2.º Domingo Comum

14 de Janeiro de 2024

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Toda a terra vos adore – F. Santos, BML, 54

Salmo 65, 4

Antífona de entrada: Toda a terra Vos adore, Senhor, e entoe hinos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A fé ensina-nos que não somos fruto do acaso. Deus chamou-nos à vida na terra para, depois de algum tempo de prova nesta vida, partilhar connosco a Sua felicidade eterna no Paraíso.

Quando nos chamou à vida na terra, pelo ministério dos nossos pais, Ele tinha um plano para nós e os Seus desígnios de misericórdia para nos ajudar a realizá-lo. Chamamos vocação a este plano.

Todas as pessoas têm uma vocação, um projeto de amor que Deus traçou para elas e com o qual são chamadas a colaborar livremente.

Neste 2,º Domingo do Tempo Comum, o Senhor que nos convocou para este encontro com Ele convida-nos a redescobrir o que Deus quer de nós e como temos procurado realizar a Sua Vontade Santíssima.

 

Acto penitencial

 

Temos vivido, por vezes, com total indiferença sobre o que Deus quer da nossa vida. Vivemos como se fôssemos fruto do acaso e como se, depois desta vida na terra, nada mais tivéssemos a esperar.

Peçamos humildemente perdão desta atitude para com o nosso Pai, nosso maior Amigo, e imploremos a Sua ajuda para nos emendarmos.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C do Ordinário da Missa)

 

•   Senhor Jesus: Não termos considerado a vocação com um dom que nos concedeis 

     e, talvez por isso, nunca nos lembramos de Vos agradecer a felicidade que nos dá.

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

•  Cristo: Falta-nos por vezes, o apreço devido a muitas das vocações da nossa Igreja

     e falamos delas com superficialidade quando referimos ou apreciamos o que fazem.

     Cristo, misericórdia.

 

     Cristo, misericórdia.

 

•   Senhor Jesus: Por vezes, não damos um verdadeiro testemunho de filhos de Deus,

     pela alegria e otimismo com que falamos daquela vocação a que Deus nos chamou.

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Samuel, ainda menino e a viver no Templo, ouve, durante o sono, a voz do Senhor que o chama e responde com prontidão.

Devemos prestar atenção à nossa vocação pessoal, antes de a elegermos como caminho da nossa vida e no seu seguimento fiel.

 

1 Samuel 3, 3b-10.19

Naqueles dias, 3bSamuel dormia no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: «Aqui estou». 5E, correndo para junto de Heli, disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Mas Heli respondeu: «Eu não te chamei; torna a deitar-te». E ele foi deitar-se. 6O Senhor voltou a chamar Samuel. Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Heli respondeu: «Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te». 7Samuel ainda não conhecia o Senhor, porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor. 8O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Então Heli compreendeu que era o Senhor que chamava pelo jovem. 9Disse Heli a Samuel: «Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’». Samuel voltou para o seu lugar e deitou-se. 10O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: «Samuel, Samuel!» E Samuel respondeu: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta». 19Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.

 

Esta leitura é uma selecção de versículos de 1 Sam 3, onde se relata a célebre vocação do profeta pregador que, no séc. XI a. C., havia de imprimir novo rumo ao povo de Israel. A escolha dos versículos deixa ver que a intenção da Liturgia não se centra nos pormenores da história, nem na infidelidade de Eli, mas na lição de obediência pronta do jovem Samuel, oferecido ao Senhor por sua mãe, Ana (cf. 1, 28), o qual vivia com o sacerdote Eli como servidor do santuário de Silo – «no templo do Senhor» (v. 3) –, onde se guardava a Arca da Aliança. Com Samuel inicia-se em Israel o profetismo como ministério constante e ininterrupto. Como veio a suceder com os grandes profetas, a sua missão aparece precedida dum chamamento sobrenatural e bem claro de Deus. A presente leitura é a história duma vocação e fala-nos da prontidão e disponibilidade para seguir a chamada divina.

 

Salmo Responsorial Salmo 39 (40), 2.4ab.7-8a.8b-9.10-11 (R. 8a.9a)

 

Monição: O Espírito Santo, pelo Salmo de meditação, convida-nos a colocar todas as nossas esperanças no Senhor que nos chama e nos ajuda.

Convida-nos a repetir as palavras que o autor da Carta aos Hebreus coloca nos lábios de Cristo, ainda no seio materno: Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Refrão:    Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Esperei no Senhor com toda a confiança

e Ele atendeu-me.

Pôs em meus lábios um cântico novo,

um hino de louvor ao nosso Deus.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes-me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

«De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

«Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

Não escondi a justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa bondade e fidelidade».

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na primeira Carta aos fiéis da Igreja de Corinto, recorda-nos a altíssima vocação a que fomos chamados pelo Batismo.

Na verdade, como ele escreve na sua carta, O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo.

 

1 Coríntios 6, 13c-15a.17-20

Irmãos: 13cO corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo. Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. 15aNão sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? 17Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito. 18Fugi da imoralidade. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo; mas o que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. 19Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não pertenceis a vós mesmos, 20porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo.

 

Como em todos os anos, A, B e C, sempre se inicia o tempo comum tendo como 2ª leitura respigos da 1ª aos Coríntios; neste ano B, começa-se no cap. 6; no próximo ano C. no cap. 12.

A leitura é tirada do fim da primeira parte de 1Cor, na qual S. Paulo procura remediar vários abusos verificados naquela comunidade nascente. É bem conhecida a má fama da capital da província romana da Acaia: «viver em Corinto» – korinthiázein – era sinónimo de levar vida libertina. O próprio vício era divinizado: no templo de Afrodite havia mais de mil sacerdotisas dedicadas à prostituição sagrada. É, pois, fácil de compreender que, para alguns convertidos, fosse difícil abandonar uma mentalidade generalizada que legitimava a fornicação. E, para a justificarem, chegariam mesmo, segundo se depreende do v. 12, a torcer as próprias palavras de S. Paulo: «tudo me é permitido» (cf. 1Cor 10,23), e a dizer que se tratava duma simples necessidade corporal, como comer e beber (cf. v. 13), e não como algo que encerra um sentido superior que envolve toda a pessoa. O Apóstolo, para levar estes maus cristãos ao bom caminho e impedir que os outros se deixem perverter, não se detém a dar-lhes um curso de educação sexual, nem a insistir na fealdade do vício e das suas funestas consequências para o indivíduo e para a sociedade. Apela para os motivos da fé: «o corpo… é para o Senhor» (v. 13); ele há-de ressuscitar (v. 14); é membro de Cristo (v. 15); é «templo do Espírito Santo» (v. 19); «resgatados» por Cristo, já «não pertencemos a nós mesmos» (v. 20a); a castidade é uma afirmação cheia de alegria: «glorificai a Deus no vosso corpo» (v. 20b). S. Paulo não se limita a condenar a prostituição sagrada dos santuários idolátricos, pois não trata aqui da idolatria, mas da castidade; fala sem os eufemismos: «fornicação», traduzida pelo termo vago, «imoralidade» (v. 18), tendo-se omitido na leitura litúrgica os bem fortes versículos 15b-16: «como é possível tomar os membros de Cristo para fazer deles membros duma prostituta?…»

 

Aclamação ao Evangelho    cf. Jo 1, 41.17b

 

Monição: Bem aventurados os que anunciam a salvação em Jesus Cristo, presente na Igreja que Ele mesmo fundou.

Levemos a Boa Nova da Salvação que vai ser proclamada para nós a todas as pessoas de boa vontade.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Encontramos o Messias, que é Jesus Cristo.

Por Ele nos veio a graça e a verdade.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 35-42

35Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos 36e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». 37Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. 38Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi que quer dizer ‘Mestre’ onde moras?» Disse-lhes Jesus: 39«Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. 40André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. 41Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» que quer dizer ‘Cristo’; 42e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» que quer dizer ‘Pedro’.

 

Os três Sinópticos apresentam os primeiros discípulos noutro contexto, o do chamamento (Mt 4,18-22; Mc 1,16-20; Lc 5,1-11), ao passo que o IV Evangelho se limita a relatar um primeiro encontro, cheio de vivacidade e encanto.

35 «João». A tradução litúrgica, para desfazer equívocos, acrescentou: «Baptista». A verdade é que o 4.° Evangelho só conhece um João, por isso nunca o adjectiva de Baptista. Neste relato não se fala do nome do companheiro de André, que seria o próprio evangelista (cf. 13,23; 18,15; 19,26.35; 20,2; 21,2.20.24), o qual, por humildade, nunca fala do seu próprio nome, o que é um sinal de que a ele se deve a autoria deste Evangelho.

36 «Eis o Cordeiro de Deus» (cf. Jo 1,20). A Liturgia e a iconografia cristã dão grande relevo a este testemunho do Baptista. A expressão é muito rica de significado e faz referência não só ao cordeiro pascal (cf. 1Cor 5,7; Jo 19,36), como também ao Servo de Yahwéh Sofredor, comparado em Is 57, a um manso cordeiro levado à morte (a própria palavra aramaica certamente usada pelo Baptista, «talyá», significa tanto cordeiro como servo).

37-40 O relato conserva a frescura e o encanto de quem viveu intensamente aquele momento único e decisivo da vida, docemente subjugado pela atracção humana e o fascínio divino da pessoa de Jesus. Cerca de setenta anos depois, João recorda exactamente a hora e, em pormenor, aquela inolvidável e tímida troca de palavras. Eis o comentário de Santo Agostinho: «Não O seguiram para ficar definitivamente com Ele. [...] Quiseram somente ver onde habitava… O Mestre mostrou-lhes onde habitava e eles foram e permaneceram com Ele. Que dia feliz e que feliz noite passaram! Quem poderá dizer-nos o que eles ouviram da boca do Senhor? Façamos nós também uma habitação no nosso coração, e venha o Senhor até junto de nós para nos ensinar e falar connosco!» (In Ioh. tract. 7,9).

41-42 «Encontrámos o Messias!» (Eurêkamen ...) O grande achado da vida, que os faz exclamar mais exultantes que o sábio grego Arquimedes ao descobrir o seu célebre princípio da Física: «êureka!». E não se pode conhecer Cristo sem transmitir a outros essa grande e feliz notícia. «Messias», é uma palavra hebraica (em grego «Cristo»), que significa aquele que foi ungido, designando-se assim um novo rei David, esperado para restaurar o reino de Israel no fim dos tempos (cf. 2Sam 7,12-16.19.25.29; 1Cr 17,11-14; Is 11,1-9; Act 2,30; Lc 1,32-33). Cefas não era um nome, mas um apelativo original, pedra (em aramaico), para indicar, neste caso, não uma característica pessoal (Simão não se distinguia pela firmeza da rocha: cf. 18,17.25.27), mas a missão a que Deus o destinava, vir a ser a pedra em que Jesus assenta a sua Igreja (cf. Jo 21,15-18; Mt 16,18-19; Lc 22,31-33).

 

Sugestões para a homilia

 

• A vocação pessoal, projeto de Deus

• Deus continua a chamar

 

1. A vocação pessoal, projeto de Deus

 

Samuel tinha sido concedido por Deus aos seus pais depois de muitas orações da sua mãe. Ela pedia com tal veemência e fervor um filho, que o Sumo Sacerdote Heli, ao vê-la, repreendeu-a, porque a julgava embriagada.

Logo que lhe foi possível, ofereceu o menino Samuel ao Senhor, para serviço do Templo de Silo. O Templo de Jerusalém ainda não tinha sido construído. Samuel foi um dos maiores profetas do Antigo Testamento.

Atenção ao que Deus quer de nós. «Naqueles dias, Samuel dormia no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: “Aqui estou”. E, correndo para junto de Heli, disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Mas Heli respondeu: «Eu não te chamei; torna a deitar-te». E ele foi deitar-se

Deus chamou Samuel durante o sono, acordando-o diversas vezes. Por que não o chamou durante o dia?

Deus espera que criemos um ambiente de paz, que façamos solidão à nossa volta, que esvaziemos a nossa mente de preocupações, como acontece durante o sono em que estamos sós diante de Deus, sem ruído que nos perturbe.

Temos dificuldade, como este menino, de distinguir a voz de Deus que nos chama, da de outras pessoas. Samuel confundiu a voz de Deus com a do Sumo Sacerdote, mas acorreu prontamente. Para uma criança que está a dormir, não é nada fácil. Samuel é um exemplo de docilidade e prontidão em acorrer, quando Deus chama.

Deus chama-nos muitas vezes durante o dia e no decorrer da noite; por uma frase que ouvimos ou lemos, por um acontecimento favorável ou desfavorável, ou por um simples pensamento que, de repente, cresce de importância atraindo a nossa atenção.

Muitas vezes, confundimos esta voz de Deus, e damos-lhe uma interpretação errada: a frase do livro é obra de um homem; o acontecimento recebe uma classificação negativa e a toma como sendo a expressão de um Deus que nos castiga ou, pelo menos, não é nosso amigo, como julgávamos… 

É significativo que Deus tenha chamado Samuel durante o sono, e não em plena atividade, durante o dia. O Senhor surpreende-nos sempre e chama-nos quando estamos distraídos e esquecidos d’Ele. Fala-nos constantemente, porque nos ama infinitamente, e quer tornar-nos felizes, abrir os nossos olhos para as maravilhas da fé.

Samuel não reconhece a voz de Deus e dirige-se ao Sumo Sacerdote que o costuma chamar durante o dia para pequenas tarefas compatíveis com a sua idade.

A obediência de Samuel é pronta e alegre. Saiu a correr. Havemos de pedir ao Senhor esta prontidão, para não adiarmos preguiçosamente o que Ele nos pede.

O problema da vocação não se resolve de uma só vez. Requer uma atenção permanente na oração e uma grande disponibilidade para corrigir os enganos e continuar a procurar.

«O Senhor voltou a chamar Samuel. Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Heli respondeu: “Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te”».

Deus aconselha-nos por meio das pessoas. «Disse Heli a Samuel: “Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’”.»

O Senhor serve-se de Heli, Sumo Sacerdote, com graves deficiências na sua família, para dar a Samuel o conselho certo no momento certo.

Ajudamos as outras pessoas e somos ajudados por elas, de modo que vivemos mutuamente apoiados uns nos outros. Assim nos vai educando o nosso Deus para uma vida de comunhão que há-de continuar para sempre no Céu. Por isso, o mandamento do Amor ocupa um lugar central na nossa vida cristã. Só o amor verdadeiro constrói e permanece eternamente.

É muito importante eleger um conselheiro habitual para nos ajudar na vida de união com Deus. Não nos deixemos cair na ilusão de encontrar, para isso, uma pessoa com dotes extraordinários. Quando usamos de prudência normal nesta escolha, o Senhor dar-nos-á, por meio desta pessoa que nos aconselha as graças necessárias para nos aproximarmos cada vez mais d’Ele.

Ao procurarmos a ajuda da direção espiritual, assumimos a plena responsabilidade dos nossos atos e nunca nos podemos desculpar que fizemos desta maneira ou daquela, porque assim nos aconselharam.

Generosidade para com Deus. «O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: “Samuel! Samuel!” E Samuel respondeu: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta”. Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.»

Experimentamos diversas dificuldades e tentações, quando se trata de fazer o que Deus quer de nós, quer se trate da descoberta da vocação pessoal, quer de passos generosos nas suas exigências. Deus chama constantemente, ao longo da vida e nós temos de responder como o pequenino Samuel: Falai, Senhor, que o vosso servo escuta.

A primeira tentação, quando somos chamados, é a de pedirmos provas e mais provas de que é esta a vontade do Senhor. Fazemos, às vezes, lembrar Gedeão que pede duas provas do velo de lã: o velo molhado e a terra seca; e logo, a terra molhada e o velo enxuto. Depois, planeia o apoio humano de uma grande multidão de combatentes. O Senhor ensinou-lhe a vencer o inimigo invasor, com um pequeno estratagema. Não foi preciso combater. (Cf Juízes 6,1 e ss).

Deus pede-nos muitas vezes, na vida, atos de fé, de entrega, sem ver segurança humana nos nossos passos. Não tentemos a Deus, pedindo-lhe a evidência do caminho, para nos decidirmos a segui-lo com generosidade. Todo o ato de entrega baseado na fé é um ato de confiança: fiamo-nos em Deus e, por isso, atuamos, entregando-nos ao desconhecido.

Quando começamos a ver as coisas claras, somos tentados a tomar uma decisão, por mera prudência humana. Também aqui nos encontramos perante uma tentação do Inimigo. Quando ele vê que não consegue desviar-nos do que Deus quer de nós, sugere-nos que adiemos a nossa decisão generosa. É como se Samuel dissesse ao Senhor: “Deixa-me dormir, e amanhã farei o que queres!”

O Senhor dá sinais de que é Ele quem chama. As pessoas costumam falar de um “clic” no amor humano. Em toda a vocação há também um “clic”. A pessoa vocacionada não descobre que aquela é a melhor vocação do mundo, mas que nela encontrará a sua felicidade e alegria, se vencer o medo inicial da entrega. Só então poderá cantar: Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

2. Deus continua a chamar

 

S. João evangelista conta-nos a história da vocação dos primeiros Apóstolos que seguiram Jesus.

Portadorees do convite de Deus. «Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: “Eis o Cordeiro de Deus”. Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus

Num gesto de desprendimento e de amizade para com eles, João Batista indica a dois dos seus discípulos que Jesus é o verdadeiro Messias. É um convite para que O sigam, e eles fazem-no imediatamente.

João desprende-se dos seus discípulos, porque a sua missão está prestes a terminar. Já se encontra entre os homens Aquele cujo caminho viera preparar. Pouco depois é encarcerado por Herodes.

Vivemos para indicar aos nossos irmãos Cristo que passa, para que O sigam a Ele e não a nós. Mas só seremos capazes de o fazer, se tivermos um coração pobre e livre.

Somos tentados a prender as pessoas a nós, pela gratidão e pela amizade, e a conservá-las como troféus do nosso apostolado. Fazer o bem e desaparecer, para que só Cristo apareça, nem sempre é fácil para nós.

Deus faz-nos portadores do convite vocacional aos nossos irmãos, depois de termos rezado e num clima de verdadeira e desinteressada amizade.

Deste modo, por meio de cada um de nós, Jesus Cristo assegura a continuidade da Igreja e dos seus Pastores.

Havemos de indicar o seguimento de Cristo aos nossos irmãos, não pelo caminho de que gostamos, mas pelo que Ele quer. 

São divinos todos os caminhos vocacionais da terra, contanto que seja aquele que o Senhor escolheu para nós e o sigamos com fidelidade. Diante de Deus não há vocações de primeira e de segunda qualidade.

A melhor vocação para uma pessoa é a que o Senhor da Messe escolheu para ela. Aí deve santificar-se vivendo-a com fidelidade. De algum modo, a vocação é como a roupa que vestimos: a melhor, para cada um de nós, não é a que foi feita do melhor tecido ou por mãos famosas: a melhor roupa é a que tem as nossas medidas e nos deixa confortáveis.

Ao indicarmos, pois, o seguimento de Jesus, ajudemos os nossos amigos a eleger o caminho certo e a segui-lo com generosidade.

A vocação e a intimidade com Deus. «Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: “Que procurais?” Eles responderam: “Rabi – que quer dizer ‘Mestre’ – onde moras?” Disse-lhes Jesus: “Vinde ver”. Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde

Jesus Cristo mostra-Se aqui, não só perfeitamente acessível, de tal modo que é Ele a iniciar o diálogo, ajudando estes jovens a vencer uma natural timidez de Lhe falar, mas convida-os, até, a partilhar a Sua vida, acompanhando-O.

Este encontro deve tê-los feito muito felizes, porque ficaram, para sempre, a recordar a hora em que ele se deu, como costumamos recordar os momentos que nos proporcionaram alguma felicidade. Era por volta das quatro horas da tarde.

Com este diálogo, os Apóstolos dão os primeiros passos no seguimento da sua vocação, matriculando-se na escola divina da santidade e apostolado.

A vocação não é um problema intelectual que leve a pessoa a fechar-se no quarto, para estudar a que melhor lhe convém. Embora se requeira um mínimo de conhecimentos, nunca podemos esquecer que a vocação é uma questão de amizade com Jesus Cristo. Só quando estamos enamorados d’Ele nos decidimos a segui-l’O com alegria, sem reparar no que deixámos atrás.

O Senhor toma a iniciativa do diálogo, perguntando-lhes uma coisa que já sabe, para os levar ao diálogo. De algum modo, o caminho da vocação parece-se com o de qualquer amor humano que leva ao casamento. Há encontros repetidos entre a jovem e o rapaz, durante os quais os dois se vão revelando um ao outro e alimentando o afeto que os aproxima. Chegará o momento em que sentem o desejo de estabelecer uma vida comum, sem fronteiras.

O melhor caminho para conhecer a própria vocação é crescer na intimidade com Jesus Cristo, pelos Sacramentos e pela oração. Não há outro caminho. Mesmo quando a pessoa descobre repentinamente a vocação, por uma graça especial, fá-lo movida por um enamoramento.

Ajudar as pessoas a subir por este plano inclinado, ao encontro do Amor, é imprescindível para toda as vocações da Igreja: do matrimónio, da consagração no mundo ou numa comunidade religiosa, ou da simples entrega na vida do mundo, por fidelidade à vocação à santidade e ao apostolado recebida no Batismo.

Aproximar de Cristo as pessoas. «André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontrámos o Messias» – que quer dizer ‘Cristo’ –; e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: “Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas” – que quer dizer ‘Pedro’

Santo André, irmão de Simão Pedro, era um homem atento ao que Deus queria dele. Começou por ser discípulo de João Batista, até que ele lhe indicou o verdadeiro Messias que ia a passar. André seguiu-O imediatamente, mas tinha uma certa timidez em Lhe dirigir a palavra. Jesus quebrou este obstáculo, iniciando o diálogo.

Este apóstolo sentiu-se tão feliz com o encontro que foi convidar o irmão, Simão a partilhar desta felicidade. Foi grande a responsabilidade dele, porque chamou para o grupo de Jesus aquele sobre quem, humanamente, Jesus iria apoiar a Sua Igreja, o primeiro papa. Ao dar-lhe o nome de Pedro, Jesus quer significar o papel deste jovem pescador na Igreja: rocha, alicerce no qual se assenta o edifício.

 Quando não ajudamos as pessoas que vivem ao nosso lado a seguir a Cristo na própria vocação, é porque não estamos entusiasmados por Ele.

Toda a vocação na terra – casado ou celibatária, na vida religiosa ou no meio do mundo, como leigo ou como sacerdote – é caminho de santidade, de intimidade com Jesus Cristo.

Os casados são chamados, especialmente junto dos jovens, a testemunhar a alegria do Amor que se manifesta na fidelidade, na generosidade em aceitar as exigências da vida assumida, e em testemunhar a sua felicidade pela fidelidade a Deus.

As queixas e lamentações da própria vocação, ou da vida na Igreja, não aproximam as pessoas de Deus, nem umas das outras.

Maria, em casa de Isabel, mesmo estando cheia de problemas que tinha de resolver, dá testemunho de alegria e fidelidade ao Senhor. Aprendamos com Ela.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus não responde: “Moro em Cafarnaum ou Nazaré”, mas diz: «Vinde ver».

Não um cartão de visita, mas um convite a um encontro. Cada chamada de Deus é uma iniciativa do Seu amor.

É sempre Ele que toma a iniciativa. [...] É uma chamada individual, porque Deus não faz as coisas em série.»

O Evangelho deste segundo domingo do Tempo Comum (cf. Jo 1, 35-42) apresenta o encontro de Jesus com os seus primeiros discípulos. A cena tem lugar no rio Jordão, um dia depois do batismo de Jesus. É o próprio João Batista que indica o Messias a dois deles com estas palavras: «Eis o Cordeiro de Deus!» (v. 36). E aqueles dois, confiando no testemunho do Batista, seguem Jesus. Vendo que o seguiam, perguntou-lhes: «Que procurais?» e eles disseram-lhe: «Mestre, onde moras?» (v. 38).

Jesus não responde: “Moro em Cafarnaum ou Nazaré”, mas diz: «Vinde ver» (v. 39). Não um cartão de visita, mas um convite a um encontro. Os dois seguem-no e naquela tarde permanecem com Ele. Não é difícil imaginá-los sentados a fazer-Lhe perguntas e sobretudo a ouvi-Lo, sentindo o seu coração enternecer à medida que o Mestre fala. Eles apreciam a beleza das palavras que respondem à sua maior esperança. E de repente descobrem que, à medida que a noite cai em seu redor, neles, nos seus corações, irrompe a luz que só Deus pode dar. Uma coisa que chama a atenção: um deles, sessenta anos depois, ou talvez mais, escreveu no Evangelho: «Era cerca da hora décima» (Jo 1, 39), mencionou a hora. Isto é algo que nos faz pensar: cada encontro autêntico com Jesus permanece vivo na memória, nunca é esquecido. Esquecemos muitos encontros, mas o verdadeiro encontro com Jesus permanece sempre. E eles, muitos anos mais tarde, lembraram-se até da hora, não podiam esquecer este encontro tão feliz, tão cheio, que tinha mudado a vida deles. Depois, quando se despedem e regressam junto dos seus irmãos, esta alegria, esta luz transborda dos seus corações como um rio em cheia. Um daqueles dois, André, diz ao seu irmão Simão - a quem Jesus chamará Pedro quando o encontrar - «Encontrámos o Messias» (v. 41). Saíram certos de que Jesus era o Messias, certos.

Reflitamos por um momento sobre esta experiência de encontro com Cristo que chama para estar com Ele. Cada chamada de Deus é uma iniciativa do Seu amor. É sempre Ele que toma a iniciativa, Ele chama-nos. Deus chama à vida, ele chama à fé, e chama a um estado particular de vida: «Quero-vos aqui». A primeira chamada de Deus é para a vida, com a qual Ele nos constitui como pessoas; é uma chamada individual, porque Deus não faz as coisas em série. Depois, Deus chama à  e a fazer parte da sua família, como filhos de Deus. Por fim, Deus chama-nos a um estado particular de vida: para nos doarmos no caminho do matrimónio, no caminho do sacerdócio ou da vida consagrada. Estas são formas diferentes de cumprir o projeto de Deus, o projeto que Deus tem para cada um de nós, que é sempre um desígnio de amor. Deus chama sempre. E a maior alegria para cada crente é responder a esta chamada, oferecer todo o seu ser ao serviço de Deus e dos seus irmãos.

Irmãos e irmãs, face à chamada do Senhor, que pode chegar até nós de mil maneiras, até através das pessoas, de acontecimentos felizes e tristes, por vezes a nossa atitude pode ser de rejeição - “Não... tenho medo..., rejeito” - porque nos parece estar em contraste com as nossas aspirações; e temos medo, porque a consideramos demasiado exigente e desconfortável: “Oh, não vou conseguir, melhor não, melhor uma vida mais calma... Deus lá, eu aqui”. Mas a chamada de Deus é amor, devemos procurar encontrar o amor que está por detrás de cada chamada, e respondemos a ela só com amor. Esta é a linguagem: a resposta a uma chamada que vem do amor é apenas amor. No início há um encontro, ou melhor, há o encontro com Jesus, que nos fala do Pai, dá-nos a conhecer o seu amor. E então surge espontaneamente em nós também o desejo de comunicar isto às pessoas que amamos: “Encontrei o Amor”, “Encontrei o Messias”, “Encontrei Deus”, “Encontrei Jesus”, “Encontrei o sentido da minha vida”. Numa palavra: “encontrei Deus”.

Que a Virgem Maria nos ajude a fazer das nossas vidas um cântico de louvor a Deus, em resposta à sua chamada e no cumprimento humilde e alegre da sua vontade. Mas lembremo-nos disto: para cada um de nós, na vida, houve um momento em que Deus se fez presente com mais força, com uma chamada. Recordemo-lo. Voltemos àquele momento, para que a memória daquele momento nos renove sempre no encontro com Jesus.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 17 de janeiro de 2021

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Oremos a Deus nosso Pai,

que nos faz conhecer a sua vontade

através da história do mundo e dos homens,

e imploremos (cantando), humildemente:

 

     Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

1. Para que a nossa Diocese, suas paróquias e movimentos

     sejam confirmados na fé pelo Santo Padre,

     sucessor do apóstolo São Pedro,

     oremos humildemente.

 

     Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

2. Para que os responsáveis da nossa Pátria

     desenvolvam com entusiasmo o bem comum

     e promovam os direitos dos cidadãos mais necessitados,

     oremos humildemente.

 

     Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

3. Para que os jovens da nossa Diocese,

     à semelhança do pequeno Samuel,

     escutem com júbilo a voz de Cristo que os chama,

     oremos humildemente.

 

     Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

4. Para que os membros da nossa assembleia litúrgica

     participem dignamente na Eucaristia

     e cresçam cada vez mais em boas obras,

     oremos humildemente.

 

     Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

5. Para que os fiéis defuntos das nossas famílias

     alcancem o perdão dos seus pecados,

     e entrem na vida que não tem fim,

     oremos humildemente.

 

     Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

6. Para que os homens amem a paz entre todos

     e se esforcem por consegui-la no mundo inteiro,

     pela compreensão, pelo diálogo e pelo perdão,

     oremos humildemente.

 

     Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

Deus eterno e omnipotente, que nos chamais a seguir-Vos

como o vosso Filho chamou os Apóstolos,

confirmai no seu propósito os que respondem com decisão

e renovai o entusiasmo dos que vacilam no caminho.

 Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Agradeçamos humildemente ao Senhor que, na Sua misericórdia, nos confiou uma missão na vida presente.

Ele mesmo nos dará a força para a realizarmos com fiel generosidade quando, dentro de momentos, nos oferecer o manã da Eucaristia que agora prepara no altar.

 

Cântico do ofertório: A tua voz chama por nós – J. Santos, NRMS, 46

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de participar dignamente nestes mistérios, pois todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

Somos, pela vocação recebida na fonte do Batismo, construtores da paz e da alegria entre os homens.

Entreguemo-nos com generosidade a esta maravilhosa missão, construindo pontes entre os homens e derrubando os muros que os separam.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor chama-nos, neste momento, pelo nome, como ao pequeno Samuel, na noite da nossa vida, para que nos aproximemos d’Ele na Eucaristia.

É o Deus do Universo, que assumiu a nossa frágil natureza humana, Quem Se nos oferece como Alimento em cada Comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Felizes os convidados – M. Luís, NRMS, 4 (I)

Salmo 22, 5

Antífona da comunhão: Para mim preparais a mesa e o meu cálice transborda.

 

Ou

1 Jo 4, 16

Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear – J. F. Silva, NRMS, 17

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos num só coração e numa só alma aqueles que saciastes com o mesmo pão do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Durante a semana que hoje começa, dediquemos alguns momentos a pensar diante de Deus como temos vivido a nossa vocação pessoal.

 

Cântico final: Anunciai com brados de alegria – A. Oliveira, NRMS, 68 

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-I: Consequências da desobediência.

1 Sam 15, 16-23 / Mc 2, 18-22

Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles?

Esta imagem do noivo, ou Esposo, é utilizada pelo Senhor, para a união dEle com a Igreja. O próprio Senhor se intitula como o 'Esposo' (Ev.).

Nesta união não cabem os 'remendos', que podem estragar todo o tecido. A Igreja é o 'vestido novo', sem rasgões, santa. Samuel referiu ao rei Saúl um rasgão que teve consequências dramáticas: «uma vez que rejeitaste a palavra do Senhor, também Ele te rejeitará como Rei» (Leit.). A desobediência aos ensinamentos da Igreja provoca a divisão. É uma verdadeira repetição do pecado original.

 

3ª Feira, 16-I: Dedicação ao serviço do Senhor.

1 Sam 16, 1-13 / Mc 2, 23-28

Samuel deu-lhe a unção no meio dos irmãos. Daqui em diante, o Espírito do Senhor apoderou-se de David.

Na Antiga Aliança houve muitos 'ungidos' do Senhor, especialmente o rei David (Leit.). Jesus é o 'Ungido' do Senhor de uma maneira única, pois a humanidade que Ele assume é totalmente 'ungida pelo Espírito Santo'. Jesus é constituído 'Cristo' (Ungido) pelo Espírito Santo.

Jesus recorda a actuação de Davd quando ele e os seus companheiros, cheios de fome, comeram dos pães da proposição (Ev.). Actuou como um ungido do Senhor. Sendo nós também ungidos do Senhor, não esqueçamos de nos dedicarmos a Ele especialmente no dia do Senhor.

 

4ª Feira, 17-I: Exigências da fidelidade.

1 Sam 17, 32-33. 37. 40-51 / Mc 3, 1-6

David: tu vens contra mim com a espada, e eu vou contra ti em nome do Senhor do universo, que tu desafiaste.

As dificuldades que aparecem no nosso dia podem sempre ser ultrapassadas se tivermos em conta que o Senhor está presente e espera que o invoquemos. David também venceu Golias, em nome do Senhor do universo (Leit.).

Jesus quer curar a mão de um homem (Ev.) e fica triste com a dureza do coração dos fariseus, mas não deixa de fazê-lo. O ambiente que nos rodeia está numa situação de frieza  ou afastamento do Senhor. Não deixemos de viver sempre de acordo com a nossa fé, imitando o exemplo de Jesus Cristo.

 

5ª Feira, 18-I: Oitavário: Cura das feridas da divisão.

1 Sam 18, 6-9;  19, 1-7 / Mc 3, 7-12

Na verdade havia curado muita gente e, assim, todos os que tinham padecimentos corriam para Ele.

Jesu tinha o poder de curar (Ev.) e perdoar pecados. Por isso, todos procuravam tocar-lhe. Ele é sem dúvida, o Médico divino.

Para curar esta grande ferida da divisão dos cristãos, precisamos recorrer ao Médico divino. Mas também devemos ter presente que estas divisões se devem aos pecados dos homens. Onde há pecado, há multiplicidade, cisma, heresia, conflito. Pelo contrário, onde há virtude, há união. Foi um pecado de inveja que provocou grande divisão entre Saúl e David, de tal modo que o primeiro queria matar o último (Leit.).

 

6ª Feira, 19-I: O Papa e a unidade dos cristãos.

1 Sam 24, 3-21 / Mc 3, 13-19

Estabeleceu, pois, os Doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu e João, irmão de Tiago.

Desde o início da sua actividade pública, Jesus escolheu alguns homens, em número de doze para andarem com Ele e participarem na sua missão (Ev.). E ficam associados ao reino de Cristo e, através deles, dirige a Igreja. Mas, de entre eles, Simão Pedro ocupa o primeito lugar, tendo-lhe sido confiada uma missão única, para defender a fé.

Os que se afastaram da Igreja precisam de uma especial conversão para voltarem à unidade. Assim aconteceu com Saúl, que moveu uma grande perseguição contra David e acabou por reconhecer o seu engano. Rezemos pelo Papa e seus esforços para recompor a unidade.

 

Sábado, 20-I: Unidade, dom de Cristo.

2 Sam 1, 1.4. 11-12. 19. 23-27 / Mc 3, 20-21

Depois manifestaram o seu desgosto, choraram e jejuaram até à tarde, por causa de Saúl e seu filho Jónatas, do povo do Senhor.

É natural que a divisão dos cristãos provoque um grande desgosto ao Senhor e ao seu Vigário na terra, assim como aconteceu com as mortes de Saúl e Jónatas em David (Leit.). 

 Cristo concede sempre à sua Igreja o dom da unidade. Mas a Igreja deve orar e trabalhar constantemente para manter, reforçar e aperfeiçoar a unidade que Cristo quer para ela. O desejo de recuperar a unidade de todos os cristãos é um dom de Cristo. Oremos e trabalhemos todos para obter este dom, muito unidos ao Papa. E imploremos ao Espírito Santo que nos conceda este dom da unidade.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Fernando Silva

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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