2.º Domingo do Advento

10 de Dezembro de 2023

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Povo de Sião – A. F. santos, BML, 18

cf. Is 30, 19.30

Antífona de entrada: Povo de Sião: eis o Senhor que vem salvar os homens. O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa na alegria dos vossos corações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Se queres encontrar Deus o mais normal é que alguém te alerte, te acorde e te assinale a necessidade de te converteres. Alguém ou algo leva-nos a Deus. Uma pessoa, um acontecimento, uma situação que parecia insuperável, tornam-se uma profecia de uma mudança pessoal.

Neste segundo domingo do Advento, o nosso olhar de fé e de esperança, iluminado pelo amor de Deus, abre-se à contemplação da pessoa de João Batista, o precursor, que nos inspira a preparar os caminhos do Senhor, na espectativa do encontro pessoal com Jesus Cristo, que fará ouvir a sua voz majestosa na alegria dos nossos corações (Antífona de Entrada) e batizará no Espírito Santo.

 

Ato Penitencial

 

Senhor, através de João Baptista, o precursor, ajudas a preparar o nosso interior, para a tua vinda amorosa. Senhor, tem piedade de nós...

 

Cristo, “não tardarás em cumprir a tua promessa”, porque buscamos aqueles novos céus e nova terra, onde existirá a caridade fraterna e onde abundará a justiça. Cristo, tem piedade de nós...

 

Senhor, convidas-nos a uma inclinação mais profunda, como reconhecimento das nossas veredas escarpadas, levando a nossa vida a uma conversão mais plena à tua mensagem de amor. Senhor, tem piedade de nós...

 

oração colecta: Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta do final do Exílio da Babilónia, com voz poderosa chega ao coração de todos e proclama bem alto que o tempo da servidão acabou e que a culpa do povo foi perdoada. É possível voltar a sonhar… Deus está aí e vem com poder… É um pastor que apascenta o seu rebanho e reúne os animais dispersos conduzindo-os ao seu descanso… A paz e a justiça, a misericórdia e a fidelidade podem voltar a encontrar-se…

 

Isaías 40, 1-5.9-11

1Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados. 3Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. 4Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. 5Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou».9Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de Jerusalém! Levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus. 10O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. 11Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».

 

A leitura corresponde ao início do Segundo Isaías (Is 40,1 – 55,13), também chamado «Livro da Consolação», que começa com uma voz misteriosa que diz em nome de Deus: «Consolai, consolai o meu povo, diz o nosso Deus» (v. 1). O contexto deuteroisaiano é o da situação do Povo no cativeiro de Babilónia, para onde os judeus mais válidos e importantes tinham sido levados em sucessivas deportações, que culminaram com a destruição de Jerusalém e do Templo em 587. O Profeta, continuador do grande Isaías do século VIII, começa, no início da 1ª parte desta obra (cap. 40 – 48), por animar os deportados abatidos a disporem-se para o caminho de regresso à terra-mãe, aproveitando o decreto de Ciro, rei dos Persas, que, tendo em 539 conquistado Babilónia, autorizava os deportados a regressarem às suas terras de origem. O Profeta esclarece que esta libertação é obra de Deus, Senhor do mundo e do curso da história, que se serve do rei Ciro, como seu «ungido», para trazer a liberdade ao Povo. Este regresso, difícil sobretudo para quem já tinha nascido no desterro e para quem ali se encontrava sofrivelmente instalado, é enaltecido e apresentado poeticamente como um «novo êxodo», ainda mais maravilhoso do que o primeiro. O regresso não será um caminho difícil e penoso, pois o Senhor vai fazer grandes prodígios a favor dos retornados.

3 «Uma voz clama: 'Preparai no deserto o caminho do Senhor…’», tem uma esplêndida actualização na abertura do Evangelho de S. Marcos, o Evangelista deste ano B. Na tradição bíblica o deserto, passa a ter um profundo significado simbólico, como o lugar do encontro com Deus, na solidão e na intimidade da alma em oração, como o tempo de prova e purificação. O abater dos montes e o altear das terras abatidas para construir estradas – coisa então impensável sem a potente maquinaria moderna – é uma ousada metáfora, que se presta a ser aplicada às disposições da alma para que Deus entre nela. O texto da leitura, admiravelmente musicado no início do Messias de Händel, é bem adequado para nos introduzir no espírito do Advento, a preparar a vinda do Senhor, com disposições de humildade e rectidão para endireitar tudo o que na nossa vida ande mais ou menos desviado da vontade de Deus (cf. v. 4).

 

Salmo Responsorial Sl 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

 

Monição: “A voz de Deus que é paz chama à paz. Quereis que vos pertença também esta paz da qual Deus fala? Voltai o vosso coração para Ele” (Santo Agostinho) e cantai-lhe: Mostrai-nos o vosso amor, dai-nos a vossa salvação.

 

Refrão:    Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salvação.

 

Ou:           Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

Escutemos o que diz o Senhor:

Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.

A sua salvação está perto dos que O temem

e a sua glória habitará na nossa terra.

 

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,

abraçaram-se a paz e a justiça.

A fidelidade vai germinar da terra

e a justiça descerá do Céu.

 

O Senhor dará ainda o que é bom

e a nossa terra produzirá os seus frutos.

A justiça caminhará à sua frente

e a paz seguirá os seus passos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro recorda como é importante aguardar sempre o Senhor… O dia do Senhor chegará e até pode vir quando menos se espera… Preocupemo-nos em estar preparados, com uma vida santa e grande piedade, para acolher o Senhor que vem para criar um mundo novo.

 

2 São Pedro 3, 8-14

8Há uma coisa, caríssimos, que não deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. 9O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam arrepender-se. 10Entretanto, o dia do Senhor virá como um ladrão: nesse dia, os céus desaparecerão com fragor, os elementos dissolver-se-ão nas chamas e a terra será consumida com todas as obras que nela existem. 11Uma vez que todas as coisas serão assim dissolvidas, como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, 12esperando e apressando a vinda do dia de Deus, em que os céus se dissolverão em chamas e os elementos se fundirão no ardor do fogo! 13Nós esperamos, segundo a promessa do Senhor, os novos céus e a nova terra, onde habitará a justiça. 14Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz.

 

No final desta epístola o autor inspirado tenta dar uma resposta aos que estavam perplexos com a demora da segunda vinda de Cristo; com efeito, tão grande era o desejo de que Ele voltasse, que chegaram a convencer-se da sua proximidade! Temos aqui um apelo à fé, pois o Senhor sempre cumpre o que promete, mas a verdade é que o dia da sua vinda nos é desconhecido e todos os cálculos humanos estão destinados a falhar, uma vez que para Deus «mil anos são como um só dia», no dizer do Salmo 89 (90), 4; por outro lado, Ele quer dar tempo para que «todos se possam arrepender» (v. 9).

10 «O dia do Senhor chegará como um ladrão» é uma expressão tradicional que consta dos ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos: cf. Mt 24,36.43-44.48-50; Lc 12,35-48; 1Tes 5,4-6;  2Tim 2,13-14; Apoc 3,3.

12-13 «Os céus se dissolverão em chamas e os elementos se fundirão no ardor do fogo»: Não parece que se esteja a falar dos quatro elementos da Natureza, segundo os antigos: terra, água, ar e fogo; pela oposição à «Terra», parece que a expressão se refere aos corpos celestes. No entanto, o género destas expressões é claramente apocalíptico, uma linguagem figurada, grandiosa e aterradora, com que se alude a uma poderosa intervenção de Deus, mas sem que nada de concreto se possa especificar. Mas não se pense que tudo vá terminar na destruição; acabará certamente este tipo de vida e, em vez de aniquilamento, o que acontecerá há-de ser uma radical transformação – «os novos céus e a nova terra» –, que também não sabemos em que vai consistir. Estamos perante uma outra rara citação do A. T. na Secunda Petri (Is 65,17; 66,22; cf. Rom 8,18-30; 2Cor 5,14-15; Apoc 21,1; cf. tb. Jds 24). Trata-se de uma nova ordem de coisas, que nada tem a ver com a dita “nova ordem mundial”, com que se pretende prescindir de Deus, mas uma nova ordem «onde habitará a justiça», isto é, a santidade e a plena harmonia de acordo com o projeto de Deus, pois não haverá mais pecado e os pecadores rebeldes estarão para sempre apartados para o fogo eterno (cf. Mt 25,41). O mais que se diga é especulação e alimento mais ou menos edificante da imaginação.

Sobre o fim dos tempos abundam revelações particulares, em que abunda a linguagem apocalíptica que deve ser bem interpretada, como é o caso das revelações de Fátima que o Cardeal Ratzinger bem explicou no seu Comentário Teológico do ano 2000. Só à autoridade da Igreja pertence a interpretação autorizada das revelações particulares. Vale a pena recordar o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o fim dos tempos, 368-679. “O triunfo do Reino de Cristo só será um facto, depois de um último assalto das forças do mal” (nº 680).

 

Aclamação ao Evangelho    Lc 3, 4.6

 

Monição: João Baptista, no deserto, retoma a voz do profeta Isaías: “é preciso preparar o caminho e endireitar as veredas”… “Vai chegar quem é mais forte do que eu… Eu baptizo-vos na água, mas ele baptizar-vos-á no Espírito Santo”… Deus está aí, vai chegar, preparai-vos… Há lugar para mudanças…

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas

e toda a criatura verá a salvação de Deus.

 

 

 

Evangelho

 

São Marcos 1, 1-8

1Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. 3Uma voz clama no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas'». 4Apareceu João Baptista no deserto a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. 5Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. 8Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».

 

S. Marcos começa o seu Evangelho com umas breves referências à pregação do Baptista (vv. 2-8) e ao Baptismo de Jesus (vv. 9-11) e uma brevíssima alusão às tentações no deserto (vv. 12-13), que constituem como que o prólogo da sua obra. À primeira vista, poderia parecer que no 1º versículo – «Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus» – a palavra Evangelho designaria o seu escrito. Mas a verdade é que estas palavras são como que a síntese de toda a obra: «Jesus» é «Cristo», isto é, o Messias anunciado pelos profetas e também o «Filho de Deus». Todo o Evangelho de Marcos está enquadrado nesta confissão de fé, com que também finaliza a vida terrena de Jesus: «verdadeiramente este homem era Filho de Deus (Mc 15,39). O próprio Jesus é Ele mesmo o «princípio» da salvação, pois Ele é a Boa Nova, o «Evangelho». A palavra grega «evangelho» significa boa notícia; no Novo Testamento é o feliz anúncio da salvação que Deus comunica aos homens por meio de seu Filho.

A citação inicial (vv. 2-3) de Isaías 40,3 (cf. 1ª leitura de hoje) tem o valor da citação do Profeta messiânico por excelência, por isso engloba na citação uma parte que nem sequer é de Isaías, o v. 2, mas do profeta Malaquias (Mal 3,1; cf. Ex 23,20). A grandeza de Jesus é posta em relevo pela humildade de João que afirma: «eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias» (v. 7); com efeito, desatar as sandálias era considerado algo tão humilhante, que nem sequer se podia exigir a um escravo que fosse judeu. O convite do Baptista à «penitência» (v. 4) é o melhor apelo a «preparar o caminho do Senhor» para o Natal que se aproxima; o próprio João aparece como um modelo de preparação: um homem desprendido e penitente (cf. v. 6).

 

Sugestões para a homilia

 

O tempo de Advento, traz-nos, no seu final, a alegre notícia de um acontecimento que marca a história. O mundo não seria o mesmo sem este evento divino e humano: o nascimento de Cristo.

Assim, no caminho para a alegria do encontro com o Senhor, a Liturgia da Palavra do 2º Domingo do Advento, convida-nos a abrir dois livros inspirados: o Livro da Consolação de Isaías e o Evangelho de Marcos. E assim poderemos falar ao coração, dizer palavras de consolo, anunciar as melhores notícias, levantar o ânimo abatido... Abrir caminhos de liberdade, assegurar que não haja vales que não possam ser elevados, nem montanhas que não possam ser baixadas; perceber que as curvas se podem endireitar e que, de qualquer labirinto se pode sair... E assim poderemos acender a esperança e anunciar claramente que Deus não nos abandonou, que nunca se pode esquecer de nós... mas vem criar um mundo novo.

Consolai, consolai o meu povo. Assim começa o chamado “Livro da Consolação” do profeta Isaías, cujo prólogo lemos na 1ª leitura. Quase a terminar o exílio da Babilónia o profeta proclama bem alto que o tempo da servidão acabou e que a culpa do povo foi perdoada...

Não eram circunstâncias fáceis as que então se viviam: entre os exilados misturavam-se sentimentos de culpa e de injustiça..., a resignação e o pessimismo era o sentimento mais generalizado... Mas Deus, que não está ausente da nossa história, decide que este povo deve ser levantado e curado... Decide trazer luz à sua noite, e oferecer-se para o conduzir, com amor e solicitude ao encontro da verdadeira vida e liberdade. Por isso, diz o profeta, é possível voltar a sonhar... Deus está aí e vem com poder... E assim, a paz e a justiça, a misericórdia e a fidelidade podem voltar a encontrar-se...

Que extraordinário capital de esperança o profeta Isaías faz chegar até nós: Deus vem sempre ao nosso encontro e oferecesse-se para nos conduzir… Por isso, não fiquemos instalados e acomodados nas nossas misérias ou pecados, não percamos a capacidade de arriscar e a vontade de começar um novo caminho com Deus; não fiquemos resignados a uma vida banal, vazia. Saibamos abrir o coração à novidade do Pastor que vem para nos reunir, para nos mostrar o seu amor e a sua salvação...

No vasto deserto da solidão, que hoje se vive, seja no isolamento de quatro paredes sem calor humano, seja na confusão anónima das ruas, em que nos tocamos e cruzamos, sem nos vermos, sem chegarmos a sentir nada uns pelos outros, tornemo-nos sinal de consolação e esperança, falemos ao coração dos que lutam sozinhos, dos que combatem sem apoios, dos que falam sem nunca serem ouvidos, dos que caminham, pelo mundo, sem estrelas, nem companhia!

Assim se apresentou João Batista ao trazer-nos a boa notícia da proximidade do Senhor, já presente no meio de nós (Evangelho). Centrado no essencial, figura despojada e sóbria, à espera d’Aquele que batiza no Espírito Santo, João é o mensageiro que antecede o Esperado, a voz à frente da Palavra, o servo diante do Senhor, o que batiza com água, precedendo o que batizará com o Espírito Santo. Ele é dá voz à Palavra de Deus e fala ao coração do seu Povo! O seu grito de sentinela não deixa ninguém indiferente, mas envolve a todos um itinerário de conversão: preparai, no deserto, o caminho do Senhor.

Nos desertos da solidão e do abandono, do medo e da desesperança, do desencanto e do cansaço, é preciso preencher os vazios da nossa vida, abrir estradas, altear vales, abater montes e colinas: que pode ser o vazio da oração, reservando neste Advento mais tempo para rezar com mais intensidade; para reservar à vida espiritual o lugar importante que lhe compete... que pode ser o vazio da falta de caridade para com o próximo, sobretudo para com as pessoas mais necessitadas de ajuda não só material, mas também espiritual.

 O Salvador que esperamos é capaz de transformar a nossa vida com a sua graça, com a força do Espírito Santo, com a força do amor. Que a Virgem Maria, que preparou a vinda de Cristo com a totalidade da sua existência, nos ajude a viver o Advento como o tempo para escutarmos a voz que clama no deserto: preparai os caminhos do Senhor... e que nos apontará Aquele que está para chegar e nos batizará no Espírito Santo.

 

Fala o Santo Padre

 

«A conversão consiste nisto: uma graça de Deus.

Tu começas a andar, porque é Ele que te impele a caminhar, e verás como Ele há de vir.

Reza, caminha e darás sempre um passo em frente.»

O Evangelho deste domingo (Mc 1, 1-8) apresenta a figura e a obra de João Batista. Ele indicou aos seus contemporâneos um itinerário de fé semelhante ao que o Advento nos propõe, a nós que nos preparamos para receber o Senhor no Natal. Este itinerário de fé é um itinerário de conversão. O que significa a palavra “conversão”? Na Bíblia, em primeiro lugar significa mudar de rumo e de orientação; e portanto mudar também o modo de pensar. Na vida moral e espiritual, converter-se significa passar do mal para o bem, do pecado para o amor de Deus. Era isto que ensinava João Batista, que no deserto da Judeia «pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados» (v. 4). Receber o batismo era sinal externo e visível da conversão de quantos ouviam a sua pregação e decidiam fazer penitência. Aquele batismo ocorria com a imersão no Jordão, na água, mas era inútil, era apenas um sinal e era inútil, quando não havia a disponibilidade de se arrepender e mudar a vida.

A conversão supõe a dor pelos pecados cometidos, o desejo de se livrar deles, o propósito de os excluir para sempre da própria vida. Para excluir o pecado, é necessário rejeitar também tudo o que está ligado a ele, as situações relacionadas com o pecado, ou seja, é preciso recusar a mentalidade mundana, o apreço excessivo pelas comodidades, o apreço excessivo pelo prazer, pelo bem-estar, pelas riquezas. O exemplo deste desapego vem-nos mais uma vez do Evangelho de hoje, na figura de João Batista: um homem austero, que renuncia ao supérfluo e procura o essencial. Eis o primeiro aspeto da conversão: desapego do pecado e da mundanidade. Começar um caminho de desapego destas realidades.

O outro aspeto da conversão é o fim do caminho, ou seja, a busca de Deus e do seu reino. Desapego das coisas mundanas e busca de Deus e do seu reino. O abandono das comodidades e da mentalidade mundana não é um fim em si mesmo, não é uma ascese somente para fazer penitência: o cristão não é um “faquir”. É algo mais. O desapego não é um fim em si mesmo, mas visa a consecução de algo maior, ou seja, o reino de Deus, a comunhão com Deus, a amizade com Deus. Mas isto não é fácil, pois há muitos vínculos que nos mantêm próximos do pecado, não é fácil... A tentação derruba sempre, derruba, e assim também os vínculos que nos mantêm próximos do pecado: a inconstância, o desânimo, a malícia, os ambientes nocivos, os maus exemplos. Às vezes o impulso que sentimos rumo ao Senhor é demasiado fraco e até parece que Deus se cala; parecem-nos distantes e irreais as suas promessas de consolação, como a imagem do pastor atento e solícito, que ressoa hoje na leitura de Isaías (cf. Is 40, 1.11). E por isso temos a tentação de dizer que é impossível converter-se verdadeiramente. Quantas vezes sentimos este desânimo! “Não, não consigo. Começo um pouco e depois volto atrás”. E isto é negativo. Mas é possível, é possível. Quando tiveres este pensamento de desânimo, não fiques ali, porque é areia movediça, é areia movediça: a areia movediça de uma existência medíocre. A mediocridade consiste nisto. O que se pode fazer em tais casos, quando gostaríamos de ir em frente mas sentimos que não conseguimos? Antes de mais nada, recordemos que a conversão é uma graça: ninguém se pode converter com as próprias forças. É uma graça que o Senhor nos dá, e portanto devemos pedi-la com força a Deus, pedir a Deus que nos converta, que realmente possamos converter-nos, na medida em que nos abrirmos à beleza, à bondade, à ternura de Deus. Pensai na ternura de Deus. Deus não é um Pai malvado, um mau pai, não! É terno, ama-nos muito, como o bom Pastor, que procura a última do seu rebanho. É amor, e a conversão consiste nisto: uma graça de Deus. Tu começas a andar, porque é Ele que te impele a caminhar, e verás como Ele há de vir. Reza, caminha e darás sempre um passo em frente.

Maria Santíssima, que depois de amanhã celebraremos como a Imaculada, nos ajude a desapegar-nos cada vez mais do pecado e das mundanidades, para nos abrirmos a Deus, à sua palavra, ao seu amor que regenera e salva!

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 6 de dezembro de 2020

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos,

Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito.

Oremos com toda a confiança ao Deus todo-poderoso,

dizendo: Vinde, Redentor do mundo!

 

 

1.    Pelo Papa Francisco, Bispos e Sacerdotes:

Para que anunciem corajosamente o Reino de Cristo,

e estimulem os corações dos fieis

a receberem com alegria a vinda do Salvador,

oremos, irmãos.

 

R. Vinde, Redentor do mundo!

 

2.    Pelos governantes das nações

para que trabalhando pela felicidade terrena dos homens,

estejam sempre abertos ao seu bem espiritual,

oremos, irmãos.

 

R.  Vinde, Redentor do mundo!

 

3.    Pela paz e prosperidade de todo o mundo:

Para que a esperança cristã se estenda a todos os homens,

e a fome, as calamidades e guerras se afastem dos povos,

 oremos, irmãos.

 

R. Vinde, Redentor do mundo!

 

4.   Por todos nós aqui presentes,

para que o Senhor nos converta ao Seu Amor,

e os pobres, doentes e famintos

jamais se sintam abandonados por nós,

oremos, irmãos.

 

R. Vinde, Redentor do mundo!

 

5.    Por todos os fieis defuntos,

para que, por intercessão de Maria,

alcancem de Deus a Sua misericórdia,

oremos irmãos.

 

R. Vinde, Redentor do mundo!

 

Deus eterno e omnipotente,

Que nos mandais preparar os caminhos de Cristo,

curai as nossas fraquezas e movei-nos à penitência,

a fim de vivermos o efeito pleno do nosso Batismo.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Preparai os caminhos do Senhor – M. Carneiro, NRMS 95-96|

 

Oração sobre as oblatas: Olhai benignamente, Senhor, para as nossas humildes ofertas e orações e, como diante de Vós não temos méritos, ajudai-nos com a vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio I do Advento I: p. 453 [586-698] ou I/A p. 454

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Pai Nosso: Tu continuas a aproximar-Te, Senhor, para nos ofereceres a Tua vida e o Teu amor. Agradecendo a Tua misericórdia, rezamos ao Pai como Tu nos ensinastes.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou à porta e chamo – J. F. Silva, NRMS, 22

Bar 5, 5; 4, 36

Antífona da Comunhão: Levanta-te, Jerusalém, sobe às alturas e vê a alegria que vem do teu Deus.

 

Cântico de acção de graças: Desce o orvalho sobre a Terra – M. Simões, NRMS, 64

 

Oração depois da Comunhão: Saciados com o alimento espiritual, humildemente Vos pedimos, Senhor, que, pela participação neste sacramento, nos ensineis a apreciar com sabedoria os bens da terra e a amar os bens do Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Facilitemos os caminhos ao Senhor. Procuremos abrir caminhos para que Ele chegue ao fundo de nós mesmos, das nossas famílias e da nossa comunidade. Que o Espírito Santo nos ajude a preparar o Natal.

 

Cântico final: Ave, Senhora do Advento – Az. Oliveira, NRMS, 95-96

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-XII: Deus vem salvar-nos.

Is 35, 1-10 / Lc 6, 17-26

Então os olhos dos cegos hão-de abrir-se, e descerrar-se os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará de alegria.

Com a vinda do Messias realizar-se-ão acontecimentos extraordinários (Leit.).  E Jesus cura um paralítico e perdoa-lhe os pecados (Ev.).

Aproximemo-nos do Senhor para que Ele nos perdoe os nossos pecados, recorrendo ao sacramento da Penitência, e ajudemos os outros a fazerem o mesmo. E também para que Ele cure as nossas 'paralisias': o afastamento dos sacramentos e da vida de oração, a pouca ajuda na vida familiar e no trabalho, o receio de falar de Deus e dos seus ensinamentos, a falta de um testemunho de um bom filho de Deus, etc.

 

3ª Feira, 12-XII: Os cuidados do Bom Pastor.

Is 40, 1-11 / Mt 18-12-14

Olhai que o Senhor vai chegar com poder. É como o pastor que apascenta o seu rebanho.

A profecia anuncia que o Messias será o Bom Pastor, que cuida de todas as ovelhas do seu rebanho (Leit.). E Jesus diz que exercitará essa tarefa, procurando que todas as ovelhas se salvem (Ev.), pois são guiadas e alimentadas pelo próprio Cristo.

O amor de Deus por nós é um amor misericordioso, porque não quer que se perca ninguém: «não é da vontade de meu Pai que se perca um só destes pequeninos» (Ev.). O Advento é um tempo de esperança, que devemos aproveitar através de pequenas conversões; e do recurso à nossa Mãe, sob a invocação de Nª Senhora de Guadalupe.

 

4ª Feira, 13-XII: A recuperação de forças.

Is 40, 25-31 / Mt 11, 25-30

Os que esperam no Senhor recuperam as forças. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem.

O Messias vem ajudar todos os cansados. Mas a perda de forças é uma coisa natural: «Os jovens cansam-se e fatigam-se e até os homens feitos desfalecem» (Leit.).

Para recuperarmos as forças, o Senhor convida-nos a aproximar-nos dEle: «Vinde a mim todos os que vos afadigais» (Ev.), e a termos muita esperança: «Os que esperam no Senhor recuperam as forças» (Leit.). Precisamos da sua ajuda para enfrentarmos com coragem as dificuldades, para rejeitarmos as tentações, para termos paciência nos momentos difíceis. Precisamos igualmente ser um bom apoio para aqueles que nos rodeiam e têm problemas.

 

5ª Feira, 14-XII: Os combates exigem forças.

Is 41, 13-20 / Mt 11, 11-15

Eu venho socorrer-te, diz o Senhor. Irás  bater e triturar os montes, reduzir as colinas a palha.

O Messias vem trazer-nos as forças necessárias para ultrapassarmos os obstáculos: os montes e colinas (Leit.) da nossa vida. Essa é também a força necessária para alcançarmos o reino dos Céus (Ev.).

Vendo as nossas debilidades, Jesus tem misericórdia de nós, e anima-nos para podermos enfrentar com coragem as dificuldades, para rejeitarmos as tentações, para superarmos os obstáculos, para termos paciência nos momentos difíceis, etc. Peçamos igualmente ajuda à nossa Mãe, Virgem Poderosa, para compensar as nossas debilidades.

 

6ª Feira, 15-XII: O acolhimento do Messias.

Is 48, 17-19 / Mt 11, 16-19

Oh! Se tivesses atendido as minhas ordens, o teu bem estar seria como um rio, e a tua prosperidade como as ondas do mar.

O segredo da nossa felicidade está ligado ao modo como acolhemos a palavra de Deus (Leit.). Mas, infelizmente, a situação referida pelo Senhor repete-se: Não fizeram caso do que disseram João Baptista e o próprio Cristo (Ev.).

Preparemo-nos para acolher muito bem o Senhor, que é a própria Palavra de Deus. Aceitemos cada dia melhor os seus ensinamentos, que são tesouros de bondade e misericórdia; tenhamos uma grande fé e plena confiança nos seus mandatos. E rejeitemos completamente o comportamento dos ímpios e os seus conselhos (S. Resp.).

 

Sábado, 16-XII: Elias, um Precursor do Messias.

Sir 48, 1-4. 9-11 / Mt 17, 9. 10-13

Como tu brilhaste, Elias, pelos teus prodígios! Foste preparado em ordem ao futuro.

Em ambas as Leituras é recordada a figura do profeta Elias. Também ele realizou grandes prodígios: ressuscitou a filha da viúva de Sarepta, fez descer o fogo de Deus sobre o holocausto do Monte Carmelo. O seu nome significa: o Senhor será o meu Deus.

Elias foi preparado em ordem ao futuro, isto é, para a vinda do Messias, que realizará ainda maiores prodígios. Assim, o fogo passa a ser o fogo do Espírito Santo, que queimará todas as impurezas do nosso coração e nos fará aumentar o amor de Deus; a restauração que o Messias vem fazer é para que tudo fique como no princípio da criação.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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