Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa da Vigília

24 de Dezembro de 2023

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 24 de Dezembro, antes ou depois das Vésperas I do Natal.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ó Infante suavíssimo – M. Faria, NRMS, 4

cf. Ex 16, 6-7

Antífona de entrada: Hoje sabereis que o Senhor vem salvar-nos. Amanhã vereis a sua glória.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

As grandes festas litúrgicas são precedidas por uma vigília. Hoje preparamo-nos para comemorar o Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nove meses após a Sua incarnação no ventre puríssimo e virginal de Nossa Senhora, Jesus nasceu por nosso amor. É o maior acontecimento que a história humana regista: Deus, faz-se Homem para nos salvar. Todos os preparativos para a comemoração deste grandioso acontecimento, não são demais. Por isso, aqui nos encontramos, numa atitude de muita alegria, fé e profundo agradecimento. Com estes sentimentos, vamos participar nesta sagrada Eucaristia.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que todos os anos nos alegrais com a esperança da salvação, concedei-nos a graça de vermos sem temor vir um dia como Juiz Aquele que em alegria recebemos como Redentor, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Com muita antecedência, o Profeta Isaías descreve a ação libertadora do Salvador revelando-nos a bondade e fidelidade de Deus, nosso Pai.

 

Isaías 62, 1-5

2Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. 2Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis da terra a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. 3Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. 4Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta»; mas hão-de chamar-te «Predilecta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predilecta do Senhor e a tua terra terá um esposo. 5Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.

 

Neste breve texto temos a mensagem centra da terceira parte de Isaías. É um belo canto à Jerusalém (Sião), que o Profeta anseia por ver renovada após a prova do exílio de Babilónia.

1 «A sua justiça», ao aparecer paralela a «a sua salvação» (1b) e a «a tua glória» (v. 2), vê-se que se trata duma justiça que visa mais a acção de Deus que salva e glorifica Jerusalém, do que o simples restabelecimento dos direitos espezinhados. Esta «justiça que desponta como a aurora» é o prenúncio e a figura da vinda de Jesus Cristo à terra, o «Sol da Justiça» (cf. Mal 3,20). A Vulgata (já não assim a Nova Vulgata) tinha personificado (na linha da Septuaginta) esta justiça e esta salvação, traduzindo por «justo» e «salvador» (iustus eius et salvator eius). Se o profeta, em primeira intenção, visa a restauração de Jerusalém após o exílio, a profecia tem o seu pleno cumprimento com a vinda do Messias.

4-5 «Abandonada»: Jerusalém, durante o exílio, é comparada a uma esposa abandonada. Este anúncio feliz tem um cumprimento imediato e imperfeito com o regresso do cativeiro de Babilónia, mas o seu pleno cumprimento dá-se na Igreja, a nova Jerusalém (cf. Apoc 21,2), a fiel «Esposa» de Cristo, «santa e imaculada» (Ef 5,27).

«O teu Construtor te desposará»: a Nova Vulgata, contra o que seria de esperar, manteve a tradução da Vulgata: «os teus filhos te desposarão», mas não assim as traduções modernas em geral (apesar da pontuação massorética); a confusão deve-se a que as mesmas consoantes hebraicas de bnyk, podem traduzir-se das duas maneiras, conforme as vogais adoptadas; a tradução grega dos LXX optou pela versão que fazia mais sentido, «o teu construtor», na linha tradicional de apresentar Deus como esposo do seu povo.

 

 

Salmo Responsorial Salmo 88 (89), 4-5.16-17, 27 e 29 (R. 2a)

 

Monição: A alegria, trazida pelo nascimento do Salvador, é para ser vivida e cantada por toda a eternidade.

 

Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

 

Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.

 

Feliz o povo que sabe aclamar-Vos

e caminha, Senhor, à luz do vosso rosto.

Todos os dias aclama o vosso nome

e se gloria com a vossa justiça.

 

Ele me invocará: «Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, numa sinagoga de Antioquia da Pisíade, proclama Jesus como centro da história da salvação.

 

Actos 13, 16-17.22-25

Naqueles dias, 16Paulo chegou a Antioquia da Pisídia. Uma vez em que ele estava na sinagoga, levantou-se, fez sinal com a mão e disse: «Homens de Israel e vós que temeis a Deus, escutai: 17O Deus deste povo de Israel escolheu os nossos pais e fez deles um grande povo, quando viviam como estrangeiros na terra do Egipto. 22Depois, com seu braço poderoso, tirou-os de lá. Por fim, suscitou-lhes David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. 23Da sua descendência, Deus fez nascer, segundo a sua promessa, um Salvador, Jesus. 24João tinha proclamado, antes da sua vinda, um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. 25Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’».

 

Temos aqui um pequeno extracto do primeiro discurso de Paulo em Actos: uma breve síntese da história da salvação, que culmina em Jesus Cristo. Foi seleccionada a parte do texto que põe em evidência que, de acordo com as promessas de Deus, «Jesus, é o Salvador de Israel», sendo «da descendência de David» (v. 23); o último elo da corrente profética que prepara a sua vinda é João.

16 Os «tementes a Deus» eram os gentios simpatizantes do judaísmo, que aderiam ao seu monoteísmo e esperança messiânica; embora não se sujeitassem às práticas da lei judaica, frequentavam a liturgia sinagogal.

22 «Encontrei David...» A citação profética não é literal, mas feita a partir do que se lê em 1Sam 13,14; 16,12-13; Salm 89(88),21.

25 «João dizia...» O testemunho do Baptista era de suma importância dada a sua fama de santidade, um testemunho posto em evidência por todos os evangelistas: Mt 3,11; Mc 1,7; Lc 3,16 e sobretudo por S. João (Jo 1,6-7.15.20-27).

 

 

Aclamação ao Evangelho   

 

Monição: Com todo o entusiasmo, fé e alegria aclamemos o anúncio da salvação, que o nascimento de Jesus nos veio trazer.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – C. Silva, OC (pg 534)

 

Amanhã cessará a malícia na terra

e reinará sobre nós o Salvador do mundo.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa São Mateus 1, 1-25      Forma breve: São Mateus 1, 18-25

[1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara; Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão; 4Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naásson; Naásson gerou Sálmon; Sálmon gerou, de Raab, Booz; 5Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. 6David, da mulher de Urias, gerou Salomão; 7Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; 9Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, durante o desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor; 4Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob; 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 17Assim, todas estas gerações são: de Abraão a David, catorze gerações; de David ao desterro de Babilónia, catorze gerações; do desterro de Babilónia até Cristo, catorze gerações].

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». 24Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa. 25E não a tinha conhecido, quando Ela deu à luz um filho, a quem ele pôs o nome de Jesus.

 

1-17 S. Mateus centra o seu relato do nascimento de Jesus na figura de S. José (S. Lucas na de Maria), com uma clara intencionalidade teológica de apresentar Jesus como o Messias, anunciado como descendente de David. Isto é posto em evidência logo de início: «Genealogia de Jesus Cristo (=Messias), Filho de David» (v. 1). Como a linha genealógica passava pelo marido, é a de José que é apresentada. Os elos são seleccionados para que apareçam três séries de 14 nomes, obedecendo a uma técnica rabínica, chamada gematriáh, ou recurso ao valor alfabético dos números; assim o número 14, reforçado pela sua tripla repetição – «catorze gerações» – (no v. 17), sugere o nome de David, que em hebraico se escreve com três consoantes (em hebraico não se escrevem as vogais), que dão o número catorze ([D=4]+[V=6]+[D=4]=14). A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras (vv. 18-25), é logo anunciada na genealogia, que precede imediatamente a leitura de hoje, pois, para todos os seus elos, se diz «gerou», quando para o último elo não se diz que «gerou», mas: «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (v. 16, à letra «da qual foi gerado – entenda-se, por Deus – Jesus»).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (Lc 1,26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus cria-as. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. A verdade é que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo» (v. 19), por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha e, conhecendo a santidade singular de Maria, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, já sentido por Isabel… (ou não teria tido alguma iluminação divina acerca da profecia de Isaías 7,14?…). Então só lhe restava deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que julgava não lhe competir ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo» (v. 19), evitando, assim, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. Mas podemos perguntar: porque não interrogava antes Maria para ser ela a esclarecer o assunto? É que pedir uma explicação já seria mostrar dúvida, ofendendo Maria; a sua delicadeza extrema levá-lo-ia a não a humilhar ou deixar embaraçada. E porque razão é que Maria não falou, se José tinha direito de saber do sucedido? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a José a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José. De tudo isto fica para nós o exemplo de Maria e de José: não admitir suspeitas temerárias e confiar sempre em Deus.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...». Segundo alguns exegetas modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7,14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (notar que a célebre profecia isaiana, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até parece prestar-se a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (chamada deraxe) não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqara’t «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».

Eis, a propósito, o maravilhoso comentário de S. João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José: «Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti, o pôr o nome ao filho. [...] Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

25 «E não a tinha conhecido...». S. Mateus pretende realçar que Jesus nasceu sem prévias relações conjugais, mas por um milagre de Deus. Quanto à posterior virgindade o Evangelista não só não a nega, como até a parece insinuar no original grego, ao usar o imperfeito de duração («não a conhecia») em vez do chamado aoristo complexivo como seria de esperar, caso quisesse abranger apenas o tempo até ao parto (Zerwick). Uma tradução mais à letra seria «até que Ela deu à luz» (assim na nova tradução da CEP, em preparação), em vez de: «quando Ela deu à luz». De qualquer modo, esta afirmação não significa que depois já não se verificasse o que até este momento acontecera, como é o caso de Jo 9,18.

 

 

Sugestões para a homilia

 

1.    A Boa Nova do Nascimento de Jesus.

2      A humanidade reconcilia-se com o Seu Criador.

3      A nossa responsabilidade diante do Nascimento de Jesus.

 

 

1.    A Boa Nova do Nascimento de Jesus

 

O Nascimento de Jesus, que queremos mais uma vez comemorar, fala-nos do Amor infinito que Deus, nosso Pai, nos tem.

Após o pecado original, os nossos primeiros pais, viram-se privados da graça de Deus e, com essa perda, deixaram de sentir a presença amorosa do Senhor. Com o pecado então cometido, surgiu o sofrimento e a morte, com uma enorme nostalgia de se sentirem culpados de estarem longe de Deus. Nestas circunstâncias tão dolorosas, Deus, nosso Pai, numa tão grande manifestação do Seu Amor e misericórdia infinita, prometeu o envio de um Salvador. Tal promessa teve concretização, com a Incarnação e o Nascimento de Jesus. O Verbo eterno, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, por obra do Divino Espírito Santo, incarnou no Ventre Puríssimo da Virgem Santa Maria e, nove meses após esse anúncio pelo Arcanjo São Gabriel, nasceu humilde e pobre em Belém. Eis o grande acontecimento que nos propomos celebrar em dia de Natal.

 

2.    A Humanidade reconciliada com o Seu Criador.

 

Com o nascimento de Jesus, de novo a Humanidade está a caminho de se reconciliar com o Seu Criador. Ele nasce para morrer por todos e cada um de nós e assim satisfazer ao Pai pelos nossos pecados. A partir de então, a humanidade volta a ser a alegria do Senhor, como nos lembra a primeira Leitura da Missa de hoje: “Jamais te chamarão Abandonada, nem à terra Deserta... porque serás a predileta do Senhor.” “Tal como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus”.

 

3.    A nossa responsabilidade diante do Nascimento de Jesus.

 

Não podemos ficar indiferentes perante tanta manifestação do Amor de Deus, nosso Senhor.

A reunião de Família, que todos, dentro das suas possibilidades, irá viver após esta Eucaristia, não pode fazer esquecer o grande acontecimento, que verdadeiramente nos congrega: a celebração do Nascimento de Jesus Menino, o Verbo de Deus, feito Homem por nosso amor, para nos salvar.

A correspondência, que se impõe perante tanta manifestação de amor, tem que passar por um maior empenho pessoal no problema da própria salvação, por uma maior atenção aos pobres e necessitados de assistência, com quem o mesmo Jesus se quis identificar, pelo anúncio alegre e convincente da maravilhosa realidade do nascimento do Salvador, a todos quantos soubermos que ainda o desconhecem. O Amor passou a habitar entre nós! Todos se podem salvar, pois, de fato, a partir de agora, só não se salvará quem o não quiser, quem se negar a agarrar a mão amorosíssima que Jesus Salvador, a todos estende. Que essa desgraça não aconteça a algum de nós.

Vamos viver, com fé e profunda gratidão um verdadeiro Natal cristão. Jesus espera poder nascer verdadeira e realmente, pela Sagrada Comunhão, tal como o fez no presépio de Belém, no berço do nosso coração. Que o tenhamos atapetado de pétalas de fé, bem aquecidas pelo amor. Então, e só assim, haverá verdadeiramente Natal. Que tal seja realidade em cada um de nós. Santo e feliz Natal para todos!

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e Irmãs, o evangelho da genealogia de Jesus

lembrou-nos as longas gerações que esperaram a vinda do Salvador.

Com elas, também nós hoje oramos ao Senhor

dizendo: Mostrai-nos, Senhor, o vosso Amor.

 

R. Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

1.    Para que os cristãos amem cada vez mais a Deus,

gozem da paz e da liberdade em toda a parte

e cresçam na fé e na santidade,

oremos irmãos.

 

R. Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

2.    Para que todas as nações descubram o Salvador

e em todas resplandeça a luz de Jesus Cristo,

verdadeiro Filho de Deus e da Virgem Mãe,

oremos, irmãos.

 

R. Mostrai-nos Senhor, o vosso amor.

 

3.    Para que os homens e mulheres do mundo inteiro,

Nestes dias festivos do Natal,

se reconheçam como irmãos e irmãs

oremos, irmãos.

 

R. Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

 

4.    Para que Deus, nosso Pai, nos conserve na Sua graça

e nos torne dignos de receber os bens futuros,

reservados no Céu para os Seus eleitos

 oremos, irmãos.

    

R.  Mostrai-nos Senhor, o vosso amor.

 

5.    Pelos que já partiram para a eternidade

e se encontram a caminho de felicidade eterna,

para que sintam a caridade das nossas preces,

oremos, irmãos.

 

R . Mostrai-nos Senhor, o vosso amor.

 

Senhor, Deus de Amor concedei a estes vossos filhos,

que escutam a vossa Palavra,

a graça de a ela corresponderem, amando-Vos cada vez mais.

e vos anunciem aqueles que ainda Vos desconhecem.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho que convosco reina

na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó noite, trevas e nuvens – M. Faria, NRMS, 16

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, ao vosso povo a graça de celebrar com renovado fervor a vigília da grande solenidade, na qual nos revelais o princípio da nossa redenção. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria: Reunidos na vossa presença.

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, nascido em Belém, encanto de Sua Mãe, a Virgem Santa Maria, de S. José e de todos os Anjos, quer agora também nascer em cada um de nós, pela Sagrada Comunhão. Assim, mais uma vez será verdadeiramente Natal na nossa vida. Vamos recebê-lO com muita fé, amor, humildade e profundo reconhecimento.

 

Cântico da Comunhão: Anjos do Céu a cantarM. Faria, 20 cânticos para a Missa

cf. Is 40, 5

Antífona da comunhão: Brilhará a glória do Senhor e toda a terra verá a salvação de Deus.

 

Cântico de acção de graças: Feliz és Tu porque acreditaste – C. Silva, OC

 

Oração depois da comunhão: Fortalecei, Senhor, os vossos fiéis na celebração do nascimento do vosso Filho Unigénito, que neste divino sacramento Se fez nossa comida e nossa bebida, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que a Imagem de Jesus Menino, física ou mentalmente, presida à mesa da nossa Ceia de Natal. Que a todos comunique a paz, saúde e muita alegria, da que só Ele, Príncipe da paz, sabe o pode dar. Bom, santo e feliz Natal para todos. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!

 

Cântico final: Por vós esperamos - M. Faria, 20 cânticos para a Missa

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Alves Moreno

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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