3.º Domingo do Advento

17 de Dezembro de 2023

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Levanta-te Jerusalém – J. F. Silva, NRMS, 39

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O roxo do Advento abre-se ao rosa da alegria. Na dinâmica deste tempo, este é o domingo «gaudete», o domingo da alegria. E esta alegria não é um sentimento espontâneo, mas o fruto do Espírito dado aos que acolhem o Messias. Estamos a celebrar o terceiro domingo de Advento. O «Batista» aparece-nos em toda a sua força, como testemunha da Luz. E o seu desafio dá o tom a esta celebração: Preparai os caminhos do Senhor!

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías recorda-nos a proclamação do Jubileu, na versão do profeta, palavras que mais tarde se cumprirão em Jesus!

 

 

Isaías 61, 1-2a.10-11

1O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, 2aa promulgar o ano da graça do Senhor. 10Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. 11Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações.

 

O texto da leitura é tirado daquilo que poderíamos chamar o cerne do Terceiro Isaías (Is 60,1 – 64,11): no centro de Is 56 – 66 situa-se o anúncio da salvação para todas as nações a partir da nova Jerusalém (Sião) ideal (símbolo de uma nova ordem universal: cf. Apoc 21,1 – 22,5). E é em Is 61 que está o cume deste esplendoroso anúncio: o capítulo começa com os primeiros versículos que integram a leitura de hoje, em que aparece a falar, num denso monólogo, o mensageiro da boa nova libertadora. Por um lado, estes dois vv. têm grande afinidade com os poemas messiânicos do Servo de Yahwéh (cf. Is 49,1-6 e 42,1) e, por outro lado, o sentido profético destas palavras aparece realçado na parafraseada tradução aramaica (Targum), de que Jesus se teria servido na sinagoga de Nazaré. Com efeito, esta acrescentava no início deste texto: «Assim diz o profeta»; deste modo, o texto na boca de Jesus adquiria uma força surpreendente, ao pôr em evidência que Ele era o profeta-mensageiro de que falava Isaías – «hoje cumpriu-se esta Escritura…» (Lc 4,21) – e o próprio Messias, isto é, o Ungido (Cristo) pelo Senhor.

«Anunciar a boa nova aos pobres». Estes pobres – em hebraico, anavim, um termo técnico do A. T. – não são propriamente os que sofrem de miséria material ou moral, mas os que vivem numa piedosa atitude de indigência e humildade diante de Deus, isto é, os que confiam na bondade e misericórdia de Deus e não nos seus próprios bens ou merecimentos. «Um ano de graça» encerra uma alusão ao ano sabático (cf. Ex 21,2-11; Jer 34,14; Ez 46,17), ou antes ao ano jubilar, cada ano cinquenta, em que os escravos eram restituídos à liberdade e a propriedade regressava aos seus antigos donos (cf. Lv 25).

10-11 «Exulto de alegria»… O texto adapta-se bem ao tema tradicional da alegria para este «Domingo Gaudete». A alegria a que se refere – uma alegria comparável à dos noivos na sua festa nupcial e à do lavrador em face duma boa colheita – corresponde à maravilhosa restauração de Jerusalém; é a alegria messiânica, pois o horizonte do oráculo é claramente escatológico, isto é, o de uma intervenção de Deus em ordem à salvação definitiva. É, pois, coerente que a Liturgia ver nesta alegria a da Igreja pelo nascimento de Cristo.

 

Salmo Responsorial Lc 1, 46-48.49-50.53-54 (R. Is 61, 10b)

 

Monição: No salmo responsorial é-nos apresentado o Magnificat. Neste cântico, Maria exalta jubilosa a grandeza de Deus e do Seu amor misericordioso que faz chegar até nós a sua salvação.

 

Refrão:    Exulto de alegria no Senhor.

Ou:           A minha alma exulta no Senhor.

 

A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

 

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

 

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu-os de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo diz aos cristãos que é preciso esperar o Senhor que vem, pedindo-lhes que vivam alegres, em atitude de louvor e de adoração, abertos aos dons do Espírito.

 

1 Tessalonicenses  5, 16-24

Irmãos: 16Vivei sempre alegres, 17orai sem cessar, 18dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. 19Não apagueis o Espírito, 20não desprezeis os dons proféticos; 21mas avaliai tudo, conservando o que for bom. 22Afastai-vos de toda a espécie de mal. 23O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. 24É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas.

 

A leitura contém em parte recomendações finais da Carta. Entre os conselhos, S. Paulo insiste na alegria – «Vivei sempre alegres» – (v. 16), que é uma virtude profundamente cristã, consequência lógica da nossa condição de filhos de Deus. Daqui os apelos constantes do N. T. a viver a alegria: Filp 2,18; 3,1; 4,4; 2Cor 2,11; 7,4; Col 1,24; Mt 5,12; Jo 15,11; 16,22.24; 17,13.

18 «É esta a vontade de Deus»: que estejamos sempre alegres, rezemos sem cessar e demos acções de graças sempre; e isto «em Cristo Jesus», pois a vontade de Deus comunicada a nós pela palavra e exemplos de Jesus torna-se coisa praticável mediante a obra redentora do Senhor que nos dá forças para tanto com a sua graça.

19-21 «Não apagueis o Espírito... mas avaliai tudo, conservando o que é bom». Há aqui uma referência aos dons carismáticos – atribuídos ao Espírito Santo –, dons concedidos aos fiéis para o bem espiritual dos outros, concretamente ao dom da profecia; mais do que para adivinhar, este servia para «edificar, exortar e consolar» (cf. 1Cor 14,1-15). Parece que esta exortação vai dirigida aos chefes da comunidade, para que não se oponham sistematicamente aos carismas suscitados por Deus nos fiéis, uma recomendação fortemente expressiva, pois o Espírito Santo é por excelência luz e fogo. Não é a Hierarquia quem programa a acção do Espírito Santo, «que sopra onde quer» (Jo 3, 8), mas ela tem a missão de avaliar e discernir a genuinidade dos carismas (cf. Lumen Gentium, 12).

23 «O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível». A totalidade do ser da pessoa a tornar-se santa é expressa segundo uma concepção tricotómica do ser humano, como sendo composto de três princípios, à maneira da filosofia grega, a saber, o espírito, ou o princípio superior de vida intelectual (nous, que Filon substituiu por pneuma, a mesma designação que também Paulo adoptou), a alma, ou o princípio de vida sensitiva (psykhê), e o corpo, o elemento puramente material (sôma). Não é de excluir que aqui S. Paulo se tenha servido do modelo antropológico grego tripartido, mas fá-lo sem se comprometer com este modelo, pois não é um filósofo especulativo; o que lhe importa é utilizar a linguagem corrente, para se fazer entender; é assim que ele utiliza diversos modelos antropológicos, gregos ou semíticos, ao correr da pena.

24 «É fiel Aquele que vos chama». Aqui está a firme garantia da perseverança na graça e na vocação cristã. S. Paulo, na linha da doutrina já revelada no A. T., insiste frequentemente na fidelidade divina: 1Cor 1,9; 10,13; 2Cor 1,18; Filp 1,6; 2Tes 3,3; 2Tim 1,12…

 

Aclamação ao Evangelho    Is 61, 1

 

Monição: O Evangelho apresenta-nos João Baptista, a “voz” que prepara os homens para acolher Jesus, a salvação e luz do mundo.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (I)

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 6-8.19-28

6Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 19Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» 20Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». 21Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?», «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». 22Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» 23Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». 24Entre os enviados havia fariseus 25que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» 26João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: 27Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». 28Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

 

O texto evangélico é extraído das referências a João Baptista que aparecem no Prólogo do IV Evangelho e do início da narrativa joanina.

6-8 «Um homem… chamado João» O único João de que se fala no IV Evangelho é o Baptista, sem nunca contar a sua vida e pregação (como os Sinópticos: cf. Lc 3,1-22 par); apenas refere o seu testemunho a favor de Jesus (1,15.19-35; 3,27-30; 5,33), a fim de que todos acreditassem.

19-28 Nesta secção deixa-se ver o prestígio excepcional do Baptista e a sua humildade, bem como o ambiente de expectativa messiânica. É interessante notar como o IV Evangelho abre com o testemunho de João (Baptista), e termina com o do Evangelista (João), ambos apontando Cristo como o Cordeiro de Deus imolado: 19,35-36.

A propósito de Elias, ver Mal 3,23; Sir 48,10-11; Mt 11,14; 17,19; e de o Profeta, ver Dt 18,15; Jo 6,14; Act 3,22.

19 «Os judeus». S. João costuma designar assim os chefes judaicos, e geralmente com uma conotação de inimigos de Jesus. Isto explica-se pelo facto de escrever para cristãos vindos da gentilidade e a muitos anos de distância dos acontecimentos (estamos perto do ano 100), por isso não implica anti-judaísmo. Os «levitas», pertencentes à tribo sacerdotal de Levi, eram os auxiliares dos sacerdotes, e não podiam oferecer os sacrifícios.

20 «Ele confessou a verdade e não negou. Confessou...» Esta insistência do Evangelista põe em evidência a hombridade e rectidão do Baptista, assim como a especial força do seu testemunho. É também de supor que esta insistência tenha por objectivo animar os fiéis a confessarem a sua fé em Cristo, apesar do furor das perseguições.

21 «Elias… o profeta». Segundo a crença popular, Elias, elevado ao céu sem morrer (cf. 2Re 2,11-12), deveria regressar no fim dos tempos: Mal 3,23 (4,5); Sir 48,10; Mt 17,10-13. Note-se que não perguntam a João se ele é um profeta, mas o profeta. Com efeito, os judeus esperavam um profeta distinto do Messias para introduzir os tempos messiânicos, apoiados em Dt 18,15. Também a Regra da Comunidade, daquela época, achada nas grutas do Mar Morto, fala da chegada de um novo profeta que acompanhará os dois Messias esperados pelos essénios: um, sacerdote, da tribo de Levi, e outro, rei, da tribo de Judá.

26 «Eu baptizo em água». Baptizar era mergulhar na água. Tratava-se dum banho ritual que significava a purificação legal de alguma impureza prevista pela Torá escrita ou oral. Na época, existia também o baptismo dos prosélitos, para incorporar um gentio no judaísmo, e ainda o baptismo dos essénios, um rito de iniciação e purificação dos adeptos que entravam na seita de Qumrã. O baptismo de João não era um rito de incorporação ou de iniciação, mas de conversão interior; as palavras de exortação do Baptista e o reconhecimento público e humilde dos pecados dispunham o penitente para vir a receber a graça de Cristo, que já vivia entre o povo, mas que o povo não conhecia na sua qualidade de Messias. Os profetas tinham anunciado uma purificação com a água nos tempos messiânicos: Zac 13,1; Jer 4,14; Ez 36,25; 37,23. O baptismo de João dispunha para a limpeza da alma, mas o Baptismo de Jesus concede eficazmente o perdão dos pecados (cf. Mt 3,11; Mc 1,4). Dadas as circunstâncias da época, o simbolismo do rito de baptizar era então muito mais evidente do que nos nossos dias, mas a eficácia do Baptismo de Jesus só se pode captar pela fé.

28 «Em Betânia, além Jordão», em frente de Jericó, na margem esquerda do rio (cf. Jo 10,39-40), é diferente da terra de Lázaro (cf. Jo 11,1.18), a uns três quilómetros a leste de Jerusalém.

 

Sugestões para a homilia

 

Viver o Advento com João Batista na humildade, alegria e esperança.

 

Celebramos o terceiro domingo do Advento, conhecido como o “Domingo da Alegria” ou “Domingo Gaudete”. É um momento especial na nossa preparação para o Natal, pois estamos alegres devido à iminência da vinda de Jesus. Neste Domingo, encontramos um Evangelho que nos apresenta João Batista, o precursor de Jesus, que desempenhou um papel crucial na preparação para a chegada do Messias.

O Evangelho de hoje, de acordo com São João, traz-nos o testemunho de João Batista. Ele é apresentado como uma voz que clama no deserto. João não é a luz, mas veio para dar testemunho da luz, que é Jesus. Esta é uma afirmação poderosa e um lembrete de que, embora João fosse um grande profeta, ele reconhecia a sua própria humildade diante da grandiosidade de Jesus.

Esta humildade de João é um exemplo para todos nós. É fácil deixarmo-nos levar pelo orgulho, pela vaidade e pela autorreferência nas nossas vidas. No entanto, o exemplo de João ensina-nos que, mesmo quando desempenhamos papéis importantes na missão de Deus, a humildade deve ser o nosso guia. Ele sabia que a sua missão era preparar o caminho para o Salvador, e ele cumpriu-a com zelo e sem nunca esquecer que ele não era o Messias.

Outro ponto notável deste Evangelho é a persistência dos líderes religiosos que vieram a João Batista para perguntar-lhe quem ele era. Eles interrogaram-no, perguntando se era Cristo, Elias ou o Profeta. Mas João respondeu com humildade, negando ser qualquer um deles e reafirmando a sua missão de preparar o caminho para o Messias. João, permanecendo fiel à sua identidade e missão, apontou sempre para Cristo, o único e verdadeiro Messias.

Nós também somos chamados a ser testemunhas da luz de Cristo num mundo muitas vezes mergulhado nas trevas. Tal como João Batista, somos chamados a proclamar a Boa Nova, a anunciar a chegada de Jesus e a preparar o seu caminho na vida das pessoas. A humildade e fidelidade à missão que Deus nos confiou são essenciais nesse processo.

À medida que nos aproximamos do Natal, aproveitemos este tempo do Advento para refletir sobre como podemos ser como João Batista em nossas vidas. Como podemos ser testemunhas da luz de Cristo à ao nosso redor? Como podemos preparar o caminho para que Jesus toque a vida de outras pessoas?

Lembremo-nos de que, como João Batista, nossa alegria está na vinda de Jesus. Nada é mais digno de celebração do que a encarnação de Deus em nosso meio. Portanto, alegremo-nos, preparemo-nos e sejamos testemunhas da luz, assim como João Batista, para que, quando o Natal chegar, possamos receber Cristo com corações abertos e alegres.

Que o exemplo de João Batista nos inspire a viver o Advento com humildade, alegria e esperança.

 

Fala o Santo Padre

 

«Sou uma pessoa alegre que sabe transmitir a alegria de ser cristão?

Se eu não tiver a alegria da minha fé, não poderei dar testemunho e os outros dirão:

“Mas se a fé é tão triste, é melhor não a ter”»

O convite à alegria é caraterístico do tempo do Advento: a expetativa do nascimento de Jesus, a expetativa que vivemos é alegre, um pouco como quando esperamos a visita de uma pessoa que amamos muito, por exemplo um amigo que não vemos há muito tempo, um parente... Estamos em expetativa alegre. E esta dimensão da alegria emerge especialmente hoje, terceiro domingo, que se abre com a exortação de São Paulo «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Antífona da Entrada; cf. Fl 4, 4.5). «Alegrai-vos!». A alegria cristã. E qual é a razão desta alegria? Que «o Senhor está próximo» (v. 5). Quanto mais próximo está de nós o Senhor, mais estamos na alegria; quanto mais distante Ele está, mais estamos na tristeza. Esta é uma regra para os cristãos. Certa vez um filósofo disse algo mais ou menos assim: “Não compreendo como se pode acreditar hoje, pois aqueles que dizem que acreditam têm um rosto de velório. Eles não dão testemunho da alegria da ressurreição de Jesus Cristo”. Tantos cristãos com essa cara, sim, cara de velório, cara de tristeza... Mas Cristo ressuscitou! Cristo ama-te! E não sentes alegria? Pensemos um pouco nisto e digamos: “Sinto alegria porque o Senhor está perto de mim, porque o Senhor me ama, porque o Senhor me redimiu?”.

Hoje o Evangelho segundo João apresenta-nos o personagem bíblico que - com exceção de Nossa Senhora e de São José - foi o primeiro e viveu mais a expetativa do Messias e a alegria de o ver chegar: estamos a falar naturalmente de João Batista (cf. Jo 1, 6-8.19-28).

O evangelista apresenta-o solenemente: «Houve um homem, enviado por Deus […]. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz» (vv. 6-7). O Batista é a primeira testemunha de Jesus, com a palavra e com o dom da vida. Todos os Evangelhos concordam em mostrar como ele cumpriu a sua missão apontando Jesus como o Cristo, o Enviado de Deus prometido pelos profetas. João foi um líder no seu tempo. A sua fama propagou-se por toda a Judeia e além, até à Galileia. Mas ele não cedeu por um momento à tentação de chamar a atenção sobre si: apontou sempre para Aquele que haveria de vir. Ele disse: «não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias» (v. 27). Sempre a indicar o Senhor. Como Nossa Senhora: indica sempre o Senhor: «Fazei o que Ele vos disser». Sempre o Senhor no centro. Os Santos em redor, indicando o Senhor. E quem não aponta o Senhor não é santo!

Eis a primeira condição da alegria cristã: descentralizar-se de si mesmo e colocar Jesus no centro. Isto não é alienação, porque Jesus de facto é o centro, é a luz que dá pleno sentido à vida de cada homem e mulher que vem a este mundo. É o mesmo dinamismo do amor, que me leva a sair de mim, não a perder-me, mas a encontrar-me a mim mesmo à medida que me dou, à medida que procuro o bem dos outros.

João Batista percorreu um longo caminho para testemunhar Jesus. O caminho da alegria não é um passeio. É preciso trabalho para estar sempre na alegria. João deixou tudo, desde quando era jovem, para colocar Deus em primeiro lugar, para ouvir com todo o coração e com toda a  força a sua Palavra. João retirou-se para o deserto, despojando-se de tudo o que era supérfluo, para ser mais livre e seguir o vento do Espírito Santo. Certamente, alguns traços da sua personalidade são únicos, irrepetíveis, não são possíveis a todos. Mas o seu testemunho é paradigmático para qualquer pessoa que queira procurar o sentido da vida e encontrar a verdadeira alegria. Em particular, o Batista é modelo para quantos na Igreja  são chamados a proclamar Cristo aos outros: só o podem fazer se se afastarem de si mesmos e da mundanidade, não atraindo pessoas para si, mas orientando-as para Jesus. A alegria é isto: orientar para Jesus. E a alegria deve ser a caraterística da nossa fé. Mesmo em momentos escuros, essa alegria interior, de saber que o Senhor está comigo, que o Senhor está connosco, que o Senhor ressuscitou. O Senhor! O Senhor! O Senhor! Este é o centro da nossa vida, e este é o centro da nossa alegria. Pensai bem hoje: como me comporto? Sou uma pessoa alegre que sabe transmitir a alegria de ser cristão, ou sou sempre como os tristes, como disse antes, que parecem estar num velório? Se eu não tiver a alegria da minha fé, não poderei dar testemunho e os outros dirão: “Mas se a fé é tão triste, é melhor não a ter”.

Rezando agora o Angelus, vemos tudo isto plenamente realizado na Virgem Maria: ela esperou em silêncio pela Palavra de salvação de Deus; ouviu-a, acolheu-a, concebeu-a. Nela  Deus tornou-se próximo. Por isso a Igreja chama Maria “Causa da nossa alegria”.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 13 de dezembro de 2020

 

Oração Universal

 

P.             Irmãs e irmãos: Pela força do Espírito que nos ungiu e nos ensina a rezar, oremos sem cessar, dizendo com júbilo:

 

R. Vinde, Senhor Jesus.

 

 

1.    Pela Igreja, Esposa de Cristo,

para que exulte de alegria no Senhor

e dê testemunho dessa alegria a todos os homens, oremos.

 

2.    Pelos que têm responsabilidade nos governos das comunidades:

para que saibam avaliar e promover tudo o que é bom,

com a mesma força com que afastam toda a espécie de mal, oremos.

 

3.  Pelos pobres, pelos prisioneiros, pelos cativos, pelas pessoas de coração atribulado,

para que encontrem em Cristo vivo, uma Boa Nova libertadora, de cura e de salvação, oremos.

 

4.  Por todos nós, para que sejamos, na alegria da fé, testemunhas da Luz de Cristo,

que dissipa toda a escuridão, do corpo, da alma e do coração, oremos.

 

P. Senhor, dai-nos o vosso Espírito e com Ele os frutos da alegria, do amor e da paz,

para que sejamos testemunhas de Cristo e da sua luz esplendorosa. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

 

Cântico do ofertório: Quando virá Senhor o dia – Az. Oliveira, NRMS, 39

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: C. Silva - OC pg 538

 

Saudação da Paz

 

Quando não estamos em paz, reconciliados com os irmãos, sentimos que a tristeza nos domina.

Para que a nossa alegria seja plena, aceitemos perdoar e ser perdoados das mútuas ofensas.

Com este propósito,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A 1ª leitura faz referência á proclamação do ano da graça do Senhor. É um momento antecipado da celebração do Jubileu. Receber a Cristo é entrar nessa alegria jubilosa que só Deus pode e sabe dar.

 

Cântico da Comunhão: Vinde Senhor, vinde visitar-nos – J. F. Silva, NRMS, 56

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

Cântico de acção de graças: Cantai um cântico novo – J. Santos, NRMS, 10

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A passos largos do Natal, a Liturgia não nos deixa «embalar» na cómoda e pacata paz de quem não espera nada de novo. O apelo do Batista desassossega qualquer um. Que a sua voz nos abra à Palavra, que é Cristo!

 

Cântico final: Desça o orvalho do alto do céu – J. Santos, NRMS, 15

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-XII: O nome de José.

Jer 23, 5-8 / Mt 1, 18-25

Dias virão em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e agirá com justiça.

O profeta Jeremias anuncia a vinda do Salvador, como descendente messiânico de David (Leit).

S. José, descendente de David, recebe a mensagem do Anjo, que lhe comunica o nascimento de Jesus (Ev.). O Anjo disse assim a José: 'dar-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos pecados' (Ev.). O nome de José significa em hebreu 'Deus acrescentará', isto é, aquele que cumpre a vontade do Senhor. E José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor. Procuremos integrar-nos diariamente nos planos do Senhor, cumprindo os nossos deveres.

 

3ª Feira, 19-XII: A missão do Precursor.

Jzs 13, 2-7. 24-25 / Lc 1, 5-25

Não temas Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Tua esposa. Isabel, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João.

Uma mulher estéril, esposa de Manoá, recebe a visita do Anjo do Senhor, que lhe anuncia o nascimento do filho, Sansão (Leit.). O mesmo acontecerá mais tarde com Isabel, esposa de Zacarias, que deu à luz João Baptista (Ev.). O Senhor compadece-se destas duas mulheres estéreis e integra-as nos planos da salvação.

João Baptista é o enviado ao povo para preparar os caminhos do Senhor (Ev.). Procuremos melhorar as nossas disposições para recebermos bem o Messias: com alegria, vigilantes na oração, e celebrando os seus louvores (Prefácio II do Advento).

 

4ª Feira, 20-XII: Advento com Nª Senhora (I).

Is 7, 10-14 / Lc 1, 26-38

Há-de a Virgem conceber e dar à luz um filho, a quem porá o nome de Emanuel.

Esta profecia, já anunciada no Proto-Evangelho, vai realizar-se na Virgem Maria (Ev.). Desde toda a eternidade, Deus escolheu para ser a mãe do seu Filho, uma virgem que era noiva de José, um descendente de David (Ev.).

Com esta Anunciação do Anjo, começa o Advento de Nª Senhora. Na sua companhia, queremos viver melhor o que nos resta do Advento. Podemos imitar a sua disponibilidade para as coisas de Deus: 'Eis a serva do Senhor'; o seu 'sim', que contribuiu para a salvação da humanidade, vencendo o 'não' de Eva.

 

5ª Feira, 21-XII: Advento com Nª Senhora (II).

Sof 3, 14-18 / Lc 1, 39-45

O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, como herói que te vem salvar. Exultará de alegria por causa de ti, como em dia de festa.

O Messias está no meio de nós, vem salvar-nos e exultamos de alegria (Leit.). Nª Senhora exulta igualmente com muita alegria, porque o Senhor está no seu ventre puríssimo. Dirige-se à casa de Isabel, que a recebe como grandes louvores: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre» (Ev.).

Gostaríamos de viver como Ela, com o mesmo espírito de serviço e de misericórdia para com as necessidades do próximo. Louvemo-la como Isabel, rezando bem cada Avé-Maria e a oração do Anjo do Senhor.

 

6ª Feira, 22-XII: A misericórdia de Deus em todas as gerações.

1 Sam 1, 24-28 / Lc 1, 46-56

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.

Ana levou o seu filho Samuel para o entregar ao serviço do Senhor no Templo e o seu coração exulta de alegria (Leit.), Nossa Senhora, ao transportar o Filho de Deus no seu ventre, fez chegar a Deus um cântico de louvor e alegria (Ev.).

Durante a sua visita disse: «'A sua misericórdia estende-se de geração em geração'. Tais palavras, já desde o momento da Encarnação, abrem nova perspectiva na história da salvação. Maria, portanto, é a que conhece mais profundamente o mistério da misericórdia divina» (João Paulo II, Dives in misericordia, 9). Que Ela nos ajude a penetrar melhor neste mistério.

 

Sábado, 23-XII: A missão do Precursor.

Mal 3, 1-4. 23-24 / Lc 1, 57-66

Vou enviar o meu mensageiro, para desimpedir o caminho diante de mim.

Malaquias profetiza sobre as missões de Elias e João Baptista: preparar o caminho do Senhor (Leit.). De João perguntava-se: «Quem virá a ser este menino? (Ev.) As missões de ambos estão intimamente ligadas, mas João Baptista é o precursor imediato.

Uma das missões importantes da nossa vida, bem como para João, é manifestar a presença de Cristo. Ele há-de estar presente nas nossas acções, fruto da nossa identificação com Ele, e também nas nossas palavras, indicado aos outros os caminhos do Senhor. Assim fez João Baptista ao indicar aos seus discípulos a presença do Messias: «Eis o Cordeiro de Deus».

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Nuno Westwood

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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