Sagrada Família de Jesus, Maria e José

31 de Dezembro de 2023

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor Jesus iluminai nossas famílias – J. F. Silva, NRMS, 71 – 72

Lc 2, 16

Antífona de entrada: Os pastores vieram a toda a pressa e encontraram Maria, José e o Menino deitado no presépio.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Dentro da oitava do Natal, a Liturgia coloca muito significativamente a festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José.

O Senhor, que no Seu nascimento humano dispensou uma casa, um berço e todas as comodidades este mundo, não quis privar-se de uma família cheia de amor, escolhendo para O acompanhar na vida a melhor das mães e o melhor dos homens para exercer a missão de pai, excepto na geração.

Ao mesmo tempo, apresenta-a como modelo vivo de todas as famílias de todos os tempos.

 

Acto penitencial

 

Hoje somos convidados ao pedir ao Senhor que nos purifique de todos os pecados que se relacionam com a vida em família.

Peçamos ao nosso Deus a coragem necessária para mudarmos o que deve ser mudado na nossa vida de cada dia.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Trazemos para casa o cansaço e os aborrecimentos do trabalho

     e causamos um desnecessário mau ambiente e tristeza às pessoas de família.

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Não dominamos o mau humor que às vezes sentimos por momentos

     e magoamos dolorosamente e sem piedade aqueles que vivem ao nosso lado.

     Cristo, tende piedade de nós!

 

     Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Portamo-nos, por vezes com frieza e indiferença com os outros

     e não os ajudamos a levar a cruz que os oprime, como devem fazer os irmãos.

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Livro de Ben-Sirá apresenta, de forma muito prática, algumas atitudes que os filhos devem ter para com os pais… É uma forma de concretizar esse amor na família.

 

Ben-Sira 3, 3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)

3Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. 4Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados 5e acumula um tesouro quem honra sua mãe. 6Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. 7Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. 14Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. 15Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, 16porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida 17ae converter-se-á em desconto dos teus pecados.

 

Esta leitura é extraída da Sabedoria de Jesus Ben Sira, título grego do livro do A.T. mais lido na Liturgia, depois do Saltério, o que lhe veio a merecer, na Igreja latina, o nome de Eclesiástico, como já lhe chamava S. Cipriano no séc. III. O autor inspirado escreve pelo ano 180 a. C., quando a Palestina acabava de passar para o domínio dos Selêucidas (198). Então, a helenização, favorecida pelas classes dirigentes, começava a tornar-se uma sedução para o povo da Aliança, com a adopção de costumes totalmente alheios à pureza da religião. Perante tão perigosa ameaça, Ben Sira vê na família o mais poderoso baluarte contra o paganismo invasor. Assim, os seus ensinamentos vão insistentemente dirigidos aos filhos, e estes são continuamente exortados a prestar atenção às palavras do pai.

O nosso texto é um belíssimo comentário inspirado ao 4.º mandamento do Decálogo (Ex 20,12; Dt 5,16), concretizando alguns deveres: o cuidado com os pais na velhice (v. 14a); não lhes causar tristeza (v. 14b); ser indulgente para com eles, se vierem a perder a razão (15a); nunca os votar ao desprezo (15b).

 

 

Salmo Responsorial Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5 (R. cf. 1)

 

Monição: O salmo de meditação canta a felicidade daqueles que seguem os caminhos do Senhor, como convite a que procuremos segui-lo também.

O amor da família, além de nos tornar agradáveis a Deus, faz-nos seguir pelo caminho da verdadeira felicidade.

 

 

Refrão:    Felizes os que esperam no Senhor,

e seguem os seus caminhos.

Ou:           Ditosos os que temem o Senhor,

ditosos os que seguem os seus caminhos.

 

Feliz de ti, que temes o Senhor

e andas nos seus caminhos.

Comerás do trabalho das tuas mãos,

serás feliz e tudo te correrá bem.

 

Tua esposa será como videira fecunda

no íntimo do teu lar;

teus filhos serão como ramos de oliveira

ao redor da tua mesa.

 

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião te abençoe o Senhor:

vejas a prosperidade de Jerusalém

todos os dias da tua vida.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis da Igreja de Colossos que ele tinha fundado, ensina a vida que há-de reinar nas famílias cristãs.

Fala do perdão mútuo, do exercício de uma caridade operativa que não fique apenas em bons sentimentos e desejos, e aconselha-nos a que inspiremos a nossa conduta na Palavra de Deus.

 

Colossenses 3, 12-21

Irmãos: 12Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. 13Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. 14Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. 16Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. 17E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. 18Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. 19Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. 20Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. 21Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.

 

A leitura é tirada da parte final da Carta, a parte parenética, ou de exortação moral, em que o autor fundamenta a vida moral do cristão na sua união com Cristo a partir do Baptismo: trata-se duma «vida nova em Cristo».

12-15 Temos aqui a enumeração de uma série de virtudes e de atitudes indispensáveis à vida doméstica, diríamos nós agora, para que ela se torne uma imitação da Sagrada Família de Nazaré. Estas virtudes são apresentadas com a alegoria do vestuário, como se fossem diversas peças de roupa, que, para se ajustarem bem à pessoa, têm de ser cingidas com um cinto, que é «a caridade, o vínculo da perfeição». Na linguagem bíblica, «revestir-se» não indica algo de meramente exterior, de aparências, mas assinala uma atitude interior, que implica uma conversão profunda.

17 «Tudo em nome do Senhor Jesus» como Jesus faria ou falaria no meu lugar.

18-21 O autor sagrado não pretende indicar aqui os deveres exclusivos de cada um dos membros da família, mas sim pôr o acento naqueles que cada um pode ter mais dificuldade em cumprir; com efeito, o marido também tem de «ser submisso» à mulher, e a mulher também tem de «amar» o seu marido.

 

 

 

Aclamação ao Evangelho    Col 3, 15a.16a

 

Monição: Nesta festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, deixemo-nos banhar pela luz da Palavra de Deus, para que reine em nossos corações a verdadeira paz.

Aclamemos o Evangelho da Salvação que ensina a todos nós estes caminhos divinos.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (II)

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40     Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1,11.22-28). Mas, se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13,2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12,28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19,5-6; Lv 19,2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29,13; Mt 15,7-9), meras exterioridades.

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (em parte nenhuma se diz que era velho), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5,34; 22,3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1,26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» («se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem («muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

 

Sugestões para a homilia

 

1. A Sagrada Família e a família cristã

A Igreja celebra, na alegria própria do Natal, a solenidade da Santa Família de Nazaré. O Papa emérito Bento XVI lembrava, num dia como hoje, que o contexto é o mais adequado, porque o Natal é por excelência a festa da família. […] Sem dúvida, a família é uma graça de Deus, que deixa transparecer o que Ele próprio é: Amor. Um amor totalmente gratuito, que sustenta a fidelidade ilimitada, mesmo nos momentos de dificuldade e desencorajamento. Estas qualidades encarnam-se de modo eminente na Sagrada Família, na qual Jesus veio ao mundo e foi crescendo e se foi enchendo de sabedoria, com os cuidados amorosos de Maria e com a tutela fiel de São José” (Ángelus na Praça de S. Pedro, 28. 12.2008).

De facto Deus é Amor e é Família (Pai, Filho e Espírito Santo) numa unidade perfeita e inseparável. Por isso a pessoa humana, imagem e semelhança de Deus, é criada para a auto-doação (amor) e para a família. A pessoa humana sem família estaria desenquadrada. Por isso compreendemos que Deus tenha querido dar-nos como modelo para todo homem o Filho de Deus encarnado e para toda família a Família Santa de Nazaré. Na Sagrada Família se realiza de modo único e irrepetível a imagem e semelhança com o Deus Família que Jesus nos deu a conhecer. Por isso toda família cristã deve rezar à Sagrada Família e meditar na Sagrada Família para descobrir a sua própria vocação.

As leituras da liturgia de hoje, incidem sobre as relações familiares na sua dimensão humana e sobrenatural. A primeira leitura tem como pano de fundo o quarto mandamento do Decálogo. A segunda nos fala do amor conjugal e o amor paterno; e o Evangelho nos apresenta Nossa Senhora e São José levando o Menino ao templo, para cumprir, piedosamente, a Lei de Deus. Todas elas iluminam a grandeza da família cristã, e a sua dimensão humana e sobrenatural. Nosso Senhor está presente, com a sua graça, na família cristã para a tornar, como Jesus, humana e divina

 

2. Amor humano e amor a Deus, na vida familiar

Um autor português contemporâneo escreve umas ideias interessantes, que aqui vamos tentar resumir. Começa por afirmar que as nossas relações com o próximo são um modo de nos relacionarmos com Deus. Concretamente o matrimonio é “a revelação do amor de Deus na meiguice que reúne duas pessoas”. “Quando alguém casa pela igreja diz simplesmente «obrigado» a essa ternura infinita de que é reflexo o carinho partilhado pelo casal”. Por isso adverte: “quem casa por convenção social agradece às pessoas erradas: escreve ao mundo dos homens uma carta que só ao amor, só a Deus, devia ser remitida”. Alem disso é na família que se faz a aprendizagem do amor, o amor a Deus que é aprendido no amor familiar. “Por isso mesmo é que o convívio familiar se revela fundamental: com efeito, será abraçando-nos a quem damos o nome de pais, que aprendemos a abraçar-nos a Deus”. “Seja como for, sem pegarmos ao colo nos nossos filhos não perceberemos até que ponto vamos ao colo de Deus, e se desconhecermos o regaço da nossa mãe, tornar-se-á complicado entendermos os afagos do Senhor nos nossos dias”. Também “as relações com os irmãos servem para treinarmos a fraternidade com toda a gente”. “Entretanto, a bondade vivida com a nossa esposa, o nosso esposo, os nossos filhos, os nossos pais, a ternura posta no encontro com os outros, será mais uma ferramenta espiritual, pois estes amores humanos permitem que a nossa alma amante se eleve ao grande amor de Deus” (cf. Gabriel Magalhães “O Mapa do Tesouro”.

 

3. Os pais irmãos mais velhos dos seus filhos.

Os pais colaboram com Deus na obra da Criação transmitindo a vida humana (dom imenso. Na obra da Redenção sacrificando-se pelos filhos…educar. Na obra da santificação (dimensão sacerdotal), transmitindo a fé (vela), dando a conhecer Deus por meio do seu carinho e exemplaridade e catequese permanente.

Tudo isto deve ser feito em sintonia com o coração de Deus. Que cria por amor e com amor e cuida amorosamente dos seus filhos com a Providencia divina. Alguém dizia que os pais não devem esquecer que são só os filhos mais velhos dos seus filhos. O Pai de todos nós é Deus, que confia aos pais esses seus irmãos pequeninos para que tomem conta deles e os encaminhem para a casa do Pai.

Dizia o Papa Francisco: “como nos faz bem pensar que Maria e José ensinaram Jesus a rezar as orações! E isto é uma peregrinação, a peregrinação da educação para a oração. E também nos faz bem saber que, durante o dia, rezavam juntos; depois, ao sábado, iam juntos à sinagoga ouvir as Sagradas Escrituras da Lei e dos Profetas e louvar o Senhor com todo o povo! E que certamente rezaram, durante a peregrinação para Jerusalém, cantando estas palavras do Salmo: «Que alegria, quando me disseram: “Vamos para a casa do Senhor!” Os nossos passos detêm-se às tuas portas, ó Jerusalém» (122/121, 1-2)!”

“Nesta peregrinação da vida, partilhamos também os momentos da oração. Que poderá haver de mais belo, para um pai e uma mãe, do que abençoar os seus filhos ao início do dia e na sua conclusão? Fazer na sua fronte o sinal da cruz, como no dia do Batismo? Não será esta, porventura, a oração mais simples que os pais fazem pelos seus filhos?”

D. Rafael Llano, que foi bispo auxiliar de Rio de Janeiro, recorda num dos seus livros como todos os dias à noite A mãe da sua numerosa família pronunciava sobre cada um deles a bênção que encontramos em Numeros 6, 22-27: “O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz”. E todos os filhos iam descansar com uma paz e alegria que o mundo não pode dar.

Confiemos a Sagrada Família de Nazaré, Jesus, Maria e José, a nossa família, a nossa paroquia (família de famílias) que belo é que uma multidão de crianças acompanhe os seus pais à Missa. Os seus gritinhos, choros risos e corridas, são a música mais agradável para Nosso Senhor que pode ser interpretada no templo. Também todas as famílias da Igreja e do mundo. Em especial aquelas que passam por necessidades materiais ou espirituais.

 

Fala o Santo Padre

 

«Digo-vos uma coisa: se discutirmos em família, não terminemos o dia sem fazer as pazes.

“Sim, discuti”, mas antes que o dia acabe, faz as pazes. E sabes porquê?

Porque a guerra fria do dia seguinte é muito perigosa.»

Depois do Natal, a liturgia convida-nos a fixar o olhar na Sagrada Família de Jesus, Maria e José. É bom refletir que o Filho de Deus, como todas as crianças, quis ter necessidade do calor de uma família. Precisamente por esta razão, porque é a de Jesus, a família de Nazaré é modelo, na qual todas as famílias do mundo podem encontrar o seu seguro ponto de referência e inspiração. Em Nazaré floresceu a primavera da vida humana do Filho de Deus, no momento em que foi concebido por obra do Espírito Santo no ventre virginal de Maria. Dentro das paredes hospitaleiras da Casa de Nazaré, a infância de Jesus teve lugar na alegria, rodeada pelos cuidados maternais de Maria e de José, na qual Jesus pôde ver a ternura de Deus (cf. Carta apostólica Patris corde , 2).

À imitação da Sagrada Família, somos chamados a redescobrir o valor educativo do núcleo familiar: ele deve fundar-se no amor que sempre regenera as relações e abre horizontes de esperança. A comunhão sincera pode ser experimentada na família quando é uma casa de oração, quando os afetos são sérios, profundos e puros, quando o perdão prevalece sobre a discórdia, quando a dureza diária da vida é suavizada pela ternura mútua e pela serena adesão à vontade de Deus. Deste modo, a família abre-se à alegria que Deus concede a todos os que sabem doar alegremente. Ao mesmo tempo, encontra a energia espiritual para se abrir ao mundo exterior, aos outros, ao serviço dos irmãos, à colaboração para a construção de um mundo sempre novo e melhor; por conseguinte, capaz de se tornar portadora de estímulos positivos; a família evangeliza através do exemplo de vida. É verdade, em todas as famílias há problemas, e por vezes até discussões. “Padre, discuti...” — somos humanos, somos fracos e às vezes todos nós discutimos em família. Digo-vos uma coisa: se discutirmos em família, não terminemos o dia sem fazer as pazes. “Sim, discuti”, mas antes que o dia acabe, faz as pazes. E sabes porquê? Porque a guerra fria do dia seguinte é muito perigosa. Não ajuda. E depois, na família há três palavras, três palavras a conservar para sempre: “com licença”, “obrigado”, “desculpa”. “Com licença”, para não ser indiscreto na vida dos outros. “Com licença: posso fazer alguma coisa? Achas que posso fazer isto?”. “Com licença”. Sempre, não sejais indiscretos. “Com licença”, a primeira palavra. “Obrigado”: muitas ajudas, tantos serviços que prestamos uns aos outros em família.  Agradecer sempre. A gratidão é o sangue da alma nobre. “Obrigado”. E depois, o mais difícil de dizer: “Desculpa”. Porque cometemos sempre erros e muitas vezes alguém fica ofendido por isto. “Desculpa”, “desculpa”. Não vos esqueçais das três palavras: “com licença”, “obrigado”, “desculpa”. Se numa família, no ambiente familiar, existirem estas três palavras, a família estará bem.

A festa de hoje evoca-nos o exemplo de evangelizar com a família, repropondo-nos o ideal do amor conjugal e familiar, como foi evidenciado na Exortação Apostólica Amoris laetitia, cujo quinto aniversário de promulgação será no próximo dia 19 de março. Haverá um ano de reflexão sobre a Amoris laetitia e será uma oportunidade para aprofundar o conteúdo do documento [19 de março de 2021-junho de 2022].

Estas reflexões serão postas à disposição das comunidades eclesiais e das famílias, para as acompanhar no seu percurso. Desde já, convido todos a aderir às iniciativas que serão promovidas durante o Ano e que serão coordenadas pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Confiemos à Sagrada Família de Nazaré, em particular a São José, esposo e pai solícito, este caminho com as famílias do mundo inteiro.

A Virgem Maria, a quem agora nos dirigimos com a oração do Angelus , faça com que as famílias de todo o mundo sejam cada vez mais fascinadas pelo ideal evangélico da Sagrada Família, de modo a tornar-se fermento de nova humanidade e de solidariedade concreta e universal.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 27 de dezembro de 2020

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Por intercessão de Maria Santíssima e de José, nosso pai,

peçamos a Deus que faça crescer em sabedoria e em graça

os membros de todas as famílias deste mundo, e lhes dê a paz,

dizendo (cantando), com alegria:

 

Protegei, Senhor, as nossas famílias.

 

1. Para que os avós ajudem a crescer em idade, sabedoria e graça

     os netos e filhos e vivam com alegria na família que fundaram,

     oremos, irmãos.

 

     Protegei, Senhor, as nossas famílias.

 

2. Para que os pais consagrem ao Senhor os seus filhos, e os lares

     e as suas vidas, como José e Maria Santíssima, pais de Jesus,

     oremos, irmãos.

 

     Protegei, Senhor, as nossas famílias.

 

3. Para que as nossas crianças pensem nos meninos abandonados,

     cheios de fome, maltratados e sem amor, e agradeçam os pais,

     oremos, irmãos.

 

     Protegei, Senhor, as nossas famílias.

 

4. Para que os jovens que namoram saibam amar-se e respeitar-se

     e opor-se ao paganismo e maus costumes que os escandalizam,

     oremos, irmãos.

 

     Protegei, Senhor, as nossas famílias.

 

5. Para que todos os cristãos desta nossa comunidade (paroquial)

     pensem naqueles que vivem com dificuldades e tentem ajudá-los,

     oremos, irmãos.

 

     Protegei, Senhor, as nossas famílias.

 

6. Para que os nossos defuntos que são purificados no Purgatório

     vivam felizes quanto antes na felicidade e na glória do Paraíso

     oremos, irmãos.

 

     Protegei, Senhor, as nossas famílias.

 

Pai de bondade e de amor que cuidais sempre de nós,

fazei que, em todas as famílias da Igreja e do mundo,

os maridos amem as esposas, as esposas sejam o sol do lar

e os filhos imitem Jesus Cristo, vosso Filho.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A família cristã para ter verdadeira vida de Deus, tem necessidade indeclinável de se alimentar da Palavra de Deus e da Santíssima Eucaristia.

Quando participamos na Santa Missa, especialmente na celebramos ao Domingo, encontramos estes dois dons.

 

Cântico do ofertório: Adeste Fideles – Harm. M. Faria, NRMS, 31

 

Oração sobre as oblatas: Nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício de reconciliação e humildemente Vos suplicamos que, pela intercessão da Virgem, Mãe de Deus, e de São José, se confirmem as nossas famílias na vossa paz e na vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Saudação da Paz

 

S. Paulo, na Carta aos Colossenses, faz-nos uma recomendação que havemos de ter sempre diante dos olhos: «Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo

Procuremos tê-la presente, agora que nos preparamos para trocar entre nós o gesto da paz e reconciliação.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Eucaristia é o Alimento indispensável e insubstituível para que a família cristã viva feliz e cumpra a sua missão.

Recebamos com fé, devoção e profundo agradecimento o Corpo e Sangue do Senhor que Se nos dá na Sagrada Comunhão.

 

Cântico da Comunhão: O Verbo fez-se carne e habitou no meio de nós – C. Silva, OC, (pg 195)

cf. Br 3, 38

Antífona da comunhão: Deus apareceu na terra e começou a viver no meio de nós.

 

Cântico de acção de graças: Glória e louvor ao Verbo Divino – M. Faria, NRMS, 8 (I)

 

Oração depois da comunhão: Pai de misericórdia, que nos alimentais neste divino sacramento, dai-nos a graça de imitar continuamente os exemplos da Sagrada Família, para que, depois das provações desta vida, vivamos na sua companhia por toda a eternidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Renovemos as nossas famílias, tendo constantemente diante dos olhos a Sagrada Família de Nazaré.

Que o Senhor nos ajude, à imitação de Jesus Menino, a crescer em idade, em sabedoria e em graça.

 

Cântico final: Como o lar de Nazaré – B. Salgado, NRMS, 8 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Carlos Santamaria

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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