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O MELHOR TEMPO

 

 

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

Queixamo-nos do nosso tempo, mas que tempo foi melhor do que o nosso? Que tempo foi menos violento e respeitador dos direitos humanos? Que tempo mais piedoso? E em que tempo os seus contemporâneos não se queixaram dele? Que melhor tempo do que o «tempo cristão», apesar de todas as nossas infidelidades, se delas nos arrependermos e nos empenharmos sinceramente em retificar?

O tempo que mais conta é o da nossa vida. Procuremos enchê-lo de caridade. Sofremos? Mas o que é para nós uma felicidade que não inclua a dor? De facto, de que são feitos os momentos, e até vidas inteiras, a que chamamos felizes, senão tempo de «satisfações», tão frágeis e passageiras! As penas, as insatisfações, afinal, fazem parte da nossa vida terrena, pessoal e coletiva, e por elas tomamos consciência dos grandes anseios do nosso coração. Sem problemas, sem insatisfações, não sabemos nem podemos viver.

Tal é a nossa condição humana, e Deus - na Sua infinita Felicidade - quis assumir as limitações da nossa natureza para nos salvar! Grande mistério do Amor!

Se a vida humana é um contínuo «prélio», como seremos felizes sem essas limitações e anseios? Aqui na Terra, ninguém teve tal experiência. Só a teremos quando formos envolvidos para sempre no amor de Deus, com a elevação sobrenatural da nossa natureza e partilhando a felicidade divina.

Por isso, o tempo quaresmal, de confissão das nossas culpas e de penitência, é, antes de mais, tempo de reconhecermos a nossa própria condição de filhos de Deus, e a pena, o remorso de termos procurado tantas vezes sobretudo a mera «felicidade» temporal, tão ridícula em comparação com a felicidade eterna por que anseia, no fundo, a nossa alma, e para a qual fomos criados e redimidos!

Nesta altura quaresmal, o «mea-culpa» torna-se festivo, porque é o primeiro passo para o «aleluia». Tempo de perdoar e a pedir perdão aos nossos semelhantes e de lhes desejar todos os bens possíveis nesta vida e na vida eterna, agradecendo a Nosso Senhor os inúmeros benefícios e tão grandes graças que recebemos.

Procuremos identificar-nos com o seu Sagrado Coração, lembrando-nos de que, por cada um de nós, Nosso Senhor Se ofereceu ao Pai no Calvário.

Bons tempos são os da fé, da esperança e da caridade.

 

 

 

 

        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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