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A PAZ POSSÍVEL

 

 

 

 

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

 

 

No primeiro dia do ano rogaremos a Nosso Senhor, por intercessão da nossa Mãe bendita, a paz no mundo, apesar de sabermos que a paz mundial é impossível, mas que podemos e devemos fomentá-la.

 

«Quare fremuerunt gentes?» (S 2,1) Porque se agitam as nações? Por trás de cada guerra há longas histórias, tensões de todo o género, mal-entendidos, legítimas ambições, erros de cálculo, antigas e novas circunstâncias propícias à violência, maus efeitos inesperados de medidas económicas, políticos doentios, interesses opostos, faltas de previsão…  Valem pouco as simples boas intenções, mas oxalá não faltem! Quase podíamos dizer que a única medida útil, além da oração, é o esforço de compreensão mútua, de perdão e arrependimento pessoais e coletivos.

Com que esperança, então, rezamos pela paz? Lembremo-nos de que alguns passos já demos, do que é símbolo a ONU. Já reconhecemos que todos os países estão interligados, que são interdependentes. Dispomos assim, ao menos, de um sítio de encontro e diálogo. E repare-se que já desapareceram as primitivas guerras de conquista pura e dura, sem qualquer motivo razoável; e de que todas as guerras são universalmente conhecidas e, de modo geral, condenadas pela opinião pública. Por isso ambas as partes de qualquer conflito se sentem obrigadas a justificar-se na comunicação social e nas instâncias internacionais. E já estão tipificados os «crimes de guerra… Enfim, já passou a velha rotina anual do «tempo em que os reis vão fazer guerra» (2 Samuel, 11)

Avançámos então na paz? Longe disso, porque as armas atingiram uma eficiência cada vez mais assustadora; mas compreendemos que cada nação necessita das outras. Já não temos dúvidas de que se têm de organizar ao menos por grandes blocos, e que o mal de umas afeta sempre as demais.

A paz é possível? Só em parte; mas temos avançado na sua rejeição como remédio de conflitos. E, por outro lado, a economia, o desporto, a arte, o turismo, a técnica, a medicina, por exemplo, vão-nos interligando cada vez mais.

Desejaríamos então um governo universal? É possível que algum dia ele se imponha, mas só a ideia já nos perturba. Como poderia conciliar ou respeitar todas as legítimas diferenças?

Que pretendemos, então? Que pedimos?

Mais luz e a misericórdia divina.

 

 

 

 

 


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