4.º Domingo do Advento

24 de Dezembro de 2023

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde Senhor, não tardeis – M. Borda, NRMS, 7

Is 45, 8

Antífona de entrada: Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Já em vésperas do grande dia de Natal, depois de contemplarmos uma história de amor que Deus desde sempre estabeleceu com o seu Povo, firmando para isso uma aliança, sempre aberta à sua plenitude, somos convidados a contemplar a realização das promessas do Deus fiel, pela Encarnação do Seu Filho, Aliança Nova e Eterna, que a todos toca no mais profundo da nossa humanidade, do nosso ser interior e nos impele a uma proposta de doação da vida semelhante a Maria de Nazaré.

Somos convidados a celebrar com alegria e sem medo ou temor. Alegra-te e não temas é anúncio na Encarnação. Alegra-te e não temas é anúncio de Páscoa. Alegra-te e não temas é lema de povo em caminhada, igreja em saída, peregrinação de discípulos missionários.

Celebrar a Eucaristia é celebrar toda a ternura, graça e misericórdia do Nosso Deus, sempre simples, sempre humilde, sempre a servir os seus filhos. Na verdade só o Deus que se faz homem é que se revela verdadeiro.

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Escutemos as vozes proféticas como fez David. Nelas encontramos o desejo de conversão e a certeza que Deus jamais nos abandona, mesmo perante a nossa pobreza, erros e pecados.

 

2 Samuel 7, 1-5.8b-12.14a.16

1Quando David já morava em sua casa e o Senhor lhe deu tréguas de todos os inimigos que o rodeavam, 2o rei disse ao profeta Natã: «Como vês, eu moro numa casa de cedro e a arca de Deus está debaixo de uma tenda». 3Natã respondeu ao rei: «Faz o que te pede o teu coração, porque o Senhor está contigo». 4Nessa mesma noite, o Senhor falou a Natã, dizendo: 5«Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: Pensas edificar um palácio para Eu habitar? 8bTirei-te das pastagens onde guardavas os rebanhos, para seres o chefe do meu povo de Israel. 9Estive contigo em toda a parte por onde andaste e exterminei diante de ti todos os teus inimigos. Dar-te-ei um nome tão ilustre como o nome dos grandes da terra. 10Prepararei um lugar para o meu povo de Israel; e nele o instalarei para que habite nesse lugar, sem que jamais tenha receio e sem que os perversos tornem a oprimi-lo como outrora, 11quando Eu constituía juízes no meu povo de Israel. Farei que vivas seguro de todos os teus inimigos. O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa. Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com teus pais estabelecerei em teu lugar um descendente que há-de nascer de ti e consolidarei a tua realeza. Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho. 16A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

 

David tinha exposto ao profeta Natã o seu projecto de vir a construir para a arca da aliança uma casa digna, que substituísse de vez o modesto tabernáculo feito de cortinados. O profeta apoia a ideia do rei, mas Deus falou a Natã transmitindo-lhe uma mensagem do mais alto alcance: não seria David a erguer uma casa a Yahwéh, mas Yahwéh a fazer uma casa a David! O profeta joga com o duplo sentido de bayit, casa e dinastia (v. 11).

16 «O teu trono será firme para sempre». Este versículo contém uma das mais importantes profecias do messianismo régio. A profecia aparece cumprida no N. T., uma vez que Jesus é descendente legal de David. O seu reino, não tem fim (Lc 1,33), pois a realeza manteve-se dentro da casa (família) de David; o seu reino é eterno, entenda-se, no sentido religioso, não no sentido político.

 

Salmo Responsorial Salmo 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. cf. 2a)

 

Monição: Em Maria foi concluída a Aliança com o eleito de Deus. “Ele me invocará: Vós sois meu Pai”.

 

Refrão:    Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Ou:           Senhor, cantarei eternamente a vossa bondade.

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes:

«A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.

 

«Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

‘Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações’».

 

«Ele Me invocará: ‘Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador’.

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Somos felizes pelo Mistério que nos foi revelado em Jesus Cristo. Acolhamos Cristo ao estilo de Maria e sejamos discípulos missionários portadores da maior das Boas-Novas: Jesus Cristo.

 

Romanos 16, 25-27

Irmãos: 25Àquele que tem o poder de vos confirmar, segundo o meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo a revelação do mistério encoberto desde os tempos eternos 26mas agora manifestado e dado a conhecer a todos os povos pelas escrituras dos Profetas segundo a ordem do Deus eterno, dado a conhecer a todos os gentios para que eles obedeçam à fé 27a Deus, o único sábio, por Jesus Cristo, seja dada glória pelos séculos dos séculos. Amen.

 

Temos aqui a doxologia com que, de modo singular, termina a epístola. A verdade é que esta mesma doxologia aparece nalguns códices no fim ou do capítulo 14 ou do 15, devido à supressão de um ou dois capítulos finais para o uso litúrgico da epístola, por se tratar de partes pessoais de menos interesse para os fiéis de outras comunidades.

«O meu Evangelho» identifica-se com «a (minha) pregação» que tem por objecto Jesus Cristo (a sua Pessoa, os seus ensinamentos e a sua obra). «O mistério… agora manifestado» e apenas vislumbrado pelos Profetas é o plano divino de salvar todos os homens (judeus e gentios) por meio da obra redentora de Jesus, que fez de nós um só corpo, a família dos filhos de Deus.

 

Aclamação ao Evangelho    Lc 1, 26-38

 

Monição: Maria de Nazaré ficou surpreendida pela envolvência de tão grande mistério. Mas soube ter a mais bela e disponível atitude de humildade, de fé e de compromisso incondicional.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 3,

 

Eis a escrava do Senhor:

faça-se em mim segundo a vossa palavra.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

Ver supra, notas para a Solenidade da Imaculada Conceição

 

Sugestões para a homilia

 

Deus celebra connosco uma História de Amor e Misericórdia.

As preocupações do rei David ao pressentir e compreender de forma sábia muitas coisas da sua viva e até talvez do fim dos seus dias. Ele sente-se um homem também frágil com a consciência que Deus nele depositou tanta graça, dons e confiança. Tirou-o das pastagens dos rebanhos, elevou-o a alta dignidade e esteve sempre com ele, mesmo no meio dos seus erros e da sua dor. Agora vê-se em grande reflexão e exame de consciência e quer retificar. E pensa como poderá reparar, retificar e que futuro terá o reino que ele ainda segura.

Mas interpreta tudo com a mensagem profética: Será um reino e uma casa para sempre, já que as divisões, as tensões, as hostilidades, as surpresas da guerra põe em perigo as promessas anunciadas desde sempre. A sua “casa” não sucumbiria. Será um reino que contará com um ilustre descendente que consolidará em novidade total e surpreendente o Reino.

Certamente como homem humilde, que se reconhece pecador, sabe que nem tudo foi digno, justo e de acordo com Deus. Homem sofredor que vê morrer um filho jovem que se opõe ao seu reinado. O Profeta Natã já lhe tinha chamado a atenção sobre a necessidade de reconhecer o seu pecado, o sangue derramado, as injustiças, a prepotência e lhe propõe a necessidade de conversão. Mas um apelo de conversão que vai unido a algo maravilhoso: a surpresa de um descendente maravilhoso e de um Reino para sempre.

David sente algum remorso porque está bem instalado e a arca permanece numa tenda. Quer construir para a arca da Aliança um templo verdadeiramente digno. Também será uma maneira visível de reparar o mal que praticou. Por isso consulta o profeta. A verdade que vai ouvir do profeta o deixará tranquilo. O profeta relembra que Deus tem com o seu povo um vínculo e história de amor. E irá cumpri-la a seu tempo de maneira bela. Ele escuta que Deus prepara com gestos de amor e de misericórdia o seu povo.

David deve sentir, pela sua experiência pessoal, o valor da ternura de Deus e da sua misericórdia. Perceberá que Deus está mais interessado na edificação de corações humanos, da dignidade humana do que em pedras e materiais sem vida. O Templo que Deus vai construir é o seu próprio Filho, descendente da casa de David. No templo do seu corpo foi edificado o santuário belo de Deus! E pelo seu corpo entregue por todos, todos serão chamados à salvação!

 

O retrato da ternura e misericórdia de Deus que Maria reflete.

 

Segundo a tradição S. Lucas teria sido também um artista pintor. Na realidade gostaria de saber quem lhe disse tantas coisas belas sobre Maria! No quadro que pinta pelas suas palavras nos revela Maria como Mulher da alegria. Foi convidada à alegria pelo Arcanjo. A gratidão com que Maria se faz serva, se dirige apressadamente e canta o magnificat, só pode traduzir alguém com uma alegria muito profunda, bela e límpida. Essa fonte de alegria está em si, é o Menino Deus. Uma alegria sem interrupção e sem ser tocada pelos perigos possíveis de perder o seu bom nome, de correr até perigo de vida! Uma alegria fundada n’Aquele Deus em que nada é impossível.

Maria Mulher de fina e arguta inteligência. Ela compreende as maravilhas que Deus n’Ela opera e as agradece. Ele procura refletir, compreender, levar as coisas ao seu santuário mais belo: seu coração imaculado, para contemplar, saborear e se comprometer. Uma inteligência que a revela como Mulher livre: interroga: “como será isto se não conheço homem”.

Maria Mulher de coração disponível e pobre. Ela insere-se na fila dos pobres e dos humildes e canta as maravilhas de Deus que escolhe os humildes, os famintos e se afasta dos poderosos, dos tiranos e dos arrogantes.

Maria Mulher que partilha com beleza e pureza a história do seu povo, do povo da aliança: “ a sua misericórdia se estende de geração em geração”. Ela ama e vive a história e a esperança do seu povo. E permitiu que essa história se tornasse grandiosa e forjada numa nova Aliança. Mulher de profunda fé. Ela lê a história como presença misericordiosa de Deus. E permite acolher aquele Menino como verdadeiro Filho de Deus, verdadeiro dom e salvação para todos.

Maria mulher da gratidão porque sabe agradecer cantando, sabe agradecer servindo e amando! Por Ela toda a História do Povo de Deus adquiriu plenitude de salvação!

 

Nova Arca. Novo Templo. Nova Aliança.

 

Lucas oferece-nos de forma bela o cumprimento das Promessas de Deus, pela Encarnação do Messias. Um cumprimento com a adesão de Maria e uma resposta cheia de sabedoria, de fé, de profunda humildade, pois Maria diante da grandeza de Deus e de tão alto e nobre desígnio sabe reconhecer a sua pequenez, a graça e misericórdia com que é envolvida. Coloca-se como serva ao estilo de Seu Filho e Filho de Deus: “veio para servir e dar a vida”.

Foi na vida quotidiana, não no templo, mas no compromisso diário que ouviu do Anjo, mensageiro da maior das boas-novas, o convite à alegria e uma afirmação de profunda beleza: “cheia de graça”, plena de amor de Deus, da sua presença, de coração e mente em estado de pureza total na pertença e disponibilidade para Deus. E ainda ouviu o não temas. Feliz Arcanjo Gabriel que levou ao trono do Altíssimo um Sim que fez estremecer de alegria o “Céu inteiro” e toda a terra ao longo dos seculos: “eis a serva do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o Filho de Deus Encarnou e habitou entre nós!

Maria foi a primeira a dizer sim a Jesus. E o seu sim abre a porta ao sim de José e depois ao sim de tantos dos seus filhos, repassando séculos, povos e culturas, que ao contemplarem a sua vida e missão se fazem também discípulos ao estilo desta belíssima Mãe.

Ela foi a primeira, não fosse Ela a Mãe, a ouvir o nome de Seu Filho: Jesus. E o repetiu tantas e tantas vezes com amor e contemplação profunda. Nome que a mergulhava no Coração da Trindade e na verdade da História. Foi a primeira a ser evangelizada pela Boa-Nova que o Anjo lhe trouxe. E como consequência a tornou eficaz evangelizadora.

Maria pela Encarnação permitiu que Jesus vivesse a experiência única de humanidade: ser acolhido em seu coração, em seu ventre, ser amado, ser desejado, ser protegido, ser envolvido por toda a ternura de uma Mãe! Por Maria Jesus recebeu o que de melhor a nossa humanidade lhe poderia oferecer.

A anunciação reveste-se com as características do Pentecoste: O Espírito santo virá sobre ti”. Vem sobre Maria e possibilita a Encarnação e faz de Maria a primeira e eficaz discípula missionária de Jesus.

Maria é a Arca da Nova Aliança que pela Encarnação permitiu que Deus a todos nos envolvesse no Templo do Seu Corpo, como sinal de Aliança sempre Nova e Eterna. Na Eucaristia vivemos a experiência e a relação muito semelhante a Maria. Ele se torna presente e se faz proposta das nossas vidas e do mundo fazendo-nos participar na mais bela experiência trinitária e eclesial. Por isso a Eucaristia é compromisso de discípulos missionários.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cada “sim” custa, mas sempre menos do que quanto custou a ela aquele “sim” corajoso,

aquele “sim” imediato, aquele «Faça-se em mim segundo a tua palavra» que nos trouxe a salvação.»

Neste quarto e último domingo de Advento, o Evangelho propõe-nos, mais uma vez, a narração da Anunciação. «“Salvé, ó cheia de graça, o Senhor está contigo”», diz o anjo a Maria, «Hás de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus» (Lc 1, 28.31). Parece ser um anúncio de mera alegria, destinado a fazer feliz a Virgem: quem, entre as mulheres da época, não desejava ser a mãe do Messias? Mas, juntamente com a alegria, estas palavras prenunciam a Maria uma grande provação. Porquê? Porque naquele momento ela era “noiva” (v. 27). Em tal situação, a Lei de Moisés estabelecia que não deveria haver qualquer relação nem coabitação. Portanto, tendo um filho, Maria teria transgredido a Lei, e as penas para as mulheres eram terríveis: era previsto o apedrejamento (cf. Dt 22, 20-21). Certamente a mensagem divina encheu o coração de Maria de luz e força; no entanto, teve que se confrontar com uma escolha crucial: dizer “sim” a Deus, arriscando tudo, inclusive a própria vida, ou recusar o convite e seguir o seu caminho normal.

O que fez ela? Respondeu assim: «“Faça-se em mim segundo a tua palavra”» (Lc 1, 38). Faça-se (fiat). Mas na língua em que o Evangelho está escrito não é simplesmente um “faça-se”. A expressão verbal indica um forte desejo, indica a vontade de que algo se cumpra. Por outras palavras, Maria não diz: “Se tiver que ser, assim seja..., se não há outra solução...”. Não se trata de resignação. Ela não exprime uma aceitação fraca e submissa, mas um desejo forte, um desejo vivo. Não é passiva, mas ativa. Ela não se submete a Deus, ela adere a Deus. Ela é uma apaixonada disposta a servir o seu Senhor em tudo e imediatamente. Ela poderia ter pedido algum tempo para pensar sobre isso, ou para mais explicações sobre o que iria acontecer; ter estabelecido algumas condições... Em vez disso, ela não pediu tempo, não fez Deus esperar, não adiou.

Quantas vezes - pensemos  agora em nós - quantas vezes a nossa vida é feita de adiamentos, até a nossa vida espiritual! Por exemplo: sei que é bom para mim rezar, mas hoje não tenho tempo... “amanhã, amanhã, amanhã, amanhã...” adiamos as coisas: faço-o amanhã; sei que ajudar alguém é importante - sim, tenho fazer isto:  faço-o amanhã. É a mesma cadeia de amanhãs... Adiar as coisas. Hoje, em vésperas do Natal, Maria convida-nos a não adiar, a dizer “sim”: “Devo rezar?” “Sim, e eu rezo”. “Devo ajudar os outros? Sim”. Como o faço? Faço-o. Sem adiar. Cada “sim” custa. Cada “sim” custa, mas sempre menos do que quanto custou a ela aquele “sim” corajoso, aquele “sim” imediato, aquele «Faça-se em mim segundo a tua palavra» que nos trouxe a salvação.

E nós, que “sim” podemos dizer? Neste momento difícil, em vez de nos queixarmos do que a pandemia nos impede de fazer, façamos algo por aqueles que têm menos: não mais um presente para nós e para os nossos amigos, mas para uma pessoa carente na qual ninguém pensa! E outro conselho: para que Jesus nasça em nós, preparemos o coração: rezemos. Não nos deixemos “levar” pelo consumismo: “Devo comprar presentes, tenho de fazer isto e aquilo...”. Esse frenesim de fazer tantas coisas... o importante é Jesus. O consumismo, irmãos e irmãs, sequestrou-nos o Natal. O consumismo não está na manjedoura de Belém: nela há realidade, pobreza, amor. Preparemos o coração como fez Maria: livre do mal, acolhedor, pronto a hospedar Deus.

«Faça-se em mim segundo a tua palavra». É a última frase da Virgem neste último domingo de Advento, e é o convite a dar um passo concreto em direção ao Natal. Porque se o nascimento de Jesus não tocar a nossa vida - a minha, a tua, todas - se não tocar a vida, passa em vão. No Angelus agora também nós diremos “cumpra-se em mim a tua palavra”: que Nossa Senhora nos ajude a dizê-lo com a vida, com a atitude destes últimos dias, a fim de nos prepararmos bem para o Natal.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 20 de dezembro de 2020

 

Oração Universal

 

Caríssimos fiéis:

A Boa Nova que acabámos de ouvir,

neste dia que precede o Natal,

inspire as nossas súplicas e orações,

e nos leve a dizer (ou: a cantar), confiadamente:

R. Vinde, Senhor Jesus.

Ou: Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

Ou: (Interceda por nós a Virgem cheia de graça).

 

1. Pela Igreja una, santa e apostólica,

a casa prometida por Deus a David,

para que a Virgem seja sempre o seu modelo,

oremos.

 

2. Pelos grandes e poderosos deste mundo

e pelos chefes e governantes das nações,

para que reconheçam que sem Deus nada é seguro,

oremos.

 

3. Pelos leigos, religiosos e catecúmenos,

para que, imitando a humildade de Maria,

encontrem graça aos olhos do Senhor,

oremos.

 

4. Pelos pais que esperam um filho

e pelos meninos que não conhecem os seus pais,

para que o Natal lhes revele o Salvador,

oremos.

 

5. Por esta assembleia dominical,

para que receba a graça de anunciar

o mistério que lhe foi manifestado,

oremos.

 

 (Outras intenções: as nossas famílias; crianças da catequese; defuntos ...).

Escutai, Senhor, as nossas súplicas

e preparai os nossos corações

para acolherem o vosso Filho, luz do mundo,

com a fé e a simplicidade de Maria.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Mensageiro Singular – B. Salgado, CMJ

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento II: p. 455 [588-700]

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Pai santo, Deus eterno e omnipotente,

é verdadeiramente nosso dever dar-Vos graças,

sempre e em toda a parte.

Nós Vos louvamos, nós Vos bendizemos,

nós Vos glorificamos pelo admirável mistério da Virgem Mãe:

Do antigo adversário veio a ruína,

do seio virginal da Filha de Sião

germinou Aquele que nos alimenta com o pão dos anjos

e, para todo o género humano, brotou a salvação e a paz.

A graça, que em Eva nos foi tirada,

foi-nos restituída em Maria.

Nela, Mãe de todos os homens,

a maternidade, resgatada do pecado e da morte,

recebe o dom da vida nova:

onde abundou a culpa, superabundou a misericórdia

por Cristo, nosso Salvador.

Por isso, na esperança da sua vinda,

com os anjos e os santos,

proclamamos a vossa glória,

dizendo (cantando) numa só voz:

Santo, Santo, Santo.

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Esta experiência bela e profunda de Deus, a comunhão, relembra-nos o que dizia o papa João Paulo II: “o nosso Amem, ao recebermos o Corpo e o Sangue de Cristo, é semelhante às Palavra de Maria: Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

É verdade que diante de Deus nos sentimos muito pobres e indignos. Muitas coisas erradas levamos em nós. Mas Deus não quer que desanimemos recordando-nos que a Ele nada é impossível.

Deus costuma realizar obras maravilhosas a partir da pobreza e da miséria, de reconstruir vidas desfeitas em humanidade, em sentido de vida, em testemunhas credíveis e em discípulos missionários.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor nos visitará – J. F. Silva, NRMS, 64

cf. Is 7, 14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um filho. O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

 

Cântico de acção de graças: O Anjo do Senhor anunciou a Maria – M. Simões, NRMS, 31

 

Oração depois da comunhão: Tendo recebido neste sacramento o penhor da redenção eterna, nós Vos pedimos, Senhor: quanto mais se aproxima a festa da nossa salvação, tanto mais cresça em nós o fervor para celebrarmos dignamente o mistério do Natal do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A celebração de hoje faz-nos lembrar o encontro de Jesus com os discípulos de Emaús. Na realidade Natal e Páscoa estão intimamente relacionados: a alegria, o não temas, o anúncio, o testemunho, a efusão de vida e de fecundidade do evangelho.

Maria acolheu, fez-se serva, partiu como discípula missionária e se comprometeu totalmente. Os discípulos acolhem Jesus, reconhecem-No, seu coração enche-se de amor e saem a correr a evangelizar.

Tal deve acontecer em nós. Somos desafiados a não ter medo de anunciar com palavras e com o testemunho de vida o nosso amor a Cristo e ao seu Evangelho. Lembremo-nos de que a nossa vida muitas vezes é o único evangelho que as pessoas conseguem ler.

 

Cântico final: Vinde depressa Senhor – B. Salgado, GAP

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo


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