6.º Domingo Comum

11 de Fevereiro de 2024

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Rochedo, meu abrigo – Az. Oliveira, NRMS, 94

Salmo 30, 3-4

Antífona de entrada: Sede a rocha do meu refúgio, Senhor, e a fortaleza da minha salvação. Para glória do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A lepra é hoje uma doença fácil de curar, quando tratada a tempo e convenientemente, mas foi, ao longo dos séculos e quase até aos nossos dias, o flagelo da humanidade.

Os leprosos eram expulsos da família e de todo o convívio social, para evitar o contágio, pois a lepra é extremamente contagiosa.

Costumam ver nela os autores espirituais, pelos seus efeitos destruidores, uma imagem do pecado.

Neste dia em que a Liturgia da Palavra nos fala da lepra, havemos de pedir ao Senhor que conforte e cure os leprosos do mundo inteiro e nos livre do contágio do pecado e nos cure, quando o cometermos.

 

Acto penitencial

 

Nós, que temos tanto horror à lepra corporal, já não reagimos do mesmo modo diante do pecado, lepra da alma, nem tomamos as devidas precauções, para evitar o seu contágio.

E, se contraímos a doença da lepra espiritual do pecado, somos tardos em procurar o remédio apropriado para nos livrarmos dela.

Peçamos humildemente perdão ao Senhor pela nossa indolência e a graça para nos curarmos dos pecados de cada dia.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C do Ordinário da Missa)

 

•   Senhor Jesus: Nem sempre temos sentido repugnância pela lepra do pecado

     e expomo-nos, às vezes, ao risco de a contrair, metendo-nos, nas ocasiões.

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

•  Cristo: Poucas vezes somos diligentes a usar os meios indicados pela Igreja,

     para enfrentamos as tentações, pela oração, mortificações e os sacramentos.

     Cristo, misericórdia.

 

     Cristo, misericórdia.

 

•   Senhor Jesus: Não temos ajudado as pessoas ao nosso lado na cura da lepra,

     levando-as ao Sacramento da Reconciliação e Penitência e rezando por elas.

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor, que prometestes estar presente nos corações rectos e sinceros, ajudai-nos com a vossa graça a viver de tal modo que mereçamos ser vossa morada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Moisés dá instruções ao Povo de Deus, na Peregrinação do Egito para à Terra da Promissão, sobre o modo de proceder para com aqueles que contraem a lepra.

Devemos estar muito atentos aos que, junto de nós, por qualquer motivo, são vítimas de segregação social ou religiosa.

 

Levítico 13, 1-2.44-46

1O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: 2«Quando um homem tiver na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão ou a algum dos sacerdotes, seus filhos.44O leproso com a doença declarada 45usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’ 46Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento».

 

Temos aqui uma pequena amostra da legislação judaica sobre a lepra, uma legislação mais religiosa do que profilática, englobando diversas doenças de pele. A lepra era considerada a pior de todas as doenças e como que uma maldição de Deus, constituindo a pessoa num estado de impureza legal. O leproso era um proscrito, impedido da convivência social, obrigado a guardar determinadas distâncias das pessoas e a avisar quando alguém se aproximava.

1 «O Senhor falou a Moisés e Aarão». Não se entende no sentido de as leis do Levítico, concretamente a chamada «Lei de pureza» (Lev 11 – 16), terem sido directamente reveladas por Deus a Moisés, mas no sentido de que Yahwéh guiou a Moisés na compilação, adaptação e adopção de leis, em grande parte comuns a outros povos; desta maneira elas se tornavam a vontade de Deus para aquele povo.

45 «Impuro». Sobre o conceito de pureza legal, ver supra, nota ao v. 24 do Evangelho da festa da Apresentação do Senhor.

 

Salmo Responsorial Salmo 31 (32), 1-2.5.7.11 (R. 7)

 

Monição: O salmista proclama a felicidade de todo aquele a quem foi perdoada a culpa do pecado, reconciliando-se com Deus.

Na verdade, Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa e absolvido o pecado. Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade e em cujo espírito não há engano.

 

Refrão:    Sois o meu refúgio, Senhor;

Dai-me a alegria da vossa salvação.

 

Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa

e absolvido o pecado.

Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade

e em cujo espírito não há engano.

 

Confessei-Vos o meu pecado

e não escondi a minha culpa.

Disse: Vou confessar ao Senhor a minha falta

e logo me perdoastes a culpa do pecado.

 

Vós sois o meu refúgio, defendei-me dos perigos,

fazei que à minha volta só haja hinos de vitória.

Alegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor,

exultai, vós todos os que sois rectos de coração.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Para que seja evitado o contágio da lepra do pecado, S. Paulo dá preciosos conselhos aos fiéis da Igreja de Corinto.

Estes conselhos são também válidos para todos nós: Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus.

 

1 Coríntios 10, 31 – 11, 1

Irmãos: 31Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. 32Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. 33Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se. 1Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.

 

A leitura com que se concluem neste ano B os retalhos a ler da 1ª aos Coríntios é a conclusão final da longa discussão acerca de comer ou não comer os idolótitos, as carnes de animais que tinham sido imolados em honra dos ídolos e que vinham a ser vendidas nos mercados. 

31 «Fazei tudo para glória de Deus». Como sucede mais vezes nesta epístola, S. Paulo, querendo resolver um caso particular (aqui o da comida das carnes imoladas nos cultos idolátricos), enuncia princípios de uma validade universal. Nesta passagem temos uma dessas maravilhosas regras de oiro que resumem toda a moral e espiritualidade cristã.

32 «A Igreja de Deus». S. Paulo designa como Igreja não apenas as comunidades locais, mas também, outras vezes, toda a Igreja universal, que parece ser a visada aqui, como o é no cap. 12,28 e sobretudo nas epístolas do cativeiro.

 

Aclamação ao Evangelho    Lc 7, 16

 

Monição: O Pai do Céu enviou o Seu Filho Unigénito para Se fazer Homem e nos curar da lepra do pecado.

Aclamemos o Evangelho que nos mostra a bondade do Seu Coração Divino e nos transmite a Sua Palavra.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (I)

 

Apareceu entre nós um grande profeta:

Deus visitou o seu povo.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 40-45

Naquele tempo, 40veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». 41Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». 42No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. 43Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: 44«Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». 45Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.

 

No relato da cura do leproso não se evidencia apenas o poder e a compaixão de Jesus, mas também a superação da lei antiga, que, como determinava o Lv 13 (cf. 1ª leitura de hoje), declarava impuro o contacto com um leproso. Com efeito, sem que fosse necessário, Jesus «estendeu a mão e tocou-lhe» (v. 41).

40 «Se quiseres, podes curar-me». A oração do leproso é um modelo acabado de oração no que se refere à fé no poder de Jesus e à confiança na sua bondade. Eis o comentário de S. João Crisóstomo: «Não disse: se Tu o pedires a Deus; mas apenas: se Tu o queres. E a Deus, que é misericordioso, não é preciso pedir-lhe, basta expor-lhe a nossa necessidade».

44 «Não digas nada a ninguém». Trata-se da já antes referida «disciplina do segredo messiânico», que Jesus recomendava, especialmente no princípio da vida pública. O povo devia-se ir convencendo pouco a pouco do carácter do messianismo de Jesus, que era espiritual, não político. Assim Jesus evitava ser instrumentalizado pelos nacionalistas exaltados, podendo vir a provocar uma intervenção romana, que impediria a missão do Senhor (cf. Mt 8,4; 9,30; 16,20; 17,19). Uma divulgação intensiva dos seus milagres acarretaria compreensíveis efervescências populares à volta de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

• As nossas lepras

• Jesus, médico divino

 

1. As nossas lepras

 

A lepra foi uma doença incurável, contagiosa e também mortífera que afligiu a humanidade durante muitos milhares de anos. Somente há poucos anos foi descoberto o medicamento para a curar.

Quem a contraía recebia, ao constatá-lo, a sentença de morte a breve prazo e de modo que afastava as pessoas. O doente perdia a sensibilidade e a carne ia caindo, à medida que apodrecia, de tal modo que o doente apresentava um aspeto físico repelente.

Por isso, uma vez constatada a sua existência, o doente devia afastar-se da família, viver no deserto ou descampado e manter-se longe das pessoas. Muitas vezes, estas precauções eram mantidas com uma violência chocante.

A Igreja veio em socorro destas pessoas rejeitadas, fundando as leprosarias onde eram acolhidas e acarinhadas as pessoas leprosas.

Os autores espirituais vêem na lepra uma imagem do pecado, pela semelhança dos sintomas e efeitos: o pecado grave conduz à morte eterna; com a repetição do pecado, a pessoa vai perdendo a sensibilidade de consciência e a dor dos pecados; o seu mau exemplo é contagioso; uma vez que o pecado tomou conta de uma vida, a consciência vai-se deformando e a vida da pessoa, cada vez mais repugnante.

Felizmente, o medicamento instantâneo, gratuito e eficaz para a cura do pecado foi-nos dado por Jesus Cristo, nosso Salvador. Curou-nos com as Suas inumeráveis Chagas recebidas na Paixão dolorosa.

A lepra do pecado. «O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: «Quando um homem tiver na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão ou a algum dos sacerdotes, seus filhos

No Povo de Deus havia várias espécies de leis: Litúrgicas e do culto; do Estado civil, e sanitárias; e o Decálogo.

Com o decorrer do tempo, os judeus foram estabelecendo pormenores e aplicações destas leis, sem fazer distinção entre elas, de modo que no tempo de Jesus eram 613 os preceitos que as pessoas tinham de observar. Era uma verdadeira escravidão.

O Senhor indica a Moisés os possíveis sintomas denunciadores da doença: algum tumor, impingem ou mancha esbranquiçada e as precauções a tomar.

Felizmente, a lepra está dominada, na maior parte dos países, mas não o está a lepra do pecado, que parece alastrar perigosamente em certos meios.

Na verdade, há uma semelhança entre a lepra como doença corporal e a lepra do pecado. Ambas são contagiosas. Quando estamos num ambiente contaminado pelo pecado, não nos sentimos inclinados a ser virtuosos, mas a condescender com o mal. Para que a consciência não nos reprove esta imprudência, colocamos na nossa atitude uma etiqueta que encubra o seu mal, sufocando a sua voz: falsa compreensão pelo comportamento dos outros; não chocar o ambiente com a nossa atitude “separatista”; prudência em esperar a ocasião própria para nos manifestarmos…

A lepra do pecado causa a insensibilidade de consciência. Estas pessoas, quando lhes acontece o pecado grave, pela primeira vez, são capazes de não conseguir conciliar o sono, por causa dele. Com a repetição do pecado, ficam tranquilas e adormecidas nas sombras da morte. A lepra, não curada, leva à morte corporal; o pecado, à morte eterna.

O Senhor não quer que segreguemos os que a contraem, evitando a sua companhia, como faziam antes aos leprosos, mas que os levemos ao sacerdote, para receberem a cura. Ele, depois de verificar a doença, pela acusação dos pecados, curá-lo-á.

Evitar o contágio da lepra. «O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento”.»

Esta lei de que fala o texto do Levítico é de ordem sanitária e foi exagerada pelas pessoas até se tornar cruel. O leproso devia trazer o cabelo em desalinho, para ser facilmente reconhecido; era obrigado a afastar-se da família e a viver num sítio ermo; só podia aproximar-se das pessoas a um certo número de passos de distância, variável, segundo a direção em que corria o vento. Se alguém incautamente se aproximava, o doente devia gritar várias vezes: “Leproso!” A agravar esta situação, a doença era considerada um castigo dos pecados pessoais. Job, coberto de lepra, tentava em vão convencer a esposa e os amigos de que não tinha qualquer pecado oculto.

Devemos pôr todos os meios para que as pessoas, especialmente os nossos irmãos mais novos, não sejam contagiados. Muitos tornam-se dependentes da pornografia, dos estupefacientes e do jogo, pelo telemóvel o computador e outros meios de comunicação mal usados.

Os pais devem estar vigilantes, para que os seus filhos não sejam contagiados, atraídos por uma curiosidade doentia. Aqui, a ingenuidade soaria a pecado e a irresponsabilidade. Nunca esteve tão acessível a podridão a todos, como nos nossos dias. O demónio e os seus sequazes sabem tirar proveito das invenções e descobertas boas dos homens.

É preciso formar bem a consciência das pessoas a partir da infância, para que saibam fugir de tudo o que as pode contagiar.

O mesmo Jesus que curou da lepra tantas pessoa na vida pública, cura-nos agora da lepra do pecado, na Sua Igreja, pelo sacramento da Reconciliação e Penitência. Quando nos confessamos, Ele toca-nos, unge-nos com o bálsamo do Seu Amor, e ficamos limpos.

 

2. Jesus, médico divino

 

O Evangelho fala-nos de diversas ocasiões em que os leprosos procuravam Jesus, para implorarem a graça da cura. O texto que é proclamado neste Domingo narra-nos um destes casos. Não têm conta os que, ao longo dos séculos, se aproximam de Jesus e receberam a cura dos seus males. 

O Sacramento da cura. «Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: “Se quiseres, podes curar-me”.»

Este homem, rejeitado por toda a sociedade, aproxima-se de Jesus, com fé profunda e humildade. Deve ter-se aproximado de Jesus inesperadamente, porque lhe era proibido aproximar-se e, sem mais demora, pede a sua cura.

Faz um ato de fé na divindade de Jesus, na Sua Omnipotência divina e, ao mesmo tempo, bate à porta do Seu Coração misericordioso. “Se quiseres, podes!”

Jesus transgride uma lei sanitária que os homens tinham estabelecido, ao tocar o leproso. Ele nem podia aproximar-se das pessoas, a não ser uns quantos passos.

Conhecendo a facilidade com que nos deixamos contagiar pela lepra do pecado, o Senhor deixou na Igreja a Confissão Sacramental, como sacramento da cura. Esta não depende do número dos pecados, nem da sua gravidade, mas apenas da contrição do pecador, que manifesta a sua conversão.

Não admira, pois, que o demónio invista com tanta violência contra este sacramento, como acontece particularmente nos nossos dias. Começou por enganar as pessoas, convencendo-as de que se podiam confessar diretamente a Deus, sem a mediação do sacramento, como se fôssemos nós a estabelecer as condições de nos reconciliarmos com o Senhor.

E logo as pessoas se convenceram de que não têm pecados, porque a consciência foi-se endurecendo. Uns dos frutos da confissão frequente e bem feita é desenvolver nas pessoas uma grande delicadeza de consciência, que brota do amor de Deus alimentado em nós por ela.

O leproso, ao dizer, na sua súplica, que Jesus, se quiser, pode curá-lo, faz um ato de fé em várias verdades. Acredita na Omnipotência de Jesus e, portanto, na Sua divindade; aproxima-se cheio de fé e confiança na Sua bondade infinita; vem cheio de esperança na sua cura, pois deve-lhe ter constado que outros de outras doenças a tinham obtido. A sua fé não ficou decepcionada, pois Jesus curou-o instantaneamente.

Os frutos. «Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo

Jesus responde à letra e prontamente à súplica deste infeliz leproso: «Quero: fica limpo». E, de facto, ficou curado. Apenas tinha de se dirigir aos sacerdotes do Templo, para comprovarem a cura e receber um certificado da mesma que o reintegrava na plena vida da sociedade do seu tempo.

Pode causar estranheza a advertência de Jesus ao leproso, para que guardasse segredo sobre esta cura. Estava muito difundida, no tempo da vida pública de Jesus, uma ideia errada acerca da missão do Enviado do Senhor, como Messias. «Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: “Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho”».

Sonhavam com uma libertação política que restaurasse o reino de David. Esta convicção podia levar as pessoas a uma revolta contra o poder do império romano que dominava o país, e provocar uma catástrofe, como veio a suceder no ano 70.

De algum modo, na confissão sacramental, o Senhor diz-nos as mesmas palavras que dirigiu ao leproso: “Quero! Fica limpo!”

Quando o sacerdote traça sobre a nossa cabeça o sinal da cruz, ao mesmo tempo que recita a fórmula da absolvição, ficamos inteiramente limpos dos nossos pecados.

Mas não é este apenas o fruto da confissão.  Crescemos na humildade, com uma confissão bem feita; recebemos as graças sacramentais, para melhor resistirmos às tentações; e a nossa consciência moral torna-se cada vez mais delicada.

Não confundamos a delicadeza de consciência, com um escrúpulo doentio. Quando um inseto – mosca, mosquito – pousa na mão calejada de um trabalhador manual, ele nem sente a sua presença; quando, porém, pousa na mão delicada de uma criança, logo ela reage, como por instinto. A delicadeza consiste nesta sensibilidade espiritual.

Proclamemos a misericórdia de Deus. «Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte

Este homem ficou tão agradecido que não foi capaz de acatar a indicação de Jesus, para que guardasse segredo e proclamou por toda a parte a sua admiração e a fé no Divino Mestre.

Jesus procurou corrigir a “imprudência” deste homem com uma vigilância redobrada, desaparecendo, para não provocar nas multidões um entusiasmo que complicasse tudo.

Deus lê no coração de cada um de nós e sabe perfeitamente o que fazemos com boa intenção. Talvez por isso, não aparece no Evangelho nenhuma censura ou correção a este homem, como noutras ocasiões, com outras pessoas.

Há graças recebidas que devem ficar escondidas no íntimo da nossa alma. Além de poderem desorientar outras pessoas na leitura que delas fazem, poderia infiltrar-se por aí um pouco de vaidade e de orgulho.

Devemos, porém, proclamar a bondade do Senhor por uma visão positiva dos acontecimentos, como consequência da nossa fé na filiação divina.

Muitas vezes fazemos a leitura errada de coisas belas que o Senhor realiza, dando-lhe uma interpretação errada, em vez de chamarmos a atenção das pessoas para a bondade de Deus que ali está escondida.

De quantos modos se manifesta a bondade de Deus na nossa vida! A verdade é que estas carícias de Deus nos passam e quando nos apercebemos delas, não as agrademos. O louvor e a ação de graças são duas formas de oração que não se encontram nos nossos hábitos.

Aprendamos com Nossa Senhora, em casa de Isabel, ao cantar o Magnificat, louvando e agradecendo ao Senhor tudo o que tinha feito n’Ela.

 

Fala o Santo Padre

 

«Três palavras que indicam o estilo de Deus: proximidade, compaixão, ternura.

Enquanto a Lei proibia que se tocassem os leprosos, Jesus comove-se, estende a mão e toca-o para o curar.

Jesus mostra que Deus não é indiferente, não se mantém à “distância de segurança”;

pelo contrário, aproxima-se com compaixão e toca a nossa vida para a curar com ternura.»

O Evangelho de hoje (cf. Mc 1, 40-45) apresenta-nos o encontro entre Jesus e um homem com lepra. Os leprosos eram considerados impuros e, de acordo com as prescrições da Lei, deviam permanecer fora da cidade. Eram excluídos de todas as relações humanas, sociais e religiosas: por exemplo, até religiosamente, pois não podiam entrar na sinagoga, não podiam entrar no templo. Jesus, ao contrário, deixa que aquele homem se aproxime dele, comove-se, chega a estender a mão e a tocá-lo. Isto era impensável naquela época. Assim, Ele cumpre a Boa Nova que anuncia: Deus fez-se próximo na nossa vida, tem compaixão pelo destino da humanidade ferida e vem derrubar todas as barreiras que nos impedem de viver a relação com Ele, com os outros e connosco mesmos. Fez-se próximo... Proximidade. Recordai-vos bem desta palavra, proximidade. Compaixão: o Evangelho diz que Jesus, quando viu o leproso, sentiu compaixão por ele. E ternura. Três palavras que indicam o estilo de Deus: proximidade, compaixão, ternura. Neste episódio podemos ver duas “transgressões” que se encontram: a transgressão do leproso, que se aproxima de Jesus - e não podia fazê-lo - e Jesus que, movido pela compaixão, o toca com ternura para o curar - e não podia fazê-lo. Ambos são transgressores. São duas transgressões!

A primeira transgressão é a do leproso: apesar das prescrições da Lei, ele sai do isolamento e vai ao encontro de Jesus. A sua doença era considerada um castigo divino, mas em Jesus ele pode ver outra face de Deus: não o Deus que castiga, mas o Pai da compaixão e do amor, que nos liberta do pecado e nunca nos exclui da sua misericórdia. Desta maneira o homem pode sair do isolamento, pois em Jesus encontra Deus que compartilha a sua dor. A atitude de Jesus atrai-o, impele-o a sair de si mesmo e a confiar a Ele a sua história dolorosa.

E permiti-me aqui que dirija um pensamento a tantos bons sacerdotes confessores que têm esta atitude: de atrair as pessoas, muitas pessoas que se sentem insignificantes, que se sentem “no chão” por causa dos seus pecados... Mas com ternura, com compaixão... São bons aqueles confessores que não andam com o chicote na mão, mas estão prontos para receber, ouvir e dizer que Deus é bom, que Deus perdoa sempre, que Deus não se cansa de perdoar. Hoje peço a todos vós aqui na Praça, a todos, que deis uma salva de palmas a estes confessores misericordiosos. [aplauso]

A segunda transgressão é a de Jesus: enquanto a Lei proibia que se tocassem os leprosos, Ele comove-se, estende a mão e toca-o para o curar. Alguém diria: pecou, fez o que a lei proíbe, é um transgressor. É verdade, é um transgressor.  Não se limita às palavras, mas toca-o. E tocar com amor significa estabelecer uma relação, entrar em comunhão, participar na vida do outro, a ponto de partilhar até as suas feridas. Com este gesto, Jesus mostra que Deus não é indiferente, não se mantém à “distância de segurança”; pelo contrário, aproxima-se com compaixão e toca a nossa vida para a curar com ternura. É o estilo de Deus: proximidade, compaixão e ternura. A transgressão de Deus; neste sentido, é um grande transgressor.

Irmãos e irmãs, ainda hoje no mundo muitos dos nossos irmãos e irmãs sofrem desta enfermidade, do mal de Hansen, ou devido a outras doenças e condições às quais infelizmente está associado o preconceito social. “Ele é um pecador!”. Pensai naquele momento (cf. Lc 7, 36-50), quando aquela mulher entrou no banquete e derramou perfume sobre os pés de Jesus. Os outros disseram: “Mas se Ele fosse um profeta, saberia quem é esta mulher: uma pecadora”. O desprezo. Ao contrário, Jesus recebe, aliás, agradece: “Os teus pecados são-te perdoados”. A ternura de Jesus. E o preconceito social de afastar as pessoas com estas palavras: “Este é impuro, esse é um pecador, aquele é um vigarista, este...”. Sim, às vezes é verdade, mas não tenhamos preconceitos. Pode acontecer a cada um de nós experimentar feridas, fracassos, sofrimentos, egoísmos que nos fecham a Deus e aos outros, porque o pecado nos fecha em nós mesmos, por vergonha, por humilhação, mas Deus quer abrir o coração. Diante de tudo isto, Jesus anuncia-nos que Deus não é uma ideia nem uma doutrina abstrata, Deus é Aquele que se “contamina” com a nossa humanidade ferida e não tem medo de entrar em contacto com as nossas chagas. “Mas padre, o que dizes? Que Deus se contamina?”. Não sou eu que o digo, foi São Paulo quem o disse: fez-se pecado (cf. 2 Cor 5, 21). Aquele que não é pecador, que não pode pecar, fez-se pecado. Vede como Deus se contaminou para se aproximar de nós, para ter compaixão e para fazer compreender a sua ternura. Proximidade, compaixão e ternura.

Para respeitar as regras da boa reputação e dos costumes sociais, muitas vezes silenciamos a dor ou usamos máscaras para a disfarçar. Para conciliar os cálculos dos nossos egoísmos ou as leis interiores dos nossos medos, não participamos muito no sofrimento dos outros. Ao contrário, peçamos ao Senhor a graça de viver estas duas “transgressões” do Evangelho de hoje. A do leproso, para termos a coragem de sair do nosso isolamento e, em vez de ficarmos lá a sentir pena de nós próprios ou a chorar pelos nossos fracassos, queixas, em vez disso vamos ter com Jesus tal como somos: “Senhor, sou assim”. Sentiremos aquele abraço, aquele abraço de Jesus que é tão bom! E depois a transgressão de Jesus: um amor que faz vencer as convenções, que faz superar os preconceitos e o medo de nos misturarmos com a vida do outro. Aprendamos a ser “transgressores” como estes dois: como o leproso e como Jesus.

Neste caminho nos acompanhe a Virgem Maria, que agora invocamos na oração do Angelus.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 14 de fevereiro de 2021

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs em Cristo:

Oremos, para que todos os que sofrem

descubram, no amor de Deus e nas palavras de Cristo,

remédio para os seus males.

Imploremos (cantando), com toda a confiança:

 

     Senhor, nosso refúgio, ouvi-nos.

 

1. Pelas dioceses e paróquias do mundo inteiro,

para que o Senhor as conserve na unidade e na paz

e elas ajudem os homens a caminhar para Deus,

oremos com toda a confiança.

 

     Senhor, nosso refúgio, ouvi-nos.

 

2. Pelos fiéis e pelos catecúmenos das nossas paróquias,

para que Deus perdoe as suas fraquezas,

dissipe os seus temores e aumente a sua coragem,

oremos com toda a confiança.

 

     Senhor, nosso refúgio, ouvi-nos.

 

3. Pelos homens e mulheres que crêem em Deus,

para que não dêem escândalo a ninguém com o seu modo de viver

e acolham com respeito e delicadeza quem deles se aproxima,

oremos com toda a confiança.

 

     Senhor, nosso refúgio, ouvi-nos.

 

4. Pelos doentes que mais sofrem,

para que encontrem alívio na misericórdia de Cristo

e na dedicação dos que os tratam e assistem,

oremos com toda a confiança.

 

     Senhor, nosso refúgio, ouvi-nos.

 

5. Pelos fiéis da nossa comunidade (paroquial),

para que não busquem o próprio interesse,

mas procurem sempre o bem de todos,

oremos com toda a confiança.

 

     Senhor, nosso refúgio, ouvi-nos.

 

6. Pelas pessoas que vão preparar o seu Batismo,

para que o façam com verdadeiro amor de Deus

e compreendam que, pelo Batismo, iniciam o caminho do céu,

oremos com toda a confiança.

 

     Senhor, nosso refúgio, ouvi-nos.

 

Senhor, nosso Deus,

que, para curar e salvar o mundo,

lhe destes o vosso Filho muito amado,

ajudai-nos a ver n’Ele o nosso modelo

e a pormo-nos ao serviço uns dos outros.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A Palavra de Deus ilumina-nos, para nos libertarmos da lepra do pecado, em todas as suas formas.

A Santíssima Eucaristia que está a ser preparada no altar, para nós, fortifica-nos a fim de resistirmos a todo o contágio desta doença.

 

Cântico do ofertório: Deus amou de tal modo o mundo – J. P. Martins, CT

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que estes dons sagrados nos purifiquem e renovem, para que, obedecendo sempre à vossa vontade, alcancemos a recompensa eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Saudação da Paz

 

A guerra é uma lepra que aflige a humanidade e devora muitos dos seus filhos, contagiando-os continuamente.

Peçamos ao Senhor que nos liberte desta epidemia da guerra, lançando no coração de cada pessoa o fogo da caridade.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Com profunda humildade e com as disposições que Jesus Cristo nos ensinou a ter, aproximemo-nos da mesa da comunhão.

Que, por meio da comunhão frequente, o Senhor nos livre de todo o contágio da lepra do pecado.

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o vosso povo – F. Silva, NRMS, 90-91

Salmo 77, 24.29

Antífona da comunhão: O Senhor deu-lhes o pão do Céu: comeram e ficaram saciados.

 

Ou

Jo 3, 16

Deus amou tanto o mundo que Ihe deu o seu Filho Unigénito. Quem acredita n'Ele tem a vida eterna.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor deu-lhes o pão do Céu – Az. Oliveira, CEC II, (pg 36)

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão do Céu, concedei-nos a graça de buscarmos sempre aquelas realidades que nos dão a verdadeira vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ajudemo-nos mutuamente a levar uma vida espiritual saudável.

 

Cântico final: Povos da terra, louvai ao Senhor – M. Simões, NRMS, 55

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-II: Os sinais da celebração sacramental.

Tg 1, 1-11 / Mc 8, 11-13

Jesus suspirou do fundo da alma e respondeu-lhes: Por que pede esta geração um sinal?

Embora Jesus se tenha recusado a dar um sinal aos fariseus, Ele, no entanto, serviu-se de muitos sinais: na criação, nas curas, na Nova Aliança, etc., porque Ele próprio é o sentido de todos esses sinais.

Cada celebração sacramental é um diálogo com Deus, através de palavras e acções. É necessário pois que a palavra de Deus e as nossas respostas de fé dêem vida a estas acções. S.Tiago aconselha-nos a pedir e a actuar com fé, pois aquele que hesita é agitado como as ondas do mar (Leit.).

 

3ª Feira, 13-II: A tentação e a provação.

Tg 1, 12-18 / Mc 8, 14-21

Cada qual é tentado pelos seus desejos maus, que o arrastam e o procuram atrair.

«Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém» (Leit.). Pelo contrário, Ele quer livrar-nos do mal. O que lhe pedimos na oração do Pai-nosso é que não nos deixe seguir pelo caminho que conduz ao pecado, que não nos deixe cair na tentação.

É importante a distinção entre a provação e a tentação que conduz ao pecado. O Espírito Santo ajudar-nos-á a discernir entre a provação necessária ao crescimento do homem interior, em vista de uma virtude comprovada, e a tentação que conduz ao pecado e à morte (Leit). Também devemos distinguir entre o 'ser tentado' e o 'consentir' na tentação.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Fernando Silva

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 

 

 

 

SIGLAS:

NRMS – Nova Revista de Música Sacra

OC – Orar Cantando – C. Silva

CMJ – Cânticos ao Menino Jesus – B. Salgado

ENPL – Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica

CEC – Cânticos de Entrada e Comunhão

BML – Boletim de Música Litúrgica

CT – Cantemos Todos

GAP – Glória ao Presépio – M. Faria

NCN – Novos Cânticos do Natal – M. Faria

PN – Presépio Novo – M. Faria

COM – Cânticos do Ordinário da Missa. (Secretariado Nacional de Liturgia)

SP – Senhora da Primavera – M. Faria

CNPL – Cantoral Nacional Para a Liturgia. (Secretariado Nacional de Liturgia)

 


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