aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

SÍNODO

Vaticano sublinha caráter «reservado» dos trabalhos

Decorreu, de 4 a 29 de outubro, a primeira sessão da XVI assembleia sinodal.

Pablo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação, disse em 28 de setembro aos jornalistas, em conferência de imprensa, que o Sínodo é “um momento de discernimento comunitário”, convidando a valorizar mais o consenso obtido do que as intervenções individuais.

Os trabalhos desta sessão apresentaram uma síntese do discernimento sobre esta fase, abrindo caminho para o encontro de outubro de 2024, convocado pelo Papa.

A assembleia foi precedida por um retiro, para os participantes, orientado pelo padre Timothy Radcliffe e a madre Maria Ignazia Angelini, monja da Abadia de Viboldone (Itália)

A assembleia sinodal teve momentos reservados aos participantes, sem a presença de jornalistas. Alguns momentos de abertura de reuniões gerais, dedicadas ao debate, e tempos de oração, foram, porém, transmitidos.

Pablo Ruffini falou da assembleia sinodal como um “momento de discernimento comum na fé”, que considerou um tempo “único e sagrado, que implica o respeito pelo silêncio”.

Sendo “espaço protegido para a conversa”, rejeitou a ideia de que os trabalhos estivessem sujeitos ao “segredo pontifício”.

Já o Papa, na viagem de regresso, da Mongólia tinha afirmado aos jornalistas que seria um Sínodo “abertíssimo”, com a ajuda de uma comissão para a comunicação.

A sessão sinodal foi precedida por uma vigília ecuménica na Praça de S. Pedro. O programa das três semanas de assembleia começou com a Missa, presidida pelo Papa, a 4 de outubro. Incluiu uma peregrinação a 12 de outubro, uma oração pelos migrantes e refugiados a 19 de outubro, e a recitação do Rosário nos jardins do Vaticano, a 25 de outubro.

Os trabalhos em volta de cinco pontos, sobre as quatro partes do instrumento de trabalho, prepararam o debate conclusivo.

As reflexões desenvolveram-se em 35 grupos de trabalho linguístico (círculos menores), constituídos por 11 pessoas e um “facilitador”, incluindo um grupo de língua portuguesa.

Aos 365 votante, juntaram-se, sem direito a voto, 12 representantes de outras igrejas e comunidades cristãs (delegados fraternos), oito convidados especiais e colaboradores da Secretaria-Geral do Sínodo.

Outras 57 pessoas, entre elas 20 mulheres, participaram como peritos, à semelhança do que aconteceu no passado, sem direito a voto.

Esta sessão teve como tema: “Para uma Igreja sinodal, comunhão, participação, missão”.

 

 

O Papa apelou ao compromisso político dos católicos

No dia 22 de outubro, o Papa Francisco, falando para cerca de 30 mil pessoas reunidas na Praça de S. Pedro, apelou ao compromisso político dos católicos, referindo a frase do evangelho do dia: “a César o que é de César”.

“A César, isto é à política, às instituições civis, aos processos sociais e económicos – pertence o cuidado com a ordem terrena; e nós, que estamos imersos nessa realidade, devemos restituir à sociedade o que ela nos oferece, através do nosso contributo como cidadãos responsáveis, prestando atenção àquilo que nos é confiado, promovendo o direito e a justiça no mundo do trabalho, pagando honestamente os impostos, comprometendo-nos com o bem comum e assim por diante”, indicou o Santo Padre antes da oração do Ângelus.

O Papa alertou para interpretações erradas desta passagem do Evangelho de S. Mateus, como se a fé não tivesse nada a ver com a vida concreta, com os desafios da sociedade, com a justiça social, com política.

“Às vezes também nós pensamos assim: uma coisa é a fé, com as suas práticas e outra é a vida de todos os dias”, advertiu.

«Jesus afirma a realidade fundamental que a Deus pertence o homem, todo o homem e todo o ser humano. Isso significa que nós não pertencemos a nenhuma realidade terrena, a nenhum “César” deste mundo. Somos do Senhor e não devemos ser escravos de nenhum poder mundano», disse.

Realçou ainda que na vida de cada cristão está “impressa a imagem de Deus”, citando um artigo do Papa Bento XVI, de 2012. “os cristãos dão a César, só o que é de César, mas não o que pertence a Deus”.

“Lembramo-nos que pertencemos ao Senhor ou deixamo-nos plasmar pelas lógicas do mundo, fazendo do trabalho, da política e do dinheiro, os nossos ídolos a adorar?”, questionou

 

 

Beato Álvaro del Portillo, a caminho da canonização

A recuperação sem consequências de um traumatismo crânio-encefálico grave provocado por um acidente é o favor que Juan Carlos Bisogno atribui à intercessão do Beato Álvaro e que foi remetido já a Roma para estudo.

O referido milagre consiste na rapidez e na totalidade da recuperação, sem reabilitação, de Juan Carlos Bisogno, que sofreu, na sequência de um acidente, um traumatismo crânio-encefálico grave, fratura com colapso temporal, pneumoencéfalo e fratura da fossa média, com total ausência de sequelas neurológicas e psicológicas.

O arcebispo de León, ao terminar a sessão, comentou que desejava que “esta obra nova que se tinha iniciado, tivesse um final feliz, com a finalidade de que seja para glória de Deus, para expressar como Deus faz obras maravilhosas nos seus filhos, e neste caso, no nosso irmão Álvaro del Portillo. Que Deus Nosso Senhor seja glorificado com a sua vida, e que a sua vida seja também um exemplo para todos nós para continuar servindo a Deus e a Igreja”.

Os presentes na sessão, ficaram também cheios de alegria ao recordar que a mãe do Beato Álvaro, era mexicana.

Na sessão de encerramento do processo diocesano estiveram presentes o vigário regional da Prelatura do Opus Dei no México, José Ricardo Furber Cano; e o vigário da Prelatura em Guadalajara, Juan Pablo Wong González, que recebeu o encargo de levar as atas do processo, a Roma.

 

 

Crianças, vítimas sofisticadas da sociedade de consumo

O Papa Francisco, recebeu no dia 25 de setembro, no Vaticano uma delegação de 20 pessoas do Conselho Latino-americano do Ceprome, o Centro de Pesquisa e Formação para a Proteção do Menor.

“Como o mundo mudaria se estivéssemos convencidos de que cada um dos pequenos que encontramos, é um reflexo da face de Deus! Se víssemos no sofrimento de cada criança, de cada pessoa vulnerável, um traço impresso no véu com o qual Verônica enxugou o rosto de Cristo”, salientou o Papa. No seu discurso.

No final da audiência em que foram apresentadas as medidas de “cuidado”, em contínuo aperfeiçoamento e adequação a novas situações que vão surgindo, o Papa Francisco disse:

“Não quero terminar sem chamar a atenção para um problema que é muito grave no âmbito dos abusos: as gravações de pornografia infantil que, lamentavelmente, pagando uma pequena taxa, já podem estar no telefone. Onde essa pornografia infantil está sendo feita? Em que país se faz? Ninguém sabe. Mas é a criminalidade colocada a serviço de todos por meio de seus celulares. Por favor, vamos falar sobre isso também. Porque essas crianças que estão a ser filmadas são vítimas, vítimas sofisticadas dessa sociedade de consumo. Não se esqueçam deste ponto que me preocupa muito”, pediu o Santo Padre.

 

 

O Papa esclareceu que «no Sínodo não há lugar para ideologia»

Na viagem de regresso da Mongólia o Papa Francisco, respondendo a perguntas dos jornalistas afirmou que no Sínodo dos Bispos sobre ‘sinodalidade’ não há lugar para ideologia.

“O Sínodo é diálogo, entre os batizados, entre os membros da Igreja, sobre o diálogo com o mundo, sobre os problemas que afetam a humanidade hoje. Quando se pensa seguir um caminho ideológico, o Sínodo termina. Há espaço para o diálogo e confronto uns com os outros, entre irmãos e irmãs”, afirmou o Papa segundo informação no portal ‘Vatican News.

O Santo Padre esclareceu ainda que a sinodalidade não é uma invenção sua, mas de S. Paulo VI. Quando o Concílio Vaticano II terminou, percebeu que no Ocidente, a Igreja perdera a sua dimensão sinodal. Criou então a Secretaria do Sínodo dos Bispos, que nestes 60 anos tem promovido a reflexão sinodal, com progressos contínuos.

Esclareceu ainda os jornalistas que será vivido como momento religioso. As introduções sinodais terão a duração de 3 a 4 minutos, seguidos de 3 a 4 minutos de silêncio para oração.

Não será aberto aos jornalistas mas diariamente o Dicastério para a Comunicação, apresentará os comunicados e andamentos sobre o andamento dos trabalhos.

“Sempre quando na Igreja se quer romper o caminho da comunhão, aquilo que rompe é a ideologia… Defendem uma doutrina como a água destilada, sem sabor a nada e não é a verdadeira doutrina católica, que está no Credo e que muitas vezes causa escândalo; assim como escandaliza a ideia de que Deus se fez carne, de que Deus se fez homem, de que Nossa Senhora manteve a sua virgindade, afirmou o Papa Francisco aos jornalistas na viagem de regresso ao Vaticano.

 


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