Epifania do Senhor

7 de Janeiro de 2024

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Levanta-te Jerusalém, eis a tua luz – A. F. Santos, BML, 9

cf. Mal 3, 1; 1 Cron 19, 12

Antífona de entrada: Eis que vem o Senhor soberano. A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na Santa Missa vimos, como os reis magos, à procura de Jesus. Que saibamos renovar a alegria deste encontro, avivando a nossa fé e o nossos amor. Que sintamos um desejo vivo de O ver, de O ouvir, de O amar.

 

Irmãos, limpemos bem o nosso coração pelo arrependimento sincero.

 

Oração colecta: Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías canta a glória da nova Jerusalém iluminada pela luz d Messias e que acolhe todos os povos da terra.

 

Isaías 60, 1-6

1Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. 2Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. 3As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. 4Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. 5Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. 6Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor.

 

O texto canta a glória da Jerusalém renovada, figura da «Jerusalém nova descida do Céu» (cf. Apoc 21,2.23-24). A visão universalista que o poema apresenta corresponde à realidade da Igreja, que é católica, universal.

3 «As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora». Não há dúvida de que se pode adaptar perfeitamente este texto isaiano ao mistério hoje celebrado: os «magos» – este texto terá contribuído para se lhes chamar «reis» –, que seguem a «luz» da estrela, são os pioneiros de entre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

6 A menção de povos do Oriente – «Madiã e Efá» –, dos ricos comerciantes de «Sabá», a sul da Arábia (Yémen) e, sobretudo, os produtos que trazem – «ouro e incenso» – fazem lembrar o que nos relata o Evangelho: a vinda dos Magos do Oriente que trazem «oiro, incenso e mirra».

 

 

Salmo Responsorial Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13(R. cf. 11)

 

Monição: O salmo canta os louvores do Messias, que é rei e a quem virão adorar os povos de todo o mundo.

 

Refrão:    Virão adorar-Vos, Senhor,

todos os povos da terra.

 

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar

e a vossa justiça ao filho do rei.

Ele governará o vosso povo com justiça

e os vossos pobres com equidade.

 

Florescerá a justiça nos seus dias

e uma grande paz até ao fim dos tempos.

Ele dominará de um ao outro mar,

do grande rio até aos confins da terra.

 

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,

os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.

Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,

todos os povos o hão-de servir.

 

Socorrerá o pobre que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Terá compaixão dos fracos e dos pobres

e defenderá a vida dos oprimidos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo fala do mistério da salvação trazida por Cristo, não só para os judeus mas também para todos os homens.

 

Efésios 3, 2-3a.5-6

Irmãos: 2Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: 3apor uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, 5ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: 6os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

 

Nesta passagem de Efésios, S. Paulo define em que consiste o «mistério de Cristo» (v. 4). Os gentios, que vêm à Igreja, estão no mesmo pé de igualdade que os judeus procedentes do antigo povo de Deus: não há lugar para cristãos de primeira e cristãos de segunda! O texto original é muito expressivo: os gentios vêm a ser co-herdeiros («recebem a mesma herança que os judeus», assim temos a tradução litúrgica), com-corpóreos (traduzido por: «pertencem ao mesmo Corpo», o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja una), e com-participantes (traduzido por: «beneficiam da mesma promessa» de salvação). E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de gentios e judeus.

 

Aclamação ao Evangelho    Mt 2, 2

 

Monição: Os magos vieram adorar a Jesus e isso veio dar novo sentido às suas vidas.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 114)

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos adorar o Senhor.

 

 

 

Evangelho

 

São Mateus 2, 1-12

1Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. 2«Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. 4Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: 6‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». 7Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. 8Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». 9Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. 10Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. 11Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, caindo de joelhos, prostraram-se diante d’Ele e adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

O Evangelho da adoração dos Magos foi objecto das mais belas reflexões teológico-espirituais ao longo da história: já nos fins do séc. II, Tertuliano via nas ofertas dos Magos símbolos do reconhecimento de quem era Jesus: oferecem-lhe «ouro» como Rei, «incenso» como Deus, «mirra» (outra resina aromática, usada na sepultura) como Homem. Santo Ambrósio fixa-se em que os Magos vão por um caminho e voltam por outro, porque regressam melhores, depois do encontro com Cristo. Santo Agostinho vê nos Magos as primitiæ gentium, a par dos pastores que são as primícias dos judeus, etc. Mas ainda hoje os comentadores retomam e actualizam os temas do relato: Cristo como verdadeira luz, o caminho dos gentios para Cristo, o simbolismo das ofertas, a fé e a perseverança dos Magos, a busca do sentido da Escritura, o sentido de procura do caminho, etc.

O próprio relato encerra um grande alcance teológico: Jesus é o verdadeiro «rei» que merece ser procurado e adorado por todos; a Ele acorrem, vindas de longe, gentes guiadas por uma estrela e pela Escritura; ainda menino e sem falar, já divide os homens a favor e contra Ele; a homenagem que Lhe prestam os Magos é a resposta humana ao «Emanuel, Deus connosco»; n’Ele se cumprem as profecias que falavam da vinda de reis e de todos os povos a Jerusalém, assim em Is 60 e Salm 72(71),10. Mais ainda, ao nível da própria redacção de Mateus, o relato ilustra a teologia específica do evangelista: sendo este Evangelho dirigido a judeo-cristãos, confrontados com a Sinagoga, que não aceita Jesus, o episódio dos Magos documenta bem a teologia do «messias rejeitado», pois Jesus, logo ao nascer, encontra a hostilidade do poder e a indiferença das autoridades religiosas; é também uma ilustração das palavras de Jesus, «virão muitos do Oriente…» (Mt 8,11).

Em face de tudo isto, o estudioso não pode deixar de se interrogar se não estaremos perante um teologúmeno, uma criação de Mateus para dar corpo a uma ideia teológica. A verdade é que em toda a tradição cristã se deu grande valor à adoração dos Magos e à festa da Epifania. Se detrás disto não há realidade nenhuma, o significado de tudo fica privado da sua base mais sólida.

Nota sobre a questão da historicidade do relato: A crítica bíblica moderna tem proposto teorias bastante discordantes; por um lado, temos um grupo em que R. E. Brown reúne as objecções que se têm levantado contra a historicidade do relato, que denotam – diz – «uma inverosimilhança intrínseca»: o movimento da estrela de Norte para Sul (Jerusalém – Belém), a sua paragem sobre a casa, a consulta de Herodes aos escribas e sacerdotes, seus inimigos, a indicação de Belém como um dado desconhecido ao contrário de Jo 7,42, a imperdoável ingenuidade de Herodes que não manda espiar os Magos, o facto de não se ter identificado o menino após a visita de homens de fora a uma pequena povoação, o silêncio de Lucas sobre a visita; estes autores concluem que se trata, então, de uma construção artificial feita com textos do Antigo Testamento.

Por outro lado, temos autores mais recentes como R. T. France (The Gospel according to Mathew) que defendem a credibilidade histórica do relato, demonstrando que as dificuldades contra têm solução. Com efeito, embora estejam subjacentes no relato vários textos do A. T., apenas um é citado, podendo mesmo ser suprimido sem interromper o discurso (vv. 5b-6), o que é sinal de que a citação foi acrescentada a um relato preexistente, não sendo a citação a dar origem ao relato. Os pretensos traços duma lenda edificante, ou midraxe hagadá, nada têm de historicamente provável: o caso da estrela que pára sobre a casa, mas já S. João Crisóstomo observava que a estrela não vinha de cima, mas de baixo, pois não era uma estrela natural e não é provável que a Igreja, que bem cedo entrou em conflito com a astrologia, tivesse inventado uma história a favorecê-la. O facto de Herodes não ter mandado espiar os Magos não revela ingenuidade, mas prudência para que os seus guardas não viessem a dificultar a descoberta do Menino, e também uma plena confiança em que os Magos voltassem; finge colaborar com eles, a fim de obter mais dados.

Também René Laurentin sublinha a credibilidade histórica de certos pormenores, como a existência de astrólogos viajantes («magos») no Oriente, ou a astúcia e crueldade de Herodes (matou a maior parte das suas 10 mulheres, vários filhos e muitas pessoas influentes na política); e, sobretudo, Mateus revela «sensibilidade histórica», ao não fazer coincidir bem os factos que narra com as citações e alusões ao A. T.: se os factos fossem inventados, teriam sido forjados de molde a que se adaptassem bem às passagens bíblicas (a estrela da profecia de Balaão – Nm 24,17 – não é a estrela que indica o Messias, mas sim o próprio Messias, etc.). Também a propaganda religiosa judaica tinha despertado a expectativa do nascimento do Messias (ver, por ex., a IV écloga de Virgílio) e fervorosos aderentes entre os gentios, o que torna mais compreensível a visita destes estranhos. A. Díez Macho afirma que «a intenção de Mateus é narrar história confirmada com profecias ou paralelos vétero-testamentários», e descobre no episódio dos Magos uma grande quantidade de «alusões» ao A. T. (o chamado rémez, figura retórica muito do gosto dos semitas e frequente na Bíblia). Este célebre biblista espanhol (assim também o italiano G. Segalla) diz que o fenómeno da estrela pode muito bem corresponder à conjunção de Júpiter e Saturno que se deu na constelação de Peixe, e que teve lugar três vezes no ano 7 a. C., data provável de nascimento de Cristo.

Bento XVI também afirma que as semelhanças da narrativa de Mateus com a Hagadá de Moisés que se conta em Flávio Josefo, posterior ao Evangelho, «não bastam para tornar a narrativa de Mateus uma simples variante cristã da hagadá de Moisés» (A Infância de Jesus, p. 93).

Mas a verdade é que não se pode negar o carácter popular do relato, pouco preocupado com o rigor das coisas, pois até dá a entender que havia uma estrela a deslocar-se de Norte para Sul até parar sobre a casa.

 

 

Sugestões para a homilia

 

Vimos a sua estrela no Oriente

Prostraram-se diante dele

Regressaram por outro caminho

 

 Vimos a sua estrela no Oriente

Os magos que hoje recordamos continuam a ser uma lição para nós. Vieram de muito longe á procura de Jesus. Não se pouparam a sacrifícios para O encontrarem. Não era uma viagem fácil naqueles tempos. Podemos imaginar os incómodos, os perigos que tiveram de enfrentar.

O Evangelho fala-nos do seu entusiasmo e da sua alegria. Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo -diziam em Jerusalém. A estrela era para eles o sinal do Messias esperado. Deus tinha-lhes feito compreender que tinha nascido aquele que um profeta pagão, inspirado pelo Espírito Santo, tinha anunciado. Balaão -conta-nos o livro dos Números- tinha falado duma estrela em Jacob e dum ceptro (dum rei) em Israel que havia de vir mais tarde: “Surgirá uma estrela de Jacob e surgirá um ceptro de Israel” (Num. 34, 17). É uma referencia ao Messias prometido.

Eles acreditaram e puseram-se a caminho guiados pela luz daquela estrela misteriosa que ia à sua frente.

A fé é para nós a luz que nos guia no caminhar da nossa vida. É uma luz mais forte e mais clara que a dos magos. Fiamo-nos na palavra de Jesus, temos a garantia dos Seus milagres, temos a ajuda da Sua Igreja que continua a repetir-nos as Suas palavras e a ser luz para toda a humanidade.

Podemos caminhar seguros. Só Jesus tem palavras de vida eterna. Ensina os segredos de Deus, e também aquilo que espera de nós, aquilo que devemos praticar em nossa vida para podermos chegar ao Céu.

Com Jesus aprendemos a viver, a distinguir o bem do mal, a transformar as pequenas realidades da nossa vida em algo de valioso, algo de divino, se o fazemos por amor unidos a Jesus.

A fé tem de iluminar a nossa vida de cada dia, tem de ir à nossa frente. Quando parecer que a perdemos temos de fazer como os magos: perguntar a quem nos pode ensinar. Não é Herodes, mas sim aqueles que o Senhor pôs em Seu nome cá na terra para nos guiarem com a Sua autoridade divina, o Santo Padre, sucessor de Pedro e os bispos unidos a ele.

 

Prostraram-se diante dele

Ao chegarem junto de Jesus Menino os magos prostraram-se diante dEle para O adorarem. Eles reconheciam-nO não só como o Messias anunciado ao Povo de Israel, mas também com verdadeiro Deus.

Adorar é reconhecer que Deus é o Criador o Senhor de tudo. É a primeira obrigação do homem diante do seu Criador, é o primeiro mandamento da Lei de Deus.

Como sinal dessa adoração ajoelhamos com os dois joelhos ou genuflectimos com o joelho direito. Devemos fazê-lo ao entrar na igreja e nalguns dos momentos da missa. São gestos simbólicos que servem para dizer ao Senhor que Ele é muito grande, mesmo quando escondido na Eucaristia e que nós somos muito pequenos diante dele. Devemos pôr nesse gesto toda a nossa alma. Como aquela miúda que fazia muito bem a genuflexão. O pároco perguntou-lhe: quando genuflectes que dizes a Jesus?

-Digo-Lhe baixinho: - ó Jesus eu gosto muito de Ti.

Só a Deus queremos adorar. Não nos prostramos diante de mais ninguém cá na terra, nem diante do dinheiro, das honras, ou dos prazeres. Muito menos diante de nós próprios como se fôssemos deuses.

Alguém dizia que o homem nunca é tão grande como quando se ajoelha diante de Deus. Porque servir a Deus é reinar. É participar da Sua grandeza infinita.

Que pena que muitos cristãos entrem nas igrejas e não saibam ajoelhar com reverência e humildade. Nesses gestos podemos ver a fé ou a falta de fé das pessoas que ali vão.

As nossas mães, quando éramos pequenos, ensinavam-nos essas coisas. Hoje muitas não têm o cuidado de o fazer. E é pena.

 

Regressaram por outro caminho

Os reis magos ofereceram a Jesus as suas prendas ouro incenso e mirra. Prendas de valor, que mostram também a sua fé e a sua generosidade.

Deus merece que Lhe demos o que temos de melhor. Porque é Ele que tudo nos dá.  Aprendamos a ser generosos, sabendo ser agradecidos. Ficaremos mais ricos porque nos dará muito mais. A melhor maneira de pedir é agradecer e dar ao Senhor o melhor que temos.

Os reis magos voltaram por outro caminho para a sua terra, avisados por Deus. É uma lição para nós. Depois de nos encontrarmos com Jesus a nossa vida tem de renovar-se. Temos de ver melhor o que Ele espera de nós.

Ao ouvir a Jesus, ao olhar para Ele que é o nosso modelo, descobrimos tantas coisas que é preciso pôr de acordo com Ele. O encontro com Jesus é sempre um convite à conversão, ao arrependimento, a uma vida de santidade. Ao sair de cada missa, depois de estarmos com o Senhor, temos de ir dispostos a mudar muitas coisas em nossa vida. Coisas grandes ou coisas pequenas que fazem parte do nosso caminhar cá na terra.

Um navio que vai pelo mar fora em busca dum porto longínquo necessita dum piloto que o guie com segurança acertando bem a direcção e afinando-a uma e outra vez. Doutro modo no fim da viagem pode estar a milhares de quilómetros de distancia do porto pretendido.

Jesus espera de nós esta conversão contínua. É essa a melhor prenda que Lhe podemos dar. É a oferta de nós próprios, a entrega do nosso coração, mais valiosa que todo o ouro que Lhe possamos dar.

Os magos encontraram Jesus nos braços de Nossa Senhora. É Ela sempre que nos apresenta Jesus e que nos ensina a amá-Lo cada dia mais, a nunca O perder pelo pecado, a lutar mais a valer por sermos santos.

Segundo uma antiga tradição os magos vieram a ser cristãos mais tarde e são venerados como santos, encontrando-se os seus corpos na catedral de Colónia, na Alemanha.

Que a Virgem e S.José nos ensinem a amar a Jesus com mais alegria e generosidade.

 

Fala o Santo Padre

 

«A luz de Cristo não se propaga por proselitismo, mas por testemunho, pela confissão da fé. [...]

Ai de nós se pensarmos que a possuímos.

Nós, como os Magos, somos chamados a deixar-nos sempre fascinar, atrair, guiar, iluminar e converter por Cristo.»

Hoje celebramos a solenidade da Epifania, ou seja, a manifestação do Senhor a todos os povos: com efeito, a salvação realizada por Cristo não conhece fronteiras, é para todos. A Epifania não é outro mistério, é sempre o mesmo mistério da Natividade, mas visto na sua dimensão de luz: luz que ilumina cada homem, luz para ser acolhida na fé e luz para ser levada aos outros na caridade, no testemunho, no anúncio do Evangelho.

A visão de Isaías, narrada na Liturgia de hoje (cf. 60, 1-6), ressoa no nosso tempo mais atual do que nunca: «A noite cobre a terra e a escuridão, os povos» (v. 2). Neste horizonte, o profeta anuncia a luz: a luz concedida por Deus a Jerusalém e destinada a iluminar o caminho de todos os povos. Esta luz tem o poder de atrair todos, próximos e distantes, e todos se põem a caminho para a alcançar (cf. v. 3). Trata-se de uma visão que abre o coração, que alarga o respiro, que convida à esperança. Certamente, as trevas estão presentes e são ameaçadoras na vida de cada pessoa e na história da humanidade, mas a luz de Deus é mais poderosa. Trata-se de a acolher, a fim de que possa resplandecer para todos. Mas podemos perguntar-nos: onde está esta luz? O profeta vislumbrou-a de longe, mas já era suficiente para encher o coração de Jerusalém de uma alegria irrefreável.

Onde se encontra esta luz? O evangelista Mateus, por sua vez, narrando o episódio dos Magos (cf. 2, 1-12), mostra que esta luz é o Menino de Belém, é Jesus, mesmo que a sua realeza não seja aceite por todos. Aliás, alguns a rejeitam, como Herodes. Ele é a estrela que apareceu no horizonte, o Messias esperado, aquele através de quem Deus realiza o seu reino de amor, o seu reino de justiça, o seu reino de paz. Ele nasceu não só para alguns mas para todos os homens, para todos os povos. A luz é para todos os povos, a salvação é para todos os povos.

E como se verifica esta “irradiação”? Como se difunde a luz de Cristo em todos os lugares e tempos? Tem o seu método de propagação. Não o faz através dos poderosos meios dos impérios deste mundo, que procuram sempre apoderar-se do domínio sobre ele. Não, a luz de Cristo difunde-se através da proclamação do Evangelho. A proclamação, a palavra e o testemunho. Com o mesmo “método” escolhido por Deus para vir entre nós: a encarnação, isto é, aproximar-se do outro, conhecendo-o, assumindo a sua realidade e dando o testemunho da nossa fé, cada um de nós. Só assim a luz de Cristo, que é Amor, pode resplandecer em quantos a acolherem, atraindo outros. A luz de Cristo não se propaga apenas com palavras, com métodos falsos, empresariais... Não, não! A fé, a palavra, o testemunho: assim se difunde a luz de Cristo. Cristo é a estrela, mas também nós podemos e devemos ser a estrela para os nossos irmãos e irmãs, como testemunhas dos tesouros de bondade e de infinita misericórdia que o Redentor oferece gratuitamente a todos. A luz de Cristo não se propaga por proselitismo, mas por testemunho, pela confissão da fé. Até pelo martírio!

Portanto, a condição é acolher em nós esta luz, acolhê-la cada vez mais. Ai de nós se pensarmos que a possuímos, ai de nós se pensarmos que só devemos “geri-la”! Também nós, como os Magos, somos chamados a deixar-nos sempre fascinar, atrair, guiar, iluminar e converter por Cristo: é o caminho da fé, através da oração e da contemplação das obras de Deus, que nos enche continuamente de alegria e de admiração, uma admiração sempre nova. A admiração é sempre o primeiro passo para ir em frente nesta luz.

Invoquemos a proteção de Maria sobre a Igreja universal, para que possa difundir no mundo inteiro o Evangelho de Cristo, luz de todas as nações, luz de todos os povos!

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 6 de janeiro de 2021

 

Oração Universal

 

Unidos a toda a Igreja trazemos a Jesus, cheios de fé e confiança, as nossas ofertas e também os nossos pedidos. Ele apresenta-os ao Pai, para que os atenda. Peçamos cheios de confiança:

Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor

 

1-Pela Santa Igreja,

para que se renove no amor ao seu esposo presente na Eucaristia,

em todos os pastores e fiéis, oremos ao Senhor

 

2-Pelo Santo Padre,

para que todos escutem a sua palavra nos temas de fé e de moral,

vendo por trás dele a Jesus, oremos ao Senhor.

 

3-Pelos bispos e sacerdotes,

para que cumpram fielmente as normas litúrgicas

e as ensinem a viver a todos os cristãos, oremos ao Senhor.

 

4-Por todos os cristãos,

para que vivam melhor a Santa Missa de cada domingo,

preparando bem as suas almas para virem ao encontro de Jesus, oremos ao Senhor.

 

5-Para que todos nos entusiasmemos a visitar mais vezes a Jesus no sacrário,

sabendo consumir tempo em adoração ao Senhor

e encontrando ali a nossa força e alegria, oremos ao Senhor.

 

6-Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os converta e por todos os que ainda não conhecem a Cristo,

para que O descubram e O procurem, como os Reis magos, oremos ao Senhor.

 

7-Por todos os que se encontram no Purgatório,

para que possam contemplar no Céu o rosto de Cristo, oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos destes a estrela da fé, que nos conduziu a Jesus, Vosso Filho,

fazei que saibamos procurá-Lo sempre com novo entusiasmo na Eucaristia

e trazer-Lhe todos os homens.

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó vós que andais buscando, M. Simões, NRMS, 47

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Epifania: p. 460 [592-704]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria.

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 195)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus veio até nós em Belém, há dois mil anos. Na comunhão vamos não só adorá-Lo mas recebê-Lo em nosso coração. Tratemo-Lo bem.

 

Cântico da Comunhão: Vimos a sua estrela – F. Silva, NRMS, 68

cf. Mt 2, 2

Antífona da comunhão: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos com presentes adorar o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: O Verbo fez-se carne – Az. Oliveira, NRMS, 47 e 52

 

Oração depois da comunhão: Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos partir como os magos com alegria de ter estado com Jesus vivo mas escondido. E com o desejo de mudar em nossas vidas o que nos indicou a cada um de nós.

 

Cântico final: Uns Magos vindos do além – J. F. Silva, NRMS, 76

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Celestino Correia

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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