Baptismo do Senhor

8 de Janeiro de 2024

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Cristo desceu às águas do Jordão – J. F. Silva, NRMS, 80

cf Mt 3, 16-17

Antífona de entrada: Depois do Baptismo do Senhor, abriram-se os Céus. Sobre Ele desceu o Espirito Santo em figura de pomba e fez-Se ouvir a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências».

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Jesus confiou o sacramento do baptismo à sua Igreja, quando pediu aos Apóstolos: «Ide e ensinai todos os povos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Na Igreja Católica, o baptismo é o primeiro dos sete sacramentos. Pelo baptismo aderimos ao pedido de Jesus, somos iluminados pelo Espírito Santo e tornamo-nos membros da Igreja, assembleia santa, povo sacerdotal, povo de reis, povo de Deus. 

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era baptizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adoptivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor...

ou

Deus omnipotente, cujo Filho Unigénito Se manifestou aos homens na realidade da nossa natureza, concedei-nos que, reconhecendo-O exteriormente semelhante a nós, sejamos por Ele interiormente renovados. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Eis o meu servo, enlevo da minha alma» Is 42,1-4.6-7

No Baptismo, Jesus manifesta-Se como inocente Cordeiro, em quem repousa o Espírito de Deus. Desce à água do rio Jordão, no meio dos pecadores, para inaugurar a obra da redenção.

 

Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: 1«Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. 2Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; 3não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: 4proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. 6Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, 7para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

 

Este texto pertence ao primeiro dos quatro «cantos do Servo de Yahwéh», dispersos pelo Segundo Isaías (Is 40 – 55), mas que, na origem, talvez fizessem parte de um único poema.

«Eis o meu servo». Trata-se de um mediador através do qual Deus levará a cabo o seu plano de salvação. Torna-se difícil determinar quem é designado em primeiro plano, se é uma personalidade individual (um rei de Judá, o profeta, ou o messias), ou uma colectividade (todo o povo de Israel ou parte dele), ou um indivíduo como símbolo de todo o povo. O nosso texto deixa ver uma personagem deveras misteriosa, humilde (vv. 2-3) e poderosa (vv. 4.7), escolhida por Deus e com uma missão universal (vv. 1.6). Pondo de parte a complexa e discutida questão da personalidade originária deste magnífico poema, o certo é que o Novo Testamento está cheio de ressonâncias deste texto, vendo mesmo nesta figura singular um anúncio do Messias, com pleno cumprimento na pessoa de Jesus. Assim temos v. 1: cf. Mt 3,17 e Lc 9,35; vv. 2-4: cf. Mt 12,15-21; v. 6: Lc 1,78-79 e 2,32 e Jo 8,12 e 9,5; v. 7: Mt 11,4-6 e Lc 7,18-22. É evidente que foi escolhida esta leitura para hoje porque é assim que Deus, pelo Profeta, apresenta o seu servo «enlevo da minha alma», sobre quem «fiz repousar o meu espírito»; é por isso que também no Jordão Jesus é apresentado (cf. Evangelho de hoje e paralelos).

 

 

Salmo Responsorial Salmo 28 (29), 1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)

 

Monição: O salmo de hoje é um hino de louvor ao Deus de Israel. Começa com um convite a louvarmos o Senhor, fala da tempestade, em que o trovão, é um símbolo do poder da voz de Deus, que ressoa sobre as águas, torce os carvalhos e varre as florestas. Por fim, podemos imaginar Deus como Rei, sentado no seu trono a dar força e a abençoar o seu povo na paz. Este salmo convida-nos a escutar a Palavra de Jesus Rei dos reis, Senhor dos senhores: “Este é o meu Filho. Escutai-O.”

 

Refrão:    O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Tributai ao Senhor, filhos de Deus,

tributai ao Senhor glória e poder.

Tributai ao Senhor a glória do seu nome,

adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

 

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,

o Senhor está sobre a vastidão das águas.

A voz do Senhor é poderosa,

a voz do Senhor é majestosa.

 

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão

e no seu templo todos clamam: Glória!

Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,

o Senhor senta-Se como Rei eterno.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Espírito Santo desceu sobre Jesus e ungiu-O com o óleo da alegria. Ele próprio afirmou na Sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, ungiu-me para anunciar a boa nova aos pobres, libertar os oprimidos, dar vista aos cegos e promulgar o ano da graça do Senhor. Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura que acabais de ouvir.” Lucas 4,18-19.21

 

Actos dos Apóstolos 10, 34-38

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. 36Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

 

Temos aqui uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa do centurião Cornélio em Cesareia, quando recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem serem obrigados a judaizar. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10,17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107,20); «anunciando a paz» (cf. Is 52,7); v. 38 «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61,1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico. Por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas», e que a «paz» – a súmula de todos os bens messiânicos – Deus a destina a toda a humanidade.

O discurso tem um carácter kerigmático evidente. E Lucas – o historiador-teólogo –, ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista, mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

38 «Ungiu do Espírito Santo». Estamos aqui em face de uma expressão simbólica tipicamente hebraica, alusiva à união misteriosa com o Espírito Santo (algo que pertence ao mistério trinitário, o verdadeiro ser e missão de Jesus, que se torna visível na sua Humanidade, na teofania do Jordão). É clara a referência a textos do A. T. de grande densidade messiânica, como Is 11,2; 61,1 (cf. Lc 2,18).

 

 

Aclamação ao Evangelho    Mc 9, 6

 

Monição: Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». Mc 9, 6

Escutemos Jesus e celebremos a glória do seu nome, pois Ele é o Rei soberano de todo o universo. Jesus é a Palavra, que aquece o nosso coração com o fogo do Amor divino. Ele nos abençoa com a sua Paz. Ele é a nossa Paz

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva, OC pg 534

 

Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 7-11

Naquele tempo, 7João começou a pregar, dizendo: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. 8Eu baptizo na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo». 9Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no rio Jordão. 10Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. 11E dos céus ouviu-se uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência».

 

São Marcos inicia o seu Evangelho com os brevíssimos relatos da pregação do Baptista no deserto, do Baptismo e das tentações de Jesus.

7-8 O contraste entre as duas personalidades, Jesus e João, reforça a superioridade de Jesus e do seu Baptismo: «não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias»; note-se que este gesto era considerado de tal modo humilhante, que nem sequer um judeu o podia impor a um criado da sua raça. É o próprio Baptista (assim chamado, sem mais, nos Sinópticos e também por Flávio Josefo) que estabelece o confronto entre o seu baptismo (banho) e o de Jesus: o seu apenas significava a graça e dispunha para a conversão; o de Jesus não só significa a graça purificadora e regeneradora, mas também a produz eficazmente: «Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo». Ver nota a Jo 1,26 (supra, 3º Domingo do Advento).

9 Jesus quer ser baptizado, mas não é para se inscrever como discípulo na escola do Baptista, nem sequer para ensinar a acatar a missão dum extraordinário enviado de Deus, nem mesmo simplesmente para nos deixar um exemplo de humildade; é sobretudo para realizar uma espécie de «acção simbólica», à maneira dos antigos profetas, como a entendeu a tradição patrística da Igreja: Ele que era a Vida (cf. Jo 1,4; 14,6), entra em contacto com a água para lhe dar a força vivificante de vir a ser a matéria do nosso Baptismo. Por outro lado, logo no início da vida pública, é-nos dado um sinal da divindade de Jesus, constituindo, por assim dizer, a sua apresentação pública como Messias e Filho de Deus, a inauguração solene do seu ministério público, credenciado pelas restantes Pessoas divinas. Também a SS. Trindade – que se manifesta no Baptismo do Senhor – toma posse da alma do fiel que é baptizado.

10 A «pomba», representa o Espírito Santo, porque os rabinos da época costumavam representar o Espírito de Deus por esta ave, a adejar sobre as águas na obra da criação (cf. Gn 1,1). Segundo os Santos Padres, ela é o símbolo da paz e da reconciliação entre Deus e a Humanidade.

 

 

Sugestões para a homilia

 

Este é o meu Filho

Testemunho de São João Baptista

 

Este é o meu Filho

1. O evangelista São Lucas diz que, depois do baptismo de todo o povo, Jesus foi baptizado também. Ao iniciar a sua vida pública, retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto. Impelido pelo Espírito Santo, Jesus voltou para a Galileia, ensinava nas sinagogas e todos O elogiavam. Jesus tornou-Se solidário connosco, Ele que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus. Assumindo a condição de servo, tornou-se semelhante aos homens e colocou-se junto dos pecadores: “O Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido.”

São Marcos ao narrar o Baptismo de Jesus, diz: “Por aqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João.” Os três evangelistas narram este acontecimento. Curiosamente em São Mateus podemos notar a resistência de João Baptista: Jesus veio da Galileia ao Jordão para ser baptizado, mas João opunha-se dizendo: “Eu é que tenho de ser baptizado por ti e Tu vens ter comigo? Jesus respondeu-lhe: Deixa por agora. Convém que cumpramos toda a justiça. João concordou.” Quando Jesus saiu da água, “rasgaram-se os céus e o Espírito Santo desceu sobre Jesus, em forma de pomba. Deus Pai apresentou-O como seu amado Filho: “Tu és o meu Filho muito amado, em ti ponho todo o meu agrado.” (Mateus 3, 13-17. Marcos 1,9-11)

 

Testemunho de São João Baptista

2. São João Baptista viu o Espírito Santo descer e permanecer sobre Jesus como um igual. “O Céu rasgou-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele forma corpórea, como uma pomba.” (Lucas 3,21-22) Deus Pai tinha-lhe dado esta inspiração esclarecedora da verdadeira identidade de Jesus: “Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer, esse baptizará no Espírito Santo e no fogo.” São João Baptista viu, ouviu e por isso não podia ficar calado. Deu o seu testemunho: “Jesus é o Filho de Deus.”  “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (CF João 1 32-34.36)

 3. O Baptismo do Senhor celebra-se no tempo de Natal. Diz o Apóstolo São Paulo: “Manifestou-se a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor pelos homens: Ele salvou-nos por sua misericórdia, quando renascemos e fomos renovados no batismo pelo Espírito Santo. Justificados pela sua graça, tornamo-nos, na esperança, herdeiros da vida eterna.” (Tito 3,4-7) Caríssimos, sejamos agradecidos: “Deus enviou seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele. Nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para Salvar o mundo.” O tempo de Natal recordou-nos que ao chegar “a plenitude dos tempos, Deus enviou-nos o Seu Filho Unigénito.” 1 João 4,14. Gal 4,4.

A Jesus, nosso Salvador, honra, glória e louvor, agora e pelos séculos dos séculos. Amem, aleluia.

 

Fala o Santo Padre

 

«No primeiro dia do seu ministério, Jesus diz-nos que [...] nos salva vindo até nós e assumindo os nossos pecados.

É assim que Deus vence o mal do mundo: abaixando-se, e assumindo-o sobre si mesmo.[...]

A proximidade é o estilo de Deus para connosco.»

Hoje celebramos o Batismo do Senhor. Há alguns dias deixámos o menino Jesus, visitado pelos Magos; agora encontramo-lo adulto nas margens do Jordão. A Liturgia faz-nos dar um salto de quase trinta anos, trinta anos dos quais sabemos uma coisa: foram anos de vida escondida, que Jesus passou em família – primeiro, alguns anos no Egito, como migrante fugido da perseguição de Herodes, os outros em Nazaré, aprendendo o ofício de José - em família obedecendo aos pais, estudando e trabalhando. É impressionante que a maior parte do tempo do Senhor na Terra tenha sido passado desta forma, vivendo a vida quotidiana, sem aparecer. Pensemos que, de acordo com os Evangelhos, foram três anos de pregações, milagres e muitas coisas. Três. E os outros, todos, de vida escondida em família. É uma bela mensagem para nós: revela-nos a grandeza do dia a dia, a importância aos olhos de Deus de cada gesto e momento da vida, até o mais simples, o mais escondido.

Após estes trinta anos de vida escondida, começa a vida pública de Jesus. E tem início precisamente com o batismo no rio Jordão. Mas Jesus é Deus, por que se faz batizar? O batismo de João consistia num rito penitencial, era sinal da vontade de se converter, de ser melhor, pedindo perdão pelos próprios pecados. Certamente Jesus não os tinha. De facto, João Batista procura opor-se, mas Jesus insiste. Porquê? Porque quer estar com os pecadores: é por isso que se põe na fila com eles e faz o mesmo gesto. Ele fá-lo com a atitude do povo, que, como diz um hino litúrgico, se aproximava com “nua a alma e nus os pés”.  A alma nua, ou seja, sem cobrir nada, pecador. Este é o gesto que Jesus faz, e desce ao rio para se imergir na nossa própria condição. Com efeito, batismo significa precisamente “imersão”. No primeiro dia do seu ministério, Jesus oferece-nos assim o seu “manifesto programático”. Ele diz-nos que não nos salva de cima, com uma decisão soberana ou um ato de força, um decreto, não: salva-nos vindo até nós e assumindo os nossos pecados. É assim que Deus vence o mal do mundo: abaixando-se, e assumindo-o sobre si mesmo. É também o modo como podemos elevar os outros: não julgando, não lhes dizendo o que fazer, mas estando perto deles, partilhando o amor de Deus. A proximidade é o estilo de Deus para connosco; Ele próprio disse a Moisés: “Pensa: que pessoas têm os seus deuses tão próximos como tu me tens a mim?”. A proximidade é o estilo de Deus para connosco.

Depois deste gesto de compaixão de Jesus, acontece uma coisa extraordinária: os céus abrem-se e a Trindade é finalmente revelada. O Espírito Santo desce sob a forma de pomba (cf. Mc 1, 10) e o Pai diz a Jesus: «Tu és o meu Filho muito amado» (v. 11). Deus manifesta-se quando a misericórdia aparece. Não vos esqueçais disto: Deus manifesta-se quando a misericórdia aparece, porque esse é o seu rosto. Jesus faz-se servo dos pecadores e é proclamado Filho; Ele abaixa-se sobre nós e o Espírito desce sobre Ele. O amor chama pelo amor. Também se aplica a nós: em cada gesto de serviço, em cada obra de misericórdia que realizamos, Deus manifesta-se, Deus põe o seu olhar sobre o mundo. Isto é válido para nós.

Mas, mesmo antes que façamos algo, a nossa vida é marcada pela misericórdia que se pousou sobre nós. Fomos salvos gratuitamente. A salvação é gratuita. É o gesto gratuito de misericórdia de Deus para connosco. Sacramentalmente, isto é feito no dia do nosso batismo; mas até aqueles que não são batizados recebem sempre a misericórdia de Deus, porque Deus está lá, à espera, à espera de que as portas dos corações se abram. Ele aproxima-se, ouso dizer, acaricia-nos com a sua misericórdia.

Que Nossa Senhora, a quem agora rezamos, nos ajude a salvaguardar a nossa identidade, ou seja, a identidade de sermos “misericordiados”, que está a base da fé e da vida.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 10 de janeiro de 2021

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãos em Cristo:

Recordando o Baptismo de Jesus, o Filho muito amado de Deus Pai,

 oremos pelos homens de toda a terra, dizendo confiadamente:

 R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou:

Iluminai, Senhor, a terra inteira.

 

1.    Pela santa Igreja do Oriente e do Ocidente,

pelos ministros do Evangelho e do Baptismo pelas crianças,

 por seus pais e seus padrinhos, oremos.

 

2.    Pelos catecúmenos jovens e adultos,

pelos eleitos, que são o enlevo do Senhor

e pelos grupos cristãos que os acompanham, oremos.

 

3.    Pelos que são baptizados neste dia

ou confirmados pelo Espírito, o Dom de Deus,

e pelos que procuram ser fiéis ao seu Baptismo, oremos

 

4. Pelas famílias cristãs, pequenas Igrejas em cada lar,

 pelos que buscam a Deus com rectidão

 e por aqueles que se sentem oprimidos pelo Demónio, oremos.

 

5. Por todos nós que recebemos o Baptismo,

 pelos que estão em graça e paz com Deus

e por aqueles que entre nós vivem nas trevas, oremos.

 

 Senhor, nosso Deus, reavivai em nós, pelo Espírito Santo

o dom e a alegria do Baptismo, para que Vos chamemos nosso Pai

e nos sintamos, de verdade, vossos filhos. Por Cristo nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Este é o meu Filho – F. Lapa, BML, 60

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que a Igreja Vos oferece, ao celebrar a manifestação de Cristo vosso Filho, para que a oblação dos vossos fiéis se transforme naquele sacrifício perfeito que lavou o mundo de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O Baptismo do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o mistério do novo Baptismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a boa nova aos pobres.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Monição da Comunhão

 

João 1, 32.34

“Eis Jesus, de quem João dizia: Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.”

Nós não vimos, mas somos felizes porque acreditamos que “por Cristo e em Cristo” nós também somos filhos: “Deus escolheu-nos, antes da criação do mundo e predestinou-nos para sermos seus filhos adoptivos.” Efésios 1,3-5

Na festa Baptismo do Senhor, somos convidados a agradecer e a rezar pelos nossos pais e padrinhos e por todos os baptizados. Baptizados em Cristo, formamos a grande família dos filhos de Deus.

 

Cântico da Comunhão: Abriram-se os Céus – Az. Oliveira, NRMS, 80

Jo 1, 32.34

Antífona da comunhão: Eis Aquele de quem João dizia: Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.

 

Cântico de acção de graças: Águas das fontes, louvai o Senhor – A. Cartageno, NRMS, 80

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este dom sagrado, ouvi benignamente as nossas súplicas e concedei-nos a graça de ouvirmos com fé a palavra do vosso Filho Unigénito para nos chamarmos e sermos realmente vossos filhos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Caríssimos, se já é excelsa para vós a missão de ser pais "segundo a carne", tanto mais o é a de colaborar na paternidade divina, oferecendo a vossa contribuição para formar nestas crianças a própria imagem de Jesus. No cumprimento desta missão, conforte-vos a confiança no Anjo da Guarda, a quem Deus confiou a mensagem de amor para cada um dos vossos filhos. A Igreja está comprometida em assistir-vos: no Céu velam os Santos, aqueles dos quais estas crianças têm o nome e que serão os seus "padroeiros". Na terra vive a comunidade eclesial, em que é possível confirmar a sua fé e a sua vida cristã, alimentando-a com a oração e os Sacramentos. Todos têm uma Mãe segundo o Espírito, Maria Santíssima. É a Ela que confio os vossos filhos, para que se tornem cristãos autênticos; à Virgem Maria confio-vos também a vós, queridos padrinhos e madrinhas, a fim de que saibais transmitir a estas crianças o amor de que têm necessidade para crescer e para acreditar.

 

Cântico final: A voz do Senhor ressoa sobre as águas – S. Marques, NRMS

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

1ª SEMANA

 

3ª Feira, 9-I: A nossa colaboração na obra da Redenção.

1 Sam 1, 9-20 / Mc 1, 21-28

Ana orou ao Senhor: Se vos dignardes conceder-me um filho varão, eu hei-de consagrá-lo ao Senhor por toda a vida.

Conforme prometera, Ana consagrou o seu filho Samuel ao Senhor, colocando-o no Templo ao serviço do Sumo-Sacerdote Eli.

Também Jesus coloca toda a sua vida ao serviço da Redenção. Este mistério está presente em toda a vida de Cristo: na sua Encarnação, na vida Oculta, na palavra que dirige aos seus ouvintes, nas curas e expulsões de demónios (Ev.), ao tomar sobre si as nossas enfermidades e carregar com as nossas doenças. Podemos também colaborar na obra da Redenção com a nossa vida de trabalho e de oração, com cada uma das nossas acções.

 

4ª Feira, 10-I: Oração e disponibilidade

1 Sam 3, 1-10. 19-20 / Mc 1, 29-39

 De manhãzinha, ainda muito escuro, Jesus levantou-se e saíu. Retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar.

Samuel não sabia distinguir a voz de Deus das vozes humanas. Por isso, o sacerdote Eli teve que ensiná-lo a dizer: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta» (Leit.). Jesus também nos dá exemplo de dedicação à oração logo de manhãzinha cedo (Ev.).

Peçamos ao Senhor que nos aumente o nosso desejo de orar. É na oração que aprenderemos  a escutar o que Deus espera de nós, como aconteceu com Samuel. E, como ele, termos mais disponibilidade para os encontros com o Senhor: ele várias vezes se levantou de noite, sempre disposto a ouvir a voz de Deus.

 

5ª Feira, 11-I: Significado da Arca da Aliança e das curas.

1 Sam 4, 1-11 / Mc 1, 40-45

Vamos buscar a Silo a Arca da Aliança do Senhor: que ela venha para o meio de nós e nos salve das mãos dos inimigos.

Já no Antigo Testamento, Deus utilizou imagens que conduziriam à salvação pelo Verbo Encarnado como, por exemplo, a serpente de bronze, a Arca da Aliança (Leit.).

As curas realizadas têm igualmente o mesmo significado. As curas que Jesus fazia eram sinais da vinda do Reino de Deus. E anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e sobre a morte, mediante a Páscoa. Assim, os sacramentos da Penitência e da Eucaristia curam as nossas feridas e revestem-nos da santidade de Deus. O msmo acontece com a misericórdia de Deus para com o seu povo e que Jesus  amplia para toda a história dos homens.

 

6ª Feira, 12-I: Cristo, Rei e Médico.

1 Sam 8, 4-7. 10-22 / Mc 2, 1-12

Que é mais fácil, dizer ao paralítico: 'os teus pecdos são perdoados', ou dizer: 'levanta-te e anda'?

Os anciãos de Israel manifestaram a Samuel os seu desejo de ter um rei: «o nosso rei é que há-de governar-nos, há-de comandar-nos em combate» (Leit.).

Jesus é igualmente Rei, pois as curas que vai realizando indicam que o reino de Deus está próximo. Ele veio curar o homem na sua totalidade, alma e corpo (Ev.). Dirige-se pessoalmente a cada um dos pecadores: «Meu filho, os teus pecados são-te perdoados» (Ev.). E é o Médico que se inclina sobre cada um dos doentes. A Confissão pessoal é, pois, a forma mais significativa de reconciliação.

 

Sábado, 13-I: A salvação dos pecadores.

1 Sam 9, 1-4. 17-19; 10, 1 / Mc 2, 13-17

Tu, Saúl, é que hás-de reger o povo do Senhor e o salvarás dos inimigos que o rodeiam,

Samuel ungiu Saúl para uma missão e governo e salvação dos inimigos (Leit.). Cristo é também ungido para o cumprimento de uma missão divina (Ev.).

A sua missão divina consiste na salvação dos pecadores: «Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino. 'Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores'» (Ev.). Convida-os à conversão, sem a qual não se pode entrar no Reino. Seguindo Jesus, procuremos igualmente convidar os nossos amigos e conhecidos para uma nova conversão, para se sentarem à mesa do Reino.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            José Roque

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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