5.º Domingo dA QUARESMA

2 de Abril de 2006

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao aproximar-se a celebração da Paixão e Morte do Senhor, na Liturgia deste 5º Domingo da Quaresma, Jesus é apresentado como o grão de trigo que cai na terra e morre para produzir muito fruto. Ele cai debaixo do peso da Cruz, e é com lágrimas que leva a cabo a nova aliança de Deus com a humanidade afundada no pecado. Elevado da terra na Cruz, Ele atrai-nos a Si, e aqui estamos a celebrar o mistério da nossa redenção que se torna presente neste altar.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Jeremias já no século VII antes de Cristo anunciava uma nova aliança do amor de Deus com o seu povo, uma aliança que envolve a cada um de nós.

 

Jeremias 31, 31-34

31Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. 32Não será como a aliança que firmei com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram, embora Eu exercesse o meu domínio sobre eles, diz o Senhor. 33Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, naqueles dias, diz o Senhor: Hei-de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 34Não terão já de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor». Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas.

 

O nosso texto insere-se num conjunto de anúncios de restauração, tanto política como religiosa, o chamado Livro da Consolação de Jeremias (Jer 30, 1 – 33, 26). Os versículos da leitura são fulcrais na obra do profeta de Anatot: os seus apelos para «uma aliança nova» são considerados como o pivot da reforma religiosa do piedoso rei Josias, por isso se pensa que foi pronunciado logo no início da sua actuação como profeta. Este oráculo, tem uma importância central na Teologia do Novo Testamento, como uma das grandes profecias messiânicas. O povo de Israel tinha violado a aliança, não observando a Lei de Deus que no Sinai solenemente se comprometera a observar (Ex 24), por isso Deus já não estava, por assim dizer, obrigado a proteger este povo que se negava a ser de Yahwéh. Mas Ele não volta atrás no seu amor misericordioso, e anuncia que vai oferecer aos homens uma aliança «nova», isto é, definitiva, interior, pois gravada «no íntimo da alma… no coração» (v. 33) e que estabelece uma nova relação afectiva, de sincero e fiel amor, como o amor perfeito entre os esposos: «Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo» (v. 33; cf Os 2, 21-22.25). Esta aliança de amor teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo que selou a nova, definitiva e universal aliança com o seu próprio sangue (Hebr 9, 12; Lc 22, 20), tornando antiquada a aliança do Sinai (Hebr 8, 6-13).

34 «Vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas». Trata-se de uma aliança que, além de nova, é renovadora, pois implica «a remissão dos pecados» (cf. Mt 26, 28). A Liturgia, ao propor este texto em pleno tempo da Quaresma, presta-se a lembrar-nos o perdão que Deus concede no Sacramento da Reconciliação.

 

Salmo Responsorial    Salmo 50 (51), 3-4.12-13.14-15 (R. 12a)

 

Monição: Temos como canto de meditação o Salmo Miserere, que exprime a contrição do rei pecador, David. Façamos dele também o nosso acto de contrição.

 

Refrão:         Dai-me, Senhor, um coração puro.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos

e os transviados hão-de voltar para Vós.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus, de quanto sofreu, teve a experiência do quanto custa obedecer até à morte. Escutemos a reflexão da Epístola aos Hebreus.

 

Hebreus 5, 7-9

7Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. 8Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento 9e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna.

 

Este texto pequeno, mas deveras impressionante – há mesmo estudiosos que o consideram um extracto de um antigo hino a Cristo –, é tirado da parte central do célebre sermão, que é esta epístola (Hebr 4, 14 – 7, 28), onde se desenvolve o tema do sacerdócio de Cristo, o sumo sacerdote perfeito, que supera completamente o sacerdócio levítico.

7 Este versículo parece evocar o relato da agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras (cf. Mt 26, 36-44). «Preces e súplicas»: estas duas palavras sinónimas correspondem a uma expressão grega da época usada nos pedidos a uma alta autoridade; o uso do plural sugere a insistência na oração, segundo o «prolixius orabat» de Lc 22, 43. «Com um grande clamor e lágrimas»: os ensinos rabínicos sobre a oração referem três graus ascendentes: a prece (em silêncio), os gritos, e as lágrimas (como a forma mais elevada da oração). Os Evangelhos só falam de um forte brado de Jesus, na Cruz (Lc 23, 46), mas é de supor que se conhecessem pela tradição oral, pormenores da oração no horto que justificariam tão impressionante expressão. «Foi atendido»: em quê, é difícil de dizer, a tal ponto que Harnack pensa numa corrupção do texto original: «não foi atendido»; limitamo-nos a referir as explicações mais viáveis. Jesus não obteve a libertação do cálice de amargura, mas alcançou a coragem para enfrentar a sua Paixão identificando-se plenamente com a vontade do Pai. Ou então, como pensam outros, Jesus foi atendido ao ser livre da morte pela sua ressurreição, o que lhe permite exercer o seu sacerdócio eterno (cf. 7, 24; 10, 10), com efeito, «a sua morte era essencial para o seu sacerdócio, mas se Ele não fosse salvo da morte pela ressurreição, não seria agora o sumo sacerdote do seu povo» (J. H. Neyrey).

8 «Aprendeu a obediência no sofrimento», ou, melhor, «por aquilo que sofreu», ou também, «aprendeu de quanto sofrera, o que é obedecer». Trata-se de uma aprendizagem não teórica, mas experimental, existencial. Aprender através do sofrimento era um lugar comum na literatura grega, e até havia esta máxima: «os sofrimentos são lições». O que aqui há de particular é a aplicação à aprendizagem da obediência. No entanto, a obediência de Jesus na sua Paixão só é referida em mais dois lugares do N. T.: Rom 5, 19 e Filp 2, 8. Não se pense que a Jesus, por ser Deus, Lhe custava menos o sofrimento, antes pelo contrário, pois o sofrimento é directamente proporcional à dignidade da pessoa que sofre.

9 «Tendo atingido a sua plenitude». Esta tradução não deixa ver uma das ideias centrais da epístola, que é a de «perfeição», pelo que seria preferível a tradução do Cón. Falcão, «tendo chegado à perfeição» ou a da Difusora Bíblica, «tornado perfeito». Note-se que a perfeição de que aqui se fala não é a do amadurecimento na virtude, mas a que advém a Jesus pelo exercício do seu sumo sacerdócio com a consumação da obra salvadora pela oferta do sacrifício da nova aliança: «a obediência de Jesus leva-o à sua consagração sacerdotal, que, por sua vez, O torna apto para salvar aqueles que Lhe obedecem» (The new Jerome Biblical Commentary, p. 929).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 12, 26

 

Monição: Como aqueles peregrinos da Páscoa da Paixão de Jesus, também nós queremos ver Jesus e aprender d’Ele.

 

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Se alguém Me quiser servir, que Me siga, diz o Senhor,

e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo.

 

 

Evangelho

 

São João 12, 20-33

Naquele tempo, 20alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, 21foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». 22Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. 23Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. 24Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. 25Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. 27Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. 28Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». 29A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». 30Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. 31Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. 32E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». 33Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.

 

Estamos na parte final da 1ª parte do IV Evangelho, do chamado «livro dos sinais». Ouvem-se os últimos apelos de Jesus à fé, mas a multidão permanece dividida (v. 29), e a sua entrega à morte está iminente (vv. 31-33).

20 «Gregos»: não deveriam ser judeus de língua grega, nem prosélitos, mas simples tementes a Deus ou adoradores de Deus, isto é, uns gentios convertidos ao único Deus de Israel, sem no entanto se sujeitarem aos ritos judaicos como o da circuncisão (cf. Act 10, 2; 13, 16.26.50; 16, 14; 17, 4.17; 18, 7).

21-22 «Filipe… André». Filipe é nome grego, bem como o de André, o que ajuda a explicar a mediação de ambos para um encontro com Jesus, pessoas mais acessíveis e compreensíveis para com os estrangeiros. Filipe, tendo em conta que Jesus só se dirigia aos judeus (cf. Mt 15, 24; Mc 7, 27), teve a prudência de tratar do assunto com o conselho de André. «Betsaida» não era rigorosamente da Galileia, mas da Gaulonítide, tetrarquia de Filipe, ficando a oriente da entrada do Jordão no lago de Genesaré. Alguns, para evitar que S. João pudesse ser acusado dum indesculpável erro geográfico, imaginam uma outra Betsaida ocidental. O mais natural é que os habitantes judeus de Betsaida se considerassem galileus, como o próprio Apóstolo Filipe, dando assim lugar a que se pudesse falar, impropriamente, de Betsaida da Galileia.

23-26 A «hora» da «glória» não é de modo nenhum a da glória humana, como poderia ser a da entrada triunfal em Jerusalém, mas a hora de dar a vida, de morrer para dar fruto; e, para o seguidor de Cristo, também já não lhe resta outra alternativa (cf. Jo 15, 18-20) . O sentido da morte de Jesus fica esclarecido com a comparação do «grão de trigo», que deve morrer para dar fruto; nisto está a sua glória e a glória dos seus seguidores. «Desprezar a vida», à letra, odiar:  de acordo com o uso semítico, odiar em oposição a amar, significa não dar grande valor ou amar menos (cf. Gn 29,31-33; Dt 21,15; Mt 6,24; Lc 14,26; 16,13).

27-28 «A minha alma está perturbada… Pai, salva-me…». Esta passagem faz pensar na agonia do Getxemaní relatada nos Sinópticos e a que S. João mal alude (18, 11), a fim de que o leitor não se fixe em tão grande humilhação do Senhor no momento em que Ele avança para a glória da Cruz. Tenha-se na devida conta que em S. João glorificar tem frequentemente um sentido «manifestativo» (cf. 17,1-6.24-26), e o nome equivale à pessoa, por isso «glorifica o teu nome» equivale a manifesta a tua glória. A voz vinda do Céu era um grande motivo de credibilidade na época, a chamada bat-qol; esta ilumina com o sentido optimista da fé a Paixão e Morte do Senhor.

30-31 «Agora, vai chegar a ‘hora’ de Jesus», a hora da glória, que é ao mesmo tempo de vida e salvação e, simultaneamente, de julgamento e condenação (cf. Jo 16, 11). Ao terminar a primeira parte do Evangelho, esta alternativa, a que não se pode fugir, é posta em relevo (vv. 35-36.45-48): ninguém pode ficar na penumbra; tem de optar entre a Luz e as trevas. Mundo aqui identifica-se com os que rejeitam a fé e se situam no domínio tenebroso de Satanás (cf. Lc 4, 5-6).

32 «Erguido da terra», no sentido físico – na Cruz – encerra um segundo sentido espiritual de exaltação e glória, que S. João quer acentuar (cf. Jo 3, 14; 8, 28; 18, 32). Há manuscritos que têm atrairei tudo, em vez de todos: Jesus crucificado exerce um poderoso atractivo sobre todas as almas sinceras, provocando uma resposta de amor incondicional, até que Ele venha a tornar-se o centro de tudo, de todas as actividades humanas e de todo o universo criado por Deus.

 

Sugestões para a homilia

 

– A aliança com Deus implica o perdão dos pecados, que nós obtemos no Sacramento da Reconciliação.

– A salvação pressupõe a obediência à custa de sacrifício, sacrifício a que o nosso Salvador não foi poupado

– Para viver com Cristo também é preciso enterrar o nosso eu e morrer para os vícios e pecados. A nossa glória também está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

A Quaresma encaminha-se para o seu termo e a Paixão do Senhor, cada vez mais próxima, vai mobilizando a atenção dos fiéis, aproveitando ao máximo o conteúdo doutrinal da Liturgia.

O tema da Aliança, na sequência dos domingos passados, volta à 1.ª leitura, hoje pela boca de Jeremias. Mas esta, diz-nos o profeta – será uma aliança «nova» diferente.

É para ser estabelecida após um perdão total dos pecados – «Hei-de perdoar-lhes os pecados e não mais recordarei as suas faltas!» – e comportará uma radical transformação interior. Os termos da Aliança já não serão impostos a partir de fora, de acontecimentos exteriores ao próprio homem. Não. Vão brotar-lhe do coração porque é lá, no seu íntimo que vai situar-se a fonte, a raiz e a plenitude da salvação transformadora: «Hei-de pôr-lhes a minha Lei no íntimo da alma e gravar-lha-ei no coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu Povo».

Mas esta «nova aliança» é constituída a partir do sangue derramado de Jesus Cristo, na morte sangrenta que plenamente aceita, fazendo depender deste sacrifício o nosso resgate, a nossa salvação. Enfim, estamos no núcleo do mistério pascal, do seu dinamismo: através da morte, a caminho da vida, pela Ressurreição.

 

E assim, na 2.ª leitura, o autor da Carta aos Hebreus lembra-nos toda esta realidade angustiosa e trágica da paixão do Senhor, ao dizer-nos que «nos dias da Sua vida mortal» dirigiu «preces e súplicas com um forte brado e com lágrimas» àquele que O podia livrar da morte. E o Filho aceita deliberadamente a vontade do Pai, «aprendendo, de quanto sofrera, o que é obedecer». Como Filho de Deus, não tinha necessidade alguma de enfrentar a morte nem de passar pelo sofrimento; aceitou porém uma coisa e outra, tornando-se assim «causa de salvação eterna» para todos aqueles que se Lhe juntam na obediência.

 

É este Cristo «obediente, sofredor, abandonado, atormentado, crucificado» que a Liturgia de hoje nos apresenta: este quinto domingo da Quaresma também é conhecido por «domingo da Paixão» e tradição, em muitas das nossas terras, marca-o com procissões dos «Passos» dolorosos do Senhor.

Mas – e voltamos à dinâmica do Mistério Pascal – a cruz do Gólgota, não é o fim. É o preâmbulo, é condição necessária; mas o fim é a vida, e a vida em abundância.

Com a leitura do Evangelho de hoje, aproximemo-nos do Senhor, que está em Jerusalém a preparar-se para a Festa. Juntemo-nos a um grupo de gregos que, para poderem ver Jesus, recorreu a Filipe e a André. Chegam, e que lhes diz o Senhor? Fala-lhes logo de glorificação. Mas, estranha glorificação esta! Ora ouçamos: «Em verdade vos digo; Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto. Quem tem amor à vida, perde-a; e quem detesta a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a Vida eterna».

O Senhor sabe que a sua glorificação e a glorificação dos seus virá pela morte, comparada à do grão de trigo, condição para que germine em nova espiga.

Da sua morte nascerão o novo povo de Deus, que vai acolher gregos e judeus, homens de todas as raças e nações, todos chamados à Vida nova, à nova aliança no Seu sangue: «uma vez elevado da terra, atrairei todos a Mim».

E, apesar de toda esta perspectiva de triunfo, o Senhor não deixa de sentir o sofrimento: «Agora a minha alma está perturbada: E que hei-de dizer? Pai, salva-me desta hora?» Dias mais tarde – Getsémani –, dirá «A minha alma está numa tristeza de morte.»

Estas palavras mostram-nos a realidade crua da Paixão do Filho de Deus que, sendo verdadeiro homem, saboreou em toda a plenitude a amargura e aflição dos tormentos.

Mas, não recuou! Ele sabe que está no ponto-cume da Sua missão: «Por causa disto é que eu cheguei a esta hora!»

Neste domingo da paixão, do sofrimento, em que antes se celebrava o dia mundial do doente, dos nossos doentes, grãos de trigo que, como o Senhor vão morrendo a caminho duma vida sem limitações, saibamos assumir a nossa condição de sofredores, e encontrar na luz que nos vem da Paixão do Senhor a resposta a tantos e tão grandes problemas que o sofrimento sempre levanta.

Não caiamos, nem deixemos que ninguém caia no desespero.

A cruz, a de Cristo, e a nossa com Ele, é a véspera da Ressurreição! 

 

 

Oração Universal

 

(extraída do livro da Oração dos Fiéis para este domingo)

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Escutai a minha prece, A. Cartageno, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

 

Cântico da Comunhão: Amai como Eu vos amei, J. Santos, NRMS 87

Jo 12, 24-25

Antífona da comunhão: Em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará fruto abundante,

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fica connosco, M. Carneiro, NRMS 94

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Escutámos no Evangelho de hoje Jesus a dizer-nos, que ao ser elevado na Cruz, havia atrair todos a Ele. Que Jesus seja o centro de atracção dos nossos pensamentos, palavras e acções de todos os momentos da nossa semana que hoje começa.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

feira, 3-IV: Perdão de Deus e conversão.

Dan. 13, 41-62 / Jo. 8, 1-11.

Ninguém te condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor... Também eu não te condeno. Vai, e doravante não tornes a pecar.

Susana foi acusada injustamente de um pecado de adultério e foi salva de morte certa pela intervenção do profeta Daniel (cf. Leit.). O mesmo aconteceu à mulher adúltera, que foi salva por Jesus.

Os que cometem pecados graves merecem igualmente a morte eterna. Mas devem aumentar a esperança, porque Jesus ofereceu a sua vida para nos salvar da morte. Como Filho de Deus, tem o poder de perdoar os nossos pecados; exerce esse poder: «os teus pecados são-te perdoados»; e confia-o aos sacerdotes.

 

feira, 4-IV: Um olhar que salva.

Num. 21, 4-9 / Jo. 8, 21-30

Faz uma serpente de fogo e prende-a num poste. Todo aquele que, depois de mordido, olhar para ela, terá a vida salva.

Quem olhasse para a serpente de fogo evitava uma morte certa (cf. Leit.). Esta serpente é uma imagem da Cruz de Cristo no Calvário.

Podemos olhar para a Cruz de Cristo quando meditamos nos mistérios dolorosos do Rosário, quando fazemos a Via Sacra, quando lemos as passagens da Paixão no Evangelho e quando participamos na celebração eucarística: «Pela sua santíssima paixão no madeiro da Cruz, Ele mereceu-nos a justificação...sublinhando o carácter do sacrifício de Cristo como fonte de salvação eterna. E a Igreja venera a Cruz cantando: ‘Avé, ó Cruz, esperança única’» (CIC, 617).

 

feira, 5-IV: A libertação das escravidões.

Dan. 3, 14-20. 91-92. 95 / Jo. 8, 31-42

Bendito seja o Deus de Sidrach... Mandou o seu Anjo, para livrar os seus servidores, que tiveram confiança nele.

Os três jovens, embora sendo escravos do rei da Babilónia, foram salvos e libertados pela confiança em Deus (cf. Leit.). Jesus fala de uma outra escravidão, a escravidão do pecado, da qual só Ele nos poderá libertar: «se o Filho vos libertar, sereis realmente livres (Ev.).

Temos que enfrentar muitas propostas da sociedade em que vivemos e procura escravizar-nos. Poderemos resistir a essas seduções, apoiando-nos em Cristo (cf. Ev.). E empenhando-nos também em construir uma cultura de valores cristãos que se oponham a esses propostas pagãs.

 

feira, 6-IV: Fidelidade à Aliança.

Gen. 17, 3-9 / Jo. 8, 51-59

Esta é a minha aliança contigo: serás pai de um grande número de nações.

Deus chama Abraão para estabelecer com ele uma aliança (cf. Leit.). Confiou em Deus e venceu todas as provações, tornando-se um exemplo de fidelidade. Se confiarmos na palavra de Deus seremos igualmente salvos: «se alguém guardar a minha palavra nunca mais verá a morte» (Ev.).

A Aliança estabelecida com Abraão foi renovada, de uma vez para sempre, por Cristo na Cruz. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo e também um sacrifício, que se verifica nas palavras da instituição: ‘nova Aliança no meu sangue que será derramado por vós’ (cf. Lc. 22, 19-20). Sejamos fiéis aos nossos compromissos do Baptismo.

 

feira, 7-IV: A vitória alcançada na Cruz.

Jer. 20, 10-13 / Jo. 10, 31.42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso (cf. Leit.) é o próprio Cristo, que veio à terra para vencer o demónio. No entanto, os judeus queriam apedrejá-lo (cf. Ev.).

Esta luta contra o demónio continuará até ao fim dos tempos. Mas temos motivos de esperança, porque Cristo venceu e nada devemos temer, porque a derrota já está consumada. Esta vitória de Cristo foi alcançada na Cruz: «A vitória sobre o ‘príncipe deste mundo’ foi alcançada de uma vez para sempre, na hora em que Jesus livremente se entregou à morte para nos dar a sua vida» (CIC, 2853).

 

Sábado, 8-IV: Meios para obter a unidade dos cristãos.

Ez. 37, 21-28 / Jo. 11, 45-56

(Caifás) profetizou que Jesus ia morrer pela nação;... também para trazer à unidade os filhos de Deus que andavam dispersos.

O Senhor Deus, através de Ezequiel, já prometera reunir os filhos de Israel, dispersos por toda a parte (cf. Leit.). E Caifás afirma que a unidade dos filhos de Deus será fruto da morte de Jesus na Cruz (cf. Ev.). Mas a unidade é também dom do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, reuniu uma enorme multidão, de diferentes línguas.

A unidade dos cristãos é indispensável para que a Igreja de Deus seja um sinal cada vez mais luminoso de esperança e conforto para toda a humanidade (cf. Paulo VI). A oração do Pai nosso é feita com e por todos os homens para que se unam à volta do Pai comum (cf. CIC, 2793).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:    A. F. (adaptação de G. M.)

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:            Nuno Romão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha


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