II: Quaresma e serviço à sociedade.

Jer 18, 18-20 / Mt 20, 17-28

Eles hão-de condená-lo à morte, para que o escarneçam, açoitem e crucifiquem.

As Leituras falam-nos das conjuras contra o profeta Jeremias (Leit.), e contra Jesus (Ev.). Estas actuações continuam a verificar-se nos nossos dias, pois os adversários de Deus atacam a Igreja e as suas instituições, pagando o bem com o mal, como fizeram contra o profeta Jeremias e Nosso Senhor.

Esquecem que os ensinamentos de Cristo têm como finalidade tornar a sociedade mais digna: «O Filho do homem veio para servir e dar a vida por todos» (Ev.). Do mesmo modo, todos os cristãos são chamados a prestar um serviço à sociedade, cumprindo muito bem os seus deveres cívicos.

 

5ª Feira, 29-II: Os benefícios da Cruz.

Jer 17, 5-10 / Lc 16, 19-31

Filho, lembra-te que recebestes os teus benefícios durante a  vida, tal como Lázaro os infortúnios E, agora aqui ele é consolado, ao passo que tu és atormentado.

O homem rico da parábola, bem como os seus cinco irmãos (Ev.), nunca se lembraram de Deus nem dos pobres. Confiaram somente nos bens materiais, afastando o seu coração de Deus (Leit.) E nós, em quem pomos a nossa confiança? «Feliz de quem confia no Senhor. É semelhante a uma árvore plantada à beira da água» (Leit. e S. Resp.).

A Cruz, depois de Cristo a ter abraçado, passou a ser o símbolo da vitória, a ter o sinal mais. Porque, como diz Jesus, quem sofre os infortúnios aqui, por amor de Deus, receberá consolações na outra vida. E, quem só tem benefícios aqui, já não receberá depois mais nada.

 

6ª Feira, 1-III: O acolhimento de Jesus.

Gen 3- 4, 12-13. 17-28 / Mt 21, 33-43. 45-46

Mas, ao verem o filho, os agricultores disseram entre si: este é o herdeiro. Vamos matá-lo.

Esta parábola dos agricultores pode aplicar-se também a José (Leit.), a quem os irmãos pretenderam matar e acabaram por vender como escravo. Mas aplica-se especialmente ao próprio Jesus.

Ele foi enviado à terra para nos salvar, viveu a nossa vida, ensinou os caminhos para a vida eterna, curou muitos doentes, etc. E, em troca, recebeu uma cruz. Temos uma boa ocasião para lutarmos mais decididamente e evitarmos os nossos pecados e vermos como O acolhemos na Comunhão, nos tempos de trabalho, nas contrariedades, na oração, etc.

 

Sábado, 2-III: A misericórdia de Deus e as nossas misérias.

Miq 7, 14-16. 18-20 / Lc 15, 1-3. 11-32

Qual o deus semelhante a vós, que tira o pecado e perdoa o delito, o Deus que se compraz em ser compassivo?

Este retrato de Deus do profeta Miqueias (Leit.), coincide perfeitamente com o traçado na parábola do filho pródigo, ou do pai misericordioso (Ev.).

Em vez de ficarmos tristes com os nossos pecados, recorramos à misericórdia de Deus: «O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do filho pródigo, cujo centro é o pai misericordioso: a miséria extrema, o arrependimento e a decisão de se declarar culpado, o caminho do regresso; o acolhimento generoso por parte do pai: eis alguns aspectos do processo de conversão» (CIC, 1439).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Celestino Correia

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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