1.º Domingo do Advento

3 de Dezembro de 2023

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor virá governar com Justiça – J. F. Silva, NRMS, 7

Salmo 24,1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Começamos este novo Ano Litúrgico pelo Advento, lembrando os milhares de amos que a humanidade suspirou e esperou pela vinda do Redentor.

Ele foi prometido aos Patriarcas e Profetas e foram-lhes dados sinais que os ajudariam a reconhecer quem era e quando e onde iria nascer o Salvador do mundo. Seria descendente de Abraão, da família do rei David e nasceria em Belém, de uma Virgem.

Procuremos revestir-nos desta esperança em que viveram os nossos pais da fé, pedindo ao Senhor que venha curar este mundo doente, porque lhe falta o verdadeiro Amor.

 

Acto penitencial

 

Reconhecemos, Senhor, que em vez de nos mantermos atentos e vigilantes, como quem vai a caminho do Céu, único interesse da nossa vida, vivemos distraídos com muitas coisas sem importância, apesar dos contínuos avisos que o Senhor nos envia.

Queremos pedir humildemente perdão e prometer, confiados no auxílio que do Céu nos vem, que nos manteremos vigilantes, a partir de agora.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C do Ordinário da Missa)

 

•   Senhor Jesus: Deixamo-nos apanhar pela rotina na vida espiritual,

     vivendo sem esperança de conversão pessoal, neste novo Advento.  

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

•  Cristo: Manifestamos muitas vezes, pelo pessimismo nas palavras,

     a falta de esperança no triunfo de Deus sobre o ódio do Demónio.

     Cristo, misericórdia.

 

     Cristo, misericórdia.

 

•   Senhor Jesus: Vivemos, por vezes, despreocupados e indiferentes.

     ao lado de muitos que vivem junto de nós sem qualquer esperança.

     Senhor, misericórdia.

 

     Senhor, misericórdia.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías, um dos quatro profetas maiores do Povo de Deus, dirige uma súplica ao Senhor, cheia de confiança filial, a pedir que volte o olhar de misericórdia para o Seu Povo.

A Igreja coloca esta súplica no início do Advento, pois temos urgência inadiável de que o Senhor venha salvar-nos.                                         

 

Isaías 63, 16b-17.19b; 64, 2b-7

13bVós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, desde sempre, é o vosso nome. 17Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema? Voltai, por amor dos vossos servos e das tribos da vossa herança. 19bOh, se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes! 2bMas Vós descestes e perante a vossa face estremeceram os montes. 3Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. 4Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos. Estais indignado contra nós, porque pecámos e há muito que somos rebeldes, mas seremos salvos. 5Éramos todos como um ser impuro, as nossas acções justas eram todas como veste imunda. Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento. 6Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas. 7Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos.

 

O texto desta leitura, tirado do Terceiro Isaías (Is 56 – 66), é um veemente e comovente apelo à misericórdia de Deus, de grande afinidade com alguns Salmos, e também um hino ao seu amor de Pai.

16b «Nosso Pai». Já no A. T. Deus é designado Pai, mas é no N. T. que se revela o sentido profundo da sua paternidade e sobretudo a nossa condição de «filhos no Filho». «E nosso Redentor» (goél, em hebraico). A Deus é dado o mesmo nome que se dava ao parente mais próximo encarregado de defender a pessoa oprimida e necessitada: o goél tinha obrigação de resgatar quem caísse na escravidão, de resgatar uma propriedade, de vingar o sangue dum parente assassinado, e até de obviar à falta de filhos de uma viúva dum parente, casando com ela. Quando se designa a Deus Redentor (goél) de Israel, indica-se que Yahwéh é o responsável pela defesa do povo que elegeu para si. Chamar-lhe Redentor é apelar para a sua segura defesa e protecção.

19 «Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis!» A Liturgia do Advento aplica este texto à vinda de Deus à terra no mistério da Incarnação: Jesus Cristo é o próprio Deus que vem resgatar-nos do pecado e da perdição eterna.

1-2a.5-6 «Pecámos». Os primeiros versículos do capítulo 64 são obscuros, traduzidos de diversos modos (a versão litúrgica atém-se basicamente ao texto oficial da Nova Vulgata). Uma ideia, porém, fica clara: o reconhecimento das culpas é o ponto de partida para o veemente apelo do Profeta à misericórdia divina. Também não se poderia exprimir com mais veemência a repugnante situação de impureza do pecador perante Deus: «as nossas acções justas eram todas como veste imunda» (a Vulgata traduz à letra o original hebraico bem expressivo e realista – «pannus menstruatæ» –, que, para não ferir a sensibilidade de algum leitor, a Nova Vulgata suavizou para «pannus inquinatus», «um trapo sujo»). A confissão humilde dos nossos pecados é também uma atitude básica para preparar o Natal, aliás, este poderia ficar reduzido a um bonito folclore, mas vazio.

8 «Nós o barro...» Esta imagem tão frequente na Escritura (cf. Is 29,16; 30,14; 45,9; Jer 18,1-6; 19,1-13; Sir 33,13; Rom 9,9-20-21) é muito expressiva, pois, por um lado, exprime a fragilidade do homem, por outro, o domínio total de Deus sobre nós. Pode-se tirar partido da imagem para falar da docilidade à acção do Espírito Santo na alma, a fim de que Deus possa moldar-nos segundo a imagem de Cristo, que quer «nascer» em nós.

 

Salmo Responsorial Sl 79, 2ac e 3b, 15-16.18-19 (R.4)

 

Monição: O salmo que a Liturgia deste Domingo coloca em nossos lábios é uma súplica ardente e confiante ao Senhor para que apresse a Sua vinda ao nosso encontro.

Façamos dela a nossa oração, como resposta à mensagem que o Espirito Santo nos enviou, pelo profeta Isaías.

 

Refrão:    Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,

mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

 

Pastor de Israel, escutai,

Vós que estais sentado sobre os Querubins, aparecei.

Despertai o vosso poder

e vinde em nosso auxílio.

 

Deus dos Exércitos, vinde de novo,

olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.

Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,

o rebento que fortalecestes para Vós.

 

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,

sobre o filho do homem que para Vós criastes;

e não mais nos apartaremos de Vós:

fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.  Paulo, na Primeira Carta aos fiéis de Corinto, dirige-lhes uma admoestação que é também para nós, neste primeiro dia do Advento.

O Senhor vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

1 Coríntios 1, 3-9

Irmãos: 3A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. 5Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; 6e deste modo, tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo. 7De facto, já não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo. 8Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. 9Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

S. Paulo, nas suas cartas, utiliza o formulário epistolar greco-romano. A leitura de hoje contém a segunda parte (vv. 3-9) do início (a præscriptio) da sua carta, deixando de parte os vv. 1-2 (o remetente, a superscriptio – «Paulo e Sóstenes», e os destinatários, a adscriptio: «à Igreja de Deus que está em Corinto…»). A nossa leitura começa no v. 3, com a saudação (salutatio). A saudação judaica era «a paz!» (a que muitas vezes acrescentavam «a bênção»; a sudação entre os gregos era «alegra-te!» khaire / khairein; entre os romanos era «tem saúde!, salutem). Paulo utiliza simultaneamente a saudação grega e a judaica, mas dando-lhes um novo sentido, o sentido cristão; assim não diz khairein (alegria), mas sim kháris (graça); e a sudação «paz» é especificada acrescentando «da parte de Deus… e do Senhor Jesus», pondo assim em evidência o dom gratuito da salvação que vem de Deus por Jesus. Como era corrente à saudação segue-se um agradecimento, mas aqui é «a Deus» que Paulo agradece os dons concedidos à comunidade de Corinto (vv. 4-7).

7-8 «Esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo». É a manifestação que corresponde ao «dia de Nosso Senhor Jesus Cristo», o dia da segunda e última vinda de Jesus, para o julgamento final de todos os homens (cf. Mt 25,31-46). Em cada festa de Natal toda a Igreja recorda e revive a primeira vinda do Senhor e antecipa e prepara a sua segunda vinda (a parusía, assim chamada noutros lugares), ou manifestação [apokálypsis]. Pensa-se que S. Paulo, nalgum momento, poderia mesmo ter chegado a participar da esperança que havia entre os primeiros cristãos de uma vinda próxima de Jesus; com efeito, sendo estes conscientes de que em Jesus se dava o culminar da história da salvação, não podiam imaginar que Ele pudesse tardar a sua manifestação definitiva; com efeito, do plano teológico era fácil resvalar para o plano cronológico; mas isto nunca foi objecto propriamente do ensino apostólico.

 

Aclamação ao Evangelho    Salmo 84 (85), 8

 

Monição: Elevemos ao Céu a nossa súplica, para que o Senhor apresse a hora da Sua vinda ao mundo, para nos salvar.

Todas as vezes que o Evangelho é proclamado, depois de ter sido aclamado por nós, o Senhor mostra-nos os caminhos da Salvação, para os seguirmos com generosidade.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, pg 113

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 13, 33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33«Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. 34Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. 35Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; 36não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. 37O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!»

 

O texto evangélico de hoje é o final do discurso escatológico de S. Marcos (Mc 13,1-37), o Evangelista do ano B.

33 «Vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento». O momento em que Jesus «de novo há-de vir a julgar os vivos e os mortos» é-nos absolutamente desconhecido. Esta ignorância não nos deve assustar, mas sim estimular-nos a aproveitar bem o tempo, com sentido de urgência, e a estar sempre preparados para comparecer diante do nosso Salvador, que aparecerá como Juiz remunerador; também aqui bem se aplica o célebre aforismo de «douta ignorância» (Sto. Agostinho). No seu Comentário ao Diatéssaron, 18,15-17, Santo Efrém diz que o Senhor «quis ocultar-nos isto a fim de permanecermos vigilantes e para que cada um de nós possa pensar que este acontecimento se produzirá durante a sua vida. Ele disse muito claramente que há-de vir, mas sem precisar em que momento. E assim todas as gerações O esperam ardentemente». E a Liturgia do Advento desperta em nós esta atitude de espera ansiosa.

 

Sugestões para a homilia

 

• Advento, um caminho a percorrer

• Vigilantes e fiéis

 

1. Advento, um caminho a percorrer

 

Iniciamos hoje um novo Ano Litúrgico durante o qual vamos celebrar os principais mistérios da nossa Salvação eterna.

A Igreja convida-nos a iniciá-lo com o Advento, tempo de preparação intensa para a vinda do Senhor. Deus veio ao nosso encontro, há dois mil anos. Vamos celebrar esta longa espera dos Patriarcas e Profetas do Antigo Testamento, suspirando pela Sua vinda. Por isso nos queremos revestir dos seus sentimentos de Esperança da salvação que vem e só pode vir de Deus.

Esta Esperança pede-nos uma purificação interior da vida, começando por um descontentamento do que somos e um desejo de mudar.

E aqui poderíamos encontrar o primeiro grande obstáculo deste Advento: a falta de Esperança. Não esperamos mais nada, porque achamos que já somos suficientemente bons; ou porque não nos parece possível mudar, convencidos em anteriores tentativas fracassadas.

É o momento de nos voltarmos para o Senhor. É d’Ele e não de nós que virá a nossa força. Ele conta com o nosso desejo de mudar, fomentado pela insatisfação do que vemos na nossa vida e com a nossa confiança incondicional no Seu auxílio.

A Palavra de Deus vai ajudar-nos nestes dois aspetos do nosso caminho: mostrar-nos-á a necessidade de mudança; e encher-nos de confiança na misericórdia do Senhor.

E como fazemos parte de uma Família solidária – a Igreja – a caminho da felicidade eterna, não podemos pensar apenas em nós, mas temos de ajudar os que não têm esperança, ou desistiram de mudar de vida.

Regressar ao bom caminho. «Vós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, desde sempre, é o vosso nome. Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema? Voltai, por amor dos vossos servos e das tribos da vossa herança. Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes!»

O Senhor propõe-nos, pelas palavras de Isaías, um belo e intenso programa para este Advento, preparando as três vindas de Jesus: a vinda histórica que vamos celebrar, tornando-a presente e atual, no dia 25 de dezembro; a vinda escatológica, quando Ele vier sobre as nuvens do Céu, para julgar os vivos e os mortos; e a vinda mística, pelo crescimento na intimidade com Ele.

Renovemos a fé e a confiança na nossa filiação divina. Ela é o tesouro de infinito valor que o Espírito Santo nos concedeu no Batismo, pela nossa incorporação em Cristo. Ela é o segredo da nossa alegria e otimismo nesta caminhada para o Céu.

Na medida em que nos apoiarmos nesta verdade de fé, todas as aventuras de Amor neste mundo serão possíveis. Se tivermos presente esta maravilhosa verdade, encher-nos-emos de otimismo e alegria.

Façamos nossa a oração do profeta: Vós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, desde sempre, é o vosso nome.

Um crescimento na humildade que nos leve a tocar com as mãos o nosso nada, reconhecendo os nossos pecados e faltas de generosidade. Que lugar ocupa o Senhor na nossa vida?

Muitas vezes deixamo-nos absorver pelo trabalho, os nossos projetos e preocupações de cada dia, que nos esquecemos da mais importante: crescer na intimidade com Deus.

Tem este sentido a pergunta de Isaías: Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema?

Peçamos humildemente a Sua vinda para nos ajudar. Ponhamos de parte, de uma vez para sempre, a auto-suficiência, causa dos nossos fracassos nos propósitos de mudança de vida.

Na verdade, o que pretendemos é assumir a esperança impaciente dos Patriarcas e Profetas, implorando a vinda do Senhor, para tomar posse da nossa vida. Pedimos-Lhe, por isso: Voltai, por amor dos vossos servos e das tribos da vossa herança.

Exercitemos a contrição dos pecados. «Mas Vós descestes e perante a vossa face estremeceram os montes. Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos. Estais indignado contra nós, porque pecámos e há muito que somos rebeldes, mas seremos salvos

O primeiro passo a dar é tomarmos consciência das nossas infidelidades. O que julga cegamente que não tem pecados, nem infidelidades, de que se há-de arrepender e pedir perdão? Confrontemos o nosso comportamento com a generosidade de Deus para connosco. «Mas Vós descestes e perante a vossa face estremeceram os montes. Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos.»

Temos necessidade de implorar do Senhor a graça de reconhecermos os benefícios que temos recebido e a escassa e fria correspondência ao amor misericordioso de Deus. A história do Povo de Deus é também a história da nossa vida: Um desafio permanente entre a misericórdia de Deus que nos mima continuamente com graças; e as nossas infidelidades, como agradecimento.

Reconhecer os próprios erros e ter desejos de recomeçar é o primeiro passo a que nos convida o Senhor, neste Advento.

Se estamos convencidos de que somos perfeitos e não temos necessidade de mudar nada na nossa vida, que necessidade temos do Advento? Às vezes somos como os doentes que mentem ao médico, porque não querem deixar o álcool ou outros desmandos. «Aos famintos encheu de bens e aos ricos deixou de mãos vazias

Peçamos ao Senhor que nos faça cair na realidade do que somos, tocar com as nossas mãos as nossas deficiências e deixemos de nos iludirmos a nós próprios. «Éramos todos como um ser impuro, as nossas acções justas eram todas como veste imunda. Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento

Apoiemo-nos na verdade da filiação divina. «Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos

Quando nos decidimos a mudar, fazendo propósitos neste Advento, assalta-nos, por vezes, a falta de esperança, por causa de experiências que não resultaram. Quantas vezes nos propusemos mudar e não conseguimos! Para quê tentar mais uma vez?

Lembremo-nos que somos filhos de Deus em Jesus Cristo, desde o nosso Batismo. O Pai ama-nos com loucura, até ao ponto de oferecer o Seu Filho Unigénito em resgate por nós, na Cruz.

Pede-nos apenas humildade que nos torne conscientes das nossas limitações – somos como o barro nas mãos do oleiro – e nos deixemos ajudar pelos meios que Ele deixou na Sua Igreja.

Tracemos um programa de oração e sacramentos e centremos na fidelidade a este programa a nossa luta ascética, abraçando-o sem desânimo e recomeçando-o todas as vezes que for preciso.

Deus, que desperta em nós este desejo de nos emendarmos e crescermos no Seu Amor, não nos deixará sós e desamparados no caminho. Ele está connosco.

Desde o nosso Batismo, estamos confiados ao Espírito Santo que não cessa de formar em nós Cristo vivo. Deixemo-nos trabalhar, como o barro pelo oleiro, para lhe permitir que faça de nós uma obra de arte.

«Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor.»

 

2. Vigilantes e fiéis

 

A mensagem deste Advento começa por uma admoestação de Jesus à vigilância cristã, para que não sejamos surpreendidos pelo Inimigo.

Quando estamos vigilantes, garantimos a segurança própria e a dos que nos estão confiados. Deus, que nos ama, quer-nos seguros e fortes a caminho do Céu.

Prudência e vigilância. «Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento

O Senhor virá ao nosso encontro para nos salvar com a pontualidade e a solicitude do melhor dos amigos, porque nos ama e sabe que precisamos da Sua ajuda. Está prometida a sua vinda no Natal, em que celebraremos a Sua vinda histórica; quer ajudar-nos a preparar a Sua vinda escatológica no fim dos tempos, de modo a que nos encontre vivos, acordados e atentos.

No meio destas duas vindas, intimamente relacionadas entre si, vivemos a vinda espiritual ou escatológica. As duas primeiras não dependem de nós; mas a terceira está confiada ao nosso esforço generoso. A ela se refere Jesus no Evangelho. É por meio dela que nos preparamos para as outras duas.

O Divino Mestre alerta-nos contra dois perigos: a imprudência que nos pode levar a viver alheios à realidade da nossa vida, como se ela não tivesse uma finalidade e um sentido; e o adormecimento na vida espiritual que é conhecido na teologia espiritual pelo nome de tibieza.

A tibieza doença dos bons é a mais perigosa e mais comum. Ata as pessoas na mediocridade, ao mesmo tempo que as convence de que são boas, já foram suficientemente generosas e que Deus não lhes pede mais. Passam a vida num falso contentamento, comparando-se com as outras pessoas, para justificar a sua mediocridade. É uma vida onde morreu o amor de Deus e tudo ficou reduzido a alguns gestos de piedade sem alma.

S. Josemaria ajuda-nos a fazer um exame pessoal sobre esta doença, para verificarmos se estamos afetados por ela. «És tíbio se fazes preguiçosamente e de má vontade as coisas que se referem ao Senhor; se procuras com cálculo ou “manha” o modo de diminuir os teus deveres; se só pensas em ti e na tua comodidade; se as tuas conversas são ociosas e vãs; se não aborreces o pecado venial; se ages por motivos humanos.» (S. Josemaria, Caminho, 331)

Deixamos de ser vigilantes quando não concretizamos os nossos propósitos, deixando-nos enganar por desejos vagos de sermos melhores.

Liberdade e responsabilidade. «Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse

Não podemos gastar de qualquer maneira o tempo e os outros dons que recebemos de Deus. Temos um plano Deus a cumprir. O Senhor procede connosco como se estivesse muito longe, isto é, dá-nos plena liberdade, para depois podermos merecer um prémio.

Mas segue com amorosa atenção os nossos passos. Talvez o Senhor queira insinuar isto mesmo ao dizer que “mandou ao porteiro que vigiasse”. Deus sabe perfeitamente o que fazemos, contempla amorosamente os nossos esforços para fazer a Sua vontade e anima-nos a perseverar.

A nossa competição desportiva neste mundo tem um expectador entusiasta, o melhor dos pais, que valoriza o mais pequenino gesto feito por Seu Amor. Estamos aquecidos pelo Seu Amor de Pai que nos contempla e nos anima, nesta competição que se desenrola na arena da vida diária.

Coloquemo-nos muitas vezes na Sua Presença, diante do Seu olhar, para que a nossa intenção seja reta, e o nosso esforço, generoso.

Nunca estamos sós, como o desportista no ginásio sozinho e entregue a si mesmo, exercitando as suas capacidades. Deus contempla-nos com olhar de Pai babado e anima-nos a perseverar no Amor, mesmo quando os homens não fazem uma leitura correta dos nossos atos.

É assim que preparamos a Sua vinda com plena liberdade – o senhor da casa, o Deus da nossa vida, confiou-nos tudo, mas contempla o nosso atuar através da vigilância do porteiro.

Com Deus, contemplam o nosso combate os anjos e todos os bem-aventurados do Céu, imensamente interessados na nossa vitória.

O Senhor virá. «Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!”»

O Senhor recomenda-nos que estejamos vigilantes, não como quem teme ou espera um perigo, um olhar indesejável, mas uma olhar amigo. Ao ocultar-nos o momento em que chegará junto de nós, não o faz para nos surpreender no mal, como quem surpreende um ladrão no momento em que está a roubar, mas para se alegrar com a nossa generosidade.

Não entendamos esta vinda inesperada apenas como referida ao momento da morte, ou do fim do mundo. Ele quer referir-se à Sua vinda mística ao íntimo da nossa alma, ao nosso combate espiritual. Quando nos parecer que estamos mais sós, Ele aí está, animando-nos, abençoando e perdoando, para que continuemos com alegria, até ao Céu, o nosso esforço generoso.

Ele vem! Peçamos-Lhe, neste Advento, que apresse a Sua vinda a este mundo, aos corações desolados, à procura da felicidade por caminhos onde nunca a poderão encontrar e que olham para a fé cristã e  suas exigências como algo que se pode descartar na vida.

De novo, como antes da vinda de Jesus, esta sociedade de consumo chama por Deus, sem o saber. Deus Pai reuniu, para vinda de Seu Filho Unigénito ao mundo, as condições ideais: unidade de governo, a partir de Roam até aos confins do Império; unidade de língua, pois quem soubesse latim ou grego fazia-se entender em toda a parte; meios de transporte organizados, sobretudo no Mar Mediterrâneo e em terra, pelas vias romanas a convergi para Roma; e a sede de Deus, pelo descrédito dos deuses do paganismo.

A terra dos homens oferece hoje estas mesmas condições de evangelização: O mundo tornou-se uma aldeia global, com a facilidade das comunicações e dos Meios de Comunicação Social; há uma linguagem que todos entender: a linguagem do amor sincero; há também o descrédito dos novos deuses pagãos, pois o homem não consegue minorar a sede de felicidade, por mais que procure fazê-lo em fontes envenenadas.

Em que podemos e devemos concretizar a nossa vigilância, neste Advento?

Nossa Senhora antecipou, em Caná, a hora de Seu Filho, provocando um milagre pelo qual Jesus Se manifestou aos Seus discípulos e eles acreditaram nele. Que, de novo, apresse a hora da renovação do mundo.

 

Fala o Santo Padre

 

«O nosso Deus é um Deus-que-vem - não vos esqueçais disto.

Talvez nos faça esperar alguns momentos na escuridão

para fazer amadurecer a nossa esperança, mas nunca desilude.»

Hoje, primeiro domingo do Advento, começa um novo ano litúrgico. Nele a Igreja cadencia o curso do tempo com a celebração dos principais acontecimentos da vida de Jesus e da história da salvação. Ao fazê-lo, como Mãe, ilumina o caminho da nossa existência, ajuda-nos nas ocupações diárias e orienta-nos para o encontro final com Cristo. A liturgia de hoje convida-nos a viver o primeiro “tempo forte” que é o do Advento, o primeiro do ano litúrgico, o Advento, que nos prepara para o Natal, e devido a esta preparação é um tempo de espera, um tempo de esperança. Espera e esperança.

São Paulo (cf. 1 Cor 1, 3-9) indica o objeto da espera. Qual é? A «manifestação do Senhor»(v. 7). O Apóstolo convida os cristãos de Corinto, e nós também, a concentrar a atenção no encontro com a pessoa de Jesus. Para o cristão, o mais importante é o encontro contínuo com o Senhor, estar com o Senhor. E assim, habituados a estar com o Senhor da vida, preparamo-nos para o encontro, para estar com o Senhor na eternidade. E este encontro definitivo virá no fim do mundo. Mas o Senhor vem todos os dias, pois com a sua graça podemos praticar o bem na nossa vida e na dos outros. O nosso Deus é um Deus-que-vem - não vos esqueçais disto: Deus é um Deus que vem, vem continuamente - Ele não desilude a nossa expetativa! O Senhor nunca desilude! Talvez nos faça esperar, nos faça esperar alguns momentos na escuridão para fazer amadurecer a nossa esperança, mas nunca desilude. O Senhor vem sempre, está sempre ao nosso lado. Às vezes não se manifesta, mas vem sempre. Veio num momento histórico específico e fez-se homem para assumir sobre si os nossos pecados - a festividade do Natal comemora esta primeira vinda de Jesus no momento histórico - virá no fim dos tempos como juiz universal; e vem também uma terceira vez, de um terceiro modo: vem cada dia para visitar o seu povo, para visitar cada homem e mulher que o acolhe na Palavra, nos Sacramentos, nos irmãos e irmãs. Jesus, diz-nos a Bíblia, está à porta e bate. Cada dia. Está à porta do nosso coração. Bate à porta. Sabes ouvir o Senhor que bate à porta, que veio hoje para te visitar, que bate à porta do teu coração com uma inquietação, com uma ideia, com uma inspiração? Veio a Belém, virá no fim do mundo, mas vem a nós cada dia. Prestai atenção, vede o que sentis no coração quando o Senhor bate à porta.

Sabemos que a vida é feita de altos e baixos, de luzes e sombras. Cada um de nós experimenta momentos de desilusão, de fracasso e de confusão. Além disso, a situação em que vivemos, marcada pela pandemia, gera em muitas pessoas preocupação, medo e desânimo; corremos o risco de cair no pessimismo, o risco de cair no fechamento e na apatia. Como devemos reagir diante de tudo isto? O Salmo de hoje sugere-nos: «A nossa alma espera no Senhor, porque Ele é o nosso amparo e o nosso escudo. É nele que se alegra o nosso coração» (Sl 32, 20-21). Ou seja, a alma que espera, uma expetativa confiante no Senhor faz encontrar alívio e coragem nos momentos sombrios da existência. E de onde brotam esta coragem e esta aposta confiante? De onde brotam? Nascem da esperança. E a esperança não desilude, é a virtude que nos leva em frente, em vista do encontro com o Senhor.

O Advento é um apelo incessante à esperança: lembra-nos que Deus está presente na história para a levar ao seu fim último, para a levar à sua plenitude, que é o Senhor, o Senhor Jesus Cristo. Deus está presente na história da humanidade, é o «Deus connosco», Deus não está longe, está sempre connosco, a tal ponto que muitas vezes bate à porta do nosso coração. Deus caminha ao nosso lado para nos amparar. O Senhor não nos abandona; acompanha-nos nas nossas vicissitudes existenciais para nos ajudar a descobrir o sentido do caminho, o significado da vida diária, para nos incutir coragem nas provações e na dor. No meio das tempestades da vida, Deus estende-nos sempre a mão e liberta-nos das ameaças. Isto é bom! No livro do Deuteronómio há um trecho muito bonito, onde o profeta diz ao povo: “Pensai, que povo tem os seus deuses perto de si, como tu me tens perto de ti?”. Nenhum, só nós temos esta graça de ter Deus perto de nós. Aguardamos Deus, esperamos que Ele se manifeste, mas também Ele espera que nos manifestemos a Ele!

Maria Santíssima, Mulher da expetativa, acompanhe os nossos passos neste novo ano litúrgico que começamos, ajudando-nos a cumprir a tarefa dos discípulos de Jesus, indicada pelo Apóstolo Pedro. E em que consiste esta tarefa? Em explicar a razão da nossa esperança (cf. 1 Pd 3, 15).

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 29 de novembro de 2020

 

Oração Universal

 

Jesus acaba de nos dizer no Evangelho:

“O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai”!

Peçamos essa graça para nós

e para o mundo inteiro.

Oremos (cantando), cheios de confiança:

 

Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1. Pelas Igrejas e instituições da humanidade,

tentadas pela rotina dos mesmos gestos,

para que descubram os novos sinais que Deus lhes dá,

oremos cheios de confiança.

 

Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

2. Pelos bispos, presbíteros, diáconos e demais fiéis,

enriquecidos em toda a palavra que vem de Cristo,

para que vivam a fé em plenitude,

oremos cheios de confiança.

 

Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

3. Pelos homens que se desviam do verdadeiro caminho

e pelos que deixam endurecer o coração,

para que Deus rasgue os céus e Se lhes revele,

oremos cheios de confiança.

 

Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

4. Por todos os que perderam a esperança

e por aqueles a quem ninguém serve de apoio,

para que Deus lhes mostre a salvação,

oremos cheios de confiança.

 

Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

5. Pelos membros da nossa assembleia,

para que Deus seja o oleiro que os modela

com a sua Palavra e o seu Espírito,

oremos cheios de confiança.

 

Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

6. Pela paz entre as nações do mundo inteiro

e pelas famílias divididas,

para que encontrem em Jesus Cristo a verdadeira paz,

oremos cheios de confiança.

 

Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

Deus de bondade infinita,

que, sem cessar, Vos lembrais do vosso povo

e o visitais pelos vossos mensageiros,

conservai-nos vigilantes e despertos

para o dia da vinda do vosso Filho.

Ele que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Em cada Mesa da Palavra, durante este Advento, o Senhor alimenta a nossa esperança na transformação do mundo e dos corações.

Pala Eucaristia que nos oferece em cada Missa, dá-nos força para colaborar generosamente com Deus na Sua vinda.

 

Cântico do ofertório: Abri as portas – C. Silva, OC, pg 24

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698]

 

Santo: C. Silva – COM, pg 193

 

Saudação da Paz

 

Um dos sinais gritantes de que precisamos urgentemente que o Senhor venha tomar posse dos nossos corações é a falta de paz no mundo.

Deixemos que o Senhor tome posse das nossas vidas, e teremos a verdadeira paz que Ele nos veio oferecer.

 

Monição da Comunhão

 

Na cruz estava oculta a Divindade, mas aqui, na Eucaristia, está também oculta a Santíssima Humanidade de Jesus Cristo, canta S. Tomás de Aquino, no hino Adoro Te devote.

Jesus Cristo oferece-Se-nos como um alimento vulgar, para que não tenhamos medo de nos aproximarmos d’Ele, para O receber.

 

Cântico da Comunhão: Maranatha, aleluia – A. F. Santos, BML, 28

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Cântico de acção de graças: Deus abençoou a nossa terra – M. Luís, NRMS, 4 (I)

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Comecemos hoje mesmo a viver um generoso programa deste Advento.

 

Cântico final: Ave Maria Senhora – J. F. Silva, NRMS, 81

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-XII: Vamos com alegria para a casa do Senhor.

Is 2, 1-5 / Mt 8, 5-11

Vinde, pois! Subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob.

No início do ano Litúrgico, somos convidados para nos aproximarmos mais do Senhor, que vem ter connosco  (Leit.). O centurião aproxima-se do Senhor para que Ele cure a doença de um seu criado (Ev.).

As virtudes referidas nas Leituras são fundamentalmente: a fé (do centurião) e a alegria (iremos com alegria para a Casa do Senhor: S. Resp.). A Igreja também nos anima a viver estas virtudes, quando nos preparamos para a Comunhão sacramental (o encontro com o Senhor: Senhor eu não sou digno...), e a alegria de o podermos receber em nossa casa.

 

3ª Feira, 5-XII:A actuação do Espírito Santo.

Is 11, 1-10 / Lc 10, 21-24

Sobre Ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza.

O profeta anuncia a actuação do Espírito Santo no Messias esperado (Leit.). E S. Lucas mostra já realizada essa actuação: «Jesus estremeceu de alegria pela acção do Espírito Santo». E recebeu os sete dons (Ev.).

Esta plenitude do Espírito Santo há-de ser comunicada a todo o povo de Deus para que se obtenham frutos abundantes. Nª Senhora foi a primeira a recebê-lo, e deu à luz a Jesus. E também nos dará a todos os seus dons, para formar a imagem de Cristo, restituindo em cada um de nós a 'semelhança divina'  e assim nos pareceremos cada vez mais a Ele.

 

4ª Feira, 6-XII: A 'fome de Deus' e a Eucaristia.

Is 25, 6-10 / Mt 15, 29-37

O Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos, no monte Sião, um banquete de pratos suculentos.

Há no mundo uma grande 'fome de Deus'. O Messias prepara um grande banquete de pratos suculentos (Leit.). E, até materialmente, mata a fome a uma grande multidão: «todos comeram e ficaram saciados» (Ev.).

Este milagre prefigura a superabundância do pão eucarístico e também o banquete da vida eterna (Oração). Peçamos, pois: «o pão nosso de cada dia nos dai hoje»; preparemos o melhor possível cada celebração eucarística em que participamos, através de muitas comunhões espirituais e lembranças da presença do Senhor no Sacrário mais próximo.

 

5ª Feira, 7-XII: Apoiar a nossa vida em Cristo.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21. 24-27

Confiai sempre no Senhor, que é uma rocha eterna.

O Messias é apresentado como uma 'rocha eterna' (Leit.).  E todos somos convidados a edificar a nossa vida apoiada em Cristo, e não sobre a areia, que não tem consistência (Ev.), ou apoiando-nos apenas em nós.

Edificamos a nossa vida, apoiados em Cristo, quando ouvimos a suas palavras, que são palavras de vida eterna, e que são conselhos sobre os problemas que afectam diariamente os nossos trabalhos, a vida familiar, a construção de uma sociedade mais justa, etc. E, depois, procuremos levar estes conselhos à prática (Ev.). Seremos também uma rocha para os outros.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:            Fernando Silva

Nota Exegética:          Geraldo Morujão

Homilias Feriais:         Nuno Romão

Sugestão Musical:      José Carlos Azevedo

 


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